Hacker promove novo ataque racista e sexista contra Leslie Jones
O site da atriz Leslie Jones (“Caça-Fantasmas”) sofreu um ataque de hacker na tarde de quarta-feira (24/8). Ele foi invadido e passou a mostrar fotos da atriz e comediante nua, além de informações pessoais, como passaporte e carteira de motorista. A página www.justLeslie.com foi em seguida tirada do ar. De acordo com a imprensa americana, o site teria sido acessado através do celular pessoal da atriz ou de sua conta do iCloud, que permite que usuários armazenem fotos e outros conteúdos on-line e acessem isso de qualquer aparelho da Apple. Representantes da Apple e o agente de Leslie Jones não responderam aos pedidos de entrevista. Entre as imagens publicadas no site da atriz, segundo a imprensa, havia um vídeo de Harambe, o gorila morto pelo zoológico de Cincinnati depois que um menino de 3 anos caiu na sua jaula em maio. Em julho, Leslie Jones já tinha sofrido um ataque racista violento no Twitter, que a fez considerar deixar a rede social. Ela acabou voltando atrás, usando o Twitter para torcer pelo Team USA nas Olimpíadas do Rio – foram 1,704 tuítes que geraram 276 milhões de impressões – e agora o mesmo Twitter se manifesta com posts de apoio à atriz. “Esses atos contra Leslie Jones… São revoltantes. É racista & sexista. Isso é crime de ódio. Isso não são ‘garotos brincando’, tuitou o músico Questlove Gomez, baterista da banda The Roots, que toca no talk show americano “Late Night with Jimmy Fallon”.
Stan Lee e James Gunn são convocados para defender escolha de Zendaya como Mary Jane
Uma década após Keanu Reeves ser criticado por não ser loiro e britânico, ao estrelar “Constantine” (2005), as características físicas dos personagens de quadrinhos são cada vez menos levadas em conta pelos diretores de casting de Hollywood. Depois do Tocha Humana negro – e vários outros personagens originalmente brancos – é a vez de Mary Jane Watson, a icônica ruiva da vida do Homem-Aranha, ser interpretada por uma atriz negra, Zendaya (série “No Ritmo”). Hollywood é mesmo consistente em reprisar seus erros, veja-se a quantidade de remakes fracassados que lança todo o ano. A discussão sobre a alteração racial dos personagens de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” – além de Mary Jane, os colegas de escola de Peter Parker, como Flash Thompson, Ned Leeds e Liz Allen, serão todos negros – já domina as redes sociais. Mas a polêmica podia ser evitada, pois reprisa a discussão do Tocha Humana negro e até da Mulher-Invisível latina, do “Quarteto Fantástico” de 2005. Há quem defenda que os fãs estão errados. Que meio século de quadrinhos não devam ser levados em consideração. E que é bacana decepcionar quem lê os gibis, porque… sabe-se por qual lógica de mercado, acreditam que o consumidor nunca tem razão. Vai ver que é por isso que todos os filmes em que Hollywood apostou contra os fãs se provaram fracassos de bilheteria. É certo que o subtítulo “De Volta ao Lar” (Homecoming) já soa como propaganda enganosa, pois não há sensação alguma de retorno a ambiente conhecido com um elenco tão diferente dos personagens clássicos. Diante da rejeição, a Marvel já começou a seguir a dica da Sony, sua parceira na produção, que enfrentou o mesmo problema de relações públicas com sua versão feminina de “Os Caça-Fantasmas” – taí outra prova da reincidência de Hollywood. Para começar, já explora a tática de que é racismo não aprovar o elenco negro do filme – como era machismo achar que “Caça-Fantasmas” não tinha graça… O segundo capítulo do manual dos spin doctors é escalar porta-vozes influentes para defender a escolha considerada equivocada. Os primeiros funcionários da Marvel convocados para a missão foram Stan Lee, criador do Homem-Aranha, e James Gunn, diretor de “Guardiões da Galáxia”. Stan Lee deu sua declaração dizendo não é contra Zendaya viver Mary Jane. “Se ela for uma boa atriz, como eu tenho escutado que é, ela vai se sair muito bem”, disse, de forma suscita. Mas James Gunn preferiu ir além, defendendo o marketing estilo patrulha ideológica ao dizer-se incomodado com os “racistas”: “Para mim, se uma característica básica da personagem – o que faz delas icônicos – é a cor de sua pele, a cor de seu cabelo, francamente, essa característica é superficial e não presta. Pra mim, o que faz MJ ser MJ é a sua descontração de uma fêmea alfa, e se a atriz captar isso, logo, ela funcionará. E, pra constar, eu acho que Zendaya combina com o que eu considero as características físicas básicas de MJ – uma modelo alta e magra – muito mais que atrizes [que a interpretaram] no passado. Qualquer que seja o caso, se nós continuarmos fazendo filmes baseados nos heróis e personagens secundários quase todos brancos dos quadrinhos do último século, nós teremos que nos acostumar com eles sendo mais reflexivos da diversidade do nosso mundo atual. Talvez possamos ser abertos à ideia de que, embora alguém inicialmente não combine com como pessoalmente imaginamos um personagem, nós podemos ser – e frequentemente somos – surpreendidos positivamente”, afirmou Gunn. É importante completar dizendo duas coisas sobre isso. O mesmo James Gunn criou vários personagens coadjuvantes especialmente para o filme “Guardiões da Galáxia”. Todos eles foram interpretados por atores brancos. Teoria 10 x 0 Prática = Falácia 1000. Finalmente, a característica “superficial” da personagem foi o que a definiu nos quadrinhos. A escolha da cor do cabelo foi importante para o impacto que sua primeira aparição causou em Peter Parker. Na época, o desenhista John Romita assumiu ter se inspirado na atriz Ann-Margret, que virava a cabeça dos homens dos anos 1960, inclusive de Elvis Presley, citando sua personagem no filme “Adeus, Amor” (1963) como base para a criação de Mary Jane. Ann-Margret, por sinal, era insinuante, sexy e cheia de curvas. Ela nunca foi “uma modelo alta e magra”, as “características físicas básicas de MJ”, segundo James Gunn.
Elenco de Homem-Aranha: De Volta ao Lar recria pose famosa do filme Clube dos Cinco
O elenco de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” se juntou pela primeira vez numa foto tirada pela revista Entertainment Weekly durante a San Diego Comic-Con, que homenageia o famoso cartaz do filme teen “Clube dos Cinco” (1985), clássico absoluto de John Hughes. Vale explicar que a imagem também repete as poses dos personagens registradas na capa de uma edição dos quadrinhos de “Spider-Man Loves Mary Jane”. O detalhe é que, com a exceção do próprio Peter Parker/Homem-Aranha, todos aqueles personagens brancos dos quadrinhos são representados por atores negros nas mesmas posições. Claro, Todd Holland (“Capitão América: Guerra Civil”) ocupa a posição do Homem-Aranha. E embora a Marvel não tenha confirmado oficialmente nada, Zendaya está na posição da ruiva Mary Jane, Tony Revolori (“O Grande Hotel Budapest”) ocupa o lugar do loiro Flash Thompson, Laura Harrier (série “One Life to Live”) preenche a vaga da loira Gwen (na verdade, seu papel é de outra loira, Liz Allen, no filme) e o estreante Jacob Batalon na posição de Liz Allen na foto (ele é a versão de cinema do também branco e adulto Ned Leeds). Ironicamente, é inevitável constatar que faltam brancos na escalação do elenco jovem do filme. Até esta produção, o Marvel Studios sempre fez questão de se diferenciar dos demais responsáveis por adaptações de seus quadrinhos ao se gabar por produzir versões mais fiéis às criações de Stan Lee, Jack Kirby, Steve Ditko e cia. É provável que, quando a Sony procurou a Marvel para relançar a franquia do Homem-Aranha, levou isto em conta: um parceiro capaz de dar mais credibilidade e fidelidade às adaptações do personagem. Mas não é o caso deste filme, que apresenta um elenco mais “alternativo” que o universo Ultimate do próprio Homem-Aranha nos quadrinhos. Nem a Marvel ousou tanto em suas publicações, tendo o cuidado de introduzir um novo personagem quando quis fazer um “Homem-Aranha negro”. Peter Parker e seus amigos jamais mudaram de raça nas publicações da editora. Agora, é esperar para ver a reação do público à nova versão dos personagens no terceiro reboot consecutivo do Homem-Aranha no cinema. Com direção de Jon Watts (“A Viatura”) e roteiro de John Francis Daley e Jonathan Goldstein (do fraco reboot de “Férias Frustradas”), o novo “Homem-Aranha” tem estreia prevista para 6 de julho de 2017 no Brasil, um dia antes de seu lançamento nos EUA.
Hidden Figures: Trailer, fotos e pôster celebram as engenheiras negras que colocaram o homem no espaço
A 20th Century Fox divulgou 11 fotos, o pôster e o primeiro trailer de “Hidden Figures”, sobre a importante e pouco conhecida participação das engenheiras negras no programa espacial americano. A prévia mostra a história verídica de um grupo de mulheres que ajudou a colocar o homem no espaço, enquanto combatia o machismo e o racismo para realizar seu trabalho. No filme, elas são representadas pelas atrizes Octavia Spencer (vencedora do Oscar por “Histórias Cruzadas”), Taraji P. Henson (série “Empire”) e a cantora Janelle Monáe, em sua estreia no cinema. O bom elenco também traz, em papeis coadjuvantes, os atores Kevin Costner (“O Homem de Aço”), Kirsten Dunst (série “Fargo”), Jim Parsons (série “The Big Bang Therory”), Mahershala Ali (franquia “Jogos Vorazes”) e Aldis Hodge (“Straight Outta Compton”). Dirigido por Ted Melfi (“Um Santo Vizinho”), o filme adapta o livro homônimo de Margot Lee Shetterly, com roteiro de Allison Schroeder (“Meninas Malvadas 2”) e trilha sonora do músico Pharrell Williams (“Meu Malvado Favorito 2”). A Fox agendou o lançamento para 13 de janeiro, para coincidir com o feriado americano dedicado a Martin Luther King. No Brasil, a estreia vai acontecer mais de um mês depois, em 23 de fevereiro.
Novo filme de Kathryn Bigelow define elenco jovem promissor com Will Poulter e Jack Reynor
A cineasta Kathryn Bigelow, única mulher a vencer o Oscar de Melhor Direção (por “Guerra ao Terror”), está juntando um elenco bastante promissor para seu próximo filme. Após a confirmação de John Boyega (“Star Wars: O Despertar da Força”), o site da revista Variety adiantou as contratações de Will Poulter (“O Regresso”), Jack Reynor (“Transformers: A Era da Extinção”) e Ben O’Toole (“Promessas de Guerra”). Ainda sem título, o projeto será o 10º filme da cineasta e o terceiro de sua bem-sucedida parceria com o roteirista Mark Boal, que escreveu seus longas mais recentes – além de “Guerra ao Terror” (2008), “A Hora Mais Escura” (2012). A trama retratará a devastadora revolta popular que tomou conta da cidade de Detroit ao longo de cinco dias, deixando 43 mortos, mais de 340 feridos e 7 mil prédios queimados em 1967. Tudo começou quando a polícia resolveu fechar um bar sem licença num bairro pobre, durante uma festa de comemoração pela volta de dois soldados da Guerra do Vietnã. Ao decidir prender todo mundo, os policiais geraram ultraje e precipitaram protestos que descambaram para a violência, motivada pela questão racial – todos os 82 clientes detidos do bar eram negros. A reação do governo, enviando a guarda nacional e até tropas militares, apenas serviu para transformar a rebelião civil numa batalha campal. As filmagens devem começar em breve para um lançamento em 2017, quando se comemora o 50º aniversário dos tumultos.
Responsável por mudanças no Oscar, Cheryl Boone Isaacs é reeleita Presidente da Academia
Cheryl Boone Isaacs foi reeleita como Presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Ela é a principal responsável pelo movimento de mudanças na Academia, visando aumentar a diversidade entre os integrantes da associação, responsável pela entrega do Oscar aos melhores artistas, técnicos e filmes do ano. Terceira mulher e primeira negra a comandar a Academia, ele foi reeleita para o seu quarto mandato – cada mandato à frente da tem duração de um ano. Boone Isaacs assume o novo mandato com a missão de já começar a produzir a próxima cerimônia do Oscar, marcada para 26 de fevereiro de 2017. Há bastante expectativa em relação à seleção de indicados deste ano, após as polêmicas pela falta de artistas negras nos últimos dois anos. Para refletir a diversidade da produção cinematográfica atual, em junho a Academia convidou 683 novos membros, dos quais 46% são mulheres e 41% de não-caucasianos. Por conta disso, 11 brasileiros votarão pela primeira vez no Oscar, incluindo a diretora Anna Muylaert (“Que Horas Ela Volta?”) e o diretor Alê Abreu, cujo filme “O Menino e o Mundo” foi indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2016.
A Grande Muralha: Escalação de Matt Damon como herói de filme chinês gera polêmica
Uma nova polêmica cinematográfica começou a ser alimentada pelas redes sociais no fim de semana. Tudo por conta da escalação de Matt Damon (“Jason Bourne”) no filme “A Grande Muralha”. Rodado na China, com diretor, equipe técnica, financiamento, coadjuvantes e figurantes chineses, o filme está sendo acusado de ser mais uma iniciativa de Hollywood para embranquecer o cinema mundial. Quem jogou a primeira pedra foi a atriz Constance Wu, americana de origem oriental, que protagoniza a série cômica “Fresh off the Boat”. Assim que o trailer foi divulgado, ela usou as redes sociais para reclamar da escolha de Damon para viver o herói, denunciando o filme como mais uma obra para ressaltar “o racismo do mito do homem branco que pode salvar o mundo”. “Nossos heróis não se parecem com Matt Damon. Eles são como Malala. Gandhi. Mandela”, ela escreveu. Constance, porém, deixou claro que “não estava culpando Damon, o estúdio ou os financiadores chineses” da produção, mas que se tratava de chamar atenção para o problema. “Trata-se de conscientização”. Na mesma linha, o blog Angry Asian Man repercutiu “A Grande Muralha” como “o mais novo filme da tradição do Homem Branco Especial. Você pode fazer uma história em qualquer lugar e época do mundo e Hollywood encontrará alguma maneira de fazer o filme ser estrelado por um cara branco”. Recentemente, filmes como “Êxodo: Deuses e Reis” (2014), “Deuses do Egito” (2016) e o vindouro “Ghost in the Shell” sofreram acusações similares, e pelo menos no caso de “Deuses do Egito” isso se provou fatal nas bilheterias. Damon, por sinal, não é o único ator ocidental em “A Grande Muralha”, que também conta com o americano Willem Dafoe (“Ninfomaníaca”) e o chileno Pedro Pascal (série “Narcos”) em seu elenco. Com direção do mestre Zhang Yimou, responsável pelos épicos de artes marciais “Herói” (2002) e “O Clã das Adagas Voadoras” (2004), o filme tem estreia marcada para 16 de fevereiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA e dois meses após a première na China.
Atriz de Caça-Fantasmas deixa o Twitter após violento ataque racista
Após uma tsunami de ataques preconceitos, a atriz Leslie Jones decidiu deixar o Twitter. Única integrante do elenco do novo “Caça-Fantasmas” com conta na rede social, ela virou alvo de usuários que disseminam o ódio, sofrendo tanto comentários machistas quanto racistas. “Sinto que estou em um inferno pessoal. Eu não fiz nada para merecer isso. Não deveria ser assim. Estou muito magoada”, escreveu Jones, antes de mostrar várias mensagens que recebeu, inclusive pornográficas. “Sabe, vou parar de bloquear para que vocês todos possam olhar o que eu recebo e verem as besteiras. Vocês não acreditarão na maldade. É muito assustador”, ela contou. “Fui chamada de macaca, mandaram fotos de suas bundas, até recebi uma foto minha com sêmen na minha cara. Estou tentando entender o que significa ser humano. Estou fora”. Ela ainda pediu que seus seguidores denunciassem os assediadores à administração da rede social e ao próprio Twitter para fortalecer a sua política sobre discursos do ódio e abuso. “Parem de deixar as pessoas ignorantes falarem mais alto”, publicou. “Eu costumava me perguntar porque algumas celebridades não têm conta no Twitter; agora eu sei. Você não pode ser legal e se comunicar com os fãs porque as pessoas são loucas”, ponderou, num longo desabafo, publicado em diversos posts de 140 caracteres. “Por mais que você ache que atores não são humanos, eu quero dar algo para vocês pensarem. Eu trabalho por paixão nesse jogo. Sou mais humana e real do que vocês imaginam. Eu trabalho pra caramba. Não sou diferente de nenhum de vocês que têm um sonho de fazer o que amam. Eu nunca disse que sou melhor ou especial. Eu só tento fazer o meu trabalho o melhor que posso. Não é isso que todos nós fazemos? Então, sim, isso me machuca! Quando você pensa ‘ok, eu provei que sou digna’, você é atingida com uma pá de ódio.” A atriz se confessou assustada com a avalanche de ofensas. “Estou paralisada. Quer dizer, eu sei que existe racismo. Mas eu fui ingênua a ponto de pensar que algumas coisas estavam mudando? Sim, eu fui. Nós ainda vivemos em um mundo no qual temos que dizer ‘vidas negras importam’. Estou cansada disso tudo. Por que isso ainda é uma luta? Quero odiar tanto, mas não consigo, porque sei que isso não resolve nada e só me deixa triste.” Após o ataque, o diretor Paul Feig publicou uma mensagem com a hashtag #LoveForLeslieJ (Amor para Leslie J), que imediatamente se tornou viral, criando um reação positiva de apoio à atriz. Mas foi tarde demais. Na noite de segunda (18/7), ela escreveu: “Deixo o Twitter hoje à noite com lágrimas e um coração triste, e tudo porque eu fiz um filme. Você pode odiar o filme, mas o que eu ouvi hoje foi muito errado”.
Loving: Joel Edgerton e Ruth Negga enfrentam racismo em trailer de drama de época
A Focus Features divulgou o pôster e o primeiro trailer do drama “Loving”, baseado na história real do casamento que ajudou a combater o racismo nos EUA. Ao contrário de outro filme sobre o período, “Selma” (2014), não se trata de um registro de confronto civil, mas uma exaltação do amor. A prévia resume a trama, mostrando como o casal Loving, vivido por Joel Edgerton (“O Grande Gatsby”) e Ruth Negga (série “Preacher”), foi condenado a 25 anos de prisão apenas por ter se casado no início dos anos 1960, quando a lei estadual proibia relações matrimoniais entre brancos e negros. O caso acabou ganhando repercussão nacional, com envolvimento do então procurador da república Robert Kennedy e uma reportagem da revista Life, e foi parar na Suprema Corte americana. Como resultado, os juízes acabaram com as restrições ao casamento entre pessoas de raças diferentes nos Estados Unidos, sepultando um dos argumentos dos racistas para prenderem simpatizantes da igualdade racial. Tudo isso, por sinal, pode ser conferido entre as cenas do trailer. “Loving” foi escrito e dirigido por Jeff Nichols (“Amor Bandido”) e teve sua première mundial no Festival de Cannes deste ano. Apesar de não ter sido premiado, a produção foi considerada um candidato em potencial às premiações do cinema americano, como o Oscar ou o Spirit Award. Além do casal principal, “Loving” também destaca Marton Csokas (“O Protetor”) como um xerife racista e Michael Shannon (“O Homem de Aço”), ator-fetiche do diretor, presente em quatro de seus cinco filmes, como o repórter fotográfico Grey Villet, da revista Life, cujas imagens ajudaram os Lovings em sua luta. A estreia comercial está marcada para 4 de novembro nos EUA e ainda não há previsão para seu lançamento no Brasil.
Imperium: Daniel Radcliffe enfrenta a supremacia branca em trailer de suspense
A Lionsgate divulgou o pôster e o primeiro trailer do suspense “Imperium”, em que Daniel Radcliffe combate o racismo da supremacia branca. A prévia é carregada de tensão, mostrando como o personagem do ator, um jovem agente do FBI, infiltra-se numa organização de extrema-direita, buscando impedir um ataque terrorista. Para isso, ele precisa preservar sua identidade real, ao mesmo tempo em que luta para não comprometer seus princípios morais. Inspirado em fatos reais, o longa também inclui em seu elenco Toni Collette (“A Hora do Espanto”), Tracy Letts (série “Homeland”), Nestor Carbonell (série “Bates Motel”), Burn Gorman (série “Torchwood”), Sam Trammell (série “True Blood”) e Chris Sullivan (série “The Knick”). Com roteiro e direção do estreante Daniel Ragussis, “Imperium” estreia em 19 de agosto nos EUA e não tem previsão de lançamento no Brasil.
Halle Berry e Daniel Craig podem estrelar filme sobre tumultos raciais de 1992
Halle Berry e Daniel Craig podem estrelar o primeiro drama falado em inglês da cineasta turca Deniz Gamze Ergüven, que chamou a atenção de Hollywood com “Cinco Graças” (2015), indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Segundo o site Deadline, a atriz já está confirmada e Craig negocia sua participação. Intitulado “Kings”, o filme vai dramatizar os protestos que abalaram Los Angeles em 1992, após a absolvição de quatro policiais envolvidos na agressão – registrada por câmeras – do motorista negro Rodney King. Os tumultos duraram quase uma semana, deixando um saldo de muitos saques, incêndios, depredações, 55 mortes e dezenas de feridos. O papel de Halle Berry é o de uma mãe protetora que toma conta de um grupo de crianças e Daniel Craig está negociando para assumir o papel de um morador branco da região, de maioria negra, que ajuda a personagem de Berry a encontrar as crianças perdidas no meio do tumulto. “Kings” ainda não tem cronograma de produção nem previsão de estreia.
Na Ventania denuncia a limpeza étnica de Stalin em quadros vivos de opressão
Não é todo dia que se vê, no círculo comercial dos nossos cinemas, um filme da Estônia. Em “Na Ventania”, é abordada uma história gravíssima, ocorrida durante a 2ª Guerra Mundial. Em 14 de junho de 1941, Stalin deflagrou uma operação secreta de limpeza étnica dos povos nativos nos países bálticos: Estônia, Letônia e Lituânia. Famílias inteiras foram deportadas de seus territórios locais e enviadas a prisões, ou gulags, e campos de trabalho forçado na Sibéria, separando homens e mulheres. Uma dessas mulheres da Estônia, Erna Tamn, separada de seu marido, Heldur, escreve a ele cartas da Sibéria, em busca de reencontrá-lo algum dia, enquanto procurava sobreviver com apenas um pedaço de pão diário. São essas cartas, que conheceremos em off pela voz da atriz Laura Peterson (série “Babylon 5”), que servirão de narrativa ao filme, cobrindo um período de muitos anos, que passa pela morte de Stalin e chega às mudanças políticas que se sucederam. O trabalho do diretor Martti Helde, estreante em longas, é bastante original, ao optar, na maior parte do tempo, por compor tableaux vivants com os atores e atrizes. A câmera se move, explora a cena, altera os enquadramentos, se aproxima com o zoom, mas os atores não se movem. Somente um piscar de olhos ou a presença do vento se nota. Em outros momentos, há movimentos, compondo uma atuação minimalista. Não há diálogos, só os textos das cartas. A exceção é uma notícia que se ouve por meio do rádio. A fotografia, em preto e branco, é belíssima. Os ambientes naturais, muito bem escolhidos, favorecendo a exploração da luz e dos espaços pela filmagem. As encenações, com os atores e atrizes compostos como estátuas, são extremamente detalhadas, produzindo enquadramentos magníficos, que se transformam com o movimento da câmera, mantendo a condição de belos quadros o tempo todo. Essa técnica acaba tendo o efeito de potencializar o sentido da opressão. Não há o golpe, a agressão, o sangue não corre, mas o próprio fato de as figuras não se mexerem sugere, por si só, a impossibilidade de reagir ou resistir. A tragédia surda dos sem vez ou voz soa mais intensa e forte. O encontro humano depende da poesia, do vento oeste que se cruza com o vento leste e realiza, simbolicamente, o que foi negado às pessoas.
John Boyega vai estrelar novo filme da diretora de Guerra ao Terror
O ator inglês John Boyega, que se projetou internacionalmente como o desertor Finn em “Star Wars: O Despertar da Força” (2015), vai estrelar o próximo filme de Kathryn Bigelow, que venceu o Oscar com “Guerra ao Terror” (2008). O próprio Boyega revelou a novidade em seu Twitter, digitando errado o nome da diretora. “Vou trabalhar com Kathryn Bigalow [sic] em um filme baseado nos levantes de Detroit em 1967.” Ainda sem título, o projeto será o 10º filme da cineasta e o terceiro de sua bem-sucedida parceria com o roteirista Mark Boal, que escreveu seus longas mais recentes – além de “Guerra ao Terror”, “A Hora Mais Escura” (2012). A trama retratará a devastadora revolta popular que tomou conta da cidade de Detroit ao longo de cinco dias, deixando 43 mortos, mais de 340 feridos e 7 mil prédios queimados em 1967. Tudo começou quando a polícia resolveu fechar um bar sem licença num bairro pobre, durante uma festa de comemoração pela volta de dois soldados da Guerra do Vietnã. Ao decidir prender todo mundo, os policiais geraram ultraje e precipitaram protestos que descambaram para a violência, motivada pela questão racial – todos os 82 clientes detidos do bar eram negros. A reação do governo, enviando a guarda nacional e até tropas militares, apenas serviu para transformar a rebelião civil numa batalha campal. As filmagens devem começar na metade do ano para um lançamento em 2017, quando se comemora o 50º aniversário dos tumultos raciais.











