Mom: Chris Pratt vai aparecer na série de sua mulher Anna Faris
O ator Chris Pratt fará uma participação especial na série “Mom”, comédia estrelada por sua esposa Anna Faris. O astro das franquias “Guardiões da Galáxia” e “Jurassic World” dará vida a Nick, um charmoso instrutor de equitação que chama a atenção de Christy (Faris). O problema? Ele é sobrinho de sua amiga, Marjorie (Mimi Kennedy), que proíbe o relacionamento. Não será a primeira vez que o casal trabalhará junto. Os dois se conheceram durante as filmagens de “Uma Noite Mais Que Louca” em 2007, noivaram no ano seguinte e se casaram em 2009. E o filme só foi exibido nos cinemas em 2011, no mesmo ano em que também apareceram em “Qual Seu Número?” (2011). Na época, porém, Pratt ainda era pouco conhecido. A celebridade era Faris, graças à franquia “Todo Mundo em Pânico”. Ainda não foi divulgado o título nem a data de exibição do episódio especial que promoverá a reunião do casal nas telinhas. A 4ª temporada de “Mom” estreia dia 27 de outubro na rede americana CBS. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago Warner.
Kéfera Buchmann engata terceiro filme consecutivo
Kéfera Buchmann já emplacou seu terceiro projeto cinematográfico. Em cartaz no sucesso “É Fada”, visto por mais de 1 milhão de pessoas, e prestes a estrear em seu primeiro papel dramático com “O Amor de Catarina”, que chega aos cinemas em novembro, a (ex?)youtuber adiantou que em poucas semanas começa a gravar “Resto”, em que fará par romântico com Cassiano Gabus Mendes. Ela contou a novidade durante o evento “Meus Prêmios Nick” na noite de quinta-feira (20/10), afirmando que as filmagens começam em novembro, mas não deu maiores detalhes. Agora atriz, Kéfera não pôde falar muito, pois também contratou assessoria de imprensa que manda jornalista parar de perguntar. O chega-pra-lá se deu em razão do questionamento sobre se ela tinha largado o Youtube de vez. “Ela não vai falar disso. Já soltamos um comunicado. Ela não vai parar com o canal, foi especulação”, disparou o assessor, que não permitiu a resposta. Especulação, não foi. Assessor pode “soltar” comunicado informando que a Terra é quadrada, mas isso não vira verdade porque ele “soltou”. Kéfera disse, com todas as letras, num vídeo do Snapchat, que não atualizaria seu canal por um tempo. “Já vou começar este Snap pedindo desculpas porque estou sumida de todas as redes sociais e falar que amanhã não vai ter vídeo novo. Semana passada não teve vídeo novo, essa semana também não vai ter. Preciso de um tempo para a minha cabeça, de verdade. Todos nós temos nossas fases e estou em uma em que preciso parar um pouco”, disse na ocasião. Não é fofoca. Não é especulação. Não é um tuíte do Rafinha Bastos. É da boca da própria Kéfera. Com este novo projeto anunciado, é capaz do tempo ser bem grande. E imagine se tiver outro filme já engatilhado… Vale lembrar que ela também não teve tempo (“conflito de agenda”) para participar de “Internet – O Filme” com outros youtubers.
Séries BrainDead e American Gothic são canceladas
A rede CBS cancelou oficialmente as séries “BrainDead” e “American Gothic”, que não conseguiram decolar na audiência durante a temporada do verão americano, vistas em média por 2,6 milhões de telespectadores. Apesar do desinteresse do público, “Braindead” caiu nas graças da crítica e ganhou status cult, graças a uma história mirabolante e a presença carismática de Mary Elizabeth Winstead (“Rua Cloverfield, 10”). Felizmente, seus criadores, Robert e Michelle King, responsáveis por “The Good Wife”, anteciparam o cancelamento e concluíram – ainda que apressadamente – a trama nos 13 episódios de sua única temporada. A série girava em torno de uma invasão de insetos alienígenas, que pretendiam conquistar a Terra devorando os cérebros dos políticos do Congresso americano. Mas o complô acabou descoberto pela mais nova funcionária do Congresso, a irmã de um senador, que se junta a uma médica e um homem obcecado por teorias de conspiração para impedir o apocalipse. Comprovando que o final foi antecipado aos integrantes da atração, Mary Elizabeth Winstead já está escalada para nova série em 2017. Ela foi contratada para a 3ª temporada de “Fargo”, ao lado de Ewan McGregor (“Álbum de Família”) e Carrie Coon (série “The Leftovers”). Já “American Gothic” era um melodrama criminal criado por Corinne Brinkerhoff (também de “The Good Wife”) que também teve 13 episódios exibidos. A trama acompanhava os desdobramentos da morte do patriarca de uma família importante, especialmente a descoberta de que o falecido poderia ter sido um serial killer. E pior: alguém da família foi seu cúmplice. Mas o mistério não rendeu público.
É Fada vira blockbuster com mais de 1 milhão de ingressos vendidos
O filme de estreia da youtuber Kéfera Buchmann virou blockbuster. A comédia “É Fada” chegou a 1 milhão de ingressos vendidos em dez dias em cartaz. Além de comprovar a popularidade de Kéfera, os números confirmam a diretora do longa, Cris D’Amato, como uma das principais responsáveis pela onda atual de besteiróis nos cinemas. Seus dois “S.O.S. – Mulheres ao Mar” também foram vistos por mais de 1 milhão de pessoas. “É Fada” é o quinto filme brasileiro a bater a marca milionária em 2016. Antes da fadinha, os filmes que levaram multidões aos cinemas foram “Um Suburbano Sortudo”, “Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina”, “Os Dez Mandamentos – O Filme” e “Até que a Sorte nos Separe 3” (lançado em 24 de dezembro de 2015). Por sinal, os críticos odiaram basicamente todos eles. Confira a crítica de “É Fada” aqui.
Campeão de bilheterias, O Shaolin do Sertão confirma-se como fenômeno popular cearense
A comédia “O Shaolin do Sertão”, de Halder Gomes, é oficialmente um fenômeno cearense. Lançado na quinta-feira (13/10) em sete municípios do Ceará, levou cerca de 45 mil pessoas aos cinemas no fim semana de estreia. “O Shaolin do Sertão” abriu em 1º lugar em 18 dos 19 cinemas cearenses em que está sendo exibido, segundo os dados do ComScore. Com 1290 ingressos vendidos por sala, também obteve a melhor média de público do final de semana. O longa é a segunda “comédia cearense” de Halder Gomes, diretor do sucesso regional “Cine Holliúdy” (2012), estrelado pelo mesmo ator, Edmilson Filho. Acompanhando um jovem sertanejo que se imagina num universo paralelo, onde é campeão de kung fu e salva a amada de inúmeros inimigos, o longa homenageia os filmes de artes marciais com humor popular, repleto de ação e piadas ao estilo dos Trapalhões. Por sinal, Dedé Santana faz uma participação na história. Leia a crítica aqui. O sucesso da comédia logo será testado em outros estados brasileiros, com a ampliação do lançamento para novas praças na quinta-feira, dia 20 de outubro.
Drew Barrymore vai virar zumbi em nova série da Netflix?
Tudo indica que a atriz Drew Barrymore vai voltar ao terror numa nova série da Netflix, 20 anos depois de ser a primeira vítima da franquia “Pânico” (1996). Ela vai protagonizar “Santa Clarita Diet”, ao lado de Timothy Olyphant (série “Justified”), recebendo US$ 350 mil episódio. Para fazer o quê? Oficialmente, a sinopse diz que a série vai acompanhar o casal Joel (Olyphant) e Sheila (Barrymore), corretores de imóveis que estão descontentes com suas vidas em Santa Clarita, subúrbio de Los Angeles, até que Sheila passa por uma mudança drástica que os conduz a uma rota de morte e destruição – mas no bom sentido, segundo os produtores. Esta tal mudança drástica virou um boato forte na internet. Sem citar fontes, espalhou-se na rede que a personagem de Barrymore irá se transformar em zumbi. Assim como parte da população de Santa Clarita, ela terá que lutar contra o desejo de se alimentar de carne humana, e contará com a ajuda do marido. Uma coisa sempre esteve clara: trata-se de uma comédia. Criada por Victor Fresco (série “Better Off Ted”), a 1ª temporada terá 13 episódios, com previsão de estreia para 2017.
Kevin Hart e Ice Cube vão voltar a se reunir em Policial em Apuros 3
Enquanto as distribuidoras brasileiras de cinema seguem ignorando os filmes estrelados por Kevin Hart – os filmes estrelados por atores negros, na verdade – , ele segue arrebentando as bilheterias dos EUA. Depois de surpreender com o filme de seu show de stand up, “Kevin Hart: What Now?”, que estreou em 2º lugar no fim de semana norte-americano, foi confirmado uma nova sequência de seu sucesso “Policial em Apuros”. No Brasil, “Policial em Apuros 2” saiu direto em DVD. Nos EUA, fez US$ 34 milhões em seu primeiro final de semana e desbancou “Star Wars: O Despertar da Força”. Por isso, o terceiro filme da franquia está a caminho. Em entrevista ao site The Wrap, o diretor Tim Story revelou que já se reuniu com os astros Kevin Hart e Ice Cube para começar a trabalhar no terceiro longa. “Kevin Hart e Ice Cube vão voltar, e eles são a dupla mais estranha e divertida do cinema. Estamos finalizando o roteiro e temos ideia grandiosas”, afirmou Story. Ainda não há previsão para o lançamento nos EUA. No Brasil, a gente já sabe que não vai chegar nos cinemas. Kevin Hart só tem filme lançado no Brasil quando trabalha como coadjuvante de algum comediante branco.
É Fada! faz sucesso com pouco esforço, preconceito e superficialidade
Há alguma coisa muito errada nas comédias feitas para cinema no Brasil. A busca pelo riso certamente não é determinada por uma cartilha com regras definidas, portanto cada um é livre para buscar a sua maneira de fazer rir. Infelizmente, essa liberdade de escolha em vez de estimular os nossos comediantes a buscar o novo, parece dizer pra eles que a comédia é a manifestação artística do menor esforço, a que se conecta com o público com mais facilidade, e por isso não é necessário pesquisar, estudar, investigar nada, uma vez que o “jeito” engraçado basta para fazer rir. Mas não estou dizendo nada de novo. Quem acompanha as comédias produzidas pelo cinema brasileiro nos últimos anos sabe do que estou falando, e relatar isso aqui muda quase nada. “É Fada!” é um dos líderes de bilheteria no Brasil (assim como outras comédias nacionais foram em anos anteriores). No final do ano, o longa vai inchar o número de espectadores que os filmes brasileiros alcançaram em 2016, vai arrecadar um bom dinheiro, e agora eu vou ser o antipático aqui de novo. A roda gira. A trama preguiçosa e banal nos apresenta a Geraldine (Kéfera Buchmann), uma fada que perde as suas asas após levar um peteleco do ex-técnico da seleção brasileira de futebol, Luís Felipe Scolari, durante a semifinal da Copa do Mundo, por dar um conselho mal recebido pelo treinador – sim, é sério, é assim que o filme começa. Para ter as suas asas de volta, ela precisa ajudar Júlia (Klara Castanho), uma adolescente que, recém-chegada numa escola de classe alta, não possui um bom relacionamento com os colegas e ainda convive com os desentendimentos do pai operário com a mãe socialite. Não podemos nos esquecer de que “É Fada!” é dirigido por Cris D’Amato, diretora de outra atrocidade, “S.O.S Mulheres Ao Mar” (2014). A cineasta apresenta um olhar aguçado para realizar obras equivocadas, além, é claro, de um cinema de péssima qualidade. Enquanto o seu filme anterior é um absurdo manifesto machista (disfarçado de empoderamento feminino), este seu novo trabalho possui tantos preconceitos que fica difícil saber por onde começar. O conceito de fada aqui é modificado, e agora este ser mágico é a garota diferentona, danada, que quer zoar, provocar, safada, safadinha e safadona (como ouvimos incessantemente na música dos créditos finais), cheia de falas e gírias da moda, antenada com os memes e gifs mais tops do momento, e que sempre retira do seu ânus os objetos necessários para ajudar a sua cliente. Até aí “tudo bem”, mas o que a diretora e os seus roteiristas não perceberam é o tom terrivelmente preconceituoso, ignorante e equivocado que a personagem Geraldine traz para o filme! A extreme makeover que ela traz para a vida de Júlia é “arrumar” (esse é o verbo utilizado pela personagem) o cabelo da garota através de uma chapinha; encher o seu Instagram e Facebook de fotos em lugares que ela não foi; mentir para impressionar o boy e assim conseguir ficar com ele; fazer ela negar o pai e o amigo pobres para parecer rica e assim impressionar as típicas meninas populares/metidas/arrogantes, ou seja, transformar a garota num ser genérico e superficial cheia de boniteza. Tudo isso tendo como álibi uma frase curta dita no final do filme: “É errando que se encontra o caminho certo”. Sério? Passamos por 80 longos minutos de um filme muito mal realizado, com nada de engraçado, acompanhando uma série de absurdos que a fada induz a garota a fazer, tudo para aprendermos junto com ela que é errando que se aprende? O máximo que podemos aprender é que é errando muito que se faz uma comédia de sucesso de público no Brasil. Esse álibi também não cola pela série de comentários absurdos que a personagem comete quando, por exemplo, diz de maneira pejorativa que o cabelo de um rapaz parece uma samambaia, ou quando diz que é contra falsificação por isso parou de ir à China. E sendo preconceituoso se aprende o quê? Mas quem me dera que os defeitos do filme estivessem “apenas” aí. D’Amato tem a sutileza da pata de um elefante para estabelecer os conflitos do filme, que por sinal abusam de clichês. A escola na qual a garota estuda foi tirada de algum filme do John Hughes nos anos 1980, em que apenas o estereótipo norte-americano foi pinçado, sendo (mal) encaixado de maneira grosseira no contexto brasileiro. Os conceitos mais batidos de bullying e das diferenças entre as classes sociais dos alunos são repetidos a exaustão pra fixar bem na nossa cabeça. Os personagens, todos, são absolutamente rasos na sua criação e desenvolvimento. A fada é diferentona, safadinha; a garota é infeliz e tímida e vislumbra a chance de ser bonita e popular; o pai é honesto, trabalhador humilde que se decepciona com a perda de valores da filha; a mãe é rica, indiferente, e se preocupa apenas se a filha está bem vestida e tem amigos ricos; e as vilãs são vilãs porque o mal é legal de fazer. Os supostos arcos dramáticos envolvendo estas figuras são previsíveis, e demonstram como o roteiro desde sempre se contentou em trabalhar com arquétipos pra facilitar a compreensão da geração do Youtube – o público alvo do filme por contar com Kéfera no elenco – que, acostumada com vídeos de curtíssima duração, poderia ficar desestimulada a assistir ao filme se os personagens propusessem uma discussão minimamente complexa. Sei. Isso sem contar as situações mal planejadas e desenvolvidas, como a levitação fora de hora em um momento específico, porque “deu erro” na chamada pro mundo das fadas, numa festa vendida como bombante, mas que foi filmada de maneira esvaziada e desanimada; a sequência risível (talvez o único momento que dei uma risada) em que o filme tenta assumir um tom dramático ao propor um conflito pela guarda de Julia por conta dos desentendimentos dos pais; além da sequência em que a vilã aparece e fala todo o seu plano e o que o levou a realizar tamanha maldade. A pegada publicitária da fotografia e montagem denota a total falta de criatividade e capacidade de D’Amato como diretora. Deve ter sido difícil e caro o aluguel do drone para fazer as imagens de apoio e transição, pois fica claro que cada segundo em que é possível inserir uma imagem aérea ela é inserida, mesmo quando o recurso já cansou há tempos. Parece que a diretora considera sofisticado o efeito, e se apaixonou pela ideia, quando no fundo temos apenas uma sensação artificial trazida por um efeito criativamente pobre. Outro ponto que deve ser um desafio e tanto para a diretora é a decupagem nas cenas de dança. Pra quê tantos cortes, meu Deus? Pra dar ritmo à cena? Tal característica demonstra uma notável incapacidade de D’Amato, pois não causa o efeito esperado, apenas nos deixa perdidos, com uma leve dor de cabeça, sem saber onde está cada coisa. As duas sequências de dança mais importantes do filme são verdadeiramente constrangedoras. Os efeitos digitais chamam a atenção negativamente nos tirando do filme. O desenho de produção da “floresta” onde vive Geraldine parece ter sido feito por um aluno de primeiro período de design utilizando um Windows 95, enquanto que a inserção digital de um copo de Rei do Mate na cena do clube explicita o quanto este filme não é levado a sério nem mesmo pelos seus realizadores. Mas como já disse lá no início da crítica, esse texto não muda muita coisa. Vida que segue.
O Shaolin do Sertão vai de Tarantino a Didi Mocó em busca do riso fácil
O sucesso popular e o caráter de novidade de “Cine Holliúdy” (2012) fizeram com que Halder Gomes se tornasse um nome quente. Não que o filme tenha sido a estreia dele na direção. Mas é como se fosse: era o seu projeto mais autoral, reunindo duas coisas que muito lhe agradavam: as artes marciais e o humor tipicamente cearense, com intenção, inclusive, de apresentar para os quatro ventos o “cearês”, o linguajar típico regional. “O Shaolin do Sertão” dá seguimento a esse projeto de comédia regional com ambição de ganhar o Brasil, e talvez até mesmo de ser vista com curiosidade por algum espectador estrangeiro. Mas talvez um dos erros de Halder tenha sido entregar o trabalho de roteirização para outra pessoa, em vez de ele mesmo cuidar disso, como fez com “Cine Holliúdy”. Ou talvez o filme tenha partido de apenas uma ideia, um esqueleto, e não tenha conseguido desenvolver tão bem o seu miolo, com as piadas, que são de fundamental importância para que o filme seja bem aceito pela plateia. Não quer dizer que “Shaolin do Sertão” não arranque algumas boa gargalhadas e que funcione melhor do que muitas outras comédias brasileiras, mas é um filme cujo humor vai ficando cansativo pela repetição e por problemas de timing e montagem. Uma das coisas que chama logo a atenção na parte técnica do filme são os créditos de abertura, que emulam uma transmissão de televisão dos anos 1980 de um filme de kung fu de Hong Kong, como aqueles que passavam com imagem espichada no Faixa Preta, programa dedicado a filmes do gênero que fez grande sucesso naquela década. A brincadeira com o fato de os atores aparecerem magos e altos se dava ao fato de a janela original em scope ser esticada para caber na telinha quadrada dos antigos televisores. Daí o personagem de Aluísio Li (Edmilson Filho, também protagonista de “Cine Holliúdy”) acreditar que os chineses eram um povo alto e magro, enquanto que os cearenses eram baixinhos e de cabeça chata. Essa é uma das boas sacadas do filme, aliás. A dicção ruim dos atores mirins em “Cine Holliúdy”, e que acabou por exigir que os filmes fossem apresentados em cópias legendadas, deixou de ser um problema em “O Shaolin do Sertão”. Até porque o garotinho Piolho, interpretado por Igor Jansen, está muito bem, no papel do melhor amigo de Aluísio. Ele é o único que entende a vontade do protagonista de se tornar uma pessoa parecida com aqueles que ele tanto admira nos filmes de artes marciais, muito embora ele só consiga apanhar e ser alvo de chacota de todos os moradores de Quixadá, cidade onde vive. A sua motivação ganha ímpeto na forma de uma disputa que acontecerá em sua cidade, que o leva a se voluntariar para lutar contra o terrível Tony Tora Pleura (Fabio Goulart), campeão de luta livre que vem vencendo e mandando para o hospital seus adversários em cada cidade do interior por onde tem passado. E daí entra em cena o personagem do Chinês, vivido por Falcão, que será, por assim dizer, o treinador de Aluísio. Os momentos de treinamento lembram tanto “Karatê Kid” (1984) quanto “Kill Bill: Vol. 1”, mas com sotaque e piadas cearenses (algumas propositalmente datadas). Pena que boa parte delas não funcione, e algumas parecem apenas grosseiras. Esse traço irregular do humor acaba por fazer de “O Shaolin do Sertão” um filme um pouco cansativo, justamente pela intenção de fazer rir a quase todo instante. Ninguém tem a obrigação de rir de piadas que não funcionam, mas percebe-se o esforço do realizador e daí vem o incômodo. Fazer comédia não é fácil. Pensando nos aspectos positivos, o filme conta com alguns ótimos momentos, e o jeitão meio Chaplin e meio Didi Mocó de Edmilson Filho faz com que ganhe a nossa simpatia. Mas não dá pra negar que se esperava muito mais, após “Cine Holliúdy”.
O Bebê de Bridget Jones mantém a graça do primeiro filme
Desde a sua encarnação em 1995 em uma coluna do jornal The Independent, Bridget Jones é uma personagem amada pelos britânicos, representando um tipo de mulher moderna, mais de acordo com a realidade, dentro de suas aspirações, obsessões e imperfeições. Sabiamente, Helen Fielding soube aproveitar o potencial de Bridget não apenas com a publicação de livros, como também com a autorização para que estes ganhassem vida no cinema, estratégia que transformou a sua criação em ícone da cultura pop. Após o desapontador “Bridget Jones: No Limite da Razão” (2004), que revisto hoje soa como uma versão infantilizada do charmoso original “O Diário de Bridget Jones” (2001), o futuro de Bridget Jones parecia incerto no cinema, especialmente por algumas escolhas radicais de Helen Fielding em seu terceiro livro da personagem, “Louca Pelo Garoto”. Nele, temos uma Bridget cinquentona redescobrindo o seu poder de sedução após a morte de Mark Darcy, algo que foi encarado como uma punhalada no coração dos leitores. Ainda que o nome de Fielding esteja creditado no roteiro e produção executiva, toda a equipe decidiu ser mais precavida em “O Bebê de Bridget Jones”, trazendo Bridget de volta com um roteiro totalmente original. Aqui com 43 anos, ela já não tem mais que brigar com a balança ou por um emprego promissor, mas continua nas crises amorosas que a notabilizaram. O perfil workaholic de Mark Darcy (Colin Firth) a fez botar um ponto final no relacionamento e, para contornar a recusa de Hugh Grant em reprisar o seu papel, Daniel Cleaver tem a sua ausência justificada por um episódio trágico. Uma série de circunstâncias faz Bridget Jones ter relações sexuais com dois homens em uma mesma semana. O primeiro é Jack (Patrick Dempsey), sujeito boa-pinta que mais tarde ela descobre ser um guru do amor milionário. O segundo, claro, é Mark Darcy, numa recaída, durante a festa de batizado do novo filho de sua amiga Jude (Shirley Henderson). O que era para ser casual acaba se tornando uma bomba para Bridget no instante em que ela se descobre grávida e não sabe quais dos dois é o pai. Há seis anos sumida do cinema, Renée Zellweger tem um retorno triunfal ao papel que a transformou em estrela. Sem precisar de piscadelas para atrair o público, Renée é verdadeiramente adorável com a sua naturalidade ao dar vida à Bridget, especialmente ao encarar as características a princípio menos atrativas da personagem, como a incapacidade de se dirigir a um grande público sem se meter em algum constrangimento ou a de cair em furadas maiores do que o fundo do poço emocional em que está presa. Diretora do original, Sharon Maguire compreendeu tudo o que fez de Bridget uma mulher muito além da mera heroína de comédia romântica ao conduzi-la ao cinema, e o seu retorno à personagem em “O Bebê de Bridget Jones” é decisivo para manter essa singularidade. Sem desconsiderar as virtudes do filme de 2001, Maguire dá novos passos ao situar Bridget em novos tempos, nos quais uma mulher se vê capaz de novas possibilidades dentro de dilemas gerados a partir de questões como casamento, maternidade, vida profissional e envelhecimento. A conclusão pode soar excessivamente conciliadora para os mais exigentes, mas nada que impeça o encanto do filme, capaz de deixar os espectadores mais leves com a ternura bem particular que injeta, a partir de suas situações adversas e cômicas.
Como se Tornar o Pior Aluno da Escola: Teaser já prevê que a comédia de Danilo Gentili será massacrada pela crítica
A Paris Filmes divulgou um novo teaser da comédia brasileira “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola”, baseado no livro de mesmo nome do humorista Danilo Gentili (“Mato sem Cachorro”). O material se diferencia pela honestidade, prevendo que o filme será massacrado pela crítica. Claro que a aposta do marketing é que isso pouco importa para o sucesso de um filme, como insinua a segunda parte do vídeo, mas pelo menos não há a hipocrisia de tentar vender o besteirol como algo melhor do que é. O longa tem direção de Fabrício Bittar, do MTV Sports, e além de Gentili também traz no elenco Bruno Munhoz (“descoberto pelas redes sociais”, segundo o release), Daniel Pimentel, Raul Gazola, Joana Fomm, o músico Rogério Skylab, o cantor Moacyr Franco e o mexicano Carlos Villagrán (o Quico do seriado “Chaves”). “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola” estreia no primeiro trimestre de 2017.
Cléo Pires vai estrelar comédia romântica do roteirista de Pequeno Segredo
A atriz Cléo Pires vai voltar a estrelar uma comédia romântica após dois filmes dramáticos (“Operações Especiais” e “Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo”) e a série de terror “Supermax”. Ela fará par com Igor Angelkorte (minissérie “Nada Será Como Antes”) em “Todo Amor”. Com roteiro e direção de Marcos Bernstein (roteirista de “Central do Brasil” e “Pequeno Segredo”), o filme aborda relações amorosas de um médico (Angelkorte) que passou um ano fora do Brasil trabalhando na África, de onde trocou correspondência com sua ex-cunhada (Pires), achando que se tratava da ex-namorada. A confusão, logicamente, rende o romance prometido pelo título. A produção está sendo patrocinada por Lojas Americanas e Americanas.com. As filmagens tem início marcado para o dia 15 de novembro, visando um lançamento em 2017.
Orival Pessini (1944 – 2016)
Morreu o ator e humorista Orival Pessini, criador de personagens inesquecíveis, como Fofão, Patropi e Sócrates. Ele morreu na madrugada desta sexta (14/10), aos 72 anos, após passar duas semanas internado no Hospital São Luiz, em São Paulo, lutando contra um câncer. Orival Pessini iniciou sua carreira no teatro, mas foi na televisão que encontrou o sucesso. Sua estreia aconteceu no programa infantil “Quem Conta Um Conto”, na TV Tupi, em 1963. E boa parte de sua carreira seria marcada pelo relacionamento com as crianças. Na década de 1970, passou a usar maquiagem prostética, inspirada na franquia sci-fi “Planeta dos Macacos”, para viver os macacos Sócrates e Charles do programa humorístico “Planeta dos Homens”, na TV Globo. Sócrates, em especial, fez muito sucesso com o bordão “Não precisa explicar, eu só queria entender”. Mas isso não foi nada perto do fenômeno criado por seu próximo personagem, o desengonçado Fofão, lançado no programa infantil “Balão Mágico” em 1983. O boneco fez tanto sucesso que, com o fim do “Balão Mágico”, ganhou seu próprio programa: “TV Fofão”, mas em outro canal, na Bandeirantes, em que o personagem apresentava quadros humorísticos e desenhos animados. Pessini tirou sua inspiração para criar Fofão do filme “E.T. – O Extraterrestre” (1982), e o descrevia como “feio”, “uma mistura de cachorro, urso, porco e palhaço”. “Não é à toa que me baseei no ‘E.T.’ do Spielberg. Quando assisti ao filme na época fiquei com lágrimas nos olhos. Eu não pensei em fazer uma coisa bonita, mas sim uma coisa simpática, que demonstrasse ‘calor humano’, ‘sentimento'”, afirmou Pessini em maio deste ano no programa “The Noite”. Mesmo com o sucesso, Pessini continuou criando novos personagens, sempre escondendo o rosto atrás de maquiagem, inclusive quando parecia não usar nenhuma, como no caso de Patropi, que ele estreou no humorístico “Praça Brasil” (Band), em 1988. Seu tipo hippie também durou mais que o programa original, aparecendo em diversas outras atrações, como “Escolinha do Professor Raimundo” (Globo), “Escolinha do Barulho” (Record), “Escolinha do Gugu” (Record) e “A Praça é Nossa” (SBT). Ele ainda criou outros tipos, como Juvenal, Ranulpho Pereira e Clô, e ainda continuava surpreendendo na carreira, ao demonstrar talento dramático na minissérie “Amores Roubados” (2014), da Globo, como o padre José. Em 2015, ele também estrelou o sucesso “Carrossel – O Filme”, como o avô de Alicia (Fernanda Concon) e dono do acampamento Panapaná, em que as crianças da franquia vão passar férias, tornando-se conhecido por uma nova geração que talvez não soubesse que o simpático velhinho era o rosto verdadeiro de Fofão. Fofão foi considerado oficialmente “inesquecível” quando desfilou no carnaval paulista de 2014, homenageado por um samba enredo da Rosas de Ouro, que saudava, justamente, os personagens inesquecíveis que marcaram gerações Nos últimos anos, ele vinha brigando com a Carreta Furacão, por causa do Fofão genérico criado para acompanhar a atração musical. Pessini não gostava especialmente do uso político do personagem, que se destacou em protestos pelo Impeachment de Dilma Rousseff. Mas seu desejo d epreservar Fofão também se devia aos planos para sua criação. A produtora Farofa Studios está atualmente produzindo uma série animada com a personagem.












