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  • Filme

    Fragmentado evidencia talento de M. Night Shyamalan para assustar com competência e classe

    24 de março de 2017 /

    M. Night Shyamalan, o diretor de “O Sexto Sentido” (1999), sai do buraco depois “O Último Mestre do Ar” (2010) e “Depois da Terra” (2013), e faz um suspense a altura de seu talento. “Fragmentado” é sobre um sequestrador que sofre de transtorno de múltipla personalidade (James McAvoy, o professor Xavier jovem da franquia “X-Men”), e acua e aterroriza três mocinhas num covil subterrâneo. A mais esperta das vítimas, Casey (Anya Taylor-Joy, de “A Bruxa”), estabelece um diálogo com o captor, mas a cada momento ele se transforma. De homem severamente autoritário, como num passe de mágica ele passa a um menino de nove anos, depois veste uma saia e vira uma dama inglesa estilosa, seguido por um jovem obcecado por moda. Ao todo, o homem desenvolve 23 identidades, o que torna qualquer tipo de trato com a figura sutil como um jogo de xadrez. Um cineasta menor poderia ficar satisfeito com os sobressaltos proporcionados a cada reação do vilão, mas Shyamalan não fica nesse registro superficial. O cinema deste indiano, radicado nos Estados Unidos, é baseado em seu próprio senso de observação. A forma como ele capta as paranoias em pequenas atitudes do cotidiano e as amplifica em seus filmes, no fundo são engraçadas. Shyamalan, na verdade é um sátiro. Desde “A Vila” (2004), ele vem ridicularizando os EUA, mostrando o quanto o empenho de uma sociedade puritana é capaz de pregar peças em si mesma. Em “Fim dos Tempos” (2008), por exemplo, as pessoas correm de medo do vento. E em “A Dama da Água” (2006), o horror se esconde não no fundo de um lago escuro, mas de uma piscina limpa, cristalina e segura de um condomínio de classe média. O senso de ridículo não vem do lugar ou da natureza, mas do comportamento social. Buñuel já tinha nos mostrado antes que em situação de desespero o pequeno burguês revela seus instintos mais baixos, e Shyamalan cutuca a mesma ferida. Ele não é tão ácido quanto o cineasta catalão, mas compartilha de igual cinismo. Em “Fragmentado”, o medo vem das inesperadas reações mentais do doente. O personagem de McAvoy, seja como “Barry”, “Hedwig”, “Patricia”, “Dennis”, “Kevin” e outras personalidades menos identificáveis, está inclusive passando por sessões de terapia com uma psiquiatra (Betty Buckley, de “Fim dos Tempos”), mas a mulher flerta com o perigo por conta de uma tese que está desenvolvendo e usa o paciente como cobaia. Segundo ela, as 23 personalidades estão compondo uma 24ª e, como médica, ela acredita que é capaz de inibir o sujeito. Claro, será um erro de cálculo. No terceiro ato, quando começa a carnificina, “Fragmentado” fica mais previsível, porque Shyamalan acaba caindo nas armadilhas fáceis do suspense. Ainda assim, recorrendo a poucos efeitos visuais e se valendo da atuação rica e realmente complexa de McAvoy, ele cria um novo bicho-papão que assusta com competência e classe. E ainda inclui uma surpresa final, em referência a “Corpo Fechado” (2000).

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  • Filme

    Rachel Weisz é viúva traiçoeira em novo trailer de suspense da escritora de Rebecca e Os Pássaros

    23 de março de 2017 /

    A Fox Searchlight divulgou um novo pôster e o segundo trailer de “My Cousin Rachel”, suspense britânico de época estrelado por Rachel Weisz, no papel da manipuladora personagem-título. A prévia mostra como Sam Claflin (franquia “Jogos Vorazes”) é enfeitiçado pelo charme – e o chá – da bela viúva, mesmo tendo quase certeza de que ela foi responsável pela morte de seu primo para ficar com a herança. A trama é baseada no romance escrito em 1951 por Daphne du Maurier, a célebre autora adaptada por Alfred Hitchcock em dois clássicos de suspense: “Rebecca, a Mulher Inesquecível” (1940) e “Os Pássaros” (1963), e já foi anteriormente levada ao cinema em 1952, com a diva Olivia de Havilland (“E o Vento Levou”) no papel principal. Este filme ganhou o título de “Eu Te Matarei, Querida” no Brasil, apesar de o livro ter sido traduzido literalmente como “Minha Prima Raquel”. A nova adaptação tem roteiro e direção do diretor Roger Michell, mais conhecido por comédias românticas como “Um Lugar Chamado Notting Hill” (1999) e “Um Fim de Semana em Paris” (2013), e o elenco ainda inclui Holliday Grainger (“Horas Decisivas”) e Iain Glen (série “Game of Thrones”). A estreia está marcada para 14 de julho nos EUA e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

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  • Série

    Comercial de Pretty Little Liars lembra momentos marcantes da série em antecipação a seu final

    19 de março de 2017 /

    O canal pago americano Freeform divulgou um novo vídeo promocional em antecipação ao final da série “Pretty Little Liars”, que relembra momentos marcantes da produção, entre gritos, beijos, sustos, mortes, chantagens e segredos, ao mesmo tempo em que promete a “grande revelação” do mistério central da trama: a identidade de quem está por trás das ameaças às protagonistas A série voltará para seus 10 episódios finais em 18 de abril nos EUA, com um capítulo intitulado “Playtime”.

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  • Filme

    Armie Hammer vive sniper perdido no deserto em trailer, fotos e pôster de suspense de guerra

    5 de março de 2017 /

    O suspense de guerra de “Mine”, estrelado por Armie Hammer (“O Agente da UNCLE”), ganhou seu primeiro trailer, pôsteres (italianos e americanos) e 22 fotos. A prévia mostra como uma tentativa frustrada de eliminar um alvo terrorista deixa o sniper vivido por Hammer perdido num deserto minado, em pleno Oriente Médio, sujeito à tempestades de areia, ataques de animais selvagens, alucinações e encontros com inimigos, enquanto aguarda seu resgate. “Mine” marca a estreia dos diretores italianos Fabio Guaglione e Fabio Resinaro, que também assinam o roteiro. O elenco também inclui Annabelle Wallis (“Annabelle”) e Tom Cullen (série “Downton Abbey”). A estreia está marcada para 7 de abril nos EUA e não há previsão de lançamento no Brasil.

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  • Filme

    Penúltimo filme de Bill Paxton ganha trailer com elogios ao ator

    5 de março de 2017 /

    O suspense indie “Mean Dreams”, penúltimo filme de Bill Paxton (“No Limite do Amanhã”), falecido há uma semana, ganhou pôster e trailer, acompanhado por elogios da crítica à performance do ator. Na prévia, ele se revela furioso e determinado, como um policial corrupto, cujo comportamento incomoda o novo namorado de sua filha. Ao segui-lo em segredo, o jovem acaba testemunhando um assassinato. E, como se não bastasse, ainda rouba uma fortuna em dinheiro obtida com o crime. Convencendo a namorada a fugir do próprio pai, o rapaz logo descobre que o futuro sogro não é o único policial corrupto de sua cidadezinha. O elenco inclui Josh Wiggins (“Max: O Cão Herói”), Sophie Nelisse (“A Menina que Roubava Livros”) e Colm Feore (série “House of Cards”). Dirigido pelo canadense Nathan Morlando (“Edwin Boyd: A Lenda do Crime”), “Mean Dreams” passou por festivais importantes, como Cannes, Deauville e Toronto, e estreia em 17 de março nos EUA. Não há previsão para seu lançamento no Brasil.

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  • Filme

    Elogiado suspense Sala Verde, com Anton Yelchin e Patrick Stewart, chega direto em DVD no Brasil

    3 de março de 2017 /

    O elogiado suspense “Sala Verde” (Green Room), estrelado por Anton Yelchin (“Star Trek: Sem Fronteiras”) e Patrick Stewart (“Logan”), finalmente será lançado no Brasil. O detalhe é que será direto em home video, no dia 8 de março. Um dos melhores filmes do recentemente falecido Yelchin, o longa de 2015 está sendo mal-tratado no país desde seu título. Green Room é camarim, em inglês. E, de fato, a maior parte do filme se passa num camarim. É onde os integrantes de uma banda punk se abrigam após testemunharem um crime num clube de skinheads no interior dos EUA. Mas não por muito tempo. Os assassinos esvaziam o local e passam a tocar o terror, querendo eliminar as testemunhas punks apavoradas. Escrito e dirigido por Jeremy Saulnier (do elogiado suspense “Ruína Azul”), o filme ainda inclui no elenco Imogen Poots (“A Hora do Espanto”), Alia Shawkat (série “Arrested Development”), Callum Turner (“Queen and Country”), Joe Cole (série “Peaky Blinders”), Macon Blair (“Blue Ruin”) e Mark Webber (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”). Premiado em diversos festivais de cinema fantástico, “Sala Verde” (sic) chegou a ser exibido até no Festival do Rio em 2015. Confira o trailer em inglês abaixo.

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  • Série

    Veja o trailer de Dark, a primeira série alemã da Netflix

    1 de março de 2017 /

    A Netflix divulgou o primeiro teaser da série “Dark”, que estreia no final do ano no serviço de streaming. Com clima de suspense nórdico, “Dark” é a primeira produção original alemã do serviço de streaming. Na trama, o desaparecimento de duas crianças expõe as vidas duplas, os pecados e os segredos de uma pequena comunidade, enquanto uma reviravolta sobrenatural conduz a outro caso acontecido na mesma cidade em 1986. Criada pelo cineasta suiço Baran bo Odar e a roteirista Jantje Friese, que fizeram juntos o thriller de hackers “Invasores: Nenhum Sistema Está Salvo” (2014), a atração traz em seu elenco Stephan Kampwirth (também de “Invasores”), Louis Hofmann (“Terra de Minas”), Anna König (“Zonas Úmidas”), Sebastian Hülk (“Hanna”), Jördis Triebel (“A Papisa Joana”) e Peter Schneider (“Duas Irmãs, uma Paixão”). Em entrevista para o site The Hollywood Reporter, bo Odar disse que teve “liberdade criativa completa”. “A Netflix nos deu um orçamento, alguns avisos e nos deixou em paz para fazermos o que quiséssemos”. “Dark” estreia mundialmente no final do ano.

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  • Série

    Série de serial killers produzida por David Fincher e Charlize Theron ganha primeiro teaser legendado

    1 de março de 2017 /

    A Netflix divulgou o primeiro teaser de “Mindhunter”, série sobre uma equipe de elite do FBI, especializada em caçar serial killers. A prévia mostra apenas flashes da produção, que será estrelada pelo ator Jonathan Groff (séries “Glee” e “Looking”) e produzida pelo cineasta David Fincher (“Garota Exemplar”) e a atriz Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”). A produção é baseada no livro de memórias “Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit”, publicado em 1996 pelo agente John Douglas, que será vivido na atração por Groff. O elenco também inclui Holt McCallanay (“Sully”), Anna Torv (série “Fringe”) e Hannah Gross (“Quando Eu Era Sombrio”) Além de produzir, Fincher também vai dirigir alguns episódios da 1ª temporada, como fez com “House of Cards”. E a estreia está prevista para outubro.

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  • Série

    Romances de Pretty Little Liars são lembrados em vídeos de antecipação do final da série

    19 de fevereiro de 2017 /

    O canal pago americano Freeform divulgou cinco vídeos promocionais em antecipação ao final da série “Pretty Little Liars”. Quatro deles celebram os principais casais da trama, entre suas idas e vindas, enquanto o último lembra a relação pouco decantada entre duas das protagonistas. Ao que parece, o clima de romance vai correr em paralelo à resolução do mistério central da trama até o fim da produção. A série voltará para seus 10 episódios finais apenas em 18 de abril nos EUA, com o episódio intitulado “Playtime”.

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  • Jared Leto
    Filme

    Jared Leto vai estrear na direção com suspense do escritor de Los Angeles: Cidade Proibida

    17 de fevereiro de 2017 /

    O ator Jared Leto (“Esquadrão Suicida” vai fazer a sua estreia na direção de cinema. Segundo a Variety, ele vai comandar o suspense “77”. O roteiro foi originalmente desenvolvido pelo escritor James Ellroy (“Los Angeles: Cidade Proibida” e “Dália Negra”) e retrabalhado por David Matthews (série “Boardwalk Empire”). A trama se passa em Los Angeles, durante o ano de 1974, e acompanha dois policiais que tentam salvar uma garota sequestrada, enquanto investigam o assassinato brutal de um colega da polícia. Assim como nos livros de Ellroy, a investigação acaba por revelar um mar de corrupção e crime, além de uma sinistra conspiração. Leto já dirigiu clipes da sua banda 30 Seconds to Mars, curtas e episódios de séries de documentários. Com produção da Paramount Pictures, o longa ainda não tem previsão de estreia.

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    Alexander Skarsgard vai estrelar novo suspense do diretor de Sala Verde

    15 de fevereiro de 2017 /

    Alexander Skarsgard (“A Lenda de Tarzan”) vai estrelar num novo suspense produzido pela Netflix. Trata-se de “Hold the Dark”, adaptação do livro homônimo de William Giraldi, que será dirigida por Jeremy Saulnier (dos ótimos thrillers indies “Ruína Azul” e “Sala Verde”), e também inclui em seu elenco os atores Jeffrey Wright (“Jogos Vorazes”) e James Badge Dale (“Homem de Ferro 3”). A trama se desenrola numa região remota do Alasca, onde lobos estão matando crianças. Um biólogo (Wright) especializado neste tipo de animal é chamado para investigar. Logo ao chegar, ele descobre que uma mulher desaparecida pode ter sido vítima de um ataque, mas seu marido (Skarsgard) encontra-se em um complicado estado psicológico após retornar do Iraque e ter que lidar com a morte do filho. As filmagens estão previstas para março na cidade de Alberta, no Canadá, mas ainda não há previsão para o lançamento na Netflix.

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    Cinquenta Tons Mais Escuros recicla suspenses sexuais dos anos 1990

    15 de fevereiro de 2017 /

    Não dá para esperar algo sofisticado da literatura trash. Tudo bem que Alfred Hitchcock costumava dizer que era mais fácil fazer ótimos filmes de literatura menor do que de grandes obras literárias, mas o que acontece é que o público de best-sellers quer ver na tela algo parecido com o que leu, e isso prejudica o trabalho de invenção do diretor contratado para o serviço. James Foley é um diretor irregular, mas possui em seu currículo algumas obras interessantes como “Jovens sem Rumo” (1984), “Caminhos Violentos” (1986) e “O Sucesso a Qualquer Preço” (1992), além de videoclipes marcantes de Madonna, como “Papa Don’t Preach” e “Live to Tell”. Entretanto, nos últimos anos só conseguia trabalho em episódios televisivos. E não é com a sequência de “Cinquenta Tons de Cinza” (2015) que conseguirá se reerguer. Quem leu o livro de E.L. James garante que o filme até consegue melhorar muita coisa do romance, que, por sua vez, é considerado o melhor da trilogia. Não deve ter sido uma adaptação fácil, principalmente por o texto original ser uma história de contos de fadas, assumidamente brega, de enfiar o pé na jaca. O único atrativo dessas adaptações dos romances de E.L. James é trazer de volta a moda dos filmes eróticos, que foram ficando de lado com o tempo. Mas “Cinquenta Tons Mais Escuros” só dá saudades dos thrillers eróticos que experimentaram popularidade na década de 1990, depois do estouro de “Instinto Selvagem” (1992), de Paul Verhoeven. Ainda assim, atrai um público feminino entusiasmado ao gênero, coisa que não se via desde “9 ½ Semanas de Amor” (1986), de Adrian Lyne. Aliás, os dois filmes até têm um elemento em comum: Kim Basinger, que aqui meio que passa o bastão para Dakota Johnson. Anastasia Steele, a personagem de Dakota, não fica muito tempo longe de Christian Grey (Jamie Dornan), o bilionário sedutor e adepto de jogos de sadomasoquismo, apesar de achar que ele se excedeu nos seus jogos e na violência ao final do primeiro filme. Não demora para ela aceitar um jantar e voltar fácil para seus braços. Aliás, esse tipo de facilidade na relação dos dois impede que se crie um mínimo de tensão sexual. Mas o roteiro, escrito pelo marido da autora, pouco se importa com qualquer tipo de tensão, seja erótica ou mesmo de suspense. Não tanto pelos diálogos, que são de deixar o espectador corado, mas as melhores cenas não passam da sugestão e já foram vistas em outros filmes. A cena da calcinha no restaurante, por exemplo, exaltada no marketing da produção, é igualzinha à de “Invasão de Privacidade” (1993), com a mesma Sharon Stone de “Instinto Selvagem”, filme que também não é tão bom assim, mas consegue ter mais voltagem sexual. A culpa não é do ar inocente de Dakota Johnson, que consegue conferir ao seu papel um certo ar de garota comum, diferente de Jamie Dornan, que parece um modelo de cuecas em cena. E ele foi mesmo modelo da Calvin Klein, da Dior e da Armani. Já Dakota, filha da “Dublê de Corpo” Melanie Griffith, tem um rosto comum, ainda que um belo corpo, que é pouco explorado. Sinal dos tempos, talvez, em que se discute tanto a exploração do corpo feminino. O fato é que a nudez de Dakota é ainda mais discreta que no primeiro filme. Infelizmente, “Cinquenta Tons Mais Escuros” é um suposto filme erótico com cenas menos provocantes que os videoclipes de Rihanna. Com um título que prometia um filme mais sombrio que o anterior, a sequência é na verdade o oposto. Ao tentar trazer, sem sucesso, elementos de suspense para a trama, deixa apenas tudo ainda mais tedioso.

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    Diretor de Justiça e Nada Será como Antes faz estreia forte no cinema com Redemoinho

    15 de fevereiro de 2017 /

    “Redemoinho” abre com duas trajetórias em paralelo. A de Guido (Julio Andrade) voltando a cidade onde nasceu, Cataguases, e a de Luzimar (Irandhir Santos), o sujeito que nunca deixou o local. Os dois são amigos de infância e há muito tempo não se encontram. A câmera (num meticuloso trabalho do fotógrafo Walter Carvalho) acompanha a dupla como se eles fossem aqueles personagens silenciosos, taciturnos dos filmes de cowboy. Sim, o diretor José Luiz Villamarim, egresso da TV, onde desenvolve uma carreira mais que respeitável (“Justiça”, “Nada Será Como Antes”), deve amar os westerns, deve adorar Sergio Leone e Clint Eastwood, porque coloca os dois protagonistas perambulando em volta de uma linha de trem até o encontro casual, na casa da mãe de Guido (Cássia Kiss). As semelhanças com um western param por aí, porque a trilha que Guido e Luzimar percorrem é a da lavação de roupa suja. Sabe-se que Guido deixou o círculo de amigos de Cataguases por alguma coisa que fez no passado e que não entendemos muito bem o que é. Houve um acidente numa ponte, possivelmente discussões, verdades foram jogadas na cara, coisas que o roteiro apenas intui. Guido passeia pela cidade e as pessoas celebram sua volta com uma certa desconfiança. Mas é véspera de Natal e todo mundo tenta manter as aparências, inclusive Luzimar. Ambos tentam reeditar as andanças da juventude, só que é impossível recuperar a epifania do passado. O vocabulário de referências de Villamarim é sofisticado: passa por John Cassavetes, Lucrecia Martel e desemboca na literatura. A via sacra destes homens por um inferninho do subúrbio, a certa altura, me lembrou o mundo das mulheres decaídas do conto “Uma Crise”, de Anton Tchecov. Guido se enoja do amigo, das mulheres e de algo que ele foi um dia e que pode ser de novo, enfim, ele se envergonha de seu passado. Nesse momento, o acerto de contas está prestes a rolar, mas não espere cenas de gritaria, socos ou tiros. É tudo calculadamente contido, como na vida. Os grandes conflitos acabam sendo psicológicos. “Redemoinho” é um filme de sondagem psicológica, como o livro “Inferno Provisório”, de Luiz Ruffato. O projeto de Ruffato foi o de dar rosto ao proletariado brasileiro do século 20 e 21, uma classe, que infelizmente não faz parte da literatura nacional. Uma das maravilhosas questões que o escritor levanta é: se vários escritores brasileiros tiveram origem proletária, porque nunca trataram desta questão? Vergonha de se confrontar com as origens? Villamarim descobriu atores que podem suportar o peso e iluminar o abismo em que vivem seus personagens. Julio Andrade, com seus ombros tensos para um revide que nunca ocorre, está extraordinário. Ele purifica seu trabalho de qualquer traço de teatralidade. E a prova mais clara de seu feito é que, mesmo com sua atuação sendo tão predominante, ela nunca ofusca o parceiro de cena. Irandhir Santos, equilibrado e modesto, não deixa por menos. Está soberbo como Luzimar, um sujeito com orgulho ferido, mas cujo humor e ceticismo evitam que o filme seja engolido de vez pelas trevas. Démick Lopes, como Zunga, o amigo que ficou retardado num acidente e anda pelas ruas como um mendigo, também enfrenta grande desafio. Você quer sentir pena dele, mas Zunga também assusta. Existe um rancor no personagem que subitamente explode com violência quando ele percebe que ninguém está olhando. E é pela moldura de uma porta, enquanto um trem passa lá fora que Zunga vai acuar uma personagem capital do filme e molestá-la como um bicho. Villamarim amordaça o desabafo, o pedido de socorro. Quando Guido e Luzimar voltam a fatídica ponte, que guarda seus segredos, uma tempestade se anuncia e as verdades são lançadas um contra o outro. Ambos dizem muito, mas existem muitos pontos a serem colocados. Chega então o momento em que nada mais sai de suas bocas. Tudo o que queriam dizer só podemos sentir no fundo de seus olhos. É numa cena assim que sentimos a força do que Villamarim, em sua estréia no veículo cinema, nos propõe. Vale a pena aguardar o próximo passo do cineasta.

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