Jennifer Garner sente desejo de matar no primeiro trailer de Peppermint
A STX divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Peppermint”, filme de ação estrelado por Jennifer Garner. Após vários anos se especializando em dramas e comédias românticas, a atriz volta ao gênero que a consagrou na série “Alias”, novamente às voltas com metralhadoras, tiroteios e complôs. A trama é basicamente um “Desejo de Matar” feminino. Após ver o marido e a filha serem assassinatos por gângsteres de um cartel de traficantes, e diante da falta de empenho da polícia e de um juiz corruptos, ela decide desaparecer, voltando após cinco anos de treinamento intenso determinada a se vingar de todos os envolvidos no caso. O roteiro, que também poderia ser a origem de um super-herói dos quadrinhos, foi escrito por Chad St. John. Por coincidência, ele também escreveu um curta do Justiceiro – “O Justiceiro: Roupa Suja” – , mas é mais conhecido pelo thriller genérico “Invasão a Londres”. A direção é do francês Pierre Morel, que assinou o “Busca Implacável” original, de 2008. E o elenco ainda inclui John Gallagher Jr. (“Rua Cloverfield, 10”), Annie Ilonzeh (“All Eyez on Me”), Richard Cabral (série “Lethal Weapon”), John Ortiz (“O Paradoxo Cloverfield”) e o rapper Method Man (série “The Deuce”). A estreia está marcada para 7 de setembro nos Estados Unidos e não há previsão de lançamento no Brasil.
Beirut: Jon Hamm enfrenta terroristas em trailer legendado de thriller de ação
A Netflix divulgou o trailer legendado de “Beirut”, thriller de ação estrelado por Jon Hamm (“Em Ritmo de Fuga”) e Rosamund Pike (“Garota Exemplar”), que teve lançamento limitado nos cinemas americanos em abril. Escrito por Tony Gilroy, roteirista da franquia “Bourne”, o filme envolve terrorismo e espionagem no cenário volátil do Líbano dos anos 1980. Na trama, um diplomata dos EUA (Hamm) foge do Líbano em 1972 após um ataque terrorista custar a vida de sua esposa. Dez anos depois, ele é convocado de volta a Beirute por uma agente da CIA (Pike) para negociar a vida de um velho amigo, que foi raptado por terroristas. A direção é de Brad Anderson (“Chamada de Emergência”) e o elenco também inclui Dean Norris (série “Under the Dome”), Larry Pine (série “House of Cards”) e Shea Whigham (série “Agent Carter”). O filme tem 77% de aprovação no Rotten Tomatoes e estreia no Brasil diretamente em streaming, no dia 15 de junho.
22 Milhas: Mark Wahlberg é duro de matar em trailer de novo filme de ação
A STX divulgou o pôster e o trailer de “22 Milhas” (22 Miles), quarto filme consecutivo de Peter Berg estrelado por Mark Wahlberg. Este é o que mais se aproxima do primeiro, “O Grande Herói” (2013), ao trazer um grupo sob fogo cerrado em território inimigo. A prévia destaca muitas cenas de ação, mas também uma trama genérica o suficiente para evocar um filme B da década passada. No novo longa, Wahlberg comanda um grupo de agentes de elite especializado em missões impossíveis, mas que acaba realizando um trabalho que Bruce Willis já fez contra criminosos comuns: transportar uma testemunha por algumas quadras sob ataque – veja-se “16 Quadras” (2006). A diferença é que isso acontece em território estrangeiro, com supervisão militar americana, e quem é transportado também é um super-agente altamente treinado, que enfrenta tentativas de assassinato ao desertar. O transporte aéreo que os tirará da linha de fogo fica distante 22 milhas (daí o título), mas só ficará 10 minutos no lugar. E o caos que se estabelece em torno da rota de fuga é aquilo que se espera, para quem viu a 4ª temporada de “Homeland”, “Falcão Negro em Perigo” ou “Mad Max: Estrada da Fúria”. O elenco também inclui Lauren Cohan (a Maggie de “The Walking Dead”), John Malkovich de peruca (“Red – Aposentados e Perigosos”), a ex-campeã de MMA Ronda Rousey (“Os Mercenários 3”) e o astro indonésio de artes marciais Iko Uwais (“Operação Invasão”). A estreia está marcada para 23 de agosto no Brasil, 20 dias após o lançamento nos Estados Unidos.
Jessica Chastain reúne Marion Cotillard, Penélope Cruz, Fan Bingbing e Lupita Nyong’o em thriller de espionagem
São cinco mulheres e muitos segredos, com Jessica Chastain, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Fan Bingbing e Lupita Nyong’o reunidas no elenco de um thriller de espionagem. Intitulado “355”, o projeto segue a tendência atual dos filmes de ação com protagonistas femininas. A diferença é que, como elenco deixa claro, trata-se de uma produção com apelo internacional, que junta estrelas de cinco diferentes nacionalidades (ou mais, no caso de Nyong’o, que é queniana-mexicana). Intitulado “355”, o filme parte de uma ideia de Chastain, que também produzirá as filmagens por meio de sua empresa, Freckle Films. O roteiro foi escrito por Theresa Rebeck (do infame “Mulher-Gato”) e a direção está a cargo de Simon Kinberg em seu segundo trabalho oficial na função, após “X-Men: Fênix Negra”, previsto para 2019. Kinberg também entra no projeto como produtor. A trama promete uma aventura mundial, com cinco atrizes de primeira linha representando espiãs de agências internacionais rivais, que se unem e superam suspeitas e conflitos enquanto lutam para impedir que uma organização global lance o mundo ao caos. Ao longo da jornada, estranhas e inimigas tornam-se companheiras e amigas, e uma nova irmandade de espionagem, de codinome 355, é formada. “Eu vejo a criação de algo como ‘355’ como uma oportunidade e privilégio de reunir um grupo diversificado de mulheres, que influenciaram muito a indústria cinematográfica através do seu trabalho, para se unirem igualmente e explorar o mundo ruim da espionagem internacional e os thrillers de ação” disse Chastain, em comunicado. “É algo que eu nunca vi, e é algo que, acredito, não será apenas incrivelmente divertido para o público global de hoje, mas também inspirador para um mundo cada vez mais dividido”, acrescentou Kinberg. Ainda não há previsão para a estreia do projeto.
Denzel Washington volta a ação no trailer legendado de O Protetor 2
A Sony divulgou o pôster, quatro fotos e o primeiro trailer de “O Protetor 2”, em versões legendada e dublada em português. A sequência do filme de ação de 2014 volta a trazer Denzel Washington no papel-título, como o protetor dos fracos Robert McCall. A prévia abre com uma cena reminiscente do primeiro longa, com Denzel dando uma lição em homens valentes que maltrataram uma garota de programa. Mas se trata apenas de aperitivo. A trama começa mesmo quando uma velha amiga do protagonista é assassinada. Isto coloca McCall, um ex-agente especial que ajuda aqueles que não podem se defender, em nova missão de vingança. O elenco inclui Pedro Pascal (série “Narcos”), Bill Pullman (“Independence Day: O Ressurgimento”), Melissa Leo (série “Wayward Pines”), Jonathan Scarfe (série “Van Helsing”) e Sakina Jaffrey (série “Timeless”) A franquia é baseada numa série clássica dos anos 1980 (“The Equalizer”), que trazia Edward Woodward no papel de McCall. E a continuação foi escrita e dirigida pelo mesmo time do primeiro filme, respectivamente o roteirista Richard Wenk e o diretor de Antoine Fuqua. A estreia de “O Protetor 2” está marcada para 16 de agosto no Brasil, quase um mês após o lançamento nos Estados Unidos.
American Animals: Filme elogiado de assalto com Evan Peters ganha trailer
A Orchard divulgou os pôsteres e o trailer de “American Animals”, filme estrelado por Evan Peters (da série “American Horror Story”) que impressionou a crítica no Festival de Sundance 2018. A prévia dá uma mostra do tom da produção, usando humor ácido para abordar os planos de um grande assalto. A diferença para os heist movies habituais é que os criminosos, desta vez, não são bandidos experientes, mas universitários entediados, que planejam roubar o “livro mais caro dos Estados Unidos”. E em sua fantasia criminal, confundem o que viram em seus filmes favoritos com a vida real. O filme foi escrito e dirigido por Bart Layton, que estreia na ficção após se destacar como documentarista (“O Impostor”), e o elenco também inclui Barry Keoghan (“Dunkirk”), Blake Jenner (“Jovens, Loucos e Mais Rebeldes”) e Jared Abrahamson (série “Travelers”). A estreia está marcada para o dia 1º de junho nos Estados Unidos e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Charlize Theron diz que Atômica terá continuação
A atriz Charlize Theron confirmou que “Atômica” vai ganhar continuação. A revelação foi feita durante uma discussão das cenas de ação exaustivas do filme, em um painel no Festival Internacional de Cinema de São Francisco. Ao ser questionada se o esforço tinha valido a pena, ela apenas respondeu: “Sim, estamos fazendo uma sequência”. Lançado em agosto do ano passado, o filme não foi um grande sucesso de bilheteria. Faturou US$ 51M (milhões) nos Estados Unidos e US$ 95M no mercado mundial. Mas custou pouco: US$ 30M. “Atômica” é uma adaptação da graphic novel “The Coldest Day”, de Antony Johnston (roteirista do game “Dead Space”) e Sam Hart, que não tem sequência. Mas o filme termina com um gancho para novas aventuras, incluído pelo roteirista Kurt Johnstad (“300”), que também foi responsável por mudar o sexo da personagem vivida por Sofia Boutella (“A Múmia”), dando origem a cenas lésbicas de alta voltagem. Na trama, Charlize vive a “loira atômica” do título original durante a época da Guerra Fria, nos anos 1980. Sua personagem é uma espiã britânica enviada para Berlim Ocidental numa missão extremamente perigosa: investigar a morte de um colega e recuperar uma lista perdida de agentes duplos. Caso o filme ganhe sequência, será o segundo trabalho do diretor David Leitch a virar franquia. O detalhe é que ele dirigiu apenas dois longas na carreira. O primeiro foi “De Volta ao Jogo”, em que Keanu Reeves viveu pela primeira vez o matador John Wick. O próximo filme de Leitch, porém, já será uma continuação de franquia, “Deadpool 2”, que estreia em 17 de maio no Brasil.
Marco Pigossi vive maior matador do Brasil no trailer do filme O Nome da Morte
A Imagem Filmes divulgou o pôster, fotos e o trailer de “O Nome da Morte”, thriller criminal que marca a estreia de Marco Pigossi (novela “A Força do Querer”) no cinema, no papel do maior matador do Brasil. A prévia até começa como uma novela romântica, mas muda de tom abruptamente e engata até uma contagem de corpos. Baseado na história real de um pistoleiro que matou quase 500 pessoas, o filme conta a história de Júlio Santana (Pigossi), um jovem que vive com a família no interior e é convidado pelo tio para conhecer a cidade grande. Mas o tio Cícero (André Mattos) só pensa em explorar a destreza do rapaz com as armas para lhe empregar num ofício macabro. Apesar de religioso e com a consciência atormentada, por lealdade ao tio o rapaz se torna uma lenda, com quase 500 mortes na conta. Na vida real, o assassino nunca foi pego. Ele só foi preso uma vez e escapou após subornar um policial. Baseado no livro homônimo de 2006, escrito pelo jornalista Klester Cavalcanti, e rodado no Tocantins, o filme tem roteiro e direção de Henrique Goldman (de “Jean Charles”) e seu elenco ainda inclui Fabiula Nascimento (“O Lobo Atrás da Porta”), Matheus Nachtergaele (“Trinta”), Augusto Madeira (“Bingo, o Rei das Manhãs”), Tony Tornado (“A Noite da Virada”) e Martha Nowill (“Vermelho Russo”). A estreia está marcada para 9 de agosto.
Killing Eve: Nova série de Sandra Oh é renovada antes da estreia
O canal pago BBC America anunciou a renovação de “Killing Eve”, que estreia só no domingo (8/2), para sua 2ª temporada. A presidente da BBC America, Sarah Barnett, justificou a renovação antecipada da série estrelada por Sandra Oh (série “Grey’s Anatomy”) e Jodie Comer (série “The White Princess”) ao dizer que as reações iniciais foram muito positivas – está com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. “É por essa razão — e porque nós completamente amamos essa produção original, engraçada, emocionante e divertida — que estamos felizes em seguir em frente e garantir uma 2ª temporada antes mesmo da 1ª estrear”. Criada pela atriz e roteirista inglesa Phoebe Waller-Bridge (criadora-protagonista de “Fleabag”), a trama é baseada no romance homônimo de Luke Jennings e gira em torno de duas mulheres: Eve (Oh), uma oficial de segurança do MI5, o serviço secreto britânico, cujo trabalho burocrático não cumpre suas fantasias de ser uma espiã, e Villanelle (Comer), uma assassina talentosa que se apega aos luxos que seu trabalho violento lhe dá. Essas duas mulheres ferozmente inteligentes se tornam obcecadas uma com a outra e acabam se envolvendo em um jogo perigoso de gato e rato. O elenco também inclui Fiona Shaw (série “True Blood”), Kirby Howell-Baptiste (“Downward Dog”), Kim Bodnia (“The Bridge”) e David Haig (“Penny Dreadful”). Conforme mencionado, a estreia está marcada para 8 de abril nos Estados Unidos, mas ainda não há previsão para seu lançamento no Brasil.
Noomi Rapace e Orlando Bloom enfrentam terroristas em trailer de filme da Netflix
A Lionsgate divulgou o trailer legendado de “Conspiração Terrorista” (Unlocked), thriller de espionagem com direção do veterano cineasta britânico Michael Apted (“007 – O Mundo Não É O Bastante”). A prévia traz a sueca Noomi Rapace (“Prometheus”) como uma ex-interrogadora da CIA, que é convocada para voltar à ativa e ajudar a extrair informação de um terrorista, sem saber que está sendo usada como parte de um plano para um ataque biológico em Londres. Ao perceber que nem tudo é o que parece, ela se alia a um agente do MI6, vivido pelo inglês Orlando Bloom (trilogia “O Hobbit”), para tentar impedir o ataque iminente. O elenco ainda inclui John Malkovich (“Horizonte Profundo: Desastre no Golfo”), Michael Douglas (“Homem-Formiga”) e Toni Collette (“xXx: Reativado”). Produção original da Lionsgate, o filme foi lançado em maio do ano passado no Reino Unido e chega ao Brasil direto em streaming – já disponível.
Por Trás dos Seus Olhos enfatiza aspecto visual para disfarçar que não há o que ver
No filme “Por Trás dos Seus Olhos”, o diretor Marc Foster aproveita a trama sobre uma mulher que ficou cega num acidente de infância, mas pode voltar a enxergar com as novas possibilidades da medicina atual, para realizar uma experimentação visual bem interessante. Mais do que a história, as imagens é que fazem a força do filme. Em excesso, até. A câmera de Foster leva o público a enxergar embaçado, perder o foco, nublar, sofrer variações e desequilíbrios, que tentam mimetizar a experiência da cegueira, com sua vulnerabilidade, inseguranças e medos. A percepção das luzes, da água, do vento, do movimento e dos ambientes traz grandes sensações e induz à imaginação. Retomar a visão ou parte dela, recuperando a magia das cores e o colorido da vida, produz um efeito deslumbrante. Para isso, é especialmente favorável a locação vibrante de Bangkok, na Tailândia, onde o personagem James (Jason Clarke), marido de Gina (Blake Lively), a portadora da deficiência visual, trabalha no ramo de seguros. A variedade de flores por lá é uma festa! O casal formado por James e Gina, vivendo num país estrangeiro, parece caminhar muito bem, já que a dependência afetiva que ela tem dele é bem resolvida e acolhida por ambos. Só estariam faltando filhos. Mas, com o retorno à visão, aquilo que estava na mente, na imaginação dela, nem sempre se apresenta do modo esperado e nem de forma a ser bem recebido. O conflito, então, tende a se estabelecer, exigindo novos comportamentos e soluções. Um novo relacionamento tem de ser construído. Assim como novas relações vão se estabelecer. A atriz Blake Lively tem um desafio e tanto, no papel da mulher que, de cega, passa progressivamente a ver, e que pode ter recaídas. A câmera se esbalda ao explorar esse universo visual inconstante. Há um tanto de maneirismo nessa exploração visual, ela acaba se colocando à frente dos personagens e da trama. Ou seja, a técnica se torna visível demais. As imagens são bonitas, sedutoras. O ambiente psicológico que se transforma com a visão também prende a atenção do espectador. Enfim, tudo muda. Para chegar a quê? Uma trama previsível de suspense doméstico.
Programação de cinema mais fraca do ano destaca estreias com robôs gigantes e bichos falantes
Robôs gigantes e bichos falantes ocupam os cinemas dos shopping centers, enquanto outros sete lançamentos buscam espaço no circuito limitado. Mesmo com nove filmes, a programação é das mais fracas do ano. Por isso, as opções recomendadas são exclusivamente documentários. Clique nos títulos abaixo para ver os trailers de todas as estreias. “Círculo de Fogo: A Revolta” é a maior estreia, quase do tamanho de um kaiju, com projeção em 846 salas. Trata-se da continuação do filme que Guillermo del Toro lançou em 2013, antes de se dedicar ao longa que venceu o Oscar 2018, “A Forma da Água”. Mas ele não comanda a sequência, que marca a estreia na direção de Steven S. DeKnight após uma longa carreira como roteirista e produtor de séries, como “Buffy”, “Spartacus” e “Demolidor”. E a diferença é gritante. O primeiro filme não fez grande sucesso de bilheterias, mas agradou a crítica pela disposição de criar uma nova mitologia a partir da cultura de monstros e robôs gigantes do entretenimento pop japonês, mostrando grande paixão pelo gênero. Já o segundo é assumidamente infantilizado como as imitações ocidentais de Hollywood, um cruzamento de “Power Rangers” com “Transformers”. E virou metal retorcido nas mãos da imprensa americana, com 46% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Apesar de estrelado por John Boyega (“Star Wars: O Despertar da Força”), no papel do filho do personagem de Idris Elba no longa de 2013, os verdadeiros astros da produção são os robôs, chamados de Jaggers, que inclusive ocuparam todos os pôsteres divulgados da produção. Isto já devia servir de alerta. “Círculo de Fogo: A Revolta” é candidato a ocupar a vaga de “Transformers” na premiação do próximo Framboesa de Ouro. “Pedro Coelho” (Peter Rabbit) é um híbrido de animação e live action, que combina os famosos bichinhos falantes criados pela escritora britânica Beatrix Potter com humanos interpretados por atores de carne e osso. O ponto alto é a qualidade dos efeitos, que misturam perfeitamente digital e real. Já o ponto baixo fica por conta da alteração no tom das aventuras do coelho antropomórfico. Na “atualização” da trama do começo do século 20 para os dias de hoje, o coelho antropomórfico virou personagem de “Jackass”. Uma pena que Will Gluck, que escreve e dirige a adaptação, não tenha aprendido nada com o fracasso do remake de “Annie”, sua outra atualização frustrante de um clássico da literatura infantil (quadrinhos) dos primeiros anos 1900. A média da crítica americana ficou em 59% de aprovação, mas as crianças que gostam de histeria, cores, música alta e tombos, muitos tombos, podem gostar. Americanos limitados Há opções piores vindo de Hollywood nesta semana. Escrito e dirigido por Marc Forster (“Guerra Mundial Z”), o suspense “Por Trás dos Seus Olhos” traz Blake Lively (“Águas Rasas”) numa premissa de thriller doméstico dos anos 1990. Quando uma jovem cega passa por uma cirurgia e recupera a visão, seu marido começa a dar sinais de que a súbita independência dela ameaça o relacionamento. A metáfora não é sutil, mas o diretor tenta aplicar uma abordagem surreal, com imagens oníricas inspiradas na situação visual da protagonista. A mistura de convencional e experimental resulta em rejeição dupla, com apenas 28% de aprovação no Rotten Tomatoes. “A Melhor Escolha” é o novo drama de Richard Linklater (“Boyhood”) e reúne um trio de peso: Bryan Cranston (“Trumbo”), Steve Carell (“A Grande Aposta”) e Laurence Fishburne (“John Wick: Um Novo Dia Para Matar”). Na trama, os três se reencontram, 30 anos depois de servirem juntos na Guerra do Vietnã, para o enterro do filho de um deles, morto durante um novo conflito, na Guerra do Iraque. Como se pode imaginar, trata-se de um filme muito falado, lento, depressivo e politicamente engajado em sua crítica contra as guerras. Isto agradou a crítica americana, que lhe rendeu 76% de aprovação, mas, para o público brasileiro, sua exaltação do patriotismo “estadunidense” (como escreve a “esquerda”) pode ser mais difícil de suportar que o tom fúnebre da produção, baseada em livro de Darryl Ponicsan (autor do romance que virou o clássico “A Última Missão”). Europeus superestimados Estreia mais superestimada da semana, “A Livraria” venceu o Goya (o Oscar espanhol) de Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado, os dois últimos prêmios conquistados pela cineasta Isabel Coixet. Apesar desse incensamento espanhol, o longa se projeta como um filme britânico antiquado. Elenco, locação, língua e texto original são ingleses. Trata-se de uma adaptação da obra homônima de Penelope Fitzgerald, publicada em 1978, mas passada nos anos 1950, sobre uma mulher que resolve abrir uma livraria numa cidadezinha conservadora e cria controvérsia ao vender exemplares de “Lolita”. Os espanhóis adoraram o retrato intimista da época. Os ingleses odiaram os clichês de drama lento britânico, cheio de diálogos pausados, surtos passivos e elenco de meia idade – Emily Mortimer (“A Invenção de Hugo Cabret”), Bill Nighy (“Uma Questão de Tempo”) e a americana Patricia Clarkson (“Maze Runner: A Cura Mortal”). Com as opiniões literalmente divididas, a aprovação ficou em 50%. O que também significa “medíocre”. “A Odisseia” é a cinebiografia do oceanólogo francês Jacques Custeau, cujos registros marinhos marcaram gerações. Não por acaso, o destaque do filme de Jérôme Salle (“Anthony Zimmer – A Caçada”) é justamente a fotografia submarina, algo aperfeiçoado por Custeau, inventor de equipamentos capazes de registrar a vida no fundo dos oceanos, que revelaram mundos desconhecidos numa série de documentários revolucionários. Mas a história de sua vida é narrada com a convencionalidade dos filmes biográficos que Hollywood faz para o Oscar. Para cada sequência fotográfica de tirar o fôlego, há o dobro de situações melodramáticas de telenovela, que nem o bom elenco – Lambert Wilson (“Homens e Deuses”), Pierre Niney (“Yves Saint Laurent”) e Audrey Tautou (a eterna “Amelie”) – consegue sustentar. 61% de aprovação no Rotten Tomatoes. Outra produção comercial francesa, “Chateau – Paris” explora comédia num bairro de imigrantes em Paris, evocando filmes americanos sobre salões de beleza, como a franquia “Uma Turma do Barulho”. O diferencial da malandragem francesa é a “cor local” da produção, com personagens das mais diferentes culturas, que cria uma atmosfera cosmopolitana para sua versão cor-de-rosa do “gueto”. Brasileiros relevantes Assim, as melhores opções da semana são os documentários brasileiros “Soldados do Araguaia” e “O Jabuti e a Anta”. Como os grandes exemplares do gênero, ambos abordam temas relevantes e inspiram bastante reflexão. O primeiro presta contas de uma história que a História oficial busca esconder, enquanto o segundo chama atenção para um drama em desenvolvimento, que também sofre pressão poderosa para permanecer desconhecido. O diretor Belisario Franca já tinha provocado uma reavaliação histórica da influência nazista no Brasil com seu premiado “Menino 23” (2016). Agora, encontra antigos soldados que combateram na Guerra do Araguaia, um conflito que simplesmente não existe nos livros didáticos, para revelar o enfrentamento entre militantes de esquerda e o exército brasileiro na floresta amazônica, na fronteira paraense do Rio Araguaia. A maioria dos combatentes comunistas foi morta ou executada durante a expedição militar que durou dois anos, entre 1972 e 1974, enquanto os soldados receberam ordens para esquecer o que viram. O outro documentário também se passa em rios amazônicos. O título com bichos silvestres evoca espécies ameaçadas pelo homem. Mas o próprio homem corre risco de extinção na região, graças à obra da Usina de Belo Monte, uma construção que impactou o meio-ambiente e ocasionou mudanças de locação da população ribeirinha e de tribos ali estabelecidas desde antes das caravelas. Uma das vitrines do PAC, o plano de aceleração da corrupção de governos recentes, rendeu fortunas a empreiteiras e incentivou a especulação imobiliária, à revelia do interesse dos habitantes locais. A documentarista Eliza Capai (“Tão Longe É Aqui”) também navegou pelos rios amazônicos até o Peru, onde a população indígena conseguiu impedir obra similar, mostrando os contrastes ambientais dos dois lugares.
Ben Affleck vai estrelar o filme de ação sobre a tríplice fronteira do Brasil, Argentina e Paraguai
Será que agora vai? O thriller de ação “Triple Frontier” voltou a ser anunciado, agora com produção da Netflix – após a desistência da Paramount. O filme está em desenvolvimento há uma década e chegou a marcar filmagens no ano passado, na fronteira tríplice do Brasil, Argentina e Paraguai. O projeto já teve inúmeros atores famosos ligados à sua produção e acabou fechando com Ben Affleck (“Liga da Justiça”) e Oscar Isaac (“Star Wars: Os Últimos Jedi”) para os papéis principais. O elenco também inclui Charlie Hunnam (“Rei Arthur: A Lenda da Espada”), Garrett Hedlund (“Mudbound”), Pedro Pascal (série “Narcos”) e Adria Arjona (série “Emerald City”). Vale lembrar que, a certa altura de seu longo desenvolvimento, o longa esteve perto de ser estrelado por Johnny Depp, Will Smith e Tom Hanks. Uma configuração anterior ainda tinha Channing Tatum (“Magic Mike”), Tom Hardy (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e Mahershala Ali (“Moonlinght”) como protagonistas. Baseado num roteiro escrito por Mark Boal (“A Hora Mais Escura” e “Guerra ao Terror”), sobre as ligações do crime organizado e do terrorismo islâmico na América do Sul, o filme originalmente teria a direção de Kathryn Bigelow (também de “A Hora Mais Escura” e “Guerra ao Terror”), mas a demora em conseguir sinal verde fez a cineasta assumir outros compromissos. Com isso, o diretor J.C. Chandor (“O Ano Mais Violento”) ficou encarregado de comandar as filmagens e também trabalhou no aprimoramento do roteiro. A história agora se concentra em cinco amigos cujas lealdades são testadas, quando se juntam para derrubar um poderoso traficante da América do Sul, desencadeando conseqüências não intencionais. De acordo com informações da revista Empire, este novo rumo da trama teria sido o estopim da última implosão da produção. A reescrita não teria agradado a Hardy e Tatum, que optaram por deixar o longa a um mês do início previsto para as filmagens, em maio passado. A decisão dos atores fez a Paramount, que passava por um conturbado processo de transição de poder, desistir do projeto. Se ninguém desistir novamente em cima da hora, as filmagens devem finalmente começar já neste fim de semana, com locações no Havaí, Califórnia e Colômbia. O elenco, inclusive, já está ensaiando no Havaí. Ou seja, nada da tríplice fronteira real, embora o diretor sempre possam extrair imagens das “cataratas de Wakanda” e incluir na produção, para localizar o filme.












