George Clooney, Brad Pitt, Robert De Niro e outros astros se juntam ao protesto contra o Oscar 2019
Novos cineastas e grandes astros de Hollywood juntaram-se ao protesto contra o Oscar 2019, motivado pela decisão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos de tirar da transmissão ao vivo a premiação de Direção de Fotografia. Uma carta aberta publicada no começo desta quinta (14/2) ganhou as adesões dos diretores Alfonso Cuaron (“Roma”), Christopher Nolan (“Dunkirk”), Michael Mann (“Inimigos Públicos”), Alejandro G. Inarritu (“O Regresso”) e Guillermo del Toro (“A Forma da Hora”), bem como dos atores George Clooney (“Gravidade”), Brad Pitt (“Guerra Mundial Z”), Robert De Niro (“Joy”), Elizabeth Banks (“A Escolha Perfeita”), Peter Dinklage (“Game of Thrones”) e Kerry Washington (“Scandal”). Eles juntaram suas assinaturas ao documento que chamou a decisão da Academia de “insulto” e foi originado por vencedores do Oscar, como Damien Chazelle (“La La Land”), Ang Lee (“As Aventuras de Pi”), Martin Scorsese (“O Lobo de Wall Street”) e Quentin Tarantino (“Os Oito Odiados”), além de Spike Lee, que concorre neste ano por “Infiltrado na Klan”. A polêmica se deve a um acordo entre a Academia e a rede americana ABC, que detém os direitos de exibição do Oscar nos Estados Unidos. Com o objetivo de diminuir a longa duração do evento para três horas, a Academia se comprometeu a realizar algumas mudanças no formato da premiação. No começo desta semana, foi anunciado que quatro categorias (Melhor Fotografia, Edição, Curta-metragem e Maquiagem e Cabelo) seriam excluídas da transmissão ao vivo, passando a receber seus prêmios durante os intervalos comerciais. A reação do Sindicato dos Diretores de Fotografia (ASC) foi de repúdio imediato à iniciativa, o que deu início a protestos entre cineastas nas redes sociais e culminou na atual carta aberta endereçada ao presidente da Academia, John Bailey – que ironicamente é diretor de fotografia. No documento, cineastas, cinematógrafos e astros pedem para Bailey reverter a decisão. “A resposta vocal de nossos pares e a reação imediata dos líderes da indústria sobre a decisão da Academia deixa claro que não é tarde demais para ter essa decisão revertida”, diz o texto, que continua a receber assinaturas. A Academia rebateu as críticas com um comunicado, em que “assegura a todos que nenhuma categoria será apresentada de uma forma que a coloque como menos importante do que qualquer outra”, frisando que os discursos dos vencedores dos quatro Oscar concedidos durante os comerciais irão ao ar, de forma editada, em outro momento da cerimônia. Segundo a instituição, os próprios membros da Academia que trabalham nas áreas afetadas voluntariaram suas categorias como as primeiras a serem apresentadas durante os comerciais. Nos próximos anos, outras categorias participarão do rodízio, recebendo seus prêmios durante os comerciais, para agilizar a transmissão. “Os produtores da nossa cerimônia consideraram tanto a tradição do Oscar quanto a nossa audiência global. Nós acreditamos sinceramente que o show será do agrado de todos, e estamos ansiosos para celebrar um grande ano de cinema com todos os membros da Academia e com o resto do mundo”, finalizou a declaração oficial sobre o assunto.
Scorsese, Tarantino e Spike Lee se juntam em protesto contra organização do Oscar 2019
Um grupo formado por 40 cineastas e cinematógrafos (diretores de fotografia) publicou uma carta aberta contra a decisão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de retirar quatro categorias da transmissão ao vivo do Oscar 2019, especialmente a de Direção de Fotografia. Endereçado ao presidente da instituição, John Bailey, o documento foi assinado por vencedores do Oscar, como Damien Chazelle (“La La Land”), Ang Lee (“As Aventuras de Pi”), Martin Scorsese (“O Lobo de Wall Street”) e Quentin Tarantino (“Os Oito Odiados”), além de Spike Lee, que concorre neste ano por “Infiltrado na Klan”. “A Academia foi fundada em 1927 para reconhecer excelência nas artes cinematográficas, inspirar a imaginação e ajudar a conectar o mundo através da mídia universal dos filmes”, argumentou a carta. “Infelizmente, fugimos desta missão ao tentar apresentar entretenimento ao invés da celebração de nossa forma de arte e das pessoas que a criam. Relegar estes aspectos essenciais da nossa área a um status menor na cerimônia do Oscar é nada menos do que um insulto àqueles de nós que nos dedicamos inteiramente a nossa profissão”, completou. “Quando o reconhecimento dos responsáveis pela criação do cinema de destaque está sendo diminuído pela própria instituição cujo propósito é protegê-lo, então não estamos mais sustentando o espírito da promessa da Academia de celebrar o cinema como uma forma de arte colaborativa”. Anteriormente, o Sindicato dos Diretores de Fotografia (ASC, na sigla em inglês) e os cineastas Alfonso Cuarón (“Roma”), Guillermo Del Toro (“A Forma da Água”) e Patty Jenkins (“Mulher-Maravilha”) também manifestaram contrariedade frente à decisão. A Academia rebateu as críticas com um comunicado, em que “assegura a todos que nenhuma categoria será apresentada de uma forma que a coloque como menos importante do que qualquer outra”, frisando que os discursos dos vencedores dos quatro Oscar concedidos durante os comerciais vão ao ar, de forma editada, em outro momento da cerimônia. Segundo a instituição, os próprios membros da Academia que trabalham nas áreas afetadas (Direção de Fotografia, Edição, Curtas e Cabelo e Maquiagem) voluntariaram suas categorias como as primeiras a serem apresentadas durante os comerciais. Nos próximos anos, outras categorias participarão do rodízio, recebendo seus prêmios durante os comerciais, para agilizar a transmissão. “Os produtores da nossa cerimônia consideraram tanto a tradição do Oscar quanto a nossa audiência global. Nós acreditamos sinceramente que o show será do agrado de todos, e estamos ansiosos para celebrar um grande ano de cinema com todos os membros da Academia e com o resto do mundo”, finalizou a declaração.
Spike Lee vai dirigir astro de Pantera Negra em drama para a Netflix
Spike Lee já definiu seu próximo filme, após as indicações ao Oscar de “Infiltrado na Klan”. O cineasta vai escrever e dirigir o drama “Da 5 Bloods”, que será estrelado por Chadwick Boseman (o “Pantera Negra”) e realizado para a Netflix. O longa vai acompanhar veteranos da guerra do Vietnã em sua volta para casa nos anos 1970, enfrentando dificuldades para se ajustar a um mundo que seguiu adiante sem eles. Será o segundo filme sobre militares de Lee, que em 2008 dirigiu “Milagre em Sta. Anna”, passado na 2ª Guerra Mundial. Em “Da 5 Bloods”, ele vai voltar a trabalhar com Kevin Willmott, com quem escreveu “Infiltrado na Klan” (2018) e “Chi-Raq” (2015), e ainda contará no elenco com Delroy Lindo (“The Good Fight”) e Jean Reno (“O Profissional”). Ainda não há data definida para a estreia da produção.
BAFTA 2019: Roma vence o “Oscar britânico”
“Roma”, de Alfonso Cuarón, foi o grande vencedor do BAFTA Awards 2019, a premiação da Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas (BAFTA, na sigla em inglês). A produção mexicana em preto e branco da Netflix venceu quatro troféus, incluindo o principal, de Melhor Filme do ano. Os demais foram os troféus de Melhor Direção, Fotografia e Filme em Língua Não Inglesa, todos eles conquistados por Cuarón, como diretor, cinematógrafo e produtor do longa. O “Oscar britânico” também consagrou a produção local “A Favorita”, de Yorgos Lanthimos, que conquistou até mais prêmios: sete ao todo, inclusive Melhor Atriz para Olivia Colman e Atriz Coadjuvante para Rachel Weisz. Entre os atores, os premiados foram Rami Malek, por seu desempenho como Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody”, e Mahershala Ali, como coadjuvante em “Green Book”. A vitória no BAFTA cacifa ainda mais “Roma” na disputa do Oscar 2019. Nesta década, 55,5% dos vencedores da Academia britânica (cinco de nove) também conquistaram o prêmio da Academia americana. A premiação também rendeu um troféu para Lady Gaga, pela trilha de “Nasce uma Estrela”, para Spike Lee, pelo roteiro de “Infiltrado na Klan” e para a produção de “Homem-Aranha no Aranhaverso”, como Melhor Animação. Para completar, em votação aberta ao público, Letitia Wright, a Princesa Shuri de “Pantera Negra”, foi eleita a Revelação do ano. Confira abaixo a lista completa dos vencedores. Melhor Filme “Roma” Melhor Filme Britânico “A Favorita” Melhor Filme de Língua Não-Inglesa “Roma” Melhor Documentário “Free Solo” Melhor Animação “Homem-Aranha no Aranhaverso” Melhor Direção Alfonso Cuarón (“Roma”) Melhor Roteiro Original Deborah Davis e Tony McNamara (“A Favorita”) Melhor Roteiro Adaptado Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel e Kevin Willmott (“Infiltrado na Klan”) Melhor Atriz Olivia Colman (“A Favorita”) Melhor Ator Rami Malek (“Bohemian Rhapsody”) Melhor Atriz Coadjuvante Rachel Weisz (“A Favorita”) Melhor Ator Coadjuvante Mahershala Ali (“Green Book: O Guia”) Melhor Estreia de Roteirista, Diretor ou Produtor “Beast” – Michael Pearce (Roteirista e Diretor) e Lauren Dark (Produtor) Melhor Trilha Sonora “Nasce Uma Estrela” Melhor Fotografia “Roma” Melhor Edição “Vice” Melhor Direção de Arte “A Favorita” Melhor Figurino “The Ballad of Buster Scruggs” “Bohemian Rhapsody” “A Favorita” “O Retorno de Mary Poppins” “Duas Rainhas” Melhor Cabelo e Maquiagem “A Favorita” Melhor Som “Bohemian Rhapsody” Melhores Efeitos Visuais “Pantera Negra” Melhor Curta-Metragem Animado Britânico “Roughhouse” Melhor Curta Britânico “73 Cows” Estrela em Ascenção Letitia Wright (“Pantera Negra”)
Alfonso Cuarón vence o prêmio do Sindicato dos Diretores dos EUA por Roma
O cineasta Alfonso Cuarón foi o grande vencedor da premiação do Sindicado dos Diretores dos Estados Unidos (DGA, na sigla em inglês). Ele venceu o DGA Awards 2019 por “Roma”, em cerimônia realizada na noite de sábado (2/2) em Los Angeles. Cuarón derrotou Bradley Cooper (“Assim Nasce Uma Estrela”), Spike Lee (“BlacKkKlansman”), Adam McKay (“Vice”) e Peter Farrelly (“Green Book”) como Melhor Diretor de cinema do ano passado. O prêmio reforça ainda mais o favoritismo do mexicano para vencer o Oscar 2019, cuja cerimônia acontece no dia 24 de fevereiro. Mas vale observar que a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tem uma relação diferente de candidatos, já que inclui cineastas estrangeiros que não são vinculados ao sindicato americano. São eles o grego Yorgos Lanthimos (por “A Favorita”) e o polonês Pawel Pawlikowski (por “Guerra Fria”), que ocupam as vagas de Bradley Cooper e Peter Farrelly no Oscar. Foi o segundo troféu do DGA conquistado por Cuarón, que já tinha sido consagrado como melhor diretor por “Gravidade” há cinco anos. Na ocasião, ele também venceu o Oscar da categoria. Se a vitória de Cuarón era esperada, a premiação da categoria de Diretor Estreante registrou uma surpresa. O cineasta Bo Burnham venceu pelo filme indie “Oitava Série”, superando Bradley Cooper, que concorria até na categoria principal por “Nasce uma estrela”. Uma outra curiosidade é que Adam McKay, o diretor de “Vice” derrotado por Cuarón no prêmio de cinema, foi premiado por sua direção na série dramática “Succession” na HBO. Confira abaixo a lista completa dos vencedores aos prêmios de TV e cinema, menos programas de variedades e outras áreas não cobertas pela Pipoca Moderna. Melhor Direção em Cinema Alfonso Cuarón (“Roma”) Melhor Estreia na Direção Bo Burnham (“Oitava Série”) Melhor Direção em Documentário Tim Wardle – “Three Identical Strangers” Melhor Direção em Série de Drama Adam McKay – “Succession: Celebration” Melhor Direção em Série de Comédia Bill Hader – “Barry: Chapter One: Make Your Mark” Melhor Direção em Série Limitada, Especial ou Telefilme Ben Stiller – “Escape at Dannemora”
Spike Lee assina primeiro grande clipe de 2019 para a banda The Killers
A banda The Killers divulgou o primeiro grande clipe de 2019 em seu canal no YouTube. Com assinatura do cineasta Spike Lee (“Infiltrado na Klan”), o vídeo de “Land of the Free” reúne diversos registros de imigrantes tentando chegar aos Estados Unidos pela fronteira murada entre “a terra dos livres” e a América Latina. São imagens potentes, que ilustram uma letra-denúncia sobre o país com a maior população carcerária do mundo (“Temos mais gente presa do que o resto do mundo na terra dos livres”), com circulação descontrolada de armas (“Quantos filhos e filhas teremos que sepultar antes de admitir que temos um problema com armas?”) e que investe cada vez mais na repressão como negócio lucrativo, culminando na construção de muros fronteiriços para impedir os “ilegales” do sul. A letra também oferece uma contrapartida ao trazer o ponto de vista de um velhinho, que lembra a felicidade dos pais europeus, quando chegaram nos Estados Unidos. Um contraste que visa desmontar a demonização dos imigrantes pelo governo Trump, enquanto Spike Lee mostra crianças latinas brincando com bandeiras americanas, culminando o vídeo numa explosão comemorativa, com bombas de fumaça e gases lacrimogêneos disparados contra famílias imigrantes num legítimo 4 de julho. Em entrevista à BBC, Brandon Flowers assumiu o teor político da canção. “Eu acho muito importante me posicionar nestes tempos, e o estado emocional com que eu escrevi essa música foi de dizer: ‘Chega, já sofremos o bastante'”. Ele também revelou que a canção começou a ser escrita em 2012, na época do ataque com arma de fogo na escola Sandy Hook, em Newtown, nos EUA. E citou a recente crise de imigração trazida à tona pela administração Trump, além dos muitos outros incidentes violentos pelo país, como razão pela qual finalmente decidiu se posicionar com um protesto musical. A canção não significa que um novo álbum do Killers esteja prestes a ser lançado. Ela foi disponibilizada apenas como single. A banda lançou seu último álbum, “Wonderful Wonderful”, em 2017.
Bradley Cooper, Spike Lee e Alfonso Cuarón vão disputar troféu do Sindicato dos Diretores
O Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos (DGA, na sigla em inglês) revelou nesta terça-feira (8/1) a segunda parte de sua lista de indicados à sua premiação anual, o DGA Awards. Após revelar os diretores de séries que concorriam aos prêmios, agora foi a vez da seleção de cinema. A lista vai do diretor de primeira viagem Bradley Cooper (“Nasce Uma Estrela”) ao veterano Spike Lee (“Infiltrado na Klan”), além do favorito Alfonso Cuarón (“Roma”), Adam McKay (“Vice”) e Peter Farrelly (“Green Book: O Guia”). Apesar de sua longa carreira, com clássicos como “Faça a Coisa Certa” (1989) e “Malcolm X” (1992) no currículo, é a primeira vez que Spike Lee é reconhecido por seus colegas diretores com uma indicação ao prêmio do sindicato. O mesmo também vale para Peter Farrelly, que dividiu com o irmão Bobby a direção de comédias clássicas, como “Débi e Lóide” (1994) e “Quem Vai Ficar com Mary?” (1998). Da lista, apenas Alfonso Cuarón já venceu o DGA Awards. Sua conquista anterior foi por “Gravidade” (2014). Mas Adam McKay já disputou o prêmio por “A Grande Aposta” (2015), e este ano concorre duplamente. Além de ter sido selecionado para o troféu de cinema por “Vice”, está concorrendo com a direção do piloto da série “Succession”, da HBO. Por ser novato, Bradley Cooper é outro cineasta com presença dupla na premiação. Ele também aparece na categoria de Melhor Estreia na Direção, ao lado de Bo Burnham (“Oitava Série”), Carlos López Estrada (“Ponto Cego”), Matthew Hieneman (“A Private War”) e Boots Riley (“Sorry to Bother You”). E obviamente é favorito ao troféu. Os vencedores serão anunciados em cerimônia marcada para o dia 2 de fevereiro. Confira abaixo a lista completa dos indicados aos prêmios de TV e cinema, menos programas de variedades e outras áreas não cobertas pela Pipoca Moderna. Melhor Direção em Cinema Bradley Cooper (“Nasce Uma Estrela”) Spike Lee (“Infiltrado na Klan”) Alfonso Cuarón (“Roma”) Adam McKay (“Vice”) Peter Farrelly (“Green Book: O Guia”) Melhor Estreia na Direção Bradley Cooper (“Nasce Uma Estrela”) Bo Burnham (“Oitava Série”) Carlos López Estrada (“Ponto Cego”) Matthew Hieneman (“A Private War”) Boots Riley (“Sorry to Bother You”) Melhor Direção em Documentário Morgan Neville – “Won’t You Be My Neighbor” Ramell Ross – “Hale County This Morning, This Evening” Elizabeth Chai Vasarhelyi & Jimmy Chin – “Free Solo” Tim Wardle – “Three Identical Strangers” Betsy West & Julie Cohen – “RBG” Melhor Direção em Série de Drama Jason Bateman – “Ozark: Reparations” Lesli Linka Glatter – “Homeland: Paean to the People” Chris Long – “The Americans: Start” Adam McKay – “Succession: Celebration” Dana Reid – “The Handmaid’s Tale: Holly” Melhor Direção em Série de Comédia Donald Glover – “Atlanta: FUBU” Bill Hader – “Barry: Chapter One: Make Your Mark” Hiro Murai – “Atlanta: Teddy Perkins” Daniel Palladino – “The Marvelous Mrs. Maisel: We’re Going to the Catskills!” Amy Sherman-Palladino – “The Marvelous Mrs. Maisel: All Alone” Melhor Direção em Série Limitada, Especial ou Telefilme Cary Joji Fukunaga – “Maniac” David Leveaux e Alex Rudzinski – “Jesus Chris Superstar Live in Concert” Barry Levinson – “Paterno” Ben Stiller – “Escape at Dannemora” Jean-Marc Vallée – “Sharp Objects”
Infiltrado na Klan enfrenta o racismo através da história
Spike Lee entende o poder político desempenhado pelo cinema e em “Infiltrado na Klan” ele usa este poder para abordar questões atemporais na história americana (e mundial). A trama se passa no final da década de 1970 e conta a trajetória verídica de Ron Stallworth (John David Washington, da série “Ballers”), um novato na polícia do Colorado que, por telefone, consegue se infiltrar na filial local da Ku Klux Klan. Além de ter a sua própria carteirinha de membro, Stallworth faz contato com algumas das principais lideranças da Klan, como David Duke (Topher Grace, de “Homem-Aranha 3”), um ambicioso político americano que ficou conhecido pelo seu extremismo. Nos encontros presenciais, Stallworth é substituído por Flip Zimmerman (Adam Driver, de “Star Wars: Os Últimos Jedi”), um detetive judeu que se passa por ele e investiga as possíveis ações terroristas da organização. Por mais que Flip não concorde com muitos dos questionamentos levantados por Ron, tal discordância nunca é vista como inimizade, servindo, em vez disso, para fortalecer a relação dos dois. Além do mais, o contato próximo com a Klan obriga Zimmerman a reavaliar sua própria crença, uma vez que a religião nunca havia sido uma “questão” na sua vida – ela não é algo visível, como a cor da pele, o que permitia que ele passasse despercebido entre os grupos preconceituosos. E a expressividade de Adam Driver permite que percebamos todas as nuances do seu personagem e todas mudanças pelas quais ele está passando. Porém, nessa troca John David Washington sai perdendo, visto que seu protagonista não ganha tanta atenção quanto o colega coadjuvante. Dono de um estilo de direção bastante característico, Spike Lee faz com que seus personagens apareçam em muitos momentos posando para câmera, como quando eles escutam o discurso de um líder dos Panteras Negras, ilustrando como aquele discurso atinge a todos de maneira igual. Ao contrário disso, o diretor destaca as diferenças dos grupos raciais por meio da montagem. Enquanto os militantes estudantis escutam com atenção e respeito as palavras de um homem idoso que conta um caso trágico que ele presenciou, envolvendo o espancamento e morte de um jovem negro, os membros do Klan reagem de forma histérica à exibição do filme racista “O Nascimento de uma Nação”, enxergando ali o que o presidente americano Woodrow Wilson um dia declarou como sendo a “história escrita com relâmpagos”. Aliás, não é por acaso que a obra de D.W. Griffith aparece com tanta frequência aqui. Vale lembrar que o filme foi responsável por revitalizar a Ku Klux Klan, mostrando os seus membros como heróis da Guerra Civil americana e presenteando-lhes com aquele que se tornou o seu símbolo mais icônico: a cruz flamejante. Porém, em vez de ficar referenciando apenas o passado, Spike Lee usa esse tema para falar sobre o presente, especialmente para criticar o atual governo do presidente Donald Trump. E ele não é nada sutil nessa sua crítica. As referências a Trump são constantes, desde a aparição de Alec Baldwin (intérprete de Trump no programa Saturday Night Live) num pequeno papel, passando pela repetição de frases icônicas da campanha presidencial (como “fazer a América grande de novo”), pelo descrédito em relação à história (em certo momento um personagem fala que o Holocausto foi uma farsa criada pelos judeus), até a menção de que esse extremismo um dia pode chegar na Casa Branca, sem esquecer da montagem final, com confrontos recentes contra supremacistas brancos acompanhados por discurso complacente de Trump. Assim, além de um excelente filme, “Infiltrado na Klan” serve para mostrar que, embora o cinema tenha ajudado a propagar ideais racistas ao longo dos anos, o poder dessa mídia também pode ser usado como forma de resistência.
A Freira bate recorde de estreia da franquia Invocação do Mal nas bilheterias
O horroroso “A Freira” aterrorizou os cinemas da América do Norte em seu fim de semana de estreia, arrecadando US$ 53,5m (milhões) nas bilheterias. Os números representam a segunda maior estreia já registrada em setembro no mercado doméstico e a melhor abertura de um filme da franquia “Conjuring” (“Invocação do Mal”). Mas o sucesso foi ainda maior no exterior, onde o longa somou US$ 77,5m, para um lançamento mundial de US$ 131m, recorde absoluto de estreia para o universo mal-assombrado de James Wan. O longa também arrebentou bilheterias no Brasil, onde estimativas internacionais apontam uma arrecadação de US$ 6,8 milhões entre quinta a domingo. Caso estes números sejam confirmados, será a maior bilheteria de estreia de um filme de terror no país. A Warner está comemorando o sucesso. Mas o filme foi arrasado pela crítica, que lhe deu a pior avaliação da franquia, 28% de aprovação, abaixo dos 29% do péssimo “Annabelle” (2014). E o público concorda. A pesquisa do CinemaScore com pessoas que assistiram à estreia resultou numa nota C, de medíocre. Ou seja, houve empolgação para comprar ingresso, seguida por arrependimento coletivo. Os recordes de agora podem, portanto, virar um problema para o próximo lançamento da franquia, já que a decepção de quem pagou para ver e não gostou é bastante significativa. “Podres de Ricos” continuou acumulando fortuna, mesmo caindo para o 2º lugar em sua quarta semana em cartaz. A comédia estrelada por atores de descendência asiática já soma US$ 136,2m no período apenas nos Estados Unidos e Canadá. A outra estreia ampla da semana ocupou o 3º lugar. “A Justiceira”, em que Jennifer Garner sente “desejo de matar”, fez US$ 13,2m e sofreu com críticas ainda mais negativas – apenas 14% de aprovação. Mas o público preferiu “A Justiceira” sobre “A Freira”, dando nota B+ na pesquisa do CinemaScore. A estreia no Brasil está marcada para 18 de outubro. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no final de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. A Freira Fim de semana: US$ 53,5m Total EUA e Canadá: 53,5m Total Mundo: US$ 131m 2. Podres de Ricos Fim de semana: US$ 13,6m Total EUA e Canadá: US$ 136,2m Total Mundo: US$ 164,7m 3. A Justiceira Fim de semana: US$ 13,2m Total EUA e Canadá: US$ 13,2m Total Mundo: US$ 14,6m 4. Megatubarão Fim de semana: US$ 6m Total EUA e Canadá: US$ 131,5m Total Mundo: US$ 491,9m 5. Buscando… Fim de semana: US$ 4,5m Total EUA e Canadá: US$ 14,3m Total Mundo: US$ 32m 6. Missão: Impossível – Efeito Fallout Fim de semana: US$ 3,8m Total EUA e Canadá: US$ 212,1m Total Mundo: US$ 726,6m 7. Christopher Robin Fim de semana: US$ 3,1m Total EUA e Canadá: US$ 91,7m Total Mundo: US$ 142,9m 8. Operation Finale Fim de semana: US$ 3m Total EUA e Canadá: US$ 14,1m Total Mundo: US$ 14,1m 9. Alfa Fim de semana: US$ 2,5m Total EUA e Canadá: US$ 32,4m Total Mundo: US$ 59,9m 10. Infiltrado na Klan Fim de semana: US$ 1,5m Total EUA e Canadá: US$ 43,4m Total Mundo: US$ 65,5m
Bilheterias: Podres de Ricos vira comédia romântica de maior sucesso dos últimos seis anos nos EUA
A comédia romântica “Podres de Ricos” manteve a liderança das bilheterias norte-americanas pelo terceiro fim de semana consecutivo, mantendo um fôlego que chama atenção de Hollywood. O mais impressionante é a pequena variação de arrecadação entre estas três semanas. Depois de registrar a melhor abertura dos últimos três anos para um filme do gênero, o longa dirigido por Jon M. Chu (“Truque de Mestre: 2º Ato”) perdeu apenas 6% na segunda contagem e menos 11% neste fim de semana. Com isso, chegou a US$ 110 milhões nos Estados Unidos e no Canadá, o que já representa a maior bilheteria doméstica de uma comédia romântica desde “O Lado Bom da Vida” (US$ 132 milhões), em 2012. Adaptação de best-seller popular, o filme se diferencia de uma telenovela engraçadinha de milionários simpáticos e lindos por ter um elenco composto exclusivamente por atores de descendência asiática. As análises de perfil de seu público revelam que a comunidade asiática é responsável pela maior parte de sua bilheteria, com milhares de pessoas assistindo ao longa mais de uma vez nos últimos dias. Uma comparação, em termos de nicho de mercado, tem sido feita com “Pantera Negra”, que mobilizou afro-americanos em todos os Estados Unidos. Graças a seu sucesso, o filme já ganhou encomenda de continuação. Mas o público brasileiro só vai poder conferir do que se trata depois do resto do mundo. O país será o último mercado a ver “Podres de Ricos”, em 25 de outubro. As bilheterias animam brindes em dose dupla da Warner, que celebra dobradinha da sua comédia com “Megatubarão” no 2º lugar. A tragédia do fundo do mar atingiu US$ 120 milhões no mercado doméstico e US$ 462,8 milhões em todo o mundo – praticamente cobrindo o orçamento da produção. “Missão: Impossível – Efeito Fallout” aparece em 3º lugar, superando os US$ 200 milhões domésticos. Apesar disso, a atenção da Paramount estava em outro lugar no fim de semana. O thriller de espionagem finalmente abriu na China, onde faturou US 77 milhões, a maior estreia da franquia no país, elevando o montante mundial da produção para US$ 647 milhões. O 4º lugar registrou a estreia menos pior dos Estados Unidos. Thriller de época estrelado por Oscar Isaac (“Star Wars: Os Últimos Jedi”) sobre a caça a Adolf Eichmann, um dos principais criminosos nazistas foragidos após o fim da 2ª Guerra Mundial, “Operation Finale” fez só US$ 6 milhões e foi destruído pela crítica – 41% de aprovação no Rotten Tomatoes. Não tem previsão de estreia no Brasil “Searching…” completa o Top 5 com US$ 5,7 milhões. O suspense estrelado por John Cho (“Star Trek: Sem Fronteiras”) foi lançado na semana passada em circuito limitado e ampliou sua distribuição após atingir 91% de críticas positivas. Mesmo assim, continua em menos cinemas que todos os demais filmes do Top 10. O lançamento nacional vai acontecer em 20 de setembro. A última estreia ampla da semana, “Kin”, abriu apenas em 12º, com US$ 3 milhões e péssima avaliação: 31% no Rotten Tomatoes. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no final de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Podres de Ricos Fim de semana: US$ 22,2m Total EUA e Canadá: 110,9m Total Mundo: US$ 130,8m 2. Megatubarão Fim de semana: US$ 10,5m Total EUA e Canadá: US$ 120,5m Total Mundo: US$ 462,8m 3. Missão: Impossível – Efeito Fallout Fim de semana: US$ 7m Total EUA e Canadá: US$ 204,3m Total Mundo: US$ 647m 4. Operation Finale Fim de semana: US$ 6m Total EUA e Canadá: US$ 7,7m Total Mundo: US$ 7,7m 5. Buscando… Fim de semana: US$ 5,7m Total EUA e Canadá: US$ 6,2m Total Mundo: US$ 12,7m 6. Christopher Robin Fim de semana: US$ 5m Total EUA e Canadá: US$ 85,4m Total Mundo: US$ 131,3m 7. Alfa Fim de semana: US$ 4,4m Total EUA e Canadá: US$ 27,3m Total Mundo: US$ 45,6m 8. Crimes em Happytime Fim de semana: US$ 4,4m Total EUA e Canadá: US$ 17m Total Mundo: US$ 17m 9. Infiltrado na Klan Fim de semana: US$ 4,1m Total EUA e Canadá: US$ 38,3m Total Mundo: US$ 55,8m 10. 22 Milhas Fim de semana: US$ 3,5m Total EUA e Canadá: US$ 31,7m Total Mundo: US$ 38m
Bilheterias: Podres de Ricos impressiona na segunda semana de liderança na América do Norte
A comédia romântica “Podres de Ricos” manteve a liderança das bilheterias norte-americanas pelo segundo fim de semana consecutivo, mostrando um fôlego que chama atenção de Hollywood. Depois de registrar a melhor abertura dos últimos três anos para um filme do gênero, o longa dirigido por Jon M. Chu (“Truque de Mestre: 2º Ato”) fez mais US$ 25,2 milhões em seu segundo fim de semana. O valor impressiona por ser apenas 6% menor que o valor arrecadado na estreia. Trata-se da menor queda registrada entre a primeira e a segunda semana de exibição de um filme desde o fenômeno “Forest Gump” (1994) há quase um quarto de século. Adaptação de best-seller popular, o filme se diferencia de uma telenovela engraçadinha de milionários simpáticos e lindos por ter um elenco composto exclusivamente por atores de descendência asiática. As análises de perfil de seu público revelam que a comunidade asiática é responsável pela maior parte de sua bilheteria, com milhares de pessoas assistindo ao longa mais de uma vez nos últimos dias. Uma comparação, em termos de nicho de mercado, tem sido feita com “Pantera Negra”, que mobilizou afro-americanos em todos os Estados Unidos. Ao todo, “Podres de Ricos” soma US$ 77 milhões em dez dias em cartaz na América do Norte e, graças a esse sucesso, já ganhou encomenda de continuação. O público brasileiro, porém, só vai poder conferir se é para tanto depois do resto do mundo. O país será o último mercado a receber o filme, em 25 de outubro. “Megatubarão” também manteve bom desempenho em 2º lugar. Ao arrecadar mais US$ 13 milhões, ultrapassou os US$ 100 milhões nos Estados Unidos e Canadá. Mas seu verdadeiro sucesso se dá no mercado internacional, que responde pela maior parte de sua arrecadação, atualmente acima dos US$ 400 milhões. Profetas apocalípticos previram seu fracasso e o filme está praticamente pago em três semanas. Quem gosta de rir de fracassos deve ter achado muito engraçado “Crimes em Happytime”, pior estreia ampla da carreira de Melissa McCarthy. O filme em que a atriz contracena com marionetes drogados e ejaculadores rendeu apenas US$ 10 milhões no fim de semana, abrindo em 3º lugar. Para completar, a baixaria foi destruída pela crítica, com 25% de aprovação, índice que mantém o nível dos filmes recentes da atriz. A diferença é que, antes, seus filmes ruins pareciam um favor para o marido, que resolveu virar diretor – e deu ao mundo coisas como “Tammy” (2014) e “A Chefe” (2016). Agora, porém, ela demonstra que também topa porcarias dos outros. O público brasileiro poderá conferir daqui a um mês, em 20 de setembro. Pior que esta, só a estreia de “A.X.L.”, uma versão de “Short Circuit: O Incrível Robô” (1986), onde, além de robô, o protagonista também é cachorro. Uau… uau! Fez US$ 2,9 milhões em 9º lugar e não deve ser lançado no Brasil. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no final de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Podres de Ricos Fim de semana: US$ 25m Total EUA e Canadá: 76,8m Total Mundo: US$ 83,9m 2. Megatubarão Fim de semana: US$ 13m Total EUA e Canadá: US$ 105,3m Total Mundo: US$ 408,6m 3. Crimes em Happytime Fim de semana: US$ 10m Total EUA e Canadá: US$ 10m Total Mundo: US$ 10m 4. Missão: Impossível – Efeito Fallout Fim de semana: US$ 8m Total EUA e Canadá: US$ 193,9m Total Mundo: US$ 538,7m 5. Christopher Robin Fim de semana: US$ 6,3m Total EUA e Canadá: US$ 77,6m Total Mundo: US$ 112,7m 6. 22 Milhas Fim de semana: US$ 6m Total EUA e Canadá: US$ 25,1m Total Mundo: US$ 31,4m 7. Alfa Fim de semana: US$ 5,6m Total EUA e Canadá: US$ 20,1m Total Mundo: US$ 27,4m 8. Infiltrado na Klan Fim de semana: US$ 5,3m Total EUA e Canadá: US$ 32m Total Mundo: US$ 40,3m 9. A.X.L. Fim de semana: US$ 2,9m Total EUA e Canadá: US$ 2,9m Total Mundo: US$ 2,9m 10. Slender Man Fim de semana: US$ 2,7m Total EUA e Canadá: US$ 25,4m Total Mundo: US$ 33,4m
Spike Lee é acusado de inventar fatos em Infiltrado na Klan para favorecer imagem da polícia
O cineasta Spike Lee envolveu-se numa polêmica com outro diretor afro-americano, Boots Riley (de “Sorry to Bother You”), por conta de seu novo filme, “Infiltrado na Klan” (BlacKkKlansman). Numa longa crítica publicada nas redes sociais, Riley desancou o filme de Lee, acusando-o de mudar eventos históricos para retratar a policia americana de uma forma mais positiva. Ele alega ainda que Lee teria recebido US$ 200 mil da polícia de Nova York para dirigir uma campanha publicitária para melhorar a sua imagem junto das comunidades minoritárias e que “Infiltrado na Klan” se assemelha a uma espécie de extensão desse trabalho. Riley ainda comparou o novo filme de Lee ao anterior, “Chi-Raq”, afirmando que o diretor bate na tecla de que “os negros devem deixar de se preocupar com a violência policial e preocuparem-se com o que fazem uns aos outros, pois a policia é contra o racismo”. E isto acontece enquanto o movimento Black Lives Matter denuncia a violência policial contra os negros nos Estados Unidos, que só tem aumentado. O diretor ainda afirma que a história supostamente real de Ron Stallworth, um ex-detetive que se infiltrou na Ku Klux Klan nos anos 1970, tem várias partes inventada, com o único objetivo de pintar uma imagem positiva da polícia. “É uma história inventada em que as partes falsas tentam fazer do policial o protagonista na luta contra a opressão racial”, diz. Ele chama atenção para o fato de que, na vida real, Stallworth fez parte da COINTELPRO, uma série de operações secretas e muitas vezes ilegais conduzidas pelo FBI para atacar organizações políticas, entre elas os militantes dos Pantera Negras. Stallworth chegou a se infiltrar por três anos no grupo para sabotá-lo, atuando contra a luta pela igualdade racial. “Sem as coisas inventadas e com o que sabemos da história real do trabalho policial em grupos radicais, e como eles se infiltraram e conduziram organizações de Supremacia Branca para atacar esses grupos, Ron Stallworth é na verdade um vilão”, afirma Riley. “Spike lançar um filme em que pontos da história são fabricados para fazer um policial negro e seus colegas parecerem aliados na luta contra o racismo é realmente decepcionante, para dizer o mínimo”, concluiu. Durante a divulgação de “Infiltrado na Klan”, Lee tentou evitar a polêmica, mas acabou comentando, rapidamente, numa entrevista ao jornal britânico The Times. “Vejam os meus filmes, eles têm sido muito críticos em relação à polícia, mas, por outro lado, nunca direi que todos os policias são corruptos, que todos os policias detestam as pessoas de cor. Eu não vou dizer isso. Quer dizer, nós precisamos da polícia. Infelizmente, a polícia, em muitos casos, não aplica a lei; eles quebraram a lei”. Lee ainda frusiy que “os negros não são um grupo monolítico”, e citou algumas críticas que recebeu quando anunciou “Malcom X”. “Como pode um burguês como Spike Lee fazer ‘Malcolm X?’”, lembrou, citando comentários negativos que ouviu antes das filmagens. “Infiltrado na Klan” rendeu o Grande Prêmio do Juri do Festival de Cannes 2018 para Spike Lee. O filme, que já está em cartaz nos Estados Unidos, tem estreia marcada no Brasil apenas para novembro. Ok. Here's are some thoughts on #Blackkklansman. Contains spoilers, so don't read it if you haven't seen it and you don't wanna spoil it. pic.twitter.com/PKfnePrFGy — Boots Riley (@BootsRiley) August 17, 2018
Clipe do filme Infiltrado na Klan revela blues inédito de Prince
A Focus Features divulgou o clipe de “Mary Don’t You Weep”, música inédita de Prince que faz parte da trilha do filme “Infiltrado na Klan” (BlacKkKlansman). A música é um blues tocado ao piano, que soa triste e improvisado, todo cantado em falsete. Já o clipe, assinado pelo diretor Spike Lee, resume-se a uma edição de cenas e fotos do filme. A última imagem é uma foto de Prince e Lee juntos. Segundo Lee, Prince gravou a canção ainda nos anos 1980, em uma fita cassete. O músico morreu em abril de 2016, sem nunca tê-la lançado oficialmente. “Eu acredito que Prince queria que eu usasse essa música. Essa fita cassete estava enfiada nos fundos dos cofres de Prince em Paisley Park, e é encontrada justamente agora. Isso não foi um acidente”, disse o cineasta, em entrevista para a Rolling Stone. “Infiltrado na Klan” revela os bastidores da mais notória organização racista e de extrema direita dos Estados Unidos, a Ku Klux Klan, por meio de uma história inacreditável, ainda que supostamente verídica. Passada nos anos 1970, a trama gira em torno de Ron Stallworth (John David Washington, da série “Ballers”), o primeiro negro a entrar para os quadros da polícia de Colorado Springs. Mesmo depois de ser aceito como detetive, ele continuou sendo assediado pelos colegas racistas da corporação. E decidiu combater o preconceito indo direto na fonte. Entretanto, para se infiltrar na KKK, ele teve que contar com a ajuda de um policial branco, já que, obviamente, não poderia fazer isso pessoalmente. Mas precisava ser o “policial certo”: um judeu (vivido por Adam Driver, de “Star Wars: Os Últimos Jedi”) com motivos para odiar neonazistas. Já em cartaz nos Estados Unidos, o filme só vai chegar em 22 de novembro no Brasil.











