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  • Reality,  TV

    Jimmy Bennett decide processar criminalmente Asia Argento por abuso sexual

    7 de setembro de 2018 /

    Após acusar Asia Argento de abuso sexual quando tinha 17 anos, o ator Jimmy Bennett resolveu levar o caso à justiça. A decisão teria sido causada por declarações do advogado da atriz, que contradisse a versão apresentada pelo jovem. O advogado de Argento, Mark Jay Heller, inverteu a história que teve início numa denúncia do jornal The New York Times, ao dizer ao site TMZ que foi sua cliente quem foi assediada, agredida sexualmente e depois extorquida, mas “escolheu não denunciar Bennett” por pena. Anteriormente, Asia tinha dito, via comunicado, que nunca havia feito sexo com o rapaz. Mas uma mui amiga resolveu tornar públicas mensagens de texto pessoais em que ela admitia ter transado com o adolescente, embora sua descrição do caso tenha sido como vítima de um abuso. “Asia não tem intenção de processar Bennett pela sua conduta e reconhece que seu passado infeliz, sua fracassada carreira artística e uma ação contra os próprios pais por apropriação indébita de mais de US$ 1,5 milhão de sua conta bancária possam explicar seu desespero para tentar tirar dinheiro sobre um caso falso que aconteceu há cinco anos”. O advogado confirmou que Bennett tentou extorquir Asia, especialmente após ela começar a namorar o chef e apresentador Anthony Bourdain. “Decidiu invadir aquele relacionamento e exigiu recompensa financeira de Bourdain para não expor Asia”. E conseguiu fazer com que Bourdain concordasse em pagar US$ 380 mil para que ele não trouxesse a história à tona. Até o momento de sua morte, o chef tinha pago uma quantia de US$ 250 mil. Segundo o TMZ, Bennett, que hoje tem 22 anos, estava em dúvida se levaria a denúncia à justiça, mas decidiu abrir ocorrência criminal após o advogado da atriz ter feito as declarações públicas sobre seu “passado infeliz”, “carreira inexpressiva” e “sua busca desesperada por dinheiro”. “Essa situação se intensificou devido à interpretação ofensiva e desdenhosa da Asia em relação a toda essa situação”, disse o advogado de Bennett, Gordon K. Sattro , à revista Us Weekly. Ele afirmou que Bennett irá agora formalizar a queixa e cooperar com a polícia de Los Angeles para que Asia seja condenada e presa por abuso de menor. Argento é uma das atrizes que acusou o produtor Harvey Weinstein de estupro. Ela vinha sendo uma das vozes mais ativas do movimento #MeToo e agora terá que lidar com seu próprio processo por assédio.

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  • Etc,  TV

    Beatriz Segall (1926 – 2018)

    5 de setembro de 2018 /

    A atriz Beatriz Segall morreu nesta quarta-feira (5/9), aos 92 anos, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em consequência de problemas respiratórios. Ela marcou a história da TV brasileira com uma das maiores vilãs já vistas numa novela, Odete Roitman, a personagem mesquinha, vaidosa e arrogante de “Vale Tudo” (1988), principal sucesso de sua carreira – e de todos os envolvidos na produção, inclusive o autor Gilberto Braga. Mas para chegar lá, teve que lutar contra a própria família, que não queria vê-la seguir carreira de atriz. Fazer teatro nos anos 1950 era algo mal visto para mocinhas da classe média como Beatriz de Toledo, seu nome de batismo. Ela só virou Beatriz Segall após se destacar na companhia teatral Os Artistas Unidos, da atriz francesa Henriette Morineau, receber uma bolsa do governo francês para cursar língua e teatro na Sorbonne, em Paris, e lá conhecer, se apaixonar e se casar com Mauricio Segall, filho do famoso pintor Lasar Segall. O casamento aconteceu em 1954 e também a transformou em mãe de três filhos, entre eles o diretor de cinema Sérgio Toledo (que fez “Vera”, longa de 1986 que valeu a uma estreante Ana Beatriz Nogueira o Urso de Ouro de melhor atriz em Berlim). A maternidade afastou-a da carreira artística até 1964, quando substituiu Henriette Morineau em “Andorra”, do Teatro Oficina, dirigida por José Celso Martinez Corrêa. O acirramento trazido pelo golpe militar no período fez com que o teatro se tornasse uma opção de vida, inspirando o projeto de reerguer, ao lado do marido, o Theatro São Pedro, em São Paulo. Mas a preferência por peças de teor político acabou colocando os Segall na lista daqueles considerados subversivos, o que culminou na prisão e tortura de Mauricio em 1970, supostamente por sua ligação com a ANL, grupo que aderiu à luta armada contra o regime militar. Com a carreira voltada ao teatro e pouca experiência em cinema (onde estreou em 1951, em “A Beleza do Diabo”, do francês Romain Lesage), Beatriz teve sua trajetória completamente alterada ao ser escalada para a primeira novela das 20h de Gilberto Braga. Ao viver a Celina de “Dancin Days” (1978), ela conheceu o sucesso de massa e reinventou sua trajetória como estrela da Globo. “Até fazer ‘Dancin Days’, eu execrava televisão. Achava tudo muito pobre, sem recursos. A partir de ‘Dancin Days’ me dei conta de que não podia mais ignorar o veículo, a TV tinha melhorado muito”, comentou dez anos depois, em entrevista ao jornal O Globo. A partir do verdadeiro fenômeno cultural que foi “Dancin Days”, influenciando música, moda e comportamento, Beatriz passou a emendar uma novela atrás da outra. Seguiram-se papéis em “Pai Herói” (1979), “Água Viva” (1980), “Sol de Verão” (1982), “Champagne” (1983), “Carmen” (1987), “Barriga de Aluguel” (1990), “De Corpo e Alma” (1992), “Sonho Meu” (1993) e “Anjo Mau” (1997), além de, claro, a famosa Odete Roitman de “Vale Tudo” (1988). A vilã virou ícone por representar o desprezo da elite contra os mais pobres. Mas apesar das maldades, Beatriz adorava as frases escritas por Gilberto Braga, em que destilava também algumas verdades sobre o país. “A Odete diz coisas que são consideradas impatrióticas, mas que são verdades”, disse na época, na entrevista já citada. “Isso provoca alguns tipos de ações ou reações”, acrescentou, explicando que, por causa disso, “todo mundo se envolveu muito com a Odete Roitman”. Mas a maldita era tão odiada que acabou assassinada na trama. No entanto, isto só ajudou a entronizá-la no inconsciente coletivo nacional. O mistério noveleiro em torno de quem matou Odete Roitman chegou a parar o Brasil. O sucesso na TV lhe deu grande visibilidade. Até a filmografia curta deu uma espichada, e com papéis em filmes históricos como “Os Amantes da Chuva” (1979), de Roberto Santos, “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981), de Hector Babenco, e “Romance” (1988), de Sergio Bianchi. O ritmo de trabalho só foi diminuir nos anos 2000, quando o hiato entre as novelas aumentou e ela se dedicou cada vez mais ao teatro. Mesmo assim, fez “O Clone” (2001), “Esperança” (2002), “Bicho do Mato (2006) e “Lado a Lado” (2012), além dos filmes “Desmundo” (2002) e “Família Vende Tudo” (2011), ambos de Alain Fresnot. Em 2013, a atriz caiu em um buraco em uma calçada do bairro da Gávea, no Rio, machucando-se seriamente. Na ocasião, ela chegou a receber uma ligação e um pedido de desculpas do prefeito Eduardo Paes. Mas isso impactou sua carreira e ela só foi voltar a interpretar um último papel dramático na TV em 2015, no primeiro episódio da série “Os Experientes”, da Globo. Apesar da saída de cena definitiva, Beatriz continua no ar até hoje, eternizada como Odete Roitman pelo canal pago Viva, que está reprisando “Vale Tudo”. E não só a personagem, como a própria trama da novela permanece assustadoramente atual. Passados 30 anos, o Brasil ainda mostra a mesma cara de 1988. Aguinaldo Silva, que ajudou a escrever “Vale Tudo”, despediu-se da amiga com uma reflexão, em depoimento para O Globo. “Beatriz foi uma grande atriz de teatro também, mas ficou conhecida pelas figuras mágicas que interpretou na TV. Ela era completamente diferente dos personagens que fazia, mas sabia fazer uma vilã muito bem. Odete Roitman, criação genial do Gilberto, está marcada entre as cinco maiores vilãs da TV brasileira. O trabalho dela foi meticuloso ao longo da vida, e talvez não tenha sido reconhecida como merecia, embora respeitada. A vida segue e as vilãs renascem, mas Odete será sempre inesquecível.

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  • Etc,  Série,  TV

    Fox passa a oferecer seu conteúdo em streaming para quem não assina TV paga no Brasil

    28 de agosto de 2018 /

    A Fox é o mais novo grupo de mídia a disponibilizar seu conteúdo em streaming para quem não assina pacotes de TV paga. O projeto foi anunciado em abril, mas só a partir desta terça-feira (28/8) virou realidade. Assim como no app da HBO Go, a Fox oferecerá assinatura por aplicativo, que dará acesso ao catálogo dos 11 canais do grupo, incluindo Fox Premium, National Geographic e Fox Sports. No pacote, estão séries como “The Walking Dead”, “This Is Us”, “Vikings”, “Homeland”, “Britannia” e “Outlander” – algumas exclusivas do canal pago Fox Premium, que não consta de pacotes básicos da TV paga. Entre os programas esportivos, os clientes poderão acompanhar competições como o Campeonato Espanhol, a Copa Libertadores e a Copa do Brasil. De acordo com a Fox, o serviço está disponível em vários dispositivos, incluindo smartphones, tablets, computadores, smarTVs, consoles de jogos, Chromecast e Apple TV. “Vamos ampliar nosso modelo de negócio e chegar a lares que hoje não têm assinatura de TV Paga”, disse em comunicado oficial Michel Piestun, gerente geral da Fox Networks Group no Brasil. O preço da assinatura é R$ 35,90, valor próximo do cobrado por HBO, Netflix e outros serviços de streaming.

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  • Reality,  TV

    Namorada de Rose McGowan foi quem revelou mensagens de texto incriminadoras de Asia Argento

    27 de agosto de 2018 /

    A modelo não binária (sem gênero sexual definido) Rain Dove assumiu no Twitter ter sido a responsável por divulgar as mensagens de texto em que Asia Argento assumiu ter tido relações sexuais com o ator mirim Jimmy Bennett, então com 17 anos de idade. “Foi eu quem espalhou as mensagens e faria isso de novo”, escreveu a modelo, que já foi bombeiro e há três anos entrou numa lista de mulheres que estariam revolucionando o mundo da beleza. Rain resolveu assumir a autoria após sua namorada, a atriz Rose McGowan, ser acusada de ter sido responsável pelo vazamento das mensagens privadas. “Compartilhar minhas mensagens é meu direito legal. Eu confessei a este fórum que era eu porque Rose foi falsamente acusada”, esclareceu. Mas posteriormente apagou os posts originais, deixando apenas trechos da conversa no ar. As mensagens de texto trocadas entre Asia e Rain Dove confirmam que a atriz realmente teve relação sexual com Bennett, ao contrário do que ela afirmara em nota, após uma reportagem do jornal The New York Times denunciar que ela tinha pago pelo silêncio de Jimmy Bennet. Ele tinha 17 anos na data da suposta agressão sexual, em 2013, que teria acontecido em um hotel da Califórnia. Já na ocasião, a reportagem citava documentos de uma fonte não identificada. O ator ficou mais conhecido por interpretar a versão adolescente do futuro Capitão James Kirk no filme “Star Trek” de 2009, mas antes disso, em 2004, aos 8 anos, viveu o filho de Asia Argento no segundo longa que ela dirigiu, “Maldito Coração”, quando os dois desenvolveram uma relação de amizade. Ele estaria chantageando Argento com uma foto íntima dos dois. A imagem também acabou vindo à tona. No Twitter, Dove revelou que foi o próprio Bennett que vendeu a suposta selfie “pós-sexo” para publicação no TMZ por um valor de US$ 28 mil. Após essa revelação, Rose McGowan emitiu um comunicado para a imprensa com o objetivo de complementar a história, dizendo que Rain lhe contou que ia levar as mensagens privadas para a polícia, independente do fato de Asia ser sua amiga. “Rain ainda compartilhou que Asia vinha recebendo nudes indesejados de Jimmy desde que ele tinha 12 anos. Asia menciona nessas mensagens que ela não tomou nenhuma ação contra as fotos. Não falou com as autoridades, nem com os pais ou bloqueou Jimmy nas redes sociais. Nem mesmo uma simples mensagem, ‘Não me mande essas fotos. Elas são inapropriadas'”, ponderou McGowan em longo texto publicado nas redes sociais. “O choque foi perceber que tudo que o movimento #MeToo lutou a favor poderia ser colocado em cheque. Uma hora após nossa conversa, Rain confirmou que eles entregaram os textos para a polícia. Quase 48 horas depois, as mensagens foram parar na imprensa”, disse McGowan, que se refere à “pessoa com quem estou” na terceira pessoa do plural (eles). McGowan termina seu texto dirigindo-se diretamente para Asia. “Asia, você foi minha amiga. Eu a amei. Você arriscou muito para ficar ao meu lado no movimento #MeToo. Eu realmente espero que você encontre seu caminho no meio desse processo de reabilitação. Todos podem ser melhores. Espero que você consiga, também. Faça a coisa certa. Seja justa. Deixa a justiça seguir o seu rumo. Seja a pessoa que você gostaria que Harvey [Weinstein] tivesse sido”, concluiu. Rose McGowan e Asia Argento ficaram amigas após compartilharem em público que foram estupradas por Harvey Weinstein há alguns anos. A dupla se juntou a mais de 100 mulheres que denunciaram o produtor de Hollywood nas redes sociais, dando origem ao movimento #MeToo. McGowan apresentou sua namorada à Argento há um mês, logo após o suicídio do então namorado da atriz, o chef Anthony Bourdain. As três viajaram juntas à Berlim. Após a divulgação das mensagens por Rain Dove, Asia Argento foi demitida do reality de competição “X Factor Itália”. The truth helps me sleep well at night. That’s why it’s coming out no matter what. Friend, family, acquaintance it doesn’t matter when it comes to justice- you do not get special treatment. You get equal treatment. Hope you’re ready. #MeToo pic.twitter.com/xvn9aFWx7G — Rain Dove (@raindovemodel) August 22, 2018 Plus that’s my last message with Asia. That is NOT a happy human message haha. pic.twitter.com/wSDDe0C2ME — Rain Dove (@raindovemodel) August 26, 2018 2. @rosemcgowan has released a lengthy statement in response to the allegations against Asia Argento. The last bit: "Do the right thing. Be honest. Be fair. Let justice stay its course. Be the person you wish Harvey could have been." pic.twitter.com/swAbuCFtX2 — Yashar Ali ? (@yashar) August 27, 2018

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  • Reality,  TV

    Asia Argento é demitida do programa X Factor Itália após denúncia de abuso sexual

    27 de agosto de 2018 /

    A acusação de abuso sexual de menor contra Asia Argento provocou a demissão da atriz, diretora e cantora do “X Factor Itália”. O canal Sky Italia e a FremantleMedia, responsáveis pela competição de calouros, decidiram tirar a artista do programa. Mesmo assim, ela será vista nos primeiros sete episódios do reality show, que já tinham sido gravados, mostrando a busca dos jurados pelos 12 competidores do programa. Após o surgimento da denúncia contra Asia, a Sky Italia e a FremantleMedia divulgaram em um comunicado que anunciaram estar estudando a demissão da atriz. “Se as alegações reportadas pelo New York Times se confirmarem, essa questão é completamente inconsistente com a ética e valores da Sky, sendo assim, em acordo com a Fremantle, nós nos vemos obrigados a colocar um fim em nossa colaboração com Asia Argento”. Uma das primeiras a denunciar Harvey Weinstein por estupro, Asia Argento se tornou porta-voz importante do movimento #MeToo, mas foi denunciada há uma semana pelo jornal The New York Times por ter pago ao ator Jimmy Bennet para não ser processada pelo mesmo motivo. Ele tinha 17 anos na data da suposta agressão sexual, em 2013, que teria acontecido em um hotel da Califórnia, segundo a publicação, que cita documentos de uma fonte não identificada. O ator ficou conhecido ao interpretar a versão adolescente do futuro Capitão James Kirk no filme “Star Trek” de 2009, mas antes disso, em 2004, aos 8 anos, viveu o filho da atriz no segundo longa que ela dirigiu, “Maldito Coração”, quando os dois desenvolveram uma relação de amizade. Asia chegou a negar ter feito sexo com o jovem. Mas logo vieram à tona uma foto dos dois na cama e mensagens de texto em que Asia admitia o sexo, embora diga que não sabia que Bennet era menor de idade. Jimmy Bennet também resolveu se pronunciar afirmando que era tudo verdade.

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    Henrique Martins (1933 – 2018)

    26 de agosto de 2018 /

    Morreu o ator e diretor Henrique Martins, que estava internado no hospital Samaritano, em São Paulo, após cair em casa e quebrar duas costelas. Ele faleceu neste domingo (26/8), aos 84 anos, por falência múltipla de órgãos. Nascido em Berlim, na Alemanha, com o nome de Heinz Schlesinger, ele tinha três anos de idade quando se mudou com a família para o Brasil. A longa carreira de mais de seis décadas de Martins é um recorte da história da TV brasileira, com passagens pelos canais Excelsior, Tupi, Globo, Band, Manchete, Record e SBT, e participações que se estendem de novelas clássicas a sucessos contemporâneos, como “O Sheik de Agadir” (1966), “A Sombra de Rebeca” (1967), “O Meu Pé de Laranja Lima” (1970), “Pão Pão, Beijo Beijo” (1983), “Ribeirão do Tempo” (2010) e o remake de “Carrossel” (2012). O ator estreou na TV no elenco de “Os Anjos Não Tem Cor”, novela exibida pela Tupi em 1953. Chegou a participar de um seriado de aventura aos moldes do Zorro, chamado “Falcão Negro” (1954), que ganhou até revista em quadrinhos. E, em 1964, foi para trás das câmeras, dirigindo sua primeira novela, “Quem Casa com Maria?” (1964). Martins permaneceu na Tupi até 1966, quando se transferiu para a Globo para exercer função dupla, na frente e atrás das câmeras, em “O Sheik de Agadir”, um dos primeiros fenômenos de audiência do canal. Ele dirigiu outras novelas famosas, como “O Direito de Nascer” (1964), “Anastácia, A Mulher Sem Destino” (1967), “Rosa-dos-Ventos” (1973), “A Barba Azul” (1974), “Um Sol Maior” (1977), “Roda de Fogo” (1978), “Os Imigrantes” (1982), “A História de Ana Raio e Zé Trovão” (1990), “Éramos Seis” (1994), “Fascinação” (1998), “Pequena Travessa” (2002), “Os Ricos Também Choram” (2005) e “Amigas e Rivais” (2007). A dedicação à TV resultou numa filmografia curta, de apenas quatro trabalhos no cinema, todos como ator: “O Sobrado” (1956), de Walter George Durst e Cassiano Gabus Mendes, futuros profissionais da Globo, a comédia “Casei-me com um Xavante”, de Alfredo Palácios (1957), o drama criminal “A Lei do Cão” (1967), de Jece Valadão, e a pornochanchada “Império das Taras” (1980), de José Adalto Cardoso. Seus últimos trabalhos foram como diretor da novela “Revelação”, exibida pelo SBT em 2008, e como ator em “Carrossel”, sucesso do mesmo canal, no papel do Sr. Lourenço em 2012, um viúvo de bom coração.

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    Record lança sua plataforma de streaming PlayPlus

    14 de agosto de 2018 /

    A rede Record lançou sua plataforma de streaming, batizada de PlayPlus. De forma curiosa, a companhia define o PlayPlus como um serviço de streaming e um marketplace. Este último nome é na verdade a versão premium do serviço, com mais atrações – não é um lugar para fazer negócios, não. O serviço, que começou a funcionar às 0h de terça (14/8), tem três opções de planos: gratuito (plano play), R$ 12,90 (plano play plus) e R$ 32,80 (plano play plus + esportes). O primeiro dá acesso à programação ao vivo dos canais do grupo Record (o que inclui Record News e estações da TV Record em diferentes estados). O segundo conta com conteúdos originais da plataforma (como um programa sobre eleições e outros de variedades com artistas da Record), conteúdos para o público infantil da PlayKids, séries da rede e licenciadas (como “Chicago PD” e “Heroes”), além de parte do acervo histórico da emissora — o que inclui episódios da “Família Trapo”, “Especial Elis Regina” e “Programa Flavio Cavalcanti”. E o terceiro plano oferecerá conteúdos de parceiros — no caso, acesso a todos os canais ESPN. A parceria com a ESPN e com a PlayKids não deixa de ser uma forma de a emissora acrescentar conteúdo em suas áreas mais fracas, esportiva e infantil. O ponto positivo é que a Record investirá em conteúdo exclusivo. O negativo é que não serão séries, mas programas de variedades e reality shows que parecem quadros estendidos do programa “Domingo Espetacular”. Por enquanto, são quatro programas exclusivos: “Bola Vai no Meu Lugar”, um reality cômico protagonizado pelos ex-Pânico Marcos Chiesa (Bola) e Carlinhos Silva (Mendigo), “Pais da Nova Era”, no qual o apresentador Marcos Mion busca contar histórias inspiradoras de paternidade, “De Folga com a Fama”, em que Ticiane Pinheiro convida celebridades para atividades inesperadas, e o jornalístico “Eleições 2018”, comandado por Eduardo Ribeiro. Todos tem curta duração, entre cinco e seis capítulos. Entre outros projetos previstos, há “Camarim da Xuxa”, destinado ao público infantil, programado para outubro, e uma atração ainda sem título protagonizada por youtbers famosos. O pacote plus é mais barato que o Globo Play, mas, comparativamente, oferece menos opções que o produto rival. De todo modo, ambos os serviços são caros em relação à variedade do cardápio da Netflix, por exemplo, que custa R$ 19,90. Veja abaixo o comercial do produto, vago e sem informações.

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    Globo é condenada por falta de ética com autora do livro que inspirou a minissérie Chiquinha Gonzaga

    10 de agosto de 2018 /

    A rede Globo foi condenada na Justiça por agir com falta de ética, descaso e quebra de contrato, numa sentença indenizatória que chega tarde e é irrisória em relação ao prejuízo moral e material sofrido pela autora do livro que inspirou a minissérie “Chiquinha Gonzaga”. O processo foi motivado por uma quebra de compromisso datada de 1999, quando a Globo estreou “Chiquinha Gonzaga” sem dar créditos à escritora Dalva Lazaroni de Moraes. Ela tinha cedido gratuitamente os direitos de adaptação de seu livro, “Chiquinha Gonzaga: Sofri e Chorei: Tive Muito Amor”, que inspirou a minissérie, em troca da divulgação de sua obra nos créditos. Imaginava que isso poderia reverter em vendas do livro e torná-la mais conhecida para fechar novos contratos editorais, ao mesmo tempo em que enfrentava um doloroso tratamento contra o câncer de mama. Pois a minissérie foi ar com autoria de Lauro César Muniz, sem mencionar o nome da escritora, nem mesmo o título do livro, o que se transformou em “frustração, mágoa e constrangimento”, como relatou o advogado Sylvio Guerra no processo. Dalva chegou a procurar a emissora, que se retratou e passou a colocar o nome da escritora e de seu livro nos créditos a partir do 20º capítulo (de um total de 38 episódios), cumprindo o acordo pela metade. Entretanto, quando a minissérie foi reprisada pelo Canal Viva em 2010, a história se repetiu. O nome da escritora foi suprimido dos episódios. Mais que isso. Ao investigar quando o corte tinha acontecido, ela descobriu que a Globo tirou seus créditos ao vender a minissérie para fora do país, quando a atração foi exibida no exterior. A escritora decidiu então entrar com uma ação judicial contra a Globo. Mas a lentidão da justiça brasileira, alimentada por uma sequência de recursos impetrados pela emissora, impediu que ela comemorasse sua vitória. Dalva Lazaroni de Moraes faleceu em julho de 2016, dois anos antes da sentença. A Globo se recusou a lhe dar o simples prazer de ver seu nome na obra, mesmo ela não tendo cobrado os direitos da adaptação. No documento judicial, o titular da 31ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Paulo Assad Estevam, reconhece a influência do livro de Dalva na minissérie da Globo e registra que a omissão dos créditos, além de causar “grave prejuízo” à imagem da escritora, a fez sofrer um baque psicológico. Ele condenou a Globo a pagar aos herdeiros R$ 150 mil de indenização por danos morais e a inserir os créditos de Dalva e seu livro em todos os capítulos de “Chiquinha Gonzaga”, sempre que a série for exibida ou comercializada. Segundo o site Notícias da TV, o advogado Sylvio Guerra vai recorrer da decisão. “É uma sentença muito bem fundamentada, mas o valor não condiz com a realidade, até porque o juiz julgou apenas o dano moral, não apreciou o dano material. Não concordo com esse valor de R$ 150 mil. E faltou também o juiz arbitrar uma multa para caso a Globo não cumpra a determinação de exibir os créditos”, diz. Já a Globo afirmou que não comenta casos sub judice. No processo, porém, a rede confirmou que celebrou um contrato com escritora pela cessão de direitos autorais do livro, e admitiu que, “por um equívoco” não inseriu os créditos nos primeiros 20 episódios da minissérie.

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  • TV

    Maitê Proença processa a Globo por indenização trabalhista de R$ 500 mil

    1 de agosto de 2018 /

    Maitê Proença abriu um processo contra a rede Globo e está pedindo R$ 500 mil de indenização por conta dos direitos trabalhistas não pagos ao longo dos 37 anos em que trabalhou na emissora. A atriz não teve seu contrato renovado no segundo semestre de 2016, e acabou entrando na lista negra da emissora ao declarar, em entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura, que soube de sua demissão por meio da imprensa. “Foi muito estranho, não tive nenhum aviso. Quando começaram os boatos de que eu já tinha sido dispensada, liguei para a pessoa que tinha me dito que o contrato seria renovado e ela me falou que, de fato, ia ser descontinuado”, ela revelou, em novembro de 2017. Portanto, sem ter o que perder, ela decidiu processar. A primeira audiência foi realizada na manhã desta terça-feira (31/7), na 54ª Vara do Trabalho, no Rio de Janeiro. E a advogada da atriz é sua própria filha, Maria Proença Marinho. O processo corre sob segredo de Justiça.

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    Lindsay Lohan vai estrear reality show na MTV

    30 de julho de 2018 /

    Sumida desde que parou de dar escândalos, Lindsay Lohan se prepara para voltar aos holofotes num novo reality show na MTV, “Lohan Beach Club”, que ganhou o seu primeiro teaser. A atração vai acompanhar a nova fase da ex-estrela mirim, mostrando os bastidores de seu negócio como empreendedora de um clube na praia de Mykonos, na Grécia. “Faça as malas, MTV. Vamos a Mykonos”, diz ela no vídeo, em que se apresenta como integrante da “família MTV”. A produção é da dupla Mary-Ellis Bunim e Jonathan Murray, responsável por “clássicos” do gênero, como “The Real World” e “Keeping up with the Kardashians), e acompanhará Lohan em seu trabalho na praia, durante as horas de folga na praia e depois do expediente na praia. De acordo com a MTV, “a equipe de Lohan deve provar sua perícia, ambição e charme” durante toda a temporada, ajudando a dar vida à sua visão. Embora se espere que seus funcionários trabalhem duro, espera-se muito drama, dadas as “tentações que a vida noturna de Mykonos tem a oferecer”. E, claro, também muitos trajes de banho. Esta não será a primeira incursão de Lohan no mundo dos reality shows. Na verdade, é a terceira. Anteriormente, ela estrelou “Lindsay”, uma série documental de nove episódios que foi ao ar no canal pago OWN, de Oprah Winfrey, em 2014. O show documentou a fase de recuperação pós-reabilitação de Lohan, após um período público de problemas em sua vida pessoal e carreira. E também fez “Living Lohan” para o canal pago E!, que se concentrou mais na mãe e na irmã da estrela, com produção de Bunim e Murray. Ambas não foram renovadas por falta de escândalos que mantivessem o interesse da audiência. Apesar da nova “carreira”, ainda Lindsay mantém esparsos trabalhos como atriz. Recentemente, ela filmou o terror B “The Shadow Within”, que não tem previsão de estreia, e na semana passada começou a aparecer na 2ª temporada da série britânica “Sick Note”. “Lohan Beach Club” só deve estrear em 2019.

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  • Etc,  TV

    Chefão da rede CBS e homem mais poderoso da TV americana é acusado de assédio sexual

    27 de julho de 2018 /

    Chefe da rede CBS e considerado o homem mais poderoso da TV americana neste século, Leslie Moonves foi acusado de assédio sexual por seis funcionárias da emissora, e outras tantas alegam que sofreram abusos durante período de trabalho na CBS. Os incidentes foram revelados em uma reportagem da revista The New Yorker, publicada nesta sexta-feira (27/7). A reportagem é assinada por Ronan Farrow, que ganhou o prêmio Pulitzer pela investigação jornalística que trouxe à tona as denúncias contra Harvey Weinstein no ano passado. Assim como no caso de Weinstein, alguns dos incidentes são de mais de 20 anos atrás, em que Moonves teria apalpado e beijado à força funcionárias da emissora. Quatro descreveram toques inapropriados ou beijos forçados durante o que deveriam ser reuniões de negócios, afirmando que se tratava de uma situação rotineira. Duas afirmaram que Les Moonves, como é mais conhecido, as intimidou fisicamente ou ameaçou atrapalhar suas carreiras. “O que aconteceu comigo foi uma agressão sexual, e então fui demitida por não participar”, acusou a atriz e escritora Illeana Douglas. Por situações como esta, todas as mulheres disseram que temiam até hoje falar sobre o assédio, porque isso poderia levar a uma retaliação de Moonves, que é conhecido na indústria por sua habilidade de fazer ou quebrar carreiras. “Ele se safou disso por décadas”, disse a escritora Janet Jones, que alega que teve que expulsá-lo depois que ele a beijou à força em uma reunião de trabalho. Farrow afirma ter ouvido ainda 30 funcionários atuais e antigos da CBS, que relataram que esse tipo de comportamento era tolerado e incentivado no ambiente de trabalho, onde jornalistas da CBS News, denunciados por má conduta sexual, ganhavam promoções ao mesmo tempo em que a empresa pagava acordos a mulheres que os acusavam. Entrevistado para a reportagem, o próprio Moonves admitiu que “pode ​​ter deixado algumas mulheres desconfortáveis” no passado. “Aqueles foram erros, e eu lamento imensamente”, disse ele. “Mas eu sempre entendi e respeitei … que ‘não’ significa ‘não’, e eu nunca usei mal a minha posição para prejudicar ou atrapalhar a carreira de ninguém.” Em resposta às denúncias, a CBS afirmou que irá investigar as acusações. Um comunicado emitido em nome da rede ressaltou que “todas as alegações de má conduta pessoal devem ser levadas a sério” e que após apurar os fatos “as medidas apropriadas” seriam tomadas. O chefão da CBS é casado com a apresentadora Julie Chen, que comanda a versão americana do “Big Brother” desde 2004. A emissora tem os maiores índices de audiência da TV aberta do país, e exibe sucessos longevos como “The Big Bang Theory” e “NCIS”. Sua programação também é considerada a mais convencional da TV americana, o que talvez explique sua penetração junto do grande público, mas esse sucesso tem se traduzido em fracasso na hora de negociar os programas para outras plataformas, que não demonstram o mesmo interesse em formatos antiquados. Em compensação, Moonves lançou recentemente a CBS All Access, plataforma de streaming da emissora, como títulos como “Star Trek: Discovery”, “The Good Fight” e “Strange Angel”. A denúncia vem à tona no momento em que o executivo de 68 anos se encontra em uma batalha judicial contra Shari Redstone, maior acionista da Viacom, companhia de comunicações “irmã” da CBS. Os dois brigam para decidir se as duas empresas devem se unir em uma só ou se devem se manter separadas. Moonves é contra a unificação, por considerar que a CBS pode se desvalorizar ao ser misturada com ativos deficitários como o estúdio Paramount e o canal pago MTV.

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    Comedy Central não exibirá programas com YouTuber acusado de racismo

    25 de julho de 2018 /

    O canal pago Comedy Central cancelou a exibição de todos os programas com a participação do YouTuber humorista Rodrigo Fernandes, mais conhecido como Jacaré Banguela. A decisão foi tomada após ele ser acusado de fazer piadas racistas, a partir de um tuíte que comparou Jaden Smith, filho de Will Smith, a um “flanelinha”. Repreendido por seguidores, ele não enxergou racismo na situação, mas logo outros tuítes de teor polêmico foram resgatados para reforçar a acusação. Rodrigo Fernandes participou de um programa de comédia stand-up do canal pago e chegou a comemorar o convite em suas redes sociais, mas a gravação não irá ao ar. Quando soube do comentário com teor preconceituoso de um de seus colaboradores, o Comedy Central avaliou com sua matriz, nos Estados Unidos, a posição do canal sobre o caso. “A Viacom e suas marcas repudiam todo e qualquer tipo de conteúdo de cunho racista, misógino, homofóbico ou que ofenda qualquer pessoa que possui o livre direito de escolher suas preferências religiosas, políticas, sexuais, dentre outras”, afirmou a assessoria do canal pago. Comprovando que o Brasil é mais tolerante com racismo, enquanto a participação do humorista no canal da empresa americana foi cancelada, ele continua na programação do SBT como jurado do quadro “Famosos da Internet”, do programa “Eliana”. Jacaré Banguela foi o terceiro YouTuber e “influencer” brasileiro acusado de preconceito em menos de um mês, após Júlio Cocielo, que comparou a velocidade do jogador francês Mbappé a de um ladrão fazendo arrastão na praia, e Cauê Moura. Ambos perderam patrocínios por piadas ofensivas. Por coincidência, todos os três participaram de “Internet – O Filme”, uma comédia com a nata dos “influencers” digitais – definição adorada por publicitários que é, além de brega no último, aparentemente maligna.

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    Conheça a trajetória de Nicole Maines, que viverá a primeira super-heroína transexual da TV

    24 de julho de 2018 /

    A atriz Nicole Maines vai fazer história como a primeira super-heroína transexual da TV, na próxima temporada de “Supergirl”. E sabe da responsabilidade que isso representa. “Parece apropriado dizer que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Estou nervosa porque quero fazer do jeito certo”, disse Maines, citando uma famosa frase dos quadrinhos do Homem-Aranha para a revista Variety. Apesar disso, o papel está longe de ser o maior desafio de sua vida, já que ela encarou vários, como contou em sua autobiografia, “Becoming Nicole”. O primeiro deles foi ser aceita pelos próprios pais. Nascida Wyatt em 7 de outubro de 1997, junto com seu irmão gêmeo Jonas, ela se descobriu transgênero aos três anos de idade, mas precisou chorar muito e sofrer para ter a identidade sexual respeitada em sua própria casa, já que o pai não a deixava usar os vestidos cor-de-rosa que ela queria. Foi na 4ª série do ensino fundamental que ela decidiu se chamar Nicole, como sua personagem favorita da série infantil “Zoey 101” (2005–2008), do canal Nickelodeon. E aos 15 anos de idade, já aceita pela família, passou a lutar por seus direitos na escola. Humilhada, ela não podia ir ao banheiro da instituição, porque foi impedida de frequentar o banheiro feminino após a reclamação do avô de uma de suas colegas. Também não podia ir ao banheiro masculino, onde sofria bullying. Assim, ela deveria usar o banheiro dos funcionários. Ou segurar a vontade. A família de Nicole entrou com uma ação na Justiça por sentir que ela estava sofrendo discriminação. Em junho de 2014, a Suprema Corte concluiu que o distrito escolar havia violado seus direitos humanos. A família Maines recebeu uma indenização de US$ 75 mil e a escola foi proibida de impedir alunos transgêneros de entrar no banheiro com qual se identificassem. A decisão criou jurisprudência e se transformou num marco histórico na luta pela aceitação da comunidade trans. E tornou a ainda adolescente Nicole Maines conhecida em todo o país. Aos 18 anos, ela contou sua história no livro “Becoming Nicole”, escrito por Amy Ellis Nutt, jornalista do Washington Post, com o objetivo de mostrar a falta de preparo dos pais e das instituições para lidar com crianças transexuais. A publicação entrou na lista dos livros mais vendidos do New York Times e recebeu diversos prêmios. Naquele mesmo ano de 2015, Nicole estreou como atriz, participando da série “Royal Pains”, num episódio sobre os perigos sofridos por uma adolescente trans ao usar hormônios. No ano seguinte, foi destaque no documentário “The Trans List”, da HBO. Agora, dá início ao resto de sua vida, com seu primeiro papel recorrente numa série da TV aberta nos Estados Unidos, sem perder de vista que tudo começou com a vontade de usar um vestido rosa e ir ao mesmo banheiro de suas colegas de aula. “Muitas pessoas estão realmente ansiosas para contar a história das pessoas transgêneras, especialmente porque é uma questão muito importante para a nossa sociedade hoje. Parece justo termos um super-herói trans para as crianças trans poderem se inspirar. Eu gostaria que houvesse uma quando eu era pequena”, contou a atriz, hoje com 20 anos. “Nós podemos ser quem nós quisermos, podemos fazer o que quisermos: podemos ser super-heróis, porque, de muitas formas, nós somos. Temos a representação de pessoas trans na TV já há um tempo, mas não tem sido a representação correta”, apontou, citando que, muitas vezes, essas personagens são viciadas em drogas ou trabalham com prostituição. Além disso, são interpretados por atores cisgêneros (que se identificam com os gêneros com que nasceram) e heterossexuais. “São homens de vestidos, e isso tem sido prejudicial por muito tempo”. A questão é importante para Maines, que inclusive opinou sobre a controvérsia que se instaurou recentemente quando a atriz Scarlett Johansson foi anunciada para o papel de um homem trans no filme “Rub & Tug” – do qual ela abriu mão dias depois. “Acho que os atores cisgêneros não pegam esses papéis por mal, é apenas uma falha em reconhecer o contexto”, disse. “Você tem que pensar no contexto. Como trans, muitas pessoas nos acusam de nos fantasiarmos, por qualquer motivo que seja, e isso não é verdade. Ter pessoas trans em papéis trans mostra que nossas identidades são válidas e que nós existimos. Então quando temos atores cis fazendo personagens trans, isso propaga o estereótipo de que é um homem (ou mulher) se fantasiando, o que não é verdade”, apontou. “Estamos em uma época em que, mais do que nunca, a representação na mídia importa. E o que vemos na televisão tem um efeito muito dramático na sociedade”, acrescentou. A participação da atriz em “Supergirl” representa mais um avanço da série na opção por representatividade e tramas inclusivas, após elogiados arcos em que Alex (Chyler Leigh), irmã da heroína, assumiu-se lésbica, o super-herói Caçador de Marte (David Harewood) ilustrou a dificuldade de lidar com a demência de seu velho pai e o Guardião (Mehcad Brooks) refletiu o estigma do racismo. A forma como a série adapta temas relevantes da atualidade em tramas de super-heróis a diferencia de todas as outras produções do Arrowverse. Seguem, a seguir, algumas informações sobre a personagem de Nicole Maines. Ela foi escalada para interpretar Nia Nal, uma jornalista transsexual, que, segundo os produtores, se tornará uma super-heroína chamada Dreamer. Nas publicações da DC Comics, Dreamer, traduzida no Brasil como Sonhadora, é uma heroína conhecida da Legião dos Super-Heróis, o grupo do século 31 que foi introduzido em “Supergirl” na temporada passada. Mas muitos detalhes diferenciam a Sonhadora dos quadrinhos da versão que deve ser apresentada na série. A personagem é descrita pelos produtores como “confiante e fashionista” e “como uma versão mais jovem de Cat Grant” (Calista Flockhart). “Antes escritora de discursos políticos, Nia é a nova adição à equipe de jornalismo investigativo da CatCo, trazendo com ela astúcia e humor. Sob uma fachada de deboche existe uma jovem mulher com muito a oferecer ao mundo”, diz a sinopse da produção. Embora a identidade civil de Sonhadora tenha sido pouco explorada nos quadrinhos, seu nome original não é Nia, mas Nura Nal e ela vem de outro planeta, chamado Nalor. Seu poder é quase uma doença, uma condição que a faz sofrer de narcolepsia, dormir subitamente. Neste estado, Sonhadora manifesta a habilidade especial de literalmente sonhar. E as imagens de seus sonhos são visões do futuro que sempre se realizam, ainda que lhe cheguem incompletas. Ela não é transexual nos quadrinhos, mas uma loira platinada inspirada por pin-ups e starlets de Hollywood – como Jayne Mansfield e Mamie van Doren – , desenhada por John Forte em 1964 como a mais bonita e glamourosa das heroínas do futuro, fato enaltecido pela forma como deixava os legionários a seus pés em sua estreia. Detalhe: na época, ela era chamada de Dream Girl, a Garota dos Sonhos. Mas um fato divertido – e relativamente recente – é que Sonhadora já compartilhou seu corpo com Brianiac 5, o que não deixa de ser uma analogia para a transexualidade. Ao ganhar novamente um corpo feminino, ela terminou se casando com Brainy – antes da DC anular todos os casamentos da Legião dos Super-Heróis com muitos reboots desnecessários. Para completar, vale lembrar que, após estrear na temporada passada, Brainiac 5 será personagem fixo dos próximos episódios da série, interpretado por Jesse Rath.

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