The Crown: Vídeo legendado aborda a mudança de intérpretes da 3ª temporada
A Netflix divulgou um vídeo da 3ª temporada de “The Crown”, que traz depoimentos do criador Peter Morgan (“A Rainha”) e do novo elenco da atração, abordando justamente a transição de intérpretes na nova fase da atração. “Não me preocupou ter um novo elenco, mas, sim, dar a sensação de ser a mesma série”, explicou Morgan sobre os desafios da temporada. A mudança se deu por conta da passagem de tempo – cada temporada registra uma década na monarquia britânica. A série, que começou nos anos 1950, chega nos próximos episódios à década de 1970 e traz Olivia Colman (vencedora do Oscar 2019 por “A Favorita”) no papel da Rainha Elizabeth – mantendo muitos dos trejeitos e da dicção de sua antecessora, a atriz Claire Foy, que estrelou as duas primeiras temporadas da série. Além de Olivia Colman, o elenco central agora traz Tobias Menzies (série “Outlander”) como o príncipe Philip e Helena Bonham Carter (“Cinderela”) como a princesa Margaret – papéis anteriormente vividos por Matt Smith e Vanessa Kirby. Outros integrantes da nova fase incluem Jason Watkins (“A Bússola de Ouro”) no papel do primeiro-ministro Harold Wilson, Josh O’Connor (“Reino de Deus”) como o jovem Príncipe Charles e Emerald Fennell (“Call the Midwife”) na pele de Camilla Parker-Bowles, o primeiro amor do Príncipe. Por sinal, a intérprete da Princesa Diana também já se encontra definida, mas a atriz Emma Corrin (“Pennyworth”) deve ser introduzida só na 4ª temporada da série, gravada simultaneamente pelos produtores. O mesmo deve acontecer com a Margaret Thatcher de Gillian Anderson (“Arquivo X”), que assumiu o poder em 1979. A 3ª temporada de “The Crown” será lançada no domingo (17/11) em streaming.
Sex Education: 2ª temporada ganha fotos com Gillian Anderson e Asa Butterfield
A Netflix divulgou seis fotos da 2ª temporada de “Sex Education”, que reúnem os diversos personagens da atração. A série de comédia britânica é estrelada por Asa Butterfield (“O Lar das Crianças Peculiares”) como um adolescente virgem, que percebe que todos os anos embaraçosos em que viveu com sua mãe (Gillian Anderson, de “Arquivo X”), uma terapeuta sexual, podem ajudá-lo a se tornar popular e ainda ganhar dinheiro em sua escola. Coagido pela bad girl do colégio (vivida por Emma Mackey, de “Badger Lane”) e apoiado por seu melhor amigo e gay assumido (Ncuti Gatwa, de “Stonemouth”), ele decide abrir uma consultoria sexual para adolescentes inexperientes. Graças a seu sucesso, “Sex Education” se tornou uma das raras séries da Netflix a ter sua audiência revelada. Logo após seu lançamento em janeiro, a empresa tornou público o número de 40 milhões de espectadores num relatório para o mercado. Ainda não há data de estreia definida para o segundo ano, que vai chegar à plataforma de streaming em 2020.
Vanessa Hudgens canta música de High School Musical em karaokê
Em clima assumido de nostalgia, a atriz Vanessa Hudgens publicou no Instagram um vídeo em que canta uma versão karaokê de “Breaking Free”, música que ela gravou na trilha sonora original de “High School Musical”, em 2006. “Aqui está uma versão ruim, agressiva e totalmente sóbria de Breaking Free”, ela escreveu, brincando, ao publicar o vídeo. “Sim, isso aconteceu”. Em 2016, quando a produção completou 10 anos, Vanessa disse em entrevista ao programa “Good Morning America” que o sucesso de “High School Musical” “foi um turbilhão” e que “àquele ponto parecia que literalmente éramos os Beatles”. Na época, ela chegou até a namorar de verdade seu par romântico da ficção, o ator Zac Efron. Logo após o fenômeno, ela entrou num período de papéis de garotas malvadas, em produções como “Spring Breakers: Garotas Perigosas” (2012) e “Machete Mata” (2013). Mas, aos 30 anos, voltou a estrelar comédias românticas para adolescentes, agora na Netflix – “A Princesa e a Plebeia” (2018), que terá continuação, e “Um Passado de Presente”, que estreia em 21 de novembro. Já “High School Musical” voltará a ganhar vida numa série da plataforma Disney+ (Disney Plus), que estreia nesta terça (12/11) nos Estados Unidos. Ver essa foto no Instagram Um. Here’s a really bad, aggressive, and totally sober ???? version of breaking free. Yep. That happened lol it hurts my ears but also makes me laugh lol ??♀️ the “ooo yeah”. Dear lord lol ??♀️?? Uma publicação compartilhada por ??Vanessa Hudgens?? (@vanessahudgens) em 10 de Nov, 2019 às 12:27 PST
Titãs é renovada para a 3ª temporada
A plataforma DC Universe renovou “Titãs” para sua 3ª temporada. Primeira série do serviço de streaming da DC Comics, “Titãs” mantém uma média de 80% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas os números de sua audiência são desconhecidos – uma característica que acompanha a produção de séries para streaming. Nos capítulos da trama atual, a produção juntou os Novos Titãs dos quadrinhos, formados por Robin (Brenton Thwaites, de “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”), Ravena (Teagan Croft, da novela “Home and Away”), Mutano (Ryan Potter, da série “Supah Ninjas”, do Nickelodeon) e Estelar (Anna Diop, de “24: Legacy”), com a Turma Titã original, que na série inclui, além de Robin, Moça-Maravilha/Donna Troy (Conor Leslie, de “The Man in the High Castle”), Rapina (Alan Ritchson, da série “Blood Drive”), Columba (Minka Kelly, da série “Friday Night Lights”) e o estreante Aqualad (Drew Van Acker, de “Pretty Little Liars”). Para completar, também trouxe de volta o segundo Robin, Jason Todd (Curran Walters, de “Mulheres do Século 20”), e introduziu Bruce Wayne (vivido por Iain Glen de “Game of Thrones”), Superboy (o novato Joshua Orpin), o cachorro Krypto, o vilão Exterminador (Esai Morales, de “How to Get Away with Murder”) e seus filhos Devastadora (Chelsea T. Zhang, de “Andi Mack”) e Jericó (o modelo transexual Chella Man). Sem abrir mão do tom sombrio dos episódios inaugurais, também já eliminou alguns desses personagens de forma trágica. O final da temporada está marcado para 29 de novembro nos Estados Unidos, mas ainda há previsão para o lançamento no Brasil – o que deve acontecer entre dezembro e janeiro pela Netflix.
Netflix vai trazer Ryan Reynolds e atores de La Casa de Papel para a CCXP
A Netflix divulgou um vídeo para revelar que Ryan Reynolds e algumas estrelas da série “La Casa de Papel” estarão na CCXP (Comic Con Experience) 2019, no painel da plataforma que será realizado no dia 8 de dezembro em São Paulo. Veja abaixo. Reynolds vem promover o filme “Esquadrão 6” junto com o diretor Michael Bay (que seria “uma grande surpresa”, segundo o vídeo), enquanto os integrantes confirmados da série espanhola são Pedro Alonso (Berlim), Alba Flores (Nairóbi), Darko Peric (Helsinque), Rodrigo de la Serna (Palermo) e Esther Acebo (Estocolmo). Em nota, a Netflix ainda informou que, em seu estande, “os fãs terão a chance de mergulhar no universo de algumas das séries e filmes mais queridos e surpreendentes de 2019”.
Finais de Arrow, Supernatural e The Good Place têm datas de exibição definidas
As redes americanas The CW e NBC divulgaram as datas em que “Arrow”, “Supernatural” e “The Good Place” vão acabar. A primeira baixa acontecerá na CW, com o final de “Arrow” programado para o dia 28 de janeiro, duas semanas após a conclusão do crossover “Crise nas Infinitas Terras”. A série que deu origem ao Arrowverse se encerrará em sua 8ª temporada, mas deixará um legado duradouro de personagens e produções derivadas, além de um novo spin-off centrado em heróis remanescentes da atração. Dois dias depois, será a vez de “The Good Place” se despedir na NBC. O final será um episódio especial de 90 minutos, com exibição marcada para 30 de janeiro nos Estados Unidos. A decisão de concluir a trama de forma precoce, na 4ª temporada, foi do próprio criador da atração, Mike Schur, com o objetivo de contar uma história completa e preservar a qualidade do programa – uma das séries de comédia mais bem-avaliadas da TV americana. “Supernatural” se despedirá bem mais tarde, no dia 18 de maio, após 15 temporadas. Série mais duradoura da CW – é anterior à própria fundação do canal, que surgiu da fusão de dois outros – , vai sair do ar sem ter rendido nenhum spin-off – mas não por falta de tentativas. “Arrow” e “Supernatural” são exibidas pelo canal pago Warner no Brasil, enquanto “The Good Place” pode ser vista pela Netflix.
Zoe Saldana vai estrelar minissérie romântica da Netflix
A atriz Zoe Saldana (“Guardiões da Galáxia”) vai estrelar uma minissérie da Netflix baseada no best-seller “From Scratch: A Memoir of Love, Sicily, and Finding Home”. O livro foi escrito pela também atriz Tembi Locke (das séries “Eureka” e “The Magician”) com base em sua própria vida. A adaptação vai ser produzida pela própria Zoe Saldana em parceria com Reese Witherspoon (de “Big Little Lies”). O drama começa de forma romântica, ao acompanhar uma americana que se apaixona por um siciliano enquanto estuda na Itália e posteriormente constrói uma vida com ele nos Estados Unidos. Mas então vem a reviravolta tradicional dos livros do gênero – veja-se toda a prateleira de obras de Nicholas Sparks. É spoiler, então digamos apenas que envolve doença e a necessidade de seguir em frente. A diferença nesse caso é que a história é real. “Esta é uma história verdadeira de amor e família que precisa ser levada para as telas de forma vívida, como Tembi Locke trouxe para as páginas”, disse Saldana em comunicado. “As memórias de Tembi são uma exibição crua e terna da vida em todas as suas peças”, completou Witherspoon. “Ela te transporta para o seu amor, sua perda e sua resiliência com muita vulnerabilidade e força”. A adaptação está a cargo da roteirista Attica Locke, que escreveu episódios de “Empire” e da minissérie “Olhos que Condenam” (When They See Us). Com a atração, Witherspoon aumenta o portfolio de sua produtora Hello Sunshine. Ela já venceu um Emmy por produzir “Big Little Lies” na HBO, desenvolveu “The Morning Show” e o vindouro “Truth Be Told” para a Apple TV+ e ainda prepara “Little Fires Everywhere” na plataforma Hulu. “From Scratch” ainda não tem previsão de lançamento na Netflix.
Stranger Things: Vídeos legendados revelam erros de gravação de todas as temporadas
A Netflix divulgou vídeos legendados com os erros de gravação das três temporada já exibidas de “Stranger Things”. Como a 1ª temporada foi exibida em 2016, o contexto de algumas cenas já pode ter sido esquecido. De todo modo, o elenco se diverte com todos os erros, com muitas frases interrompidas por gargalhadas, cenas que acabam em tombos, equipamentos que não funcionam, improvisos e dancinhas. Confira abaixo. “Stranger Things” já está renovada para a 4ª temporada, que deve ser exibida em 2020. Além disso, a empresa fechou um contrato milionário de exclusividade com os irmãos Duffer, criadores da atração, para que desenvolvam novas atrações.
Dois Papas: Novo trailer legendado destaca os elogios ao novo filme de Fernando Meirelles
A Netflix divulgou um novo trailer legendado de “Dois Papas” (The Two Pope). Dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”), o filme aborda a mais recente transição do poder no Vaticano, entre os papas Bento 16 e Francisco. A prévia mostra Anthony Hopkins (vencedor do Oscar por “O Silêncio dos Inocentes”) na pele do papa Bento 16 e Jonathan Pryce (o Alto Pardal de “Game of Thrones”) como o cardeal Bergoglio. Frustrado com a direção da Igreja, o cardeal Bergoglio pediu permissão ao papa Bento 16 para se aposentar em 2012. Em vez disso, tornou-se o seu sucessor, o papa Francisco. O roteiro de Anthony McCarten (indicado ao Oscar por “A Teoria de Tudo”) é uma versão fictícia da história dessa transição real, que aconteceu em meio a escândalos de pedofilia e corrupção na Igreja Católica. O resultado é elogiadíssimo. O novo trailer, inclusive, destaca algumas das louvações da imprensa internacional. Após ser exibido no circuito de festivais de fim de ano, o filme atingiu 90% de aprovação no site Rotten Tomatoes. De olho no Oscar, “Dois Papas” terá lançamento limitado nos cinemas em 5 de dezembro, antes de estrear mundialmente em streaming no dia 20 de dezembro.
Feliz Natal e Tal: Série com Dennis Quaid ganha trailer legendado
A Netflix divulgou o pôster e o trailer legendado de “Feliz Natal e Tal” (Merry Happy Whatever), que tem uma premissa típica de comédia natalina da Sessão da Tarde, mas na verdade é uma série. Trata-se de uma sitcom tradicional, gravada em estúdio e com aqueles risinhos de fundo que caracterizam produções antigas, criada pelo produtor-roteirista Tucker Cawley (“Everybody Loves Raymond”). A trama gira em torno do encontro de uma família durante o feriado de Natal. O ator Dennis Quaid (“Juntos Para Sempre”) interpretada o patriarca, cujos planos festivos são colocados em cheque quando sua filha caçula leva um novo namorado para passar o fim de ano com seus parentes. O elenco também inclui Brent Morin (“Undateable”), Bridgit Mendler (também de “Undateable”), Ashley Tisdale (“High School Musical”), Siobhan Murphy (“The Bold Type”), Elizabeth Ho (“Disjointed”), Adam Rose (“Veronica Mars”) e Hayes MacArthur (“Angie Tribeca”). A 1ª temporada terá 8 episódios, embora a história já tenha aparecido em menos de duas horas no cinema. É basicamente “Entrando numa Fria” de Natal, “Tudo em Família” ou algo similar. Caso faça sucesso, temporadas futuras poderão explorar outras reuniões de família em diferentes feriados. A estreia está marcada para 28 de novembro.
Eternos: Set de filme da Marvel com Angelina Jolie é evacuado após descoberta de bomba
O set de “Eternos”, produção da Marvel estrelada por Angelina Jolie, que está sendo rodada nas Ilhas Canárias, precisou ser evacuado após uma bomba ser encontrada durante as filmagens. A equipe de filmagens e os atores foram mantidos a uma distância segura do local onde a bomba foi encontrada, mas o pânico se espalhou rapidamente nos bastidores, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal britânico The Sun. “Era obviamente aterrorizante, a bomba poderia estar lá intocada durante décadas, mas quem sabe o que poderia ter acontecido se fosse tocada. Algumas das maiores estrelas do mundo estavam no set e ninguém queria se arriscar. Felizmente, os especialistas souberam lidar com a situação”, afirmou um integrante da equipe. A bomba pode ser da época da 2ª Guerra Mundial, porque a ilha espanhola abrigou uma base nazista no período. Previsto para estrear em novembro de 2020, “Eternos” tem direção da chinesa Chloé Zhao (“Domando o Destino”) e ainda destaca em seu elenco Richard Madden e Kit Harington, ambos de “Game of Thrones”.
Scorsese vs Marvel: Diretor continua guerra infinita com novo ataque publicado no New York Times
Martin Scorsese está transformando sua crítica sobre como a Marvel reduz o cinema a franquias de parques temáticos numa franquia em si mesma. O novo capítulo dessa guerra infinita foi publicado na segunda-feira (4/11) na forma de um artigo opinativo no jornal The New York Times, que não acrescenta elementos novos na discussão, mas reforça tudo o que diretor já disse. Enquanto a manchete do ensaio (“Martin Scorsese: Eu disse que os filmes da Marvel não são cinema. Deixe-me explicar”) parece potencialmente conciliatória, o texto do cineasta só oferece desdém à Marvel Studios. Seu alvo principal é a mitologia abrangente dos filmes e sua abordagem formulística. “Alguns dizem que as filmes de Hitchcock eram todos parecidos, e talvez isso seja verdade – o próprio Hitchcock se questionou sobre isso. Mas a mesmice dos filmes de franquia de hoje é outra coisa diferente. Muitos dos elementos que definem o cinema como eu o conheço estão nos filmes da Marvel. O que não existe é revelação, mistério ou perigo emocional genuíno. Nada está em risco. Os filmes são feitos para satisfazer um conjunto específico de demandas de consumo e projetados como variações em um número finito de temas”. “Muitos filmes de franquia são feitos por pessoas de considerável talento e arte. Você pode ver isso na tela. O fato de os filmes em si não me interessarem é uma questão de gosto e temperamento pessoal. Sei que, se eu fosse mais jovem, se tivesse amadurecido mais tarde, ficaria empolgado com esses filmes e talvez até quisesse fazer um. Mas eu cresci quando cresci e desenvolvi um senso de cinema – do que é cinema e do que poderia ser – que passa tão longe do universo Marvel quanto nós, na Terra, de Alpha Centauri.” Vale considerar que, se fosse mais velho, Scorsese também não teria problema em se empolgar com a Marvel, já que teria crescido em meio aos seriados de aventura, que inventaram o termo “cliffhanger” e a falta de perigo emocional genuíno. Seu contemporâneo George Lucas é o primeiro a admitir ter se inspirado nos seriados dos anos 1930 e 1940, em particular “Flash Gordon” (por sinal, também uma adaptação de quadrinhos), para criar “Star Wars”. E, de fato, é muito interessante que Scorsese reclame da Marvel, mas silencie sobre “Star Wars”, de seu amigo Lucas, ou sobre outras franquias de colegas prestigiados, como “Jurassic Park”, de Steven Spielberg, “Aliens”, de Ridley Scott, “O Senhor dos Anéis”, de Peter Jackson, e “O Exterminador do Futuro”, de James Cameron. Até Francis Ford Coppola, que ecoou seus ataques contra a fábrica de franquias da Marvel, desenvolveu seu próprio universo cinematográfico com três “O Poderoso Chefão”. Para Scorsese, o problema é amplificado pela natureza interconectada dos filmes da Marvel e o uso de personagens arquetípicos, enredos melodramáticos e riscos supostamente sem consequências, que reduziriam os filmes de super-heróis a algo artisticamente estridente e economicamente perigoso para o futuro do cinema. “Eles são sequências no nome, mas remakes em espírito, e tudo neles é oficialmente sancionado porque não pode realmente ser de outra maneira. Essa é a natureza das franquias modernas de cinema: pesquisadas no mercado, testadas pelo público, avaliadas, modificadas, reavaliadas e refeitas novamente até estarem prontas para o consumo. Outra maneira de dizer seria que eles são tudo o que os filmes de Paul Thomas Anderson ou Claire Denis ou Spike Lee ou Ari Aster ou Kathryn Bigelow ou Wes Anderson não são. Quando assisto a um filme de qualquer um desses cineastas, sei que vou ver algo absolutamente novo e ser levado a áreas de experiência inesperadas e talvez até inomináveis. Meu senso do que é possível ao contar histórias com imagens e sons em movimento será expandido.” A visão de Scorsese reflete uma escola de cinema que busca pensar o diretor como autor de obras de identidades claramente definidas. Para ele, os filmes da Marvel são produções de comitê, mais criação de um produtor, no caso Kevin Feige, do que de cineastas e, portanto, seriam todos iguais. Mas é importante lembrar que essa mesma escola de pensamento, desenvolvida entre os anos 1950 e 1960 na revista francesa Cahiers do Cinema, destacava que diretores como Hitchcock, John Ford e outros mestres de Hollywood criaram obras autorais num sistema de estúdio muito mais opressivo que o atual, que os tratava como meros funcionários de projetos encomendados. Se algum dia assistir aos filmes da Marvel, Scorsese perceberá que deve desculpas a colegas de profissão por usar esse argumento. “Guardiões da Galáxia” de James Gunn, “Thor: Ragnarok”, de Taika Waititi, e “Pantera Negra”, de Ryan Coogler, são tão autorais quanto os títulos de qualquer um dos cineastas citados por ele. Além disso, as produções são muito diversas entre si. O tom de espionagem setentista de “Capitão América: Guerra Civil” não tem nada a ver com o humor escrachado de “Homem-Formiga e a Vespa”. E há, sim, um envolvimento emocional genuíno do público em relação ao destino dos personagens. A morte do Tony Stark, de Robert Downey Jr., em “Vingadores: Ultimato”, gerou comoção tão grande quanto o destino de Jack, de Leonardo DiCaprio, em “Titanic”, filme vencedor de 11 Oscars. Mas, para Scorsese, a abordagem de franquia dos filmes da Marvel estaria sufocando o cinema “de verdade”. “Há entretenimento audiovisual mundial e há cinema. Eles ainda se sobrepõem de tempos em tempos, mas isso está se tornando cada vez mais raro. E temo que o domínio financeiro de um esteja sendo usado para marginalizar e até menosprezar a existência do outro. Para quem sonha em fazer filmes ou está apenas começando, a situação neste momento é brutal e inóspita para a arte. E o simples ato de escrever essas palavras me enche de uma tristeza terrível. ” A frase final revela que o problema, na verdade, pode ser outro. “Pantera Negra”, por exemplo, foi considerado cinema, no sentido mais artístico possível, pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, tornando-se o primeiro lançamento do gênero indicado ao Oscar de Melhor Filme. Não apenas isso. “Coringa” venceu o Festival de Veneza, reduto tradicional do cinema de arte. E agora Scorsese encara a possibilidade concreta de a adaptação de quadrinhos de Todd Phillips disputar o Oscar 2020 como favorito contra, vejam só, seu novo filme, “O Irlandês”. Ele desqualifica o gênero “filmes de super-heróis” como um todo, no momento que seus pares valorizam cada vez mais os aspectos artísticos desse mesmo gênero. Não só isso. A insistência de Scorsese com o assunto Marvel não deixa de ser um estratagema para desviar atenção de seu problema particular com a questão. Afinal, seu novo filme é uma produção da Netflix, que foi boicotada pelos donos das salas de cinemas. Para os exibidores, “O Irlandês” não seria cinema “de verdade”. Ao polemizar de forma gratuita com o estúdio dos super-heróis, o cineasta busca claramente mudar de assunto e evitar a polêmica que o envolve. A estridência de Scorsese contrasta com que sua turnê de divulgação de “O Irlandês” não aborda de jeito nenhum. Afinal, “O Irlandês” é cinema ou filme para ver no celular? Netflix é cinema? A Academia deve premiar filmes feitos para streaming? Spielberg já disse que não, que filmes da Netflix, como “O Irlandês”, são telefilmes e deveriam concorrer ao Emmy. Qual a opinião de Scorsese sobre isso? O que ele tem a dizer sobre o tema, contribuindo para uma discussão que pode realmente definir os rumos da arte cinematográfica? Nada. Absolutamente nada. Ou melhor, diz que tanto faz. “Não importa com quem você faça seu filme, o fato é que as telas na maioria dos multiplex estão repletas de filmes de franquias”. E, de fato, tem sido assim… por toda a História do cinema – ou, pelo menos, desde 1916, quando a sequência do infame “O Nascimento de uma Nação” entrou em cartaz.
Meu Nome É Dolemite é um dos melhores filmes do ano
“Meu Nome É Dolemite” (2019) é facilmente um dos melhores filmes do ano. É um filme sobre dizer não ao roteiro que a vida preparou para você e virar o jogo. É sobre a verdadeira arte que brota das próprias experiências de vida de um autor, que busca dinheiro sim, mas o reconhecimento de seu talento acima de tudo. É uma história real tão surreal que só poderia ser sobre cinema e acabar no cinema. E tem Eddie Murphy brilhando de forma tão intensa como há tempos não se via. Como Rudy Ray Moore, um dos nomes mais importantes do cinema “blaxploitation” dos anos 1970, Murphy traz de volta a energia do início de sua carreira, de filmes como “Um Tira da Pesada”, “48 Horas” e “Trocando as Bolas”. Está engraçado, mas subversivo; encantador, porém despido de qualquer vaidade; com um sorrisão no rosto escondendo melancolia e decepção. E longe de sua zona de conforto, porque “Meu Nome é Dolemite” pode ser divertido, mas não é a comédia tradicional. É praticamente um drama adaptado da (dura) vida real, que se torna engraçado pelas próprias dificuldades enfrentadas. A produção da Netflix relembra a trajetória de Rudy Ray Moore, que jamais se conformou com a pobreza e, principalmente, com o anonimato. Trabalhava numa loja de discos, mas gravava músicas, fazia stand-up comedy em um clube noturno, mas nunca desistiu mesmo quando ninguém notava seu talento. Quando criou o personagem Dolemite, apropriando-se de piadas ouvidas de mendigos, sua carreira estourou. Antes que você julgue o protagonista pela atitude politicamente incorreta, bom, de acordo com o filme, Moore e todos naquele ecossistema estavam entregues à própria sorte em um mundo à parte esquecido pela elite branca e por Deus. Mas o sucesso de Dolemite entre os fãs de sua comunidade não foi o bastante. Moore decide levar sua palavra a um número maior de pessoas. E qual é a melhor mídia para alcançar esse objetivo? O cinema, claro. O que se vê deste momento em diante coloca “Meu Nome é Dolemite” na galeria dos filmes mais bacanas que falam sobre filmes. Só que mais do que uma declaração de amor ao cinema, o longa é uma ode a todos que não desistem de seus sonhos como artistas de diferentes segmentos. Ao mesmo tempo, é também uma porrada no sistema que dificulta o caminho de muita gente. Moore não desistiu e sua história ainda é contada aqui para inspirar outros vários sonhadores. A história remete a outras cinebiografias dos roteiristas Scott Alexander e Larry Karaszewski, como “O Povo Contra Larry Flynt”, “O Mundo de Andy”, ambos dirigidos por Milos Forman, e “Ed Wood”, de Tim Burton. Aliás, o Rudy de Eddie Murphy é um estranho no ninho e sua história teria tudo para virar um ótimo filme nas mãos do saudoso Milos Forman, um cineasta que firmou sua arte dando voz aos “desajustados”, aqueles que não se encaixam, mas seguem lutando. O diretor Craig Brewer deve ser fã de Forman. Brewer, que fez “Ritmo de um Sonho” e o remake de “Footloose”, consegue capturar perfeitamente o processo criativo de Moore. Desde os motivos que levam a seus insights, passando pela concepção do personagem, a postura e o jeito de falar, até sua ascensão no cinema. O diretor foca em Eddie Murphy, mas também sabe o quanto é importante cercá-lo de grandes coadjuvantes. E nisto se destaca Wesley Snipes, no papel do ator e diretor D’Urville Martin, que surpreende como um grande comediante. Aquele cara durão de filmes de ação como “Blade”, “Passageiro 57” e “O Demolidor” revela-se imprevisível como seu personagem afetado, egocêntrico e mimado que rouba todas as cenas em que aparece. E o elenco tem ainda a maravilhosa Da’Vine Joy Randolph (da série “People of Earth”) como Lady Reed, que faz o filme respirar toda vez que surge em cena com seu talento monumental. Eddie Murphy, que também assina a obra como produtor, jamais teria feito a maior atuação de sua carreira sem os dois. Apesar dos palavrões (e uma cena de sexo divertidíssima), “Meu Nome É Dolemite” ainda joga para cima o manual que diz que toda cinebiografia tem que ter momentos dramáticos e depressivos. O filme inteiro é alegre demais, uma produção que escolheu ser feliz para exaltar a paixão dos artistas e como a arte pode surgir dos lugares menos prováveis. É uma comédia que dá realmente para assistir com um sorriso de orelha a orelha, do começo ao fim.










