Justiça decide manter a Cinemateca no limbo
A Justiça Federal negou em caráter liminar um pedido do Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo para que a União renovasse o contrato de gestão da Cinemateca Brasileira com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp). A ação também pedia o repasse imediato de R$ 12 milhões, recursos já previstos e alocados no orçamento para a preservação do acervo da Cinemateca, o que foi negado. Aguardada com ansiedade entre funcionários e gestores da Cinemateca, bem como entre cineastas e pesquisadores do meio, a decisão foi um balde de água fria, porque aprofundou a crise ao jogar a Cinemateca mais fundo no lugar nenhum do limbo. A razão fornecida pela juíza Ana Lúcia Petri Betto, da 1ª Vara Cível Federal de São Paulo, para negar a retomada da gestão foi a ausência de necessidade de urgência, apesar do que a Procuradoria apontava, porque, em seu entendimento, “ao contrário, há elementos que indicam a tomada de providências emergenciais pela União Federal para preservação do acervo da Cinemateca Brasileira.” Ela ainda disse que cabia apenas à União adotar medidas de preservação do patrimônio histórico do acervo. “Se há perigo de dano ao patrimônio histórico-cultural que integram a Cinemateca Brasileira, ou mesmo dano efetivo, cabe à União Federal cessá-los da maneira que julgar mais eficiente, com os recursos que possui”, afirmou em sua decisão. Mas a União interrompeu o pagamento para a preservação do material no ano passado, deixando até as contas de luz atrasarem, sem esquecer dos salários dos funcionários. O cineasta Roberto Gervitz, um dos organizadores do movimento SOS Cinemateca, ficou indignado com a decisão judicial. “Eu achei inacreditável que a juíza não reconheça o caráter emergencial da liminar, é um absurdo. É algo difícil de entender, porque todos sabem a situação que a Cinemateca se encontra”, ele disse ao jornal O Globo. “Quando a ação surgiu, o governo começou a correr para parecer que estava fazendo algo, mas ele não faz nada há mais de um ano. Desde de 2019 que não cumpre com suas obrigações”. Ex-diretor da Cinemateca entre 1987 e 1992, Carlos Augusto Calil também reclamou ao Globo contra a decisão da juíza, “totalmente alienada”. “Ela lavou as mãos. A parte muito estranha é que ela não reconhece urgência da situação da Cinemateca. São oito meses sem receber recursos do governo federal, os salários estão atrasados, as contas de luz não foram pagas. E isso é um risco, pois grande parte dos documentos são preservados em ambientes com temperatura controlada”. Sem recursos federais desde o início do ano, a brigada de incêndio da Cinemateca, que é terceirizada, já abandonou o trabalho. Como o material dos filmes antigos é altamente inflamável, o acervo já enfrentou – e sobreviveu a – quatro incêndios. A liminar que pedia a renovação de contrato com a Acerp esperava mobilizar a verba para a preservação do material e viabilizar a gestão da instituição em 2020. O objetivo da secretaria de Cultura, ao congelar o repasse, seria justamente impedir o funcionamento da Cinemateca para ser “forçada” pelas “circunstâncias” a assumir o controle administrativo da Cinemateca e, assim, conseguir dar sua presidência de presente para Regina Duarte. Esta intenção, porém, contraria frontalmente uma cláusula do contrato de doação da Cinemateca — originalmente privada — à União em 1984, que garante sua autonomia financeira, administrativa e técnica, além da permanência em São Paulo. Para se ter ideia da inconsequência, há alguns dias ventilou-se no desgoverno até a mudança do acervo para Brasília… A decisão judicial apenas aprofundou o impasse, já que juíza entende que a União deve usar seus recursos para preservar a Cinemateca, mas impede que esses recursos sejam destinados a Acerp, a organização social que administrava a entidade. Como a União não administra a Cinemateca nem reconhece a administração da Acerp, na prática, portanto, ninguém administra a Cinemateca. O Caos. Esta situação surreal é resultado direto de um dos muitos atos inconsequentes daquele que Bolsonaro já chamou de seu “melhor ministro”. Então vinculada ao Ministério da Educação para a gestão da TV Escola, a Acerp ganhou a licitação para gerir a Cinemateca Brasileira em 2018 e assinou um termo aditivo ao Contrato de Gestão da emissora. Mas, no final de 2019, o então ministro da Educação Weintraub decidiu encerrar de forma unilateral e abrupta o contrato de gestão da TV Escola e, com isso, também extinguiu o termo aditivo da Cinemateca Brasileira. Genial como é, Weintraub achava que, ao romper o contrato, iria encampar a TV Escola para fazer uma programação a seu gosto (refletindo seu guru astrólogo). Mas a TV Escola, assim como a Cinemateca, não pertencem ao desgoverno e tudo o que ele conseguiu foi acabar com uma e jogar a outra no limbo. Caso o contrato fosse respeitado, ele se encerraria em 2021, data em que a secretaria poderia lançar um novo edital para contratar outra empresa, se não estivesse satisfeita com os serviços atuais.
A Mulher da Janela: Netflix negocia lançar suspense estrelado por Amy Adams
A Netflix está finalizando um acordo de aquisição de “A Mulher da Janela”, suspense estrelado por Amy Adams (“A Chegada”) e dirigido por Joe Wright (“O Destino de uma Nação”). “A Mulher da Janela” era a última produção da Fox 2000, estúdio fechado pela Disney após completar a aquisição do acervo da 21st Century Fox, e tinha lançamento previsto para maio passado. Entretanto, a data coincidiu com o período de fechamento dos cinemas como prevenção contra a covid-19. Devido à pandemia, a Disney tem dado diferentes destinos para algumas de suas produções já finalizadas. Filmes de baixa classificação etária, como “Artemis Fowl: O Mundo Secreto” e “O Grande Ivan”, foram encaminhados para a plataforma Disney+ (Disney Plus). Mas títulos produzidos para o público mais velho começam a ser negociados com o mercado. Com a negociação com a Netflix, “A Mulher da Janela” não deverá mais chegar aos cinemas, assinalando um final amargo para a Fox 2000. Criado e comandado por Elizabeth Gabler desde 1999, o estúdio era especializado em filmes contemporâneos de médio orçamento. E lançou muitos sucessos, como “O Clube da Luta” (1999), “Nunca Fui Beijada” (1999), “Johnny & June” (2005), “O Diabo Veste Prada” (2006), “Marley & Eu” (2008), “A Culpa É Das Estrelas” (2014), “Joy: O Nome do Sucesso” (2015), “Ponte dos Espiões” (2015), “Estrelas Além do Tempo” (2016), “Com Amor, Simon” (2018) e “O Ódio que Você Semeia” (2018). Adaptação do best-seller homônimo de A.J. Finn, “A Mulher da Janela” é um suspense hitchcockiano, que combina “Janela Indiscreta” (1954) e “Um Corpo que Cai” (1958). Como não é a primeira vez que um filme junta as duas tramas, “Dublê de Corpo” (1984), de Brian De Palma, é outra inspiração óbvia. No filme, Adams vive Anna Fox, uma psicóloga infantil que mora sozinha em Nova York. Ela sofre de fobia por espaços públicos e locais abertos, e passa os dias em casa assistindo filmes e interagindo com as pessoas apenas pela internet. Mas um dia permite que sua vizinha (Julianne Moore, de “Kingsman: O Círculo Dourado”) a visite, descobrindo que ela sofre nas mãos do marido (Gary Oldman, de “O Destino de uma Nação”). Pouco depois, testemunha uma agressão pela janela, mas o que viu é refutado por fatos, que a levam a questionar se foi verdade ou se imaginou tudo, devido a seus remédios. O elenco ainda inclui Anthony Mackie (“Vingadores: Ultimato”), Wyatt Russell (“Operação Overlord”), Brian Tyree Henry (“Brinquedo Assassino”) e Jennifer Jason Leigh (“Os 8 Odiados”). Veja abaixo o primeiro trailer legendado da produção, divulgado em dezembro passado.
Atriz de A Irmã do Meio e The Originals é presa por lesão corporal
A atriz Ronni Hawk, que estrelou a série “A Irmã do Meio” (Stuck in the Middle) no Disney Channel e apareceu em “On My Block” e “The Originals”, foi presa na sexta passada (31/1) em Los Angeles, nos Estados Unidos, sob acusação de lesão corporal. A prisão aconteceu após a polícia receber uma ligação de vizinhos alegando “perturbação doméstica” na casa da atriz. Lá, o namorado da atriz foi encontrado com vários ferimentos visíveis, incluindo arranhões. Segundo os oficiais, uma briga verbal entre o casal levou Ronni Hawk a agredir fisicamente o namorado, o que fez os policiais a levarem algemada. Ronni encontra-se na prisão de Van Nuys, em Los Angeles, segundo o site TMZ, e sua fiança foi estabelecida em US$ 100 mil. Ela tinha recentemente conseguido um papel recorrente na série “The Originals”, como uma bruxa em busca de redenção. Mas não é exatamente uma atriz querida pelos fãs de séries. Em 2018, os espectadores de “On My Block” foram ao Twitter pedir que a Netflix demitisse a atriz após descobrirem postagens antigas em que ela manifestava apoio ao presidente Donald Trump e se manifestava contrária às políticas de controle de armas nos Estados Unidos. Depois da campanha, ela não voltou na 2ª temporada.
Leonardo DiCaprio fecha contrato com a Apple TV+
O astro Leonardo DiCaprio (“Era uma Vez em… Hollywood”) fechou contrato com a Apple para desenvolver filmes e séries com exclusividade para sua plataforma de streaming, Apple TV+. A produtora do ator, Appian Way, já vinha desenvolvendo dois projetos para a empresa de tecnologia, o filme “Killers of the Flower Moon” e a série “Shining Girls”. Só o filme, que tem direção de Martin Scorsese e vai juntar DiCaprio e Robert De Niro, recebeu um orçamento de US$ 200 milhões da Apple para sua realização. Sob o contrato recém-firmado, a produtora de DiCaprio deixará de apresentar seus projetos no mercado, oferecendo-os diretamente para a Apple. A negociação aconteceu após a Appian Way completar um contrato de três anos com a Paramount Pictures – que ainda dá direito à exibição de “Killers of the Flower Moon” nos cinemas. Antes disso, a empresa estava alojada na Warner Bros. O novo contrato tem uma diferença em relação aos anteriores. Pela primeira vez, abrange produções de séries. A Appian Way começou a desenvolver séries apenas recentemente, entre elas as minisséries “Grant”, para o History Channel, e “The Right Stuff”, para a National Geographic/Disney+ (Disney Plus). Sua primeira série na Apple TV+, “Shining Girls”, é um thriller estrelado por Elisabeth Moss (vencedora do Emmy por “The Handmaid’s Tale”). A produtora também é conhecida por seus documentários ecológicos, e um deles, “Virunga”, vai virar drama de ficção na Netflix. O acordo com a empresa de DiCaprio aumenta a lista seleta de parceiro produção da Apple, que incluem a Scott Free (produtora de Ridley Scott), Green Door Pictures (de Idris Elba), o estúdio A24, Imagine Documentaries, Sesame Workshop (da “Vila Sésamo”) e Peanuts Worldwide (dos desenhos de Charlie Brown).
Chris Hemsworth vai mergulhar com tubarões para o canal National Geographic
Chris Hemsworth vai mergulhar no Sharkfest, o festival de programas sobre tubarões do canal pago National Geographic. O intérprete de Thor e astro dos Vingadores será o destaque da edição de 2021 do evento no Nat Geo. Graças à sinergia da Disney (Marvel e Nat Geo fazem parte do conglomerado), ele vai estrelar “Shark Beach”, especial documental que também contará com biólogos marinhos, surfistas, conservacionistas e defensores de tubarões. As gravações vão acontecer na Austrália, país do ator, para investigar as razões por trás do aumento do número de ataques de tubarões nos últimos anos e tentar descobrir maneiras em que seres humanos e tubarões possam coexistir. “Passei boa parte da minha vida perto ou dentro do oceano, dividindo o mesmo quintal com tubarões e, recentemente, tem havido uma preocupação crescente em relação ao aumento da atividade dos tubarões”, disse Hemsworth, em comunicado sobre o projeto. “É crucial que reverenciamos e respeitemos os tubarões. Nossos oceanos dependem desses predadores de ponta para seu ecossistema de biodiversidade; no entanto, também precisamos aprender a nos proteger, e esse é o meu principal objetivo em ‘Shark Beach'”. No especial, Hemsworth mergulhará em locais habitados por diferentes espécies de tubarões para entender seus comportamentos, além de se juntar a biólogos locais para explorar medidas preventivas para impedir ataques e mostrar inovações em tecnologia projetada para proteger tubarões e pessoas. “O Sharkfest se tornou o ponto de partida para cientistas e cineastas compartilharem nossa paixão por tubarões e a saúde dos oceanos do planeta. Com o sucesso, também atraímos celebridades que têm o poder de aumentar a conscientização e o impacto através de suas incríveis plataformas sociais”, disse Geoff Daniels, vice-presidente executivo de entretenimento global da National Geographic. “É por isso que eu estou entusiasmado com ‘Shark Beach’ e com nossa mais recente colaboração com Chris Hemsworth. Ele é um defensor destemido da natureza, com um compromisso comprovado com a conservação e uma vontade inigualável de fazer o que for necessário para ajudar a proteger os tubarões por gerações vindouras.” Além de apresentar o programa, Hemsworth vai coproduzir “Shark Beach” com a produtora Nutopia (“O Mundo Segundo Jeff Goldblum” e “One Strange Rock”). A data exata da exibição ainda não foi definida, mas vai acontecer durante o verão norte-americano (entre junho e agosto) de 2021.
Roteirista de John Wick vai transformar Splinter Cell em série animada
A Netflix fechou contrato com a empresa de games Ubisoft para desenvolver uma série animada da franquia de jogos “Splinter Cell”. A adaptação está a cargo de Derek Kostad, roteirista da franquia “John Wick”. Konstad, que assinou todos os filmes do assassino vivido por Keanu Reeves e também está envolvido com a série da Marvel “Falcão e o Soldado Universal”, vai escrever e produzir a versão animada do game, que a princípio terá visual de anime (animação japonesa). Lançado em 2002, “Splinter Cell” acompanha Sam Fisher, um agente altamente treinado de uma sub-divisão fictícia de operações clandestinas da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), apelidada de “Third Echelon”. O jogador controla Fisher para superar seus adversários ao longo de vários níveis. As “partidas” são caracterizadas, principalmente, pelo alto nível de atenção que os jogadores devem ter durante todo seu decorrer, visto que a maioria dos acontecimentos é inesperada, exercitando o raciocínio lógico e capacidade de reação. A trama apresenta elementos de espionagem e equipamentos de última geração, e é endossada pelo já falecido escritor Tom Clancy, criador do espião Jack Ryan, visto em “A Caçada ao Outubro Vermelho”, “Perigo Real e Imediato” e “A Soma de Todos os Medos”, livros adaptados com sucesso por Hollywood. Apesar disto, a franquia, cujo nome completo é “Tom Clancy’s Splinter Cell”, não se baseia em personagens criador pelo escritor. Além do jogo original, a franquia inclui seis sequências e uma coleção literária. Há alguns anos, Tom Hardy chegou a discutir uma adaptação cinematográfica, no papel de Fisher, mas o projeto nunca passou da etapa inicial.
Warner revela o que a boneca Annabelle anda aprontando durante a pandemia
O estúdio da Warner Bros. em Burbank, na Califórnia, virou uma cidade fantasma nos últimos quatro meses e meio, já que os funcionários estão trabalhando em casa em quarentena. Mas alguém esqueceu a boneca Annabelle fora de sua estante protegida. No final de julho, quando foram pegar “material de trabalho”, três empregados da New Line, divisão da Warner responsável pelos filmes de “Invocação do Mal”, depararam-se com a criatura numa cadeira e resolveram registrar com seus iPhones o que acontece quando a boneca do mal é deixada por conta própria, sem supervisão. O resultado foi um curta, “Annabelle in Quarantine”, que mostra como Annabelle preencheu seu tempo ao ficar sozinha nos escritórios da New Line. O curta se tornou um sucesso interno na Warner Bros. e rapidamente foi repassado para outras divisões. Graças a esse burburinho, a New Line decidiu divulgá-lo publicamente neste domingo (2/8) em seus canais de mídia social, aproveitando também que a data é o Dia Nacional da Boneca nos EUA. A brincadeira termina com um aviso de que a história “continua”. A franquia, claro, continua a ser produzida e o próximo filme do universo de “Invocação do Mal”, do qual Annabelle faz parte, será lançado em 2021. Trata-se de “Invocação do Mal 3” (The Conjuring: The Devil Made Me Do It).
Wilford Brimley (1934 – 2020)
O ator Wilford Brimley, conhecido pelo drama “Ausência de Malícia” (1981), o thriller “A Firma” (1993) e a clássica sci-fi “Cocoon” (1985), morreu no sábado (1/8) em Utah, EUA, aos 85 anos, após uma doença renal. Seu bigode de morsa e aparência de vovô bonzinho marcaram época, explorados até em comerciais da aveia Quaker e de testes de diabetes. Mas houve um tempo em que Anthony Wilford Brimley foi jovem, lutou na Guerra da Coreia, trabalhou como ferreiro, cavaleiro de rodeio e até guarda-costas do recluso milionário Howard Hughes. Como sabia andar a cavalo, a carreira de ator começou com figurações em séries de cowboy e nos westerns “Bravura Indômita” (1969), com John Wayne, e “Mato em Nome da Lei” (1971), com Burt Lancaster. Já as famosas calma e conversa reta que caracterizaram a maioria de seus papéis começaram a ser conhecidas durante sua participação na lendária série “Os Waltons”, como o vizinho da família do título, Horace Brimley, entre 1974 e 1977. Ele dizia que não era ator, apenas um cowboy que empregaram para aparecer em filmes. Jamais ficaria com a mocinha, nunca apareceria sem camisa ou seria protagonista, mas não se incomodava, porque tinha um autógrafo de Jack Lemmon, e foi para conseguir a assinatura de seu ídolo que entrou num teste para o filme que o transformou, definitivamente, em ator. “Entrei naquela sala para pegar um autógrafo e saí com uma carreira”, ele contou numa entrevista de 1995, sobre como conseguiu o papel do capataz da usina nuclear que se torna confidente do personagem de Jack Lemmon em “Síndrome da China” (1979). Brimley chamou atenção e, na sequência, emplacou participações em dois filmes com Robert Redford, “O Cavaleiro Elétrico” (1979) e “Brubaker” (1980). O papel de fazendeiro em “O Cavaleiro Elétrico” não era muito diferente do que já tinha feito em “Os Waltons”, mas o diretor Sydney Pollack gostou tanto do ator que o escalou em mais dois filmes, mudando o rumo da carreira de Brimley. Até “Ausência de Malícia” (1981), seus papéis eram pequenos. Mas o filme seguinte de Pollack, estrelado por Paul Newman, colocou-o em evidência como o promotor que, ao tentar incriminar o personagem de Newman, dá início a um dominó trágico. Pollack ainda o escalou, mais tarde, como um chefe de segurança sinistro em “A Firma” (1993), com Tom Cruise. Brimley fez poucos filmes de ficção científica, mas o gênero lhe deu bastante projeção. Ele foi um dos cientistas isolados na Antártica no cultuado “O Enigma de Outro Mundo” (The Thing, 1982), de John Carpenter, e um dos velhinhos de um asilo que se sente rejuvenescido ao entrar em contato com a energia alienígena de “Cocoon” (1985), de Ron Howard. Era o início – e o auge – de sua carreira, e ele já interpretava papéis da Terceira Idade. Nesta época, Brimley atuou em mais um drama com Robert Redford, “Um Homem Fora de Série” (1984), em que teve outro desempenho marcante. Ele também integrou o elenco de “Minha Terra, Minha Vida” (1984), “Um Hotel Muito Louco” (1984) e “A Força do Carinho” (1983), que rendeu o Oscar para Robert Duvall, e estrelou uma série de 1986 a 1988, “Our House”, como um viúvo aposentado que, após a morte de seu filho, acolhe sua nora (Deidre Hall) e os três netos (a neta mais velha era interpretada por Shannen Doherty). Depois disso, vieram a continuação “Cocoon: O Retorno” (1988), “A Firma” (1993), “O Alvo” (1993), com Jean-Claude Van Damme, e um reencontro com Jack Lemmon na comédia “Meus Queridos Presidentes” (1996). Mas, apesar de se manter ativo, após viver um vovô no filme da Disney “Um Verão Inesquecível” (1998) suas aparições se tornaram mais esparsas e menos importantes, e ele próprio acabou se cansando de Hollywood, usando suas economias para comprar um rancho e levar uma vida simples com sua segunda esposa Beverly, que ele conheceu no set de “Laços de Ternura”, além de aproveitar para tocar jazz com os amigos. Entre seus últimos filmes estão a comédia “Cadê os Morgan?” (2009), como dono do único restaurante da cidadezinha da trama, e o drama religioso “Eu Acredito” (2017), no qual viveu um pastor. Sua morte foi lamentada por vários artistas. O diretor John Carpenter, que o comandou em “O Enigma do Outro Mundo”, o descreveu como alguém 100% “de verdade: um verdadeiro cowboy, um grande ator, um homem maravilhoso”. “Vou sentir muito sua falta, Will”, escreveu o cineasta no Twitter. Jean-Claude Van Damme lembrou-o como um grande “tio” em “O Alvo”. E a atriz Barbara Hershey, colega do ator em “Um Homem Fora de Série”, acrescentou: “Wilford Brimley era um homem e ator maravilhoso, e tive grande prazer em trabalhar com ele. Ele sempre me fazia rir”.
Atores confirmam denúncias de maus tratos no programa de Ellen DeGeneres
A produção do “Ellen DeGeneres Show” virou alvo de acusações de maus tratos, assédio e de ser um ambiente tóxico para seus empregados numa reportagem do site Buzzfeed com entrevistas de ex-funcionários. A situação chegou a ponto do estúdio Warner iniciar uma investigação interna, encerrada na quinta-feira (30/7) com promessas de mudanças e justificativas da própria DeGeneres. Entretanto, as declarações apenas alimentaram denúncias no Twitter, desta vez de artistas famosos. A manifestação da Warner tinha o objetivo de encerrar a controvérsia. “Embora nem todas as alegações tenham sido corroboradas, estamos desapontados por as principais conclusões da investigação indicarem algumas deficiências relacionadas ao gerenciamento diário do programa”, afirmou o estúdio no comunicado divulgado na quinta. “Identificamos várias mudanças na equipe, juntamente com as medidas apropriadas para resolver os problemas levantados, e estamos dando os primeiros passos para implementá-las. A Warner Bros. e Ellen DeGeneres estão todos comprometidos em garantir um local de trabalho baseado no respeito e na inclusão. Estamos confiantes de que esse curso de ação nos levará ao caminho certo a seguir no programa. ” Por sua vez, Ellen DeGeneres tentou se justificar, afirmando num comunicado que a causa dos problemas seria resultado dela delegar demais aos produtores e estar distante dos bastidores. Ela afirmou “não ser capaz de ficar por dentro de tudo”. “Quem me conhece sabe que é o oposto do que eu acredito e do que eu esperava para o nosso programa”, ela escreveu. Mas algumas pessoas que a conhecem decidiram romper o silêncio após estas declarações, trazendo à tona as primeiras denúncias de convidados do programa, que até então não tinham se manifestado. O comediante Brad Garrett (“Single Parents”), que apareceu seis vezes no “Ellen DeGeneres Show”, tuitou que era de “conhecimento comum” que a equipe era “tratada horrivelmente” pela própria DeGeneres. Ele afirmou: “Conheço mais de uma [pessoa] que foi tratada horrivelmente por ela”, acrescentando que os problemas denunciados vinham “do topo”. A acusação foi reforçada pela atriz Lea Thompson (“Sierra Burgess É uma Loser”), que replicou a denúncia com uma mensagem afirmando que se tratava de “História verdadeira”. Outros dois convidados, que não quiseram revelar a identidade, disseram ao site Page Six que os produtores exigiam que as pessoas bajulassem DeGeneres ao vivo. “Elogie Ellen, diga a ela que grande fã você é”, lembrou uma das fontes. Um dos entrevistados, que esteve na atração há três anos, revelou ter ficado desconfortável ao receber aquelas orientações. Os comentários se alinham a rumores que circulam em torno de DeGeneres há anos – e que a reportagem do Buzzfeed sobre as condições de trabalho do programa evitaram abordar. Se os tuítes de Garrett e Thompson abrirem uma avalanche de denúncias, a própria realização do programa diurno de Ellen DeGeneres, no ar desde 2003 na TV americana, pode ser colocada em risco. Notas sobre um suposto cancelamento e até mesmo provável vontade de DeGeneres de desistir do programa já começaram a aparecer em publicações especializadas em fofoca neste fim de semana… Sorry but it comes from the top @TheEllenShow Know more than one who were treated horribly by her. Common knowledge. DeGeneres Sends Emotional Apology to Staff – Variety https://t.co/D0uxOgyyre — Brad Garrett (@RealBradGarrett) July 31, 2020 True story. It is. — Lea Thompson (@LeaKThompson) July 31, 2020
Sean Penn se casa em segredo com filha de Vincent D’Onofrio
O ator Sean Penn teria se casado em segredo com sua namorada Leila George. A revelação foi feita por uma amiga do casal, Irena Medavoy, que deu a notícia no Instagram. “Estamos muito felizes pelo casamento de Leila George e Sean Penn. Nós amamos vocês”, escreveu Irena, esposa do produtor de “Cisne Negro”, Mike Medavoy. Ela completou o post com o comentário “Apresentando o #casamento de Penn” e incluiu fotos do casal. Uma das imagens destaca um anel oval de safira. Sean e Leila começaram a namorar em 2016, mas o romance deles não foi midiático. Apenas recentemente Leila começou a postar fotos com Sean Penn em seu Instagram, para promover causas sociais que os dois compartilham. Este é o terceiro casamento do ator, que já foi casado com a cantora Madonna e a atriz Robin Wright (Claire Underwood em “House of Cards”). A jovem de 28 anos tem 31 anos a menos que Penn, de 59, e é filha dos atores Vincent D’Onofrio (o Rei do Crime da série “Demolidor”) e Greta Scacchi (“The Terror”), de quem herdou a beleza. Ela começou a carreira de atriz há apenas dois anos, no filme “Máquinas Mortais”, e atualmente pode ser vista na série “Animal Kingdom”. Ver essa foto no Instagram We are so happy for @leilageorge #seanpenn getting married. We love you. Thank you for being like family a son to mike we are over the moon to find your soul mate true partner @coreresponse true love that also changes the world for better You are meant to be together God Bless you both and the family you have joined. Introducing the Penn’s #marriage 🖤🤍🖤🤍🖤🤍 Uma publicação compartilhada por IRENA MEDAVOY (@irenamedavoy) em 31 de Jul, 2020 às 1:46 PDT
Próximo filme de Edgar Wright será sobre atriz fantasma
O diretor Edgar Wright (“Em Ritmo de Fuga”) assinou com a Amblin para dirigir e produzir “Studio 13”, uma fantasia sobrenatural com uma premissa que lembra muito os filmes que a produtora de Steven Spielberg realizava nos anos 1980. A trama, baseada em um conto de Simon Rich (“Miracle Workers”), que também assina a adaptação, gira em torno do fantasma de uma atriz da era do cinema mudo, que passa décadas assombrando um estúdio. Ela então conhece um diretor iniciante e os dois formam uma parceria, tentando superar sua diferença de status – um vivo e a outra morta – para criar uma obra-prima cinematográfica. O filme não tem cronograma de produção, pois vai disputar espaço na agenda do diretor com a adaptação do livro “The Chain”, que ele fechou anteriormente com a Universal. Enquanto não começa nenhum dos dois longas, Edgar Wright dá os retoques finais na pós-produção de “Last Night in Soho”, que ele rodou no ano passado. Totalmente misterioso, este filme não teve seu enredo revelado.
Ryan Reynolds lança programa de inclusão social na produção de seus filmes
O ator Ryan Reynolds (“Deadpool”) anunciou em seu canal no YouTube a criação de um programa de inclusão social, que ele implantará na produção de seus filmes. Com o nome de Group Effort Initiative (Iniciativa de Esforço em Grupo), o astro pretende ajudar a formar profissionais de “comunidades marginalizadas” para trabalhar na indústria do cinema. “Fazer um filme é um esforço de grupo, mas por muito tempo esse grupo excluiu sistematicamente negros, indígenas, pessoas de cor e várias outras comunidades marginalizadas. Esse é um problema global que não será corrigido de um dia para a noite, mas as alterações podem começar local e imediatamente”, afirmou o ator em vídeo sobre o projeto (veja abaixo). O plano de Reynolds consiste em recrutar de 10 a 20 aprendizes “de todas as idades, porque nunca é muito tarde”, que receberão pagamento, alojamento e terão suas despesas de viagem cobertas, para acompanhar no set o cotidiano de filmagens e aprender na prática como funciona a produção de um filme. Eles “passarão seus dias aprendendo com os profissionais no set e obtendo uma experiência da vida real, até que, esperançosamente, se não se desiludirem, alcancem uma carreira na indústria cinematográfica”, explicou o ator. O primeiro dos filmes de Reynolds que adotará esse iniciativa será sua próxima produção da Netflix, um longa de viagem no tempo ainda sem título, com direção de Shawn Levy (“Uma Noite no Museu”). “Essa é uma ação esperada há muito tempo, mas tenho que agradecer à Netflix e à [produtora] Skydance por nos deixar fazer isso. E como se chama Esforço em Grupo, esperamos que (outras) pessoas com o privilégio que eu tenho possam se juntar a esse esforço”, concluiu o ator. Detalhes das inscrições e o cronograma das filmagens serão revelados nas próximas semanas, mas os interessados em participar já podem se registrar no site recém-lançado da Iniciativa: https://www.groupeffortinitiative.com/.
Produtores de X-Men confirmam rumores de mau comportamento de Bryan Singer
Uma reportagem da revista The Hollywood Reporter sobre os 20 anos do filme “X-Men” trouxe à tona a roupa suja dos bastidores da saga, revelando uma rotina de tumultos envolvendo o diretor Bryan Singer, responsável por quatro dos sete filmes da franquia. De acordo com o artigo, o comportamento do cineasta já incomodava o elenco no primeiro longa, lançado em 2000, mas a situação piorou muito no segundo, de 2003, a ponto de todo os intérpretes se unirem contra ele. Singer tinha apenas 34 anos quando filmou “X-Men, e os relatos revelam abusos de drogas, brigas com roteiristas e até se envolvido em denúncias de assédio sexual. Um ator que esteve no filme processou a produção, alegando ter sido estuprado por pessoas ligadas ao cineasta. Surgiram até rumores de que Singer estava escalando atores em troca de sexo. Um caso emblemático foi do desconhecido Alex Burton, então com 18 anos e sem qualquer experiência notável, que acabou ganhando o papel de Pyro – apenas para ser substituído no segundo filme por Aaron Stanford. Um executivo da Fox que não quis ser identificado definiu assim a situação: “Seu comportamento era terrível. Nós acomodamos as coisas no primeiro filme, acomodamos no segundo… E seguidamente. E criamos um monstro” A produtora Lauren Shuler Donner deu aval à constatação. “O cinema é um negócio engraçado. Nós homenageamos a criatividade e o talento. Inconscientemente, acho que fechamos os olhos para todo o resto que acontece em volta”. Uma das situações que quase levou à demissão do diretor aconteceu durante uma briga com o produtor Tom DeSanto, que tentou impedir que uma cena de ação fosse filmada em “X-Men 2” sem o coordenador de dublês. Na ocasião, Singer estaria “incapacitado” de fazer seu trabalho direito por estar sob efeito de drogas. Quando a cena foi rodada, Hugh Jackman, um dos principais nomes da franquia, se machucou a ponto de sair coberto de sangue. Ainda assim, os executivos da Fox ficaram do lado de Singer, fazendo DeSanto deixar a produção. Em resposta, o elenco inteiro, com exceção de Ian McKellen e Rebecca Romijn, que não tinham gravações naquele dia, cercaram o cineasta em seu trailer, avisando que deixariam o filme caso DeSanto não retornasse. O diretor completou o filme, mas foi dispensado de “X-Men: O Confronto Final” (2006). Só que este filme foi um fracasso completo. A Fox tentou um reboot da franquia em “X-Men: Primeira Classe” (2011), também com desempenho abaixo do esperado. E assim Singer foi resgatado para filmar “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014). O lançamento eletrizou os fãs, mas o diretor precisou ser afastado da divulgação devido a um processo por abuso de menor. O caso acabou abandonado por inconsistências da acusação – a vítima alegava que Singer teria viajado com ele ao Havaí em data em que estava filmando em Toronto. Com a acusação desacreditada, Singer pôde comandar “X-Men: Apocalipse” (2016). Mas os problemas continuaram, com Olivia Munn, que viveu Psylocke, reclamando publicamente de várias ausências do diretor durante as filmagens. A Fox continuou do lado do diretor, que enfrentou nova acusação de abuso sexual enquanto filmava “Bohemian Rhapsody”. Até perder a paciência quando Singer desapareceu do set durante dias, deixando atores – e os integrantes da banda Queen – sem saber o que fazer. Ele acabou demitido e substituído por Dexter Fletcher (“Rocketman”), que terminou as filmagens. Ninguém mais falou seu nome, especialmente durante os (muitos) agradecimentos da temporada de premiação. Pressionado a se manifestar, Rami Malek, vencedor do Oscar de Melhor Ator pelo filme, afirmou apenas que sua relação com Singer foi bastante “desagradável”. Para completar, a reportagem questionou como alguém tão complicado fez tantos filmes de grande orçamento e contou com apoio irrestrito do estúdio por tanto tempo. “Vocês precisam entender. O cara era brilhante”, explicou Donner. “É por isso que o toleramos por tanto tempo. Se ele não fosse tão f*****, seria visto como um grande diretor”. O também produtor Ralph Winter, que interviu nas filmagens de “X-Men 2”, defende a franquia e separa os filmes de seu diretor. “Acredito que ‘X-Men’ irá sobreviver ao teste do tempo. Eu não acho que o filme esteja manchado de nenhuma forma por conta de qualquer coisa que tenha a ver com Bryan. E com sorte Bryan também irá sobreviver de alguma forma através de sua carreira como cineasta”. Desde a demissão por abandono em “Bohemian Rhapsody”, Bryan Singer não encontrou mais trabalho como diretor.












