David Hamilton (1933 – 2016)
Morreu David Hamilton, fotógrafo e cineasta inglês que se especializou em softcore e fotos de ninfetas nuas e, por conta disso, envolveu-se em muitas polêmicas. Indícios apontam que ele teria cometido suicídio em sua casa, em Paris, aos 83 anos. A polícia foi chamada por vizinhos, encontrando-o caído, ao lado de frascos de comprimidos. Em outubro passado, a apresentadora de televisão francesa Flavie Flament identificou-o como o fotógrafo mencionado em seu livro de memórias como estuprador. “O homem que me violentou quando eu tinha 13 anos é David Hamilton”, ela declarou em uma entrevista. A revelação deu início a uma avalanche de acusações por outras mulheres que tinham servido de modelo para o fotógrafo. Radicado em Paris desde os anos 1950, Hamilton foi designer gráfico da revista de moda Elle antes de mostrar interesse pela fotografia. A princípio um hobby, suas imagens, marcadas por grande granulação, logo chamaram a atenção de diversas publicações especializadas em fotografia artística. Vieram convites de galerias, editoras de livros de arte, e em pouco tempo ele se tornou célebre, um dos fotógrafos mais influentes dos anos 1960 e 1970. O detalhe é que ele tinha apenas um tema: garotas adolescentes. Que fotografava cada vez mais despidas. Usando filtros para criar atmosfera enevoada e luz natural para evocar a natureza, Hamilton mesclou sensualidade e onirismo num estilo marcante, que era chamado de “soft focus”, ficou conhecido como “Hamilton blur” e virou sinônimo de “fotografia de ninfetas”. Apesar de renderem exposições em galerias de prestígio, as fotografias de Hamilton foram banidas em vários países, nos quais seus livros foram taxados como pornografia infantil, figurando proeminentemente no debate sobre se pornografia poderia ser considerada arte. Com vários trabalhos publicados até no Brasil, Hamilton nunca fez fotos explícitas. Sua preferência era o erotismo, com mais alusões e fantasias que situações claras de sexo. A idade das modelos é que tornava o material controverso. Hamilton assumiu que se inspirava em “Lolita”, de Vladimir Nabokov, dizendo que compartilhava a “obsessão pela pureza” do escritor, e que sua arte buscava evocar “a candura de um paraíso perdido”. Com a revisão de sua obra, sob o olhar contemporâneo, esta candura tem parecido mais claramente uma perversão. Em 1977, ele filmou “Bilitis”, que levou a fotografia soft focus e suas ninfetas para o cinema. A trama acompanhava a personagem-título, uma colegial adolescente (Patti D’Arbanville, vista mais recentemente na série “Rescue Me”) que passava o verão com um casal em crise e desenvolvia uma paixão lésbica pela esposa, ao mesmo tempo em que provocava um adolescente local. Filmado na era de ouro do cinema erótico, “Bilitis” foi alçado à condição de cult pela fotografia impressionista e escapou de maior polêmica graças à idade real de sua atriz principal, 23 anos na época. Ironicamente, apenas um ano mais jovem que a intérprete da esposa, a modelo Mona Kristensen, com quem Hamilton acabou casando. A situação se tornou diferente em seu filme seguinte, “Laura, les Ombres de l’Été” (1979), que lançou a jovem Dawn Dunlap (“Rainha Guerreira”) com apenas 16 anos. De temática fetichista, a trama acompanhava um escultor que reencontra um antigo grande amor, apenas para ficar impressionado com sua filha adolescente. A jovem Laura também sente uma atração, mas a mãe (Maud Adams, de “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”) proíbe que os dois tenham qualquer contato. Quando o artista insiste em fazer uma escultura, ela só aceita que use como modelo fotos da menina. E é a deixa para a fotografia de Hamilton entrar em cena, explorando a “inocência sensual” de adolescentes vestidas em roupas de balé. O problema é que a estrelinha, fotografada completamente nua para o filme, era de fato menor de idade. E isso gerou muita polêmica na época, a ponto de “Laura” ser proibido ao redor do mundo, inclusive nos EUA, onde só chegou direto em vídeo na década de 1980. Por outro lado, nos países em que foi exibido, como França e Austrália, nem sequer recebeu censura máxima, atestando o caráter “suave” de seu erotismo. Aumentando o risco a cada filme, Hamilton lançou seu longa mais polêmico em 1980. “Tendres Cousines” era uma história de sexo adolescente, em que um jovem de 15 anos se apaixona pela prima. A alemã Anja Schüte tinha 16 anos quando encenou, nua, as cenas de sexo que culminam a trama. Mas o filme também continha diversas cenas sensuais de Valérie Dumas, ainda mais jovem, que interpretava sua irmã mais nova. Acabou banido em ainda mais países. Com “Un Été à Saint-Tropez” (1983), ele finalmente dispensou os garotos e as desculpas para se concentrar apenas nas ninfetas, filmando sete adolescentes que dividiam a mesma casa no litoral de Saint-Tropez. Durante dois dias, elas tinham suas rotinas enquadradas pelas câmeras: acordar, vestir-se, ir à praia, andar de bicicleta, colher flores, brigar com travesseiros, praticar balé, lavar-se umas às outras e rir muito, como felizes objetos sexuais. Não há quase diálogos, de modo que é praticamente um livro de fotos com movimentos. No mesmo ano, ele lançou seu último filme, que se diferenciou por apresentar foco normal, pela primeira e única vez em sua filmografia. Em “Primeiros Desejos” (1983), três garotas naufragam em diferentes partes de uma ilha e acabam transando com um homem, um adolescente e outra garota. Uma delas era Anja Schüte, então com 19 anos. Embora mais velhas, as jovens eram retratadas como sendo adolescentes, e isso incluía depilação completa. O advento da pornografia em vídeo acabou com o erotismo suave da geração de Hamilton. Mas ele continuou com fama de maldito, graças à contínua publicação de seus livros de fotografia. Em 2010, um homem foi condenado como pedófilo na Inglaterra por ter quatro livros do fotógrafo em sua biblioteca. O caso chamou atenção da mídia e levou à sua absolvição um ano depois, mas ajudou a lembrar o quanto o trabalho de Hamilton era polêmico. Poucos imaginavam, na época, que ele poderia ter feito mais do que apenas fotografar menores em situações impróprias. Ele jurava nunca ter feito nada além de fotografar as meninas. Chegou a soltar uma nota, após as acusações de Flament, dizendo que clicou inúmeras modelos e nunca nenhuma chegou sequer a reclamar de falta de respeito. Lembrou, ainda, jamais ter sofrido nenhum processo por seu trabalho. E que acusações do tipo só visavam sensacionalismo barato. “Claramente, a linchadora busca seus 15 minutos de fama para promover seu livro”, escreveu, apontando o que estaria por trás disso vir à tona apenas agora, 20 anos após tê-la fotografado, e lamentando o que isso poderia lhe custar, pelo tipo de obra que transformou em sua vida. Poucas horas após sua morte ser noticiada, Flament também emitiu um comunicado. Seco e brutal. “Acabei de saber da morte de David Hamilton, o homem que me estuprou quando eu tinha 13 anos. O homem que estuprou numerosas jovens, algumas dos quais vieram denunciá-lo com coragem e emoção nestas últimas semanas. Estou pensando nelas, na injustiça que nós estávamos tentando enfrentar juntas. Por sua covardia, ele nos condenou mais uma vez ao silêncio e à incapacidade de vê-lo ser condenado. O horror deste ato nunca vai acabar com o horror das nossas noites sem dormir.” Intitulado “A Consolação”, o livro de Flavie Flament tem como ilustração de capa uma foto de David Hamilton.
Cinquenta Tons Mais Escuros: Novo comercial tem clima de terror japonês
A propaganda de perfume encontra o terror japonês no novo comercial de “Cinquenta Tons de Cinza”. A prévia divulgada pela Universal na TV, durante a premiação do Grammy Latino, mostra a dura vida de ostentação de Christian Grey (Jamie Dornan), que dirige lanchas, veste ternos caros e namora a igualmente bela Anastasia Steele (Dakota Johnson). Tudo vai bem na mansão milionária do amor, até que uma figura feminina furtiva, sombria, calada e cabeluda começa a aparecer repetidamente diante da protagonista. Sadako? Não, Bella Heathcote já enfrentou zumbis (“Orgulho e Preconceito e Zumbis”), vampiros (“Sombras da Noite”) e top models (“Demônio de Neon”), mas agora é só uma ex-namorada de Christian. Boo! Dirigido por James Foley (série “House of Cards”), “Cinquenta Tons Mais Escuros” estreia em 10 de fevereiro de 2017, às vésperas do Dia dos Namorados no hemisfério norte. No Brasil, o lançamento acontece seis dias depois, em 16 de fevereiro.
Classificação etária americana revela que Cinquenta Tons Mais Escuros será ainda mais erótico
A continuação de “Cinquenta Tons de Cinza” será mais erótica que o primeiro filme, ao menos segundo o MPA (Motion Picture Association of America), associação responsável por estabelecer os critérios de classificação etária nos cinemas dos EUA. Assim como o anterior, “Cinquenta Tons Mais Escuros” recebeu classificação “R” nos Estados Unidos, proibido para menores de 17 anos desacompanhados, que ainda assim fica abaixo de NC-17, proibido para menores de 17 anos até acompanhados pelos pais, e X, reservado para produções pornográficas. De todo modo, a diferença fica por conta da descrição da justificativa. Enquanto o longa de 2015 tinha “forte conteúdo sexual, inclusive diálogos, além de comportamento incomum e nudez gráfica”, o novo tem “forte conteúdo sexual erótico, nudez gráfica e linguagem adulta”. Erótico é a palavra a mais na descrição da continuação. No Brasil, o primeiro filme ficou restrito para maiores de 16 anos. Ele também foi vencedor do troféu Framboesa de Ouro de Pior Filme do ano passado. O segundo filme vai mostrar Anastasia (Dakota Johnson) magoada com as atitudes de Christian Grey (Jamie Dorman) e o passado dele cheio de outras mulheres. A jovem estagiária resolve terminar o relacionamento com o empresário e focar em sua carreira, mas logo ela cede e volta ao seu jogo de dominação. A direção é de James Foley (série “House of Cards”) e o roteiro foi escrito por Niall Leonard (telefilme “Hornblower: Loyalty”), marido da escritora E.L. James, autora dos livros em que a franquia se baseia. A estreia está marcada para fevereiro no Brasil.
Doce Veneno é um filme de outra época, mais divertida e libertária
“Doce Veneno” evoca a época das pornochanchadas brasileiras ou, equivalente, a era de ouro do cinema erótico italiano. Mas também na França das décadas de 1970 e 1980 se produzia filmes mais apelativos, ainda que o cinema do país sempre parecesse tratar a sexualidade com mais naturalidade e menos malícia do que nós e os italianos. A comédia de Jean-François Richet (“Herança de Sangue”) é, na verdade, remake de um desses filmes, que busca fazer graça, mexer um pouco com a libido e também encher os olhos do espectador com a beleza e o viço de sua estrela, a ninfeta que dá em cima do melhor amigo do próprio pai. Para se ter ideia, o cartaz do filme original, traduzido como “Um Momento de Loucura” em 1977, era uma ilustração sacana de Georges Wolinski, o mestre do cartum erótico francês, assassinado no massacre da revista Charlie Hebdo, vítima da repressão e do mau humor contemporâneo. Na trama, dois amigos, Laurent (Vincent Cassel, de “Jason Bourne”) e Antoine (François Cluzet, de “Intocáveis”), levam suas jovens filhas para passar uns dias na praia para se divertirem. Laurent é divorciado e Antoine está passando por uma crise no casamento. O filme já começa com os quatro dentro do carro e a caminho da casa que servirá de local para muitas confusões e intrigas. Mas tudo é visto de maneira bem leve, embora às vezes o diretor pese um pouco a mão, e em ocasiões Cluzet esteja visivelmente exagerado no registro cômico, especialmente quando descobre que um sujeito bem mais velho andou mexendo com sua filha. A cena fica, claramente, parecendo mesmo de um filme de outra década. Curiosamente, a mesma premissa serviu de inspiração para um filme americano bem parecido, “Feitiço do Rio” (1984), que contou com Michael Caine como protagonista e trouxe Demi Moore de topless nas praias cariocas. “Doce Veneno” é um pouco menos apelativo, embora seja generoso em pelo menos uma cena de nudez da lolita estreante, Lola Le Lann. De fato, a cena que os dois protagonistas ficam pela primeira vez juntos, uma cena na praia, é uma das melhores do filme. Mas enquanto a lolita insiste que a vida é pra ser vivida agora, ou algo do tipo, Laurent morre de preocupação, pois estaria se envolvendo com uma menor de idade (17 anos e meio), bem mais nova do que ele e, pior, filha de seu grande amigo. Mas quem espera que o filme prossiga com esse tom de provocação sensual pode até ficar um pouco decepcionado, já que há um interesse maior no modo como essa relação, que nasceu em noite de lua cheia, abalará as estruturas das relações entre amigos e pais e filhas dentro daquele ambiente. Ainda que não se trate de um grande filme, é agradável de ver. E o anacronismo não incomoda. Ao contrário: acaba funcionando a seu favor, por mais que muitos considerem o resultado uma simples bobagem. Enquanto mais bobagens como essa aparecerem nas comédias contemporâneas, mais claro ficará que o cinema de décadas passadas era bem mais divertido e libertário. É como se a culpa que sente o personagem de Cassel tivesse sido incorporada por todas as novas gerações em relação ao prazer.
Frank & Lola: Trailer traz Michael Shannon e Imogen Poots em suspense erótico
A Universal divulgou o pôster, o trailer e uma cena de “Frank & Lola”, suspense erótico estrelado por Michael Shannon (“O Homem de Aço”) e Imogen Poots (“Need for Speed”). Primeiro longa dirigido pelo jornalista e crítico Matthew Ross, o filme acompanha o relacionamento entre um chef (Shannon) e uma designer de moda (Poots), que se conhecem num bar e se apaixonam, mas conforme seus passados vem à tona, começa a ficar claro que nem tudo é o que parece, numa guinada sombria por um submundo de jogos sexuais. O elenco também inclui Justin Long (“Amor à Distância”), Michael Nyqvist (“De Volta ao Jogo”) e Rosanna Arquette (“O Abrigo”). A estreia está marcada para 9 de dezembro nos EUA e não há previsão de lançamento no Brasil.
Cinquenta Tons Mais Escuros: Marketing do filme usará realidade virtual para colocar fãs no quarto vermelho
O diretor James Foley revelou que gravou cenas de realidade virtual (RV) com o casal de “Cinquenta Tons Mais Escuros” para o marketing do filme. Durante uma mesa-redonda nos estúdios da Paramount, ele disse ter ficado fascinado pela experiência, a ponto de prever que este será o futuro do cinema. Para ele, trabalhar num cenário de 360 graus fornece a “libertação máxima” tanto para o ator como para o diretor. “Acredito que o cinema vai mudar para a RV porque ela é uma extensão da linguagem visual. Assistir ao material gerado por essa nova tecnologia ajudou a expandir minha mente”, disse o diretor. Foley explicou como funcionou o processo de gravações de VR no cronograma das filmagens. “Depois que terminávamos as filmagens do dia, os atores ficariam um pouco mais e as pessoas ligadas à realidade virtual recriavam as cenas que fizemos para o longa”, revelou. A intenção dessas gravações é colocar os espectadores dentro do polêmico quarto vermelho, ao lado de Anastasia Steele e Christian Grey, interpretados respectivamente por Dakota Johnson e Jamie Dornan. “Temos bastante material de marketing para produzir os bastidores do longa”, acrescentou. “Cinquenta Tons Mais Escuros”, a continuação do romance erótico “Cinquenta Tons de Cinza” (2015), estreia em fevereiro nos cinemas.
Herschell Gordon Lewis (1926 – 2016)
Pioneiro do terror visceral, o cineasta Herschell Gordon Lewis faleceu na semana passada, noite de 26 de setembro, aos 90 anos em sua casa na Flórida, aparentemente de causas naturais. Formado em Jornalismo, o cineasta pautou sua carreira inteira por projetos sensacionalistas, desde a estreia em 1961 com “Living Venus”, sobre o relacionamento do dono de uma revista masculina e uma de suas modelos, que ele escreveu e dirigiu. Suas primeiras obras exploravam descaradamente a nudez, entre elas “Daughter of the Sun” (1962), em que uma professora se revelava adapta do nudismo (termo da época), “Boin-n-g” (1963), sobre os testes de escalação de um filme adulto, “Scum of the Earth” (1963), a respeito de uma rede de pedofilia, e até uma versão erótica da fábula de Cachinhos Dourados, “Goldilocks and the Three Bares” (1963). Mas ao trocar o softcore erótico pelo terror, com seu primeiro filme sanguinário, acabou influenciando todo o gênero. Colorido, com ênfase no vermelho, “Banquete de Sangue” (Blood Feast, 1963) marcou época nos circuitos de cinema drive-in nos Estados Unidos. A história seguia um serial killer que queria juntar diversas partes de corpos femininos para conjurar uma antiga deusa egípcia. Mas o que chamava atenção era a forma como a violência era retratada por Lewis, de forma bastante explícita para a época, o que rendeu críticas repletas de adjetivos impressionistas. Alguns desses adjetivos acabaram virando rótulos para descrever os subgêneros que se originaram a partir do longa: splatter (“respingado” de sangue) e gore (“sanguinolento”). Ele completou uma trilogia sangrenta com o lançamento de “Maníacos” (Two Thousand Maniacs!, 1964), predecessor dos terrores rurais, e “Color Me Blood Red” (1965), em que um maníaco usa o sangue de suas vítimas para criar pinturas de sucesso. Depois do jorro inicial de criatividade e vísceras, Herschell explorou outros tipos de terror. Fez “Something Weird” (1967), em que a vítima de um acidente adquire poderes extra-sensoriais e passa a ajudar a polícia a resolver crimes – como no livro posterior de Stephen King, “A Hora da Zona Morta” – , “A Taste of Blood” (1967), sobre um vampiro determinado a matar os descendentes dos assassinos de Drácula, e “The Gruesome Twosome” (1967), em que mãe e filho escalpelam universitárias. Acabou embarcando no sexo, drogas e rock’n’roll do período, com lançamentos que refletiam o final dos anos 1960, como “The Girl, the Body, and the Pill” (1967), centrado numa professora de educação sexual, “Blast-Off Girls” (1967), sobre uma garage band vítima de um empresário ganancioso, “She-Devils on Wheels” (1968), acompanhando uma gangue de motoqueiras selvagens, “Suburban Roulette” (1968), sobre a prática do swing (que no Brasil era sexistamente chamado de “troca de esposas”), etc. Feitos com pouco dinheiro, equipe técnica reduzida e atores amadores, os filmes do cineasta destinavam-se exclusivamente ao circuito dos drive-ins, e só foram se tornar cultuados muitos anos depois. Por isso, quando o cinema erótico começou a ganhar prestígio, ele adotou pseudônimos para filmar pornografia a partir de 1969, inclusive o infame “Black Love” (1971), que prometia um olhar “educacional” explícito sobre “os hábitos sexuais dos casais negros americanos”. Com o dinheiro arrecadado com os filmes hardcore, bancou quatro projetos, dois deles de temática caipira – e “This Stuff’ll Kill Ya!” (1971) pode ser considerado precursor direto da série “Os Gatões” – e dois com a palavra “gore” no título, fazendo com que ganhasse a alcunha de “Padrinho do Gore”. Mais sanguinário que seus predecessores, “The Wizard of Gore” (1970) era uma coleção de desmembramentos, providenciada por uma mágico, que hipnotizava vítimas para matá-las diante de uma audiência encantada pelo realismo dos “truques”. E “The Gore Gore Girls” (1972) girava em torno do assassinato de strippers. A brutalidade do cinema de Herschell logo encontrou seguidores numa geração formada por Wes Craven, John Carpenter e Tobe Hopper, que elevaram ainda mais a violência do terror – o “splatter” (respingado) virou “slasher” (retalhado). Mas seu estilo amador não sobreviveu para ver o terror visceral lotar cinemas. Por toda a carreira, ele financiou e produziu seus próprios filmes, mas o fim dos drive-ins e o declínio das sessões duplas, que coincidiu com o início da era do multiplex, acabou com o espaço para a projeção de seus filmes. Sem circuito exibidor, Herschell decidiu se aposentar do cinema, passando a escrever livros de – acredite – publicidade. Os anos se passaram, até que fãs de terror se deram conta de seu legado, traçando as origens do cinema visceral a seus primeiros longas. Assim, sua filmografia acabou redescoberta, com lançamentos em home video e sessões em festivais do gênero. Convocado a sair das trevas em que tinha sumido, ele acabou retornando em 2002 com seu primeiro longa em três décadas, “Blood Feast 2: All U Can Eat”, continuação do seu primeiro sucesso de terror. O longa contou com a participação de outro nome do cinema underground americano, o cineasta John Waters, fã assumido do cinema do “Padrinho do Gore”. Herschell Gordon Lewis ainda lançou mais um filme em 2009, intitulado “The Uh-Oh! Show”, sobre um programa televisivo de prêmios, valendo dinheiro ou, no caso de respostas erradas às perguntas do apresentador sorridente, membros decepados. Era o que ele chamava de comédia.
Deborah Secco revela que filmar Bruna Surfistinha a fez gostar de ficar nua
A atriz Deborah Secco fez uma revelação inusitada, ao participar como convidada do “Programa com Bial”, que o canal pago GNT exibe neste domingo (25/9). Durante a entrevista, ela confessou gostar de algo que apavora outras atrizes: ficar nua. A culpa, revelou, é do filme “Bruna Surfistinha”. Deborah contou que estrelar o filme sobre a célebre garota de programa nos cinemas fez com que ela passasse a aceitar mais o próprio corpo. “A nudez virou quase que uma roupa. A personagem facilitou o costume com as cenas sem roupa. Durante as gravações, tive que ter um desapego total”, confessou. Ela se sentiu tão à vontade com a experiência, que a levou para seu cotidiano, e agora vive pelada em casa. “Posso falar que não fico desconfortável nua e, para mim, é comum andar em casa sem roupa. O mundo seria melhor se isso não fosse um tabu”, assumiu. Seguindo o tema, Pedro Bial quis saber da atriz o que a levou a posar nua para a Playboy em 1999. E ela deu uma resposta direta. “Foi uma decisão pura e exclusivamente financeira. Venho de uma família humilde e aquele dinheiro mudaria a minha vida radicalmente. Sempre pensava que a minha carreira podia dar certo, mas, e se não desse? Esse dinheiro já me dava uma casa própria e a condição de pagar a minha faculdade”, admitiu.
Cinquenta Tons Mais Escuros bate recorde de Star Wars como trailer mais visto do mundo
O trailer de “Cinquenta Tons Mais Escuros”, a sequência de “Cinquenta Tons de Cinza” (2015), bateu o recorde de visualizações em 24 horas, sendo visto 114 milhões de vezes entre terça (13/9) e quarta. Segundo os sites Variety e The Hollywood Reporter, o total foi atingido em diversas plataformas, como YouTube, Facebook e Instagram, e supera a antiga marca de 112 milhões que ostentava “Star Wars: O Despertar a Força” (2015). Do total, 39,4 milhões de visualizações foram nos Estados Unidos e Canadá. O Reino Unido aparece com 18,9 milhões. E a maior surpresa é o Brasil foi o terceiro país que mais ajudou nesta conta, com 12,4 milhões. Ironicamente, o trailer não mostra nenhuma cena muito excitante, exibindo uma estética de comercial de perfume masculino, e tem mais conflitos de telenovela, com cenas de brigas e ciúmes, que de romance erótico. Mas, aparentemente, é o que o público quer ver. E o estúdio Universal comemora o fato de ainda haver interesse na franquia, após um hiato maior que o ideal na produção da sequência, que poderia dar tempo para uma reavaliação sob a luz das críticas negativas do primeiro filme, vencedor do troféu Framboesa de Ouro de Pior Filme do ano passado. No segundo filme da franquia, James Foley (série “House of Cards”) assumiu a direção no lugar de Sam Taylor-Johnson, que, durante a produção do longa inicial entrou em choque com a escritora E.L. James, autora dos livros. Como James também é produtora dos filmes, conseguiu empregar seu marido Niall Leonard (telefilme “Hornblower: Loyalty”) como roteirista do longa-metragem, garantindo maior controle sobre a adaptação. “Cinquenta Tons Mais Escuros” estreia em 10 de fevereiro de 2017, às vésperas do Dia dos Namorados no hemisfério norte. No Brasil, o lançamento acontece seis dias depois, em 16 de fevereiro.
Cinquenta Tons Mais Escuros: Ciúmes e brigas marcam primeiro trailer legendado da continuação
A Universal Pictures divulgou o pôster e o primeiro trailer legendado de “Cinquenta Tons Mais Escuros”, continuação de “Cinquenta Tons de Cinza” (2015). A prévia é bastante pudica, dividida entre cortejo, em busca de uma reconciliação, e uma relação de ciúmes e brigas. Uma sequência de baile de máscaras evoca fetiches de outras produções, mas, fora um momento de encontrões no chuveiro, o romance do casal Anastasia Steele (Dakota Johnson) e Christian Grey (Jamie Dornan) parece ter virado um comercial de perfume masculino, embalado por um cover de Beyoncé. Neste segundo filme da franquia, James Foley (série “House of Cards”) assumiu a direção no lugar de Sam Taylor-Johnson, que, durante a produção do longa inicial entrou em choque com a escritora E.L. James, autora dos livros. Como James também é produtora dos filmes, conseguiu empregar seu marido Niall Leonard (telefilme “Hornblower: Loyalty”) como roteirista do longa-metragem, garantindo maior controle sobre a adaptação. “Cinquenta Tons Mais Escuros” estreia em 10 de fevereiro de 2017, às vésperas do Dia dos Namorados no hemisfério norte. No Brasil, o lançamento acontece seis dias depois, em 16 de fevereiro.
Cinquenta Tons Mais Escuros: Surgem novas fotos das filmagens na França
Os paparazzi registraram mais 50 fotos das filmagens de “Cinquenta Tons Mais Escuros” na França. Depois do topless na praia, a nova sequência de imagens é bem comportada, tiradas de uma sacada imponente na cidade de Paris, onde o casal vivido por Dakota Johnson e Jamie Dorman foi flagrado contracenando, mas também distribuindo acenos para os fãs. Além deles, também foram fotografados o diretor James Foley (da série “House of Cards”), que assumiu o comando da continuação, e a escritora E.L. James, autora dos livros em que a franquia se baseia. Foley está filmando simultaneamente os dois capítulos finais da trilogia. O próximo, “Cinquenta Tons Mais Escuros”, estreia em 10 de fevereiro, seguido, um ano depois, por “Cinquenta Tons de Liberdade”, que encerra a história no mesmo período de 2018. Ambos os filmes chegam aos cinemas às vésperas Dia dos Namorados no hemisfério norte.
Maravilhoso Boccaccio questiona a moral com uma beleza ímpar
Giovanni Boccaccio (1313-1375) e seu “Decamerão”, com 100 histórias escritas entre 1348 e 1353, marcam uma ruptura com a moral medieval e introduzem um realismo humanista, em que a sexualidade e a perversidade ocupam papel de relevo. Atraente e polêmico material, marco da literatura, um dos responsáveis pela fixação do idioma italiano, foi objeto da atenção dos melhores cineastas da Itália. Em 1962, o filme “Boccaccio 70”, com quatro episódios, reuniu Federico Fellini, Luchino Visconti, Vittorio De Sica e Mario Monicelli numa comédia antológica. Em 1971, foi a vez de Pier Paolo Pasolini filmar “Decameron”, com absoluto destaque para o erotismo. Outro grande trabalho cinematográfico. Agora é a vez dos irmãos Taviani, dupla brilhante de cineastas, contarem histórias livremente inspiradas no “Decamerão” de Boccaccio. A primeira coisa a apontar sobre esse filme dos irmãos Taviani é que ele é de uma beleza ímpar. Filmado na Toscana e Lazio, em lugares encantadores e envolvendo antiquíssimos castelos de até mil anos de idade, nos leva diretamente à cena medieval. A variação das cores e tonalidades se alterna para melhor expressar as diferentes situações contadas pelos narradores. Um elenco jovem, de belas moças e rapazes, contribui para a estética da obra, de maneira relevante. Assim, podemos dizer que “Maravilhoso Boccaccio” é em tudo e por tudo um filme sedutor. As histórias escolhidas e o tom com que são mostradas enfatizam o amor em seus múltiplos ângulos: do grotesco ao dramático e ao erótico, como antídoto para a morte, às vezes cruel e opressor, às vezes ingênuo e equivocado. A criação artística, a literatura, mostra os caminhos da imaginação, absolutamente essencial e necessária para enfrentar o mal, a tragédia, no caso, aqui, a peste negra, que devastava as cidades da Toscana na época em que Boccaccio escreveu. Um grupo de homens e mulheres jovens se refugia numa vila remota, nas colinas que cercam Florença, para escapar da peste e viver em comunidade com absoluta simplicidade, contando histórias uns para os outros. A imaginação é a seiva da vida desses jovens, em especial das mulheres, que tomam a dianteira da ação, a começar por decidir deixar a cidade, talvez numa proposta de vida imoral. Mas o que é a moral, diante da grandeza do amor e da própria sobrevivência?
Cinquenta Tons Mais Escuros: Dakota Johnson diz que filmar sexo é entediante
A atriz Dakota Johnson não está muito satisfeita por ter que retomar a franquia “Cinquenta Tons de Cinza”. E o motivo são as longas cenas de sexo entre sua personagem, Anastasia Steele, e o Christian Grey vivido por Jamie Dorman. Ela classificou as filmagens de sexo da continuação, inspirada no livro “Cinquenta Tons Mais Escuros”, como “entediantes”, em entrevista para a revista Interview. “Nós não estamos fazendo sexo de verdade. Mas eu tenho simulado sexo durante sete horas seguidas, e eu estou farta disso. Não é confortável. É muito entediante”, disparou. Neste segundo filme da franquia, James Foley assumiu a direção no lugar de Sam Taylor-Johnson, que, durante a produção do longa inicial entrou em choque com a escritora E.L. James, autora dos livros. “Cinquenta Tons Mais Escuros” estreia em 10 de fevereiro de 2017, às vésperas Dia dos Namorados no hemisfério norte.









