Dean Stockwell (1936–2021)
O famoso ator Dean Stockwell, que teve carreira longuíssima e repleta de clássicos – e até filmou no Brasil – , morreu na manhã do último domingo (7/11) de causas naturais, aos 85 anos. Filho de Harry Stockwell, que dublou o Príncipe Encantado em “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937), Dean e seu irmão mais velho, Guy Stockwell (“Beau Gest”), começaram a trabalhar ainda nos anos 1940 como atores mirins. Ao estrear na Broadway com 7 anos, ele chamou atenção da MGM e se mudou para Hollywood, onde passou a filmar e estudar ao lado de colegas de classe famosos, como Roddy McDowall, Elizabeth Taylor, Jane Powell e Russ Tamblyn. A estreia no cinema foi como uma criança fugitiva no famoso musical “Marujos do Amor” (1945) ao lado de Frank Sinatra e Gene Kelly. O sucesso do filme o fez emendar várias produções no período, até começar a ser escalado como protagonista aos 12 anos, em “O Órfão do Mar” (1948), de Henry King, e “O Menino de Cabelos Verdes” (1948), de Joseph Losey, em que viveu os personagens-títulos. Em sua infância, ele foi dirigido por alguns dos maiores mestres da velha Hollywood, em obras como “A Luz é para Todos” (1947), de Elia Kazan, que lhe rendeu um Globo de Ouro juvenil, “Capitães do Mar” (1949), de Henry Hathaway, “O Jardim Encantado” (1949), de Fred M. Wilcox, “O Testamento de Deus” (1950), de Jacques Tourneur, e “Era Sempre Primavera” (1950), de William A. Wellman. Seu papel-título na aventura “Kim” (1950), na qual contracenou com Errol Flynn, chegou a inspirar o lançamento de uma revista em quadrinhos. Mas seu contrato com a MGM acabou quando ele chegou os 16 anos. No auge da popularidade, Stockwell decidiu pausar a carreira para se formar na Hamilton High School em Los Angeles e estudar na faculdade em Berkeley, antes de, inspirado por “On the Road”, viajar pelo país. Só que, após um hiato de cinco anos, encontrou dificuldades para retomar as atividades, passando a atuar na TV, onde fez vários teleteatros, e também nos palcos. Até que seu desempenho na Broadway lhe reconduziu ao cinema. Após uma década vivendo o bom menino, ele reapareceu em “Estranha Obsessão” (1959), de Richard Fleischer, como um dos psicopatas universitários que matam um colega só para provar que era possível cometer um crime perfeito. Stockwell reprisava um papel que tinha vivido nos palcos de Nova York, e que por isso sabia de cor. De fato, foi tão magistral que acabou consagrado no Festival de Cannes de 1959 com o troféu de Melhor Ator. A partir daí, emendou outros papéis dramáticos importantes. Em “Filhos e Amantes” (1960), de Jack Cardiff, foi um jovem artista que busca uma vida diferente de sua família de mineiros. Em outro clássico, “Longa Jornada Noite Adentro” (1962), de Sydney Lumet, foi o filho doente terminal de uma família doentia, inspirado na juventude do escritor Eugene O’Neill. A interpretação depressiva lhe rendeu seu segundo prêmio de Melhor Ator em Cannes, em 1962. Apesar do impacto dessas produções, seu filme seguinte, “Nasce uma Mulher”, só estreou em 1965, e para se manter Stockwell precisou ampliar as participações na TV, conseguindo um papel recorrente na popular série médica “Dr. Kildare” em 1965. Isto, porém, fechou-lhe as portas das produções de prestígio, iniciando outra fase em sua carreira. Stockwell descobriu as drogas, mudou-se para San Francisco e entrou na contracultura como um hippie sábio em “Busca Alucinada” (1968), filme psicodélico de Richard Rush que também trazia Jack Nicholson como guitarrista de uma banda de rock. E após uma rápida transformação em vilão de terror em “O Altar do Diabo” (1970), mergulhou de vez no cinema contracultural. Viveu o pistoleiro Billy the Kid no filme dentro do filme de “O Último Filme” (1971), obra maldita do eterno hippie Dennis Hopper, de quem se tornou amigo inseparável. Foi ainda um repórter-lobisomem nos bastidores do poder político em “O Lobisomem de Washington” (1973), cult marginal de Milton Moses Ginsberg. E voltou a encontrar Hopper como um hipster em “Tracks” (1974), de Henry Jaglom, sobre traumas da Guerra do Vietnã. Foram filmes cultuadíssimos, mas que pagaram bem menos que ele estava acostumado. Por isso, sua carreira televisiva como ator convidado multiplicou-se com participações em “Bonanza”, “Missão: Impossível”, “Mannix”, “Galeria do Terror”, “Columbo”, “Cannon”, “São Francisco Urgente”, “Os Novos Centuriões”, “Casal 20” e “Esquadrão Classe A”, entre muitas outras séries. Sem atenção de Hollywood, Stockwell estrelou “Alsino e o Condor” (1982), produção da Nicarágua que acabou indicada ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, e o mexicano “Matar um Estranho” (1983). Até se desiludir de vez e resolver abandonar o cinema para vender imóveis no Novo México. Entretanto, para complementar a renda, aceitou fazer um último filme de um diretor alemão. Tudo mudou com o filme do tal alemão. Em 1984, ele viveu o irmão de Harry Dean Staton em “Paris, Texas”. O drama do cineasta Wim Wenders acabou vencendo o Festival de Cannes e se tornando um dos longas mais famosos da década. Sua filmografia reviveu com uma coleção de pequenas participações inesquecíveis. Ele apareceu na primeira versão da sci-fi “Duna” (1984), sob a direção de David Lynch, no cult adolescente “A Lenda de Billie Jean” (1985) e no thriller policial “Viver e Morrer em Los Angeles” (1986), de William Friedkin, antes de atingir o ápice com sua melhor pequena participação de todas, o cafetão-traficante Ben de “Veludo Azul” (1986), novamente dirigido por Lynch e ao lado do velho amigo Dennis Hopper. A cena em que ele canta Roy Orbison para o torturado Kyle MacLachlan figura entre as mais icônicas do cinema moderno. Em seguida, ele enfrentou Eddie Murphy em “Um Tira da Pesada II” (1987) e fez uma dobradinha de filmes para Francis Ford Coppola, “Jardins de Pedra” (1987) e “Tucker: Um Homem e seu Sonho” (1988), até ter seu status de ladrão de cenas consagrado pela Academia, com uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo desempenho como um chefão da máfia na comédia “De Caso com a Máfia” (1988), de Jonathan Demme. Foi nesse período que acabou vindo filmar no Brasil, onde, sem falar português, viveu o patrão de “Jorge, um Brasileiro” (1988), drama caminhoneiro dirigida por Paulo Thiago, com Carlos Alberto Riccelli e Glória Pires no elenco. Na projeção nacional, foi dublado por Odilon Wagner. Ao voltar aos EUA, Stockwell passou a se dedicar a seu papel mais duradouro na TV, interpretando o almirante Al Calavicci em cinco temporadas da série “Quantum Leap” (1989–1993), que lhe renderam indicações ao Emmy em quatro anos consecutivos. “Ele costumava anunciar sua chegada no estúdio com um grito: ‘A diversão começa agora!’. Palavras mais verdadeiras nunca foram ditas”, lembrou Scott Bakula, seu colega de elenco na série, em depoimento à imprensa nesta terça (9/11). Stockwell ainda fez nova parceria com Dennis Hopper em “Atraída pelo Perigo” (1990), foi um agente de talentos desesperado num dos melhores longas de Robert Altman, “O Jogador” (1992), atuou no thriller de ação “Força Aérea Um” (1997), com Harrison Ford, e até retomou as colaborações com Coppola em “O Homem Que Fazia Chover” (1997), vivendo um juiz corrupto. Mas depois disso seus melhores papéis foram na TV, principalmente como John Cavill, um dos robôs humanoides vilões do reboot de “Battlestar Galactica”, entre 2006 e 2009. Em 2015, ele se aposentou da carreira de ator e passou a se dedicar às artes plásticas. Artista talentoso, Stockwell já tinha se destacado ao projetar a arte da capa de um álbum de Neil Young, “American Stars ‘n Bars”, de 1977, e exibia suas obras por várias regiões nos Estados Unidos com seu nome completo: Robert Dean Stockwell.
Membro da equipe de “Rust” é picado por aranha no set e pode perder o braço
A zica não para. Um funcionário da produção de “Rust”, filme marcado pela morte trágica da diretora fotográfica Halyna Hutchins, foi mordido por uma aranha venenosa enquanto ajudava desmontar o set e pode perder seu braço. O operador de lâmpadas e manipulador de cabos Jason Miller foi picado ao arrumar o equipamento do filme para encerrar a produção, que foi paralisada depois da morte da cinegrafista, atingida por um disparo de arma durante as filmagens. De acordo com uma campanha de crowdfunding (arrecadação virtual) do site Justgiving, Miller teve necrose do braço e sepse como resultado da mordida. “Ele foi hospitalizado e passou por várias cirurgias, enquanto os médicos fazem o possível para impedir a infecção e tentar salvar seu braço da amputação”, menciona a página. Além da morte de Halyna Hutchins, o diretor do filme, Joel Souza, também se feriu no ombro com o tiro disparado acidentalmente por Alec Baldwin durante o ensaio de uma cena da produção. Eles tinham sido informados de que a arma não continha munições, apesar de ter sido carregada com um bala real. Baldwin falou com a imprensa depois da tragédia, quando, ainda abalado, disse que Hutchins era sua amiga. Ele recebeu a arma do assistente de direção Dave Halls, que teria dito ao ator que ela estava “fria”. Mas Halls já havia sido demitido de outra produção por um problema com disparo acidental. Questionamentos de segurança também acompanharam a armeira Hannah Gutierrez-Reed, responsável pelo armamento do filme “Rust”, em seu trabalho anterior. Há ainda relatos de que outros dois disparos acidentais ocorreram no set antes da tragédia e de que integrantes da equipe faziam tiro ao alvo nos horários de folga com as armas da produção. A falta de segurança no local fez com alguns membros da equipe pedissem demissão. O Departamento do Xerife de Santa Fé continua suas investigações e ninguém ainda foi indiciado. As autoridades envolvidas com o caso disseram que ainda é cedo para comentar acusações.
Trump acusa Alec Baldwin de matar Halyna Hutchins de propósito
O ex-presidente dos EUA Donald Trump acusou o ator Alec Baldwin de ter matado a diretora de fotografia Halyna Hutchinsc de propósito. Ela foi atingida por uma bala de verdade disparada do revólver que Baldwin recebeu no set do western “Rust”. “Na minha opinião, ele teve algo a ver com isso”, disse Trump, em entrevista ao podcast extremista “Christ Stigall Show”. “Como você pega uma arma, esteja ela carregada ou não, aponta para alguém que nem mesmo está no filme e puxa o gatilho, e agora ela está morta”, continuou. “Mesmo que estivesse carregada, e isso é uma coisa estranha, talvez ele tenha carregado”, acusou o político. “Quem colocaria uma arma, ‘aqui, Alec, aqui está a sua arma’, levantaria, apontaria para uma pessoa e puxaria o gatilho, e, ‘Oh, cara, uma bala saiu’, ela está morta”, insistiu. “Portanto, há algo errado com ele. Ele é um cara doente. Eu o observei por anos. Ele briga com repórteres… Quer dizer, veja tudo o que ele faz, ele é um cara volátil. Ele é um maluco”, concluiu Trump. Baldwin soube da acusação ao vê-la repercutida no site The Wrap. Ele então publicou a reportagem em seu perfil no Instagram sem fazer nenhum comentário. Os seguidores comentaram por ele. “Não, Alec…não dê a ele mais publicidade. Nós sabemos quem você é e o que ele é. Mais importante nós conhecemos você e seu coração”, escreveu um. “Uau, ele está fazendo qualquer coisa pra buscar atenção sem o Twitter”, apontou outro, lembrando que Trump foi banido das redes sociais por espalhar mentiras perigosas. “Não responda… você é bom”, comentou mais um. “Sinto muito que você tenha passado por isso e pelas famílias que foram afetadas”, etc. Trump nutre grande rancor contra Baldwin, devido às imitações feita pelo ator no humorístico “Saturday Night Live”. Baldwin imitou Trump no programa da rede americana NBC entre a campanha presidencial de 2016 e a derrota para Joe Biden em 2020, e chegou a ganhar um Emmy em 2017 pela forma acurada com que deu vida aos trejeitos do ex-presidente dos EUA. Baldwin falou com a imprensa depois da tragédia, quando, ainda abalado, disse que Hutchins era sua amiga. O disparo fatal aconteceu durante um ensaio para as filmagens, quando ele recebeu a arma do assistente de direção Dave Halls, que teria dito ao ator que ela estava “fria”, ou seja, sem munição. Halls já havia, inclusive, sido demitido de outra produção por um problema com disparo acidental. Questionamentos de segurança também acompanharam a armeira Hannah Gutierrez-Reed, responsável pelo armamento do filme “Rust”, em seu trabalho anterior. Há ainda relatos de que outros dois disparos acidentais ocorreram no set antes da tragédia e de que integrantes da equipe faziam tiro ao alvo nos horários de folga com as armas da produção. A falta de segurança no local fez com alguns membros da equipe pedissem demissão. O Departamento do Xerife de Santa Fé continua suas investigações e ninguém ainda foi indiciado. As autoridades envolvidas com o caso disseram que ainda é cedo para comentar acusações. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Alec Baldwin (@alecbaldwininsta)
Marília Mendonça ia estrear como atriz em série da Globoplay
A cantora Marília Mendonça, que morreu na sexta-feira (5/11) em um acidente de avião, faria sua estreia como atriz na série “Rensga Hits”, atualmente sendo gravada em Goiânia. A revelação foi feita por Alice Wegmann (“Onde Nascem os Fortes”), que publicou no Instagram páginas do roteiro da produção da Globoplay, em que contracenaria com Marília. A ideia era que a cantora fizesse uma participação especial na trama, interpretando ela mesma. “Esse foi o mais perto que cheguei da Marília Mendonça. Uma quase-cena. Infelizmente, ela não aconteceu…”, escreveu Wegmann, que também contou ter se inspirado na cantora para compor sua personagem na série, chegando a estudar o jeito dela falar e cantar. “Meu coração tá dilacerado, Marília foi de longe a artista que mais ouvi esse ano, a que acompanhava todo santo dia nos stories, a que estudei o jeito de falar, de sentar, de ser. Marília foi muito, ela foi o Brasil inteiro, foi o que todo mundo queria cantar. Minha personagem em ‘Rensga Hits’, a Raíssa, foi desde sempre uma homenagem a ela em vida. Nossa maior referência e inspiração. Uma menina que me atravessou da forma mais intensa possível, que me transformou, assim como fez Marília, sem mesmo saber quem eu era. Quando um artista se vai, parece que a gente perde o alcance da imaginação de tudo aquilo que podemos ser…”, acrescentou a atriz. “Rensga Hits” vai girar em torno da rivalidade de duas cantoras sertanejas rivais, vividas por Wegmann e Lorena Comparato (“Impuros”). A produção também destaca em seu elenco Fabiana Karla (“De Perto Ela Não é Normal”), Deborah Secco (“Salve-se Quem Puder”), Stella Miranda (“Carnaval”), Guida Vianna (“Valentins”), Maurício Destri (visto num clipe recente de Manu Gavassi), Alejandro Claveaux (“Coisa Mais Linda”), Sidney Santiago (“Segunda Chamada”), Jeniffer Dias (“Amor de Mãe”) e ainda marca a volta de Lúcia Veríssimo às telas, oito anos após “Amor à Vida” (2013). Criada por Renata Corrêa (“Silêncio da Chuva”), a série terá músicas originais da dupla Bibi e Dudu, que já trabalhou com nomes como Michel Teló e Gusttavo Lima. A direção está a cargo de Leandro Neri (“Socorro, Virei uma Garota!”) e Carolina Durão (“A Vila”), e ainda não há previsão para a estreia. Marília Mendonça, conhecida como a rainha da sofrência e uma das maiores vozes da música brasileira contemporânea, foi uma das vítimas fatais de um acidente de avião bimotor que caiu na tarde de sexta-feira numa serra em Piedade de Caratinga, cidade a 309 quilômetros de Belo Horizonte. A cantora de 26 anos tinha um show marcado na mesma noite em Caratinga, a cerca de 12 quilômetros do local do acidente. A Cemig, empresa distribuidora de energia de Minas Gerais, disse em nota que o bimotor atingiu um cabo de uma torre de distribuição da companhia em Caratinga. O choque poderia ter provocado o acidente. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Alice Wegmann (@alicewegmann)
William Lucking (1941–2021)
O ator William Lucking, que estrelou a série “Sons of Anarchy”, morreu no dia 18 de outubro aos 80 anos, de causa não divulgada. O falecimento foi informado nesta quinta (4/11) pela mulher do ator, a figurinista Sigrid Insull. “Embora William muitas vezes representasse homens durões, em sua vida real ele era um homem elegante com um intelecto brilhante que adorava discutir sobre política e assuntos atuais, discutir filosofia e física e afirmar opiniões precisas sobre arte e poesia”, ela descreveu. Lucking teve uma longa carreira no cinema e na televisão. Seus primeiros papéis foram participações nas séries “Têmpera de Aço” (Ironside) e “Missão Impossível” em 1968, antes de aparecer na maioria das séries de western do período, incluindo “Bonanza”, “O Homem de Virgínia”, “Chaparral”, “Lancer” e “Gunsmoke”. A estreia no cinema aconteceu em 1971, ano em que trabalhou em nada menos que três longas: “Os Dois Indomáveis”, “Os Desajustados” e “Ensina-me a Viver”. Bastante ativo, também coadjuvou em “A Fúria dos 7 Homens” (1972), “Poço de Ódio” (1973), “Doc Savage, o Homem de Bronze” (1975), “O Retorno do Homem Chamado Cavalo” (1976), “Mulher Nota 10” (1979), “Recrutas da Pesada” (1981), “O Rio Selvagem” (1994), “Dragão Vermelho” (2002) e “Desafiando os Limites” (2004), quase sempre em papéis de policial ou bandido. Antes de entrar em “Sons of Anarchy”, ele chegou a integrar duas séries rapidamente canceladas dos anos 1980, “Os Fora da Lei” e “Shannon”, e feito aparições recorrentes em “Esquadrão Classe A” e “Star Trek: Deep Space Nine”. Mas Piermont “Piney” Winston foi mesmo seu papel mais marcante. O visual de durão casou perfeitamente com o personagem, um motoqueiro veterano e cancerígeno, fundador da gangue Sons of Anarchy, que carregava sempre a tiracolo um tanque de oxigênio. O ator apareceu em 49 episódios da série, entre 2008 e 2011, representando com sua experiência e exemplo a integridade que o motoclube deveria representar. E, por conta disso, teve um final trágico, assassinado na 4ª temporada pelo ambicioso vilão Clay Morrow (Ron Pearlman). Depois de “Sons of Anarcy”, ele ainda fez o filme “Contrabando” (2012) com Mark Wahlberg e se despediu das telas após passagens pelas séries “Switched at Birth” (em 2013) e “Murder in the First” (2014).
Dwayne Johnson declara que não usará mais armas reais em seus filmes
O astro Dwayne “The Rock” Johnson, ator mais bem-pago de Hollywood na atualidade, declarou que não vai mais participar de filmes que utilizem armas de fogo reais. A decisão foi tomada após a tragédia no set do western “Rust”, em que um tiro disparado por Alec Balwin num ensaio das filmagens matou a diretora de fotografia Halyna Hutchins. Johnson disse que ficou com o “coração partido” ao saber da morte da profissional e passou a repensar o uso de armas de fogo durante os projetos de sua produtora Seven Bucks Productions. “Perdemos uma vida”, disse o ator de 49 anos à revista Variety, no tapete vermelho de seu novo filme, a comédia “Alerta Vermelho” da Netflix. “Aquela foi uma situação terrível que aconteceu. Conheço Alec (Baldwin) há muitos, muitos anos. Ele é meu camarada, e me solidarizo com as famílias de todos os envolvidos”, continuou. “Não posso falar por mais ninguém, mas posso dizer, sem dúvida alguma, que em qualquer filme que fizermos a partir de agora com a Seven Bucks Productions — qualquer filme, qualquer programa de televisão ou qualquer coisa que façamos ou produzamos — com certeza não usaremos armas reais”, destacou. Ele explicou que sua produtora usará pistolas de borracha e adicionará todos os efeitos de disparos na pós-produção. “Não nos preocuparemos com o quanto vai custar”, acrescentou. Com sua iniciativa, Johnson espera inspirar outros a fazerem mudanças mais profundas na indústria cinematográfica. “À medida que avançamos, acredito que existem novos protocolos e novas medidas de segurança que devemos adotar, especialmente depois do ocorrido”, disse. “É horrível que isso tenha precisado acontecer desta forma para que despertemos”. Hutchins morreu no mês passado no set de “Rust” em Santa Fé, Novo México, quando a arma cenográfica usada por Baldwin foi disparada. A bala atingiu a diretora de fotografia em cheio e o diretor Joel Souza no ombro. Ele foi hospitalizado e recebeu alta. Baldwin recebeu um revólver identificado como “arma fria”, uma expressão da indústria para se referir a um objeto considerado seguro para o uso. Entretanto, ele continha uma bala de verdade. O departamento do xerife de Santa Fé, encarregado das investigações, ainda não indiciou ninguém, mas também não descartou nenhum suspeito envolvido com o revólver responsável pela morte da cinematógrafa, incluindo o assistente de direção que declarou a arma “fria” e a armeira responsável pela segurança do armamento utilizado na produção. Ambos tiveram problemas em trabalhos anteriores.
Membro da equipe de “Indiana Jones 5” é encontrado morto no Marrocos
Um membro da equipe do quinto filme da franquia “Indiana Jones” foi encontrado morto no quarto do hotel em que estava hospedado em Fez, no Marrocos, onde o longa está sendo gravado. Nic Cupac tinha 54 anos e era responsável pela montagem do set. O caso ainda será investigado, mas autoridades acreditam que Cupac morreu de causas naturais. Ele viajou para o Marrocos acompanhado de outro cem colegas para gravar uma sequência de cenas de ação nas ruas da cidade. Considerado um veterano em Hollywood, Cupac trabalhou no departamento de câmera e eletricidade em pelo menos 58 filmes e séries desde o ano 2000, incluindo superproduções das franquias “Harry Potter”, “O Código Da Vinci”, “Guardiões da Galáxia”, “Jurassic World” e “Venom”. Ainda sem título oficial, “Indiana Jones 5” tem lançamento nos cinemas previsto para junho de 2023.
Jo-Carroll Dennison (1923–2021)
A atriz Jo-Carroll Dennison, que transformou sua coroa de Miss América numa carreira em Hollywood, morreu em 18 de outubro em sua casa em Idyllwild, Califórnia, aos 97 anos, revelou neste fim de semana o jornal New York Times. Dennison nasceu em 16 de dezembro de 1923 num dos locais mais inusitados possíveis: uma prisão masculina em Florence, Arizona. Sua mãe deu a luz enquanto viajava com seu pai de carro do Texas para a Califórnia. Sua carreira também foi levada pelas circunstâncias aos destinos mais improváveis. Ela participou do programa de medicina itinerante de seus pais e pretendia se formar em negócios (economia e finanças) em Tyler, no Texas, quando um homem impressionado por sua beleza a parou na rua, mudando sua vida. Era um banqueiro que queria que ela representasse seu banco no concurso de beleza da cidade. Ela venceu aquele concurso, foi parar numa disputa regional, virou Miss Texas e acabou escolhida como Miss América em 1942. Com a faixa de Miss, foi entreter as tropas americanas no começo da 2ª Guerra Mundial e conseguiu um contrato com a 20th Century Fox, que a escalou como figurante de clássicos como “Canção de Bernadette” e “Entre a Loura e a Morena” em 1943. Ela também figurou no musical “Alegria, Rapazes!” (1944), onde conheceu seu futuro marido, o ator Phil Silvers, e conquistou seu primeiro papel creditado no romance “Encontro nos Céus” (1945). Mas a expectativa de sucesso cinematográfico não se concretizou, encerrando-se após vestir um maiô de peles no trash “Mulheres Pré-Históricas” (1950) e virar femme fatale no noir barato “Eco do Pecado” (1951). Paralelamente, Dennison ainda tentou carreira televisiva, emplacando pelo menos um papel marcante, como a estonteante e perigosa Breathless Mahoney na série de “Dick Tracy” (1950). A personagem foi vivida por ninguém menos que Madonna no filme de 1990. Nesta época, ela iniciou seu segundo casamento, desta vez com o diretor-produtor de TV Russell Stoneham (de “Barnaby Jones” e “São Francisco Urgente”), despedindo-se das telas logo em seguida, com um episódio de 1953 da série “The Abbott and Costello Show”. Jo-Carroll Dennison teve dois filhos do segundo casamento, encerrado em 1981, e lançou um livro autobiográfico, “Finding My Little Red Hat”, no mês passado.
Alec Baldwin fala pela primeira vez sobre morte de Halyna Hutchins
Alec Baldwin falou pela primeira vez com a imprensa sobre a morte da diretora de fotografia Halyna Hutchins no set de “Rust”. Ela faleceu no dia 21 de outubro após ser atingida por balas de um revólver disparado pelo ator, durante o ensaio de uma cena. A arma deveria conter festins ou estar descarregada. Além de atuar, Baldwin também era produtor do filme, por isso defendeu a equipe, ao mesmo tempo em que descreveu a cinematógrafa como amiga. “Ela era minha amiga. No dia em que cheguei em Santa Fé e comecei a filmar, levei ela para jantar com o Joel [Souza], o diretor”, disse Baldwin numa entrevista coletiva transmitida pelos canais de notícia dos EUA. “Éramos uma equipe muito, muito bem treinada filmando um filme juntos, e então esse evento horrível aconteceu”, prosseguiu. “Ocasionalmente ocorrem acidentes acidentais em sets de filmagem, mas nada como isso. Este é um episódio em um trilhão. É um evento em um trilhão”, completou o ator. Ele também destacou que sempre trabalhou com armas de verdade em sets de filmagem e que inúmeras produções são feitas assim, mas que a morte de Halyna Hutchins deve mudar essa prática. “O que precisa acontecer agora: temos que perceber que, quando acontecer uma coisa horrível e catastrófica, algumas novas medidas precisam ser tomadas. Pistolas de borracha, armas de plástico, formas de não usar nenhum armamento real no set. Mas isso não cabe a mim decidir”, acrescentou Baldwin. O ator de 63 anos também contou ter se encontrado com o marido e o filho de Hutchins, mas afirmou que não poderia responder nenhuma pergunta dos repórteres sobre o que aconteceu nas filmagens, dizendo que era uma ordem do xerife de Santa Fé, Adan Mendoza, por se tratar de uma investigação em andamento. Embora o tiro disparado por Baldwin tenha sido acidental, a promotora distrital Mary Carmack-Altwies e o xerife de Santa Fé ainda não descartaram uma acusação criminal contra o ator. “Neste momento, todas as opções estão na mesa. Não comentarei sobre acusações, se elas serão apresentadas ou não, ou sobre quem. Não podemos responder a essa pergunta até que concluamos uma investigação mais completa. Ninguém foi descartado”, afirmou Carmack-Altwies em entrevista coletiva na última quarta-feira (27/10). Por seu papel como produtor de “Rust”, Baldwin dificilmente escapará de processos civis da família de Hutchins e de outros envolvidos no incidente, em busca de indenizações financeiras. Além da diretora de fotografia, morta aos 42 anos, o diretor Joel Souza também foi ferido, ao receber uma bala no ombro durante o ensaio com Baldwin. O departamento do xerife de Santa Fé também investiga o assistente de direção Dave Halls, que entregou a arma a Balwin afirmando que ela não continha munições, e a armeira Hannah Gutierrez-Reed, que deveria ser a primeira a checar a segurança do revólver. Ambos tiveram problemas relacionados a segurança de armas em trabalhos anteriores. Além disso, também há relatos de que integrantes da produção praticavam tiro ao alvo com as armas do filme durante os intervalos da produção. Veja abaixo o vídeo da entrevista de Baldwin, transmitido pela rede americana de notícias CNN.
Camille Saviola (1950–2021)
A atriz Camille Saviola, conhecida por interpretar Kai Opaka em “Star Trek: Deep Space Nine”, morreu na sexta (29/10) aos 71 anos, de causa não divulgada. Ela começou no show business como cantora da banda de rock Margo Lewis Explosion nos anos 1970, mas logo mudou de tom, fazendo sua estreia na Broadway como Mama Maddelena no musical “Nine”, em 1982. O sucesso da produção abriu-lhe as portas do cinema, por onde entrou pelas mãos do conterrâneo nova-iorquino Woody Allen. Sua primeira aparição nas telas foi num pequeno papel em “Broadway Danny Rose” (1984), seguido por outro filme de Allen, “A Rosa Púrpura do Cairo” (1985), e a partir de então teve uma carreira prolífica na TV e no cinema. Ela ainda voltou a trabalhar com o diretor mais uma vez em “Sombras e Neblinas” (1991). Outros papéis no cinema incluíram “Noites Violentas no Brooklyn” (1989), “O Casamento de Betsy” (1990), “Entre Amigos” (1991) e “A Família Addams 2” (1993), mas ela logo começou a conquistar mais espaço na TV, passando a interpretar Kai Opaka em “Star Trek: Deep Space Nine” em 1993. A líder espiritual de Bajor acabou se tornando personagem da série até 1996. Saviola também estrelou as séries “The Heights” e “First Monday”, que duraram apenas uma temporada – respectivamente em 1992 e 2002 – , e apareceu em “Jogo Duplo” (Remington Steele), “A Juíza” (Judging Amy), “Becker”, “Plantão Médico” (E.R.), “JAG: Ases Invencíveis”, “Saving Grace”, “Without a Trace”, “Nip/Tuck” e foi a mãe de Turtle (Jerry Ferrara) em “Entourage”, entre muitos outras participações televisivas. Seu último papel foi na série “Younger”, onde interpretou Filomena, a mãe de Enzo de Luca (Chris Tardio) entre 2018 e 2019.
Armeira envolvida na tragédia de “Rush” já teve problemas com Nicolas Cage
A armeira Hannah Gutierrez-Reed, responsável pelo armamento do filme “Rust”, em que a diretora de fotografia Halyna Hutchins foi morta durante o disparo acidental de um revólver com munição real, já havia se envolvido em polêmica em seu trabalho anterior, e com ninguém menos que o astro Nicolas Cage. O conflito entre Gutierrez-Reed e Cage aconteceu durante as gravações de “The Old Way”, segundo apurou o site The Wrap. O ator teria surtado no set, após a armeira disparar três vezes seguidas com um revólver sem dar aviso prévio aos seus colegas. Stu Brumbaugh, maquinista chefe do faroeste estrelado por Cage, afirmou que, após os disparos, o ator teria gritado: “Dê um aviso antes, você acabou de explodir a p*r*a dos meus tímpanos!”. Brumbaugh também contou que pediu a um assistente de direção para que Gutierrez-Reed fosse demitida ainda naquele mesmo dia por conta de sua inexperiência, decisão que teria sido apoiada por Cage. “Falei com ele [o assistente de direção]: ‘Ela precisa ser afastada’. Depois de uma segunda ocorrência similar à anterior [disparar sem dar avisos] fiquei mais furioso. (…) Ela era uma novata”, relatou. O site Daily Beast já tinha afirmado que as filmagens de “The Old Way” chegaram a ser interrompidas porque ela teria entregue uma arma para uma menina de 11 anos de idade sem verificar corretamente seu carregamento. Segundo uma fonte da produção, membros da equipe interviram para que a arma dada à atriz infantil Ryan Kiera Armstrong fosse verificada antes do começo das filmagens, porque Gutierrez-Reed tinha descarregado a arma no chão, “onde havia pedrinhas e outras coisas”, segundo relato. “Não a vimos checar, não sabíamos se tinha alguma coisa no barril ou não”, disse a fonte à publicação. Vale ressaltar que o site The Wrap buscou comentários de um produtor de “The Old Way”, que disse não se lembrar de incidentes envolvendo a armeira. Já Hannah Gutierrez-Reed preferiu não comentar. “The Old Way” marcou o primeiro trabalho da jovem de 24 anos como armeira. “Rust” foi apenas o segundo. Ela conseguiu emprego nesta área por ser filha de um dos maiores atiradores dos EUA, Thell Reed, grande campeão de competições de tiros e que também é um dos armeiros mais requisitados de Hollywood, responsável pelas armas usadas em filmes como “Tombstone” (1993), “Los Angeles: Cidade Proibida” (1997), “Os Indomáveis” (2007) e o recente “Era uma Vez em… Hollywood” (2019).
Assistente de “Rust” admite não ter checado arma que matou diretora de fotografia
Dave Halls, o assistente de direção do filme “Rust”, admitiu à polícia que não conferiu completamente a munição na arma que entregou ao ator Alec Baldwin durante as filmagens, e que acabou matando a diretora de fotografia Halyna Hutchins. Ninguém foi preso ou acusado pelo incidente, que ocorreu na tarde da última quinta-feira (20/10), no rancho Bonanza Creek, enquanto o protagonista e coprodutor Baldwin ensaiava uma cena. Embora as autoridades não descartem acusações contra o ator, a investigação sugere que a morte foi causada por negligência dos responsáveis pelo armamento usado na produção, que continha munição real. O xerife do condado, Adan Mendoza, disse que cerca de 500 balas foram coletadas no set. Este total contém “uma mistura de cartuchos vazios, falsos e verdadeiros”. Agora, a investigação buscará “determinar como (essa munição real) entrou no set e por que estava lá, porque não deveria”, explicou Mendoza em entrevista coletiva para a imprensa. Mendoza ainda ressaltou que é “fundamental uma investigação completa e exaustiva para fazer uma avaliação”, mas já avalia que “houve alguma complacência neste set. “Muitos outros fatos precisam ser corroborados antes que possamos falar em negligência criminosa”, acrescentou, observando que as investigações ainda estão no começo. “É um caso muito complexo. Requer muita investigação, análise e revisões. É por isso que minha equipe está aqui”, comentou a promotora Mary Carmack-Altwies, encarregado do caso. “Não sabemos como isso vai acabar até que tenhamos uma investigação completa”. De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, havia três armas no set do western de baixo orçamento “Rust”. A assistente de armas Hannah Gutierrez-Reed disse, numa declaração juramentada entregue aos tribunais nesta quarta-feira (27/10), que no dia do incidente as armas foram guardadas em um cofre durante o almoço, mas as balas não. Segundo Dave Halls, quando Hannah lhe mostrou a arma no set para o ensaio, ele se lembra de ter visto três balas “falsas”. “Ele admite que deveria tê-las conferido, mas não o fez, e não se lembra se ela girou o tambor”, detalha o boletim de ocorrência, que chegou ao público pela imprensa americana. Entretanto, ao entregar o revolver a Baldwin, Halls informou ao ator que se tratava de “arma fria” – isto é, sem munição – , indicando que a tinha checado. Mendoza também disse que investiga rumores de que pessoas praticavam tiro ao alvo no set antes do acidente.
Gilberto Braga (1945-2021)
Gilberto Braga, um dos mais importantes autores de novelas do Brasil, morreu nesta terça-feira (26/10). O escritor, que completaria 76 anos na próxima segunda-feira, estava internado no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, onde enfrentava uma infecção sistêmica após uma perfuração do esôfago – lesão apontada como causa da morte. Casado com o decorador Edgar Moura Brasil, o autor também sofria do Mal de Alzheimer. Braga escreveu mais de 20 novelas, especializando-se em apresentar tramas de assassinato misterioso, que precisava ser resolvido nos últimos capítulos. Ele foi o primeiro teledramaturgo autêntico do Brasil, o primeiro autor brasileiro formado exclusivamente na televisão – jamais escreveu para teatro – , e fez sua trajetória praticamente inteira na rede Globo, iniciando com tramas do “Caso Especial” (antologia de teledramas) em 1972. Em toda a carreira, ele só fez uma obra fora da Globo, o roteiro do filme “Fim de Festa”, dirigido por Paulo Porto em 1978. A especialização em novelas aconteceu por acaso e sob pressão. Após entregar o quinto roteiro de “Caso Especial”, foi convencido pelo diretor Daniel Filho, na época responsável pela dramaturgia da Globo, a escrever seu primeiro folhetim em 1974, em parceria com o já experiente Lauro César Muniz. O resultado foi a novela “Corrida do Ouro”, desenvolvida para o horário das 19h “aos trancos e barrancos”, como ele próprio descreveu em entrevista à sua irmã historiadora Rosa Maria Araujo, num especial sobre os 70 da televisão do jornal O Globo. Em seguida, recebeu de Daniel Filho a missão de preencher o novo horário de novelas da emissora às 18h, inaugurando a fase áurea de adaptações de romances históricos com “Helena”, de Machado de Assis, em 1975. No mesmo ano, ainda escreveu a adaptação de “Senhora”, de José de Alencar, antes de criar seu primeiro fenômeno de audiência. Estrelada por Lucélia Santos, “Escrava Isaura” marcou época. A versão televisiva do romance de Bernardo Guimarães tornou-se a novela das 18h mais famosa de todos os tempos, ampliando sua popularidade com a passagem do tempo, graças a várias reprises. A produção também virou o primeiro grande produto de exportação da Globo, numa época em que a emissora carioca mal tinha planos de expansão internacional. Foi exibida até na China. Depois de despedir-se das 18h com “Dona Xepa” (1977), outro sucesso, foi direto, sem escalas, para o horário nobre, assinando sua primeira novela das 20h: o estouro “Dancin’ Days” em 1978. O melodrama, que combinava vida noturna moderna e drama existencial de uma ex-presidiária, foi a primeira novela urbana de Sonia Braga, fez deslanchar a carreira da adolescente Gloria Pires e contou com uma das melhores brigas femininas da história da TV brasileira (entre Sonia Braga e Joana Fomm), sem esquecer que lançou moda, vendeu muitos discos e ajudou a popularizar as discotecas no país. O autor continuou a fazer sucesso em “Água Viva” (1978), na qual inaugurou sua mania de mistérios criminais, lançando o bordão “Quem matou Miguel Fragonard?” (Raul Cortez), além de ter sido responsável por introduzir em “Brilhante” (1980) o primeiro protagonista homossexual (então no armário) da teledramaturgia nacional, vivido por Dennis Carvalho. Mais: com “Corpo a Corpo” e a genial atriz Zezé Motta, assinou mais um divisor de águas, transformando racismo em tema de novela em 1984. Entre tantas novelas, Braga ainda teve tempo para revolucionar as minisséries com sua primeira incursão no gênero, a romântica e nostálgica “Anos Dourados”, que fez o país se apaixonar por Malu Mader em 1986, seguida pela produção de “O Primo Basílio”, adaptação primorosa do romance histórico de Eça de Queirós. Revigorado pelas minisséries, ele voltou com tudo às narrativas longas. E dez anos depois de eletrizar o público com “Dancin’ Days”, parou o Brasil com “Vale Tudo” (1988). A trama de mau-caratismo consagrou a jovem adulta Gloria Pires como a malvadinha Maria de Fátima, eternizou a diva Beatriz Segall como a vilã das vilãs, Odete Roitman, e terminou quebrando todos os recordes de audiência, graças ao mistério de “Quem matou Odete Roitman”. Ironicamente, foi quando se achou o dono do mundo, em que nada que escrevia parecia falhar, que Braga amargou seu maior – talvez o único – dissabor, com a rejeição do público à trama de “O Dono do Mundo” (1991). A novela enfrentou vários protestos por sua premissa, em que Antonio Fagundes apostava ser capaz de tirar a virgindade de Malu Mader. A intenção era discutir ética. Mas o público se assustou. A ironia é que, dois anos depois, o mesmo público foi lotar os cinemas para ver uma parábola moral similar, só que made in Hollywood, no filme americano “Proposta Indecente”. O autor se vingou com a minissérie “Anos Rebeldes” (1992), retratando a resistência à ditadura, então ainda recente, com cenas de tortura para sacudir o público. A série acabou projetando Cláudia Abreu, que depois faria o melhor papel da carreira na melhor novela de Braga, “Celebridade”, em 2003. Juntando suas estrelas de “Anos Dourados” e “Anos Rebeldes”, Braga mostrou um novo “Vale Tudo” na era do culto às celebridades e com direito até a um “quem matou Lineu?” (Hugo Carvana). Só que, diferente dos anos 1980, pela primeira vez controlou todos os aspectos da obra, da escalação do elenco à trilha sonora. Por isso, dizia que “Celebridade” era sua novela favorita. Entre outras novelas, ainda se consagrou com “Paraíso Tropical” (2008), que também é lembrada por seus vilões – Bebel e Olavo, vividos por Camila Pitanga e Wagner Moura. A obra recebeu indicação ao Emmy Internacional. Ele continuou a escrever novelas até 2015, quando assinou “Babilônia”, mas a doença o tirou da TV. Nos últimos anos, tornou-se recluso. Mesmo assim, tinha planos. Na entrevista à irmã, publicada em 2020 em O Globo, disse que estava aproveitando a quarentena da pandemia para realizar com colaboradores uma adaptação do clássico britânico “Feira das Vaidades”, de William Makepeace Thackeray, passada no Rio de Janeiro dos anos 1920.











