Jessica Walter recebe indicação póstuma ao Emmy 2021
A atriz Jessica Walter recebeu nesta terça-feira (13/7) uma indicação póstuma ao Emmy 2021 por sua dublagem na série “Archer”, animação de comédia adulta do canal pago FXX. Falecida em março passado, aos 80 anos, enquanto dormia em sua casa em Nova York, ela deixou gravadas duas temporadas completas de “Archer”, incluindo diálogos ainda inéditos, que deverão aparecer no próximo ano da atração. Ela participou das 11 temporadas exibidas de “Archer” no papel de Malory Archer, mãe do personagem-título, que também é a chefe de uma agência de espionagem internacional. Embora tenha sido a primeira vez que ela recebeu reconhecimento por seu trabalho de dublagem, esta foi a quinta indicação da atriz a um troféu da Academia de Televisão dos EUA. Walters chegou a vencer um Emmy em 1975, como Melhor Atriz pelo telefilme “Amy Prentiss”, e também foi indicada pelas séries “Arrested Development” (em 2005), “Trapper John, MD” (1980) e “San Francisco Urgente” (1977). A cerimônia da entrega dos troféus do Emmy 2021 acontecerá em 19 de setembro, em Los Angeles, com apresentação do comediante Cedric the Entertainer (da série “The Neighborhood”).
Charlie Robinson (1945–2021)
O ator Charlie Robinson, que marcou época na TV americana como o escrivão da sitcom clássica “Night Court”, morreu no domingo (11/7) de complicações de câncer num hospital em Los Angeles. Ele tinha 75 anos. Ao longo de sua carreira de meio século, Robinson acumulou mais de 125 créditos na TV e no cinema, trabalhando sem parar até este ano. Ele começou com um pequeno papel no primeiro filme dirigido pelo astro Jack Nicholson, “O Amanhã Chega Cedo Demais”, em 1971. Também apareceu no terror blaxploitation “A Vingança dos Mortos” (1974) e até como um soldado figurante no clássico de guerra “Apocalypse Now” (1979), antes de conseguir seu primeiro papel recorrente numa produção televisiva. Após aparecer em sete capítulos da novela “Flamingo Road”, em 1981, foi contratado para o elenco fixo de “Buffalo Bill”, sitcom de 1983 que trazia Dabney Coleman como um apresentador desprezível de talk show regional. Ao todo, a produção da rede NBC teve apenas duas temporadas, ambas indicadas ao Emmy de Melhor Série de Comédia. Mas nem o cancelamento precoce em 1984 impediu Robinson de se destacar como Newdell, um maquiador de TV que não aceitava desaforos. Seu desempenho rendeu convite para continuar na NBC, entrando no mesmo ano em “Night Court”. A série já tinha exibido a 1ª temporada e era considerada um sucesso, mas a introdução de Robinson como Mac Robinson, o novo escrivão da Corte Noturna, ajudou a atração a se consolidar como uma das mais assistidas da TV americana nos anos seguintes. “Night Court” ficou no ar por nove temporadas, entre 1983 e 1992, oito delas com Robinson, e venceu sete prêmios Emmy. O fim da série não o tirou da TV, onde ele emendou uma série de comédia atrás da outra por mais uma década, como “Love & War” (1992-1995), que durou três temporadas na Fox, “Ink” (1996-1997), com uma temporada completa na CBS, e “Buddy Faro” (1998), meia temporada na ABC, além de aparecer de forma recorrente em “Home Improvement” (de 1995 a 1999). Nos últimos anos, apareceu ainda em arcos de episódios múltiplos de “The Game” (de 2007 a 2014), “Hart of Dixie” (2012-2015) e “Mom” (2015-2019), além de participar de capítulos individuais de várias atrações populares como “Charmed”, “House”, “How I Met Your Mother”, “Grey’s Anatomy” e “This Is Us”. Incansável, Charlie Robinson continuou trabalhando mesmo com o diagnóstico de câncer. Ele estrelou a minissérie “Love in the Time of Corona” para a plataforma Disney+, no ano passado, e ainda terminou mais três longas antes de precisar ser hospitalizado.
William Smith (1933–2021)
O ator William Smith, que enfrentou Clint Eastwood em “Punhos de Aço: Um Lutador de Rua”, foi pai de Conan, o Bárbaro, e marcou época como vilão de “Pobre Homem Rico”, morreu na segunda-feira passada (5/7) num hospital de artistas de cinema em Woodland Hills, na Califórnia, aos 88 anos, de causa não divulgada. Ele começou sua carreira como figurante em “A Alma de Frankenstein”, de 1942, quando tinha oito anos de idade, e apareceu em vários clássicos da época, como “A Canção de Bernadette” (1943), “O Bom Pastor” (1943) e até mesmo “Gilda” (1946) e “O Menino dos Cabelos Verdes” (1948), antes de entrar na adolescência. Uma década depois, integrou o elenco do cultuado filme de rock “Escola do Vício” (1959), estrelado por Jerry Lee Lewis, antes de ganhar seu primeiro papel de destaque. Isto aconteceu na série policial “Asphalt Jungle” em 1961. Smith também estrelou a série de faroeste “Laredo” (1965-1967), como um Texas Ranger, e a última temporada de “Hawaí 5-0”, em 1979, como um policial havaiano. Entre uma série e outra, ainda apareceu em episódios de diversas outras atrações populares do período, como “Gunsmoke”, “O Homem de Virgínia”, “Perry Mason”, “Batman”, “Daniel Boone”, “Missão: Impossível”, “Kung Fu”, “Mod Squad”, “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, “Os Gatões”, “Esquadrão Classe A”, etc. Mas seu papel mais memorável na TV foi, disparado, o do vilão Anthony Falconetti na minissérie de 1976 “Pobre Homem Rico” (Rich Man, Poor Man), que bateu recordes de audiência. Fez tanto sucesso que ganhou continuação no ano seguinte, explorando ainda mais a rivalidade entre Falconetti (caracterizado com um tapa-olho!) e os irmãos Jordache (Peter Strauss e Nick Nolte). O ator interpretou um vilão tão convincente que recebeu convite para enfrentar Clint Eastwood em “Punhos de Aço: Um Lutador de Rua”, lançado em 1980. Sua cena principal com Eastwood foi considerada a luta mais longa até então filmada no cinema. Antes disso, sua carreira cinematográfica era uma coleção de filmes trash apelativos. Curiosamente, muitos deles se tornaram cultuados, na linha do “tão ruim que é bom”, como “Motoqueiros Selvagens” (1970), “O Monstro de Duas Cabeças” (1971), “O Túmulo do Vampiro” (1971), “Invasão das Mulheres Abelhas” (1972) e “O Guerreiro do Futuro” (1975). Também chegou a escrever, produzir e estrelar “Hollywood Man” (1976), em que satisfez seu ego ao interpretar um astro de Hollywood. Mas depois de trocar socos com Estwood, acabou tento um gostinho do que era trabalhar de verdade em filmes de grande orçamento e com mestres do cinema. Foram dois longas de John Milius, como o pai de “Conan, o Bárbaro” (1982) e um comandante soviético que invadia os EUA em “Amanhecer Violento” (1984). E duas preciosidades de Francis Ford Coppola, como um balconista em “Vidas sem Rumo” (1983) e o policial assediador de “O Selvagem da Motocicleta” (1983). Os papéis, infelizmente, eram pequenos e a fase comercial se encerrou com o terror “Maniac Cop: O Exterminador” (1988). O resto de sua carreira pode ser resumida como uma coleção vasta de produções para videolocadoras, geralmente terror e ação de baixíssimos orçamentos. Ele ainda gravou participações em clipes das bandas de rock Ramones e Pantera. E atuou sem parar até o ano passado, despedindo-se na comédia pouco vista “Irresistible”, estrelada por Steve Carell e lançada direto em DVD no Brasil.
Chick Vennera (1947–2021)
O ator Chick Vennera, que estrelou os filmes “Até que Enfim é Sexta-Feira” (1978) e “Rebelião em Milagro” (1988) morreu na quarta-feira (7/7) em sua casa em Burbank, na Califórnia, aos 74 anos, após uma batalha contra o câncer de pulmão. Nascido Francis Vennera, o nova-iorquino começou a carreira como dançarino, acrobata e palhaço do espetáculo itinerante “Disney on Parade”, antes de se tornar ator da Broadway com a montagem original de “Grease”. Sua estreia nas telas aconteceu em 1975, em séries como “Lucas Tanner”, “O Vigilante” e “Baretta”, até que o talento demonstrado em musicais o levou a ser escalado para seu primeiro papel nos cinemas, como o dançarino latino Marv Gomez de “Até que Enfim é Sexta-Feira”. No longa de 1978, estrelado por Donna Summers, os Commodores e um jovem Jeff Goldblum, ele dança sobre capôs de carros e vence um concurso numa discoteca com uma parceira (Valerie Landsburg) que nunca tinha visto até aquela noite. Seu outro papel notável foi o agricultor frustrado que começa a situação descrita no título de “Rebelião em Milagro”, filme também estrelado por Sônia Braga, dirigido por Robert Redford e vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora (Dave Grusin). Apesar disso, sua carreira cinematográfica não deslanchou. Vennera participou de muitos fracassos de bilheteria – comédias como “Alto Risco” (1981) e “Um Calouro em Apuros” (1986) e os terrores “Ritual de Sangue” (1988) e “Olhos Noturnos” (1990) – e acabou priorizando a TV, onde acumulou participações em episódios de “Super Gatas” (Golden Girls), “Vega$”, “Carro Comando” (TJ Hooker) e “Louco por Você” (Mad About You), entre outros programas. Em 1985, fez uma pequena participação vocal num episódio de uma nova versão da série animada “Os Jetsons”, que deu novo rumo à sua carreira. Os produtores da Hanna-Barbera gostaram tanto de seu desempenho que o convidaram a entrar no elenco fixo de “Foofur e seu Bando”, animação lançada no ano seguinte. O trabalho, por sua vez, repercutiu em outras divisões da animação da Warner (dona da Hanna-Barbera), rendendo-lhe emprego até sua aposentadoria. Ele dublou personagens em “Batman: A Série Animada”, “Batman do Futuro”, “Animaniacs”, “As Incríveis Aventuras de Jonny Quest”, “A Vaca e o Frango” e “Super Choque”, seu último trabalho animado em 2004. Nos últimos anos, Vennera vinha dando cursos de atuação na Beverly Hills Playhouse e no Renegade Theatre and Film Group, que só foram interrompidos com o início da pandemia no ano passado.
Elenco de “Glee” homenageia Naya Rivera no aniversário de sua morte
O elenco de “Glee” prestou diversas homenagens para Naya Rivera na quinta (8/7), data que marca o aniversário da morte da atriz Faz um ano que ela desapareceu num lago da Califórnia enquanto passeava com o filho, e após buscas intensas foi encontrada morta por afogamento. Rivera ficou conhecida por viver a cheerleader Santana em “Glee” e os integrantes da série postaram várias fotos da atriz em suas redes sociais para destacar como sentem a falta dela. Entre os que se manifestaram estão Chris Colfer (Kurt), Kevin McHale (Artie), Jenna Ushkowitz (Tina), Matthew Morrison (Will), Jane Lynch (Sue Sylvester), Michael Hitchcock (Dalton Rumba) e Heather Morris (Brittany). Morris, que viveu a namoradinha de personagem de Rivera na série, ainda fez uma tatuagem para marcar na pele a saudade da amiga. “Você é a estrela mais brilhante para mim, Naya Rivera. Eu sou muito grata por Deus ter intervindo e nos unido como melhores amigas, mães amigas, parceiras de cena e todo o resto. Seu legado vive com bondade e sendo ‘aquela rainha debochada’ aos meus olhos. Eu te amo para sempre, garota”, escreveu a atriz no Instagram. Veja as homenagens abaixo. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Heather Morris (@heatherrelizabethh) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Chris Colfer (@chriscolfer) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Kevin McHale (@kevinmchale) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Jenna Ushkowitz (@jennaushkowitz) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Matthew Morrison (@matthewmorrison) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Michael Hitchcock (@hitchmichael) Remembering. ❤️ pic.twitter.com/1tiemciktN — Jane Lynch (@janemarielynch) July 8, 2021
Angela Bassett revela que “Pantera Negra 2” já teve cinco roteiros diferentes
A atriz Angela Bassett revelou que já leu cinco roteiros diferentes de “Pantera Negra 2”, que tem o subtítulo em inglês de “Wakanda Forever”. E, segundo ela, uma sexta versão da história já está a caminho. Ela revelou esse detalhe dos bastidores da produção durante uma entrevista ao programa “Entertainment Tonight”. “Eu realmente não sei como o filme será de verdade. Já tivemos cinco versões do roteiro e ouvi dizer que teremos uma sexta. É claro que, com o nosso rei partindo para a glória [a morte de Chadwick Boseman], muitas coisas precisaram ser mudadas”, explicou. De fato, o diretor Ryan Coogler chegou a revelar ter escrito uma primeira versão do filme quando Boseman ainda estava vivo, prevendo a volta do ator ao papel-título. “Passei o último ano preparando, imaginando e escrevendo palavras para ele dizer que não éramos destinado a ver”, admitiu o cineasta na época da morte do intérprete do Pantera Negra. Mesmo diante das dificuldades, Bassett considerou que Coogler e o roteirista Joe Robert Cole estão fazendo um bom trabalho ao definir os rumos da história. “Eles são mestres em contar histórias e encontraram uma forma de retornar para este mundo. Eu acho que será satisfatório para os fãs e honrará a memória de Chad. Nós o amamos muito”, completou. As filmagens de “Black Panther: Wakanda Forever” já teriam começado em Atlanta (EUA) para uma estreia em 8 de julho de 2022. Além da própria Bassett, outros astros do primeiro filme devem retomar seus papéis na continuação, incluindo Danai Gurira, Letitia Wright, Lupita Nyong’o, Winston Duke, Florence Kazumba e Martin Freeman.
Suzzanne Douglas (1957–2021)
A atriz Suzzanne Douglas, que estrelou a minissérie “Olhos que Condenam”, morreu na terça-feira (6/7) aos 64 anos, de causa não informada. Nascida em Chicago, filha de mãe solteira numa família com poucos recursos, Suzzanne Douglas se destacou nos estudos e ganhou bolsas para se aprimorar em artes dramáticas e música, o que a levou ao cinema em 1989, com um papel importante no musical “Tap – A Dança de Duas Vidas”. O desempenho da estreia lhe rendeu o Image Awards da NAACP, uma das mais antigas organizações culturais do movimento dos direitos civis nos EUA. No mesmo ano, começou a fazer aparições em séries, que incluíram “Um Homem Chamado Falcão” e “The Cosby Show”, até ser escalada em 1995 como protagonista da série “The Parent ‘Hood”, no papel da esposa de um professor universitário (Robert Townsend) e mãe de quatro filhos. A atração durou cinco temporadas. Ela também se destacou em filmes como “A Face da Verdade” (1994), “Um Verão Especial” (1994), “A Nova Paixão de Stella” (1998) e “Escola do Rock” (2003), onde viveu a mãe de Tomika, personagem de Maryam Hassan. Pelo telefilme da Disney “Sounder” (2005) foi premiada com o Black Reel Awards, que elege as melhores obras e artistas negros dos EUA. Um de seus últimos papéis foi em “Olhos que Condenam” (2019), minissérie da Netflix dirigida por Ava DuVernay, em que interpretou Grace Cuffee, a mãe de um dos jovens condenados a anos de prisão por um crime que não cometeram. DuVernay foi às redes sociais lamentar a morte da atriz, a quem descreveu como “uma pedra preciosa em forma de mulher”. “Ela era uma atriz confiante e cuidadosa, que dava vida às palavras do roteiro e fazia com que elas brilhassem em tela. Fico grata por nossos caminhos de vida terem se cruzado. Que ela faça sua jornada com paz e amor”, completou.
Robert Downey (1936–2021)
O cineasta Robert Downey, pai do ator Robert Downey Jr, morreu enquanto dormia na manhã desta quarta (7/7) em sua casa em Nova York. O diretor tinha 85 anos e sofria do Mal de Parkinson há pelo menos 5 anos. O intérprete do Homem de Ferro escreveu sobre seu pai no Instagram: “Na noite passada, meu pai passou em paz enquanto dormia após anos suportando a devastação do Parkinson… ele era um verdadeiro cineasta independente”. Downey ficou conhecido nos anos 1960 por ser um dos cineastas mais identificados com o movimento contracultural dos EUA, responsável por pelo menos um filme cultuadíssimo, “Putney Swope”, de 1969, além de ter se tornado um autor importante da história do cinema independente americano. Curiosamente, Robert Downey também era Jr. Seu nome verdadeiro era Robert John Elias Jr. Ele era filho da modelo conhecida apenas como Elizabeth (McLoughlin) e Robert Elias, que trabalhava na gestão de hotéis e restaurantes. Mas ao se tornar maior de idade adotou o sobrenome de seu padrasto, James Downey. Seus primeiros filmes foram iniciativas rodadas praticamente sem orçamento, filmes realmente independentes, que mesmo em condições mínimas se destacaram por situações cômicas e absurdas, e redefiniram o cinema underground. O curta “Balls Bluff” (1961), o média “Babo 73” (1964) e os longas “Chafed Elbows” (1966) e “No More Excuses” (1968) impactaram muitos jovens cineastas da época, entre eles Martin Scorsese, que teve a iniciativa de restaurar todas essas obras por sua Film Foundation. “No More Excuses” tornou-se influentíssimo por trazer Downey encarnando situações fictícias e malucas, registradas nas ruas de Nova York, no Yankee Stadium e num vagão de metrô lotado, em meio a reações de pessoas reais. Neste filme, ele foi Borat 40 anos antes de Sacha Baron Cohen. Não foi à toa que foi definido como “anarquicamente caprichoso e contracultural com C maiúsculo” pelo Village Voice, a publicação mais alternativa de Nova York na época. A repercussão o deixou famoso o suficiente para conseguir seu primeiro orçamento e contrato de distribuição, permitindo que o filme seguinte tivesse maior alcance. Em 1969, “Putney Swope” expôs seu estilo a um público mais amplo, que ficou chocado – alguns diriam horrorizado. O filme era uma sátira devastadora da Madison Avenue, o centro publicitário dos EUA, e mostrava o que acontecia quando um ativista afro-americano recebia carta branca para fazer o que quisesse numa agência de publicidade. A ousadia do filme foi revolucionária. “Putney Swope” entrou na lista dos 10 melhores filmes do ano da New York Magazine, mas também foi execrado pela imprensa conservadora. Com o passar dos anos, sua reputação só aumentou, tornando-o um dos filmes mais cultuados da história do cinema americano. Downey entrou nos anos 1970 com novas provocações, como “Pound”, em que atores fingiam ser cachorros esperando para serem adotados – entre eles, o estreante Robert Downey Jr. de cinco anos de idade – , e “Greaser’s Palace” (1972), uma encenação ultrajante da vida de Cristo no contexto de um faroeste espaguete. Desta vez, foi a revista Time que colocou o filme em sua lista dos dez melhores do ano. Apesar da repercussão, os lançamentos não davam dinheiro, o que levou o diretor para o teatro e polêmicas diferentes. Downey dirigiu a peça “Sticks and Bones” de David Rabe, que a rede CBS decidiu exibir ao vivo em seu projeto de teleteatro em 1973. O tema anti-guerra da montagem enfrentou grande resistência do mercado e boicote dos anunciantes, fazendo com que a transmissão da peça se tornasse a única do projeto sem interrupções comerciais. Ele também antecipou “Seinfeld” ao fazer o primeiro filme sobre nada, “Moment to Moment” de 1975. Downey disse ao Village Voice que “foi difícil arrecadar dinheiro para um filme que não tinha realmente um enredo. Lembro-me de dizer a um cara uma vez, ‘Há uma cena em que teremos 18 caras jogando beisebol a cavalo’, que está lá. Ele olhou para mim como se pensasse: ‘Você enlouqueceu?’. Jack Nicholson colocou dinheiro para a produção, Hal Ashby e Norman Lear, esses meus amigos daquela época. É o filme favorito dos meus filhos dentre todos que fiz.” A partir dos anos 1980, Downey acreditou que seu humor besteirol finalmente poderia ser entendido pelo mercado, o que resultou em tentativas de produções mais comerciais. “Rebeldes da Academia” não escondia o desejo de replicar o sucesso de “Clube dos Cafajestes” (1978), mas com situações muito mais suaves do que as do filme de John Belushi. Ele também dirigiu as comédias “America” (1986) e “Rented Lips” (1988), mas só conseguiu atrair a atenção com “Os loucos Casais da Califórnia”, já em 1990 e graças a um elenco que incluía seu filho Robert Downey Jr. e o jovem amigo dele Ralph Macchio (o “Karatê Kid”), ao lado de Allan Arbus e o Monty Python Eric Idle. O filme juntava os quatro em despedidas emocionantes de seus cachorros superprotegidos, todos poodles, que saíam de férias em uma van. Seus últimos filmes foram mais sérios. “Hugo Pool” foi inspirado pela morte de sua segunda esposa, Laura, que faleceu de ALS em 1994. O longa, que estreou mundialmente no Festival de Sundance em 1997, promovia a conscientização sobre ALS. E ele encerrou a carreira com o documentário “Rittenhouse Square”, sobre o principal centro cultural e social da Filadélfia, lançado em 2005. Robert Downey também foi ator e participou de filmes como “Boogie Nights” (1997) e “Magnolia” (1999), ambos de Paul Thomas Anderson. Sua última aparição nas telas foi como convidado do humorístico “Saturday Night Live” em 2015. Como suas obras foram realmente independentes, nunca receberam muita atenção do mercado e jamais saíram do circuito dos iniciados – seus principais títulos são inéditos no Brasil e em vários países do mundo. Por conta disso, sua ousadia acabou esquecida. É até desconhecida entre as novas gerações, que se referiam a ele apenas como o pai de Robert Downey Jr. Veja abaixo o trailer ultrajante de “Putney Swope” (“Você não pode comer um ar condicionado”!).
Vladimir Menshov (1939–2021)
O diretor de cinema russo Vladimir Menshov, premiado com o Oscar em 1981, morreu de covid-19 nesta segunda (5/7), aos 81 anos Nascido em 1939 em Baku, no Azerbaijão soviético, Vladimir Menshov começou a filmar curtas em 1968, antes de estrear como roteiristas de em 1974 e dirigir seu primeiro longa em 1977, “Practical Joke”. Ele se mundialmente conhecido por seu segundo filme de longa-metragem, “Moscou não Acredita em Lágrimas” (1980), que venceu o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, um dos dois únicos prêmios da Academia conquistados pela União Soviética. Menshov escreveu, dirigiu, produziu e atuou no filme, que acompanhava a vida de três mulheres, da juventude ao começo da velhice, refletindo seus sonhos e desejos ao virem de cidades pequenas para Moscou. Seus filmes seguintes não tiveram o mesmo alcance, mas sua comédia “Love and Pigeons”, lançada em 1984, encontrou grande sucesso local e continua sendo uma das mais assistidas na televisão russa. Menshov também se destacou como ator, sendo convidado a participar de projetos de vários colegas após atuar em “Moscou não Acredita em Lágrimas”. Ele participou de cerca de 100 filmes russos como ator, incluindo alguns sucessos de alcance internacional, como “O Mensageiro” (1986) e “Cidade Zero” (1988), de Karen Shakhnazarov, além do terror “Guardiões do Dia” (2006), de Timur Bekmambetov. Um de seus últimos trabalhos, “Legenda No. 17”, lhe rendeu o Georges, prêmio Nacional do Cinema Russo, como Melhor Ator Coadjuvante em 2013. Além da carreira na indústria cinematográfica, ele também deu aulas de direção na VGIK (Instituto Gerasimov de Cinematografia), prestigiosa escola de cinema de Moscou.
Artur Xexéo (1951-2021)
O jornalista, escritor e dramaturgo Artur Xexéo morreu no Rio de Janeiro, aos 69 anos. Ele foi diagnosticado com um câncer tipo linfoma não-hodgkin de célula T duas semanas atrás e teve uma parada cardiorrespiratória na sexta-feira (25/6), vindo a falecer no domingo (27/6). Ícone do jornalismo cultural, Xexéo era o comentarista oficial do Oscar na rede Globo. Segundo sua companheira no evento anual, a jornalista Maria Beltrão, na cobertura deste ano, que aconteceu em abril, ele já “estava mal e não sabia o que era”. Xexéo assumiu a função de comentarista do Oscar em 2015, após a morte do ator José Wilker. Ele começou a carreira no Jornal do Brasil e passou também pelas redações das revistas Veja e IstoÉ. Foi ainda editor do Segundo Caderno, de O Globo, antes de tornar-se colunista do jornal. Ultimamente, ainda mantinha a coluna “Cine Xexéo”, com comentários sobre cinema no telejornal “Edição das 10h” do canal pago GloboNews. Como autor, publicou “Janete Clair: A Usineira de Sonhos”, biografia da famosa novelista, “O Torcedor Acidental”, uma série de crônicas sobre suas coberturas das Copas do Mundo de futebol, e “Hebe: A Biografia”, sobre a apresentadora Hebe Camargo, que inspirou a montagem teatral de “Hebe: O Musical”, de Miguel Falabella. Nos últimos anos, tinha se tornado também um dramaturgo bastante requisitado na área dos musicais brasileiros. São dele os textos dos espetáculos “A Garota do Biquíni Vermelho” (2010), “Nós Sempre Teremos Paris” (2012), “Cartola – O Mundo É um Moinho” (2016), “Minha Vida Daria um Bolero” (2018) e “Bibi – Uma Vida em Musical” (2018), além da produção nacional dos americanos “Xanadu” (em 2012), “Love Story” (2016) e “A Cor Púrpura” (2019). Nesta segunda, Miguel Falabella revelou nas redes sociais que trabalhava com Xexéo no primeiro roteiro cinematográfico do jornalista, uma adaptação do espetáculo “Bibi – Uma Vida em Musical” para o cinema.
Peter Zinovieff (1933-2021)
O compositor e inventor britânico Peter Zinovieff morreu na quarta-feira, aos 88 anos, após sofrer uma queda em casa e ficar internado por dez dias. Considerado um pioneiro da música eletrônica, ele foi o grande responsável pela inclusão do sintetizador na música pop, Além de compôs trilhas sonoras com “sons eletrônicos” para filmes do começo dos anos 1970. Filho de imigrantes russos, ele se formou em Geologia pela Universidade de Oxford, mas se voltou para a música após reclamação da esposa, que não aprovava sua frequentes viagens de exploração geológica pelo mundo. Insatisfeito com as limitações do piano, ele começou a experimentar com sons eletrônicos. Em 1969, lançou o VCS3, o primeiro sintetizador moderno, fabricado pela Electronic Music Studios (EMS), empresa que tinha Zinovieff como um dos fundadores. Com esse aparelho, ele suplantou seu maior corrente, o Moog, com maior variedade de sons eletrônicos e portabilidade. O VCS3 tinha o tamanho de um maleta, que se acoplava a um teclado, enquanto o Moog original podia ocupar uma parede com seu equipamento completo. Ele usou essa invenção para compor as trilhas dos filmes “Julgamento de um Traidor” (1970), de Sam Wanamaker, e “Até os Deuses Erram” (1973), de Sidney Lumet. Em ambas ocasiões, seu trabalho foi creditado como “sons eletrônicos”. O VCS3 logo chamou atenção de artistas do pop rock dos anos 1970. A princípio, Zinovieff recusou-se a conversar com os roqueiros. Ele se definia como um artista erudito, que pesquisava música experimental eletrônica. Mas logo percebeu que não podia recusar o dinheiro oferecido para avançar seus projetos. Assim, passou a fabricar uma versão ainda mais compacta de seu sintetizador, o EMS Synthi A, para alguns dos mais famosos artistas da época. Seu equipamento ajudou a lançar discos clássicos, como “The Dark Side of the Moon” (1973), do Pink Floyd, “Who’s Next” (1971), da banda The Who, “Roxy Music” (1972) e “For Your Pleasure” (1973), do Roxy Music, “Low” (1977) e “Heroes” (1977), de David Bowie, além de gravações de Kraftwerk, Alan Parsons Project, Tangerine Dream, King Crimson, The Who e artistas mais recentes, como The Chemical Brothers e Portishead. “Eu não ensinei nada a esses caras. Assim que eles começaram a experimentar meu sintetizador, eles imediatamente superaram qualquer coisa que eu poderia lhes ensinar. Por isso, são geniais. Eles tiveram o feeling e souberam tirar daquilo o que queriam. E também é por isso que os efeitos que o sintetizador causou em suas canções foram tão diferentes entre si”, contou Zinovieff ao jornal O Globo, numa entrevista de 2016. Na mesma entrevista, ele revelou quem fez o melhor uso de suas invenções: “Pink Floyd, sem dúvidas. Eles usaram a máquina da maneira mais inovadora possível, e fizeram músicas extraordinárias que ninguém tinha escutado até então. Dos artistas mais novos, o Portishead também faz um bom trabalho”. Com a chegada dos sintetizadores portáteis da Korg e da Yamaha, a empresa do compositor acabou entrando em falência logo em seguida, ainda na década de 1970. Para complicar, Zinovieff ainda perdeu grande parte dos seus equipamentos numa inundação. Ele ficou décadas longe da música, se dedicando ao design gráfico e ao ofício de professor. Veja abaixo o uso do VCS3 na música “On the Run”, do Pink Floyd, tocado em estúdio por Roger Waters em 1973, seguido pelo resultado final. E também como Pete Townshend se tornou um dos primeiros a usar o VCS3, na gravação de “Won’t Get Fooled Again”, do The Who.
Jackie Lane (1947–2021)
A atriz inglesa Jackie Lane, conhecida por ter vivido Dodo Chaplet, uma das primeiras companheiras do viajante do tempo e do espaço Doctor Who, faleceu nesta quarta-feira (23/6), aos 79 anos. A causa da morte não foi informada. Lane se juntou à “Doctor Who” em 1966, durante a 3ª temporada da série, quando o intérprete original, William Hartnell, ainda era o Doutor. Sua personagem, Dodo, era uma adolescente que apareceu em 19 episódios consecutivos, até desistir de acompanhar o Doutor após eventos traumáticos. Um dos livros de ficção oficiais da série, “Who Killed Kennedy”, de David Bishop, explicou que ela sofreu um colapso mental e foi parar em várias instituições psiquiátricas. Na vida real, a BBC simplesmente não quis renovar o contrato com Lane, que encerrou sua carreira televisiva após sair de “Doctor Who”, aos 19 anos de idade. Antes disso, ela era considerada uma adolescente promissora, tendo trabalhado, aos 16 anos, em outra série da BBC, “Compact” (1963), sobre os bastidores de uma revista feminina, além de ter aparecido em episódios de “The Protectors”, “The Villains” e da novela infinita “Coronation Street”. Depois de deixar “Doctor Who”, Lane se tornou uma agente de talentos, representando Tom Baker, que anos depois interpretaria o quarto Doctor Who, além de Janet Fielding, que viria a se tornar a companheira de Baker nas aventuras televisivas. Jackie Lane fez sua última aparição na TV em 2013, durante as celebrações dos 50 anos de “Doctor Who”, além de ter sido lembrada no telefilme “An Adventure in Space and Time”, sobre a história de bastidores da criação e produção da série original, sendo interpretada por Sophie Holt.
Mabel Calzolari (1999-2021)
A atriz Mabel Calzolari, que apareceu em “Malhação” e fez parte do elenco da novela “Orgulho e Paixão”, exibida pela Globo em 2018, morreu nesta terça (22/6) aos 21 anos após lutar contra uma aracnoidite torácica, doença rara e fatal que causa inflamação da medula espinhal. Nascida na Argentina, Maria Belén Calzolari mudou-se na infância para Campo Mourão, no interior do Paraná, onde chegou a ser eleita miss infantil local. Ela recebeu o diagnóstico da doença em 2019, após o nascimento de seu único filho, Nicolas. O menino, que tem hoje 1 ano e 11 meses, é filho do também ator João Fernandes, que se destacou ainda criança nas novelas “Caminho das Índias”, “Avenida Brasil” e “Cordel Encantado”, e recentemente fez a série “1 Contra Todos”. Calzolari vinha detalhando sua internação nas redes sociais e chegou a tranquilizar os seguidores após uma cirurgia realizada em março. Durante seu tratamento, ela contou com o apoio de uma campanha financeira com a participação das atrizes Talita Younan, Viviane Araújo, Aline Dias e Monique Curi. Foi a última quem noticiou sua morte nas redes sociais. “Tudo começou com a aracnoidite, uma inflamação na coluna com a qual ela foi diagnosticada em 2019, pouco depois de dar à luz. A luta dela era para não ficar tetraplégica. A partir daí a gente pediu ajuda. Todo mundo ajudou tanto. Só que, de dezembro para cá, ela abriu a coluna nove vezes. Abrir tanto a coluna desse jeito, eles tentando resolver o problema da aracnoidite, pode ter causado alterações no sistema nervoso. Porque ela começou a ter sintomas, e ninguém conseguia descobrir o que era. Os exames não davam nada. Não tinha infecção, não tinha nada. Ela fez não sei quantas ressonâncias, tomografias, cintilografias… Ela fazia tudo e não dava nada. Na semana passada, ela começou a ter convulsões e começou a não reconhecer mais as pessoas”, contou. Monique Curi ainda revelou que Mabel Calzolari teve uma parada respiratória na última sexta-feira (18) e precisou ser intubada: “De lá para cá, agravou bastante a situação dela. Porque teve parada respiratória, depois teve parada cardíaca de 12 minutos. Ela estava intubada, começou a não responder mais aos estímulos. A gente foi no domingo visitá-la. Foi ontem. Porque ontem verificaram um inchaço grande no cérebro dela. Provavelmente já estava ocorrendo a morte cerebral. Porque, quando acontece inchaço muito grande no cérebro, o sangue não chega”, explicou. “Eles pediram até hoje para dar uma resposta. Tiraram a sedação dela, fizeram todos os exames para confirmar a morte cerebral. Confirmando a morte cerebral, de acordo com a lei, é dado o óbito. Vinte e um anos, linda, carisma, de uma bondade, mãe do Nicolas, filha da Silvinha, que está destruída. Ela não está aqui mais. Agora, só pedir a Deus que a receba, que ela fique bem. Agradecer a cada um de vocês que participaram com orações, com a vaquinha. O dinheiro da vaquinha vai para a Silvinha. Ela vai precisar muito”, finalizou. João Fernandes também se despediu da ex-mulher no Instagram. “Eu sempre enxerguei suas fraquezas, seus medos, mas ninguém nunca lutou tão bem contra eles quanto você. Você nunca chegou a ter a real noção do tamanho da sua grandeza e força”, escreveu ele em um trecho. Em seu Instagram, ela própria escreveu: “Somos instantes, e sou grata por ter vivido cada um deles!”. Ao lado do texto, uma foto em que mostrava a cicatriz na sua coluna, o filho e o ex-marido. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por mabel calzolari (@mabelcalzolarii)












