Ator da série The Leftovers será o vira-lata da refilmagem de A Dama e o Vagabundo
A Disney escalou o protagonista masculino de sua nova versão de “A Dama e o Vagabundo”. O papel do cachorrão vira-lata que vive um romance com uma cadela de pedigree será vivido por Justin Theroux (da série “The Leftovers”). Além dele, a produção também inclui a atriz Ashley Jensen (“Extras”), que interpretará um papel coadjuvante, uma cachorrinha Terrier escocesa chamada Jackie – no desenho de 1955, o personagem era um cachorro chamado Jock. Já a intérprete da cocker spaniel mimada, que se paixona pelo Vagabundo, ainda não foi definida. A produção deve combinar “live action”, atores de carne e osso, com animação realista feita por computador, ao estilo de “Mogli – O Menino Lobo”, em que os animais falantes foram criados por animação digital e dublados por atores conhecidos. No clássico da Disney, a Dama acaba na rua depois que seus donos têm um bebê. Ela é salva de uma matilha raivosa pelo Vagabundo, que lhe mostra que ser um cão sem coleira pode ser divertido. O filme apresenta uma das cenas mais icônicas da Disney: um jantar de espaguete romântico realizado em um beco, que inclui um dos beijos mais famosos da história do cinema. A nova versão tem roteiro de Andrew Bujalski, um cineasta indie premiado com o troféu John Cassavettes (para filmes feitos por menos de US$ 500 mil) no Spirit Awards 2013 pela comédia “Computer Chess” e a direção está a cargo de Charlie Bean (de “Lego Ninjago: O Filme”). Interessante reparar que essa equipe destoa muita das produções das demais refilmagens de desenhos do estúdio, que reúne cineastas renomados e grandes estrelas de cinema. Isso talvez se deva ao fato de o filme não estar sendo desenvolvido para o cinema, mas para a vindoura plataforma de streaming da Disney, prevista para 2019.
Netflix tira novo filme de Mogli dos cinemas em negociação pelos direitos exclusivos em streaming
A Netflix tirou a produção de “Mogli: O Livro da Selva” dos cinemas, ao adquirir os direitos de distribuição mundial do filme, produzido pela Warner Bros. Segundo o Deadline, o negócio foi a maior aquisição já realizada pela plataforma para um filme finalizado, mas o site não oferece valores para sustentar a afirmação. De todo modo, o negócio deve ter custado mais que os US$ 40 milhões pagos para a Paramount para lançar com exclusividade “O Paradoxo Cloverfield”, que se provou uma bomba de qualidade vergonhosa. A Warner já tinha, inclusive, começado a divulgar a produção, com o lançamento de um trailer e um vídeo de bastidores sobre o trabalho do diretor Andy Serkis (o César da trilogia “Planeta dos Macacos”), que descreve sua versão como mais sombria (claro, é da Warner), assegurando que não há canções ou animais dançarinos, e por isso mais próxima de “O Livro da Selva”, o romance original de Rudyard Kipling. Além de dirigir, Serkis dá vida, via captura de movimentos, ao urso Baloo (Balu), que ele afirma ser completamente diferente da versão amigável da Disney. O elenco de vozes originais ainda incluiu grandes astros, como Christian Bale (“Batman: O Cavaleiro das Trevas”), Benedict Cumberbatch (“Doutor Estranho”), Cate Blanchett (“Thor: Ragnarok”), Peter Mullan (série “Ozark”) e Naomie Harris (“Moonlight”). O menino Mogli é interpretado por Rohan Chand (“A 100 Passos de um Sonho”) e o elenco humano ainda inclui Freida Pinto (“Planeta dos Macacos: A Origem”) e Matthew Rhys (série “The Americans”). Ao negociar a produção com a Netflix, a Warner evita a comparação difícil de sua obra com o filme homônimo da Disney, que estourou bilheterias e encantou público e crítica há apenas dois anos. O Mogli da Disney, com direção de Jon Favreau, fez tanto sucesso que terá, inclusive, uma continuação nos cinemas. Já o filme de Serkis chegaria aos cinemas em 18 de outubro no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos, mas a Netflix não informou ainda quando pretende lançar sua aquisição em streaming.
História da criação da Nike vai virar filme da Netflix
A história de Phil Knight, fundador da Nike, vai virar filme da Netflix. A produção será baseada na autobiografia “A Marca da Vitória: A Autobiografia do Criador da Nike”, tradução pomposa para o best-seller americano originalmente intitulado “Shoe Dog”, que conta como surgiu o império da marca de material esportivo. O livro revela que Knight pediu US$ 50 emprestado ao pai nos 1960 para começar seu negócio, que atualmente fatura cerca de US$ 36 bilhões por ano. “Não poderíamos estar mais animados em fazer ‘A Marca da Vitória: A Autobiografia do Criador da Nike’ com Phil Knight, um dos mais icônicos empresários do mundo e um grande contador de histórias”, disse em comunicado Scott Stuber, responsável pelo segmento de filmes da Netflix. “Através de inovação, paixão e tentativa e erro, Phil criou algo que virou parte da cultura. Mal podemos esperar para dividir isso com o mundo”, completou, no comunicado do projeto. A adaptação está sendo escrita por Scott Alexander e Larry Karaszewski, criadores da série “American Crime Story” e responsáveis pelo premiado arco limitado “The People v. O. J. Simpson”. E a produção é de Frank Marshall, parceiro de Steven Spielberg em diversos clássicos do cinema, como os filmes de Indiana Jones, “Poltergeist”, “Gremlins”, “Os Goonies” e “De Volta para o Futuro”. “Estou ansioso para trabalhar com meu amigo, o grande Frank Marshall, em trazer minha história e a história da Nike para a tela”, disse Knight, no mesmo comunicado. “Fiquei satisfeito com a recepção que meu livro recebeu e acho que podemos explicar minha jornada e a história da Nike para um público ainda maior em colaboração com a Netflix.” O filme ainda não tem diretor definido, cronograma de produção, nem data para chegar no serviço de streaming.
The Affair é renovada para a 5ª e última temporada
O canal pago Showtime renovou a série “The Affair” para sua 5ª temporada, que deverá encerrar a produção. O anúncio foi feito após a 4ª temporada chegar na metade de seus episódios. Criada por Hagai Levi e Sarah Treem (série “Em Terapia”), o drama lida com o tema do matrimônio e da infidelidade, acompanhando o desenrolar de um caso que leva os personagens de Dominic West e Ruth Wilson a encerrarem seus casamentos, respectivamente com Maura Tierney e Joshua Jackson. Na nova temporada, o affair original já ficou no passado, mas os danos nos relacionamentos continuam presentes. Ao contrário dos episódios anteriores, que exploraram as complicadas conexões entre os personagens, o quarto ano separou os protagonistas, enviando-os em suas próprias viagens de autodescoberta. Cada personagem está agora envolvido em um novo relacionamento, forçando-os a decidir se estão prontos e dispostos a deixar o passado para trás. A série chegou a ser queridinha da crítica e, como é típico, recebeu prêmios do Globo de Ouro em sua 1ª temporada. Mas não demorou a receber críticas menos empolgadas e atualmente já não desponta entre as listas de melhores séries do ano. Mesmo assim, mantém a audiência na casa dos 500 mil telespectadores por episódios ao vivo, o que é ótimo para o padrão do Showtime. A 4ª temporada vai se encerrar em 19 de agosto nos Estados Unidos e os últimos episódios irão ao ar em 2019. No Brasil, é possível ver apenas as três primeiras temporadas, disponíveis na Netflix.
Terror polêmico do Slender Man ganha trailer em versões dublada e legendada
A Sony Pictures divulgou três fotos e um novo trailer de terror “Slender Man – Pesadelo Sem Rosto”, em versões legendada e dublada, retomando o marketing que havia sido interrompido há seis meses, devido à polêmica levantada pelo lançamento da produção. O Slender Man foi criado no Photoshop pelo internauta Erick Knudsen como um meme em 2009, mas ganhou tanta popularidade que se espalhou pela internet e começou a gerar relatos de pessoas que afirmavam tê-lo visto de verdade. Sua lenda atingiu picos de notoriedade em 2014 após duas crianças, Anissa Weier e Morgan Geyser, atraírem a colega de classe Payton Leutner para um parque arborizado de Milwaukee, onde uma delas, Geyser esfaqueou Leutner 19 vezes, enquanto a outra a encorajava. A vítima ainda conseguiu rastejar para fora da floresta onde um ciclista a encontrou. Ela sobreviveu ao ataque. Na época, Weier e Geyser disseram à polícia que elas tinham que matar a colega para provar ao Slender Man que eram dignas de ser suas servas, bem como para proteger suas famílias contra ele. Todas as três meninas tinham 12 anos. A produção da Sony é o primeiro filme do personagem, com direção de Sylvian White (“Assassinato em Quatro Atos”) e roteiro de David Birke, que escreveu o aclamado suspense francês “Elle” (2016), de Paul Verhoeven. Por isso, quando o primeiro trailer chegou na internet com imagens que remetiam ao crime das meninas, o pai de uma das garotas de Wisconsin lançou campanha de boicote ao filme. Bill Weier, pai de Anissa Weier, disse à Associated Press: “É absurdo que eles desejem fazer um filme como este. É popularizar uma tragédia. Não estou surpreso, mas na minha opinião é extremamente desagradável. Tudo o que estão fazendo é ampliar a dor que as três famílias passaram”. O estúdio não respondeu à polêmica, mas adiou a estreia. De todo modo, “Slender Man – Pesadelo Sem Rosto” não é uma recriação do ataque de 2014, embora envolva um grupo de garotas adolescentes, que inclui Joey King (de “A Barraca do Beijo”), Annalise Basso (“Ouija: Origem do Mal”), Julia Goldani Telles (série “The Affair”) e Jaz Sinclair (“Cidades de Papel”). Os fãs de filmes de terror não terão dificuldades em ver que a prévia divulgada mostra o monstro num contexto descaradamente similar ao de “O Chamado”. A estreia está marcada para 23 de agosto no Brasil, duas semanas após o lançamento nos Estados Unidos.
Júri do Festival de Veneza terá diretor de Thor: Ragnarok
O Festival de Veneza 2018 anunciou nesta quinta-feira os membros do júri que elegerão os melhores da competição, que será presidido por Guillermo del Toro (“A Forma da Água”), vencedor do Leão de Ouro no ano passado. Os integrantes são o diretor neozelandês Taika Waititi (“Thor: Ragnarok”), a atriz australiana Naomi Watts (“Birdman”), o ator austríaco Christoph Waltz (“Django Livre”), a atriz e diretora taiwanesa Sylvia Chang (“Escritório”), a atriz dinamarquesa Tryne Dyrholm (“O Amante da Rainha”), a atriz e diretora francesa Nicole Garcia (“Um Instante de Amor”), o diretor e roteirista italiano Paolo Genovese (“The Place”), e a diretora e roteirista polonesa Malgorzata Szumowska (“Body”). A seleção oficial do Festival de Veneza 2018 conta com filmes que podem chegar fortes ao Oscar 2019, como o drama “O Primeiro Homem”, de Damien Chazelle (“La La Land: Cantando Estações”), que vai abrir o evento. Veja a lista completa aqui. O Festival de Veneza 2018 acontece entre 29 de agosto e 8 de setembro.
Kristen Stewart e Naomi Scott são confirmadas no novo filme de As Panteras
A Sony Pictures oficializou a produção da nova versão de “As Panteras”, confirmando alguns dos rumores que já circulavam desde o ano passado sobre o elenco. Conforme especulado, Kristen Stewart (“Branca de Neve e o Caçador”) e Naomi Scott (“Power Rangers”) estão entre as protagonistas, mas Lupita Nyong’o (“Pantera Negra”) não entrou na produção. A terceira pantera será vivida por outra atriz negra, a britânica Ella Balinska, que ainda não estrelou nenhum filme de cinema, apenas séries, curtas e um longa lançado direto na internet. Ironicamente, considerando a série clássica e a versão cinematográfica anterior, só há uma loira na produção e se trata de Bosley. O personagem que sempre foi homem, desta vez será vivido por Elizabeth Banks, que também vai assinar a direção em sua segunda incursão para trás das câmeras de um longa-metragem, após “A Escolha Perfeita 2”. A produção também marcará um reencontro entre Banks e Naomi Scott, já que as duas duelaram em “Power Rangers” – a loira viveu a vilã Rita Repulsa, enquanto a jovem londrina, descendente de indianos, deu vida à Ranger Rosa. A primeira e mais famosa encarnação do trio de detetives surgiu na série de TV de 1976, formada por Farrah Fawcett, Kate Jackson e Jaclyn Smith, contratadas pelo misterioso milionário Charlie como detetives que ajudam clientes contra criminosos perigosos. Imune à passagem do tempo, a atração rendeu duas versões de cinema. “As Panteras” (2000) e “As Panteras: Detonando” (2003) juntaram Drew Barrymore, Cameron Diaz e Lucy Liu e somaram uma arrecadação de US$ 523 milhões. Depois disso, a franquia ensaiou voltar para a TV, mas a nova série, de 2011, teve um péssimo desempenho e foi cancelada na metade de sua 1ª temporada. Segundo a sinopse do novo “As Panteras”, o novo remake transportará o conceito das versões anteriores para uma escala global, revelando que a agência do misterioso Charlie, chefe das garotas, tem grupos de espiãs em todos os cantos do mundo. Além de estar na frente e atrás da câmera, Banks também escreveu a versão final do roteiro com Jay Basu (“Millennium: A Garota na Teia da Aranha”). O novo “As Panteras” tem data marcada para 27 setembro de 2019 nos Estados Unidos, três meses mais tarde que o primeiro cronograma apresentado pelo estúdio.
Comédia clássica Como Eliminar Seu Chefe terá continuação com elenco original
A atriz Jane Fonda confirmou que a comédia clássica “Como Eliminar Seu Chefe” ganhará uma continuação com as protagonistas originais. Conversas sobre projeto começaram assim que a atriz voltou a se juntar com Lily Tomlin na série “Grace and Frankie”, atualmente renovada para sua 5ª temporada na Netflix. E com as duas juntas, não foi difícil convencer Dolly Parton a formar novamente o trio Judy, Violet e Doralee, que fizeram enorme sucesso em 1980 ao enfrentar o chefe machista vivido por Dabney Coleman. Sucesso não apenas no cinema, pois a música-título, “Nine to Five”, tornou-se um dos maiores hits da carreira de Dolly Parton – que na época já era uma das cantoras mais populares do country americano. “Estou atuando como produtora executiva, trabalhando com os roteiristas e com a Lily”, disse Fonda, durante participação no evento de imprensa da TCA (Associação dos Críticos de TV dos EUA), em que apresentou seu novo documentário em desenvolvimento na HBO – “Jane Fonda em Cinco Atos”. A atriz ainda sugeriu que a sequência deve explorar como a tecnologia e o assédio têm complicado a dinâmica de trabalho atualmente, atualizando o tema para os dias do movimento #MeToo. “Lamento que a situação esteja pior agora”, disse a atriz de 80 anos, lembrando que, por causa do grande número de trabalhadores terceirizados, fica ainda mais complicado “eliminar o chefe” como no filme de 38 anos atrás. Mas ela se diz otimista sobre as mudanças que estão por vir para as mulheres no ambiente de trabalho, após o #MeToo ganhar força. “Acredito que o assédio sexual tende a cair”, disse ela, sorrindo. “Os caras estão com medo.” Lembre abaixo a música famosa de Dolly Parton, num clipe com cenas do filme.
Ryan Reynolds vai produzir “versão adulta” de Esqueceram de Mim
O ator Ryan Reynolds (“Deadpool”) vai produzir e possivelmente estrelar um filme inspirado na trama da Sessão da Tarde clássica “Esqueceram de Mim”, mas centrada num homem adulto. As referências já começam no título, “Stoned Alone” (algo como “Drogado em Casa”, mas que os tradutores nacionais podem batizar de “Esqueci de Mim”), que é uma alusão óbvia ao nome em inglês do filme de 1990 estrelado por Macaulay Culkin, “Home Alone”. A trama gira em torno de um rapaz que cultiva maconha em casa e perde o avião para uma viagem de férias, quando pretendia esquiar. Entediado, ele é obrigado a ficar enfurnado no lar. E o que ele faz? O óbvio: fuma tudo. É então que, em meio a uma bad trip, o protagonista totalmente chapado começa a entrar em paranoia e imaginar que ladrões estão tentando invadir o local. E aí, ao melhor estilo “Esqueceram de Mim”, passa a criar armadilhas e fazer de tudo para proteger seu “castelo”. Não é brincadeira, este projeto existe mesmo e saiu da cabeça de um executivo da Fox, Matt Reilly. Como a Fox é a dona dos direitos de “Esqueceram de Mim”, o plágio vira homenagem e ninguém vai parar na justiça pelas semelhanças. Kevin Burrows e Matt Mider (criadores da série animada “Gentlemen Lobsters”) estão encarregados de escrever um roteiro a partir dessa premissa, que será dirigido por Agustine Frizzell, da série “Euphoria”, da HBO. Só falta convidar Macaulay Culkin para viver o papel principal, o que seria a cereja do bolo. Ainda em fase inicial, a comédia não tem previsão para o início de suas filmagens.
Música da trilha de Alguma Coisa Assim ganha clipe dos diretores do filme
Música da trilha de “Alguma Coisa Assim”, de Esmir Filho e Mariana Bastos, a eletrônica “Into Shade” ganhou um clipe, dirigido pelos responsáveis pelo filme. O vídeo mescla cenas do longa com novas gravações realizadas no cenário principal da produção, a Rua Augusta, em São Paulo, por onde aparecem andando os cantores de “Into Shade”, Lucas Santtana e Bárbara Eugênia. E enquanto eles cantam, também replicam algumas cenas do casal central do filme, Mari (Caroline Abras) e Caio (André Antunes). O longa se desenvolve a partir do curta-metragem homônimo premiado em Cannes, em 2006, e acompanha três momentos-chave da vida dos personagens, que se reencontram em 2013 no mesmo cenário e, em 2016, novamente em Berlim. Entre os três períodos, vem à tona a transformação da relação entre os personagens, assim como o mundo a seu redor, numa reflexão sobre temas atuais, como sexualidade, rótulos, aborto e novas formas de família. O filme estreou nesta quinta-feira (26/5) nos cinemas do Brasil. Leia a crítica aqui.
Missão Impossível explora risco de vida de Tom Cruise em fantasia de tensão vertiginosa
Impressionante como a franquia “Missão: Impossível” mantém a vitalidade ao longo de mais de 20 anos (o primeiro filme é de 1996). Mas mais impressionante ainda é como sua dependência do astro-produtor Tom Cruise é também seu maior mérito: como se estivesse envelhecendo ao contrário, o ator parece fazer questão de se arriscar cada vez mais, dispensando dublês e conferindo um realismo essencial em sequências de ação pra lá de exageradas. Talvez este seja o grande diferencial da série: este equilibro fascinante entre o real e o absurdo. Ethan Hunt é Tom Cruise e seus acidentes e proezas durantes as filmagens ganham manchetes no mundo todo, ajudando a embaçar o que é efeito especial e o que é verdade. Parte da diversão dos filmes é se questionar se Cruise realmente fez aquilo ou se trata de mais uma ilusão do cinema. Sim, ele fez. Mas também é tudo mentira. E é aí que está a graça. “Missão: Impossível – Efeito Fallout” é a sexta parte desta franquia que a cada vez se leva menos a sério. Mas ao contrário de um “Velozes e Furiosos” (que vem a cada novo filme se assumindo mais cartunesco), os personagens que por vezes parecem habitar um mundo maluco de desenhos animados – com seus golpes de quebrar paredes e equilíbrio inabalável – possuem um pé no real ao se machucar e correr riscos que parecem de verdade: e as proezas do protagonista são fundamentais para isso. E se de um lado Tom Cruise é o rosto da franquia, por outro o elenco de apoio continua roubando cenas, enquanto Henry Cavill comprova que, apesar do carisma e da boa presença (e do bigode), não é dos melhores atores… Como primeiro diretor a fazer mais de um filme da série, Christopher McQuarrie entrega ao mesmo tempo uma continuação direta de “Nação Secreta” e uma obra que pode ser vista de forma independente dos outros filmes. Tudo graças a diálogos extremamente expositivos que se transformam em longos monólogos em que tudo é didaticamente explicado ao público. E o fato de que mesmo com toda a exposição a trama ainda se revele confusa talvez seja o maior problema do filme. O roteiro (também de McQuarrie) se sai melhor quando tenta investir em aspectos pessoais da vida de Hunt, mas se perde no labirinto de planos mirabolantes dentro de planos mirabolantes. Do início que parece saído da introdução de um videogame – com a missão impossível da vez detalhadamente explicada -, até o final espetacularmente tenso, a trama vai se revelando cada vez mais “complexa” e com mais personagens. O objetivo claro do protagonista, que seria encontrar duas bombas de plutônio, vai se tornando mais confuso em uma história que parece se divertir com a bagunça que provoca. Em determinado momento, Hunt, ao ser questionado se está sendo perseguido pela CIA, por terroristas ou pelo serviço secreto inglês, responde: “isso importa?”. A verdade é que não. E “Efeito Fallout” parece reconhecer que o jogo de gato e rato das histórias de espionagem normalmente não faz muito sentido e não vê problemas em elevar isso à enésima potência, usando a trajetória de Hunt apenas para fazê-lo pular (às vezes literalmente) de uma cena de ação para outra. E são elas que fazem mesmo valer o ingresso e manter a franquia viva. Cada vez mais vertiginosas e tensas, as sequências de Hunt fazendo seu trabalho colocam o novo filme entre os melhores da série em momentos em que a direção de McQuarrie equilibra muito bem a tensão, o humor e o deslumbramento diante do inacreditável. Que Tom Cruise continue aceitando mais missões. E que Ethan Hunt continue fazendo o impossível. .
Alguma Coisa Assim é moderno como poucos no cinema brasileiro
Longa brasileiro com coprodução alemã, “Alguma Coisa Assim” retoma os personagens de um curta homônimo, premiado em Cannes em 2006. Os realizadores, o ator e a atriz protagonistas são os mesmos, a trama incorpora a história original e a amplia, para ser experimentada dez anos depois. Mas essas explicações não importam muito, são apenas referências para situar o trabalho. O que conta é o resultado do longa atual, independentemente da sua história passada – não vi o curta e não senti nenhuma falta de vê-lo. “Alguma Coisa Assim” é um filme moderno na forma e nas questões temáticas que propõe. A partir das baladas das casas noturnas da rua Augusta e seu clima transgressivo e colorido, o neon invade a tela, mesmo constatando que a cidade mudou e os jovens estão diferentes. A história dos dois personagens, Mari (Caroline Abas) e Caio (André Antunes) vai ser retomada em outro contexto urbano, também aberto a experimentações: a vibrante e pulsante cidade de Berlim. Os jovens estão em busca de algo novo. O que poderia ser isso? Basicamente, a ideia de um viver sem rótulos, para além das convenções sociais. O que significa namorar hoje? E a amizade que chamávamos de colorida? Que tal o casamento, em especial o casamento gay? Como se define hoje a família, com suas novas formas? Como se pode entender a sexualidade, em suas múltiplas e plásticas formas? E os gêneros? Os cisgêneros e os transgêneros? Os relacionamentos afetivos e amorosos contemporâneos jovens desafiam convenções e tentativas de enquadrá-los. Rejeitam e superam os rótulos. Por que queremos tanto classificar, enquadrar, rotular as coisas? Em princípio, isso seria preciso para tentar entendê-las. Mas quase nunca ajuda nos relacionamentos humanos. Porque, por trás disso, está a noção do controle social e da busca de impor uma visão conservadora do mundo aos jovens e à sociedade como um todo. “Alguma Coisa Assim” é um jeito mais livre de ser, de experimentar, de arriscar, de viver. Também com muitas frustrações e incompreensões. Mas isso é do jogo, está sempre presente. São personagens se descobrindo, se redescobrindo, percebendo-se mutantes, em transformação constante. Um filme que vem em boa hora para o nosso Brasil, que anda para trás em tanta coisa, brecando avanços conquistados nos costumes, atacando a questão de gênero, a diversidade sexual, as novas famílias, o feminismo e o direito mais amplo ao aborto. No caso do aborto, “Alguma Coisa Assim” é de uma clareza e de uma honestidade que merecem aplausos. Não faz qualquer proselitismo, mas toca no ponto. Todo o clima do filme respira uma modernidade digna e bonita. Esmir Filho e Mariana Bastos fizeram um belo trabalho. Os atores Caroline Abras e André Antunes também vestem a camisa dos personagens com muita sinceridade e força. Estão muito convincentes. Caroline já na estrada como atriz, se saindo muito bem e sendo premiada. André, tentando sair da profissão de ator, abraçando a psicologia como profissão, mas sem conseguir fugir do personagem que começou a interpretar dez anos antes. Que tal acumular as duas coisas? Destaque também para a trilha musical de Lucas Santana e Fábio Pinczowskit. Está mais do que na hora de alguma coisa assim poder se afirmar na vida das pessoas. Menos rótulos, mais autenticidade. Pode ser moderno, mas também faz lembrar de “Jules e Jim – Uma Mulher para Dois”, de François Truffaut, de 1962, e de “As Duas Faces da Felicidade’, de Agnès Varda, de 1965, filmes icônicos de uma fase que revolucionou os costumes nos anos 1960 e que tem muito a nos dizer hoje. Sabendo ou não seus realizadores, “Alguma Coisa Assim” segue essas pegadas, com competência.
Ilha dos Cachorros é uma fábula riquíssima e original que só a ousadia de Wes Anderson podia criar
Wes Anderson comprova com “Ilha dos Cachorros” que é uma das vozes mais autônomas do cinema norte-americano na atualidade. Como construtor de um mundo próprio, com uma lógica própria, também não há muitos outros que possamos pôr ao lado dele. David Lynch? Tim Burton? Reconhece-se instantaneamente uma cena de um filme desse texano de Houston. Há uma simetria quase obsessiva nos enquadramentos, setas com marcações entrando e saindo da tela como se tivéssemos dentro do diário de um estudante de artes plásticas, colagens criativas se desdobrando, frases soltas de filosofia pop e literatura. Bastou sete filmes para ele consolidar essa marca e arregimentar um bando de admiradores, mas foi a partir de seu oitavo longa, “O Grande Hotel Budapeste”, que realmente o estilo de Anderson alcançou a plenitude. “Ilha dos Cachorros” é o filme imediatamente posterior. Se em “O Grande Hotel Budapeste” a reverência era ao escritor Stefan Zweig, agora é claramente o George Orwell de “A Revolução dos Bichos”. A diferença é que, em vez de uma fazenda, temos um Japão imaginário feito em stop-motion, e no lugar de galinhas, cavalos e porcos, os protagonistas são cães e gatos. Dá pra levar as crianças? Não. O filme é uma fábula política arrepiante. Uma alegoria sobre corrupção, autoritarismo, num mundo de políticos perversos, que depois de um surto de gripe canina e doenças variadas decidem jogar todos os cães numa ilha. Lá, eles são deixados ao Deus dará, praticam canibalismo, comem lixo e morrem por negligência. Enfim, é a materialização de um pesadelo. Para dar o exemplo, o prefeito de Nomura (uma Tóquio retrô-futurista) nobremente faz o cão de guarda, que deu de presente para seu enteado, Atari, de 12 anos, ser o primeiro cachorro a ser exilado na “Ilha dos Cães”. Desesperado, o menino (dublado por Koyu Rankin) ruma num pequeno aeroplano pra ilha, procurando por “Spots”, seu amado animal de estimação. Atari mal pousa o avião e é recebido por um quinteto de vira-latas assustadores. Os cães vivem um dilema, estão confusos entre a liderança do razoável Rex (Edward Norton) e o implacável Chef (Bryan Cranston, perfeito). “Vamos comer o menino, ou vamos ajuda-lo no ‘resgate’?”, Boss (Bill Murray) quer saber. Trabalhando a partir de uma história que Anderson inventou com Roman Coppola, Jason Schwartzman e o ator/DJ japonês Kunichi Nomura, o filme evoca os sacrifícios do bando de animais desgastados, feridos e famintos em uma peregrinação atrás do menino. Os cinco vira-latas apoiam a empreitada, mas isso não os impedem de se questionar a todo instante, o porquê de apoiar uma criança pertencente à raça que os abandonou. Bela indagação. Ela se instala na cabeça do espectador, agarra-os com força, obriga a paisagem a se abrir em planos inesperados, dotados de ordem e carregados de ameaça. Claro, já tínhamos visto do que o diretor é capaz de realizar com a animação em stop-motion com “O Fantástico Senhor Raposo”, sua divertida adaptação do conto de Roald Dahl em 2009. A técnica e a escola se encaixam perfeitamente ao estilo de Anderson. As minúcias do quadro a quadro se adaptam às suas tendências de controle, a tentativa de afinar todos os aspectos da mise-en-scène, para a arte da própria realidade em um fac-símile simétrico. Por que tentar dobrar um mundo de ação ao vivo para se adequar ao seu plano mestre quando você pode simplesmente criar um inteiramente da sua cabeça? Reunindo-se com o diretor de fotografia do “Senhor Raposo”, Tristan Oliver, bem como com alguns integrantes dos departamentos de animação daquele antigo deleite, “Ilha dos Cachorros” encontra sua graça inesperada, novamente, na colisão entre o adulto e o juvenil: Seus personagens podem ser governados por leis da física dos desenhos animados, desaparecendo nas nuvens de Tex Avery quando se desfazem, mas eles falam, agem e são impassíveis, autoconscientes e neuróticos. Enquanto Atari continua sua jornada na ilha, no continente, uma corajosa e sardenta estudante de intercâmbio americana (Greta Gerwig) descobre uma vasta conspiração corporativa. Ela é a única personagem humana que será claramente compreendida pelos não falantes do japonês; num mundo míope, regido pela malícia frívola dos pronunciamentos, a confusão linguística de Ilha dos Cachorros torna o filme mais engraçado. Grande parte do diálogo japonês não tem legendas, o que, para o público ocidental, gera um estranhamento, e apenas os cães tem os latidos dos cachorros “traduzidos para o inglês”. Tirando o menino e a estudante engajada, não há personagens ricamente desenvolvidos entre os bípedes. Mas entre os quadrúpedes a escala de emoções é maravilhosa. Até mesmo o mais assustador deles, Chef, projeta suas inquietações de forma tocante. Ele avisa: “Eu mordo”, mas há uma ponta de fragilidade no seu cinismo ácido. Quando o menino joga um graveto para Chef buscar, ele adverte: “Eu não vou fazer o que você quer!”. Mas logo em seguida, Chef corre atrás do graveto e o entrega para o garoto. “Ilha dos Cachorros” pode vir da mesma família biológica de “O Fantástico Senhor Raposo”, mas é de uma raça diferente: mais estranha e ambiciosa, mais escura no tom e seguindo uma paleta de cores mais requintada. Esqueça a alegria fofa dos filmes da Disney. Anderson prefere abraçar a qualidade crua da alegria, usando chumaços de algodão como fumaça e o enrugamento do plástico como água. Ele manda pro espaço a busca pelo fotorrealismo, e cria uma ode aos desesperançados. Sim, a direção de arte é limpa, simétrica, mas os bonecos são sujos, frágeis. Estão ali pra acabar com a arrumação. A invenção cosmética se estende ao seu vocabulário visual fluido, Anderson emprega quadros de estilo mangá durante o prólogo expositivo, flerta com animações 2D em estilo anime sempre que seus personagens aparecem em uma tela de televisão e impõe o estilo dos afrescos medievais em pergaminho quando retrocede para os primórdios do folclore nipônico. Pode-se argumentar que o Japão criado aqui é puro kitsch, não muito diferente da visão exótica da Índia que ele ofereceu em “Viagem a Darjeeling” (2007). Mas “Ilha dos Cachorros” não economiza nos acenos culturais, é um inventário completo de saque estético-poético da cultura japonesa em ritmo pulsante. Kurosawa amaria esse filme, principalmente nos trechos heroicos de proezas dos vagabundos (Anderson usa o tema de “Os Sete Samurais”, cada vez que os vira-latas superam uma dificuldade). A encantadora trilha de Alexandre Desplat, aliás, é magnífica. Desplast pontua a ação com tambores das festas de cerejeiras, os taikôs. De fato, há muita coisa para ver em “Ilha dos Cachorros”. Temos um tributo carinhoso e denso, a um Japão antigo e novo, real e irreal, mergulhado em pastiche e inventado a partir do zero. Um filme de esplendor humanista gostoso de ver. Apesar das crueldades que aponta, há um enorme gosto pela vida, uma entrega total aos chamados das ideias e às demandas do conflito humano. E, enfim, um brinquedos de corda meticulosamente trabalhado para golpear o queixo dos líderes corporativos. Anderson nunca tinha atacado o corporativismo capitalista com um petardo tão direto. Aqui, ele indica os cães com sua lealdade, amizade e decência como antidoto contra a natureza perversa do capital. Em “Ilha dos Cachorros”, a camaradagem canina parece se tornar mais íntima e mais terna com a percepção de que somos todos exilados numa margem inóspita da sociedade.












