Desgoverno: Verbas de até US$ 1,5 bilhão do setor audiovisual teriam sumido
A falta de transparência do desgoverno atual não se limita aos dados sobre a covid-19. Na última sexta-feira (5/6), a Ancine (Agência Nacional do Cinema) disponibilizou números enigmáticos sobre o FSA, o fundo do setor audiovisual brasileiro. Seis meses depois de anunciar um montante de R$ 703,7 milhões, relativo à taxas cobradas em 2018, disponível para produções de filmes, séries e games nacionais em 2019, e após adiar a liberação dessa verba ao infinito, a Ancine dá a entender que esse dinheiro simplesmente não existe – ou sumiu. Em um relatório que só fará sentido após passar por uma bancada de auditores especializados (leia a nota pública aqui), a Ancine revelou que o FSA, que deveria ter cerca de R$ 1,5 bilhão (sem contabilizar juros), apresenta saldo negativo, sendo na verdade um fundo deficitário. Onde está o dinheiro? É o que quer saber o TCU (Tribunal de Contas da União). Esse relatório abracadabra, complexo para um olhar leigo, já é resultado de um questionamento da Justiça, que busca a explicação sempre cobrada pela Pipoca Moderna sobre o motivo de a Ancine não lançar edital algum para o setor audiovisual desde que Bolsonaro assumiu o desgoverno federal. A Ancine parece sugerir sob seus números opacos que a fortuna foi corroída, talvez por má gestão financeira da diretoria anterior, talvez por desmandos do desgoverno atual e talvez ainda por outros “detalhes” burocráticos, incluindo pedaladas fiscais – elas mesmas, as famosas. Entretanto, há apenas seis meses a atual diretoria anunciou que o valor existia, dando publicidade até a seus centavos. E tem o detalhe: os tais R$ 703,7 milhões já eram menores que o montante previsto e se referem à arrecadação de 2018, disponível para fomentos do ano passado – que não aconteceram. A taxa Condecine ainda continuou a ser cobrada durante todo o ano de 2019 e deveria ter gerado montante igual ou superior para o fomento do audiovisual em 2020. É o que apontam as planilhas. O próprio site da Ancine apresenta as planilhas do FSA, que comprovam arrecadação de 1,1 bilhão em 2018 e mais 1,2 bilhão em 2019. Elas demonstram que, deste total, R$ 724 milhões deveriam ter sido destinados para fomento do audiovisual em dezembro de 2018. E em dezembro de 2019, a previsão era outro montante igual. Ou seja, praticamente 1,5 bilhão para a produção de novos filmes, séries e videogames brasileiros. Mas nenhum edital foi publicado para receber esses valores. Até Bolsonaro, o fundo era sempre liberado no máximo nos primeiros meses de cada ano. Mas as últimas reuniões do comitê gestor do Fundo a lançar novos editais aconteceram em 2018, durante o governo Temer – e diziam respeito à aplicação de valores arrecadados em 2017. Para complicar ainda mais, o pior presidente da História do Brasil ainda fez questão de vetar a renovação da Lei do Audiovisual no ano passado, impedindo que as produtoras conseguissem viabilizar projetos junto à iniciativa privada, via incentivo fiscal, de forma a concentrar toda a possibilidade de fomento no FSA. Este fundo que, agora se descobre, é na verdade sem fundo. Desde que Bolsonaro assumiu, a estratégia para o setor tem sido a paralisação. Sem pressa para nomear diretores na Ancine, destituindo secretários de Cultura a cada quatro meses e mantendo – como mantém atualmente – a coordenação cultural acéfala em seu desgoverno, Bolsonaro tem impedido que o comitê gestor do FSA faça reuniões. Com isso, o valor do fundo era mantido longe do conhecimento público. Mas a brincadeira de esconde-esconde acabou. O TCU cobrou e a Ancine tem agora a obrigação de mostrar onde foi parar cada centavo que estava sob sua guarda. Segundo o esboço de justificativa, apresentado na sexta, a entidade teria assumido compromissos financeiros no valor de R$ 944 milhões, mas só teria, em caixa, R$ 738 milhões. Isso significa que a agência não tem dinheiro nem para pagar todos os projetos contemplados nos editais de 2018 – os últimos que foram lançados – e, muito menos, para lançar novas chamadas. Uma das explicações para a falta de dinheiro, pelo que se pode visualizar na versão da Ancine, seria um erro contábil no pacote de editais de 2018, chamado #AudiovisualGeraFuturo, que somou cerca de R$ 1,2 bilhão, quase o dobro dos R$ 748 milhões previstos para o período. Há, nesse conjunto, projetos que foram contratados, mas há também editais não lançados e outros que tiveram resultados divulgados, mas não teriam sido contemplados. A página da Secretaria da Cultura sobre os editais foi derrubada – ao seguir o link que diz “Confira aqui os editais”, o resultado é “Oops! Essa página não pode ser encontrada”. A gravidade dos fatos se manifesta numa pantomima, em que a atual diretoria ensaia culpar, sem muita convicção, senão a diretoria anterior, o próprio desgoverno pelo endividamento. Mas levou um ano e meio para fazer qualquer acusação ou mesmo denunciar o rombo. E só se pronunciou após o TCU cobrar explicações. O atual presidente da Ancine, Alex Braga, já era diretor da agência no governo Temer – desde 2017. E estava na entidade desde 2003, tendo atuado na maior parte deste tempo como procurador, com a função, justamente, de zelar pela otimização dos recursos públicos utilizados na Ancine. E ele não manifestou contrariedade quando os supostos editais onerosos foram votados e aprovados em 2018. Portanto, culpar a gestão anterior não lhe tira responsabilidade sobre a fonte dos problemas na administração do FSA. Em busca de pistas sobre o paradeiro do dinheiro, chama especial atenção a forma como links sobre editais e respectivas prestações de conta do desgoverno tendem a apontar para páginas inexistentes. Uma das omissões mais facilmente localizáveis reflete a época em que Bolsonaro protestou contra um edital de projetos de séries de temática LGBTQIA+, dizendo que não aprovaria seu conteúdo. Uma live ofensiva, desinformada e homofóbica do presidente inspirou o então ministro da Cidadania Osmar Terra a derrubar o edital. Só que ele não teria poderes para isso, o que gerou uma crise jurídica e levou o MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro) a entrar com uma ação por improbidade administrativa na Justiça. Pra resumir a história, o preconceito foi acomodado de forma a não contemplar as séries mencionadas nominalmente por Bolsonaro em sua live, mas supostamente premiando outras produções. Só que o relatório das verbas destinadas aos “80 projetos selecionados” desse imbróglio conduz a uma endereço do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) – agente financeiro do FSA – que informa que a página não existe. Será que a prestação de contas está em outro link ou apenas em documentos oficiais? Cabe ao TCU verificar. Neste período nebuloso, Bolsonaro também começou a falar em “filtros” – critérios de censura – para o fomento cultural e alimentou o caos na Ancine. Após demitir por decreto o diretor-presidente Christian de Castro Oliveira, que já estava enrolado em investigação da 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, manteve o órgão paralisado por cinco meses com apenas um diretor, Alex Braga, respondendo por toda a diretoria-colegiada. O desgoverno protelou o quanto pôde para nomear mais dois diretores evangélicos sem representatividade no mercado, visando preencher outras duas cadeiras no comando da entidade, suficientes para seu funcionamento mínimo. Essa estrutura precária foi piorada com a falta de nomeação de um Secretário do Audiovisual, iniciativa que caberia ao Secretário da Cultura, cargo que se tornou rotativo e ausente no desgoverno. O Secretário do Audiovisual é um dos membros do comitê gestor do FSA, junto do Secretário da Cultura. A atual composição do Comitê Gestor, com mandato de dois anos, foi estabelecida pela Portaria nº 2.068, de 23 de outubro de 2019, e além dos secretários citados inclui o Ministro da Cidadania, como titular, e seu substituto legal, como suplente, entre outros membros. Só que, depois da publicação dessa portaria, Bolsonaro tirou a pasta da Cultura do ministério da Cidadania, jogando-a no Turismo. Isso representou outra pedra burocrática no meio do caminho da materialização do comitê. A prática de paralisar o setor com burocracia está mais que manifestada pelo governo. Porém, não se sabia, até sexta passada, que isso também ajudava a encobrir um rombo financeiro. A burocracia, claro, é um dos motivos alegados pelo relatório dos números mágicos para o sumiço bilionário. O abracadabra seria fruto da remuneração supostamente excessiva dos bancos que operam o FSA e das regras do desgoverno relativas às aplicações, que exigem que os juros dos investimentos do FSA sejam devolvidos ao Tesouro Nacional, e lá precisem passar por outra etapa de autorização e liberação para poderem ser usados pelo fundo. Em outras palavras, haveria represamento dos valores em outra ponta do sistema, aparentemente dentro do ministério da Economia. Aos trancos e barrancos, a Ancine ainda teria liberado cerca de R$ 500 milhões para projetos de editais de 2018, ao longo do ano passado. De janeiro a abril de 2020, porém, os valores limitaram-se a menos de R$ 60 milhões, o que gerou processos de produtores lesados para que fossem liberadas as verbas aprovadas há dois anos. Mesmo assim, nenhum novo edital foi lançado. Em seu ofício ao TCU, a Ancine alega que já havia previsão para esse estouro em seu orçamento de 2018 e que ele seria compensado pela “utilização de rendimentos das aplicações no montante de R$ 348 milhões, incluindo-os nos investimentos do FSA para aquele ano”. Mas aponta que, em momento posterior, esse dinheiro saiu de suas mãos, porque “houve a determinação de que estas receitas sejam recolhidas ao Tesouro Nacional”. Culpar o desgoverno – ou o próprio TCU, que chegou a intervir nas contas da Ancine em 2019 – por orientações que renderam prejuízo financeiro explicaria o rombo das verbas de 2018. Mas não justifica o sumiço do dinheiro de 2019 e 2020, que, segundo se deduz pelo relatório da agência, só teria servido para pagar juros e taxas bancárias. A se acreditar nisso, o investimento que rendeu, segundo o mesmo relatório, estimados R$ 615 milhões em 2018, resultou em prejuízo de mais de US$ 1,5 bilhão após a eleição de Bolsonaro. Se isso tudo não pagou apenas juros e taxas, então, pode ter havido pedaladas fiscais, palavra que remete à desculpa usada pelo Congresso para realizar o impeachment de Dilma Rousseff, e que significa usar orçamento futuro para pagar dívidas do passado – geralmente para cobrir rombos, como o caso. É exatamente o que sugere esta conclusão do ofício da Ancine: “Segundo diagnóstico realizado, a totalidade dos recursos para pagamento de agentes financeiros se encontra comprometida com obrigações anteriores. Mesmo se consideradas as disponibilidades financeiras para 2019 e 2020, o valor seria insuficiente para a contratação do total de investimentos em projetos anunciados [em 2018], restando ainda um saldo negativo de R$ 3,6 milhões”. Traduzindo: em vez de ter US$ 1,5 bilhão para fomentar novos projetos, a Ancine deve R$ 3,6 milhões a “agentes financeiros” – quais sejam: o BRDE e o BNDES – devido a “obrigações anteriores” – quais sejam? Qualquer conclusão sobre erro contábil, mal-entendido, gestão temerária, improbidade administrativa, crime fiscal ou ação penal caberá ao TCU, que também deverá proceder a busca pelo montante não contabilizado e determinar a responsabilização por eventuais desmandos, após o destrinchamento dos números e os meandros kafkianos do desgoverno de Bolsonaro.
Festival de Gramado é adiado para setembro
A organização do Festival de Cinema de Gramado anunciou o adiamento do evento deste ano. Inicialmente programado para agosto, o festival de cinema vai acontecer entre 18 e 26 de setembro. A nova data foi definida após análise do cenário nacional em função da pandemia de covid-19. Em nota, Diego Scariot, gerente de projetos da Gramadotur, responsável pela realização do festival, garantiu que ele será realizado. Uma afirmação necessária após o Secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF) anunciar neste domingo (7/8) o cancelamento do Festival de Brasília. “O Festival de Gramado reúne, aproxima equipes de produção, elencos, diretores e realizadores. São nove dias de celebração ao cinema, de reconhecimento às produções concorrentes, mas também de fomento e incentivo às novas produções. Os festivais mantêm o cinema vivo e Gramado tem muita honra de contribuir com o fortalecimento da indústria do audiovisual. Esse é o nosso compromisso e será mantido ainda que não sejam descartadas alterações ou adequações no formato”, disse Scariot no comunicado. No atual cronograma, a seleção de filmes para as Mostras Competitivas – curtas gaúchos e nacionais, longas brasileiros e estrangeiros – deve estar concluída até o final de julho.
Festival de Brasília é cancelado por falta de apoio financeiro
O Festival de Brasília, um dos eventos mais tradicionais do cinema brasileiro, não vai acontecer em 2020 por falta de verbas. À retirada do apoio da Petrobrás no ano passado, por ordem de Bolsonaro, juntou-se este ano a crise econômica gerada pela pandemia de coronavírus, inviabilizando financeiramente sua realização. O cancelamento foi revelado pelo Secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), Bartolomeu Rodrigues, em entrevista neste domingo (7/6) ao site brasiliense Metrópoles. O órgão é responsável pela organização do evento. Rodrigues afirmou ter buscado alternativas, como realizar o festival em parceria com o Cine Drive-In ou plataformas de streaming, mas o orçamento não permitiu. “Constatamos que não tínhamos recursos. Não tive nenhuma sinalização [que conseguiríamos arrecadar o dinheiro], portanto, preferi cancelar”. O orçamento previa a necessidade de R$ 3 milhões para a realização do festival. No ano passado, após a suspensão do patrocínio da Petrobras, outros festivais, como Anima Mundi e o Festival do Rio, correram o risco de serem cancelados, mas driblaram as restrições financeiras com ajuda de financiamento coletivo. Essa é a primeira vez desde os anos 1970, em meio à ditadura militar, que o festival, conhecido por apresentar longas com temas políticos e que denunciam diversas dificuldades enfrentadas pela população, é cancelado.
Documentário inédito sobre Maria Alice Vergueiro é disponibilizado no YouTube
Um documentário inédito sobre a atriz Maria Alice Vergueiro, falecida na última quarta-feira (3/6), aos 85 anos, foi disponibilizado pela primeira vez para o público na página da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo) no portal de vídeos YouTube. Intitulado “Desordem Natural das Coisas”, o filme foi realizado em 2012 e antecede em seis anos o documentário “Górgona”, até então considerado o único perfil cinematográfico da atriz. Sem nunca ter sido exibido fora da USP, o filme foi feito como trabalho de conclusão de curso (TCC) da hoje jornalista Maria Clara Matos e encontrava-se nos arquivos da universidade. A obra oferece um importante registro da carreira da atriz, então com 77 anos e num momento consagrador, quando estava em turnê com a peça “As Três Velhas”, do mestre surrealista Alejandro Jodorowsky, que ela também dirigiu e que lhe rendeu uma série de indicações a prêmios, antes de enfrentar as limitações mais intensas do mal de Parkinson. Além de entrevista com Vergueiro, o filme de 1h35 traz depoimentos de artistas como Cacá Rosset, Antônio Abujamra (1938-2015), Pascoal da Conceição, José Celso Martinez Corrêa e Luciano Chirolli, com quem ela trabalhou ao longo da carreira. Veja abaixo, na íntegra.
Meu Nome É Bagdá: Filme brasileiro é destaque de festival online espanhol
Depois de conquistar o prêmio de Melhor Filme do Júri Internacional na Mostra Generation 14plus do Festival de Berlin deste ano, “Meu Nome É Bagdá”, de Caru Alves de Sousa, foi selecionado para o Films de Dones, o mais importante festival espanhol dedicado a produções dirigidas por mulheres. A trama de “Meu Nome É Bagdá” gira em torno de uma jovem skatista, interpretada pela novata Grace Orsato. Aos 16 anos, ela passa os dias ao lado dos amigos, fazendo manobras na pista local, fumando maconha e jogando baralho. Ela é a única menina a frequentar a pista de skate do bairro. Mas, com sua atitude, abre caminho para outras. Aos poucos, ela se aproxima de Vanessa (Nick Batista), conhecem outras meninas skatistas e estreitam laços de amizade. A trama é livremente inspirada no livro “Bagdá — O Skatista”, de Toni Brandão, lançado em 2009, mas centrado na figura de um menino. A versão cinematográfica mudou de ponto de vista para absorver os crescentes questionamentos de gênero. O filme é o único representante do Brasil na mostra principal do evento, que é composta por 16 títulos, vindos de países como Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda e a Turquia. Considerado um dos mais prestigiosos eventos europeus em sua categoria, o festival foi criado na cidade Barcelona em 1993 e sua 28ª edição acontece até 14 de junho de forma digital, por conta da pandemia do covid-19. A programação do Films de Dones 2020 encontra-se disponível no Filmin, uma das plataformas de filmes mais vistas na Espanha e a segunda com maior crescimento na atualidade, depois da Netflix. Clique aqui para acesso direto ao festival online. E veja abaixo o “trailer” do evento.
Festival de Cannes: curta brasileiro entra na seleção da Semana da Crítica
Um dia após a divulgação da seleção principal do Festival de Cannes, com o longa brasileiro “Casa de Antiguidades”, os organizadores da mostra paralela Semana da Crítica revelaram os 15 filmes que fariam parte de sua edição de 2020 e receberão o seu “selo de aprovação”. A lista inclui outro filme nacional, o curta-metragem “Menarca”, da diretora Lillah Hallah. A história é focada em Nanã e Mel, duas garotas que vivem em uma vila de pescadores no interior do país, estranhamente infestada por piranhas. Além de receber o selo de aprovação, os títulos selecionados pelo Sindicato dos Críticos Franceses de Cinema podem ser exibidos em outros festivais durante o ano. Confira abaixo a seleção completa. Longas: “After Love”, de Aleem Khan (Reino Unido) “De l’Or Pour Les Chiens”, de Anna Cazenave Cambet (França) “La Nuée”, de Just Philippot (França) “Sous Le Ciel d’Alice”, de Chloé Mazlo (França) “La Terre des Hommes”, de Naël Marandin (França) Curtas: “August 22, This Year”, de Graham Foy (Canadá) “Axsama Dogru”, de Teiomur Hajiyev (Azerbaijão) “Dustin”, de Laila Guiguet (França) “Forastera”, de Lucia Aleñar Iglesias (Espanha) “Good Thanks, You?”, de Molly Manning Walker (Reino Unido) “Humongous!”, de Aya Kawazoe (Japão) “Maalbek”, de Ismaël Joffroy Chandoutis (França) “Marlon Brando”, de Vincent Tilanus (Holanda) “Menarca”, de Lillah Hallah (Brasil) “White Godfish”, de Jan e Raf Roosens (Bélgica)
Festival de Cannes revela seleção oficial com filme brasileiro sobre racismo
A organização do Festival de Cannes divulgou nesta quarta (3/6) uma lista com 56 filmes de sua seleção oficial. Mesmo cancelado, devido ao coronavírus, o festival resolver criar um “selo de aprovação” para os títulos selecionados, para deixar claro seu apoio às obras. Alguns desses longas competirão em setembro no Festival de San Sebastian, na Espanha, que fechou uma parceria com o evento francês, e também serão exibidos em vários outros festivais ao redor do mundo. Os 56 títulos incluem longas que seriam exibidos em mostras paralelas e fora de competição em Cannes. Eles foram reunidos em uma única lista com os filmes que disputariam a Palma de Ouro. Desta relação, 16 filmes, ou 28,5% do total, foram dirigidos por mulheres, em comparação com 14 títulos (23,7%) do ano passado. A seleção oficial incluiu filmes dos EUA, Coréia do Sul, Japão e Reino Unido, mas também de territórios raramente representados em Cannes, como Bulgária, Geórgia, Congo. Mas o cinema francês, sempre destacado em Cannes, seria particularmente forte este ano, com 21 títulos na escalação oficial, em comparação com os 13 do ano passado e os 10 de 2018. O Brasil é representado por “Casa de Antiguidades”, primeiro longa de João Paulo Miranda Maria estrelado pelo veterano Antônio Pitanga (“Ganga Zumba”, “Rio Babilônia”, “Irmãos Freitas”), que retrata a vida de um operário negro em uma cidade fictícia de colonização austríaca no Brasil. A trama trata de questões como o racismo e a polarização política durante a eleição de 2018, que resultou na vitória do pior candidato. Parte do longa foi gravado em Treze Tílias, cidade catarinense que deu forte apoio ao presidente eleito. Entre os americanos, os destaques são para “The French Dispatch”, nova obra de Wes Anderson que (como sempre) reúne um elenco estrelado – Timothée Chalamet, Saoirse Ronan, Tilda Swinton, Edward Norton, Christoph Waltz, Bill Murray, etc – e “Soul”, animação da Pixar dirigida por Pete Docter (“Divertida Mente”) que seria exibida fora de competição. Outro título de grande apelo comercial, o sul-coreano “Invasão Zumbi 2” (Peninsula), de Yeon Sang-ho, deveria se tornar o principal título da Sessão da Meia-Noite do festival francês. Já o público infantil teria também uma première do Studio Ghibli, “Aya and the Witch” (Aya To Majo), de Goro Miyazaki. Além destes, novos filmes de diretores aclamados, como Steve McQueen (listado à frente dois títulos!), François Ozon, Naomi Kawase, Maïwenn e Thomas Vinterberg, também aparecem na relação, assim como “Falling”, estreia do ator Viggo Mortensen (“O Senhor dos Anéis”) na direção. Com o longa de Mortensen e João Paulo Miranda Maria, a seleção soma 15 (26,7%) filmes de diretores estreantes, apontando rumos para o cinema mundial. Confira abaixo a seleção completa. “The French Dispatch”, de Wes Anderson (EUA) “Soul”, de Pete Docter (EUA) “Summer 85”, de Francois Ozon (França) “Asa Ga Kuru”, de Naomi Kawase (Japão) “Lover’s Rock”, de Steve McQueen (Reino Unido) “Mangrove”, de Steve McQueen (Reino Unido) “Druk”, de Thomas Vinterberg (Dinamarca) “DNA”, de Maïwenn (Algéria/França) “Falling”, de Viggo Mortensen (EUA) “Ammonite”, de Francis Lee (Reino Unido) “Sweat”, de Magnus von Horn (Suécia) “Nadia, Butterfly”, de Pascal Plante (Canadá) “Limbo”, de Ben Sharrock (Reino Unido) “Invasão Zumbi 2” (Peninsula), de Sang-ho Yeon (Coreia do Sul) “Broken Keys”, de Jimmy Keyrouz (Líbano) “Truffle Hunters”, de Gregory Kershaw & Michael Dweck (EUA) “Aya and the Witch” (Aya To Majo), de Goro Miyazaki (Japão) “Heaven: To the Land of Happiness”, de Im Sang-soo (Coreia do Sul) “Last Words”, de Jonathan Nossiter (EUA) “Des Hommes”, de Lucas Belvaux (Bélgica) “Passion Simple”, de Danielle Arbid (Líbano) “A Good Man”, de Marie-Castille Mention-Schaar (França) “The Things We Say, The Things We Do”, de Emmanuel Mouret (França) “John and the Hole”, de Pascual Sisto (EUA) “Here We Are”, de Nir Bergman (Israel) “Rouge”, de Farid Bentoumi (França) “Teddy”, de Ludovic e Zoran Boukherma (França) “Une Medicine De Nuit”, de Elie Wajeman (França) “Enfant Terrible”, de Oskar Roehler (França) “Pleasure” de Ninja Thyberg (Suécia) “Slalom”, de Charléne Flavier (França) “Casa de Antiguidades”, de João Paulo Miranda (Brasil) “Ibrahim”, de Samuel Gueismi (França) “Gagarine”, de Fanny Liatard & Jérémy Trouilh (Geórgia) “16 Printemps”, de Suzanne Lindon (França) “Vaurien”, de Peter Dourountzis (França) “Garçon Chiffon”, de Nicolas Maury (França) “Si Le Vent Tombe”, de Nora Martirosyan (Armênia) “On the Route for the Billion”, de Dieudo Hamadi (Congo) “9 Days at Raqqa”, de Xavier de Lauzanne (França) “Antoinette in the Cévènnes”, de Caroline Vignal (França) “Les Deux Alfred”, de Bruno Podalydès (França) “Un Triomphe”, de Emmanuel Courcol (França) “Les Discours”, de Laurent Tirard (França) “L’Origine du Monde”, de Laurent Lafitte (França) “Flee”, de Jonas Poher Rasmussen (Dinamarca) “Septet: The Story of Hong Kong”, de Ann Hui, Johnnie To, Hark Tsui, Sammo Hung, Woo-Ping Yuen & Patrick Tam (Hong Kong) “El Olvido Que Seremos”, de Fernando Trueba (Espanha) “In the Dust”, de Sharunas Bartas (Lituânia) “The Real Thing”, de Kôji Fukada (Japão) “Souad”, de Ayten Amin (Egito) “February”, de Kamen Kalev (Bulgária) “Beginning”, de Déa Kulumbegashvili (Grécia) “Striding Into the Wind”, de Shujun Wei (China) “The Death of Cinema and My Father Too”, de Dani Rosenberg (Israel) “Josep”, de Aurel (França)
Maria Alice Vergueiro (1935 – 2020)
A atriz, professora e diretora Maria Alice Vergueiro morreu nesta quarta (3/6) em São Paulo, aos 85 anos, após ser internada no Hospital das Clínicas, há uma semana, com forte insuficiência respiratória, um quadro de pneumonia e suspeita de covid-19. Considerada uma das grandes damas do teatro moderno e da contracultura brasileira, Vergueiro estrelou mais de 60 peças, filmes e produções televisivas. Além de seu trabalho em clássicos do palco brasileiro, do Teatro de Arena, sob a direção de Augusto Boal, passando pelo Oficina, de José Celso Martinez Corrêa, e até o Teatro do Ornitorrinco, do qual foi uma das fundadoras, ela ficou conhecida por viralizar num dos primeiros vídeos disseminados pela internet no Brasil, o célebre “Tapa na Pantera”, de 2006, no qual interpretava uma senhora maconheira. Feito por três estudantes de cinema — um deles, Esmir Filho, lançou-se cineasta com “Os Famosos e Os Duendes da Morte”, vencedor do Festival do Rio de 2009 – “Tapa na Pantera” foi parar no YouTube sem querer, sem a permissão dos autores, e se tornou o primeiro fenômeno brasileiro viral. Ela também participou de filmes emblemáticos do cinema nacional, dentre eles três longas de Sergio Bianchi, “Maldita Coincidência” (1979), “Romance” (1988) e “Cronicamente Inviável” (2000). Estrelou ainda a adaptação de “O Rei da Vela” (1983), clássico teatral dirigido por José Celso, além de “O Corpo” (1991) de José Antonio Garcia, “Perfume de Gardênia” (1992), de Guilherme de Almeida Prado, “A Grande Noitada” (1997) de Denoy de Oliveira, “Quanto Dura o Amor?” (2009) de Roberto Moreira, e “Topografia de Um Desnudo” (2009) de Teresa Aguiar. Maria Alice fez até novelas. Em 1987, ela interpretou Lucrécia, em “Sassaricando”. Em 2003, a atriz descobriu que sofria de Parkinson, uma doença degenerativa do sistema nervoso central. Mas não parou de atuar. Seu último trabalho na televisão foi em 2016, quando interpretou uma síndica maconheira em “Condomínio Jaqueline”, e seu último filme foi o o recente “Vergel” (2017) de Kris Niklison. Em 2018, ela ainda se tornou tema de documentário – “Górgona”, que fez um apanhado de sua vida e obra.
O Último Cine Drive-In: Cinema retratado no filme de 2015 lidera bilheterias na pandemia
Um cinema bem conhecido dos cinéfilos brasileiros, que serviu de cenário e batizou o filme “O Último Cine Drive-In” (2015), virou o maior vendedor de ingressos de cinema no país durante a pandemia de covid-19. O Cine Drive-In Brasília recebeu 3,1 mil pessoas no último fim de semana na capital federal, o que rendeu mais de 80% de toda a bilheteria do período no Brasil. Premiado nos festivais de Gramado e do Rio, “O Último Cine Drive-In”, do diretor Iberê Camargo, tinha como pano de fundo a decadência desse tipo de cinema, que por suas características típicas teve o destino virado do avesso pelo surto de coronavírus, tornando-se a principal alternativa de projeção cinematográfica por suas características de distanciamento social. Não por coincidência, os outros poucos cinemas abertos no fim de semana também são de estilo drive-in, em que os espectadores assistem exibições ao ar livre sem sair de seus carros. Segundo apuração do site Cine B, o Cinesystem Litoral Plaza Drive-In, de Praia Grande, no litoral paulista, foi o segundo cinema que mais futurou no fim de semana, seguido pelo Cine Globo Santa Rosa, no interior do Rio Grande do Sul. O filme mais visto nesses cinemas foi “Jumanji: Próxima fase”, que vendeu 1,2 mil ingressos e arrecadou R$ 24,6 mil no Cine Drive-In Brasília, virando o líder da bilheteria nacional no fim de semana. O blockbuster estrelado por Dwayne Johnson e Jack Black, que estreou dia 16 de janeiro no Brasil, foi seguido no ranking por “Era uma Vez em… Hollywood” (R$ 21,4 mil) e “Uma Aventura Lego 2” (R$ 20,4 mil), ambos também em cartaz no Cine Drive-In Brasília. O Filme B ainda informou que dois novos cinemas drive-in foram abertos no último domingo, mas sem divulgação de bilheteria: o Cineprime Drive-In, no Parque Agrícola Pastoril, em Uruguaiana (RS), e o Cineplus Drive-in, no Shopping Castello, em Curitiba (PR). E outros devem ser inaugurados em breve, inclusive uma competição para o Cine Drive-In Brasília, prevista para junho no estacionamento do Taguatinga Shopping, em Brasília. Para completar, o festival Cine-PE, de Recife, informou que deve acontecer num esquema de drive-in, entre 24 a 30 de agosto. Popularizados nos anos 1950 e em decadência desde os 1970, os drive-in também ganharam força nos EUA como alternativa durante a pandemia. Recentemente, “O Último Cine Drive-In” venceu uma eleição entre assinantes da Netflix para ser incorporado ao catálogo mundial da plataforma.
Vida de Zeca Pagodinho vai virar filme
A vida e a carreira de Zeca Pagodinho serão transformadas em filme, com produção de Roberto Faustino (“A Hora e a Vez de Augusto Matraga”) e Marco Altberg (“Minha Fama de Mau”) e distribuição nos cinemas pela Paris Filmes. Ainda sem diretor e elenco definidos, o longa vai adaptar o livro “Deixa o Samba me Levar”, dos jornalistas Jane Barboza e Leonardo Bruno. A obra retrata momentos emblemáticos da vida do cantor, como a infância no subúrbio carioca e o bullying que sofria por não saber jogar futebol; uma noite na prisão depois de cantar num show de Beth Carvalho; e o casamento com a mulher, Monica, cheio de convidados desconhecidos porque o cantor esqueceu num bar no Morro da Providência os convites que levara para entregar a amigos. O filme ainda deverá reconstituir as maiores rodas de samba do Rio de Janeiro — do Cacique de Ramos à Velha Guarda da Portela. Devido à pandemia de coronavírus, a produção ainda não tem data para começar a ser filmada, muito menos previsão de lançamento.
Chatô – O Rei do Brasil e Socorro Virei uma Garota são premiados em festival de cinema da Rússia
O filme “Chatô – O Rei do Brasil”, dirigido por Guilherme Fontes, venceu o Prêmio de Ouro do Festival de Cinema Echo Brics, na Rússia, voltado a produções cinematográficas do bloco conhecido como Brics – sigla de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (em inglês, South Africa). O longa brasileiro dividiu o prêmio máximo do festival com o russo “The Victory will be My Gift to You”, de Arsen Agadzhanyan. Mas não foi o único representante nacional premiado. A comédia “Socorro Virei uma Garota”, de Leandro Neri, ficou com o Prêmio de Prata, o segundo lugar da premiação, também empatado com outro título, o drama indiano “The Last Color”, do estreante Vikas Khanna. Nenhum dos concorrentes era exatamente novo, devido ao critério de inscrição, que permite a participação de títulos lançados nos últimos cinco anos. Também há limites para a quantidade de títulos que podem concorrer por cada país. Afinal, os filmes dos demais Brics raramente chegam na Rússia, tornando o evento uma espécie de première russa dos candidatos. Embora a maioria dos inscritos tivesse sido lançada no ano passado, “Chatô – O Rei do Brasil” era justamente o longa mais antigo, com estreia oficial em 2015, mas com uma trajetória de duas décadas de produção. A cinebiografia de Assis Chateaubriand quase virou lenda na história do cinema nacional por ter demorado 20 anos para ser concluída, desde que Guilherme Fontes começou a produzir o projeto, em 1995. O diretor foi acusado de irregularidade no uso de dinheiro público pela demora em concluir o filme, que a certa altura parecia não existir, chegando a ser multado em R$ 66,2 milhões. Mas a estreia no fim de 2015 mudou tudo. Elogiado pela crítica, isentado pelo Tribunal de Contas da União e bastante premiado, “Chatô” conseguiu um epílogo digno da mitologia que cerca sua produção. Diante da covid-19, o evento deste ano não foi aberto ao público em Moscou e os integrantes do júri assistiram aos longas-metragens concorrentes cada um em sua casa, para depois votar naqueles que consideravam os melhores.
Festival Cine PE vai acontecer em cinema drive-in
O festival Cine PE anunciou que a sua edição de 2020 vai acontecer em agosto, com sessões adaptadas às restrições impostas pela epidemia de coronavírus. A maior adaptação vai se dar no local em que os filmes serão exibidos. Em vez do tradicional Cinema São Luis, que costuma reunir o maior público de festivais do Brasil, as projeções vão acontecer num drive-in, com os espectadores isolados dentro de seus carros para assistir aos filmes, com “regras criteriosas de segurança”, segundo comunicado enviado à imprensa. O evento de Recife, que será realizado pela 24ª vez, também terá exibições online. Os detalhes sobre o funcionamento das sessões, assim como a programação, ainda não foram divulgados. Apenas as datas: entre 24 a 30 de agosto. Inicialmente, o Cine PE estava marcado para acontecer de 25 a 31 de maio. “Diante de novas considerações que puderam ser extraídas da crise atual, o Cine PE 2020 levará em conta algumas tendências observadas, no que tange aos aspectos da mobilização de público e suas relações possíveis com novos hábitos e costumes. Assim, por força da necessidade de adaptação, tais esforços consideram a revisão de critérios que alteram o estilo convencional do que seja um modelo de festival de cinema, numa adequação às tendências comportamentais do momento”, escrevem os organizadores. “Desse modo, o Cine PE se mostra atento às inovações que abraçam as ações virtuais, em total respeito às preferências de quem ainda não se sente seguro em participar na forma tradicional das relações sociais.” Até os seminários e oficinas serão um “mix de modelo menos presencial e mais virtual”. Mas, novamente, não foram fornecidos maiores detalhes. Em 2019, o filme vencedor do Cine PE foi o documentário “Espero tua (re)volta”, de Eliza Capai, sobre a história das lutas estudantis no Brasil.
Telecine passa a exibir um filme por semana de graça no YouTube
O Telecine lança nesta quinta (14/5) um nova faixa de filmes, com exibição ao vivo e gratuita no YouTube. Batizado de “Sessão Fique em Casa”, o programa apresentará um filme por semana, com transmissão sempre às quintas às 21h, simultaneamente no Youtube, no Telecine Pipoca e no canal do cliente das operadoras de TV por assinatura. O primeiro filme exibido será “De Pernas Pro Ar 3”, um dos maiores sucessos recentes do cinema nacional, estrelado por Ingrid Guimarães. O longa-metragem, disponibilizado em parceria com as distribuidoras Paris Filmes e Downtown Filmes, já foi visto mais de 500 mil vezes no streaming do Telecine. A exibição será apresentada por Renata Boldrini e incentivará doações para a plataforma Para Quem Doar, iniciativa do Grupo Globo que conecta doadores a quem está trabalhando para combater os impactos do coronavírus no país. Os próximos filmes da “Sessão Fique em Casa” serão escolhidos entre os mais vistos pelos brasileiros na plataforma de streaming do Telecine durante o período de isolamento social. O detalhe é que as comédias estão entre as produções mais assistidas, seguidas por filmes de ação e animações infantis. A programação pode ser conferida em fiqueemcasa.telecine.com.br.












