Criador do “Arrowverso” assina contrato com a Netflix
Greg Berlanti, criador do “Arrowverso” e produtor com mais séries no ar simultaneamente em todos os tempos, fechou um contrato de exclusividade com a Netflix, centrado na divisão de filmes de sua produtora. Berlanti e sua sócia Sarah Schechter vão desenvolver novos longas com exclusividade para a plataforma de streaming. O acordo não afeta os negócios do produtor com a Warner Bros. Television, avaliados em mais de US$ 400 milhões, mas mostra que a Netflix quer Berlanti em seus quadros. Seu contrato televisivo com a Warner se encerra em dois anos e meio. Ele tem atualmente 14 séries em exibição simultânea nos EUA. O produtor começou a carreira como roteirista de “Dawson’s Creek” em 1999 e fez sua estreia como diretor de cinema no ano seguinte, com “O Clube dos Corações Partidos”. Recentemente, ele voltou ao cinema como diretor de “Com Amor, Simon” (2018), que acabou virando uma série da plataforma Hulu. Após se consolidar como produtor de séries, Berlanti promoveu sua ex-funcionária Sarah Schechter a sócia, aproveitando a experiência cinematográfica prévia dela na Warner Bros., para passar a priorizar novos projetos de filmes. A iniciativa se provou muito bem-sucedida. A produtora Berlanti-Schechter acrescentou rapidamente um portfolio impressionante de projetos, incluindo a comédia “Free Guy – Assumindo o Controle”, como Ryan Reynolds, e o drama “My Policeman”, com Harry Styles, já filmados. A lista inclui ainda mais de uma dezena de produções em andamento para a HBO Max, Fox, New Line, Warner Bros., Focus, Amazon, Netflix, Skydance e Village Roadshow. “Adoramos contar histórias e, nos últimos anos, passamos momentos incríveis contando-as com a equipe televisiva da Netflix e não poderíamos estar mais animados por ter a chance de começar nosso relacionamento com Scott Stuber e sua equipe da divisão de filmes”, disseram Berlanti e Schechter em comunicado. “Mal podemos esperar para arregaçar as mangas e começar a trabalhar criando uma ampla gama de histórias emocionantes, divertidas e impactantes para o grande público global da Netflix”, completaram.
Coleção de pôsteres mostra “A Família Adams” de férias
A MGM divulgou uma coleção de pôsteres da animação “A Família Addams 2”, que revela o tema da continuação. As imagens mostram os personagens criados por Charles Addams com roupas de férias. Na trama, Gomez e Mortícia ficam preocupados com a forma como seus filhos Vandinha e Feioso estão se afastando deles conforme entram na adolescência. Por isso, resolvem colocar todo mundo dentro de um trailer assombrado para uma viagem de férias pelos EUA. Assim como o primeiro longa animado, a continuação trará de volta as dublagens de Charlize Theron (“Tully”) como Morticia Addams, Oscar Isaac (“Star Wars: Os Últimos Jedi”) como seu marido Gomez, Chloë Grace Moretz (“Carrie, a Estranha”) e Finn Wolfhard (série “Stranger Things”) nos papéis dos filhos Vandinha (Wednesday) e Feioso (Pugsley), Nick Kroll (série “The League”) como o Tio Chico (Fester), Bette Midler (“Abracadabra”) como a Vovó Addams e Snopp Dog (“Meu Nome é Dolemite”) como o primo Coisa (It). Novamente dirigido pela dupla Conrad Vernon e Greg Tiernan (que também trabalharam juntos em “A Festa da Salsicha”), desta vez em parceria com a animadora Laura Brousseau (da equipe do primeiro filme), “A Família Addams 2” tem estreia marcada para 7 de outubro no Brasil, uma semana após o lançamento nos EUA.
Fugindo do Amor: Comédia produzida por Alicia Keys ganha trailer
A Netflix divulgou nas redes sociais o trailer legendado da comédia romântica “Fugindo do Amor” (Resort to Love), que tem produção da cantora Alicia Keys. O longa acompanha uma aspirante a cantora pop (Christina Milian, de “Amor em Obras”) que vai trabalhar numa ilha tropical, quando é surpreendida pela chegada inesperada do seu ex-namorado. Ela não apenas precisará conviver com ele, como também terá que cantar no seu casamento. A prévia é bonitinha e tem piadas engraçadas. Mas também sugere de forma bastante evidente como tudo termina. Além disso, lembra demais “Ressaca de Amor” (2008). A diferença é que agora os atores são negros e há uma inversão de gêneros na dinâmica da história. “Fugindo do Amor” é o primeiro longa dirigido por Steven K. Tsuchida (das séries “Younger” e “Cobra Kai”) e ainda traz em seu elenco Jay Pharoah (“Saturday Night Live”) e Sinqua Walls (o Lancelot de “Once Upon a Time”). A estreia está marcada para 29 de julho em streaming. Imagina ir sozinha pra um paraíso tropical trabalhar como cantora… e ter que cantar no casamento do seu ex-noivo. Produzido por Alicia Keys, Fugindo do Amor é meu novo filme de comédia romântica. Estreia dia 29 de julho. ❤️🌴 pic.twitter.com/oal3dCBGSa — netflixbrasil (@NetflixBrasil) July 6, 2021
Trailer de “A Barraca do Beijo 3” foca dilema da protagonista
A Netflix divulgou o pôster e o primeiro trailer de “A Barraca do Beijo 3”, que traz Elle aproveitando o último verão antes de tomar uma decisão sobre seu futuro, que afetará as relações mais importantes de sua vida. O filme vai encerrar a franquia adolescente de sucesso da Netflix de forma tradicional, com o final dos anos colegiais dos personagens. Na trama, a protagonista vivida por Joey King foi aceita em duas faculdades e encontra-se num dilema, dividida entre ir para a Universidade da Califórnia, em Berkeley, com o melhor amigo (Joel Courtney) ou estudar em Harvard, no estado de Massachusetts, com o namorado (Jacob Elordi). Assim como os dois primeiros filmes, o terceiro também tem direção de Vince Marcello, e voltará a contar em seu elenco com Taylor Zakhar Perez, Maisie Richardson-Sellers, Meganne Young e Molly Ringwald (convertida na mãe favorita dos filmes e séries adolescentes). O lançamento vai acontecer em 11 de agosto em streaming.
Michelle Yeoh vai estrelar série derivada de “The Witcher”
A atriz Michelle Yeoh, que recentemente se despediu do papel de Philippa Georgiou em “Star Trek: Discovery”, vai estrelar “The Witcher: Blood Origin”, produção da Netflix derivada de “The Witcher”. De acordo com a Netflix, ela interpretará Scían, última sobrevivente da tribo nômade de elfos. “Ninguém se compara com sua habilidade com a lâmina, nem carrega tanto luto no coração. Quando surge a oportunidade de recuperar uma espada sagrada roubada, tirada da sua tribo por meios nefastos, ela se lança em uma busca mortal que mudará o Continente”, diz a descrição oficial da personagem. Além de Yeoh, a série também contará com Laurence O’Fuarain (“O Limite”), que viverá Fjall, uma figura nascida entre guerreiros que partirá em uma jornada de vingança para se redimir pela morte de um ente querido que o salvou em batalha. A série será ambientada no mundo élfico, 1200 anos antes dos acontecimentos de “The Witcher”, e contará a história de origem do primeiro Witcher/Bruxo e dos eventos que levaram à crucial “conjunção das esferas”, quando o mundo de monstros, homens e elfos fundiu-se para se converter em um só. A produção foi desenvolvida por um dos roteiristas de “The Witcher”, Declan de Barra, além da showrunner da série original, Lauren Schmidt, e contará com supervisão de Andrzej Sapkowski, o autor dos livros sobre “The Witcher”, que inspiraram a série. Ainda não há previsão para a estreia.
Globoplay vai produzir e exibir novo filme de Walter Salles
A Globoplay anunciou nesta terça (6/7) que será uma das produtoras do filme “Ainda Estou Aqui”, adaptação do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva. O filme será dirigido por Walter Salles, de “Central do Brasil”, que foi o último longa brasileiro indicado na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar em 1999. O acordo garante à plataforma de streaming os direitos de exibição do título no país. No exterior, a distribuição está a cargo do estúdio francês Wild Bunch. “Estamos muito felizes com a parceria. E, em breve, teremos mais alguns projetos de longas 100% Globoplay”, disse Ana Carolina Lima, head de conteúdo do Globoplay, em comunicado. A história do livro de Marcelo Rubens Paiva é sobre a luta de sua mãe, Eunice Silva, contra a ditadura militar que matou e sumiu com seu pai. O papel principal será interpretado pela atriz Mariana Lima (“Onde Está Meu Coração”). Eunice era uma dona de casa que se viu forçada a se tornar ativista política quando o marido, o deputado Rubens Paiva, foi preso e se tornou um dos muitos desaparecidos do Brasil durante o regime militar. Na época, Marcelo tinha 11 anos e Salles, amigo da família, observou toda a dor dos Paiva de perto. Essa proximidade também serviu de inspiração para o desenvolvimento do projeto. “A maioria dos meus projetos pessoais exigia processos de desenvolvimento muito longos, ‘Central do Brasil’, que foi de cinco anos, e ‘Diários de Motocicletas’, quatro”, disse Salles ao site Deadline, que revelou o projeto na semana passada. “Nenhum levou tanto tempo quanto esse que eu, em parte, era testemunha quando tinha 13 anos”. O roteiro da adaptação está a cargo de Murilo Hauser (“A Vida Invisível”) e as filmagens devem começar no início de 2022.
“Gunpowder Milkshake” tem sequência confirmada antes da estreia
A produtora francesa StudioCanal anunciou no Festival de Cannes que já está preparando uma sequência de “Gunpowder Milkshake”, filme ainda inédito que é uma espécie de “John Wick” feminino. O longa de ação traz Karen Gillan (“Guardiões da Galáxia”) como uma assassina profissional que, ao salvar uma testemunha infantil no meio de uma missão, passa a ser considerada traidora e alvo de um batalhão de assassinos armados enviado por seu antigo patrão. Para sobreviver, ela busca ajuda de quem menos esperam: uma antiga assassina profissional, que ela também chama de mãe, e as colegas veteranas dela. Lena Headey (“Game of Thrones”) vive a mãe, Carla Gugino (“Watchmen”), Angela Bassett (“Pantera Negra”) e Michelle Yeoh (“Star Trek: Discovery”) são as colegas, e Paul Giamatti (“O Incrível Homem-Aranha 2”) interpreta o chefão do crime. A direção é do isralense Navot Papushado (do impressionante “Big Bad Wolves”) e a estreia vai acontecer pela Netflix em 14 de julho nos EUA. O acordo de distribuição de streaming não prevê lançamento no Brasil.
Zack Snyder prepara sci-fi espacial na Netflix
Após a relação tensa com a Warner Bros., encerrada após o lançamento de “Liga da Justiça”, o cineasta Zack Snyder está feliz da vida com a Netflix e, de acordo com o site Deadline, já prepara um novo filme para a plataforma. A Netflix também está satisfeita com o sucesso do primeiro filme do diretor em streaming, o terror “Army of the Dead: Invasão de Las Vegas”, e voltou a liberar um grande orçamento para ele realizar sua primeira incursão pela sci-fi espacial, “Rebel Moon”. A história se passa em uma colônia pacífica na orla da galáxia, que se encontra ameaçada pelos exércitos do tirânico Regente Balisarius. Diante do perigo de uma invasão, eles despacham uma jovem com um passado misterioso para alistar guerreiros de planetas vizinhos e ajudá-los a resistir. O roteiro é do próprio Synder em parceria com Shay Hatten e Kurt Johnstad, que trabalharam anteriormente com o diretor em, respectivamente, “Army of the Dead” e “300”. A produção está prevista para começar em 2022.
Vídeo de bastidores destaca relação das irmãs de “Viúva Negra”
A Marvel divulgou mais um vídeo de bastidores de “Viúva Negra”. Desta vez, o foco é no relacionamento das “irmãs” vividas por Scarlett Johansson (“Vingadores: Ultimato”) e Florence Pugh (“Midsommar”), com depoimentos e cenas inéditas. Dirigido pela australiana Cate Shortland (“A Síndrome de Berlim”), o longa é um flashback passado entre os eventos de “Capitão América: Guerra Civil” e “Vingadores: Guerra Infinita”, e acompanha Natasha (Johansson) após fugir dos EUA por ter ajudado o Capitão América. Na trama, ela busca refúgio no Leste Europeu com sua “família” russa, formada pelos personagens vividos por Florence Pugh, David Harbour (“Stranger Things”) e Rachel Weisz (“A Favorita”). Após mais de um ano de adiamento, o filme finalmente vai estrear nos cinemas brasileiros na sexta-feira (8/8), simultaneamente ao lançamento na plataforma Disney+ (por um custo adicional).
Vídeo apresenta prólogo dos filmes de “Kingsman”
A 20th Century Studios divulgou um novo vídeo legendado de “King’s Man: A Origem”, que explica como o derivado se encaixa na franquia “Kingsman”, com cenas dos três filmes (incluindo “Kingsman: Serviço Secreto” e “Kingsman: O Círculo Dourado”) e depoimentos do elenco e do diretor. O novo lançamento é um prólogo da franquia “Kingsman”, baseada nos quadrinhos de Mark Millar, e se passa na época da 1ª Guerra Mundial. A trama vai contar a origem da agência de espionagem britânica que funciona nos fundos de uma alfaiataria de Londres. O filme é estrelado por Ralph Fiennes (o M da franquia “James Bond”) como o Duque de Oxford, um dos líderes dos Kingsman, e Harris Dickinson (“Mentes Sombrias”) como seu aprendiz. Além deles, os primeiros Kingsman também incluem Gemma Arterton (“Mistério no Mediterrâneo”) e Djimon Honsou (“Capitã Marvel”). Mas o elenco grandioso tem muitos outros famosos, como Aaron Taylor-Johnson (“Vingadores: Era de Ultron”), Matthew Goode (“The Crown”), Charles Dance (“Godzilla II: O Rei dos Monstros”), Daniel Brühl (“Falcão e o Soldado Invernal”), Stanley Tucci (“Jogos Vorazes”), Djimon Honsou (“Capitã Marvel”), Tom Hollander (“Piratas do Caribe”) e Rhys Ifans (“O Espetacular Homem-Aranha”), que interpreta o vilão Rasputin. Novamente escrito por Jane Goldman e dirigido por Matthew Vaughn, responsável pelos dois “Kingsman” anteriores, “King’s Man: A Origem” estreia em 23 de dezembro no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Trailer de documentário mostra vida do ator Val Kilmer
A Amazon divulgou o pôster e o trailer do documentário “Val”, que fará sua première mundial no Festival de Cannes, iniciado nesta terça (6/7). O longa revela a história do ator Val Kilmer através de vídeos que ele próprio gravou ao longo de quatro décadas. Para o filme, os editores Leo Scott e Ting Poo se debruçaram sobre milhares de horas de filmes em 16mm e vídeos de diferentes formatos feitos por Val Kilmer, que abrangem mais de 40 anos de sua vida, desde registros caseiros feitos com seus irmãos até os bastidores de seus papéis icônicos em blockbusters como “Top Gun” (1986), “The Doors” (1991), “Tombstone” (1993) e “Batman Eternamente” (1995). Após a exibição nesta quarta (7/7) em Cannes, o documentário terá lançamento limitado nos cinemas norte-americanos em 23 de julho, chegando ao streaming em todo o mundo no dia 6 de agosto.
Rainha Hortência e Magic Paula vão ganhar filme
A dupla lendária Rainha Hortência e Magic Paula, medalhistas olímpicas e campeãs mundiais de basquete pelo Brasil, vão virar filme. A produtora Café Royal foi uma das poucas autorizadas a captar recursos pela Ancine neste ano e vai colocar no cinema a história vitoriosa da parceria entre a cestinha e a armadora da Seleção Brasileira entre os anos 1989 e 1996, quando elas conquistaram o ouro nos jogos Pan-Americanos de Cuba em 1991, o título de campeãs mundiais em 1994 e a medalha de prata nas Olimpíadas de Atlanta em 1996. Elas serão vividas, respectivamente, pelas atrizes Letícia Colin (“Onde Está Meu Coração”) e Camila Márdila (“Que Horas Ela Volta?”), numa produção escrita e dirigida por mulheres, segundo adiantou o jornal Extra. Leticia, que é filha de professores de Educação Física, já jogou basquete durante a adolescência. A direção está a cargo de Georgia Guerra-Peixe, que estreou na função com o documentário “O Samba que Mora em Mim”, vencedor do In-Edit Barcelona e do Prêmio do Júri da Mostra de São Paulo em 2010. Ainda sem título conhecido, o longa deve começar a ser filmado ainda neste ano.
Festival de Cannes celebra volta ao cinema
O Festival de Cannes começa sua edição de 2021 nesta terça (6/7), estendendo seu tapete vermelho inaugural para a projeção de “Annette”. A ópera rock de Leos Carax, estrelada por Adam Driver, Marion Cotillard e com trilha da banda Sparks, abre a programação do evento, que seguirá com muitas exibições até o dia 17 de julho. Após o cancelamento do ano passado, devido à pandemia de covid-19, o clima deste ano é de celebração. Cannes quer aproveitar a participação presencial do público, astros e cineastas para comemorar a reabertura dos cinemas e a volta do público às sessões. Mas é bastante simbólico que esta festa esteja acontecendo sem a presença da Netflix ou de longas brasileiros em seu Palácio. Em plena pandemia, o festival francês manteve seu veto aos filmes de streaming, embora toda a indústria cinematográfica, incluindo o Oscar e festivais rivais de igual prestígio, tenham aberto suas portas às formas alternativas de exibição cinematográfica. A situação levou o chefe do festival, Thierry Fremaux, a ter que se justificar, citando “regras” da competição – mas até o Oscar mudou suas regras durante a pandemia. Ele também reiterou convite para a Netflix apresentar seus filmes fora de competição no festival, uma condição que a plataforma já recusou anteriormente, por considerar desrespeitoso com os cineastas de suas produções. Premiado na última competição presencial do festival com “Bacurau”, o Brasil, por sua vez, está representado na disputa da Palma de Ouro de 2021 somente pela participação nos bastidores de um dos diretores daquele filme, Kleber Mendonça Filho, convidado a integrar o júri presidido por Spike Lee. Mendonça é um dos artistas que escolherão os melhores trabalhos do evento. A ausência de longas brasileiros na competição do Palácio dos Festivais já é reflexo do desastre cultural do governo Bolsonaro, que implodiu o cinema nacional com o fim de patrocínios e financiamentos, retendo até o dinheiro arrecadado do próprio mercado, cerca de R$ 2 bilhões em taxas cobradas via Condecine e Fistel que deveriam alimentar o inativo Fundo Setorial do Audiovisual. Mesmo assim, dois curtas brasileiros foram selecionados para a disputa da Palma de Ouro de sua categoria: “Sideral”, de Carlos Segundo, e “Céu de Agosto”, de Jasmin Tenucci. Produção do Rio Grande do Norte, “Sideral” contou com ajuda financeira da Lei Aldir Blanc, solução encontrada pelo Congresso para apoiar parcialmente projetos paralisados pela inoperância da Ancine sob o governo Bolsonaro, enquanto “Céu de Agosto” teve première no Festival de Tiradentes deste ano. Já a programação de longas da competição destaca “A Crônica Francesa” (The French Dispatch), de Wes Anderson, que segue a linha de “O Grande Hotel Budapeste” e reúne um grande elenco para viver repórteres de um jornal francês de expatriados, e “Benedetta”, drama erótico do veterano diretor holandês Paul Verhoeven (de “Instinto Selvagem”) sobre uma freira do século 17 que sofre com visões místicas e tentação sexual. Ambos deveriam ter integrado a edição do ano passado, que não aconteceu devido à pandemia. Além desses, outros títulos com première mundial em Cannes incluem os novos trabalhos do americano Sean Penn (“Na Natureza Selvagem”), do italiano Nanni Moretti (“O Quarto do Filho”), do iraniano Asghar Farhadi (“A Separação”), do russo Kirill Serebrennikov (“O Estudante”), do dinamarquês Joachim Trier (“Mais Forte que Bombas”), do tailandês Apichatpong Weerasethakul (“Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”), do australiano Justin Kurzel (“Macbeth: Ambição e Guerra”) e dos franceses François Ozon (“Frantz”), Jacques Audiard (“Ferrugem e Osso”), Bruno Dumont (“Camille Claudel 1915”), Mia Hansen-Love (“Eden”) e Leos Carax (“Holy Motors”). E vale observar que a nova obra de Hansen-Love, “Bergman Island”, apesar de ter equipe totalmente europeia, foi feita com investimento da produtora paulista RT Features. Entre os destaques das premières fora da competição, Oliver Stone traz à Croisette uma versão retrabalhada de “JFK – A Pergunta que Não Quer Calar”, de 1991, com cenas inéditas, o cineasta Todd Haynes (“Carol”) apresenta seu documentário sobre a banda The Velvet Underground e a atriz Charlotte Gainsbourg (“Ninfomaníaca”) estreia na direção com um documentário sobre sua mãe, a icônica estrela de cinema Jane Birkin (“A Bela Intrigante”). São nas sessões especiais e paralelas que se encontram os únicos longas de diretores brasileiros de toda a programação. Com exibição fora de competição, “O Marinheiro das Montanhas” resgata a história de amor dos pais do diretor Karim Ainouz (“A Vida Invisível”), enquanto “Medusa”, segundo longa de Anita Rocha da Silveira (“Mate-me Por Favor”), foi incluído na Quinzena dos Realizadores – é a única produção 100% brasileira, da Bananeira Filmes, com incentivos que antecedem o advento de Bolsonaro. Também na Quinzena, “Murina”, da croata Antoneta Alamat Kusijanovic, e “O Empregado e o Patrão”, do uruguaio Manuel Nieto Zas (Manolo Nieto), são outras coproduções brasileiras no festival, assim como “Noche de Fuego”, da salvadorenha/mexicana Tatiana Huezo, selecionado na mostra Um Certo Olhar e coproduzido pelo cineasta brasileiro Gabriel Mascaro. Foram as últimas obras realizadas antes que sumissem os editais e linhas de financiamento que permitiam aos produtores brasileiros injetar recursos em produções estrangeiras. Além de projetar filmes inéditos, o evento francês ainda prestará homenagens à atriz e diretora americana Jodie Foster (“O Silêncio dos Inocentes”) e ao cineasta italiano Marco Bellocchio (“Em Nome do Pai”) com Palmas de Ouro honorárias pelas realizações de suas carreiras. Entretanto, quem parece ser o grande homenageado do 74º festival é Spike Lee. O rosto do diretor nova-iorquino, extraído de uma campanha da Nike com o personagem de seu primeiro longa, “Ela Quer Tudo” (1986), ocupa cartazes, a marquise do Palácio, a decoração da sala de imprensa e toda a divulgação do evento. Só que ele não vai ganhar uma Palma honorária nem lançar um novo filme. Spike Lee vai entregar a Palma de Ouro oficial ao melhor filme, como presidente do júri. Ele é o primeiro artista preto a ocupar a presidência do festival francês e terá a difícil tarefa de suceder o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (“O Regresso”), que presidiu a premiação com louvor em 2019, apresentando ao mundo “Parasita”, do sul-coreano Bong Joon Ho, vencedor da Palma de Ouro em 2019 e, posteriormente, do Oscar em 2020.












