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    William Peter Blatty (1928 – 2017)

    13 de janeiro de 2017 /

    Morreu William Peter Blatty, roteirista e diretor de cinema, mais conhecido como criador de “O Exorcista”. A confirmação de sua morte veio pelo twitter do cineasta William Friedkin, que dirigiu “O Exorcista”. Ele faleceu na quinta-feira (12/1), aos 89 anos, de câncer – mieloma múltiplo, um tipo de câncer no sangue – , em um hospital em Bethesda, Maryland (EUA). Antes de aterrorizar o mundo, Blatty se especializou em fazer o público rir, assinando quatro roteiros para o cineasta Blake Edwards, entre eles o ótimo “Um Tiro no Escuro” (1964), a melhor comédia da franquia “A Pantera Cor-de-Rosa”. Ele também escreveu “O Harém das Encrencas” (1965), de J. Lee Thompson, com Shirley MacLaine de odalisca, e “A Deliciosa Viuvinha” (1966), de Arthur Hiller, com o jovem Warren Beatty e Leslie Caron. A mudança de tom veio com a adaptação de “A Última Esperança da Terra” (1971), sci-fi distópica baseada no romance clássico “Eu Sou a Lenda”, de Richard Matheson. Chamado para consertar o roteiro, ele acabou ficando sem créditos, mas o resultado rendeu um clima de terror impressionante que contrastava muito com a primeira filmagem da obra, “Mortos que Matam” (1964). No mesmo ano, ele se afirmou como grande autor e escritor com a publicação de seu livro “O Exorcista”. O livro ficou impressionantes 57 semanas na lista dos dez best-sellers mais vendidos do New York Times, e despertou grande interesse de Hollywood. O próprio Blatty assinou a adaptação para o cinema, lançada dois anos depois. Dirigido por um mestre, William Friedkin, “O Exorcista” (1973) atingiu o raro patamar de obra-prima, não só do gênero terror, mas do próprio cinema. Impossível falar de Hollywood nos anos 1970 sem mencionar sua produção. Acompanhado por uma campanha de marketing avassaladora, sua estreia em 1973 foi um frisson, que mudou o terror para sempre – além de ajudar a criar o conceito de filme-evento, antecipando “Tubarão” (1975), de Steven Spielberg, e “Guerra nas Estrelas” (1977), de George Lucas. E o longa fazia jus ao hype. Até hoje considerado o filme mais assustador já feito, “O Exorcista” impressionou com uma coleção de cenas chocantes, que iam do profano ao escatológico, acompanhando as tentativas de dois padres de exorcizar uma adolescente possuída, ao mesmo tempo em que discutia aspectos filosóficos da fé. Algumas partes eram tão fortes que criaram dificuldades para sua liberação pela ditadura militar no Brasil, só chegando no país com um ano de atraso. Blatty venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, um feito inesperado para um autor de terror. Também faturou um Globo de Ouro, de lambuja. O passo seguinte do escritor foi passar para trás das câmeras, dirigindo seu primeiro longa, também adaptação de um livro de terror de sua autoria, “A Nona Configuração” (1980). A trama se passava num castelo transformado em sanatório, que abrigava militares traumatizados pela Guerra do Vietnã. O detalhe é que o recém-chegado novo diretor do hospício (Stacy Keach) era ainda mais insano que os pacientes. A produção não rendeu o mesmo frenesi, mas Blatty colecionou o seu segundo Globo de Ouro de Melhor Roteiro. Enquanto isso, o estúdio Morgan Creek, tentando capitalizar com “O Exorcista”, lançou uma continuação que quase acabou com a franquia. Sem a participação de Blatty ou Friedkin, “O Exorcista II – O Herege” (1977) foi um fiasco de público e crítica. Visando recuperar o título, o estúdio fechou o retorno do escritor para “O Exorcista III” (1990), que ele também dirigiu, baseado em seu livro “Legião” (1983), a sequência literária oficial de “O Exorcista”. A trama juntava possessão e psiquiatria, os dois temas de suas duas obras anteriores de terror, e ignorava completamente o filme anterior. Na verdade, fazia conexão direta com o longa original ao recuperar o personagem do detetive policial William Kinderman, interpretado por Lee J. Cobb em 1973 e vivido por George C. Scott na continuação, investigando crimes cometidos por psicopatas diabólicos. Apesar da premissa inovadora – que seria copiada por inúmeros terrores, entre eles o recente “Livrai-Nos do Mal” (2014) – , o lançamento não teve a repercussão pretendida, ainda que parte da crítica tenha reverenciado sua capacidade de assustar. Blatty reclamou muito da Morgan Creek na época, mas apenas em 2016 foi possível comparar sua visão com a do estúdio, deixando claro a interferência em seu processo criativo. Uma edição do diretor foi lançada em Blu-ray em outubro passado, com um tom mais sombrio e final completamente diferente – sem o show pirotécnico que o estúdio acrescentou à revelia do cineasta. As cenas inéditas, porém, foram mal preservadas e possuem péssima qualidade. Mesmo assim, o lançamento arrancou elogios rasgados da crítica americana. Infelizmente, Blatty não teve outras chances de escrever e dirigir mais filmes desde “O Exorcista III”. Ele chegou a desenvolver uma minissérie baseada na franquia, mas o projeto foi substituído pela série “The Exorcist” em 2016, passada no mesmo universo de seus livros e filmes. O roteiro da minissérie inédita, intitulada “The Exorcist for the 21st Century”, deve ser lançado como livro.

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  • Série

    Sarah Paulson e Evan Peters vão voltar na 7ª temporada de American Horror Story

    13 de janeiro de 2017 /

    Além da renovação até 2018, a série “American Horror Story” teve algumas novidades adiantadas durante o evento para a imprensa organizado pela TCA (Associação dos Críticos de TV dos EUA). O produtor Ryan Murphy adiantou a participação dos atores Sarah Paulson e Evan Peters na 7ª temporada, prevista para estrear ainda neste ano. Na 6ª antologia da série, intitulada “Roanoke”, Sarah e Peters interpretaram um casal de atores que se apaixonou em um set de filmagens. Outra novidade é que a trama vai se passar nos dias atuais. Mais que isso, é segredo. Murphy avisou que vai repetir – em partes – o mistério que envolveu o tema da 6ª temporada até minutos antes de sua estreia. Mas isso se deve também ao fato de que apenas recentemente começou a desenvolver a história, e ainda não decidiu como irá revelar a trama. Murphy chegou a especular que talvez solte uma pista aqui e ali, dando ao público um pouco mais com o que trabalhar do que os enganosos teasers que antecederam Roanoke. Anteriormente, o showrunner havia dito que personagens de “Freak Show” (4ª temporada) poderiam voltar na 7ª temporada. Ele também já comentou a ideia de realizar um crossover com os personagens de “Murder House” (1ª temporada) e “Coven” (3ª). A 7ª temporada deve estrear ainda este ano, provavelmente na época do Halloween.

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  • Série

    American Horror Story é renovada até 2018

    13 de janeiro de 2017 /

    O canal pago americano FX renovou a série “American Horror Story” para mais duas temporadas, garantindo a exibição da série até 2018. O anúncio foi feito durante evento para a imprensa organizado pela TCA (Associação dos Críticos de TV dos EUA) por John Landgraf, presidente do FX. O FX já havia renovado a série para a 7ª temporada após os sucesso de “American Horror Story: Roanoke”, no começo deste ano. Landgraf dobrou a renovação e destacou que ela inaugurou um novo formato na TV, no que se refere a temporadas limitadas. “Cada capítulo é um evento cultural, adorado por cada nova reviravolta imagética, em estilo, elenco e história”, ele comentou. Criada por Ryan Murphy e Brad Falchuk em 2011, ao longo de seis temporadas “American Horror Story” já venceu 15 Emmys (o “Oscar da TV”) e dois Globos de Ouro. A 7ª temporada deve estrear ainda este ano, provavelmente na época do Halloween, enquanto a 8ª fica para 2018.

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  • Série

    The Walking Dead ganha sinopse e primeiras fotos do retorno da 7ª temporada

    11 de janeiro de 2017 /

    O canal pago americano AMC divulgou as quatro primeiras fotos e a sinopse da segunda parte da 7ª temporada de “The Walking Dead”, que promete explorar a guerra entre as diversas comunidades sobreviventes e Negan. Trata-se da história conhecida como “All Out War” (guerra total), que durou da edição 115 à 126 nos quadrinhos. Eis o texto traduzido da sinopse: “O grupo de Rick descobrirá mais uma vez que o mundo não é o que eles pensavam ser. É muito maior do que qualquer coisa que viram até agora. Embora eles tenham um propósito claro – de derrotar Negan – , não vai ser fácil. Mais importante ainda, a vitória exigirá mais do que apenas Alexandria. Eles precisam dos números do Reino e de Hilltop mas, como Rick sentiu, Ezekiel (Khary Payton) e Gregory (Xander Berkeley) não querem derramamento de sangue. Para convencê-los a mudar de ideia, serão necessários mais do que discursos. Até onde Rick e o grupo terão de ir para encontrar armas, comida e novos lutadores será nada menos que notável. Vamos encontrar novos sobreviventes em lugares incríveis. Veremos Rick e seu grupo testados de maneiras que nunca vimos antes. Veremos traições de pessoas em quem confiamos. Rick está confiante em como verá seu grupo e muitos outros se juntarem com o objetivo comum de derrubar Negan. Mas nenhuma quantidade de planejamento vai preparar o grupo para a guerra total contra Negan e seu exército.” A 7ª temporada retorna a partir do dia 12 de fevereiro, com exibição simultânea no Brasil pelos canais Fox e Fox Action (sem intervalos comerciais). Clique nas imagens abaixo para ampliá-las em tela inteira.

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  • Série

    Quadrinhos de The Walking Dead sugerem que Rick vai virar um novo Negan

    9 de janeiro de 2017 /

    Rick parece ter levado a sério demais a frase “Todos somos Negan”. A capa da nova edição dos quadrinhos de “The Walking Dead” traz o líder da comunidade de Alexandria vestindo jaqueta de ouro e segurando Lucille, numa imagem que sugere que ele tomará o lugar do vilão na trama. Veja abaixo. A edição tem o número 163 e, se a série televisiva seguir em passo de zumbi, só deve entrar em produção para a TV daqui a quatro anos. Comentar mais a respeito do destino de Negan é megaspoiler e, como não é relevante para a notícia, fica por isso mesmo. Já na série, a segunda metade da 7ª temporada de “The Walking Dead” vai começar a mostrar o fim da submissão de Rick (Andrew Lincoln) e demais sobreviventes à Negan (Jeffrey Dean Morgan), e a criação de uma aliança entre Alexandria, Hilltop e o Reino contra os Salvadores, que conduzirá ao arco dos quadrinhos intitulado “All Out War” (guerra total). Isto significa que a série está chegando à edição de número 111 dos quadrinhos – são mais de 50 números de diferença. A midseason de “The Walking Dead” começa em 12 de fevereiro, com transmissão no Brasil pelo canal Fox e Fox Action (sem intervalos).

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    Clinical: trailer de terror da Netflix traz psiquiatra traumatizada

    9 de janeiro de 2017 /

    A Netflix divulgou o primeiro trailer de “Clinical”, terror que traz Vinessa Shaw, a adolescente do clássico “Abracadabra” (1993) toda crescida, como uma psiquiatra traumatizada. Na trama, ela é atormentada pelo ataque traumatizante de uma paciente e passa a questionar sua própria sanidade, conforme as lembranças da violência se tornam cada vez mais viscerais. A direção é de Alistair Legrand (“The Diabolical”) e o elenco ainda inclui William Atherton (série “Defiance”), Aaron Stanford (série “12 Monkeys”) e Wilmer Calderon (também de “The Diabolical”). A estreia vai acontecer na sexta-feira, 13 de janeiro.

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    Filme do Slender Man será escrito pelo roteirista de Elle

    7 de janeiro de 2017 /

    A Screen Gems vai mesmo fazer um filme baseado no monstro Slender Man, a primeira lenda urbana da internet. Segundo o site Deadline, o estúdio responsável pelas franquias “Anjos da Noite” e “Resident Evil” contratou o diretor Sylvian White (“Assassinato em Quatro Atos”) para realizar o longa, que será escrito por David Birke, roteirista do aclamado suspense francês “Elle” (2016), de Paul Verhoeven. A trama pode seguir muitos rumos, inclusive baseado em fatos reais, já que o Slender Man foi criado no Photoshop pelo internauta Erick Knudsen como um meme em 2009, mas ganhou tanta popularidade que se espalhou pela internet e começou a gerar relatos de pessoas que afirmam tê-lo visto de verdade. Sua lenda atingiu picos de notoriedade quando duas crianças de 12 anos esfaquearam 19 vezes uma terceira e tentaram culpar a criatura. A estreia está prevista para 2018.

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    Novo terror do brinquedo assassino Chucky ganha primeiro teaser

    7 de janeiro de 2017 /

    A Universal divulgou o teaser de “Cult of Chucky”, o sétimo filme do monstrinho introduzido em “Brinquedo Assassino” (1988). A prévia relembra detalhes da trajetória de Chucky e inclui sua amada Tiffany. Ambos continuam dublados por Brad Douriff e Jennifer Tilly. Além disso uma sinopse foi divulgada: Confinada em um hospício para criminosos insanos pelos últimos quatro anos, Nica Pierce (Fiona Dourif, filha do dublador de Chucky) é erroneamente convencida de que ela, e não Chucky, matou sua família inteira. Porém, quando seu terapeuta começa a usar um boneco Good Guy para as sessões, uma nova série de assassinatos faz Nica perceber que ela pode não ser tão louca assim. O filme também trará de volta Andy Barclay (Alex Vincent), o menino que encarou Chucky no primeiro filme. Ela tentará ajudar Nica, mas para isso precisará enfrentar a noiva de Chucky, que fará de tudo para ajudar o boneco assassino. “Cult of Chucky” tem roteiro e direção de Don Mancini, criador da franquia, e vai sair direto em vídeo nos EUA.

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  • Filme

    Resgate da franquia de terror O Chamado ganha fotos e novos trailers legendados

    5 de janeiro de 2017 /

    A Paramount divulgou o pôster nacional e mais dois trailers (em versões dublada e legendada) da retomada da assustadora franquia “O Chamado”. As prévias mostram a volta de Samara, que não precisa mais de fita VHS para assombrar suas vítimas, tornando sua maldição digital e viral. Mais poderosa que antes, ela é capaz até de virar app para celulares. Os trailers e a arte também revelam que a Paramount mudou de ideia em relação ao título. A produção, que começou a ser divulgada como “Chamados” em seus primeiros pôsteres e trailers, agora virou “O Chamado 3”, fazendo referência mais direta aos dois primeiros filmes. O longa retoma a franquia após 12 anos e no rastro de uma nova trilogia do monstro original no Japão. O primeiro “O Chamado” (2002) era remake de “Ringu” (1998), o terror japonês que lançou a mania das mulheres fantasmas de cabelo na cara – adaptando o livro homônimo de Kôji Suzuki, o “Stephen King japonês”. Com duas continuações anteriores à estreia do remake americano, “Ringu” também está vivendo um revival no Japão. Desde que a Samara japonesa, que se chama Sadako, descobriu a internet em “Sadako 3D” (2012) – lançado direto em DVD no Brasil como “A Invocação 3D” – , a franquia rendeu nova trilogia. Por sinal, o filme mais recente promoveu seu encontro com Kayako, a mulher fantasma de cabelo na cara da franquia “O Grito”. A vítima de “O Chamado 3” é a italiana Matilda Anna Ingrid Lutz (“Somewhere Beautiful”), que cai na tentação de ver um estranho vídeo online e acaba recebendo a ameaçadora ligação telefônica que inicia a contagem regressiva: “Sete dias”. O elenco também inclui Alex Roe (“A 5ª Onda”), Zach Roerig (série “The Vampire Diaries”), Johnny Galecki (série “The Big Bang Theory”), Aimee Teergarden (série “Friday Night Lights”), Lizzie Brocheré (série “The Strain”), Laura Wiggins (série “The Tomorrow People”) e Andrea Powell (série “Outcast”). O roteiro passou por versões de Jacob Aaron Estes (“Quase um Segredo”), Akiva Goldsman (“A 5ª Onda”) e David Loucka (“A Última Casa da Rua”). A direção é do espanhol F. Javier Gutiérrez (“Tres Días”) e tem estreia marcada para 2 de fevereiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.

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  • Série

    The Walking Dead ganha 14 cartazes com detalhes dos próximos capítulos

    5 de janeiro de 2017 /

    O canal pago AMC divulgou 15 cartazes da segunda metade da 7ª temporada de série “The Walking Dead”, que destacam pequenos detalhes das comunidades formadas pelos sobreviventes do holocausto zumbi. O conceito é exatamente o mesmo da divulgação do começo da temporada, que incluiu a liberação de cartazes similares em setembro, adiantando cenas dos episódios. Os detalhes localizam as imagens em Alexandria, Hilltop, no Reino e até no Santuário, que é liderado por Negan (Jeffrey Dean Morgan), com direito a sugestões de conflito, por meio de close em bananas de dinamite e sombras armadas, sem esquecer dos indefectíveis zumbis. A segunda metade da 7ª temporada de “The Walking Dead” vai estrear no dia 12 de fevereiro. No Brasil, a série tem exibição simultânea pelos canais pagos Fox e Fox Action (sem intervalos).

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  • Filme

    Invasão Zumbi é o filme perfeito para finalizar um ano tenebroso

    31 de dezembro de 2016 /

    O presente em combustão espontânea. As fábricas queimam, as cidades se deterioram, a população vira morto-vivo. Resta contaminar os passageiros de um trem bala que atravessa a Coréia do Sul rumo a cidade de Busan. Essa é a simples premissa de “Invasão Zumbi”, uma das boas surpresas do cinema coreano este ano (sendo a outra “O Lamento” também em cartaz). O diretor do filme, Yeon Sang-ho, vem da animação, o que talvez explique o contraste que cria entre a movimentação caótica das massas e o rigor do enquadramento em cenários geométricos. A arquitetura das estações, o trem, os trilhos, sugerem uma tentativa de trazer algumas das belezas planas dos animes para o mundo de personagens de carne e osso. E a aventura flui de forma empolgante, nunca resvalando pro previsível. Interessante como os sobreviventes do trem não escapam da velha e boa luta de classes. Manter a hierarquia num mundo de zumbis pode ser mais cruel do que se imagina. O especulador da bolsa de valores só não vira um predador por causa da filha, o segurança fortão preserva o equilíbrio por conta da esposa grávida e o colegial se prende a namorada. De resto, quem não tem a quem se apegar, dá uma banana pro lema da união. É o salve-se quem puder que a beleza capitalista nos ensinou a praticar desde criancinhas sem compaixão. É isto o que importa ao diretor Yeon Sang-ho: ninguém consegue manter a confiança contida depois que o cenário de caos se instaura. Afinal, por que preservar o papel social, se não é mais necessário? Buñuel brincou com o tema em “O Anjo Exterminador” (1962) e fez uma obra-prima. “Invasão Zumbi” trata do mesmo assunto sem transcendê-lo, mas a questão está lá. Limpa e cristalina. Os zumbis não são alegorias de degeneração, mas metáforas de ordem e obediência canina ao sistema. Por isso, os filmes do gênero vem fazendo tanto sucesso. Toda arte moderna parece convergir para a expressão deste medo primal, de que o insano e corrupto já passaram da conta, com o fundo do poço revelando novos monstros. Monstros com um pé na realidade muito maior do que desejamos. E então resta ao cinema de horror nos confortar, mostrar que quando acenderem as luzes estará tudo bem. Estará mesmo? Esses problemas não preocupam a maioria dos cineastas, mas são a preocupação consciente ou inconsciente de uma minoria cuja influência sempre se prova decisiva. Sentimos, vendo um filme como “Invasão Zumbi”, que é assim que a vida nos parece realmente. Pomos de lado tudo que filósofos, psicólogos e outros cientistas nos enfiaram na cabeça, nossos hábitos culturais, determinados pelo contexto intelectual da nossa época, e voltamos à simplicidade da criança que vê, sente e tatilmente apreende o que é possível da realidade. Sang-Ho dá esse vislumbre confuso de aflição e divertimento pra gente, fazendo de “Invasão Zumbi” um perfeito fecho de ouro para esse tenebroso 2016.

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  • Etc

    Vídeo criativo transforma 2016 em filme de terror

    30 de dezembro de 2016 /

    As mortes de tantas celebridades e os acontecimentos traumáticos de 2016 inspiraram o Friend Dog Studios a produzir um curta em forma de trailer para “2016: The Movie”, transformando o ano num filme de terror. Tudo começa de forma inocente, com a comemoração do ano novo numa casa nova, mas de repente coisas inesperadas começam a acontecer, como a morte de lendas, de David Bowie à Carrie Fisher, celulares explodem, a Inglaterra deixa a União Europeia e um serial killer com a máscara de Donald Trump acaba de vez com a tranquilidade dos personagens. É bem divertido, mas a esperança é que não haja uma sequência. Ou que “2017: The Movie” seja uma comédia.

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  • Filme

    Zumbis sul-coreanos atacam mais cinemas nas estreias da semana

    29 de dezembro de 2016 /

    Com blockbusters ocupando a maior parte dos cinemas brasileiros, o último fim de semana do ano recebeu apenas três lançamentos. A estreia mais ampla pertence ao terror sul-coreano “Invasão Zumbi”, que apesar do título genérico é um dos melhores terrores do ano. Misturando muita ação, cenas de filme de desastre e zumbis, aproxima-se mais de “Guerra Mundial Z” que dos clássicos de mortos-vivos lentos de George Romero. Boa parte da produção se passa num trem e em estações ao longo da linha férrea, acompanhando os passageiros em fuga no começo de um surto zumbi. Sucesso de crítica, tem 95% de aprovação no site Rotten Tomatoes, além de ter sido consagrado pelo público como o maior blockbuster da Coréia do Sul em 2016. Alerta: a maioria das cópias distribuídas no país são dubladas em português! Outro filme bastante elogiado, “Animais Noturnos” foi premiado no Festival de Veneza (Grande Prêmio do Juri), recebeu três indicações ao Globo de Ouro e está cotado ao Oscar. Segundo longa dirigido pelo estilista Tom Ford, traz Amy Adams e Jake Gyllenhaal numa trama que combina diferentes períodos e até a leitura do manuscrito de um livro inédito, enquanto a personagem de Adams reflete sobre seu relacionamento com o ex, vivido por Gyllenhaal. O último lançamento é voltado para o “circuito de arte”. O polonês “Estados Unidos pelo Amor”, de Tomasz Wasilewski, foi premiado no Festival de Berlim (Melhor Roteiro) e gira em torno de quatro mulheres que lutam para ser felizes em 1990, logo após a queda do Muro de Berlim, tendo como pano de fundo as incertezas políticas e econômicas do fim da era soviética. Clique nos títulos dos filmes para ver os trailers de cada lançamento.

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