Homem-Aranha: Zendaya não viverá Mary Jane?
O boato de que Zendaya (série “Agente K.C.”) viveria Mary Jane Watson, a futura mulher de Peter Parker, no reboot da franquia “Homem-Aranha” foi tão forte que muitos fanboys já davam o assunto por encerrado. Mas agora a revista The Hollywood Reporter revela que a história, inicialmente espalhada pelo site The Wrap, está longe de ter uma conclusão. Uma reportagem de capa com os astros de “Homem-Aranha”, Tom Holland e Zendaya, dá a entender que todos os chutes foram bola fora. Perguntada sobre sua personagem, Zendaya desconversou, mas deu a entender que não viverá Mary Jane. Ou, então, Mary Jane será tão diferente no filme que a questão racial será o de menos. “As pessoas tendem a reagir por qualquer coisa”, ela disse. “Mas nada [sobre quem ela está interpretando] é verdade. Estão apenas inventando coisas e reagindo a isso. Quando vemos as teorias, rachamos de rir, porque, pensem o que pensar, vocês irão acabar descobrindo a verdade no filme. Mas é engraçado ver o jogo de adivinhação.” Identificada como “Michelle” nos créditos de produção, a personagem misteriosa de Zendaya não será sequer o interesse romântico de Peter Parker. “Minha personagem não é romântica”, disse ela. “Minha personagem é muito seca, desajeitada, intelectual e, porque ela é tão esperta, ela sente que não precisa falar com as pessoas. Ela age assim: ‘Meu cérebro está tão à frente de você que você não está realmente em meu nível’. Então, o que ela fala soa muito estranho. Mas, para mim, ela é muito legal, porque ela é profunda. Ela está sempre pensando em algo, sempre lendo.” E isso realmente não soa como nenhuma versão da sexy top model Mary Jane Watson que os fãs conhecem dos quadrinhos. Será que os roteiristas preferiram criar papéis novos, ignorando a quantidade de personagens clássicos que estudaram no colegial com Peter Parker? Ou será que Zendaya é a versão menos loira de Debra Whitman, com quem Peter se envolveu na faculdade? O filme também teria Angourie Rice (“Dois Caras Legais”), que é loira, vivendo a morena Betty Brant, e Tony Revolori (“O Grande Hotel Budapeste”), que é mulato, vivendo o loiro Flash Thompson, além da negra Laura Harrier como a loira Liz Allen. Tudo a ver, como se pode ver. Com direção de Jon Watts (“A Viatura”) e roteiro de John Francis Daley e Jonathan Goldstein (do fraco reboot de “Férias Frustradas”), o novo “Homem-Aranha” tem estreia prevista para 6 de julho no Brasil, um dia antes de seu lançamento nos EUA.
Filme dos mutantes X-Force vai virar Deadpool 3
O projeto do filme sobre os mutantes dos quadrinhos “X-Force” foi definitivamente cancelado, segundo a revista The Hollywood Reporter. Num artigo sobre o estado atual das continuações e spin-offs dos heróis Marvel da 20th Century Fox, a publicação revelou, como principal novidade, que os personagens de X-Force serão incorporados na trama de “Deadpool 3”. A ideia, aparentemente, é introduzir Cable e Domino em “Deadpool 2” e apresentar a formação do time completo em “Deadpool 3”. A Fox estaria tão confiante no projeto que, embora ainda não tenha fechado com um diretor para assumir “Deadpool 2” (após a desistência de Tim Miller, responsável pelo primeiro filme), também já busca quem assuma a terceira produção da franquia. O artigo ainda afirma que Simon Kinberg vai escrever o próximo filme dos X-Men, que não deverá ser dirigido por Bryan Singer. Apesar dos contratos de Jennifer Lawrence, James McAvoy e Michael Fassbender terem acabado com “X-Men: Apocalipse”, o estúdio estaria desenvolvendo o longa contando com a possibilidade de mantê-los na franquia. Antes disso, o próximo longa do universo mutante da Fox a ser filmado será a estreia dos “Os Novos Mutantes”, com direção de Josh Boone (“A Culpa É das Estrelas”), que poderá começar a ser rodado no segundo trimestre de 2017.
Homem-Aranha: Michael Keaton é confirmado como o vilão Abutre
O presidente do Marvel Studios, Kevin Feige, confirmou o que todo fanboy já sabia: Michael Keaton (“Batman” e “Birdman”) será o Abutre no filme do “Homem-Aranha”. Ou, como realmente preferem os fanboys: Batman vai enfrentar o Aranha! A revelação foi feita ao jornal Toronto Sun, enquanto Feige falou dos vilões nos próximos filmes da Marvel: “Tinhamos uma lista de desejos, e a maior parte deles vão virar realidade no futuro. Cate Blanchett vai viver a Hela em ‘Thor: Ragnarok’. O Abutre de Michael Keaton em ‘Homem-Aranha’ é real. Além disso, finalmente mostraremos Thanos. Estamos ansiosos para tudo isso”. Criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1963, o Abutre é um dos vilões clássicos das histórias do Aranha e um dos fundadores do Sexteto Sinistro. Cronologicamente, foi o segundo vilão a enfrentar o herói, no segundo exemplar da revista do Homem-Aranha. Primeiro filme solo do Aranha estrelado por Tom Holland (“No Coração do Mar”), a produção também contará com Robert Downey Jr. no papel de Tony Stark/Homem de Ferro e Marisa Tomei como a Tia May (ambos vistos em “Capitão América: Guerra Civil”), além de Zendaya (série “Agente KC”), Tony Revolori (“O Grande Hotel Budapeste”), Donald Glover (“Perdido em Marte”), Logan Marshall-Green (“Prometheus”), Martin Starr (série “Silicon Valley”) e Laura Harrier (novela “One Life to Live”) em papeis não informados. Com direção de Jon Watts (“A Viatura”) e roteiro de John Francis Daley e Jonathan Goldstein (do fraco reboot de “Férias Frustradas”), o novo “Homem-Aranha” tem estreia prevista para 6 de julho no Brasil, um dia antes de seu lançamento nos EUA.
Vingadores: Diretores postam foto de possível cenário da Guerra Infinita
Os irmãos Russo publicaram em seu Instagram a foto de um possível cenário de seu próximo filme, “Vingadores: Guerra Infinita”. Ao lado da imagem de uma escaria, eles escreveram “scouting”, um termo usado para caracterizar a busca por locações. Vale observar que eles estão usando casacos, o que significa que a locação não fica em Atlanta, onde as filmagens estão marcadas para acontecer. A Georgia está experimentando um outono quente. Alguns fãs já especulam que o local evoca o visual de “Doutor Estranho”. E nunca é demais lembrar que a participação de Benedict Cumberbatch como o mago supremo da Marvel está confirmada no filme. Na verdade, a expectativa é que todo o extenso elenco de super-heróis da Marvel esteja presente, seja como protagonista ou em breves participações. Vin Diesel já adiantou que os Guardiões da Galáxia estarão o longa, e o filme ainda deve introduzir Carol Danvers, a personagem interpretada por Brie Larson (vencedora do Oscar por “O Quarto de Jack”), que terá seu próprio longa-metragem, “Capitã Marvel”, em 2019. A estreia de “Vingadores: Guerra Infinita” está marcada para 4 de maio de 2018.
Logan: Hugh Jackman aparece em nova foto em preto e branco do filme solo de Wolverine
A página do Instagram wponx divulgou uma nova foto em preto e branco de Hugh Jackman em “Logan”, terceiro longa-metragem solo de Wolverine. Na imagem, ele aparece de garras abertas, sobre o corpo de uma vítima – provável Carniceiro numa tentativa de invasão da casa registrada na imagem. O filme encontra o herói no futuro, envelhecido e em fuga com o Professor Xavier (Patrick Stewart) e uma jovem mutante (Dafne Keen, da série “The Refugees”), que os fãs dos quadrinhos conhecem como X-23, o clone feminino do Wolverine. Quem os persegue é o vilão Donald Pierce (Boyd Holbrook, da série “Narcos”) e seu grupo de mercenários ciborgues, denominados Carniceiros (Reavers). O roteiro é de Michael Green (“Lanterna Verde”) e do estreante David James Kelly, e a direção está mais uma vez a cargo de Mangold, responsável pelo filme anterior, “Wolverine – Imortal” (2013). A estreia está marcada para 2 de março no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA. Aproveite e reveja o primeiro trailer legendado aqui.
Bilheterias: Doutor Estranho estreia em 1º lugar no Brasil com muita folga
O filme “Doutor Estranho” também estreou em 1º lugar e de forma retumbante no Brasil. Após conquistar a liderança das bilheterias dos EUA em seus primeiros dias de exibição, o filme consolidou sua liderança mundial em diversos países, entre eles o Brasil, onde faturou R$ 26 milhões desde a estreia na quarta (2/11), segundo o levantamento da empresa comScore. O que mais impressiona é que o 2º lugar, ocupado pela animação “Trolls” em sua segunda semana de exibição, fez menos de 20% desse total, R$ 4 milhões. Na verdade, o longa de super-herói da Marvel faturou mais que a soma completa de “Trolls” até agora – que atinge, no acumulado, R$ 14,2 milhões. O 3º lugar ficou com o suspense “A Garota no Trem”, com R$ 2 milhões, seguido por outros dois filmes do gênero, “Inferno” e “O Contador”, que arrecadaram R$ 1,8 milhão e R$ 1,4 milhão respectivamente.
Os Defensores: Elektra vai participar da minissérie dos super-heróis Marvel da Netflix
O endereço oficial do Twitter de “Os Defensores” confirmou com um vídeo a participação da super-heroína Elektra, interpretada por Elodie Yung, na minissérie da Netflix. O anúncio é curioso, tendo em vista a situação irresolvida de Elektra ao final da 2ª temporada de “Demolidor”. Ela vai se juntar a outros personagens de “Demolidor”, Jessica Jones, “Luke Cage” e da vindoura “Punho de Ferro”, num crossover do universo Marvel na Netflix. “Os Defensores” ainda não teve sua data de estreia definida, mas a Neflix já divulgou o primeiro teaser da atração, que pode ser conferido aqui. pic.twitter.com/EPRASgJrCZ — The Defenders (@TheDefenders) November 7, 2016
Disney fatura US$ 6 bilhões anuais pela primeira vez em sua história
Graças à mágica espetacular da Marvel, Pixar e LucasFilm, a Disney não pára de soltar fogos de artifício. “Doutor Estranho”, que faturou mais de US$ 300 milhões nas bilheterias de todo o mundo em seus primeiros dias de exibição, foi o empurrão que faltava para o estúdio ultrapassar pela primeira vez a marca de US$ 6 bilhões em arrecadação mundial num único ano. Em toda a história, a Disney é apenas o segundo estúdio a superar esse montante. Neste ano, a empresa criada por Walt Disney já bateu duas marcas histórias, virando o que mais rapidamente atingiu o faturamento de US$ 2 bilhões nos EUA e de US$ 5 bilhões em nível internacional. Vale observar que as quatro maiores bilheterias de 2016 são produções da Disney: “Capitão América: Guerra Civil” (US$ 1,1 bilhão), “Procurando Dory” (US$ 1 bilhão), “Zootopia” (US$ 1 bilhão) e “Mogli, o Menino Lobo” (US$ 966 milhões). Como acaba de lançar “Doutor Estranho” e ainda tem a animação “Moana” e o spin-off “Rogue One: Uma História Star Wars” em seu cronograma de fim de ano, é provável que a Disney consiga quebrar o recorde histórico registrado pela Universal em 2016, de US$ 6,9 bilhões, para obter a maior bilheteria anual de um estúdio em todos os tempos. Este valor já poderia ter sido alcançado, caso todas as apostas do estúdio tivessem funcionado. Afinal, apesar do sucesso, a Disney também amargou alguns fracassos grandiosos em 2016. “Alice Através do Espelho” e “O Bom Gigante Amigo” deram prejuízo. O primeiro, orçado em US$ 170 milhões, arrecadou apenas US$ 299 milhões, enquanto o segundo, que custou US$ 140 milhões, gerou US$ 243 milhões. E os resultados de “Meu Amigo, o Dragão” não chegaram nem perto de satisfatórios. Além disso, o drama “Horas Decisivas” representará uma perda de US$ 75 milhões, segundo a revista Variety.
Bilheterias: Estreia de Doutor Estranho fatura mais de US$ 300 milhões em todo o mundo
A mágica da Marvel é insuperável. Numa das semanas mais competitivas do ano na América do Norte, a estreia de “Doutor Estranho” arrecadou impressionantes US$ 84,9 milhões. Somente no primeiro dia em cartaz, na sexta-feira (4/11), o filme faturou US$ 32,6 milhões. A bilheteria superou a expectativa do mercado, que era de US$ 75 milhões. Para completar, o longa também fez mais de US$ 240 milhões em outros países, atingindo impressionantes US$ 325 milhões em todo o mundo, em seus primeiros dias em cartaz. O primeiro longa da inevitável nova franquia superou as estreias domésticas de super-heróis mais conhecidos da Marvel, como “Thor” (US$ 65,7 milhões), “Capitão América: O Primeiro Vingador” (US$ 65 milhões) e “Homem-Formiga” (US$ 57,2 milhões), ficando atrás apenas de “Homem de Ferro” (US$ 98,6 milhões) e dos filmes com mais de um super-herói, como “Guardiões da Galáxia” (US$ 94,3 milhões) e “Os Vingadores” (US$ 207,4 milhões). Além da ótima bilheteria, o filme estrelado por Benedict Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”) foi antecipado por críticas bastante positivas. Com 90% de aprovação no site Rotten Tomatoes, também foi o lançamento mais bem-avaliado da semana nos EUA. E a competição era boa, com o lançamento da animação musical “Trolls”. A produção da DreamWorks Animation, com músicas de Justin Timberlake, abriu em 2º lugar. Mas com uma bilheteria bastante superior aos líderes das últimas semanas: US$ 45,6 milhões. A crítica também gostou da cantoria animada, rendendo aprovação de 74% no Rotten Tomatoes. Em 3º lugar, veio outra estreia bastante aguardada: “Até o Último Homem”, filme de guerra que marca a volta de Mel Gibson à direção. Estrelado por Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha”) e baseado numa história real, o filme fez U$ 14,7 milhões. Era mesmo uma tarefa difícil enfrentar a Marvel e a DreamWorks Animation, mas o desempenho, ainda que modesto para os padrões de Hollywood, está sendo considerado uma vitória para uma produção independente. O longa tem financiamento do estúdio do próprio cineasta, Icon Productions, em parceria com várias produtoras pequenas. Não há nenhum grande estúdio bancando o projeto, que mesmo assim já é considerado a redenção de Gibson em Hollywood. Sua exibição no Festival de Veneza, há dois meses, foi aplaudida de pé por 10 minutos, e a crítica americana agora faz eco, com 87% de aprovação. Infelizmente, a estreia no Brasil ainda vai demorar e só deve acontecer em janeiro. BILHETERIAS: TOP 10 EUA 1. Doutor Estranho Fim de semana: US$ 84,9 milhões Total EUA: US$ 84,9 milhões Total Mundo: US$ 325,3 milhões 2. Trolls Fim de semana: US$ 45,6 milhões Total EUA: US$ 45,6 milhões Total Mundo: US$ 149,6 milhões 3. Até o Último Homem Fim de semana: US$ 14,7 milhões Total EUA: US$ 14,7 milhões Total Mundo: US$ 14,7 milhões 4. Boo! A Madea Halloween Fim de semana: US$ 7,8 milhões Total EUA: US$ 64,9 milhões Total Mundo: US$ 65,6 milhões 5. Inferno – O Filme Fim de semana: US$ 6,2 milhões Total EUA: US$ 26 milhões Total Mundo: US$ 185,3 milhões 6. O Contador Fim de semana: US$ 5,9 milhões Total EUA: US$ 70,8 milhões Total Mundo: US$ 109,3 milhões 7. Jack Reacher: Sem Retorno Fim de semana: US$ 5,5 milhões Total EUA: US$ 49,2 milhões Total Mundo: US$ 111,9 milhões 8. Ouija: Origem do Mal Fim de semana: US$ 3,9 milhões Total EUA: US$ 31,3 milhão Total Mundo: US$ 64,4 milhões 9. A Garota no Trem Fim de semana: US$ 2,7 milhões Total EUA: US$ 70,7 milhões Total Mundo: US$ 140,6 milhões 10. O Lar das Crianças Peculiares Fim de semana: US$ 2,1 milhões Total EUA: US$ 83,3 milhões Total Mundo: US$ 253,4 milhões
Doutor Estranho conjura visual surpreendente em mais um acerto da Marvel
Quem era leitor de quadrinhos de super-heróis até a década de 1990 jamais imaginaria que um dia seus heróis favoritos pudessem se materializariam em grandes produções cinematográficas que fizessem justiça às publicações. Mas, graças aos avanços no uso da computação gráfica, isto agora é corriqueiro. As ferramentas estão à mão. E dinheiro não falta, já que o retorno tem sido muito positivo, a ponto de os filmes de super-heróis se tornarem os grandes blockbusters da atualidade. Ninguém poderia imaginar, há 20 anos, que o sucesso do gênero enchesse a Marvel de coragem para emplacar filmes sobre heróis menos conhecidos do grande público, como “Guardiões da Galáxia” (2014) e “Homem-Formiga” (2015). Muito menos poderia prever uma adaptação do Mago Supremo dos quadrinhos. E dirigido por um especialista em filmes de horror, Scott Derrickson – que nem é dos melhores do gênero, embora tenha alguns bons títulos no currículo. Pois “Doutor Estranho” foi realmente feito. E com um número de acertos bem significativos, que elevam a produção acima de outros filmes de super-heróis, fugindo de lugares-comuns que começam a habitar o gênero. Desde os primeiros trailers divulgados, já se sabia que a abordagem seria diferente, com um tratamento visual mais caprichado, especialmente no uso da tecnologia 3D – e agora também do IMAX – , com a intenção de capturar o clima psicodélico das primeiras histórias do personagem, desenhadas pelo lendário Steve Ditko. E os meninos de antigamente podem arregalar bem os olhos e chorar, porque o filme consegue realizar seu objetivo de filmar o infilmável: a lisergia dos quadrinhos de Ditko. Mas o encantamento causado por “Doutor Estranho” não se resume ao visual. O elenco é um luxo, a começar por Benedict Cumberbatch como Stephen Strange, e sem esquecer Rachel McAdams como a apaixonante médica e interesse amoroso de Strange, a Dra. Christine Palmer, Tilda Swinton como a Anciã, a mulher que apresenta a Strange um novo mundo, Chiwetel Ejiofor como o mago Mordo, Benedict Wong como o Wong, e Mads Mikkelsen como o principal vilão do filme – embora seja também o seu maior problema. É que os embates entre Estranho e o personagem de Mikkelsen, por mais que possam ser apreciados pelos efeitos de desconstrução da realidade, acabam tornando a história um pouco aborrecida em alguns momentos. Afinal, quem não queria mais um pouco de plantão médico com a Rachel McAdams, de tão adorável que é sua personagem? E não é fantástica a Anciã de Tilda Swinton, com suas palavras de sabedoria tão bem construídas e tão pouco usuais em filmes desse tipo? O que dizer da cena que compartilha com Estranho no alto de um prédio, enquanto o corpo dela está sendo operado? Um grande momento do filme, sem dúvida. Assim como é também um grande momento o encontro pessoal do herói com um dos supervilões mais tenebrosos do Universo Marvel, Dormammu, um ser místico que vive nas profundezas de uma dimensão sombria. A cena do confronto com Dormammu é outro ponto alto. Aliás, é interessante notar como “Doutor Estranho” consegue ser ao mesmo tempo compacto e dinâmico, sem parecer apressado em sua condução narrativa – diferente do que se percebe nos filmes dos Vingadores, por exemplo. Isso se deve, em parte, por ser uma história de um herói individual, mas mesmo assim se deve dar o devido crédito ao realizador, aos roteiristas, ao montador. Como é natural nos filmes da Marvel, o humor está presente, muitas vezes até descaracterizando o personagem, que costuma ser bem mais sério nos quadrinhos – para conservar sua aura de mistério. No cinema, na falta de outro personagem que servisse de alívio cômico, o próprio Estranho acabou cumprindo a função. Mas isso não tira seu mérito, até porque algumas cenas de humor funcionam muito bem, em especial as que envolvem Wong, que aqui ainda aparece como o guardião da biblioteca de livros místicos. E nem é preciso dizer que a construção gráfica do herói, com direito a manto de levitação e ao Olho de Agamotto, foi feita no capricho. Que sina da Marvel: acertou mais uma vez no cinema, inserindo agora um personagem que lida com magia para integrar seu universo e participar dos próximos filmes dos Vingadores. Já foi antecipado que o Doutor Estranho voltará para uma breve aparição em “Thor: Ragnarok”, previsto para novembro do próximo ano. Pelo visto, os super-heróis da Marvel continuarão aumentando no cinema até refletir sua superpopulação nos quadrinhos. E isto não é um sonho geek, é o futuro/presente de Hollywood.
Disney comemora o ano de maior bilheteria mundial de sua história
Os estúdios Walt Disney estão em clima de conto de fadas, registrando o melhor ano de sua história. Graças aos sucessos de “Procurando Dory”, “Capitão América: Guerra Civil”, “Mogli, o Menino Lobo” e “Zootopia”, a Disney faturou US$ 5,9 bilhões nos primeiros dez meses de 2016, o que já supera o resultado total de suas bilheterias do ano passado (US$ 5,8 bilhões). “Pelo segundo ano consecutivo, o Walt Disney Studios alcançou um novo recorde na bilheteria graças a uma coleção absolutamente extraordinária de estreias de Disney, Disney Animation, Pixar, Marvel e LucasFilm”, disse o presidente Alan Horn, em comunicado celebratório. Neste ano, o estúdio já bateu duas marcas histórias, virando o que mais rapidamente atingiu o faturamento de US$ 2 bilhões nos EUA e de US$ 5 bilhões em nível internacional. Como acaba de lançar “Doutor Estranho” e ainda tem a animação “Moana” e o spin-off “Rogue One: Uma História Star Wars” em seu cronograma de fim de ano, é possível que a Disney quebre o recorde registrado pela Universal em 2016, de US$ 6,9 bilhões, para obter a maior bilheteria anual de um estúdio em todos os tempos. Mesmo assim, o estúdio amarga alguns fracassos grandiosos em 2016. “Alice Através do Espelho” e “O Bom Gigante Amigo” deram prejuízo. O primeiro, orçado em US$ 170 milhões, arrecadou apenas US$ 299 milhões, enquanto o segundo, que custou US$ 140 milhões, gerou US$ 243 milhões. E os resultados de “Meu Amigo, o Dragão” não chegaram nem perto de satisfatórios. Além disso, o drama “Horas Decisivas” representará uma perda de US$ 75 milhões, segundo a revista Variety.
Estreias: Doutor Estranho tem o maior lançamento, mas há outros destaques na programação
Maior estreia da semana, “Doutor Estranho” ocupa os shoppings com um novo super-herói da Marvel, numa história repleta de efeitos visuais e elenco acima da média do gênero, liderado por Benedict Cumberbatch. O filme conquistou a crítica internacional – 91% de aprovação no site Rotten Tomatoes – , mas o mais surpreendente é a forma como incorporou e traduziu a psicodelia dos desenhos originais de Steve Ditko na linguagem dos blockbusters modernos. O fato de a Marvel fazer um filme sobre uma criação da fase hippie da editora também diz muito sobre a confiança, a capacidade e o status de seu estúdio, numa lição de como criar franquias e expandir um universo cinematográfico com personagens considerados “estranhos”. Há dois outros filmes hollywoodianos na programação. “A Luz Entre Oceanos” é um melodrama rasgado, baseado num best-seller. O elenco também é ótimo, e pelo menos para o casal central foi um trabalho prazeroso – Michael Fassbender e Alicia Vikander começaram a namorar durante as filmagens. Eles interpretam um casal num farol isolado, que encontra um bebê num barco à deriva e, depois de cuidar da menina por vários anos, descobre a verdadeira mãe (Rachel Weisz), que acredita ter pedido a filha no mar. Segue-se então o embate entre Fassbender, moralmente compelido a contar a verdade, e Vikander, para quem a criança é sua filha de verdade. A trama é de partir o coração, mas também digna de telenovela. Com 59% de aprovação da crítica americana, naufragou nas bilheterias dos EUA, dando prejuízo com apenas US$ 12 milhões de arrecadação. “Indignação” rendeu ainda menos em circuito bastante restrito. Mas conquistou a crítica, com 81% de aprovação. Drama de época baseado no livro homônimo de Philip Roth (“Revelações”), marca a estreia na direção do roteirista e produtor James Schamus, grande parceiro do cineasta Ang Lee em filmes como “O Tigre e o Dragão” (2000), “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), “Desejo e Perigo” (2007) e “Aconteceu em Woodstock” (2009). O filme também destaca uma interpretação surpreendente de Logan Lerman, como um jovem judeu de Nova Jersey, que sofre preconceito e enfrenta um clima conservador de repressão sexual ao ingressar numa Universidade nos anos 1950. O lançamento antecede outra aguardada adaptação de Philip Roth neste ano – “Pastoral Americana”. O circuito limitado também contempla os fãs de cinema indie com o relançamento de “Estranhos no Paraíso” (1984), hoje cultuadíssimo como pioneiro da revolução estética trazida pelos filmes independentes americanos. Em preto e branco e inspirado na nouvelle vague, venceu a Câmera de Ouro no Festival de Cannes como Melhor Filme de Estreia de 1984, o Leopardo de Ouro do Festival de Locarno, o prêmio de Melhor Filme da Sociedade Nacional dos Críticos dos EUA e o Prêmio Especial do Juri do Festival de Sundance. Clássico absoluto, na época parecia muito moderno. A programação internacional inclui ainda o alemão “13 Minutos”, segundo filme do cineasta Oliver Hirschbiegel (“A Queda! As Últimas Horas de Hitler”) a tratar do nazismo. Baseado em fatos reais, o longa mostra a iniciativa de um trabalhador comum alemão (Christian Friedel, de “A Fita Branca”), que cansado dos absurdos do nazismo decide traçar um plano para assassinar Hitler. Considerado traidor, o carpinteiro Georg Elser foi preso após tentar explodir o Führer, mas só executado quando a Alemanha considerava ter perdido a guerra, por ordem direta do ditador. Apenas em 2011, com a inauguração de uma estátua em sua homenagem em Berlim, ele passou a ser festejado como herói da Alemanha. A outra metade da programação (cinco filmes) é composta por filmes brasileiros – que, entretanto, não ocupam a metade (nem um décimo) das salas destinadas aos lançamentos internacionais. São duas ficções, das quais se destaca “Canção da Volta”, estreia do documentarista Gustavo Rosa de Moura nas narrativas dramáticas. No filme, ele dirige sua esposa, a também cineasta Marina Person – Moura foi um dos produtores de “Califórnia” (2015), dirigido por ela. Alçada pela primeira vez ao posto de protagonista, Marina vive uma mulher depressiva, que, após tentar o suicídio, desperta um sentimento de vigília constante no marido (João Miguel), logo transformado em paranoia e obsessão. Já “Intruso” parece um vídeo amador de terror espírita. Trata-se de um trabalho feito em 2009 por Paulo Fontenele, que chega aos cinemas só depois do diretor ter se “consagrado” no gênero besteirol, assinando “Se Puder… Dirija!” (2013), “Divã a 2” (2015) e “Apaixonados: O Filme” (2016). Pensando bem, estes também podem ser definidos como horrores. Completam a programação três documentários. O menos expressivo é “Cícero Dias, O Compadre de Picasso”, trabalho bastante didático sobre o pintor pernambucano modernista do título. Mas os outros dois tiveram até repercussão internacional. “Curumim” acompanha os últimos dias de Marcos “Curumim” Archer, brasileiro executado na Indonésia por tráfico de drogas. O longa é intenso, com imagens gravadas clandestinamente no corredor da morte pelo próprio Archer, graças ao contrabando de um celular para a prisão. Tudo feito sem nenhum apoio da embaixada do Brasil na Indonésia, que não ajudou o cineasta Marcos Prado (“Paraísos Artificiais”) nem a falar com Marcos. A première mundial aconteceu sob aplausos na mostra Panorama, do Festival de Berlim. Por fim, “Cinema Novo” é um olhar afetivo para o movimento cinematográfico do título, realizado pelo filho de seu maior expoente. Eryck Rocha tinha apenas três anos de idade quando seu pai, Glauber Rocha, morreu em 1981, e a obra permite um reencontro cinematográfico entre os dois. O documentário é um jorro contínuo de imagens, em que se destaca uma montagem vertiginosa, que intercala cenas de filmes, imagens e depoimentos da época. Não chega a contar uma história, mas forma um painel tangível da geração que levou o cinema brasileiro para as ruas, para as praças e descobriu a realidade do país – dos problemas urbanos à crise rural. A experiência é impressionista, mas também pode ser chamada de impressionante. Já em sua première, “Cinema Novo” venceu o prêmio Olho de Ouro (L’Oeil d’Or) como o Melhor Documentário do Festival de Cannes de 2016. O filme também foi escolhido para abrir o Festival de Brasília.
Os Defensores: Jessica Jones encontra Misty Knight em fotos das gravações
As primeiras gravações da minissérie “Os Defensores”, que junta os super-heróis Marvel da Netflix, foram flagradas por paparazzi nas ruas de Nova York. A cena registrada marca o encontro da heroína Jessica Jones (Krysten Ritter) com Misty Knight (Simone Missick), vista na série “Luke Cage”. E, como é típico em adaptações de quadrinhos, não é um encontro dos mais pacíficos, com direito a armas apontadas. A minissérie vai juntar também personagens de “Demolidor” e da vindoura “Punho de Ferro”, que estreia em 17 de março. “Os Defensores” ainda não teve sua data de estreia definida, mas a Neflix já divulgou o primeiro teaser da atração, que pode ser conferido aqui.












