Espaço Itaú de Cinema fecha salas de Curitiba, Porto Alegre e Salvador
O Espaço Itaú de Cinema, responsável por diversas salas de cinema no Brasil, anunciou o fechamento de várias salas nesta quinta (19/6). Responsável por levar cinema de arte aos cinéfilos em seis das maiores capitais do país, o Espaço deixará de atuar em metade deste circuito, saindo de Curitiba, Porto Alegre e Salvador. Por enquanto, seguem funcionando os cinemas de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, mas os atuais fechamentos antecipam uma guinada para os negócios digitais. Chamando o encolhimento do circuito nacional de “reestruturação”, a empresa afirmou em comunicado que intensificará esforços no serviço de streaming Itaú Cultural Play, que, vale lembrar, não é voltado especificamente ao audiovisual. Leia abaixo a íntegra do comunicado: “Queridos cinéfilos, Em tempos de adaptação aos novos formatos de exibição e com o objetivo de ampliarmos e complementarmos o acesso a uma programação diversa de filmes para espectadores de todo o país, temos algumas mudanças para comunicar a vocês. A partir de hoje, 16/09, nos despedimos das nossas unidades de Curitiba, Porto Alegre e Salvador. Nas cidades de São Paulo (Augusta, Frei Caneca e Shopping Bourbon), Rio de Janeiro e Brasília, nossas unidades seguem em funcionamento defendendo e fortalecendo aquilo que mais acreditamos: a experiência única proporcionada pelas salas de cinema. Sabemos que vai levar um tempo para nos acostumarmos a estas mudanças, mas seguiremos sempre juntos. Com a chegada do Espaço Itaú também no streaming, em parceria com a plataforma @itaucultural Play, teremos a possibilidade de levar uma programação variada de filmes a cinéfilos de cidades onde jamais imaginamos chegar. Ao longo dos próximos meses, intensificaremos nossa atuação no digital, com projetos que contam com a curadoria do Itaú Cinemas, a exemplo da #MostraUgoGiorgetti, que celebra os 20 anos de nossa unidade Frei Caneca e segue em cartaz na Itaú Cultural Play até outubro. Nosso mais sincero agradecimento aos cinéfilos de Curitiba, Porto Alegre e Salvador, que sempre frequentaram nossas salas com assiduidade e dedicação, e nos ajudaram a fazer destes cinemas muito mais do que espaços de lazer, mas também de encontros, debates e aprendizado. Sentiremos saudades, mas ainda levaremos muito de nós até vocês. Com carinho, Equipe Itaú Cinemas”
Novo filme de Clint Eastwood é principal estreia dos cinemas
O grande lançamento da semana nos cinemas é “Cry Macho – O Caminho para a Redenção”, dirigido e estrelado por Clint Eastwood. O filme marca a volta do ator, atualmente com 91 anos de idade, aos papéis de cowboy que o consagraram na juventude. Com clima de faroeste moderno, a trama gira em torno de um ex-astro de rodeio que aceita o pedido de um antigo patrão para trazer o filho do homem para casa, afastando-o de sua mãe alcoólatra. Atravessando a zona rural do México em seu caminho de volta para o Texas, a dupla enfrenta uma jornada inesperadamente desafiadora, na qual o cavaleiro cansado do mundo tenta encontrar seu próprio senso de redenção ensinando ao menino o que significa ser um bom homem. Outro destaque é a estreia comercial de “Meu Nome É Bagdá”, que chegou a ter sessões especiais no começo da pandemia. O drama brasileiro conta a história de uma jovem de 16 anos (Grace Orsato) que é a única menina a frequentar a pista de skate de seu bairro. Mas, com sua atitude, abre caminho para outras. Dirigido por Caru Alves de Souza, foi premiado no Festival de Berlim do ano passado. “Meu Nome É Bagdá” venceu o Grand Prix da mostra Generation do Festival de Berlim, que no mesmo ano também premiou o mexicano “Los Lobos”, de Samuel Kishi, mais um drama impactante da programação da semana. A trama se concentra no cotidiano tedioso de duas crianças, que emigram para os Estados Unidos com sua a mãe, mas passam seus dias trancados em um pequeno apartamento esperando que ela volte do trabalho, com a esperança de visitarem juntos a Disneylândia. Para partir de vez o coração, há ainda um terceiro drama sobre crianças, “Filho-Mãe, da iraniana Mahnaz Mohammadi, que mostra como a sociedade conservadora (machista) do Irã força uma mãe a ter que decidir entre o filho e um novo marido. Menos empolgantes são os lançamentos que chegam em mais cinemas: “Mate ou Morra”, outro thriller com looping temporal, “Escape Room 2”, continuação de um terror que já não tinha empolgado em seu lançamento original, e uma tentativa esforçada de thriller nacional. Dirigido por Márcio Garcia, “Reação em Cadeia” tem boas ideias e reviravoltas, centrado num contador que descobre negociatas políticas, mas escorrega nas armadilhas dos clichês do gênero. Veja abaixo os trailers das sete estreias de cinema desta quinta-feira (16/9). Cry Macho – O Caminho para a Redenção | EUA | Drama Meu Nome É Bagdá | Brasil | Drama Los Lobos | México | Drama Filho-Mãe | Irã | Drama Reação em Cadeia | Brasil | Ação Mate ou Morra | EUA | Ação Escape Room 2 – Tensão Máxima | EUA | Terror
Como Hollywood filmou os ataques de 11 de setembro
O impacto dos ataques de 11 de setembro de 2001 abalaram o mundo, e a indústria cultural dos EUA foi jogada em seus escombros quase que imediatamente com a série “24 Horas”, lançada dois meses após a queda das Torres Gêmeas com forte influência da narrativa da “guerra ao terror”. Ainda assim, a tragédia propriamente dita precisou de tempo maior para ganhar imagens, aparecendo primeiro como um eco distante em “Rescue Me”, série de 2004 sobre os bombeiros de Nova York. O trauma foi tão grande que Hollywood chegou a apagar digitalmente as Torres Gêmeas nos primeiros filmes que estrearam após o 11 de setembro de 2001 – produções como “Homem-Aranha”, cujo trailer original trazia o World Trade Center, e “Homens de Preto II”, que precisou até mudar seu final. Foi preciso uma distância respeitosa de cinco anos para os ataques viraram filmes. Só que as primeiras produções avançaram direto na ferida, levando o público a passar mal com a encenação do sequestro de um dos aviões usados pelos terroristas em “Vôo United 93”, dirigido por Paul Greengrass, e a se revoltar novamente com “As Torres Gêmeas”, que Oliver Stone transformou em desastre patriótico com frases de exortação à guerra contra o Afeganistão, a mais longa e inútil da história dos EUA. A mistura de patriotismo e vingança rendeu vários filmes de guerra, dos quais o mais relevante é “12 Heróis”, em que o australiano Chris Hemsworth virou o primeiro “americano” a lutar no Afeganistão, mas principalmente filmes de guerra ao terror. Kathryn Bigelow se tornou a primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Direção ao filmar um dos conflitos criados pela reação bélica do presidente George W. Bush, batizado no Brasil, justamente, de “Guerra ao Terror”. Mas foi seu segundo longa sobre o tema, “A Hora Mais Escura”, que escancarou os diferentes elementos da ação militar e deu vazão à catarse de vingança com a morte do terrorista Osama Bin Laden. Hollywood também focou as perdas pessoais de entes queridos, em “Reine Sobre Mim” e “Tão Forte e Tão Perto”, mas as reverberações dos ataques renderam novas vítimas, resultado da xenofobia e violência americana, que o indiano “Meu Nome É Khan” denunciou de forma contundente. Outras abordagens humanistas se dedicaram a ponderar o valor total das vidas perdidas (“Quanto Vale?”) e até o impacto do radicalismo islâmico na vida de uma das viúvas dos terroristas (“O Dia que Mudou o Mundo”). O fato é que, conforme os anos se passaram, a história ganhou novos contornos, com a revelação de arbitrariedades (“O Mauritano”), mentiras explícitas (“O Relatório”) e incompetência absoluta (“The Looming Tower”) do governo dos EUA em relação aos acontecimentos trágicos. A ficção se encarregou de contar essa história de vários ângulos. Lembre abaixo (com trailers) de uma dúzia de obras inspiradas pelos ataques de 11 de setembro. São 11 filmes e uma minissérie, todos disponíveis em serviços de assinatura e/ou locação digital no Brasil, para fazer uma mostra de cinema em casa. Vôo United 93 | EUA | 2006 (Apple TV, Google Play, NOW, Telecine, Vivo Play, YouTube Filmes) As Torres Gêmeas | EUA | 2006 (Apple TV, Google Play, NOW, Telecine, Vivo Play, YouTube Filmes) Reine Sobre Mim | EUA | 2007 (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Oi Play, YouTube Filmes) Meu Nome É Khan | Índia, EUA | 2010 (Google Play) Tão Forte e Tão Perto | EUA | 2011 (Apple TV, Claro Video, HBO Max, Google Play, NOW, YouTube Filmes) A Hora Mais Escura | EUA | 2012 (Apple TV, Globoplay, Google Play, Netflix) 12 Heróis | EUA | 2018 (Apple TV, Google Play, NOW, YouTube Filmes) The Looming Tower | EUA | 2018 (Amazon Prime Video) O Relatório | EUA | 2019 (Amazon Prime Video) O Mauritano | EUA, Reino Unido | 2021 (Apple TV, Google Play, NOW, Telecine, Vivo Play, YouTube Filmes) O Dia que Mudou o Mundo | Alemanha, França, Líbano | 2021 (Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Quanto Vale? | EUA | 2021 (Netflix)
“Patrulha Canina” e “Maligno” são as maiores estreias de cinema
Os maiores lançamentos da semana são a animação “Patrulha Canina – O Filme” e o terror “Maligno”. O primeiro é um desenho à moda antiga, sem um pingo de ironia e para crianças bem pequenas, sobre os cachorrinhos heroicos uniformizados de uma série exibida no SBT. Já o segundo marca a volta do diretor James Wan (“Invocação do Mal”) ao horror sobrenatural após dirigir o blockbuster “Aquaman” (2018). E se trata de um retorno com vingança, extremamente autoral e divisivo (pra amar ou odiar), mas com um dos finais mais perturbadores e inesperados do ano. No circuito limitado, o grande destaque é o documentário “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, vencedor do prêmio do público do Festival de Berlim. Escrito por Bolognesi em parceria com o xamã Davi Kopenawa, o filme mostra a luta dos yanomamis no Norte da Amazônia contra o avanço criminoso dos garimpeiros sobre suas terras. Atual e urgente, é o segundo documentário do diretor sobre indígenas, após o também premiado “Ex-Pajé” (2018), centrado na aculturação causada pelos evangélicos. Entre os outros longas (incluindo mais três brasileiros) que disputam espaço na programação restrita (a pouquíssimas salas e sessões) das maiores cidades, as dicas para os cinéfilos são “Suk Suk”, drama de Hong Kong sobre um casal gay de meia idade, que venceu 17 prêmios internacionais, e “De Volta para Casa”, do pioneiro do cinema asiático-americano Wayne Wang, na ativa desde 1975. Autor de filmes cultuados como “Chan Sumiu” (1982) e “O Clube da Felicidade e da Sorte” (1993), desta vez ele filma um coreano americanizado, profissional de Wall Street, ao voltar à cidade natal para cuidar da mãe doente, que lhe ensina receitas tradicionais e lições de vida à beira da morte. Veja abaixo os trailers de todos os filmes que estreiam nos cinemas neste fim de semana. Maligno | EUA | Terror Patrulha Canina – O Filme | EUA | Animação O Bom Doutor | França | Comédia Cidadãos do Mundo | Itália | Comédia Suk Suk – Um Amor em Segredo | Hong Kong | Drama De Volta para Casa | EUA, Coreia do Sul | Drama Um Casal Inseparável | Brasil | Drama Por que Você Não Chora? | Brasil | Drama Danças Negras | Brasil | Documentário A Última Floresta | Brasil | Documentário
Filmes online: “Os Croods 2”, “Cinderela” e mais 10 dicas pra ver em casa
A animação “Os Croods 2: Uma Nova Era” é a principal estreia da semana. Opção para entreter as crianças no feriadão da Independência, o segundo filme da família pré-histórica da DreamWorks Animation é melhor que o primeiro lançamento de 2013, além de ter sido um dos raros sucessos de cinema da pandemia. Na trama, a família cro-magnon original encontra a primeira família metrossexual (na verdade, neolítica), que é bem mais avançada, com conhecimentos agrícolas, mas também preocupações com a aparência – da barba hipster bem cultivada aos chinelos de estilo havaianas. A versão em português traz as vozes de Juliana Paes e Rodrigo Lombardi, enquanto a dublagem original em inglês volta a reunir o elenco formado por Nicolas Cage (“A Cor que Caiu do Espaço”), Emma Stone (“La La Land”) e Ryan Reynolds (“Deadpool”), além de Cloris Leachman (“Eu Só Posso Imaginar”) em seu último papel, como a vovó. As crianças também têm o musical de “Cinderela” estrelado pela cantora Camila Cabello. Mas apesar do elenco incluir Billy Porter (“Pose”) como Fada Madrinha e Idina Menzel (a dubladora de Elsa em “Frozen”) como a Madrasta, vale observar que a produção não empolgou a crítica. As resenhas são bastante desfavoráveis na comparação com as adaptações live-action da Disney, inclusive a versão musical de 1997, feita para a TV com a cantora Brandy no papel principal. Combinando musical e animação, há uma legítima produção da Disney, o híbrido de fantasia e documentário de Billie Eilish, em que ela canta o repertório de seu novo disco, “Happier Than Ever”, no palco do famoso Hollywood Bowl sem plateia e com direção do cineasta Robert Rodriguez (“Alita: Anjo de Combate”). Recém-lançada, a plataforma adulta da Disney, a Star+, também oferece uma comédia exclusiva em streaming, em que um casal branco sem noção invade a festa de casamento de um casal negro recatado após conhecê-los durante as férias. Geralmente comportado, o segundo casal saiu do sério durante o último verão no México e agora precisa conviver com as consequências – dois novos melhores amigos brancos e aloprados – , em meio a convidados e familiares de seu matrimônio. O elenco destaca uma inesperada boa combinação de John Cena (“O Esquadrão Suicida”) e Lil Rel Howery (“Corra!”). Há ainda duas produções adolescentes razoáveis: uma comédia com Victoria Justice (“Brilhante Victória”) e uma sci-fi com Lily-Rose Depp (a filha de Johnny). Mas o jovem ator que se sai melhor na semana é Jack Dylan Glazer (“Shazam!”) no suspense “Don’t Tell a Soul”. Para os adultos, as opções incluem “Quanto Vale?”, lançamento da Netflix que lembra os 20 anos da tragédia de 11 de setembro de 2001, e mais quatro dramas. O destaque cinéfilo, porém, fica com “A Verdade”, primeiro filme ocidental do premiado cineasta japonês Hirokazu Koreeda, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2018 com “Assunto de Família”. O filme acompanha o encontro do personagem do americano Ethan Hawke (“Juliet, Nua e Crua”) com sua sogra francesa venenosa, vivida por Catherine Deneuve (“Potiche – Esposa Troféu”). Curiosamente, os dois também interpretam atores na trama. Apresentada como uma diva, Deneuve tem uma relação conflituosa com a filha, encarnada por outra grande estrela francesa, Juliette Binoche (“Acima das Nuvens”). Paralelamente ao enredo central, a trama ainda presta homenagem à carreira de Deneuve, ao longo de várias reminiscências. Confira abaixo uma dúzia de dicas (com os trailers) de estreias para conferir nas plataformas digitais neste fim de semana. Os Croods 2: Uma Nova Era | EUA | Animação (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Oi Play, SKY Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Cinderela | EUA | Musical (Amazon Prime Video) Happier Than Ever: Uma Carta de Amor para Los Angeles | EUA | Musical (Disney+) Amizade de Férias | EUA | Comédia (Star+) Esticando a Festa | EUA | Comédia (Netflix) Don’t Tell a Soul | EUA | Suspense (Apple TV, Google Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Viajantes – Instinto e Desejo | EUA | Sci-Fi (Apple TV, Google Play, YouTube Filmes) Quanto Vale? | EUA | Drama (Netflix) A Verdade | França, Japão | Drama (Apple TV, Google Play, YouTube Filmes) A Princesa da Rua | EUA | Drama (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) O Confeiteiro | Israel, Alemanha | Drama (Reserva Imovision) Eu Estava em Casa, Mas… | Alemanha, Sérvia | Drama (MUBI, Vivo Play)
“Shang-Chi” ocupa 90% dos cinemas brasileiros
Quer garantir o sucesso de um filme? Basta tirar todos os outros de cartaz. A Disney não dá chances para o azar (e a competição) com o lançamento de “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” em nada menos que 90% dos cinemas brasileiros. Havia um acordo de cavalheiros entre os distribuidores e exibidores, firmado em 2012 após o final da “Saga Crepúsculo” ocupar um terço do circuito, para que algo assim nunca mais se repetisse. Mas eram tempos ingênuos, antes de Bolsonaro transformar o país numa distopia que nem a ficção rivaliza. A maior estreia do circuito exibidor brasileiro entra em cartaz após “Viúva Negra” ocupar 75% das salas nacionais. A diferença é que, ao contrário do filme estrelado por Scarlett Johansson, o novo lançamento é exclusivo dos cinemas, sem a concorrência simultânea da Disney+. O monopólio não deixa de ser um tudo ou nada para aliviar a crise aguda do setor, que a cada semana retorna bilheterias menores. “Shang-Chi” recebeu críticas bastante elogiosas, como é praxe com os lançamentos da Marvel. Mas ainda há muita curiosidade para ver como os geeks vão reagir à adaptação do personagem, antigamente chamado de Mestre do Kung Fu, na produção do Marvel Studios que mais se distancia dos quadrinhos originais. No roteiro escrito por Dave Callaham (“Mortal Kombat”) e dirigido por Destin Daniel Cretton (“Luta por Justiça”), a trama gira em torno de um conflito entre pai e filho. Na versão do cinema, Shang-Chi é filho de ninguém menos que o Mandarim, vilão mencionado nos filmes do Homem de Ferro e que ainda não tinha aparecido de verdade no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). A produção é estrelada pelo ator canadense Simu Liu (“Kim’s Convenience”) como o herói do título e o astro de ação Tony Leung (“O Grande Mestre”) como o pai antagonista, além de Awkwafina (“A Despedida”), Michelle Yeoh (“Star Trek: Discovery”), Fala Chen (“The Undoing”) e Florian Munteanu (“Creed II”), entre outros. Os 10% de salas remanescentes vão exibir os blockbusters das últimas semanas e mais sete filmes, incluindo “After – Depois do Desencontro”, terceiro título da franquia pseudo-romântica, e “Uma Noite de Crime – A Fronteira”, quinto e derradeiro lançamento da violenta saga distópica. Mas o destaque fica para o vencedor do Festival de Gramado do ano passado, “King Kong em Asunción”, de Camilo Cavalcante (“A História da Eternidade”), sobre um velho matador condenado a viver. Confira abaixo todos os títulos e os trailers das estreias desta quinta (2/9). Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis | EUA | Ação Uma Noite de Crime: A Fronteira | EUA | Ação After: Depois do Desencontro | EUA | Melodrama King Kong em Asunción | Brasil | Drama O Matemático | Alemanha, Polônia, Reino Unido | Drama Bagdá Vive em Mim | Suiça, Alemanha, Reino Unido | Drama O Palhaço, Deserto | Brasil | Drama Parque Oeste | Brasil | Documentário
Filmes online: Confira 12 lançamentos para ver em casa
A programação de estreias digitais não tem blockbusters, mas há um lançamento simultâneo com os cinemas. “Um Animal Amarelo”, de Felipe Bragança, conta a história de um cineasta brasileiro que, atormentado pelo passado escravocrata da família, se lança em viagem de autoconhecimento a Moçambique e a Portugal, levando o espectador a um jornada onde o tropicalismo encontra o realismo mágico. O filme teve boa repercussão em Portugal e conquistou cinco troféus no Festival de Gramado do ano passado. O resto da programação é um convite para “descobertas”. E uma das maiores é que “Tangerine” finalmente chegou ao streaming, disponibilizado com o titulo traduzido para “Tangerina” no MUBI. Primeiro longa-metragem a ser gravado inteiramente com um iPhone, a obra também se destaca pela temática inusitada. Acompanha quase em tempo real uma prostituta trangênero recém-saída da prisão, que parte em busca do namorado/cafetão após descobrir que ele foi infiel durante o tempo em que esteve encarcerada. O humor é adulto e contém violência, mas nunca deixa de surpreender, o que explica a fama de cult da produção. Além disso, a fotografia que explora cores berrantes serviu de cartão de visitas para o diretor Sean Baker sair do Festival de Sundance em 2015 com um contrato para realizar um filme “de verdade” em 35mm – nada menos que o fantástico “Projeto Flórida” (2017), ainda mais colorido, mas com crianças. Se “Tangerina” dá boas-vindas a um novo talento, “Lucky” se despede de outro, o grande Harry Dean Stanton, falecido em setembro de 2017, aos 91 anos, que é mais lembrado como o andarilho atormentado Travis Henderson, de “Paris, Texas” (1984), um dos filmes mais belos já feitos. “Lucky” foi seu último trabalho, um verdadeiro filme-testamento sobre um personagem muito parecido com ele mesmo, descobrindo os sinais da proximidade do fim, mas cercado de amigos, como o diretor David Lynch, que o dirigiu em “Twin Peaks” e participa do longa como ator, e Tom Skerritt, com quem contracenou em “Alien” (1979). Trata-se de um drama sobre a finitude, sobre aceitar a realidade como ela é, tanto em discussões dos próprios personagens quanto nas entrelinhas, mas sem nenhuma amargura. Fãs de adrenalina não precisam se desesperar por falta de opções. Há bons lançamentos entre o terror “Raízes Macabras”, que apresenta um exorcismo brujo não indicado para corações fracos, o disaster movie “O Impensável”, onde aparente terrorismo e ameaça ambiental se combinam em crise apocalíptica, e o thriller “Zona de Confronto”, em que policiais lutam por suas vidas cercados por uma turba cansada de racismo num bairro de imigrantes. A lista ainda inclui dois dramas esportivos que exigem atenção: “O Quinto Set”, sobre a luta contra os limites de um atleta em fim de carreira, e “Slalom – Até o Limite”, que aborda o abuso de técnicos sobre jovens influenciáveis. As duas produções são francesas e muito impactantes. Mas adolescentes podem preferir a maior bobagem da lista: “Ele é Demais”, atualização de um “clássico” da geração X para consumo da geração TikToker. Tão esquecível quanto um vídeo com dois minutos de dancinha, a comédia adolescente que inverte os gêneros de “Ela é Demais” (1999) não vai marcar época como o original. No máximo, vira um “guilty pleasure” para quem ficar curioso em ver como um elenco de celebridades virtuais lida com uma trama que é basicamente sobre os méritos da superficialidade e da falta de identidade própria. Confira abaixo estes e outros títulos (com os trailers) de uma dúzia de opções selecionadas entre os lançamentos das plataformas digitais nesta semana. Tangerina | EUA | Comédia (MUBI) Lucky | EUA | Drama (Reserva Imovision) Raízes Macabras | EUA | Terror (Netflix) O Inimaginável | Suécia | Thriller (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Zona de Confronto | Dinamarca | Thriller (Apple TV, Google Play, NOW, Sky Play, Vivo Play, YouTube Filmes) O Quinto Set | França | Drama (Netflix) Slalom – Até o Limite | França | Drama (Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Um Animal Amarelo | Brasil, Portugal, Moçambique | Drama (Apple TV, Google Play, YouTube Filmes) Lina from Lima | Chile, Peru | Drama (MUBI) Um Ano em Nova York | EUA | Drama (Apple TV, Google Play, NOW, SKY Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Ele é Demais | EUA | Comédia (Netflix) The Witcher: Lenda do Lobo | EUA | Animação (Netflix)
“Candyman” é destaque entre 10 estreias de cinema
O período de fechamento dos cinemas durante a pandemia causou acúmulo de títulos e a programação desta quinta (26/8) contém nada menos que 10 filmes em busca de público. Trata-se da maior quantidade de lançamentos desde março de 2010, quando o circuito foi paralisado, e coincide com a saída de cartaz de uma dezena de outros títulos. O terror “A Lenda de Candyman” e o infantil “Pedro Coelho 2 – O Fugitivo” tem a melhor distribuição, seguido pelo thriller “Infiltrado”. Dos três, a retomada da franquia clássica de horror dos anos 1990 causa maior impacto, graças à atualização temática e uma trama de viés social e racial – características da produção de Jordan Peele (diretor de “Corra!”, “Nós” e novo mestre do terror). “Pedro Coelho 2” aprimora o humor e a fofura do primeiro. E “Infiltrado” traz Jason Statham em ritmo de vingança, retomando sua antiga parceria com o diretor Guy Ritchie, que o transformou em ator em 1998. Dentre as estreias em circuito limitado há nada menos que cinco títulos brasileiros. O grande destaque cinéfilo é “Nuvem Rosa”, estreia da gaúcha Iuli Gerbase, que venceu o Grand Prix do Festival de Sofia, na Bulgária, e foi aclamada pela imprensa americana durante sua passagem pelo Festival de Sundance. O filme da filha do cineasta Carlos Gerbase (“Menos que Nada”) é uma ficção científica que antecipou as quarentenas causadas pelo coronavírus. Escrito em 2017 e filmado em 2019, sua trama acompanha um casal de desconhecidos que, após uma noite de sexo casual, acorda no dia seguinte sob lockdown, quando uma misteriosa nuvem rosa passa a cobrir o mundo, matando quem sai nas ruas. Com a sorte de estar numa casa bem abastecida de alimentos, eles passam os dias, os meses e até os anos presos um com o outro, acompanhando os efeitos da quarentena mundial forçada pela TV, videoconferência e redes sociais. Por coincidência, outro filme com título colorido também chama atenção na programação: “Um Animal Amarelo”, de Felipe Bragança, que venceu nada menos que cinco prêmios no Festival de Gramado do ano passado. Comparado ao clássico “Macunaíma” (1969) e bastante elogiado por críticos nacionais, acompanha a crise existencial de um cineasta que questiona como filmar num país que está perdendo sua identidade. E estas são apenas metade das opções. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana, acompanhadas por seus respectivos trailers. À exceção dos três primeiros, os demais filmes só entram em cartaz nas maiores cidades. A Lenda de Candyman | EUA | Terror Pedro Coelho 2 – O Fugitivo | EUA | Infantil Infiltrado | EUA | Thriller Nuvem Rosa | Brasil | Sci-Fi Um Animal Amarelo | Brasil, Portugal, Moçambique | Drama Lamento | Brasil | Suspense Homem Onça | Brasil | Drama Encarcerados | Brasil | Documentário Edifício Gagarine | França | Drama A Candidata Perfeita | Arábia Saudita | Drama
13 filmes para entender o Talibã
O Taliban odeia o cinema. Mas há filmes que ajudam a explicar o terror que seu fanatismo religioso representa. Selecionamos 13 documentários, dramas, animações e até uma comédia que ajudam a entender como o Talibã chegou ao poder no Afeganistão, a opressão que ele exerce sobre a população e o que pensam realmente os afegãos comuns sobre a situação. Para dar dimensão da complexidade do tema, um partido político nanico do Brasil chegou a comemorar a retomada do Afeganistão pelos talibãs como uma vitória contra o imperialismo ianque. Estrelado por Tom Hanks, “Jogos do Poder” lembra que foi o tal “imperialismo ianque” que armou os fanáticos contra os comunistas soviéticos nos anos 1980. Muitos devem lembrar que até Rambo lutou ao lado dos mujahidins (combatentes) do Afeganistão em “Rambo III”, seis anos antes de iniciaram sua ofensiva em 1994 para instalar o Emirado Islâmico no país com armas e financiamento americanos. Quem pinta o Talibã como o pior regime do mundo não é Hollywood. São cineastas afegãos e muçulmanos de outros países, em sua maioria. O documentário “The Forbidden Reel” lembra que os talibans não só proibiram o cinema, como mandaram queimar todos os arquivos de filmes existentes no país, destruindo a memória cinematográfica afegã. “Frame by Frame” reforça que nem fotografia era permitida. E “Midnight Traveler” (exibido nos cinemas brasileiros como “O Viajante da Meia-Noite”) registra a jornada de um cineasta em fuga com sua família do próprio país para não ser executado. Os noticiários dos últimos dias mostraram como a população afegã se desesperou como a volta do Talibã e se amontoou no aeroporto de Kabul, gerando imagens chocantes. O filme “Neste Mundo” já acompanhava, em 2002, a história de fuga de um adolescente afegão em meio ao cerco dos radicais. Dirigido pelo inglês Michael Winterbottom, era uma obra de ficção, mas seu intérprete, o jovem Jamal Udin Torabi, realmente percorreu a odisseia descrita na tela em sua vida real. O terror é muito real. A ativista Malala Yousafzai, pessoa mais jovem a ser laureada com um prêmio Nobel, tornou-se mundialmente conhecida por desafiar o fanatismo talibã no Paquistão, segundo país com a maior quantidade de seguidores dessa vertente radical. Tudo o que ele fez foi ir a escola. Bastou para enfurecer os intolerantes que organizaram um atentado à sua vida num ônibus escolar. Sob o Talibã, mulheres não podem estudar nem trabalhar. Muito menos mostrar os rostos, os pés, as mãos, qualquer parte do corpo. Precisam usar burcas de cor uniforme, porque qualquer diferença sinalizaria vaidade, o que é pecado mortal. Filmes como “Osama” e “Às Cinco da Tarde” mostram protagonistas femininas durante e depois do primeiro domínio talibã no Afeganistão. Para até crianças compreenderem o tamanho da intolerância, as animações “A Ganha-Pão” e “Os Olhos de Cabul” mostram de forma clara o impacto do fanatismo sobre as famílias afegãs. Quando decide abordar a situação, Hollywood prefere ressaltar o heroísmo americano com filmes de guerra. A maioria exagera, como é típico do cinema americano, mas vale destacar “Posto de Combate” por dar uma dimensão mais realista ao conflito – e como a propalada vitória nunca aconteceu realmente, ajudando a explicar a facilidade com que o Talibã recuperou terreno no país. Veja abaixo sugestões com trailers destes e outros filmes. São 13 no total, um número que muitos associam ao horror. Todos os títulos estão disponíveis em plataformas devidamente identificadas abaixo de cada citação. Títulos em inglês significam que as buscas nos serviços devem ser feitas com o nome original da produção. Vale observar que o MUBI tem disponibilidade rotativa – apesar do grande acervo, só abre acesso a um punhado de destaques por vez. A Caminho de Kandahar | Irã, França | 2001 (Claro Vídeo, MUBI) In This World (Neste Mundo) | Reino Unido | 2002 (MUBI) Osama | Afeganistão | 2003 (MUBI) At Five in the Afternoon (Às Cinco da Tarde) | Irã | 2003 (MUBI) O Caçador de Pipas | EUA | 2007 (Google Play, Sky Play, YouTube Filmes) Jogos do Poder | EUA | 2007 (Apple TV, Claro Vídeo, MUBI, Oi Play) Frame by Frame | Afeganistão | 2015 (MUBI) Malala | EUA, Emirados Árabes | 2015 (Netflix) A Ganha-Pão | Irlanda, Canadá | 2017 (Netflix) Os Olhos de Cabul | França | 2019 (Apple TV, MUBI, SKY Play, Telecine, Vivo Play) Posto de Combate | EUA | 2019 (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Paramount+, SKY Play, YouTube Filmes) Midnight Traveler (O Viajante da Meia-Noite) | Afeganistão | 2019 (MUBI) The Forbidden Reel | Afeganistão | 2020 (MUBI)
Filmes Online: Destaques da semana são produções brasileiras
Com chegada de novas plataforma e o aumento da oferta de títulos, as dez indicações passam a ser uma dúzia de sugestões para assistir no fim de semana. A mudança começa nesta sexta (20/8) em que há mais opções nacionais. São quatro lançamentos brasileiros, com destaque para comédias acima da média: “Diários de Intercâmbio”, segundo filme de Larissa Manoela na Netflix (após o debut com “Modo Avião” no ano passado), e “L.O.C.A.”. com Mariana Ximenes no play do Telecine. Os dois dramas, por sua vez, são “Helen”, com Marcelia Cartaxo no papel de vovó do bairro do Bixiga, e “Doutor Gama”, aula de História sobre o grande abolicionista do título. A opção mais comercial é “Space Jam – Um Novo Legado”, híbrido animado em que o astro de basquete LeBron James lidera um time formado pelos Looney Tunes num jogo espacial. Mas vale apontar que o placar final foi uma grande derrota de público (fiasco de bilheteria) e crítica (só 26% de aprovação no Rotten Tomatoes). A lista também inclui dois ótimos thrillers, “O Espião Inglês” e “Códigos Ocultos”, para quem gosta de histórias cheias de reviravoltas. Mas a semana é dos cinéfilos, graças ao lançamento de “Não Há Mal Algum”, drama político realizado de forma clandestina. O diretor Mohammad Rasoulof foi condenado a um ano de prisão no Irã após esse trabalho impactante vencer o Urso de Ouro do Festival de Berlim de 2020. A trama alinha histórias protagonizadas por militares encarregados de executar condenados pelo estado. O longa foi filmado em segredo, porque já na ocasião o diretor cumpria prisão domiciliar e estava proibido de filmar por ter vencido, em 2011, o troféu de Melhor Direção no Festival de Cannes por “Goodbye”, considerado “propaganda anti-regime”. Ainda há o importante drama russo “Caros Camaradas! Trabalhadores em Luta”, obrigatório para quem ainda romanceia o comunismo. Rodado em preto e branco pelo veterano mestre Andrey Konchalovskiy, parece filme de época, mas é bastante atual diante dos acontecimentos recentes em Cuba, ao mostrar como burocratas soviéticos massacraram trabalhadores grevistas nos anos 1960 – história real. Consagrado com o Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza passado, tem nada menos que 95% no RT. E cadê o destaque para o filme do Jason Momoa lançado pela Netflix? Em homenagem a quem gosta de pancadaria de thriller B, também saiu o risível “Justiça em Família”, que tem só 21% de aprovação no RT. Confira abaixo a seleção (com os trailers) de 12 opções de filmes disponibilizadas nas plataformas digitais nesta semana. Diários de Intercâmbio | Brasil | Comédia (Netflix) L.O.C.A. | Brasil | Comédia (Telecine) Helen | Brasil | Drama (Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play) Doutor Gama | Brasil | Drama (Globoplay) Não Há Mal Algum | Irã | Thriller (NOW, Vivo Play) Caros Camaradas – Trabalhadores em Luta | Rússia | Drama (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, SKY Play, Vivo Play, YouTube Filmes) O Espião Inglês | Reino Unido | Thriller (Apple TV, Google Play, YouTube Filmes) Códigos Ocultos | Espanha | Ação (Apple TV, Google Play, Sky Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Jusiça em Família | EUA | Ação (Netflix) Space Jam – Um Novo Legado | EUA | Animação (Apple TV, Google Play, HBO Max, Looke, Sky Play, Vivo Play, YouTube Filmes) The Loud House: O Filme | EUA | Animação (Netflix) Os Caçadores de Trufas | Itália | Documentário (Apple TV, Google Play, SKY Play, Vivo Play, YouTube Filmes)
“Free Guy” chega a 80% dos cinemas brasileiros
A comédia fantasiosa “Free Guy: Assumindo o Controle”, em que Ryan Reynolds (o “Deadpool”) vive um personagem de videogame, chega a 80% do total de cinemas brasileiros abertos nesta quinta (19/8), quatro dias após estrear no topo das bilheterias do fim de semana nos EUA e garantir sua continuação pela Disney. Com 83% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme também agradou a crítica norte-americana. Cheio de easter eggs e até participações especiais que só vendo para crer, “Free Guy” é “O Show de Truman” da geração gamer, que explora ao máximo o carisma e o humor falastrão característicos de Reynolds. Na trama, ele vive um bancário comum chamado Guy (Cara, em inglês), que é um NPC (personagem não jogável) numa cena de assalto de videogame. Todo dia é igual em sua vida, até que uma jogadora (Jodie Comer, de “Killing Eve”) atropela sua existência e ele se torna autoconsciente. Ao perceber que sua existência é artificial e criada por um programador de games (Taika Waititi, de “Jojo Rabbit”), Guy resolve ajudar outros figurantes a enfrentar as ameaças do jogo, o que se torna um problema para a diversão dos jogadores. O filme foi escrito por Matt Lieberman (dos novos longas animados de “A Família Addams” e “Scooby-Doo”) e marca o retorno do diretor Shawn Levy à direção, sete anos após o fracasso de seu último longa, “Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba”. Desde então, ele vinha se concentrando na atividade de produtor, inclusive da série “Stranger Things”. Em circuito menor, outro lançamento aposta em efeitos visuais, mas com resultado bem diferente. Sci-fi noir estrelada por Hugh Jackman (“Logan”), que chega ao Brasil com título de novela brega, “Caminhos da Memória” (Reminiscence, em inglês) marca a estreia de Lisa Joy, cocriadora de “Westworld”, como cineasta. Ela assina o roteiro e a direção da trama futurista, que se passa após o derretimento polar inundar cidades, quebrar economias e transformar a nostalgia numa mercadoria cobiçada e impulsionada pela tecnologia de ponta. Jackman vive um detetive particular que explora essa tecnologia para extrair memórias de seus clientes. Vivendo nos extremos da afundada costa de Miami, sua vida sofre uma reviravolta quando ele aceita uma cliente (Rebecca Ferguson, de “Missão: Impossível – Efeito Fallout”) que desaparece misteriosamente e se torna uma perigosa obsessão. A Warner quase não divulgou o filme, que estreou de forma envergonhada, com resenhas embargadas até quarta-feira (18/8). E o motivo ficou claro quando as críticas começaram a ser publicadas. Considerado uma junção medíocre de ideias recicladas, o filme ficou com apenas 47% de aprovação no Rotten Tomatoes. Com distribuição ainda mais limitada, a comédia polonesa “Nunca mais Nevará” volta a levar a cineasta Malgorzata Szumowska (do terror “O Rebanho”) a explorar a temática do questionamento espiritual, desta vez centrada na influência de um misterioso massagista russo que se torna guru de uma comunidade privilegiada da Polônia. Submissão do país ao Oscar de Melhor Filme Inernacional, o longa também marcou a promoção do cinematografista Michal Englert (que trabalhou com Szumowska em vários filmes) a co-diretor. Completa a programação um melodrama de cachorro da China e dois filmes brasileiros sobre pais e filhos adolescentes – um documentário em que uma mãe registra a transição de gênero do filho e um drama (coprodução argentina) sobre um pai (Leonardo Sbaraglia) que sufoca uma filha. Veja abaixo todas as estreias de cinema da semana. Free Guy – Assumindo o Controle | EUA | Aventura Caminhos da Memória | EUA | Sci-Fi Nunca mais Nevará | Polônia | Comédia Eternos Companheiros | China | Drama Limiar | Brasil | Documentário Coração Errante | Argentina, Brasil | Drama
Filmes online: “Velozes e Furiosos 9” e “Bela Vingança” chegam às plataformas digitais
A semana traz grandes lançamentos da telona às plataformas digitais. O maior blockbuster da pandemia, “Velozes e Furiosos 9”, é o principal destaque. Até a semana passada, era o filme mais visto nos cinemas brasileiros. Dirigido por Justin Lin, que retorna à saga após um hiato de dois filmes, o longa tem algumas das cenas mais mirabolantes de toda a franquia, mas os fãs parecem não se cansar das manobras fisicamente impossíveis e dos enredos absurdos. Desta vez, um personagem tido como morto aparece como se nada tivesse acontecido, o vilão é um irmão do protagonista que nunca tinha sido sequer mencionado nos oito longas anteriores e os personagens saem em disparada até na Lua! Entre as novidades, há a introdução de John Cena (“O Esquadrão Suicida”) como vilão da vez e irmão-surpresa de Dominic Toretto (Vin Diesel), além da presença de Anitta na trilha sonora – que rendeu até capa na revista Billboard para a brasileira. A opção cinéfila é “Bela Vingança”, suspense de humor ácido, cheio de reviravoltas inesperadas, que venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original. Na trama, a personagem de Carey Mulligan (“Mudbound”) resolve se vingar dos homens após sua melhor amiga ser estuprada na faculdade e se suicidar sem ter sua denúncia considerada. Transformando-se numa justiceira, a protagonista passa a se fingir de vítima fácil para aterrorizar machistas abusados, principalmente os responsáveis pelo destino da amiga. O filme marcou a estreia na direção da atriz (de “The Crown”) e roteirista (de “Killing Eve”) Emerald Fennell, e tem produção da estrela Margot Robbie (também de “O Esquadrão Suicida”). Não faltam ofertas de filmes com astros conhecidos neste fim de semana. Mas enquanto títulos como “Beckett” e “Infinite” podem levar a decepções, “Aqueles que Me Desejam a Morte” pelo menos marca a volta de Angelina Jolie às tramas de ação após um longo período como estrela de filmes infantis. Ela vive uma bombeira em vigília solitária contra incêndio numa reserva florestal que, ao resgatar um garoto em fuga, passa a ser perseguida por assassinos fortemente armados dispostos até a colocar fogo na floresta para eliminá-los. As cenas de perseguição com o pano de fundo de um grande incêndio na região florestal de Montana são o destaque da produção, roteirizada e dirigida por Taylor Sheridan, criador da série “Yellowstone”. A programação ainda traz um presentão para fãs de anime: a tetralogia completa de “Rebuild of Evangelion”. A Amazon disponibilizou os quatro filmes que reconstroem a cultuadíssima série “Neon Genesis Evangelion”. Criada por Hideaki Anno em 1995, a atração original teve 26 episódios que acompanhavam a história de um trio de adolescentes escolhidos para pilotar robôs gigantescos, os EVA, com a função de defender uma Tóquio futurista de violentas criaturas alienígenas, chamadas de Anjos. A trama combinava ação, melodrama e metafísica, apostando no desenvolvimento dos personagens com crises existenciais e culminando num mergulho de metalinguagem em seu final maluco que até hoje rende discussões. Tanto é que foi refeito no filme “The End of Evangelion”, em 1997, e agora ganha sua terceira versão. Entre outras coisas, o impacto da criação de Anno redefiniu o subgênero sci-fi dos mecha (robô gigantes pilotáveis), influenciando tudo o que veio depois, inclusive a franquia americana “Círculo de Fogo”. A saga também é obrigatória para quem é fã de sci-fi. Além de criar “Evangelion”, Hideaki Anno também assina os roteiros da versão cinematográfica, que começou a ser exibida em 2007 e foi concluída apenas neste ano. A seleção da semana ainda traz o final da trilogia “Barraca do Beijo”, um trio de produções europeias instigantes, um terror com uma cabeleireira escalpeadora e o suspense indie “Você Viu Carolyn Harper?” que foi exibido nos cinemas – e está disponível em algumas plataformas – com outro nome, o título original “Knives and Skin”. Confira abaixo a seleção (com os trailers) das 10 melhores opções de filmes disponibilizadas nas plataformas digitais nesta semana. Velozes e Furiosos 9 | EUA | Ação (Apple TV, Google Play, NOW, Oi Play, YouTube Filmes) Bela Vingança | EUA | Suspense (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Oi Play, SKY Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Aqueles que Me Desejam a Morte | EUA | Suspense (Apple TV, Google Play, HBO Max, YouTube Filmes) Você Viu Carolyn Harper? | EUA | Suspense (Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) No Fio da Navalha | Eslováquia | Suspense (NOW) A Cabeleireira | EUA | Terror (Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Me Leve Para Algum Lugar Legal | Holanda, Bósnia | Drama (Reserva Imovision) A Boa Esposa | França | Comédia (Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) A Barraca do Beijo 3 | EUA | Romance (Netflix) Rebuild of Evangelion | Japão | Animação (Amazon Prime Video)
“O Poderoso Chefinho 2” e “O Homem nas Trevas 2” estreiam em 65% dos cinemas
A semana tem o maior número de estreias de cinema da pandemia, nada menos que 11 filmes, mas apenas duas sequências chegam em grande circuito. A animação “O Poderoso Chefinho 2 – Negócios da Família” e o suspense “O Homem nas Trevas 2” ocupam 65% de todas as salas em funcionamento. O primeiro foi um fracasso de público e crítica em seu lançamento nos EUA em julho. O segundo estreia nesta sexta no mercado norte-americano sem repercussão na imprensa – as críticas ficaram embargadas até a véspera, o que nunca é bom sinal. Quem viu os primeiros longas já sabe o que esperar. As duas continuações repetem a mesma premissa dos filmes originais, acrescentando uma menina ao lado dos protagonistas de cada trama. Ou seja, o desenho dos bebês espiões agora conta com uma bebezinha e o cego sinistro cuida de uma adolescente ao ter a casa invadida novamente. Enquanto isso, um verdadeiro festival de cinema acontece no circuito limitado, com lançamentos do chinês Zhang Yimou, do grego Costa-Gavras e do chileno Pablo Larrain restritos às maiores cidades do país. O melhor é “Shadow”, show expressionista de sombras, luzes e artes marciais do mestre Yimou, que venceu “apenas” 38 prêmios internacionais e tem 94% de aprovação no Rotten Tomatoes. Mas “Ema”, primeiro musical de Larrain, também merece atenção por sua beleza estética, além de encontrar uma forma original de abordar trauma. Já “Jogo do Poder” aborda a crise econômica grega com discussões tão excitantes quanto uma aula de Economia, além de fazer uma hagiografia política e oferecer soluções maniqueístas que contrastam com a lembrança dos filmes revolucionários de Costa-Gavras nos anos 1970. Entre os demais títulos, há cinco produções brasileiras, incluindo duas coproduções com parceiros do Mercosul. O destaque é justamente um desses filmes, “O Empregado e o Patrão”, do uruguaio Manolo Nieto, que foi bastante elogiado ao ser exibido na mostra Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes deste ano. Confira abaixo todos os trailers das 11 estreias desta quinta-feira (12/8) nos cinemas brasileiros. O Homem nas Trevas 2 | EUA | Suspense O Poderoso Chefinho 2 – Negócios da Família | EUA | Animação Shadow | China | Ação Ema | Chile | Drama Jogo do Poder | França, Grécia | Drama O Labirinto | Itália | Suspense Dois + Dois | Brasil | Drama A Outra Pele | Brasil, Argentina | Drama O Empregado e o Patrão | Uruguai, Brasil, Argentina | Drama Luana Muniz – Filha da Lua | Brasil | Documentário Cavalo | Brasil | Documentário












