“Cidade de Deus” ganha “sequência” em comemoração a seus 20 anos
A Vivo divulgou um curta que resgata um dos principais personagens de “Cidade de Deus”, em comemoração aos 20 anos de lançamento do filme. Com produção executiva de Fernando Meirelles, diretor do longa original, o filme de 14 minutos se chama “Buscapé” e reencontra o fotógrafo interpretado por Alexandre Rodrigues. Buscapé volta à Cidade de Deus nos dias atuais, muitos anos após virar fotojornalista profissional, para cobrir um evento na comunidade. O patrocínio da Vivo, em parceria com a Motorola, se materializa na forma da “câmera” escolhida para a missão: um celular. Mas além de servir de publicidade e homenagear – até visualmente – a obra de 2002, o curta propõe uma discussão ética, ao colocar o fotógrafo diante de um dilema: reportar com exclusividade um crime (tráfico de animais silvestres) ou cumprir a pauta de exaltação do bairro. O desfecho passa longe de ser o ideal, mas pode alimentar discussões, especialmente diante da situação em que se encontra o Rio de Janeiro, após décadas de “vista grossa” que permitiram uma explosão de criminalidade sem paralelo com nenhuma outra capital do país. “Cidade de Deus” teve 4 indicações ao Oscar em 2004, entre eles Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Edição e Fotografia. O longa venceu 74 prêmios, incluindo o BAFTA Awards (o Oscar britânico) de Melhor Edição (do hoje diretor Daniel Rezende). “Buscapé” tem roteiro de Paulo Lins (autor do livro que inspirou o filme original) e Thais Fujinaga (“Onisciente”), direção de Fred Luz (“12 Horas”) e também resgata o personagem Barbantinho, vivido por Edson Oliveira. Veja o curta na íntegra.
Atriz de “Riverdale” vai estrelar reboot do terror “Os Estranhos”
O cineasta Renny Harlin (“Duro de Matar 2”) vai dirigir um reboot do terror “Os Estranhos” (2008), que será estrelado por Madelaine Petsch (a Cheryl de “Riverdale”) O filme original de Bryan Bertino (“Um Monstro no Caminho”) foi estrelado por Liv Tyler (“Ad Astra”) e Scott Speedman (“Grey’s Anatomy”) e acompanhava um casal em crise, que precisa se defender de um grupo de assassinos mascarados em seu casarão distante. O filme ganhou uma sequência em 2018, intitulada “Os Estranhos: Caçada Noturna” e dirigida por Johannes Roberts (“Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City”), que não teve a mesma repercussão. A trama do reboot vai acompanhar uma garota (Petsch) e seu namorado durante uma viagem, enquanto planejam uma vida nova em outro lugar. Porém, o carro quebra e eles são obrigados a passar a noite em um Airbnb isolado, onde são aterrorizados por três estranhos mascarados. O elenco ainda conta com Froy Gutierrez (“Cruel Summer”) e Gabriel Basso (“Era uma Vez um Sonho”). O novo “Os Estranhos” foi escrito por Alan R. Cohen e Alan Freedland (ambos de “As Fabulosas Aventuras dos Freak Brothers”) e, caso seja bem sucedido, vai gerar uma trilogia, com todos os filmes sendo dirigidos por Harlin. O projeto marca o retorno de Harlin ao gênero de terror, depois de ele ter dirigido filmes como “Condenação do Além” (1987), “A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos” (1988), “O Exorcista: O Início” (2004) e “O Mistério da Passagem da Morte” (2013). Nenhum desses é muito memorável. “Minha mãe incutiu em mim o amor pelos filmes através do mundo de Hitchcock e outros mestres do suspense e do terror. E o meu avanço para Hollywood aconteceu com o sucesso de ‘A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos’”, disse Harlin, em comunicado oficial. “É justo que eu volte ao meu gênero favorito com a trilogia incrivelmente bem escrita de ‘Os Estranhos’. Os personagens e o enredo são todos baseados na realidade e me oferecem uma infinita tapeçaria de visuais assombrosos para dar vida a esses filmes.” O novo “Os Estranhos” já começou a ser filmado na Eslováquia, mas ainda não tem previsão de estreia. O finlandês Renny Harlin terminou recentemente de rodar o filme de ação “The Bricklayer”, estrelado por Aaron Eckhart (“The First Lady”) e Nina Dobrev (“The Vampire Diaries”), que ainda não tem previsão de estreia. Assista abaixo ao trailer do primeiro “Os Estranhos”.
Thati Lopes vira “Esposa de Aluguel” de Caio Castro. Veja o trailer
A Netflix divulgou o primeiro trailer de “Esposa de Aluguel”, nova comédia brasileira que lembra uma velha Sessão da Tarde. O filme traz Caio Castro (“Novo Mundo”) como um solteirão convicto, que nunca se envolveu profundamente com nenhuma mulher além de sua mãe e das três irmãs. Mas ao saber que vai morrer, sua mãe controladora faz um último pedido: vê-lo casado. E para evitar ficar fora do testamento, o solteirão resolve contratar uma atriz (Thati Lopes, de “Diários de Intercâmbio”) para fingir ser sua noiva. Só que ela começa a improvisar e faz tudo diferente do combinado. E para surpresa de todos, agrada em cheio a matriarca, que até entrega as chaves de um imóvel cobiçado da família para o casal. Embora a premissa seja familiar, com um final feliz sem surpresas, a trama parece incluir reviravoltas novas. Além disso, o talento de Thati Lopes para o humor já conseguiu fazer uma limonada com outra Sessão da Tarde batida, “Socorro, Virei uma Garota!”. “Esposa de Aluguel” tem roteiro de Fil Braz (“Minha Mãe é uma Peça 3”), direção de Cris D’Amato (“Pai em Dobro”) e ainda traz em seu elenco Mariana Xavier (também de “Minha Mãe é uma Peça 3”), Gabi Lopes (“A Menina que Matou os Pais”) e Danielle Winits (“Tudo Bem no Natal que Vem”). A estreia está marcada para 11 de outubro.
“A Escola do Bem e do Mal” ganha trailer cheio de efeitos e magia
A Netflix divulgou um novo pôster e o trailer legendado de “A Escola do Bem e do Mal”, que combina trama de fábulas encantadas e efeitos visuais modernos. Baseado no best-seller infantil de Soman Chainani, o filme acompanha duas melhores amigas, Sophie e Agatha, que entram numa escola onde meninos e meninas comuns são treinados para serem heróis e vilões de fábulas encantadas. Com suas ambições de princesa, Sophie acredita que será escolhida para a Escola do Bem para se juntar às fileiras de ex-alunas como Cinderela e Branca de Neve. Enquanto isso, a aparência sombria de Agatha parece se encaixar naturalmente entre os vilões da Escola do Mal. Mas a sorte das meninas se inverte, com Sophie caindo na Escola do Mal e Agatha na Escola do Bem, o que coloca sua amizade à prova. O elenco destaca Kerry Washington (da série “Scandal”) e Charlize Theron (do filme “O Escândalo”) como professoras dessa espécie de Hogwarts de contos de fada, respectivamente na Escola do Bem e na Escola do Mal. Já as protagonistas adolescentes são vividas por Sophia Anne Caruso (“Valete de Copas”) e Sofia Wylie (“High School Musical: A Série: O Musical”), como Sophie e Agatha. A adaptação foi escrita por David Magee, que roteirizou “As Aventura de Pi” (2016) e a vindoura versão live-action de “A Pequena Sereia”, na Disney, e a direção é de Paul Feig (“Missão Madrinha de Casamento”). A estreia vai acontecer em 19 de outubro.
Terror “X – A Marca da Morte” vai virar trilogia
O terror indie “X – A Marca da Morte”, dirigido por Ti West (“O Último Sacramento”), vai ganhar uma nova continuação e virar trilogia. O anúncio foi feito pelo estúdio A24, que vai produzir o novo filme, e veio acompanhado de um teaser (confira abaixo). A prévia foi exibida durante o Festival de Toronto após os créditos da première de “Pearl”, o segundo longa. Intitulado “MaXXXine”, o terceiro longa será uma continuação direta de “X – A Marca da Morte” – “Pearl” era um prólogo, passado na juventude da psicopata do primeiro filme. Ao contrário de “Pearl”, que foi filmado junto com “X”, o novo filme ainda não foi rodado, mas as filmagens devem começar logo, visto que o teaser anuncia um lançamento “em breve”. Detalhes sobre a trama também foram divulgados, mas o vídeo sugere que veremos a “final girl” Maxine (novamente interpretada por Mia Goth) aproveitando o sucesso do grandioso mercado de home vídeo, que explodiu na década de 1980. No longa original, ela é introduzida como atriz de filmes adultos do final dos anos 1970, durante uma produção realizada numa fazenda – que vira cenário de um massacre sanguinário. “MaXXXine” ainda não tem previsão de estreia.
Hollywood vira “Babilônia” em trailer de cair o queixo com Brad Pitt e Margot Robbie
A Paramount divulgou uma coleção de pôsteres e o trailer de cair o queixo de “Babilônia”, que volta a reunir os astros Brad Pitt e Margot Robbie, após “Era uma Vez em… Hollywood”, numa nova história da velha Hollywood. Só que a produção é ainda mais aloprada que a obra anterior, com excessos impressionantes de sexo, drogas e… jazz! O clima é “F*, yeah!”, como diz Brad Pitt para uma Robbie alucinada, após ela perguntar: “Quem quer me ver lutar contra com uma cobra?”. E exalta uma época em que os astros de cinema não tinham limites. Sabe as lendas das festas com groupies do Led Zeppelin e Mötley Crüe? Contos da Carochinha perto do que viveram os primeiros astros de Hollywood. A maioria dos personagens do filme é fictícia, mas inspirada em pessoas reais. Depois de viver Sharon Tate no filme de Quentin Tarantino, Robbie interpreta uma versão cocainômana de Clara Bow, símbolo sexual da era de ouro do cinema americana, conhecida como a “It girl” durante a transição do cinema mudo para o falado, enquanto Pitt é outra estrela do cinema mudo, baseado no ator real John Gilbert, que tem dificuldades de se adaptar às mudanças tecnológicas trazidas pela sonorização. A trama toma liberdades para acompanhar a ascensão e queda de seus personagens, fictícios e históricos, durante a era do jazz do final dos anos 1920, marcada pela Lei Seca e também por todo o tipo de decadência e excessos. O elenco grandioso ainda inclui Tobey Maguire (“Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”), Samara Weaving (“Casamento Sangrento”), Olivia Wilde (“O Caso Richard Jewell”), Jovan Adepo (“Watchmen”), Li Jun Li (“Evil”), Jean Smart (“Hacks”), P.J. Byrne (“The Boys”), Lukas Haas (“O Regresso”), Olivia Hamilton (“La La Land”), Max Minghella (“The Handmaid’s Tale”), Rory Scovel (“Physical”), Katherine Waterston (“Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore”), Eric Roberts (“Vício Inerente”), Ethan Suplee (“Dog – A Aventura de Uma Vida”), Phoebe Tonkin (“The Originals”), Jeff Garlin (“Curb Your Enthusiasm”) e o baixista Flea (“Queen & Slim”), da banda Red Hot Chili Peppers. O filme tem roteiro e direção de Damien Chazelle, diretor dos premiados “Whiplash” e “La La Land”, e o lançamento nos EUA está marcado para o Natal deste ano, visando abocanhar indicações ao Oscar 2023. No Brasil, porém, a estreia só vai acontecer em 19 de janeiro.
Godard recorreu a suicídio assistido na Suíça
O cineasta Jean-Luc Godard recorreu ao suicídio assistido na Suíça, onde nasceu e vivia desde os anos 1970, para dar fim à sua vida nesta terça (13/9). Mas “ele não estava doente, estava simplesmente exausto”. A informação foi revelada pelo jornal francês Libération, que citou fontes próximas ao diretor. Godard faleceu em sua casa em Rolle, às margens do lago Léman, na região de língua francesa da Suíça. “Essa foi a sua decisão, e era importante para ele que ela fosse conhecida”, afirmou a fonte do Libération. A Suíça é um dos poucos países que permite a prática do suicídio assistido. Ela consiste em causar morte por vontade própria, geralmente por meio da ingestão de medicamentos letais, com acompanhamento médico. Autor de dezenas de filmes ao longo de quase sete décadas de carreira, Godard era um diretores mais influentes do cinema francês e mundial. E mesmo avesso a entrevistas, chegou a revelar publicamente qual era a sua opção para encerrar a vida. “Não estou ansioso de prosseguir a qualquer preço. Se estiver doente demais, não tenho vontade alguma de ficar sendo arrastado em um carrinho de mão”, disse ele em uma entrevista em 2014. Recentemente, o ator Alain Delon, contemporâneo de Godard e que trabalhou com o cineasta no filme “Nouvelle Vague”, de 1990, afirmou que também pretendia usar o recurso do suicídio assistido. Alain sofreu um duplo AVC em 2019 e vem se recuperando aos poucos desde então. Embora seu estado de saúde seja considerado bom, recentemente, ele pediu para seu filho, Anthony, 57 anos, organizar todo o processo e acompanhá-lo em seus últimos momentos. O suicídio assistido é permitido na Suíça desde 1942 com uma grande exceção: que os motivos não sejam egoístas. No Brasil e na maioria dos demais países, o ato é considerado crime. Mas a repercussão da morte de Godard pode mudar isso na França. O presidente francês Emmanuel Macron anunciou nesta terça-feira, que fará uma consulta popular sobre o “fim da vida”, considerando uma possível legalização do suicídio assistido no país. Macron, que se declara “pessoalmente” favorável à medida, quer iniciar a discussão para ter uma lei pronta no fim de 2023. Mas ele reconheceu nesta terça que “este é tudo menos um assunto fácil e simples”.
Bairro paulista de Alphaville foi inspirado por filme de Godard
Jean-Luc Godard, que morreu nesta terça-feira (13/9), aos 91 anos, influenciou inúmeros diretores com suas obras revolucionárias, mas também empreendedores do mercado imobiliário de luxo no Brasil. O bairro nobre de Alphaville – quase uma cidade – em Santana do Paranaíba, no estado de São Paulo, foi batizado com o nome de um famoso filme do cineasta francês. Moradia de famosos como Luan Santana, Wanessa Camargo, Fábio Júnior, Rodrigo Faro, Deolane Bezerra, Celso Portiolli e muitos outros, Alphaville foi concebido em 1973 pelos engenheiros Renato Albuquerque e Yojiro Takaoka com inspiração no filme “Alphaville”, dirigido por Jean-Luc Godard em 1965. A sugestão do nome foi de José Almeida Pinto, sócio de um dos arquitetos que trabalharam no projeto urbanístico do local. Ironicamente, o filme de Godard é uma distopia sobre uma cidade futurista, chamada de Alphaville, que usa sua arquitetura modernista – ênfase em escadarias de concreto e prédios quadrados – e organização informatizada (pelo computador Alpha 60) para que seus habitantes não tenham sentimentos. Mas um detetive (vivido por Eddie Constantine) tenta forçar o cientista criador do computador a destruir a máquina, buscando ajuda da filha dele (Anna Karina). É fácil entender a inspiração. Embora a arquitetura não seja o que mais chama atenção no longa-metragem, o título também aludia a uma “cidade do futuro” – uma denominação que estava na moda por conta da ainda recente fundação de Brasília. Mesmo assim, também é possível interpretar a Alphaville paulista como um lugar de pessoas sem sentimentos, em que os habitantes viveriam alheios ao resto do mundo, fechados em condomínios luxuosos, sem a necessidade de se socializar ou se importar com os de fora. Em 2022, 50 anos depois de sua criação, Alphaville foi considerado o maior reduto de condomínios do Brasil, com uma região dividida entre 13 residenciais e subdistrito empresarial. E com um detalhe: o preço médio de uma casa na região é de R$ 5 milhões. Veja abaixo o trailer de “Alphaville”.
Filme de Godard foi última vítima da censura nos cinemas do Brasil
O Brasil já tinha encerrado a ditadura militar quando “Eu Vos Saúdo, Maria” se tornou o último filme censurado nos cinemas do país. Premiado no Festival de Berlim, o longa-metragem de Jean-Luc Godard, falecido nesta terça (13/9), teve sua exibição proibida pelo então presidente José Sarney. A censura foi resultado de pressão da Igreja católica, “para assegurar o direito de respeito à fé da maioria da população brasileira”. No filme, Godard contava a história de uma mulher chamada Maria, estudante que trabalhava num posto de gasolina e namorava um taxista chamado José. Mas um estranho chamado Tio Gabriel revela que ela ficará grávida, mesmo sendo virgem. Além da trama, as cenas de sexo de Maria também revoltaram católicos na época, que viram a intenção de Godard de subverter a história da Virgem Maria. Lançado em 1985 na França, o filme chegaria ao Brasil no ano seguinte. Mas Sarney proibiu seu lançamento, justificando a censura dizendo que ela tinha “base na Constituição”. Como a imposição de censura ocorreu antes da promulgação de Constituição de 1988, Sarney usou a legislação da ditadura para proibir o filme. O presidente afirmou ainda que levou em consideração as orientações do Papa João Paulo II e da CNBB, que já tinham condenado o filme por afrontar “temas fundamentais da fé cristã, deturpando e vilipendiando a figura sagrada da Virgem Maria”. Bispos e cardeais proeminentes, como dom Ivo Lorscheiter e dom Eugênio Salles, aplaudiram. Roberto Carlos fez questão de cumprimentar Sarney, dizendo que o filme não era “obra de arte ou expressão cultural”. Mas até o próprio ministro da Justiça, Fernando Lyra, e o diretor do ainda existente departamento de Censura, Coriolano de Loiola de Cabral Fagundes, foram contra a proibição. Na ocasião, a cineasta Tizuka Yamazaki disse ao jornal O Globo achar “um absurdo que a Censura, declarada extinta pelo ministro da Justiça, tenha se manifestado mais uma vez contra uma obra que não tem apelo popular” e seria, segundo ela, “assistida por meia dúzia de intelectuais”. De fato, quando finalmente foi liberado, dois anos depois, o filme atraiu cerca de 100 pessoas em sua estreia, em quatro cinemas do Rio. Veja abaixo o trailer de “Eu Vos Saúdo, Maria”.
Jean-Luc Godard, ícone da nouvelle vague, morre aos 91 anos
O cineasta Jean-Luc Godard, maior nome da nouvelle vague e lenda do cinema francês, morreu nessa terça (13/9) aos 91 anos por suicídio assistido. Dono de uma carreira longeva e repleta de experimentações, Godard dirigiu mais de 130 obras, incluindo longas-metragens, curtas, séries de TV e documentários. Seus títulos mais conhecidos são também aqueles que ajudaram a revolucionar o cinema francês, como “Acossado” (1960), “Viver a Vida” (1962) e “O Demônio das Onze Horas” (1965). Nascido em Paris em 1930, Godard era filho de pais protestantes que viviam entre a França e a Suíça. Após terminar o ensino médio, ele se matriculou na universidade Sorbonne, em Paris, mas logo abandonou as aulas para frequentar os cinemas e cineclubes – onde encontrou outros colegas cinéfilos, como François Truffaut e Jacques Rivette. Os três, junto com Claude Chabrol e Maurice Scherer (mais conhecido como Eric Rohmer) começaram a escrever críticas e, em 1952, Godard publicou os seus primeiros artigos na revista Cahiers du Cinéma, fundada no ano anterior. Godard acabou expulso da revista depois de roubar o dinheiro do caixa e fugir para a Suíça, onde com a verba dirigiu o curta-documentário “Operação Beton” (1955). O roubo, de todo modo, não foi um caso isolado. Godard era conhecido por ser cleptomaníaco. Ele voltou para Paris em 1956, depois de trabalhar na TV suíça e passar um tempo em um hospital psiquiátrico. Ele começou a trabalhar como publicitário, escrevendo materiais promocionais para o estúdio 20th Century Fox, e conseguiu até voltar a escrever para a Cahiers du Cinéma. Neste período, dirigiu três curtas: “Charlotte e Seu Namorado” (1958), “Todos os rapazes se chamam Patrick” (1959) e “Uma História d’Água” (1961), co-dirigido com Truffaut. Com esta experiência, ele decidiu dirigir seu primeiro longa-metragem, que se tornou responsável por catapultar a sua carreira e por chamar atenção para um novo estilo de filmar, que foi batizado como “nouvelle vague” – ou, a nova onda do cinema francês. “Acossado” (1960) contava a história de um ladrão de carros (Jean-Paul Belmondo, que havia trabalhado com Godard no curta “Charlotte e Seu Namorado”) que usa seu charme para seduzir Jean Seberg embora fosse procurado por ter matado um policial. O filme é uma homenagem ao cinema clássico hollywoodiano, ao mesmo tempo que traz personagens sexualmente liberados e propõe a desconstrução da narrativa convencional, colocando câmeras onde escolas de cinema diziam para nunca colocar e fazendo uma edição de cenas que os mestres considerariam errada. Só que essa era a ideia da nova onda. Godard também empregou um estilo de montagem muito mais ágil, fazendo diferentes experimentos com imagens e sons dessincronizados, e chamando a atenção para a artificialidade do cinema – o oposto do que o naturalismo da montagem clássica pretendia. A novidade jogou os manuais de cinema no lixo. Mas foi um sucesso. “Acossado” venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim e deu origem aos filmes totalmente autorais. Depois disso, Godard começou a fazer um filme atrás do outro, sempre empregando doses de experimentalismo visual. Seus melhores trabalhos na década de 1960 foram: “Uma Mulher É Uma Mulher” (1961), “Viver a Vida” (1962), “Alphaville” (1965) e “O Demônio das Onze Horas” (1965), clássicos existencialistas. Mas paralelamente também desenvolveu uma fase maoísta, mais evidente em “A Chinesa” (1967), que se acirrou após os protestos estudantis de maio de 1968 e o viu perder adeptos. Ironicamente, também foi a fase em que filmou o documentário “Sympathy for the Devil” (One + One, 1968) com os Rolling Stones. Muitos destes primeiros filmes foram estrelados pela atriz e modelo dinamarquesa Anna Karina, que se casou com o diretor em 1961. Os dois tiveram um relacionamento tumultuado, que acabou em 1965. Godard chegou a adaptar esse relacionamento para o cinema no filme “O Desprezo” (1963), em que escalou ninguém menos que Brigitte Bardot como a versão ficcional de Karina. Em 1967, Godard se casou com a atriz Anne Wiazemsky, que também começou a atuar nos seus filmes. Este casamento durou até 1979. Na década de 1970, ele se juntou a um grupo de ativistas e cineastas de esquerda para formar o “Grupo Dziga Vertov”, nomeado em homenagem ao famoso cineasta russo. O grupo comandou diversos filmes, como “Tudo Vai Bem” (1972) e “Letter to Jane: An Investigation About a Still” (1972), ambos estrelado por Jane Fonda. Em 1977, Godard voltou para a Suíça e passou a morar com a cineasta Anne-Marie Miéville. Foi o relacionamento mais duradouro da vida do diretor, que persistiu até o final da sua vida. Abrindo uma nova fase, ele dirigiu em 1980 “Salve-se Quem Puder (A Vida)”, uma obra que se propôs a examinar os relacionamentos sexuais acompanhando três protagonistas que interagem entre si. O filme foi exibido no Festival de Cannes e saudado como o grande retorno do cineasta. Foi também um enorme sucesso de bilheteria no país. “Salve-se Quem Puder (A Vida)” deu um novo fôlego para a carreira de Godard, que passou a realizar vários filmes consagrados, como “Paixão” (1982), “Detetive” (1985) e principalmente “Eu Vos Saúdo Maria” (1985), que teve grande repercussão pelo tema: uma estudante universitária, que fica grávida sem ter relações sexuais. Considerado uma blasfêmia, foi proibido em vários países, inclusive no Brasil. A polêmica voltou a sacudir a carreira do infant terrible, que a partir daí radicalizou de vez. Seu filme “Rei Lear” (1987), estrelado por nomes como Woody Allen, Leos Carax, Julie Delpy e Burgess Meredith, dividiu a crítica. O Washington Post afirmou que se tratava de um “total desrespeito de Godard a uma apresentação sustentada e coerente das suas ideias”, enquanto o Los Angeles Times afirmou que se tratava de “obra de um gênio certificado.” Na década de 1990, Godard comandou filmes como “Nouvelle Vague” (1990), estrelado por Alain Delon, “Infelizmente Para Mim” (1993), com Gerard Depardieu, e “Para Sempre Mozart” (1996). Porém, o grande destaque desse período foi a série documental “Histoire(s) du cinéma”, iniciada em 1989 e finalizada em 1999. Com um total de 266 minutos e exibida pela emissora francesa Canal Plus, a série consistiu de entrevistas, cenas de filmes clássicos e imagens de arquivo para narrar um século da História do Cinema. Numa entrevista ao jornal francês Libération, publicada anos após o lançamento, Godard descreveu o projeto como “um pouco como meu álbum de fotos de família – mas também o de muitos outros, de todas as gerações que acreditaram no amanhecer. Só o cinema poderia reunir o ‘eu’ e o ‘nós’”. Com a chegada do novo século, Godard voltou a inovar em obras como “Filme Socialismo” (2010), “3x3D” (2013) e “Adeus à Linguagem” (2014), filmes que, como o último título sugere, rompiam de vez com a linguagem tradicional cinematográfica – algo que Godard já vinha fazendo, pouco a pouco, desde o início da sua carreira. Radicais, mantiveram a divisão crítica entre os que consideraram as obras geniais e os que não viram mais cinema nas realizações do cineasta, apenas instalações de arte. Seus últimos créditos como diretor foram o documentário “Imagem e Palavra”, basicamente uma colagem de imagens de arquivo e gravações aleatórias, e o curta “Spot of the 22nd Ji.hlava IDFF”, ambos de 2018. Nos seus últimos anos, Godard se tornou completamente recluso. Ele se recusava a dar entrevistas, não aceitava prêmios e não viajava para os festivais. Quando lhe foi oferecida a Ordem Nacional do Mérito da França, ele recusou, dizendo: “Não gosto de receber ordens e não tenho méritos”. E quando foi premiado com um Oscar honorário em 2010, ele se recusou a viajar para Los Angeles para aceitá-lo pessoalmente. Anne-Marie Miéville disse na época que Godard “não irá para a América, ele está ficando velho demais para esse tipo de coisa. Você faria todo esse caminho apenas por um pedaço de metal?” Ao longo da carreira, Godard colecionou mais de 50 “pedaços de metal”, incluindo prêmios nos principais festivais de cinema do mundo, como o Urso de Ouro no Festival de Berlim (que ele venceu por “Eu Vos Saúdo Maria”), no Festival de Cannes (por “Imagem e Palavra” e “Adeus à Linguagem”), entre muitos outros. Ao saber da morte do cineasta, o ex-ministro da Cultura da França, Jack Lang, disse à rádio France Info que Godard era “único, absolutamente único… Ele não era apenas cinema, era filosofia, poesia”. O presidente francês Emmanuel Macron também prestou a sua homenagem, chamando-o de “iconoclasta”. “Inventou uma arte decididamente moderna, intensamente livre. Nós perdemos um tesouro nacional, um olhar de gênio”, definiu o governante. Ce fut comme une apparition dans le cinéma français. Puis il en devint un maître. Jean-Luc Godard, le plus iconoclaste des cinéastes de la Nouvelle Vague, avait inventé un art résolument moderne, intensément libre. Nous perdons un trésor national, un regard de génie. pic.twitter.com/bQneeqp8on — Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) September 13, 2022
Depois do Universo: Primeiro filme de Giulia Be ganha data de estreia
A Netflix anunciou a data de estreia de “Depois do Universo”, primeiro filme da cantora Giulia Be e estreia brasileira de Henry Zaga. Apesar de ter nascido no Brasil, como comprova o nome de batismo Henrique Gonzaga, ele só tinha feito produções americanas, como as séries “Teen Wolf”, “13 Reasons Why”, “Quem É Você, Alasca?”, “Gatunas” e “The Stand”, além dos filmes “XOXO – A Vida é uma Festa” e “Os Novos Mutantes”, entre outros. O filme conta a história da talentosa pianista Nina (Be), que precisa superar os desafios de lidar com o lúpus, uma doença autoimune que pode atacar qualquer parte do corpo – o rim, no caso da jovem. Durante o tratamento, ela é surpreendida por uma forte conexão com Gabriel (Zaga), um dos médicos da equipe que a atende e que irá ajudá-la a superar suas inseguranças na luta para se apresentar nos palcos junto de uma grande orquestra de São Paulo. “Depois do Universo” tem roteiro e direção de Diego Freitas (“O Segredo de Davi”) e seu elenco também inclui os atores João Miguel, Othon Bastos, Rita Assemany, Leo Bahia, Viviane Araújo, Isabel Fillardis, Adriana Lessa, Denise Del Vecchio e João Côrtes. A estreia foi marcada para o dia 27 de outubro. Henrique Zaga e @giulia passando pra avisar que meu novo filme, Depois do Universo, chega dia 27 de outubro. Agora só falta divulgarem quantos lencinhos são necessários pra assistir ao filme. 🥹❤️🩹🤧 pic.twitter.com/4bxRCAf5B2 — netflixbrasil (@NetflixBrasil) September 12, 2022
Comédia de George Clooney e Julia Roberts lidera bilheterias no Brasil
A comédia romântica “Ingresso para o Paraíso”, estrelada por George Clooney e Julia Roberts, foi o filme mais visto nos cinemas brasileiros neste fim de semana. O filme, que estreou na quinta-feira (8/9) teve 121 mil espectadores e uma bilheteria de R$ 2,85 milhões, segundo dados da Comscore. De volta às telas num relançamento estendido, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” ficou em 2º lugar. Com 92 mil pagantes para ver alguns minutos de cenas extras, a produção da Sony/Marvel acrescentou R$ 1,76 milhão em sua contabilidade. O terror “Não! Não Olhe” fechou o Top 3 dos mais vistos. Ao todo, quase 488 mil espectadores pagaram ingressos neste fim de semana, superando o recorde negativa da semana passada, de 491 mil pessoas. Isto “consagrou” o fim de semana passado com o pior público de cinema de 2022 no Brasil. Não por acaso, as grandes redes vão promover a “Semana do Cinema” a partir de quinta-feira (14/9), oferecendo descontos em ingressos para tentar atrair o público. Veja o ranking dos títulos mais assistidos nos cinemas brasileiros. 1. “Ingresso para o Paraíso” 2. “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” 3. “Não! Não Olhe!” 4. “Minions 2: A Origem de Gru” 5. “Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz” 6. “O Lendário Cão Guerreiro” 7. “O Telefone Preto” 8. “Um Lugar Bem Longe Daqui” 9. “Thor: Amor e Trovão” 10. “Pinocchio – O Menino de Madeira”
Ator de “Euphoria” será Elvis Presley em filme de Sofia Coppola
A cineasta Sofia Coppola (“O Estranho que Nós Amamos”) vai dirigir o filme “Priscilla”, cinebiografia de Priscilla Beaulieu Presley, esposa do cantor Elvis Presley. Baseado no livro “Elvis and Me”, escrito pela própria Priscilla, o filme vai narrar a história da ascensão do Rei do Rock pela visão da esposa, abordando desde o primeiro encontro dos dois até o seu divórcio. “Priscilla” será estrelado por Cailee Spaeny (“Jovens Bruxas: Nova Irmandade”) e Jacob Elordi (“Euphoria”) nos papeis de Priscilla e Elvis, respectivamente. Elordi publicou uma foto de Elvis em uniforme do Exército em seu Instagram para comemorar a escalação, sem dar maiores detalhes. Coppola escreveu o roteiro da adaptação e também será produtora do filme, que será distribuído pelo estúdio indie A24. As filmagens começam nos próximos meses, mas ainda não há previsão de estreia. Essa será a terceira parceria entre a diretora e o estúdio, após os filmes “Bling Ring: A Gangue de Hollywood” (2013) e “On the Rocks” (2020). A história de Elvis e Priscilla Presley foi vista recentemente no filme “Elvis” (2022), dirigido por Baz Luhrmann, que trouxe os atores Austin Butler e Olivia DeJonge nos papéis do casal. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Jacob Elordi (@jacobelordi)












