Série baseada no filme Expresso do Amanhã é renovada antes da estreia
A série sci-fi “Snowpiercer”, baseada no filme de mesmo nome, lançado no Brasil como “Expresso do Amanhã”, foi renovada para sua 2ª temporada. Detalhe: a série ainda nem tem data de estreia conhecida. A renovação foi acompanhada por uma mudança de emissora. Originalmente encomendada pelo canal pago TNT, a série vai passar agora no TBS nos Estados Unidos. Curiosamente, o TBS era um canal pago especializado em comédias. “Snowpiercer” será a primeira atração original dramática de sua programação. A iniciativa partiu da nova chefia da divisão televisiva da (agora) WarnerMedia, que pretende diminuir as diferenças entre TBS e TNT, os dois canais de séries da Turner. A médio prazo, o objetivo é estimular a produção de mais séries, que seriam exploradas pela plataforma de streaming que a Warner pretende lançar até o final do ano. A curto prazo, isso pode confundir o público e levar ao cancelamento de séries. Mas se a estratégia der certo, a longo prazo a consequência pode ser o fechamento de um dos canais, já que, sem identidade distinta, ficarão redundantes. O anúncio da renovação vem após quatro anos (isto mesmo, quatro anos!) da encomenda do piloto inicial de “Snowpiercer”. E reflete positivamente sobre o conteúdo – que permanece inédito – , após várias notícias de problemas de bastidores. Além da demora em sua produção, a série teve seu criador demitido após ser aprovada. Josh Friedman (“O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor”) se desentendeu com os executivos da TNT sobre os rumos da atração e foi substituído por Graeme Mason (co-criador de “Orphan Black”) em janeiro do ano passado. O caos se instalou de vez quando o diretor Scott Derrickson (de “Doutor Estranho”) pediu demissão em seguida, recusando-se a refazer o piloto escrito por Friedman, seguindo novas orientações de Mason. A premissa da série pós-apocalíptica é a mesma do filme do cineasta sul-coreano Bong Joon Ho, por sua vez baseado em quadrinhos franceses de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette. A trama se passa em 2031, após uma nova Era do Gelo erradicar quase toda a vida na Terra. Os últimos sobreviventes da humanidade vivem num trem Perfurador de Neve, que usa o próprio movimento do trem sobre os trilhos para gerar energia. O problema é que, dentro do veículo, há um sistema de classes sociais que acumula tensões e deflagra uma revolução. O grande elenco da adaptação inclui Jennifer Connelly (“Noé”), Mickey Sumner (“Mistress America”), Daveed Diggs (série “The Get Down”), Annalise Basso (“Ouija: A Origem do Mal”), Sasha Frolova (“Operação Red Sparrow”), Hiro Kanagawa (série “The Man in the High Castle”), Susan Park (série “Vice-Principals”), Ryan Robbins (série “Continuum”), Roberto Urbina (série “Narcos”), Jonathan Walker (“A Coisa”) e Alison Wright (série “The Americans”). Até o momento, nenhuma imagem da produção foi revelada. Mesmo assim, a expectativa é que a série estreie durante o verão norte-americano (entre junho e agosto).
TBS renova as séries de comédia de Daniel Radcliffe e Tracy Morgan
O canal norte-americano TBS anunciou a renovação das séries “Miracle Workers” e “The Last O.G.” para novas temporadas. A comédia “Miracle Workers”, estrelada por Daniel Radcliffe (o “Harry Potter”) e Steve Buscemi (“Boardwalk Empire”), ganha sua 2ª temporada, enquanto “The Last O.G.”, comédia com Tracy Morgan (“30 Rock”) e Tiffany Haddish (“Viagem das Garotas”), foi renovada para sua 3ª temporada. Criada por Simon Rich (ex-roteirista do humorístico “Saturday Night Live”, que também criou a série de comédia romântica “Man Seeking Woman”), “Miracle Workers” traz Daniel Radcliffe como um anjo idealista determinado a salvar o mundo, a partir do negligenciado departamento das Preces Atendidas. O problema é que a burocracia celestial é tanta que só mesmo um milagre pode salvar o mundo. Mas o patrão de Daniel, também chamado de Deus (Buscemi), está mais inclinado a abrir um novo restaurante. Ou acabar com a vida na Terra. Não necessariamente nesta ordem. Sem saber o que fazer, cabe ao anjo lutar pela humanidade. A trama da 2ª temporada se passará na época medieval, acompanhando um grupo de aldeões “tentando permanecer positivo em uma era de desigualdade e fake news”, informou a emissora. Já “The Last O.G.” mostra Tracy Morgan tendo seu momento de Kimmy Schmidt, ao sair da prisão após 15 anos e se deparando com um mundo completamente diferente do que ele lembrava. O bairro do Brooklyn não é mais pobre, gays estão nas ruas que eram barra-pesada, sua antiga namorada agora namora um branco e ele tem filhos que não conhecia. A série foi desenvolvida pelo cineasta Jordan Peele (“Corra!”) e o roteirista John Carcieri (de “Vice Principals”).
Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 ganha novo trailer dublado e coleção de pôsteres
A Illumination divulgou uma coleção de pôsteres e um trailer dublado em português de “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2”, sequência da animação de sucesso de 2016. A prévia revela duas histórias diferentes, uma passada no campo e outra na cidade, que devem se entrelaçar no longa. Quem vai parar no campo é o cachorrinho Max, que aprende a ser destemido com um novo e inspirador personagem, o cachorrão Rooster. Enquanto isso, outra personagem estreante, a cadela Daisy, pede ajuda ao coelho esquizofrênico Bola de Neve, que agora acha que é um super-herói. Mas ele não é o único que enfrenta problema de identidade; a cachorrinha Gidget acha que é uma gata. Fenômeno de bilheterias, o primeiro filme registrou o recorde de maior estreia de animação original na América do Norte e faturou US$ 875,4 milhões em todo o mundo. Quase todo o elenco de dubladores originais retorna na sequência – Jenny Slate (“Hotel Artemis”) como Gidget, Lake Bell (“De Volta para Casa”) com Chole, Kevin Hart (“Jumanji: Bem-Vindo à Selva”) como Bola de Neve, Eric Stonestreet (série “Modern Family”) como Duke, além de Ellie Kemper (série “Unbreakable Kimmy Schmidt”), Bobby Moynihan (humorístico “Saturday Night Live”), Hannibal Buress (série “Broad City”) e Albert Brooks (“O Ano Mais Violento”). A exceção é Louis CK (série “Louie”), que foi substituído pelo humorista Patton Oswalt (“A.P. Bio”) no papel de Max. O dublador original foi demitido da continuação após ser denunciado por abusos sexuais. Os novatos também incluem Harrison Ford (“Star Wars: O Despertar da Força”) como voz de Rooster e Tiffany Haddish (“Viagem das Garotas”) como Daisy. No Brasil, o primeiro longa foi exibido com dublagens de Danton Mello (“Vai que Dá Certo 2”) como Max, Tatá Werneck (“Vai que Cola”) como Gigi (Gidget), Luis Miranda (“Que Horas Ela Volta?”) como Bola de Neve e Tiago Abravanel (“Amor em Sampa”) como Duke. A maior novidade nacional na continuação é a entrada de Dani Calabresa (“Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro”) como voz de Daisy. “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” também repete diretor e roteirista do primeiro filme, respectivamente Chris Renaud e Brian Lynch, e tem estreia prevista para 27 de junho no Brasil, 20 dias após o lançamento nos Estados Unidos.
Vídeos de Aladdin destacam música de Will Smith e influência de Game of Thrones
A Disney abriu as comportas, divulgando vários vídeos de “Aladdin”. Tantos, que foi necessário relevar os comerciais para destacar os bastidores da produção e uma cena inédita. A cena mostra Will Smith cantando “Prince Ali”, durante a chegada – ou seria desfile de carnaval? – de Aladdin em sua versão Príncipe. Já os vídeos de bastidores trazem várias entrevistas e cenas das filmagens, fazendo muitas revelações, entre elas que as filmagens aconteceram na Jordânia e que a cenografista Gemma Jackson usou sua experiência em “Game of Thrones” como influência para conceber a cidade de Agrabah, em se passa a maior parte da ação. Além de Will Smith como o Gênio da Lâmpada, o elenco inclui o pouco conhecido Mena Massoud (da série “Jack Ryan”) como protagonista, Naomi Scott (de “Power Rangers”) como a Princesa Jasmim e Marwan Kenzari (“A Múmia”) como o vilão Jafar. Com direção de Guy Ritchie (“Rei Arthur: A Lenda da Espada”), “Aladdin” estreia em 23 de maio no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
James Wan vai produzir nova série baseada em quadrinhos do autor de Kingsman
A Netflix oficializou a produção da série “The Magic Order”, baseado em sua primeira publicação oficial de quadrinhos. Lançada pela plataforma de streaming no ano passado, “The Magic Order” foi criada por Mark Millar, autor das franquias “Kick-Ass” e “Kingsman”. A adaptação como série está a cargo do cineasta James Wan (de “Aquaman”) e da roteirista Lindsey Beer (“Sierra Burger É uma Loser”). Além de produzir, Wan também deve dirigir o primeiro episódio da trama, descrita pelo criador como uma espécie de “encontro de Harry Potter com os Sopranos”. O projeto faz parte dos planos da Netflix para gerar mais conteúdo exclusivo, que passou pela compra estratégica da Millarworld, a empresa de quadrinhos de Mark Millar. A Netflix passou a publicar os novos quadrinhos de Millar com o objetivo assumido de adaptá-los posteriormente para a plataforma. A trama original tem seis edições e mostra, com desenhos de Olivier Coipel, a trajetória de cinco famílias de mágicos que passaram gerações tentando proteger a humanidade, todos vivendo de forma normal e sem chamar atenção. Até que surge um novo e misterioso vilão, que passa a matar os integrantes das famílias poderosas. “Minha ideia com ‘The Magic Order’ foi mostrar uma sociedade secreta de bruxos bons que combatem todas as coisas ruins há centenas de séculos, mas que vivem discretamente com seus empregos de colarinho branco e suas vidas domésticas ordinárias”, disse Millar, em entrevista à revista Entertainment Weekly. “Eles têm essa vida secreta, mas para o restante são completamente normais, o que é uma ideia mais de um ‘Sopranos’ do que ‘O Senhor dos Anéis'”, completou. Ainda não há cronograma de produção nem previsão de estreia para a série.
HBO americana adquire a animação brasileira Lino
O canal pago americano HBO adquiriu os direitos de exibição do longa brasileiro de animação “Lino: Uma Aventura de Sete Vidas”. O filme, originalmente dublado por Selton Mello, até já ganhou um trailer com vozes em inglês para ser exibido nos Estados Unidos. “Lino” conta a história do rapaz mais azarado do mundo, que sofre o tempo inteiro, seja nos acidentes que acontecem em sua casa, seja no trabalho, como animador fantasiado de buffet infantil. Querendo mudar sua sorte, ele recorre a um suposto mago, que acaba complicando ainda mais sua vida, ao transformá-lo justamente na fantasia do gato gigante que serve de saco de pancadas das crianças. Lino vira um “monstro”, conforme ele próprio descreve. Lançado em setembro de 2017 no Brasil, o filme dirigido por Rafael Ribas se tornou a animação mais bem-sucedida do país, com mais de R$ 4,3 milhões de arrecadação. Mas o sucesso não se resumiu ao mercado nacional. “Lino” virou fenômeno no México, onde estreou em 400 salas, e teve tratamento de blockbuster na Rússia, com exibição em 1,2 mil salas. Lotou, ainda, cinemas na França, Alemanha, Espanha, Itália e Coréia do Sul, e agora também fechou distribuição mínima de 50 salas para o Canadá. Orçado em US$ 7 milhões, o que é considerado troco de boteco para os estúdios americanos de animação, “Lino” foi produzido pela Fox International Productions e pela produtora brasileira StartAnima. O trailer em inglês pode ser visto neste link.
Veja o trailer de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, filme de Karim Aïnouz selecionado pelo Festival de Cannes
A agencia alemã The Match Factory divulgou o primeiro trailer de “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, drama de Karim Aïnouz, que faz parte da programação do Festival de Cannes. A prévia é extensa e conta boa parte da história, um melodrama de época sobre duas irmãs. A adaptação do livro best-seller de Martha Batalha acompanha Eurídice e Guida, duas irmãs jovens e inseparáveis que enfrentam os pais conservadores no Rio de Janeiro dos anos 1950 para realizar seus sonhos: Eurídice quer ser pianista na Áustria e Guida quer ir atrás de seu amor na Grécia. Nada sai como planejado. O elenco conta com Carol Duarte (“O Sétimo Guardião”) e Julia Stockler (série “Só Garotas”) como protagonistas, além de Gregório Duvivier (“Desculpe o Transtorno”), Nikolas Antunes (“Ilha de Ferro”), Flavio Bauraqui (“Impuros”) e Fernanda Montenegro (“Infância”) como a versão madura da personagem do título. Sétimo longa-metragem de ficção de Aïnouz, “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” tem estreia mundial no festival francês na próxima segunda (20/5), na tradicional mostra Un Certain Regard, a mesma que lançou, em 2001, “Madame Satã”, primeiro longa do diretor cearense.
Detalhes do final de Game of Thrones vazam na internet – e decepcionam os fãs
Um dos episódios mais esperados da história da televisão teve seu enredo vazado em detalhes. O final de “Game of Thrones” foi descrito em todas as suas reviravoltas na plataforma Reddit por um usuário que acertou, com antecipação, tudo o que aconteceu no episódio anterior. Foi a terceira vez que o enredo do capítulo final apareceu no fórum. A primeira versão foi postada há nove meses e a segunda há quatro meses. Agora, retornou há uma semana, antes de “The Bells”, o penúltimo capítulo, ser exibido pela HBO. E há uma consistência perturbadora em todos os spoilers. Os moderadores do fórum chegaram a apagar a mensagem recente, mas ela foi copiada e amplamente divulgada, especialmente após a postagem antecipar com acerto a trama de “The Bells” – o que tem convencido muitos de que a descrição é verídica. Quem leu, lamentou ter lido. Não por tirar a graça das surpresas do capítulo. Mas justamente por causa das surpresas. Veja abaixo alguns comentários do público americano, que podem ser encontrados na internet – resumidos e editados para evitar spoilers. “Se esse vazamento se tornar verdade, então ‘Game of Thrones’ perdeu seu título de ‘maior série de todos os tempos'”. “Praticamente todos os detalhes do episódio foram dados e é realmente muito ruim”. “Benioff e Weiss (os roteiristas) devem ser presos e processados por crimes contra a humanidade”. “Sério, como a série poderia ter dado tão errado? Como?!” “A reação negativa vai ser feroz se os spoilers estiverem corretos”. “‘Game of Thrones’ fazer algo inesperado é normal, mas não quando isso parece vir do nada e sem a menor preparação”. “É provavelmente o fim dos livros, mas muitos elementos dos livros não foram incluídos na série, então o que acontece faz pouco sentido sem o contexto que realmente não existe”. “Eu me sinto péssima pelos atores e especialmente pelas crianças que cresceram durante a série e agora tem que enfrentar a ira das redes sociais. Principalmente por quem vai virar o alvo de ódio de todos os fãs”.
Arnold Schwarzenegger é atacado com golpe violento durante evento
O astro Arnold Schwarzenegger sofreu um ataque violento durante um evento na África do Sul nesta sexta (18/5). Ele falava com fãs e tirava fotos, quando foi surpreendido por um chute pelas costas, de um homem que veio correndo e saltou com os dois pés voltados para o ator. O golpe voador balançou o veterano ator, que tem 72 anos. Ele fez cara de assustado, mas não caiu. Imediatamente após a agressão, um homem partiu para imobilizar o agressor, que foi detido. Segundo o site TMZ, que postou um vídeo do ataque, Schwarzenegger considera prestar queixa, mas ainda não se sabe se o agressor sofrerá alguma punição pelo ato. Ele afirmou que está bem, e que só percebeu que foi um chute que levou quando assistiu ao vídeo. “Obrigado por suas preocupações, mas não há nada para se preocupar”, Schwarzenegger tuitou após o incidente. “Eu pensei que estava apenas sendo empurrado pela multidão, o que acontece muito. Eu só percebi que fui chutado quando vi o vídeo como todos vocês. Estou feliz que o idiota não tenha interrompido o meu Snapchat”, disse. Ele também postou outro ângulo do vídeo em seu Twitter, sugerindo que as pessoas compartilhassem aquele, que não dá tanto destaque ao agressor – e mostra melhor a reação do ator. E ainda pediu para seus seguidores o ajudarem a decidir se deveria abrir a queixa crime. Veja abaixo. Schwarzenegger está na África do Sul para o evento que leva seu nome, o Arnold Classic, que teve uma edição recente no Brasil. And if you have to share the video (I get it), pick a blurry one without whatever he was yelling so he doesn’t get the spotlight. By the way… block or charge? pic.twitter.com/TEmFRCZPEA — Arnold (@Schwarzenegger) May 18, 2019
A Espiã Vermelha simplifica questões profundas com romantismo de época
Quando se fala de espionagem, a ideia imediatamente associada a ela é a de traição. Traição a seu país, à sua causa política, aos seus companheiros de trabalho ou militância, a seus amores, amigos, familiares. Mas o mundo é complexo e muitos elementos entram nessa equação. Por exemplo, num tempo de guerra, há alianças. Será correto que um país aliado esconda informações essenciais do outro? A lealdade a um país não poderia ser um entrave ao equilíbrio necessário para reconquistar a paz mundial? No terreno das relações pessoais, como amar e se dedicar a alguém que professa teses arriscadas, que soam parciais ou manipuladas? Enfim, é possível e desejável dormir com o inimigo? É justo excluir amigos e familiares de informações que podem colocá-los em risco? Por outro lado, deixá-los na ignorância pode ser uma forma de protegê-los? E aos companheiros de militância política ou científica é possível omitir ou compartilhar dados sigilosos? Em que medida e com que objetivo? Todas essas questões perpassam a leitura do romance “A Espiã Vermelha” (Red Joan), de Jennie Rooney, uma criação inspirada em fatos e personagens reais da história, no Reino Unido, no período que antecedeu a 2ª Guerra Mundial, passou por toda a conflagração e continuou após a bomba atômica, em Hiroshima, e a vitória dos aliados ocidentais e da União Soviética. A personagem da espiã Joan Stanley é complexa e cheia de nuances, sentimentos, valores, lealdades pessoais e políticas. É inspirada livremente na espiã britânica Melita Norwood, que agiu municiando a União Soviética de informações sigilosas. Só foi descoberta 50 anos após, quando já contava com 87 anos de idade, levando uma vida calma e tranquila nos subúrbios londrinos, viúva e com um filho advogado. O filme homônimo, de Trevor Nunn, adapta essa história surpreendente e atraente, respeitando a proposta do livro, mas reduzindo significativamente o impacto político e a força que esse envolvimento tem na vida da personagem principal e de seus contatos mais importantes. O comunismo como ideia-força dessa juventude retratada, o papel heroico e ambíguo de Stalin na guerra (haja visto o pacto de não-agressão firmado com Hitler), a opressão que se seguiu, assim como o papel do Reino Unido como aliado preferencial dos norte-americanos, porém, reticente em relação aos soviéticos, o rompimento do que restava do pacto civilizatório com o ataque brutal da bomba em Hiroshima e Nagasaki e o desequilíbrio do mundo com a emergência da superpotência dos Estados Unidos, tiveram um papel de fundamental relevo na trama. Isto é claro no livro, mas tímido no filme. Os elementos românticos da narrativa são mais explorados pelo filme do que talvez fosse necessário. Parece que houve uma preocupação de tornar mais palatável ao grande público uma trama que deixasse a contextualização política num plano mais geral, sem entrar em muitos detalhes. No entanto, a espionagem em si é apenas um elemento do sentimento político reinante naquele período da história. Não é o centro dela, embora seja o elemento detonador que une o presente ao passado. Evidentemente, o nome da grande atriz inglesa Judi Dench, que faz Joan idosa nos dias atuais, vai atrair o público aos cinemas. Seu papel, porém, é relativamente pequeno, já que o maior tempo é dedicado ao relembrar do passado que está sub judice da Joan jovem, papel de Sophie Cookson, que está bem, mas não passa a densidade política que a personagem precisaria ter. O elenco como conjunto é muito bom, a produção é bem cuidada, a caracterização de época é ótima, oferecendo um programa cinematográfico de boa qualidade. Mas o livro que inspirou o filme, lançado pela editora Record, aprofunda questões que “A Espiã Vermelha”, no cinema, não conseguiu explorar suficientemente.
Varda por Agnès é filme-testamento de uma artista imensa
Agnès Varda (1928-2019) foi uma das maiores diretoras do cinema, em toda a sua história de mais de 120 anos. Considerada precursora da nouvelle vague, pelo filme “Le Pointe Courte”, em 1954, participou desse período muito especial do cinema francês, que deixou frutos permanentes até hoje, ao lado de seu marido Jacques Demy (1931-1990), François Truffaut (1932-1984), Jean-Luc Godard (nascido em 1930), Alain Resnais (1922-2014), Eric Rohmer (1920-2010), Jacques Rivette (1928-2016), Claude Chabrol (1930-2010), Louis Malle (1932-1995) e outros. Como se vê, um time de peso, que tem nessa mulher feminista, preocupada com as causas sociais, um de seus maiores destaques, como cineasta e multiartista. Ela realizou seu último filme, este “Varda por Agnès”, pouco antes de falecer, aos 90 anos. Está sendo lançado agora, postumamente. Quando um cineasta importante morre, costumamos buscar na sua obra, sobretudo nas produções finais, um filme-testamento, aquele que serviria de síntese ou deixasse a marca definitiva de seu trabalho. No caso de Varda, ela mesma se encarregou de fazer seu testamento artístico, por meio de um balanço pessoal de seu legado cinematográfico, ao abordar seus filmes que obtiveram maior destaque, já que sua obra é grande demais para ser toda lembrada. Foram 64 anos de dedicação ao cinema. Em “Varda por Agnès”, ela expõe os três pilares do seu fazer cinematográfico: a inspiração, a criação e o compartilhar. E comenta o início de sua trajetória com “Le Pointe Courte”, fala de “Cleo das 5 às 7” (1962), que se detém em duas horas de perambulação de uma mulher jovem por Paris, enquanto aguarda o resultado de um exame para saber se tem ou não câncer. Passa por “As Duas Faces da Felicidade” (Le Bonheur, 1965), que mexeu com os valores da época de forma suave mas firme, ao questionar a possibilidade de amor simultâneo por duas pessoas. Comenta os trabalhos dedicados a Demy, o grande amor de sua vida, com quem viveu de 1962 até sua morte, em 1990. “Jacquot de Nantes” (1990) trata das recordações de infância e “O Universo de Jacques Demy” (1993), da obra dele, que ela trabalhou bastante para restaurar e preservar. Trata também do belo filme de ficção que fez em 1985, “Os Rejeitados” ou “Sem Teto Nem Lei”, de “Jane B. por Agnès” (1987), dos magníficos documentários “Os Catadores e Eu” (2002), “As Praias de Agnès” (2008) e “Visages Villages” (2017), de outros trabalhos na fotografia, nas artes plásticas, com instalações muito criativas, inclusive uma casa feita de películas de filmes. Enfim, ela expõe com simplicidade e consciência do que fez, uma obra artística monumental. Não por acaso, ela recebeu, em 2015, a Palma de Ouro honorária do Festival de Cannes e também o Oscar honorário, em 2017, ambas premiações pelo conjunto da obra. Agnès Varda deixa um grande legado para a história do cinema, que merece ser visto e revisto, concluído por esse trabalho-testamento, que chega em boa hora aos nossos cinemas. “Varda por Agnès” é um filme obrigatório para quem gosta de cinema e para quem quer conhecer mais dessa senhora cineasta, pequena no tamanho, imensa na arte.
Longa Jornada Noite Adentro é cinema de sonho
O cinema é a forma de arte com maior capacidade de se aproximar do sonho, embora nem todos consigam trabalhar de maneira satisfatória com o onirismo no cinema. Ao falar de sonho lembra-se de Luis Buñuel, de David Lynch, de Alejandro Jodorowsky, de Alain Resnais, de Andrei Tarkovski, de Ingmar Bergman. São poucos, na verdade, os cineastas que conseguem transformar o cinema em matéria onírica. Eis que do cinema chinês, que atualmente vem tratando mais de questões sociais e políticas em seus dramas, surge o jovem cineasta Gan Bi e seu impressionante “Longa Jornada Noite Adentro”, que pega emprestado o título da peça de Eugene O’Neill, embora não guarde muita relação. O título é explicativo quando entramos na segunda metade do filme, que usa um longo plano-sequência para nos levar para uma jornada noturna em busca de uma mulher. Por mais que a primeira parte seja hermética e por vezes confusa, uma vez que passamos por ela, somos tragados por uma das mais fascinantes viagens já mostradas pelo cinema. A primeira parte lida com o tempo escorregadio e o caráter vago da memória. A memória de quase duas décadas, quando o protagonista Luo Hongwu (Jue Huang) conheceu uma mulher misteriosa, Wan Qiwen (a bela Wei Tang, de “Desejo e Perigo”). Fragmentos de memória parecem se juntar à imagens de ficção ou de sonhos, como que de um filme visto por Hongwu que talvez tenha se misturado às lembranças. Em entrevista, Gan Bi disse que sempre se sentiu em perigo durante as filmagens, como se ele estivesse prestes a destruir o filme, a fazer alguma decisão errada, ou a destruir a si mesmo. Algo parecido pode ser refletido no espectador, como uma espécie de angústia, ao mesmo tempo em que a sensação de se perder na noite é extremamente excitante. É como saber que se está em um sonho, mas que aquele espaço/tempo é o único possível para que o encontro daquele homem com a mulher de sua vida seja materializado. Embora a palavra matéria não seja exatamente algo que se possa pensar de uma obra tão pouco tangível. Lembrar do filme e dessas sensações que ele provoca é aumentar ainda mais o amor, o respeito e o fascínio por essa maravilha sombria e romântica, lindamente orquestrada por um cineasta que, em seu segundo longa-metragem, mostra um virtuosismo impressionante. O que dizer da cena do pingue-pongue com o garoto na mina? E da raquete mágica? E a do encontro com a garota da sinuca? E a conversa com a mulher da tocha? São cenas tão cheias de elementos oníricos fortes que nos arrebatam como poucos. E ainda por cima há todo um cuidado visual. Há o vestido verde de Wan Qiwen: sempre que a cor aparece nos lembramos dela. Há um cuidado todo especial com cada enquadramento, cores e cenário, mesmo sendo tudo tão sombrio e noturno. Meus amigos, estamos diante de um dos grandes filmes do novo século. Um detalhe curioso da carreira comercial de “Longa Jornada Noite Adentro” é que o filme teve uma campanha de marketing na China semelhante à de um blockbuster (há a utilização de tecnologia 3D na segunda metade em algumas salas, o que ajuda), mas que ocasionou muitas reclamações. Afinal, quem foi ao cinema não estava preparado para um filme de arte. Assim, houve uma saída em peso de pessoas no meio dessas sessões iniciais. Se parte do público foi enganado, nem por isso deixou de ser, ainda que não admita, privilegiado.
A Maldição da Chorona desrespeita a cultura mexicana
Chorona é uma personagem folclórica muito importante para a cultura mexicana. Sua história foi contada oralmente através dos séculos e sofreu diversas alterações com o passar dos anos, ganhando diferentes versões. Uma dessas versões fala de uma mulher do século 17, casada, mãe de dois filhos e aparentemente feliz. Porém, ao descobrir a traição do marido e tomada por um acesso de raiva, ela resolve se vingar da pior maneira possível: matando os filhos deles. Após realizar seu ato de vingança, ela se arrepende e é condenada a passar o resto da eternidade chorando. Segundo a lenda, seu choro pode ser escutado até hoje, especialmente em noites de lua cheia. Embora leve em conta o mesmo nome da lenda, o longa-metragem “A Maldição da Chorona” é desrespeitoso em relação àquele folclore, utilizando-o apenas como pano de fundo para criar um novo subproduto da franquia “Invocação do Mal”. Escrito por Mikki Daughtry e Tobias Iaconis (ambos de “A Cinco Passos de Você”), o filme tem início no ano de 1673, quando vemos uma mulher mexicana afogando seus dois filhos. Depois disso, a trama dá um salto temporal arbitrário de 300 anos e passa a se ambientar na década de 1970, na Califórnia. Passamos, então, a acompanhar a rotina de Anna Tate-Garcia (Linda Cartellini), uma assistente social viúva que precisa batalhar para conseguir cuidar do casal de filhos. Ao investigar um dos seus casos – o de uma mulher de origem mexicana cujos filhos não frequentavam a escola – , ela se depara com uma situação bizarra: a mãe estava escondida dentro do apartamento e mantinha as crianças presas no armário. Ignorando as suplicas da mulher, Anna os liberta. Mas a aparente tortura infantil era, na verdade, um ritual de proteção. Ao libertar as crianças, a protagonista também libertou o mal que os afligia. E não demora para a entidade fantasmagórica direcionar o seu olhar para Anna e sua família. A concentração da trama em torno de uma família americana é um problema moral e cultural de “A Maldição da Chorona”. A lenda é mexicana, mas nem mesmo o nome do diretor (americano) Michael Chaves no comando do longa disfarça a visão estrangeira que impera nessa produção. Nada disso, porém, é novidade. E o problema não reside necessariamente neste etnocentrismo, mas no seu contraponto. Coadjuvantes na sua própria história, os personagens latinos são retratados como versões estereotipadas de uma cultura reduzida a penduricalhos espalhados pela casa e um conhecimento inerentes do oculto. O pior é perceber como os mexicanos são progressivamente eliminados da narrativa (como é o caso do marido de Anna, cujo sobrenome “Garcia” o condena a um destino trágico antes mesmo do início da projeção) ou são vistos como vilões, como os causadores do mal (vide a personagem de Patricia Velasquez). Donald Trump ficaria satisfeito com esse filme, pois parece comprovar a sua teoria a respeito dos “perigos da imigração”. Estruturalmente, o roteiro também é falho. Não existe qualquer explicação para a maldição estar presente naquele contexto. Não sabemos porque ela estava ameaçando a família mexicana e desconhecemos o real motivo que a levou a mãe a trancar seus filhos no armário. Além do mais, algumas das escolhas narratias são mal desenvolvidas e abandonadas em seguida. Em certo momento, por exemplo, é dito que a filha pequena de Anna está sob o feitiço da Chorona e é obrigada a seguir os comandos dela. Isso parece ser esquecido já na cena seguinte, e não é explorado nem quando a Chorona se beneficiaria dessa ajuda incondicional (em vez de ficar procurando pela menina, ela poderia fazê-la vir ao seu encontro). Ainda assim, nada se compara ao momento em que a menina ignora uma instrução clara que visa a sua proteção – e de toda a sua família – para “salvar” a sua boneca que, por sinal, não corria perigo algum. A necessidade de conectar esse filme com o universo de “Invocação do Mal” também se mostra problemática. Inexplorada pela divulgação do longa, essa revelação causa mais estranhamento do que surpresa. A tal ligação com o universo criado por James Wan é feita por meio de um personagem, o padre Perez (Tony Amendola), visto em “Annabelle”, e também em uma cena de flashback, na qual aparece a boneca demoníaca. E só. A inutilidade dessa conexão é tamanha que o próprio padre Perez se afasta da narrativa logo em seguida, e não faz falta. A aproximação entre “A Maldição da Chorona” e “Invocação do Mal” se dá mais na vontade de Chaves em imitar o estilo de James Wan. Isso é perceptível, por exemplo, no plano-sequência que apresenta a família Garcia. Porém, falta ao discípulo a sutileza do mestre de priorizar a tensão, em detrimento do susto. Este é um diferencial do trabalho de James Wan em “Invocação do Mal”. Embora ele sempre opte pelo susto, este vem como uma catarse, um alívio, uma forma de avisar o espectador que o perigo passou, ao menos momentaneamente. Chaves faz o oposto. Incapaz de manter a tensão por muito tempo, ele apela para os sustos fáceis. Com isso, até acerta em alguns jump scares criativos (como aquele envolvendo um guarda-chuvas), mas o excesso acaba por banalizá-los, anestesiando o público. Tecnicamente, o filme também tem problemas. A intenção do diretor de fotografia Michael Burgess (do vindouro “Annabelle 3: De Volta Para Casa”) é mergulhar os seus personagens na escuridão, mas ele pesa a mão na sua escolha, prejudicando a compreensão do que está acontecendo na tela – que, em muitos momentos, vira um borrão escuro. Apesar de todos os problemas, “A Maldição da Chorona” teve bom rendimento nas bilheterias e deu a Chaves o cargo de diretor de “Invocação do Mal 3”, previsto para 2020. Infelizmente, isso não é motivo de celebração.












