Como os simpáticos Minions viraram bolsominions no Brasil
A chegada de “Minions 2 – A Origem de Gru” aos cinemas nesta quinta (30/6) traz de volta as pequenas e atrapalhadas criaturas amarelas, que se popularizaram após surgirem como coadjuvantes em “Meu Malvado Favorito” (2010). O sucesso tornou os Minions parte da cultura pop do século 21, motivando a criação de brinquedos, jogos, roupas, acessórios e uma série de filmes próprios, além de um “movimento político”. No Brasil, as simpáticas criaturinhas originaram o termo “bolsominion” para denominar os seguidores não tão agradáveis de Jair Bolsonaro. Nos filmes, os Minions são devotados seguidores de seu mestre, um vilão com planos para conquistar o mundo. Eles já seguiram Drácula, Napoleão e, na história que se desdobra desde “Meu Malvado Favorito”, o vilão Gru. A analogia com os seguidores de Bolsonaro também acontece por conta da cor dos pequenos, amarela como a camisa da CBF, usada em larga escala em manifestações a favor de Bolsonaro. Além disso, a devoção dos Minions é tão grande que não há qualquer contestação, mesmo diante de situações absurdas e altamente questionáveis. O termo “bolsominion” não tem autoria definida, mas depois que surgiu virou meme imediato e foi rapidamente incorporado ao vocabulário cotidiano do país, sendo adotado por pessoas de todos os espectros políticos – inclusive pelo próprios bolsominions, orgulhosos pela denominação. Se os opositores se valem da devoção incondicional dos Minions para expor uma postura acrítica e conivente, os partidários de Bolsonaro fazem questão de exaltar justamente a devoção à causa de seu líder. Uma olhada rápida na timeline do Twitter desta quinta (30/6) aponta o uso do termo por várias pessoas, entre elas o cantor Otto, o influenciador Felipe Neto, o jornalista Guga Noblat, entre muitos outros, para criticar o governo. Por outro lado, muitas outras pessoas se assumem “bolsominions com muito orgulho”, como a vereadora Jessicão, de Londrina/PR, que no domingo (26/6) postou um tuite saudando todos os bolsominions e obteve mais de 2 mil curtidas, 60 respostas e 200 retuítes à interação. Seja como for, em “Minions 2 – A Origem de Gru”, está em cartaz com mais motivos para os Minions seguirem como sucesso de todos os públicos, independente de predileção política.
Artistas se revoltam contra “manual do aborto” que propõe investigar vítimas de estupro
Artistas brasileiras estão fazendo um apelo urgente nas redes sociais contra uma audiência pública do Ministério da Saúde, marcada para a manhã de terça-feira (28/6) para discutir um “manual do aborto”. Uma versão preliminar do tal documento, divulgada no dia 7, afirmava que todo aborto é crime. Mais que isso: todo abordo precisaria ser investigado criminalmente para comprovar que ele foi realizado nos casos de “excludente de ilicitude” previstos em lei – se foi fruto de estupro, se representa risco à vida da gestante ou se há anencefalia do feto. Uma campanha online contra o manual está sendo divulgada nas redes sociais, com links para uma petição já assinada por cerca de 40 mil pessoas, algumas bem famosas. “URGENTE: amanhã de manhã vai rolar uma audiência pública para discutir o novo manual do aborto do Ministério da Saúde, que prevê que pessoas que sofreram violência sexual e fizeram um aborto legal sejam investigadas pela polícia”, informaram Dira Paes, Camila Pitanga, Ana Hikari e muitas outras, num texto coletivo feito para divulgar a campanha. As postagens também lembraram o caso recente da menina de 11 anos que foi estuprada e teve seu direito ao aborto legal negado. “Não podemos permitir que casos como o da menina de Santa Catarina se repitam. Pessoas que engravidaram em decorrência de estupro, que gestam fetos anencéfalos ou que correm risco de morrer, caso levem adiante a gestação, precisam acessar o serviço de abortamento de forma segura e humanizada”, disse. As artistas convidaram seus seguidores a pressionarem o Ministério da Saúde para que o projeto não siga adiante: “O Ministério abriu um canal para que pessoas como eu e você se manifestem sobre o manual. Vamos lotar a caixa de email deles com um só coro – não vamos ‘aguentar mais um pouquinho’ [frase dita à menina de Santa Catarina]! Exija que eles cuidem de nossas meninas”. Marcela McGowan acrescentou outro protesto: “Vítima não é suspeita! É inadmissível que um manual do Ministério da Saúde incentive a investigação de vítimas de violência sexual que tentam acessar o serviço de aborto legal!” As cantoras Teresa Cristina e Maria Rita, o diretor Kleber Mendonça Filho e o comediante Gregorio Duvivier, também participaram da divulgação, entre muitos outros. O texto preliminar foi desenvolvido pelo secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde e militante antiaborto Raphael Câmara. “Não existe aborto ‘legal’ como é costumeiramente citado, inclusive em textos técnicos”, diz o esboço do manual. “O que existe é o aborto com excludente de ilicitude. Todo aborto é um crime, mas quando comprovadas as situações de excludente de ilicitude após investigação policial, ele deixa de ser punido, como a interrupção da gravidez por risco materno.” A iniciativa gerou repúdio de especialistas. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) lamentou que haja um esforço para produzir um “manual” com “inúmeros equívocos e incoerências”, enfatizando recomendações que vão contra todas as definições de organizações internacionais do setor, em defesa da vida das mães. “A Febrasgo reafirma que sim, existe aborto legal no Brasil, devendo ser o aborto tratado como uma questão de saúde pública e que, a construção de documentos e normativas assistenciais devam contar com a participação das sociedades científicas que representam os profissionais envolvidos na atenção à saúde”, diz a Febrasgo em comunicado oficial sobre o tema. A audiência do “manual do aborto” deve começar às 9h e será transmitida pelo YouTube do Ministério da Saúde. 🚨 URGENTE: amanhã de manhã vai rolar uma audiência pública para discutir o novo manual do aborto do Ministério da Saúde, que prevê que pessoas que sofreram violência sexual e fizeram um aborto legal sejam investigadas pela polícia. — Dira Paes (@DiraPaes) June 27, 2022 🚫 Não podemos permitir que casos como o da menina de SC se repitam. Pessoas que engravidaram em decorrência de estupro, que gestam fetos anencéfalos ou que correm risco de morrer caso levem adiante a gestação precisam acessar o serviço de abortamento de forma segura e humanizada — Ana Hikari (@_anahikari) June 27, 2022 📣 O Ministério abriu um canal para que pessoas como eu e você se manifestem sobre o manual. Vamos lotar a caixa de email deles com um só coro – não vamos "aguentar mais um pouquinho"! Exija que eles #CuidemDeNossasMeninas em: https://t.co/EVBxJSsoIO — Camila Pitanga (@CamilaPitanga) June 27, 2022 VÍTIMA NÃO É SUSPEITA! É inadmissível que um manual do Ministério da Saúde incentive a investigação de vítimas de violência sexual que tentam acessar o serviço de aborto legal! Pressione agora pela revogação: https://t.co/vBEufXxmIf #CuidemDeNossasMeninas — Marcela Mc Gowan 🔮 (@marcelamcgowan) June 27, 2022 Acabei de assinar a campanha #CuidemDeNossasMeninas, que pressiona o Ministério da Saúde pela derrubada do novo manual sobre aborto, que quer investigar criminalmente as vítimas de violência sexual que fazem um aborto legal. https://t.co/4bV30r4lw7 — Maria Rita (@MariaRita) June 27, 2022 Para assinar a campanha #CuidemDeNossasMeninas, que pressiona o Min da Saúde pela derrubada do novo manual sobre aborto, que quer investigar criminalmente vítimas de violência sexual que abortam legalmente. Temos 24h pra agir, eu assinei, faça vc também: https://t.co/qSFHTHsmZX — Kleber Mendonça Filho (@kmendoncafilho) June 27, 2022
Documentário com delator da Odebrecht denuncia pressão para comprometer Lula
O documentário “Amigo Secreto”, que terá première nesta segunda (13/6) e chega formalmente aos cinemas na quinta-feira (16/6), teve um trecho bombástico revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. Dirigido por Maria Augusta Ramos, que fez “O Processo”, sobre o impeachment de Dilma Rousseff, o filme aborda os bastidores da Operação Lava-Jato com denúncias contra os promotores da força-tarefa. O material adiantado pela Folha são declarações de um dos principais delatores da Lava-Jato, o ex-executivo da Odebrecht Alexandrino Alencar. Em seu depoimento para o filme, ele conta ter sofrido pressão dos procuradores para envolver Lula em seu acordo de delação premiada. É a primeira vez que um delator da operação faz esse tipo de afirmação de forma pública, embora supostos abusos tenham sido insinuados e abordados em decisões do STF. Apontado como elo entre a Odebrecht e o PT, Alencar disse que o ex-presidente era “o principal alvo” dos investigadores. “Era uma pressão em cima da gente”, diz o ex-executivo no longa-metragem. “E estava nítido que a questão era com o Lula.” Os interrogadores, segundo ele, insistiam em questões sobre “o irmão do Lula, o filho do Lula, não sei o que do Lula, as palestras do Lula [a empreiteira contratou o ex-presidente para falar em diversos eventos]”. “Nós levávamos bola preta, ‘ah, você não falou o suficiente’. Vai e volta, vai e volta. ‘Senão [diziam os interrogadores], não aceitamos o teu acordo”, acrescentou Alencar. As declarações coincidem com reportagens publicadas na época da Lava-Jato, que diziam que o Ministério Público Federal resistia em aceitar a delação do então executivo porque ele não citava políticos em suas revelações. Segundo Alencar, só depois de concordar em falar sobre Lula, os investigadores concordaram em assinar com ele o acordo de colaboração premiada. Entre outras coisas, Alexandrino detalhou em seus depoimentos os gastos da empreiteira com a obra no sítio de Lula em Atibaia entre 2010 e 2011. “Se eu falasse mais, eu estaria inventando. Estaria contando uma mentira como aconteceu com alguns [delatores] que você sabe, notórios, que mentiram para tentar escapar”, diz ele. “Eu contei a verdade. Eu cheguei no limite da minha verdade.” Esta verdade teria sido fundamental para que o ex-presidente fosse condenado em 2019 a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, num processo que teve a delação de Alexandrino Alencar como principal item de acusação. Apresentada sem mais contexto, a denúncia parece grave. Mas é importante contextualizar para evitar o negacionismo, tão em voga na polarização política atual. Tão relevante quanto a nova declaração é apontar que, apesar do tom de denúncia, Alexandrino Alencar não desmentiu nenhuma de suas delações à Lava-Jato. Informações que ele só confessou após sofrer pressão para delatar o que sabia. Tudo verdade, segundo ele. Alexandrino Alencar também fez outra denúncia no filme “Amigo Secreto” para fortalecer o relato de politização da Lava-Jato. Segundo o ex-executivo, pessoas que ele não nomeia foram dispensadas dos depoimentos quando citaram o nome de Aécio Neves em suas delações. “Não vou dizer o nome do santo. Mas tem colega meu que foi preso em Curitiba, chegou lá, o pessoal [investigadores] começou a perguntar sobre caixa dois [recursos doados para políticos sem registro na contabilidade oficial]. Ele [colega de Alexandrino] falou: ‘Isso aqui é para o Aécio Neves’. Na hora em que ele falou, eles [interrogadores] se levantaram e soltaram ele. Isso é Lava Jato? Isso é um sistema anticorrupção? Ou é uma questão direcionada?”, apontou Alencar. O ex-empreiteiro disse ainda que a sua delação detalhou “vários casos de caixa dois. Infinitos”. Entretanto, nenhum outro político citado sofreu indiciamento. “Não aconteceu nada com ninguém. Aconteceu comigo. Com eles [políticos], não aconteceu nada”. Por isso, Alencar diz-se convencido de que foi preso apenas porque o objetivo da Lava-Jato era chegar a Lula. “A maneira que fizeram… Como surge o Alexandrino nisso aí? Eles começam a me fiscalizar, grampeiam o meu telefone, o telefone do Lula”, afirma. Ele lembrou que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef fizeram delações na cadeia, citando-o como o executivo da Odebrecht que seria o operador das propinas da empreiteira. Com isso, a prisão de Alexandrino foi transformada de temporária em preventiva, sem data para que ele fosse solto, o que gerou a pressão para que colaborasse. “Tão simples assim”, resume o ex-executivo no filme. De novo, torna-se necessário conhecer o contexto. Para começar, apenas aqueles que foram presos preventivamente fizeram delações premiadas. Assim que essa prática foi barrada pelo STF, advogados orientaram seus clientes a ficar em silêncio e aguardar o fim do prazo legal da prisão temporária. Foi o fim das delações. Além disso, após a prisão de Lula, o governo Bolsonaro, a Procuradoria Geral da República e o Congresso Federal também trabalharam para alterar leis, acabar com a força-tarefa e movimentar várias peças na diretoria da Polícia Federal, que dificultaram investigações sobre outros políticos. Isto responde a outra questão levantada por Alexandrino Alencar sobre a impunidade dos demais delatados. Em 2016, Alexandrino Alencar foi condenado por Moro a 13 anos e seis meses de prisão, pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Com o acordo e o pagamento de multas, o tempo foi reduzido para 6 anos e seis meses. Ele já cumpriu um ano em regime fechado, dois anos e meio em semiaberto e agora cumpre o restante em regime aberto. Pode sair de casa normalmente nos dias da semana, sem tornozeleira. Mas está proibido de sair às ruas nos finais de semana. Sua sentença segue em vigor, apesar do STF ter extinguido os julgamentos de Lula, num paradoxo kafkiano que usa a expressão “delimitação de julgado” para se justificar. A suspensão das sentenças contra Lula aconteceram em sessões marcadas por discursos de ministros-juízes com citações ao vazamento de mensagens dos procuradores da Lava-Jato, que foram obtidas por um hacker. Consideradas ilegais e proibidas de serem usadas em tribunais pelo Código de Processamento Penal, elas serviram para o STF “demonstrar” (verbo usado num voto da corte) exemplos que levaram o ex-juiz Sergio Moro a ser considerado suspeito no julgamento do ex-presidente. O filme de Maria Augusta Ramos, coproduzido e distribuído pela Vitrine Filmes, centra-se principalmente nestas mensagens. Ele relata a rotina dos jornalistas Leandro Demori, do site The Intercept Brasil, e Carla Jiménez, Regiane Oliveira e Marina Rossi, do El País Brasil, na cobertura das mensagens vazadas dos integrantes da Lava-Jato. As reportagens sobre o material ficaram conhecidas como o escândalo da Vaza-Jato, em 2019. Maria Augusta Ramos já dirigiu uma dezena de documentários, alguns deles premiados internacionalmente, como “Justiça” (2004), “Juízo” (2007) e “O Processo” (2018), para citar três que focam o Brasil pelo ponto de vista de seu ambiente jurídico elitista.
José Padilha se arrepende de retratar Sergio Moro como herói em “O Mecanismo”
O cineasta José Padilha, que acertou o tom nos dois filmes de “Tropa de Elite”, assume ter errado feio na narrativa da série “O Mecanismo”, que retratou o ex-juiz Sergio Moro como herói. Na série, o juiz da Lava-Jato foi representado pelo personagem juiz Paulo Rigo, interpretado por Otto Jr. O desabafo veio à tona durante uma entrevista à revista Veja. “Ele não iria trabalhar para um presidente sem pesquisar um pouco sobre a vida dele. Em suma, eu fui naïve. Fui ingênuo. Mas não só eu, um monte de gente caiu na mesma ilusão”, disse Padilha sobre Moro e Jair Bolsonaro. “O cara se associou aos milicianos, aos mafiosos, é inacreditável essa trajetória. Realmente, eu fui um idiota de ter acreditado em Sergio Moro”, acrescentou Padilha. O diretor confirmou ter até se afastado de Wagner Moura por causa de discordâncias políticas, e mandou um recado para o ator: “Os dois estavam errados, na minha opinião. Mas é uma burrice você criar picuinha e estresse com um amigo por divergências em torno de política. Eu dou meu braço a torcer, e digo aqui: Wagner, você tinha toda a razão sobre a Lava-Jato. Sem problema nenhum”. Hoje, ele diz que faria a série “O Mecanismo” sem heróis. “Ia ter só bandido dos dois lados. Um roubando os cofres públicos, o outro deturpando as leis processuais para atingir objetivos – que depois viraram objetivos políticos, sim. Ficou bem claro que teve uma perseguição”, destacou. “Não estou dizendo que Lula não sabia da corrupção. Evidente que sabia. Mas ficou óbvio que houve uma exacerbação dos casos contra Lula para tirá-lo da eleição. Se refizesse O Mecanismo, não é que o PT seria melhor, é que seria tudo ruim. O PT, o Ministério Público, o Sérgio Moro. Estava tudo errado ali”, aponta o cineasta. E embora afirme não ter mudado de opinião sobre o Partido dos Trabalhadores, se o segundo turno da eleição presidencial for entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL), votará no petista com a consciência tranquila. “Voto nele sem pestanejar. Pois não adianta viver no mundo ideal, abstrato, descolado do que ocorre. A escolha está dada para o brasileiro”, acrescentou, antes de comentar a alternativa. “Bolsonaro é um sujeito que traz em si todas as características do miliciano do ‘Tropa de Elite 2’. O final do ‘Tropa 2’, que mostra os milicianos chegando à política, foi profético de uma maneira que eu gostaria que não tivesse sido”, completou.
“Vaza Jato” vira documentário. Veja o teaser
O vazamento de mensagens de integrantes da Operação Lava Jato, que ficou conhecido como operação “Vaza Jato”, ganhou documentário. Dirigido por Maria Augusta Ramos, que fez “O Processo”, sobre o impeachment de Dilma Rousseff, o filme ganhou o título de “Amigo Secreto” e teve seu primeiro teaser divulgado pela distribuidora Vitrine Filmes. Veja abaixo. “Amigo Secreto” traz depoimento de alguns dos jornalistas que trabalharam na cobertura e publicações das mensagens em 2019, entre eles Leandro Demori, do site The Intercept Brasil, e Marina Rosse, do El País Brasil. Trabalho de hackers que foram presos pela Polícia Federal, o vazamento ajudou a livrar Luis Inácio Lula da Silva de muitas acusações de corrupção e jogou dúvidas sobre os julgamentos do juiz Sergio Moro, considerado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Embora o uso de comunicações obtidas de forma ilícita seja considerado inaceitável como prova pelo Código de Processamento Penal, juízes do STF usaram o vazamento das mensagens em suas justificativas para as decisões. O eufemismo que embasou a burla foi “reforço argumentativo”. A estreia está marcada para 16 de junho.
Forum Spcine revela importância do setor audiovisual para a economia
A Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo apresenta entre esta terça (10/5) e quinta (11/5) o Forum Spcine, evento que reúne representantes do setor audiovisual da América Latina para discutir a agenda de retomada do audiovisual no pós-pandemia, mas principalmente apresentar dados financeiros do setor, num balanço do impacto econômico gerado pelos seis anos de funcionamento da agência paulistana de fomento. Os dados do retorno da Spcine são impressionantes. O levantamento contábil da agência indica que cada R$ 1 investido pela prefeitura paulistana na produção de um filme ou série na cidade gerou mais de R$ 20 para a economia municipal. A Spcine também pesquisou o retorno financeiro do fomento nacional para revelar que cada real investido por mecanismos como as leis de incentivo federal e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) retornam aos cofres públicos R$ 15 em impostos. O que torna mais difícil para o governo Bolsonaro defender veto, congelar ou desmontar iniciativas que visam estimular o crescimento do setor. Outra informação para desmontar argumentos de quem não consegue ver importância econômica na Cultura: estimativas da Ancine, a Agência Nacional do Cinema, apontam que o setor audiovisual brasileiro movimentou em 2018, último ano antes do estrago causado por Bolsonaro, um valor maior do que as indústrias têxtil e farmacêutica, estimulando também empresas prestadoras de serviços como hotelaria, alimentação e transporte para as equipes – serviços que estão entre os mais afetados pela pandemia. “A sociedade conhece pouco os dados do setor audiovisual. Não tem como a gente debater políticas para o setor sem entender quão estratégico ele é”, afirma Viviane Ferreira, presidente da Spcine, comentando os valores para o jornal Folha de S. Paulo. Para ela, os dados obtidos pelo serviço de inteligência da agência junto à Secretaria Municipal da Fazenda, o IBGE e a Ancine “mostram para a gente que a economia criativa faz sentido.” O levantamento indica ainda que a produção audiovisual emprega anualmente cerca de 210 mil pessoas apenas na cidade de São Paulo, além de outras 290 mil de forma indireta, por meio da rede de serviços que estimula, movimentando R$ 5 bilhões no próprio setor audiovisual e outros R$ 6 bilhões em áreas relacionadas. Apesar disso, a Ancine congelou sua política de incentivo durante o governo Bolsonaro, com uma paralisação no repasse da verba do FSA que atrasou centenas de produções de cinema e televisão no país e causou preocupação no setor. Um montante de R$ 5 milhões do FSA seria destinado a 52 projetos de editais da Spcine, que ainda não foram liberados aos realizadores. Tão importante quanto as revelações feitas por estes dados é o próprio sucesso da Spcine. Embora o Brasil esteja acostumado com as destruições de iniciativas bem-sucedidas a cada mudança de governo, como Bolsonaro fez com o Bolsa Família, a Spcine demonstra que progresso é seguir em frente e não parar para recomeçar sempre. Afinal, a agência foi uma boa ideia de um governo petista, iniciada na gestão do prefeito Fernando Haddad, que foi encapada e fortalecida por um rival, o falecido prefeito tucano Bruno Covas, que ampliou seu alcance para meios digitais e lhe destinou maior investimento. Agora, o atual prefeito Ricardo Nunes incluiu estudos da Spcine na legislação municipal, ao assinar nesta terça (10/5), durante a abertura do Forum, decreto que estabelece normas e viabiliza filmagens em ZER (Zonas Exclusivamente Residenciais) na capital paulista. “Isso diminui a dificuldade do diálogo para se fazer filmagens nos bairros da cidade. Isso é um grande avanço”, afirmou a secretária municipal de Cultura, Aline Torres. Não há melhor exemplo de como a continuidade de políticas públicas é fundamental para o crescimento do país.
Bolsonaro está obcecado por Anitta
Os brasileiros descobriram nos últimos dias que Jair Bolsonaro é fã número 1 de Anitta. Inconformado por ter levado block da cantora, ele tem falado dela sem parar, fazendo de tudo para chamar a atenção da artista, que, para sua tristeza, segue ignorando-o. “Ai garoto vai catar o que fazer vai”, escreveu Anitta em 16 de abril para Bolsonaro, anunciando o bloqueio pela insistência do fã de comentar suas postagens. Só que a rejeição parece ter deixado Bolsonaro mais obcecado por ela. Não por acaso, após ser bloqueado por Anitta, ele deu um print na ação da cantora e colocou como trilha sonora “Envolver”, hit internacional da brasileira. Na terça (3/5), o fã não conseguiu conter sua admiração e resolveu comentar o encontro de Anitta com outro de seus ídolos, o ator Leonardo DiCaprio, durante o baile Met Gala em Nova York. Na ocasião, a cantora disse que “passou horas” conversando com o ator e afirmou que o artista norte-americano sabia mais sobre a importância da floresta amazônica do que o comentarista de celebridades do Planalto. “Fico feliz que tenha falado com um ator de Hollywood, Anitta, é o sonho de todo adolescente”, disse o fã número 1, demonstrando sua própria excitação adolescente, antes de acrescentar um comentário sobre como também falava com seu cercadinho de fiéis – aqueles que lhe pedem emprego e ele reclama em resposta, porque, afinal, tem coisas mais importantes para escrever nas redes sociais que ficar perdendo tempo resolvendo a crise de desemprego do Brasil. “O compromisso da Anitta com a democracia é inspirador”, escreveu DiCaprio em português no Twitter sobre o bate-papo com a cantora, ignorando o fã que queria aparecer a suas custas. “Conversar com artistas talentosos e comprometidos em ajudar a salvar o planeta me traz esperança de um futuro melhor”, acrescentou o americano. Bolsonaro deve ter ficado com ciúmes por não conseguir a mesma atenção de Anitta, pois num rompante disse que DiCaprio deveria “ficar de boca fechada” e parar de falar “besteira”… DiCaprio e Anitta têm usado suas redes sociais para fazer campanha para os jovens brasileiros tirarem o título de eleitor, algo que o comentarista social do Planalto, que não olha para cima, também não tem tempo para fazer. Os dois ainda têm demonstrado preocupação com a situação da Amazônia sob o governo responsável por recorde de desmatamento do país.
Mark Ruffalo elogia e compartilha vídeo de influenciador da Maré
Depois de convocar brasileiros a mandarem vídeos para ajudar a convencer jovens a tirarem o título eleitoral no país, Mark Ruffalo enalteceu o trabalho do influenciador Raphael Vicente, morador da Maré. “Que lindo ver os jovens reagindo, muitos vídeos incríveis! Esse aqui do Raphael Vicente está demais! Continuem mandando, o prazo é quarta agora, 4 de maio! #TiraoTituloHoje”, escreveu o intérprete do Hulk no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Raphael Vicente é um jovem morador da Maré, no Rio, conhecido por fazer vídeos com a família. O trabalho elogiado por Ruffalo recria cenas de “Meninas Malvadas” com Lucieni, sua madrinha, como protagonista. Ela é dona de um título de eleitor, que todo mundo quer copiar para ficar na moda. O vídeo foi feito sem nenhum apoio governamental e já soma mais de 1,2 milhão de visualizações no Twitter. Que lindo ver os jovens reagindo, muitos vídeos incríveis! Esse aqui do @raphaelviicente está demais! Continuem mandando, o prazo é quarta agora, 4 de maio! #TiraoTituloHoje https://t.co/TENMqs60TR — Mark Ruffalo (@MarkRuffalo) May 3, 2022 ENTRA NO CARRO JOVEM, VAMOS TIRAR ESSE TÍTULO! Essa é a melhor campanha pra tirar o título de eleitor que vcs vão ver hojee pic.twitter.com/AO8UxPT9f2 — rapha (@raphaelviicente) April 27, 2022
Mark Hamill se junta a DiCaprio e Mark Ruffalo em campanha por voto de jovens brasileiros
Os atores Mark Ruffalo e Leonardo DiCaprio voltaram a fazer nesta segunda (2/5) novos apelos para que os jovens brasileiros tirem seus títulos eleitorais para votarem nas próximas eleições. Desta vez, eles escreveram em português e receberam o reforço de Mark Hamill. O eterno Luke Skywalker aproveitou a coincidência da data limite para a regularização eleitoral, que cai nesta quarta, dia 4 de maio, para evocar o tradicional trocadilho que estabeleceu a data como Dia “Star Wars”: “may the 4th be with you” – que soa em inglês “que a força esteja com você”, mas é literalmente “que o 4 de maio esteja com você”. DiCaprio, por sua vez, agradeceu “aos heróis da democracia no Brasil que estão ajudando os jovens a se registrar para votar”. E Ruffalo pediu para enviarem “vídeos que vocês fizeram incentivando outros jovens a tirar o título”, o que rendeu algumas publicações bem divertidas. Tanto Ruffalo quanto DiCaprio incluíram links em seus posts para endereços oficiais que indicam como os jovens acima de 16 anos devem proceder para tirar seus títulos eleitorais. Veja abaixo. Obrigado aos heróis da democracia no Brasil que estão ajudando os jovens a se registrar para votar. Para saber mais sobre como tirar o seu título online até o dia 4 de maio, acesse https://t.co/Ok03JYLH0U, https://t.co/vnKyBBO6Dq, https://t.co/UfqsCAMZiz https://t.co/Ok03JYLH0U — Leonardo DiCaprio (@LeoDiCaprio) May 2, 2022 Galera do Brasil! Deem RT aqui com os vídeos que vocês fizeram incentivando outros jovens a tirar o título. Vou repostar 5 vídeos antes da data limite de 4 de maio. Vamos bombar essa campanha! A democracia e o planeta saem ganhando. https://t.co/Cl57pzWi0f — Mark Ruffalo (@MarkRuffalo) May 1, 2022 Tirem o título de eleitor até 4 de maio, jovens do Brasil! May the 4th be with you…ALL! 🇧🇷 pic.twitter.com/JmlC8qFYZV — Mark Hamill (@MarkHamill) May 2, 2022
Marco Pigossi produz documentário sobre políticos LGBTQIAP+ no Brasil
O ator Marco Pigossi (“Cidade Invisível”) está produzindo um documentário sobre candidaturas de políticos LGBTQIAP+ no Brasil. Intitulado “Corpolítica”, o filme que tem direção e roteiro assinados por Pedro Henrique França (roteirista de “Quebrando o Tabu”). A primeira foto do projeto foi divulgada neste fim de semana e registra Pigossi e França ao lado da vereadora Erika Hilton de São Paulo. Ela é uma das personagens da obra, que discute o vazio de representatividade LGBTQIAP+ na política brasileira. O retrato dos trio foi feito em frente a uma bandeira criada pelo artista Luiz Wachelke para o cenário de entrevistas do longa, que acompanhou as candidaturas de Hilton, Andréa Bak, Monica Benicio e William De Lucca nas eleições de 2020. O lançamento do documentário está previsto para este ano.
Leonardo DiCaprio pede para jovens brasileiros tirarem título de eleitor
Depois de Mark Ruffalo, mais uma estrela de Hollywood entrou na campanha para que os jovens brasileiros se cadastrem pra votar nas eleições presidenciais. O ator Leonardo DiCaprio, que já esteve no Brasil participando de projetos ambientais na Amazônia, fez um apelo para os fãs mais jovens nas redes sociais. “O Brasil é o lar da Amazônia e outros ecossistemas críticos para as mudanças climáticas. O que acontece lá importa para todos nós e votação entre jovens é chave em motivar mudanças por um planeta saudável”, escreveu em inglês o astro de “Não Olhe para Cima”. Junto de sua mensagem, DiCaprio divulgou o site olhaobarulhinho.com, plataforma da campanha do TSE para cadastro de menores a partir dos 16 anos, e a hashtag #tiraotitulohoje. O portal possui um passo-a-passo de como emitir pela primeira vez, regularizar ou transferir o título de eleitor. Além disso, há links para alguns grupos no WhatsApp e no Telegram para conversas e avisos sobre o processo eleitoral. Brazil is home to the Amazon and other ecosystems critical to climate change.What happens there matters to us all and youth voting is key in driving change for a healthy planet. For more on voter registration in Brazil before May 4, visit https://t.co/0mKrfxLdRR #tiraotitulohoje — Leonardo DiCaprio (@LeoDiCaprio) April 28, 2022
Mark Ruffalo faz campanha para jovens brasileiros tirarem título de eleitor
O ator Mark Ruffalo, intérprete do Hulk nos filmes do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), retomou sua campanha nas redes sociais para que os jovens brasileiros tirem seus títulos de eleitor para ficarem aptos a votar para presidente em outubro. “Olá, amigos do Brasil! Se você tem 16 ou 17 anos, certifique-se de fazer seu registro para votar antes do prazo de 4 de maio. O que acontece no Brasil afeta todos nós. Seu voto é seu poder. Use seu poder!”, ele escreveu no Twitter nesta terça-feira (26/4). Na postagem, Ruffalo ainda acrescentou a hashtag “tira o título hoje” e citou a campanha “Olha o Barulhinho”, que traz informações sobre a solicitação do documento e a importância das eleições. Não é a primeira vez que o ator se manifesta sobre o assunto. Em março, ele foi mais claro em seu pedido, convocando os fãs brasileiros mais jovens a tirem o título para “derrotar Bolsonaro”. Hey friends in Brazil! If you're 16 or 17, make sure to register to vote before the May 4th deadline. What happens in Brazil matters to all of us. Your vote is your power. Use your power! https://t.co/Cl57pzWi0f #tiraotitulohoje — Mark Ruffalo (@MarkRuffalo) April 26, 2022
Ataque de bolsonarista a “Medida Provisória” reforça denúncia do filme
O ex-chefe da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, retomou seus ataques ao filme “Medida Provisória”, confundindo a trama de ficção com o governo do qual fazia parte até recentemente. Em tuítes publicados nesta terça (12/3), Camargo afirma que o diretor Lázaro Ramos acusa Bolsonaro de deportar os cidadãos negros de volta para a África. E, por conta disso, pede que o filme seja boicotado. Mas o detalhe mais bizarro é que Camargo completou seu ataque sugerindo que negros de esquerda fossem realmente enviados para países africanos, sem se dar conta que seu ataque só reforça o argumento do filme, cada vez mais parecido com a realidade. Com estreia marcada para esta quinta (14/4), “Medida Provisória” é o primeiro longa dirigido pelo ator Lázaro Ramos. Conta a história de um Brasil distópico no qual o governo decide enviar a população negra para países africanos, num ato racista que tenta se passar por uma reparação histórica. Bolsonaro não é mencionado nenhuma vez no longa, que começou a ser produzido em 2017, dois anos antes do início do governo atual. A história, na verdade, é uma adaptação da peça “Namíbia, Não!”, escrita pelo também ator baiano Aldri Anunciação, que foi encenada para mais de 100 mil espectadores em 234 apresentações em 10 estados brasileiros, desde 2011. Em 2012, o texto foi publicado em livro e venceu o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria Ficção para Jovens, tornando Aldri Anunciação o primeiro negro a receber este prêmio por uma obra de ficção. Aparentemente, o ex-presidente da Fundação Palmares não tem muito conhecimento sobre a cultura afrodescendente, a ponto de ignorar a origem do filme e o marco de Anunciação. Esta foi a segunda vez que Camargo acusou o filme de Ramos de denunciar racismo do governo Bolsonaro. A primeira foi há 13 meses, em março de 2021. Na época, acusou sem ver o filme, espalhando fake news sobre seu conteúdo. Mas a cada nova manifestação, o candidato a deputado parece confirmar a denuncia artística exibida nas telas, pelo menos com negros que não votam em Bolsonaro. A assessoria do longa afirma que “qualquer ataque ao filme apenas representa o dirigismo cultural que, neste momento, quer determinar quais filmes podem ser realizados no país”. Já exibido e premiado em festivais internacionais desde 2020, “Medida Provisória” conta com 92% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes e chega ao Brasil após enfrentar dificuldades envolvendo a Ancine, a Agência Nacional do Cinema, numa experiência semelhante à de “Marighella”, de Wagner Moura, outro filme com protagonista negro. Para Ramos, teria havido manobra burocrática para dificultar ou impedir (censura) a exibição do longa para o público brasileiro.












