Cinquenta Tons Mais Escuros recicla suspenses sexuais dos anos 1990
Não dá para esperar algo sofisticado da literatura trash. Tudo bem que Alfred Hitchcock costumava dizer que era mais fácil fazer ótimos filmes de literatura menor do que de grandes obras literárias, mas o que acontece é que o público de best-sellers quer ver na tela algo parecido com o que leu, e isso prejudica o trabalho de invenção do diretor contratado para o serviço. James Foley é um diretor irregular, mas possui em seu currículo algumas obras interessantes como “Jovens sem Rumo” (1984), “Caminhos Violentos” (1986) e “O Sucesso a Qualquer Preço” (1992), além de videoclipes marcantes de Madonna, como “Papa Don’t Preach” e “Live to Tell”. Entretanto, nos últimos anos só conseguia trabalho em episódios televisivos. E não é com a sequência de “Cinquenta Tons de Cinza” (2015) que conseguirá se reerguer. Quem leu o livro de E.L. James garante que o filme até consegue melhorar muita coisa do romance, que, por sua vez, é considerado o melhor da trilogia. Não deve ter sido uma adaptação fácil, principalmente por o texto original ser uma história de contos de fadas, assumidamente brega, de enfiar o pé na jaca. O único atrativo dessas adaptações dos romances de E.L. James é trazer de volta a moda dos filmes eróticos, que foram ficando de lado com o tempo. Mas “Cinquenta Tons Mais Escuros” só dá saudades dos thrillers eróticos que experimentaram popularidade na década de 1990, depois do estouro de “Instinto Selvagem” (1992), de Paul Verhoeven. Ainda assim, atrai um público feminino entusiasmado ao gênero, coisa que não se via desde “9 ½ Semanas de Amor” (1986), de Adrian Lyne. Aliás, os dois filmes até têm um elemento em comum: Kim Basinger, que aqui meio que passa o bastão para Dakota Johnson. Anastasia Steele, a personagem de Dakota, não fica muito tempo longe de Christian Grey (Jamie Dornan), o bilionário sedutor e adepto de jogos de sadomasoquismo, apesar de achar que ele se excedeu nos seus jogos e na violência ao final do primeiro filme. Não demora para ela aceitar um jantar e voltar fácil para seus braços. Aliás, esse tipo de facilidade na relação dos dois impede que se crie um mínimo de tensão sexual. Mas o roteiro, escrito pelo marido da autora, pouco se importa com qualquer tipo de tensão, seja erótica ou mesmo de suspense. Não tanto pelos diálogos, que são de deixar o espectador corado, mas as melhores cenas não passam da sugestão e já foram vistas em outros filmes. A cena da calcinha no restaurante, por exemplo, exaltada no marketing da produção, é igualzinha à de “Invasão de Privacidade” (1993), com a mesma Sharon Stone de “Instinto Selvagem”, filme que também não é tão bom assim, mas consegue ter mais voltagem sexual. A culpa não é do ar inocente de Dakota Johnson, que consegue conferir ao seu papel um certo ar de garota comum, diferente de Jamie Dornan, que parece um modelo de cuecas em cena. E ele foi mesmo modelo da Calvin Klein, da Dior e da Armani. Já Dakota, filha da “Dublê de Corpo” Melanie Griffith, tem um rosto comum, ainda que um belo corpo, que é pouco explorado. Sinal dos tempos, talvez, em que se discute tanto a exploração do corpo feminino. O fato é que a nudez de Dakota é ainda mais discreta que no primeiro filme. Infelizmente, “Cinquenta Tons Mais Escuros” é um suposto filme erótico com cenas menos provocantes que os videoclipes de Rihanna. Com um título que prometia um filme mais sombrio que o anterior, a sequência é na verdade o oposto. Ao tentar trazer, sem sucesso, elementos de suspense para a trama, deixa apenas tudo ainda mais tedioso.
Diretor de Justiça e Nada Será como Antes faz estreia forte no cinema com Redemoinho
“Redemoinho” abre com duas trajetórias em paralelo. A de Guido (Julio Andrade) voltando a cidade onde nasceu, Cataguases, e a de Luzimar (Irandhir Santos), o sujeito que nunca deixou o local. Os dois são amigos de infância e há muito tempo não se encontram. A câmera (num meticuloso trabalho do fotógrafo Walter Carvalho) acompanha a dupla como se eles fossem aqueles personagens silenciosos, taciturnos dos filmes de cowboy. Sim, o diretor José Luiz Villamarim, egresso da TV, onde desenvolve uma carreira mais que respeitável (“Justiça”, “Nada Será Como Antes”), deve amar os westerns, deve adorar Sergio Leone e Clint Eastwood, porque coloca os dois protagonistas perambulando em volta de uma linha de trem até o encontro casual, na casa da mãe de Guido (Cássia Kiss). As semelhanças com um western param por aí, porque a trilha que Guido e Luzimar percorrem é a da lavação de roupa suja. Sabe-se que Guido deixou o círculo de amigos de Cataguases por alguma coisa que fez no passado e que não entendemos muito bem o que é. Houve um acidente numa ponte, possivelmente discussões, verdades foram jogadas na cara, coisas que o roteiro apenas intui. Guido passeia pela cidade e as pessoas celebram sua volta com uma certa desconfiança. Mas é véspera de Natal e todo mundo tenta manter as aparências, inclusive Luzimar. Ambos tentam reeditar as andanças da juventude, só que é impossível recuperar a epifania do passado. O vocabulário de referências de Villamarim é sofisticado: passa por John Cassavetes, Lucrecia Martel e desemboca na literatura. A via sacra destes homens por um inferninho do subúrbio, a certa altura, me lembrou o mundo das mulheres decaídas do conto “Uma Crise”, de Anton Tchecov. Guido se enoja do amigo, das mulheres e de algo que ele foi um dia e que pode ser de novo, enfim, ele se envergonha de seu passado. Nesse momento, o acerto de contas está prestes a rolar, mas não espere cenas de gritaria, socos ou tiros. É tudo calculadamente contido, como na vida. Os grandes conflitos acabam sendo psicológicos. “Redemoinho” é um filme de sondagem psicológica, como o livro “Inferno Provisório”, de Luiz Ruffato. O projeto de Ruffato foi o de dar rosto ao proletariado brasileiro do século 20 e 21, uma classe, que infelizmente não faz parte da literatura nacional. Uma das maravilhosas questões que o escritor levanta é: se vários escritores brasileiros tiveram origem proletária, porque nunca trataram desta questão? Vergonha de se confrontar com as origens? Villamarim descobriu atores que podem suportar o peso e iluminar o abismo em que vivem seus personagens. Julio Andrade, com seus ombros tensos para um revide que nunca ocorre, está extraordinário. Ele purifica seu trabalho de qualquer traço de teatralidade. E a prova mais clara de seu feito é que, mesmo com sua atuação sendo tão predominante, ela nunca ofusca o parceiro de cena. Irandhir Santos, equilibrado e modesto, não deixa por menos. Está soberbo como Luzimar, um sujeito com orgulho ferido, mas cujo humor e ceticismo evitam que o filme seja engolido de vez pelas trevas. Démick Lopes, como Zunga, o amigo que ficou retardado num acidente e anda pelas ruas como um mendigo, também enfrenta grande desafio. Você quer sentir pena dele, mas Zunga também assusta. Existe um rancor no personagem que subitamente explode com violência quando ele percebe que ninguém está olhando. E é pela moldura de uma porta, enquanto um trem passa lá fora que Zunga vai acuar uma personagem capital do filme e molestá-la como um bicho. Villamarim amordaça o desabafo, o pedido de socorro. Quando Guido e Luzimar voltam a fatídica ponte, que guarda seus segredos, uma tempestade se anuncia e as verdades são lançadas um contra o outro. Ambos dizem muito, mas existem muitos pontos a serem colocados. Chega então o momento em que nada mais sai de suas bocas. Tudo o que queriam dizer só podemos sentir no fundo de seus olhos. É numa cena assim que sentimos a força do que Villamarim, em sua estréia no veículo cinema, nos propõe. Vale a pena aguardar o próximo passo do cineasta.
Diretor de Malévola vai filmar suspense passado no circo
Após estrear na direção com a fábula sombria “Malévola”, da Disney, o técnico de efeitos visuais Robert Stromberg vai mergulhar num suspense circense, na filmagem de “Carnival”. A história gira em torno de um atirador de facas de um circo itinerante em busca de vingança. Para encontrar a pessoa que assassinou brutalmente sua irmã, ele alista outros integrantes do picadeiro, usando seus talentos artísticos para caçar o assassino. “Carnival” foi escrito pelo argentino Matias Caruso. A história estava na Black List, a lista dos melhores roteiros inéditos de Hollywood. Além de “Carnival”, o escritor já emplacou dois filmes em desenvolvimento: “Mayhem”, protagonizado por Steven Yeun (série “The Walking Dead”), e “Judgement Day”, com produção do cineasta Guy Ritchie (“O Agente da UNCLE”). nment. As filmagens estão previstas para começarem no segundo semestre deste ano.
Rachel Weisz é viúva perigosa em trailer de suspense da escritora de Rebecca e Os Pássaros
A Fox Searchlight divulgou o primeiro trailer de “My Cousin Rachel”, suspense britânico de época estrelado por Rachel Weisz, no papel da manipuladora personagem-título. A prévia mostra como Sam Claflin (franquia “Jogos Vorazes”) é enfeitiçado pelo charme de Rachel, mesmo tendo quase certeza de que ela foi responsável pela morte do marido rico, seu primo legítimo, para ficar com sua herança. A trama é baseada no romance escrito em 1951 por Daphne du Maurier, a célebre autora adaptada por Alfred Hitchcock em dois clássicos de suspense: “Rebecca, a Mulher Inesquecível” (1940) e “Os Pássaros” (1963). A adaptação tem roteiro e direção do diretor Roger Michell, mais conhecido por comédias românticas como a clássica “Um Lugar Chamado Notting Hill” (1999) e “Um Fim de Semana em Paris” (2013). O elenco inclui Holliday Grainger (“Horas Decisivas”) e Iain Glen (série “Game of Thrones”). A estreia está marcada para 14 de julho nos EUA e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Brendan Gleason vai caçar assassino em minissérie baseada em livro de Stephen King
O escritor Stephen King ganhará mais uma minissérie televisiva. O produtor e roteirista David E. Kelley (da clássica “Ally McBeal” e da vindoura “Big Little Lies”) está desenvolvendo “Mr. Mercedes”, baseado num dos lançamentos mais recentes do escritor, para o canal pago americano Audience (o mesmo de “Rogue” e “Kingdom”), e já definiu seu elenco completo. A trama gira em torno de Brady Hartsfield, um motorista de caminhão de sorvete que, secretamente, é o criminoso conhecido como Assassino do Mercedes, culpado pela morte de oito pessoas, que ele atropelou com seu carro ao avançar sobre uma multidão. O caso ficou sem solução, até ele resolver atormentar o detetive responsável pela investigação, Bill Hodges, deprimido e atormentado, que decide abandonar a aposentadoria ao receber uma carta anônima de Hartsfield identificando-se como o culpado. A adaptação do livro de 2014 será protagonizada por Brendan Gleeson (“O Guarda”) como o detetive Bill Hodges e Harry Treadaway (série “Penny Dreadful”) como Brady Hartsfield, papel que chegou a ser negociado com o tragicamente falecido Anton Yelchin (“Star Trek: Sem Fronteiras”). O elenco coadjuvante inclui Mary-Louise Parker (série “Weeds”), Kelly Lynch (série “Magic City”), Jharrel Jerome (“Moonlight”), Scott Lawrence (série “Legion”), Breeda Wool (série “UnReal”), Ann Cusack (“O Abutre”), Justine Lupe (série “Cristela”) e Holland Taylor (série “Two and a Half Men”). O diretor Jack Bender (séries “Lost” e “Game of Thrones”) vai comandar todos os dez episódios, que ainda não têm previsão de estreia.
Filme com Paolla Oliveira está parado há cinco anos sem recursos para pós-produção
Filmado em 2012, o filme “Bala Sem Nome”, estrelado por Paolla Oliveira (“Em Nome da Lei”), está há quase cinco anos parado, sem recursos para realizar sua pós-produção. “Simplesmente não temos dinheiro para acabar o filme”, revelou o diretor Felipe Cagno sobre sua estreia em longa-metragens, à coluna de Flavio Ricco no UOL. O elenco abriu mão mão do cachê para protagonizar “Bala Sem Nome”, que foi feito sem apoio de incentivos fiscais, por meio de financiamento coletivo – o processo conhecido como crowdfunding, que capta doações de interessados em verem o projeto sair do papel. Trama de suspense, o filme gira em trono de Suzana, personagem vivida por Paola Oliveira, que é sequestrada com o namorado, e pressionada para que devolva um suposto dinheiro que eles acham que ela roubou. Além de Paolla Oliveira, o elenco inclui Sérgio Marone (“Os Dez Mandamentos”) e Leopoldo Pacheco (“O Caseiro”).
Cena de Pretty Little Liars mostra que o mistério vai continuar até o fim da série
O canal pago americano Freeform divulgou a primeira cena da metade final da 7ª e última temporada de “Pretty Little Liars”. A prévia mostra que o suspense vai continuar até o fim da série, graças a um novo presente suspeito, cortesia do(a) misterioso(a) A.D., para as protagonistas da atração. Um detalhe positivo é que Spencer, a personagem interpretada por Troian Bellisario, aparece com o braço numa tipoia. O que é bem melhor do que estar morta, após levar um tiro que parecia fatal no último capítulo. A série voltará para seus 10 episódios finais apenas em 18 de abril nos EUA, com o episódio intitulado “Playtime”.
Dakota Fanning vai estrelar a série gótica The Alienist
A atriz Dakota Fanning (“Movimentos Noturnos”) vai protagonizar a série gótica “The Alienist”, adaptação do best-seller “O Alienista”, de Caleb Carr. O canal TNT anunciou a novidade durante sua participação no evento semestral da TCA (Associação dos Críticos de TV dos EUA). A série vai se passar em Nova York no ano de 1896. Na trama, várias prostitutas começam a aparecer mortas, indicando a chegada do primeiro serial killer na cidade. Fanning viverá Sara Howard, secretária da polícia cujo objetivo é se tornar a primeira detetive feminina dos EUA. A personagem é descrita como “linda, bem vestida, segura de si e inteligente, que aperta a sua mão como um homem”. A participação marcará o retorno de Fanning para a TV. Ela começou sua carreira fazendo participações em séries, como “Plantão Médico” (E.R.), “Ally McBeal” e “O Desafio” (The Practice) com apenas seis anos de idade. Entre seus últimos trabalhos televisivos estão um papel de protagonista na minissérie “Taken” em 2002 e um episódio de “Friends” em 2004, gravado quando ela completou 10 anos. Desde então, foram só filmes. Dakota vai se juntar ao elenco cinematográfico da produção, que já tem confirmados os atores Daniel Brühl (“Capitão América: Guerra Civil”) e Luke Evans (“Drácula: A História Nunca Contada”). O primeiro interpreta o excêntrico Dr. Laszlo Kreizler, especialista em psicologia forense, que é o alienista do título. Convocado para o caso pelo novo comissário de polícia Theordore Roosevelt (futuro presidente dos EUA, ainda não escalado), ele se junta ao jornalista John Moore (Evans) nas investigações dos homicídios. A trama evoca a série britânica “Ripper Street”, ao mesmo tempo em que demonstra preocupação com aspectos históricos, como o desenvolvimento da ciência forense e os primeiros passos da luta pelos direitos das mulheres. Desenvolvida pelas produtoras Anonymous Content e Paramount TV, “The Alienist” começou a sair do papel em 2015, quando o diretor Cary Fukunaga (série “True Detective”) apresentou o projeto e assumiu sua produção executiva. Originalmente, ele planejava dirigir a produção, mas acabou se envolvendo em muitas séries simultâneas, como “Maniac” e “Telex from Cuba”. Por conta disso, a direção dos episódios ficará a cargo do belga Jakob Verbruggen, que já assinou capítulos de “Black Mirror” e “House of Cards”. A adaptação está sendo escrita por Hossein Amini (roteirista de “As Duas Faces de Janeiro” e “Drive”), que também será um dos produtores executivos da atração. As gravações de “The Alienist” vão acontecer em Budapeste no primeiro trimestre de 2017 para uma estreia na próxima temporada de outono.
Rumor: Fragmentado teria cena pós-crédito com personagens do filme Corpo Fechado
Há anos o diretor M. Night Shyamalan tenta realizar uma sequência de “Corpo Fechado” (2000), seu segundo sucesso, estrelado por Samuel L. Jackson e Bruce Willis. E o projeto pode ter começado a sair do papel de forma inesperada, no novo filme do cineasta, o suspense “Fragmentado”. Segundo o site Digital Spy, o filme, que traz James McAvoy (“X-Men: Apocalipse”) como um psicopata de múltiplas personalidades, tem uma cena pós-créditos que faz ligação direta com o universo apresentado em “Corpo Fechado”. Detalhe: logo após dar essa notícia, o posto foi retirado – segundo aviso, “voluntariamente” – da internet. Mas é possível encontrar descrições detalhistas da cena em outros sites (puro spoiler), embora baste saber que ela inclui participação de Jackson e Willis como seus personagens do filme de 2000. Recentemente, Shyamalan falou que tem grandes planos para a sequência de “Corpo Fechado”. “Eu amo esses personagens e esse universo. O mundo inteiro faz filmes de quadrinhos agora. Na época, era algo completamente novo. Me lembro que, na época em que fiz o filme, a Disney disse, ‘Histórias em quadrinhos?! Não há mercado para quadrinhos!’. Mas isso é tudo o que eles fazem agora! Foi uma conversa hilariante. Eu disse a eles, ‘Talvez tenham razão. Talvez ninguém irá ver filmes de quadrinhos’. Eles responderam, ‘São as pessoas que vão à pequenas convenções que gostam de histórias em quadrinhos’. Mas eu retruquei, ‘Eu gosto de histórias em quadrinhos!’”. No longa original, o personagem de Bruce Willis, David Dunne, sai completamente ileso de um acidente grandioso de trem, em todos os demais passageiros morreram. Buscando explicações sobre o ocorrido, ele encontra Elijah Price (Samuel L. Jackson), um homem estranho que apresenta uma explicação bizarra para o fato: Dunne seria invulnerável como os super-heróis dos quadrinhos. Os fãs americanos podem conferir se o boato é verdadeiro já na próxima sexta (20/1), quando “Fragmentado” estreia nos EUA. No Brasil, porém, o lançamento ainda vai demorar mais dois meses, marcado apenas para 23 de março.
Retrospectiva: As 10 melhores minisséries e antologias de 2016
O canal pago americano FX aperfeiçoou um novo modelo de séries de antologia, que narra uma história completa ao longo de uma temporada, feito uma minissérie, e os prêmios de “The People v. O.J. Simpson – American Crime Story” comprovam como essa variação foi bem aceita. Por outro lado, uma das produções mais comentadas do ano foi uma antologia clássica: “Black Mirror”, que apresenta uma história diferente por episódio – e uma melhor que a outra. Desde “Além da Imaginação” (Twilight Zone) nos anos 1950, não se via uma série sci-fi traduzir tão perfeitamente a paranoia dos dias modernos. Produção inglesa, “Black Mirror” também remete à qualidade das séries limitadas britânicas. Não por acaso, a melhor minissérie do ano vem do Reino Unido: o suspense “The Night Manager”.
Retrospectiva: As 10 melhores séries de drama de 2016
A série mais cara da Netflix entrega a reconstituição de época mais primorosa da TV. Assim como “The Crown”, várias outras atrações de época integram a lista das melhores produções dramáticas do ano: títulos tão diferentes quanto o clima épico dos “Vikings”, o thriller da Guerra Fria “The Americans” e a tecnologia retrô de “Halt and Catch Fire” – a produção mais subestimada da TV. A seleção também inclui a melhor série policial da atualidade, a britânica “Happy Valley”, e um dos melhores finais de série de todos os tempos, com “Rectify”.
Rooney Mara e Ben Mendelsohn estrelam primeiro trailer do suspense psicológico Una
O suspense psicológico “Una”, estrelado por Rooney Mara (“Carol”), Ben Mendelsohn e Riz Ahmed (ambos de “Rogue One: Uma História Star Wars”), ganhou seu primeiro trailer, voltado para o mercado asiático. A prévia mostra a personagem de Mara procurando o homem vivido por Mendelsohn para confrontá-lo por ter sido abusada sexualmente na infância. O tema é polêmico, o que talvez explique porque o filme permanece sem distribuição nos EUA. Considerado um dos filmes mais perturbadores exibidos no Festival de Toronto, “Una” é uma adaptação da peça “Blackbird”, de David Harrower, e marca a estreia do diretor teatral australiano Benedict Andrews no cinema. Por enquanto, seu lançamento comercial está marcado apenas para Cingapura no dia 19 de janeiro.
Animais Noturnos embaralha ficção, realidade e mistério
O filme “Animais Noturnos” focaliza a personagem Susan (vivida por Amy Adams), sua galeria de arte e seu marido, com quem visivelmente ela mantém um relacionamento distante e conturbado. Pouco afeto e pouco interesse em investir na relação parecem existir ali. Ela tenta algo, mas não encontra ressonância nele que, uma vez mais, parte para uma viagem. Enquanto isso, Susan recebe de seu ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal) os originais de um romance chamado Animais Noturnos, dedicado a ela. Ele costumava chamá-la assim. O romance será lido por ela e visto pelos espectadores em partes, progressivamente, como um livro é lido. O texto que Susan lê vai se tornando incômodo, por muitas razões. Primeiro, porque se revelará um thriller violento, que se agrava aos poucos. Segundo, porque parece uma confissão em primeira pessoa que desmerece o narrador. Terceiro, porque parece se constituir numa vingança em relação a ela. E vai evoluindo para uma atmosfera aterradora. Por um lado, ela vai sendo atraída pelo livro, por outro, o contesta e rechaça. Interrompe a leitura, mas sempre voltará a ela. Nos intervalos da leitura, acompanhamos o que ela faz e o encontro que se dará com o próprio autor da obra, seu ex-marido. Eles se relacionam em meio à fruição da obra literária, que mexe tanto com ela e parece ter sido feita para contar algo importante, que pode mudar muita coisa. Com que função? Para alcançar o quê, a essa altura, depois de muitos anos de distanciamento? A narrativa de “Animais Noturnos” inova num jogo de ficção e realidade, presente e passado, passado que volta a ser presente, lembranças incômodas e fantasia e, afinal, amor e ódio. Desta forma, se constrói como um thriller forte e empolgante, cheio de subentendidos, mistérios e motivações simbólicas. Os personagens soam autênticos, mostram as fraquezas humanas, a busca por modificar a percepção do outro, escancaram frustrações e todo tipo de fragilidade, incluindo as doenças do corpo. O elenco que dá vida a esses personagens complexos e realistas é muito bom e nos apresenta desempenhos muito convincentes. O principal destaque é, naturalmente, Amy Adams (vista em 2016 também em “A Chegada”), já que é Susan que conduz a trama. Ao mesmo tempo, a narrativa “ficcional” do romance é que dá o tom do espetáculo e aí o grande condutor é Jake Gyllenhaal (“O Abutre”), o escritor e personagem do livro. Tom Ford, o diretor e também renomado estilista, reafirma o seu talento neste seu segundo filme. O primeiro, “Direito de Amar” (2011), já havia se constituído numa bela surpresa na apresentação de conflitos e relacionamentos amorosos que podem produzir tragédias. Em “Animais Noturnos”, ele mantém essa linha, trabalhando no gênero suspense de forma bem envolvente.












