Lázaro Ramos lança teaser de “Medida Provisória”, filme com estreia “travada” no Brasil
O ator Lázaro Ramos divulgou em suas redes sociais o primeiro teaser de “Medida Provisória”, filme que marcou sua estreia na direção e será exibido, em première nacional, na quarta-feira (15/12) no Festival do Rio Já exibido e premiado em festivais internacionais desde o ano passado, o filme que tem 92% de aprovação no site Rotten Tomatoes atravessa o mesmo périplo de “dificuldades” que “Marighella” encontrou junto à Ancine para chegar aos cinemas brasileiros. No momento, ele segue sem previsão de lançamento comercial no próprio país. A assessoria responsável por sua divulgação informou que, ao longo de mais de um ano, os produtores trocaram dezenas de e-mails com a Ancine, que não teria dado retorno. “Questões burocráticas seguem sem retorno conclusivo da agência desde novembro de 2020”, explicou a assessoria Trigo Agência de Ideias, em nota. A coincidência que acompanha “Marighella” e “Medida Provisória” é que ambos são estrelados por atores negros, são politizados e contradizem a visão ufanista de extrema direita que o atual governo tenta implantar no país. Vale lembrar que o polêmico presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, vem pedindo boicote a “Medida Provisória”, que ele não viu, desde março do ano passado. Nos posts, ele justificou a iniciativa com uma fake news, método tradicional dos funcionários do desgoverno atual. Camargo disse que o filme que ele não viu “acusa o governo Bolsonaro de crime de racismo”. Mentira sem vergonha, claro. “Medida Provisória” é uma adaptação da tragicomédia “Namíbia, Não!”, peça de Aldri Anunciação que Lázaro Ramos já tinha dirigido no teatro em 2011 – quando a presidente era Dilma Rousseff! Além disso, o filme foi inteiramente rodado antes da eleição de Bolsonaro. O ator principal, o inglês descendente de brasileiros Alfred Enoch, viajou ao Brasil para se aclimatar ao país para as filmagens no início de 2019, meses antes das eleições à presidência da República. Na época, nem os piores pesadelos apontavam uma possível vitória do pior candidato. A trama de “Medida Provisória” se passa num Brasil do futuro em que uma iniciativa de reparação pelo passado escravocrata provoca uma reação no governo federal, que promulga uma nova lei para deportar todos os brasileiros de “melanina acentuada” para o continente africano. A reação de Sérgio Camargo ajuda a comprovar como o cenário distópico da produção reflete o país criado após a eleição de Bolsonaro. Se o filme foi feito como ficção futurista, o tempo acabou por transformá-lo numa importante advertência sobre o tempo presente. Afinal, em julho do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito e pediu esclarecimentos a Sérgio Camargo sobre o fato de que ele “teria negado a existência do racismo, a importância da luta do povo negro pela sua liberdade e a importância do Movimento Negro em nosso país”. Como vocês pediram, segue o primeiro teaser do filme que tive a honra de dirigir, Medida Provisória.🎬 Ainda sem data de estreia nos cinemas, teremos uma exibição pontual dia 15/12 no @festivaldorio. Esperamos encontrá-los em breve.#MedidaProvisoria pic.twitter.com/OQ37Nn6J2W — Lázaro Ramos (@olazaroramos) December 13, 2021
Globo de Ouro desprestigiado revela suas indicações
Embora o Globo de Ouro tenha perdido prestígio e não seja televisionado em 2022, a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) foi em frente e anunciou nesta segunda (13/12) os indicados à premiação. Os filmes “Belfast”, de Kenneth Branagh, e “Ataque dos Cães”, de Jane Campion, lideram a lista com sete indicações cada. Já entre as séries, “Ted Lasso” e “The Morning Show”, ambas da Apple TV+, foram as produções mais indicadas, disputando quatro prêmios cada. Os vencedores serão anunciados em 9 de janeiro, mas o formato desse evento ainda não foi revelado. Vale lembrar que o Globo de Ouro já teve uma edição em que os premiados foram simplesmente nomeados numa entrevista coletiva de imprensa. Isto aconteceu em 2008, durante a greve dos roteiristas de Hollywood. A NBC tomou a decisão de não transmitir o próximo Globo de Ouro ao se juntar aos boicotes de vários setores de Hollywood contra o evento, após a denúncia de que a HFPA não tinha integrantes negros, o que também trouxe à tona acusações de histórico sexista e falta de ética de integrantes da organização. Por conta disso, a HFPA se comprometeu a mudar, abrindo vagas para novos integrantes e mudando várias de suas regras, incluindo a adoção de um manual de ética. Poucos levaram fé nas promessas e o boicote ao evento foi mantido. Após os esforços iniciais para se renovar, a organização aprovou seis integrantes negros em 1 de outubro – um resultado pífio, que tornou os eleitores do Globo de Ouro apenas 5,7% mais diversos que no ano passado. Exibida em meio à polêmica, a cerimônia de 2021 teve a pior audiência do Globo de Ouro em todos os tempos, assistida por 6,9 milhões de pessoas. Uma catástrofe quase apocalíptica em comparação aos 18,3 milhões que sintonizaram a premiação no ano passado. Veja abaixo a lista dos indicados ao Globo de Ouro de 2022. CINEMA Melhor filme (drama) “Belfast”, de Kenneth Branagh “No Ritmo do Coração”, de Sian Heder “Duna”, de Denis Villeneuve “King Richard: Criando Campeãs”, de Reinaldo Marcus Green “Ataque dos Cães”, de Jane Campion Melhor filme (comédia ou musical) “Cyrano”, de Joe Wright “Não Olhe para Cima”, de Adam Mckay “Licorice Pizza”, de Paul Thomas Anderson “Tick, Tick Boom!”, de Lin-Manuel Miranda “Amor, Sublime Amor”, de Steven Spielberg Melhor animação “Encanto” “Flee” “Luca” “My Sunny Maad” “Raya e o Último Dragão” Melhor roteiro “Licorice Pizza” “Belfast” “Ataque dos Cães” “Não Olhe para Cima” “Being the Ricardos” Melhor direção Kenneth Branagh, por “Belfast” Jane Campion, por “Ataque dos Cães” Maggie Gyllenhaal, por “The Lost Daughter” Steven Spielberg, por “Amor, Sublime Amor” Denis Villeneuve, por “Duna” Melhor trilha sonora “A Crônica Francesa” “Encanto” “Ataque dos Cães” “Madres Paralelas” “Duna” %u200B Melhor canção original “Be Alive”, de “King Richard: Criando Campeãs” “Dos Orugitas”, de “Encanto “Down to Joy”, de “Belfast” “Here I Am (Singing My Way Home)”, de “Respect: A História de Aretha Franklin” “No Time to Die”, de “Sem Tempo para Morrer” Melhor ator (drama) Mahershala Ali, por “Swan Song” Javier Bardem, por “Being the Ricardos” Benedict Cumberbatch, por “Ataque dos Cães” Will Smith, por “King Richard: Criando Campeãs” Denzel Washington, por “The Tragedy of Macbeth” Melhor atriz (drama) Jessica Chastain, por “Os Olhos de Tammy Faye” Olivia Colman, por “The Lost Daughter” Nicole Kidman, por “Being the Ricardos” Lady Gaga, por “Casa Gucci” Kristen Stewart, por “Spencer” Melhor ator (musical ou comédia) Leonardo DiCaprio, por “Não Olhe para Cima” Peter Dinklage, por “Cyrano” Andrew Garfield, por “Tick, Tick Boom!” Cooper Hoffman, por “Licorice Pizza” Anthony Ramos, por “In the Heights” Melhor atriz (musical ou comédia) Marion Cotillard, por “Annette” Alana Haim, por “Licorice Pizza” Jennifer Lawrence, por “Não Olhe para Cima” Emma Stone, por “Cruella” Rachel Zegler, por “Amor, Sublime Amor” %u200B Melhor ator coadjuvante Ben Affleck, por “The Tender Bar” Jamie Dornan, por “Belfast” Ciarán Hinds, por “Belfast” Troy Kotsur, por “No Ritmo do Coração Kodi Smit-McPhee, por “Ataque dos Cães” Melhor atriz coadjuvante Caitríona Balfe, por “Belfast” Ariana DeBose, por “Amor, Sublime Amor” Kirsten Dunst, por “Ataque dos Cães” Aunjanue Ellis, por “King Richard: Criando Campeãs” Ruth Negga, por “Identidade” Melhor filme em língua estrangeira “Compartment No. 6”, de Juho Kuosmanen (Finlândia) “Drive My Car”, de Ryusuke Hamaguchi (Japão) “A Mão de Deus”, de Paolo Sorrentino (Itália) “Madres Paralelas”, de Pedro Almodóvar (Espanha) “A Hero”, de Asghar Farhadi (Irã) TELEVISÃO Melhor série de drama “Succession” “Round 6” “Pose” “The Morning Show” “Lupin” Melhor série de comédia “The Great” “Only Murders In the Building” “Ted Lasso” “Hacks” “Reservation Dogs” Melhor minissérie ou filme para TV “Dopesick” “Impeachment: American Crime Story” “Maid” “Mare of Easttown” “The Underground Railroad” Melhor ator (drama) Brian Cox, por “Succession” Lee Jung-jae, por “Round 6” Billy Porter, por “Pose” Jeremy Strong, por “Succession” Omar Sy, por “Lupin” Melhor atriz (drama) Christine Baranski, por “The Good Fight” Elizabeth Moss, “The Handmaid’s Tale” Jennifer Aniston, “The Morning Show” Mj Rodriguez, “Pose” Uzo Aduba, “In Treatment” Melhor ator (comédia) Anthony Anderson, por “Black-ish” Nicholas Hoult, por “The Great” Steve Martin, por “Only Murders in the Building” Martin Short, por “Only Murders in the Building” Jason Sudeikis, por “Ted Lasso” Melhor atriz (comédia) Hannah Einbender, por “Hacks” Elle Fanning, por “The Great” Issa Rae, por “Insecure” Tracee Ellis Ross, por “Black-ish” Jean Smart, por “Hacks” Melhor ator (minissérie ou filme para a TV) Paul Bettany, por “WandaVision” Oscar Isaac, por “Cenas de um Casamento” Michael Keaton, por “Dopesick” Ewan McGregor, por “Halston” Tahar Raheem, por “O Paraíso e a Serpente” Melhor atriz (minissérie ou filme para a TV) Jessica Chastain, por “Cenas de um Casamento” Elizabeth Olsen, por “WandaVision” Kate Winslet, por “Mare of Easttown” Cynthia Erivo, por “Genius: Aretha” Margaret Qualley, por “Maid” Melhor ator coadjuvante Billy Crudup, por “The Morning Show” Kieran Culkin, por “Succession” Mark Duplass, por “The Morning Show” Brett Goldstein, por “Ted Lasso” Oh Yeong-su, por “Round 6” Melhor atriz coadjuvante Jennifer Coolidge, por “The White Lotus” Kaitlyn Dever, por “Dopesick” Andie MacDowell, por “Maid” Sarah Snook, por “Succession” Hannah Waddingham, por “Ted Lasso”
Ator de “Empire” é considerado culpado por forjar agressão e mentir à polícia
O ator Jussie Smollett foi considerado culpado de forjar um ataque contra si mesmo e mentir para a polícia sobre ser vítima de ódio racial e homofóbico em 2019. O veredito foi revelado nesta quinta-feira (9/12), num julgamento que durou mais de nove horas. O júri, formado por seis homens e seis mulheres, considerou o ator culpado de cinco das seis acusações da promotoria. Cada uma das acusações foi relativa às diferentes vezes que ele teria mentido para a polícia sobre o ataque. Em janeiro de 2019, Smollett alegou ter sido vítima de um ataque de apoiadores do presidente americano Donald Trump, em Chicago. O ator, que é negro e gay, contou que eles gritavam ofensas racistas e homofóbicas. O caso foi marcado por contradições e, no curso da investigação, a polícia local transformou o registro de crime de preconceito em suspeita contra o próprio ator. Problemas em relação ao tratamento público da investigação chegou a fazer a promotora original desistir do processo, mas o juiz do caso, Michael Toomin, resolveu nomear um novo promotor, que retomou as investigações e, após a conclusão do levantamento de provas e testemunhos, indiciou Smollett em seis acusações relacionadas a relatos falsos à polícia. Em meio à polêmica, o ator foi demitido da série “Empire”, em que tinha um dos papéis principais. A principal descoberta da investigação foi a participação dos irmãos Ola e Avel Osundairo na agressão. Personal trainers de descendência nigeriana, eles já haviam aparecido como figurantes em “Empire” e testemunharam que o ator lhes pagou para que o atacassem, depois que a polícia os ameaçou de prisão e deportação para a Nigéria. O superintendente da polícia de Chicago, Eddie Johnson, chegou a apresentou um cheque assinado por Smollett para os irmãos como prova das acusações. Entretanto, em depoimento à polícia, os irmãos supostamente contratados por Smollett disseram que o dinheiro que receberam do ator na verdade era pagamento pela prestação de serviços como personal trainers. Há fotos no Instagram desse trabalho. Os advogados de Smollett também argumentaram que os irmãos atacaram o ator porque eles são homofóbicos e não gostam de “quem ele é” e que inventaram a história de que foi tudo encenado para escapar de condenação e também para chantagear o ator, dizendo não testemunhariam se Smollett pagasse US$ 1 milhão a cada um. O promotor Dan Webb disse ao júri que Smollett fez a polícia de Chicago gastar enormes recursos investigando o que se provou um crime falso: “Além de ser contra a lei, é simplesmente errado abusar de algo tão sério como um crime de ódio real”. A pena para sua condenação será anunciada em breve. O máximo previsto são três anos de prisão, mas Smollett provavelmente será colocado em liberdade condicional e condenado a prestar serviços comunitários. Sua carreira como ator e cantor, porém, pode ser considerada encerrada.
Estreia de Lázaro Ramos na direção tem dificuldades para estrear no Brasil
Depois de “Marighella” enfrentar “problemas burocráticos” e demorar dois anos para ser lançado no Brasil, o filme “Medida Provisória”, primeiro longa de ficção dirigido por Lázaro Ramos, atravessa o mesmo périplo de “dificuldades” junto à Ancine para chegar aos cinemas brasileiros. Já exibido e premiado em festivais internacionais desde o ano passado, o filme que tem 92% de aprovação no site Rotten Tomatoes ganhará sua primeira exibição no país na próxima semana, em 15 de dezembro, durante o Festival do Rio. No entanto, segue sem previsão de lançamento comercial em seu próprio país. A assessoria responsável por sua divulgação informou que, ao longo de mais de um ano, os produtores trocaram dezenas de e-mails com a Ancine, que não teria dado retorno. “Questões burocráticas seguem sem retorno conclusivo da agência desde novembro de 2020”, explicou a assessoria Trigo Agência de Ideias, em nota. A coincidência que acompanha “Marighella” e “Medida Provisória” é que ambos são estrelados por atores negros, são politizados e contradizem a visão ufanista de extrema direita que mal e porcamente o atual governo tenta implantar no país. Vale lembrar que o polêmico presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, pediu boicote ao “Medida Provisória”, que ele não viu, em postagens nas redes sociais de março do ano passado. Nos posts, ele justificou a iniciativa com uma fake news, método tradicional dos funcionários do desgoverno atual. Camargo disse que o filme que ele não viu “acusa o governo Bolsonaro de crime de racismo”. Mentira deslavada, claro. “Medida Provisória” é uma adaptação da tragicomédia “Namíbia, Não!”, peça de Aldri Anunciação que Lázaro Ramos já tinha dirigido no teatro em 2011 – quando a presidente era Dilma Rousseff! Além disso, o filme foi inteiramente rodado antes da eleição de Bolsonaro. O ator principal, o inglês descendentes de brasileiros Alfred Enoch, viajou ao Brasil para se aclimatar ao país para as filmagens no início de 2019, meses antes das eleições à presidência da República. Na época, nem os piores pesadelos apontavam uma possível vitória do pior candidato. A trama de “Medida Provisória” se passa num Brasil do futuro em que uma iniciativa de reparação pelo passado escravocrata provoca uma reação no governo federal, que promulga uma nova lei para deportar todos os brasileiros de “melanina acentuada” para o continente africano. A reação de Sérgio Camargo só comprova como o cenário distópico da produção reflete o país criado após a eleição de Bolsonaro. Se o filme foi feito como ficção futurista, o tempo acabou por transformá-lo numa importante advertência sobre o tempo presente. Sinal disto é que, em julho do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito e pediu esclarecimentos a Sérgio Camargo sobre o fato de que ele “teria negado a existência do racismo, a importância da luta do povo negro pela sua liberdade e a importância do Movimento Negro em nosso país”.
Escritora que causou prisão de inocente por 16 anos pede desculpas
A escritora americana Alice Sebold pediu desculpas nesta quarta (1/12) por causar a condenação injusta de um homem inocente por estupro. Preso e condenado pelo crime, Anthony Broadwater passou 16 anos na prisão e, mesmo depois de cumprir a pena, teve dificuldades de seguir a vida, já que passou a integrar uma lista de agressores sexuais. Ele tinha 20 anos quando foi acusado por Sebold e inocentado na semana passada, aos 61 anos, após uma revisão do caso. Em seu livro de memórias, “Sorte. Um Caso de Estupro”, Sebold descreveu como foi estuprada em 1981, aos 17 anos, no campus de sua universidade, e como encontrou o culpado caminhando na rua dias depois. O homem que ela acusou era Broadwater, completamente diferente do retrato falado feito a partir de sua própria descrição do agressor, e um homem que ela não conseguiu identificar num reconhecimento de suspeitos, ao lado de outros homens pretos. “Lamento, acima de tudo, pelo fato de que a vida que você poderia ter tido foi injustamente roubada de você, e eu sei que nenhuma desculpa pode mudar o que aconteceu com você e nunca mudará”, disse Sebold em seu pedido de desculpas. Por intermédio de seus advogados, Broadwater disse que está “aliviado por ela ter pedido desculpas”. Broadwater foi inocentado graças ao sucesso do livro em que Sebold descreveu o caso. Com título inspirado numa frase que o policial que atendeu ao seu chamado lhe disse – “Você tem sorte de ter sido estuprada, e não estuprada e morta” – , “Sorte” foi publicado em 1999 e vendeu mais de 1 milhão de cópias, lançando a carreira de Sebold como autora. Depois disso, ela escreveu o romance “Uma Vida Interrompida”, ficção espírita sobre outro caso de estupro, desta vez seguido de morte, que foi transformado no filme “Um Olhar do Paraíso” (2009) pelo diretor Peter Jackson. Os direitos de “Sorte” também foram adquiridos para uma adaptação cinematográfica. O negócio foi fechado em 2019, mas as filmagens demoram a começar porque um dos produtores executivos, Timothy Muccianate, viu “discrepâncias” entre as descrições da violação na obra e os registros do julgamento na segunda parte do livro, e decidiu contratar um detetive particular para apurar o que realmente aconteceu. O detetive encontrou provas e pediu análises forenses mais modernas do que as da época do julgamento de 40 anos atrás, e suas descobertas fizeram as autoridades determinarem que havia “falhas sérias” na apuração realizada nos anos 1980, que traziam dúvidas sobre se o verdadeiro criminoso tinha sido condenado. A moção para anular a condenação foi feita pelo promotor público do condado de Onondaga, William J. Fitzpatrick, que observou que as identificações de testemunhas de estranhos, especialmente aquelas que cruzam as linhas raciais, muitas vezes não são confiáveis. Alice Sebold é branca e o Anthony Broadwater é negro. Diante desta reviravolta, a atriz Victoria Pedretti (“Você”, “A Maldição da Mansão Bly”), que interpretaria a versão de Sebold na adaptação de “Sorte”, desistiu da produção, que logo em seguida perdeu seu financiamento e foi cancelada. A editora americana Simon & Shuster que publica “Sorte” também anunciou na terça-feira (30/11) que iria parar de distribuir o livro enquanto trabalhava com Sebold para “considerar como o trabalho poderia ser revisado”. O livro já foi retirado de alguns sites de vendas dos EUA – mas não da Amazon. A Ediouro, que publica o livro no Brasil, ainda não se pronunciou sobre o caso.
Victoria Pedretti larga filme de escritora que deixou inocente preso por 16 anos
A atriz Victoria Pedretti (“Você”, “A Maldição da Mansão Bly”) desistiu de estrelar a adaptação de “Sorte – Um Caso de Estupro” (Lucky), após o homem acusado de violência sexual pela obra ser inocentado na semana passada, depois de passar 16 anos preso. Ele foi identificado casualmente pela escritora Alice Sebold, com quem cruzou na rua, e com base nessa identificação e provas circunstanciais foi condenado à prisão. O filme também perdeu seu financiamento e não deverá mais sair do papel. O livro foi escrito em 1999, lançado no Brasil em 2003, e relata o estupro que Alice Sebold sofreu aos 17 anos, em maio de 1981, quando foi atacada dentro do campus da universidade Syracuse, em que estudava. No texto, ela conta ter visto um homem negro se aproximando dela e narra o ocorrido. O título do livro faz referência a uma frase que o policial que atendeu ao seu chamado lhe disse: “Você tem sorte de ter sido estuprada, e não estuprada e morta”. Autora também do livro que virou “Um Olhar do Paraíso” (2009), de Peter Jackson, focado num caso fictício de estupro e morte de adolescente, Sebold negociou a adaptação de “Sorte” em 2019, mas as filmagens demoram a começar porque um dos produtores executivos, Timothy Muccianate, viu “discrepâncias” entre as descrições da violação na obra e os registros do julgamento na segunda parte do livro, e decidiu contratar um detetive particular para apurar o que realmente aconteceu. O detetive encontrou provas e pediu análises forenses mais modernas do que as da época do julgamento de 40 anos atrás, e suas descobertas fizeram as autoridades determinarem que havia “falhas sérias” na apuração de 1982, que traziam dúvidas sobre se o verdadeiro criminoso tinha sido condenado. Ao analisar novamente o caso, os promotores pediram ao juiz da Suprema Corte Estadual para exonerar Anthony J. Broadwater, o homem condenado pelo estupro de Sebold — que ficou 16 anos na prisão — , pois ele era inocente. Na última segunda-feira (22/11), Broadwater foi formalmente inocentado, teve todas as condenações anuladas – de estupro em primeiro grau e cinco acusações relacionadas – e não será mais classificado como agressor sexual. Broadwater nunca assumiu a culpa pelo estupro de Sebold. No fatídico dia, a futura escritora descreveu as características de seu agressor para a polícia, mas o retrato falado não se parecia com o do homem condenado pelo crime. Mesmo assim, ele foi preso cinco meses depois, porque Sebold passou por ele na rua e contatou a polícia, dizendo ter visto seu agressor. O detalhe é que, na hora de identificar o agressor entre outros homens pretos, Sebold voltou a apontar uma pessoa diferente. Isto deveria encerrar a acusação, mas os promotores originais do caso justificaram o erro dizendo que Broadwater e o homem identificado erroneamente haviam tentado enganar e confundir Sebold propositalmente. A condenação de Broadwater (chamado de Gregory Madison no livro) se baseou nesta identificação problemática e em análises de um fio de cabelo encontrada na cena do crime, uma tecnologia que nunca foi considerada acurada e se tornou obsoleta. “Junte um pouco de ciência fajuta com uma investigação falha e temos a receita perfeita para uma condenação errada”, disse à imprensa o advogado de Broadwater, David Hammond. A moção para anular a condenação foi feita pelo promotor público do condado de Onondaga, William J. Fitzpatrick, que observou que as identificações de testemunhas de estranhos, especialmente aquelas que cruzam as linhas raciais, muitas vezes não são confiáveis. Alice Sebold é branca e o Anthony J. Broadwater é negro. “Sorte – Um Caso de Estupro” é cheio de situações racistas, que seriam justificadas pelo choque causado pelo estupro. Em algumas passagens, a escritora assume ver todos os negros como prováveis estupradores. E tudo indica que foi isso que aconteceu com um homem inocente. O livro vendeu mais de 1 milhão de cópias, deu início à carreira da escritora. Três anos depois, ela publicou “Uma Vida Interrompida” (The Lovely Bones), que vendeu 10 milhões de cópias e virou o filme de Peter Jackson indicado ao Oscar. A adaptação de “Sorte” seria escrita e dirigida por Karen Moncreiff (“13 Reasons Why”), mas após o escândalo, a saída da atriz principal e a perda de financiamento, o trabalho de desenvolvimento resultou em tempo perdido. Só que a trama pode ter desdobramentos, com ações judiciais por perdas e danos dos produtores do filme, que devem ter pago adiantado pelos direitos do livro, e do próprio Anthony Broadwater, ao descobrir que Sebold ganhou dinheiro com sua prisão. Em comunicado divulgado por seus assessores, a escritora afirmou que não iria se pronunciar sobre o caso.
Regina Duarte continua bolsonarista com posts polêmicos nas redes sociais
A ex-atriz Regina Duarte demonstrou neste fim de semana nas redes sociais que continua uma bolsonarista convicta, com posts criticando o Dia da Consciência Negra e o “fique em casa maligno”. “Fique em casa” é como Bolsonaro batizou, de forma pejorativa, o isolamento social necessário para evitar a superlotação dos hospitais e o morticínio durante o pico da pandemia de covid-19. No sábado, ela postou um texto no Instagram em que (ainda) reclama do isolamento social e, paradoxalmente, critica o fim dele. “Te proibiram de viver e agora querem festejar o Carnaval?” diz o texto. Na legenda, Regina Duarte reforçou seu posicionamento acusando o “‘fique em casa’ maligno” de ter feito mal ao país, desde prejudicar a saúde (sério!) pela falta de sol até a economia. “E a Economia, agora, quem assume?”, questionou, ironicamente sugerindo que o país não tem governo. Vale lembrar que o tal movimento “fique em casa” chegou a ser defendido até por Gabriela Duarte, filha da atriz – entre outras pessoas sensatas que ajudaram o país a passar pela pior fase da pandemia, seguindo recomendação da Organização Mundial da Saúde. Não contente, ela dobrou a aposta neste domingo (21/11) com uma crítica ao Dia da Consciência Negra. Ao lado do vídeo de uma entrevista infeliz do ator Morgan Freeman, da qual ele já se arrependeu, a ex-atriz escreveu: “Ontem foi comemorado o Dia da Consciência Negra. Quando teremos o Dia da Consciência Branca, Amarela, Parda…?”. Sugerindo que não existe racismo a ser enfrentado no Brasil, ela ainda lamentou a vitimização por “culpas antepassadas”, sugerindo que lutar por melhores condições de igualdade é “olhar para trás”. O texto original diz: “Quanto tempo vamos ainda nos vitimizar ao peso de anos, de séculos de dor por culpas antepassadas? Quando vamos parar de olhar pra trás e enfrentar o hoje e nós olharmos com a coragem da cara limpa? Maduros, evoluídos, conscientes de nossa luta, irmanados em nossa capacidade, de sermos… HUMANOS? Simplesmente IRMÃOS?”. Regina Duarte virou ex-atriz ao aceitar o convite de Bolsonaro para encerrar um contrato lucrativo com a rede Globo e assumir a pasta da secretaria de Cultura. Ficou no cargo três meses, sendo demitida num vídeo risível em que Bolsonaro a engabelou com outra de suas muitas lorotas – prometendo lhe dar a presidência da Cinemateca. Durante o período em que esteve à frente da secretaria, ela conseguiu desagradar a maioria da classe artística do país, dar entrevistas constrangedoras, transformar velhos amigos em inimigos e liquidar todo o respeito que tinha conquistado ao longo da carreira. A desmoralização, porém, não parece ter sido suficiente para quebrar seu encantamento com o ideário bolsonarista. Ela continua firme no compartilhamento de memes e mensagens extremistas. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Regina (@reginaduarte) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Regina (@reginaduarte)
Filmes online: 10 documentários brasileiros para o Dia da Consciência Negra
Celebrado neste sábado (20/11), o Dia da Consciência Negra inspira reflexões. E nada melhor para isso que uma maratona de documentários. Sem exagero, a lista dos 10 títulos abaixo inclui alguns dos mais importantes trabalhos documentais sobre a questão racial já feitos no Brasil. O Negro da Senzala ao Soul | YouTube Produzido em 1977, o primeiro documentário televisionado sobte o movimento negro do Brasil foi feito pelo repórter Gabriel Priolli para a TV Cultura, na época em que o Departamento de Jornalismo do canal era comandado por Paulo Roberto Leandro e num momento em que a música soul e ideias de “black power” chegavam ao imaginário popular. Pioneiro, conseguiu driblar a censura para ir ao ar graças ao viés musical, mas foi seu claro engajamento que o fez circular em cópias piratas entre movimentos sociais. Um trecho do filme acabou reaparecendo em outro documentário da lista, “AmarElo”, do rapper Emicida. Ôri | NOW Lançado pela socióloga e cineasta Raquel Gerber em 1989, “Ôri” (consciência em Iorubá) documenta os movimentos negros brasileiros dos anos 1970 com comentários de uma mais maiores ativistas e pensadoras negras do país, Beatriz Nascimento (1942-1995). Levou 11 anos para ser concluído, porque parte do seu material foi apreendido pela ditadura militar. E já na época a diretora notou a ausência de imagens sobre a história negra no país, que nunca deixou de ser metodicamente apagada e destruída. A Negação do Brasil | YouTube Dirigido por Joel Zito Araújo, um dos maiores cineastas negros do país, “A Negação do Brasil” também é um dos mais importantes documentários da seleção. Lançado no ano 2000, conta a história dos negros na TV brasileira. Ou melhor, da falta de negros na TV brasileira, mostrando como eles foram escanteados, ignorados e até mesmo suprimidos da produção televisiva nacional, que só lhes permitia interpretar estereótipos, quando permitia, raramente reconhecendo o talento dos artistas. Menino 23 | Globoplay O filme de Belisário Franca acompanha as investigações de um historiador sobre tijolos marcados com suásticas nazistas, encontrados no interior de São Paulo, e acaba revelando uma história de terror, de meninos órfãos e negros, que foram submetidos a um projeto criminoso de eugenia pela elite política brasileira dos anos 1930. Falcão – Meninos do Tráfico | YouTube Produzido pelo rapper MV Bill e pelo centro de audiovisual da Central Única das Favelas, o filme de 2006 faz um relato duro da vida de jovens de favelas brasileiras, que pela falta de perspectivas são facilmente cooptados pelo tráfico de drogas. Durante as gravações, 16 dos 17 meninos entrevistados morreram, vítimas da violência na qual estavam inseridos. Exibido no “Fantástico”, o documentário teve ampla repercussão, mas nem a entrega simbólica de um DVD do filme nas mãos do então presidente Lula mudou a situação de abandono e omissão do Estado sobre o futuro das crianças das favelas brasileiras. Disponível de graça na página de MV Bill no YouTube. A Última Abolição | Globoplay O título se refere ao fato de o Brasil ter sido o último país do mundo a abolir a escravidão. O filme de Alice Gomes também lembra que isso não aconteceu por causa de um ato magnânimo da Princesa Isabel, mas por anos de lutas e pelo sacrifício de mulheres negras que conseguiram alforriar uma geração de crianças, tornando a liberdade dos negros irreversível. Samba de Santo – Resistência Afro-Baiana | Globoplay A história de três blocos de Carnaval centenários, nascidos em terreiros de candomblé na Bahia, Ilê Aiyê, Cortejo Afro e Bankoma, serve de ponto de partida para explorar a cultura negra, por meio de musicalidade, danças, religiosidade e ancestralidade. E mostram como a tradição carnavalesca politizou-se para ajudar suas comunidades e espalhar brilho no estado mais negro do país, e por isso também mais submetido ao racismo. AmarElo | Netflix Dirigido por Fred Ouro Preto (sobrinho de Dinho, do Capital Inicial), o documentário estabelece um elo entre o show do rapper Emicida no Theatro Municipal, de São Paulo, com dois momentos importantes da história e da cultura passados dentro e fora do Municipal: a Semana de Arte Moderna de 1922 e a fundação do Movimento Negro Unificado (MNU) em 1978 – que lutou pela auto-afirmação cultural e o incentivo à cultura de matriz africana, até então estigmatizada no Brasil. Sementes – Mulheres Pretas No Poder | Globoplay O filme de Julia Mariano e Éthel Oliveira foi feito sob o impacto do assassinato de Marielle Franco, transformando o luto em luta. Dos protestos às candidaturas políticas, acompanha o efeito multiplicador da luta pela resistência com o surgimento de novas lideranças negras e femininas em meio ao auge opressor do aparato político-miliciano que exterminou Marielle e resultou na eleição de Bolsonaro em 2018. Dentro Da Minha Pele | Globoplay O documentário de Toni Venturi conta histórias de 9 pessoas comuns, com diferentes tons de pele negra, que apresentam seu cotidiano na cidade de São Paulo e compartilham situações de racismo, dos velados aos mais explícitos. Entre os relatos há um médico confundido com bandido, uma faxineira tratada como escrava, um garoto assassinado pela polícia e uma funcionária trans que nunca é promovida.
Globo de Ouro 2022 vai acontecer sem transmissão televisiva
A Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) anunciou que vai realizar a premiação do Globo de Ouro em 2022, apesar da decisão da rede NBC de não transmitir o evento. Os indicados ao prêmio serão revelados em 13 de dezembro e os vencedores anunciados em 9 de janeiro de 2022. Embora o formato desse evento não tenha sido revelado, o Globo de Ouro já teve uma edição em que os premiados foram simplesmente nomeados numa entrevista coletiva de imprensa. Isto aconteceu em 2008, durante a greve dos roteiristas de Hollywood. A NBC tomou a decisão de não transmitir o próximo Globo de Ouro em maio, repercutindo boicotes de vários setores de Hollywood após a denúncia de que a HFPA não tinha integrantes negros, o que também trouxe à tona acusações de histórico sexista e falta de ética de integrantes da organização. Por conta disso, a HFPA se comprometeu a mudar, abrindo vagas para novos integrantes e mudando várias de suas regras, incluindo a adoção de um manual de ética. Poucos levaram fé nas promessas e o boicote ao evento foi mantido. Após os esforços iniciais para se renovar, a organização aprovou seis integrantes negros em 1 de outubro – um resultado pífio, que tornou os eleitores do Globo de Ouro apenas 5,7% mais diversos que no ano passado. Exibida em meio à polêmica, a cerimônia de 2021 teve a pior audiência do Globo de Ouro em todos os tempos, assistida por 6,9 milhões de pessoas. Uma catástrofe quase apocalíptica em comparação aos 18,3 milhões que sintonizaram a premiação no ano passado.
Brigitte Bardot é multada por insultos racistas
A atriz Brigitte Bardot foi multada em 25 mil euros por insultos racistas e de preconceitos religiosos pela Procuradoria da França na quinta-feira (7/10). A multa foi consequência de uma carta aberta da atriz, datada de 2019, em que chamou a Ilha da Reunião, departamento francês situado no Oceano Índico, de “Ilha do Diabo, com uma população formada por degenerados ainda imbuídos das tradições bárbaras das suas raízes”. O texto também afirmava que “os nativos mantiveram seus genes selvagens” para denunciar supostas práticas perversas contra animais. A manifestação foi motivada pelo conhecido ativismo da atriz de 87 anos contra crueldades cometidas contra animais. Bardot, que se aposentou das telas em 1973 para se dedicar à luta pelos direitos dos animais, acusou os habitantes do local de usar cães e gatos como isca para tubarões, além de “decapitar cabras e bodes em festivais indígenas”. “Tudo tem reminiscências de canibalismo de séculos passados. Tenho vergonha desta ilha, da selvageria que ainda reina lá”, acrescentou a estrela francesa. Várias ONGs que lutam contra o racismo na França apresentaram queixas contra a atriz, que se desculpou dizendo que estava com raiva com o que acontecia com os animais na ilha. Ao levar os processos adiante, a Procuradoria francesa acusou a atriz de proferir “insultos sérios, racistas e repetidos que atacam os cidadãos da Reunião como um todo”.
Esforço de diversificação do Globo de Ouro resulta só em seis membros negros
A Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta-feira (1/10) que acrescentou 21 membros novos como parte de seus esforços para diversificar a organização que concede os prêmios de cinema e televisão do Globo de Ouro. Entre os novos integrantes, quase metade são mulheres e seis são negros, de acordo com o comunicado da entidade. A lista inclui uma brasileira: a jornalista Miriam Spritzer (da L’Officiel Brazil). A iniciativa visa recuperar o prestígio do Globo de Ouro, que não terá edição televisada em 2022 devido à denúncia de que o grupo não tinha negros até o ano passado, o que trouxe à tona também um histórico sexista e a falta de ética de integrantes da HFPA, que teria influenciado resultados de suas premiações. Com os novos associados, a entidade chega a 105 integrantes. Ou seja, a HFPA agora é 5,7% mais racialmente diversa que no ano passado. Prevendo que o “esforço” da associação geraria esse resultado, vários boicotes foram antecipados contra a HFPA e o Globo de Ouro, mas nem a indicação de que o prêmio poderia terminar por falta de apoio de Hollywood resultou em diversificação mais expressiva.
Antonia Fontenelle é enquadrada em crime de racismo
Antonia Fontenelle foi indiciada pela Polícia Civil da Paraíba pelo crime de preconceito e racismo por comentários sobre o caso de DJ Ivis – preso por agredir a ex-mulher, Pamela Hollanda. A atriz que virou youtuber utilizou expressões como “esse paraíbas” e “paraibada”, consideradas preconceituosas de acordo com investigação, As investigações tiveram o apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Fontenelle deu depoimento sobre o caso à polícia do Rio e, durante o interrogatório, disse que utilizou a expressão xenofóbica para se referir só ao DJ. Ela falou que não pretendia ofender a população da Paraíba ou qualquer outro nordestino nem quis se mostrar superior. Mas o inquérito da 1ª Delegacia de Polícia Civil de João Pessoa, aberto em julho e encerrado nesta quarta (22/9), realizou uma perícia nos vídeos que circularam nas redes sociais e chegou à conclusão que o caso se enquadrada na Lei do Racismo, que prevê multa por crime de preconceito ou discriminação e pena de reclusão de 1 a 3 anos. Ao comentar a agressão de Ivis, Fontenelle se manifestou da seguinte forma: “Esses paraíbas fazem um pouquinho de sucesso e acham que podem tudo”. Posteriormente, ela tentou se justificar a expressão no Instagram. “Paraíba é força de expressão, quem faz ‘paraibada’, como por exemplo bater em mulher. Esses machos escrotos que ganham uns trocados e acham que podem tudo”, disse. A justificativa teria reincidido na xenofobia. Até a vencedora do “BBB 21”, Juliette Freire, comentou, sem citar o nome da youtuber, que se tratava de ofensa. “Não é força de expressão, é xenofobia. Não existe ‘ser Paraíba’ e ‘fazer paraibada’. Existe ser PARAIBANA/O, o que sou com muito orgulho. Tire seu preconceito do caminho, que vamos passar com a nossa cultura e não vamos tolerar atitudes machistas e xenofóbicas de lugar algum…”. Com a repercussão do caso, os advogados de Fontenelle afirmavam que a acusação de racismo era caluniosa e baseada em distorção dos fatos. “A Antonia está sendo vítima de calúnia, pois teve a fala deturpada e retirada de um contexto, quando manifestou indignação nas redes sociais a respeito da violência doméstica praticado pelo DJ Ivis contra a esposa, fato divulgado em mídia nacional”, afirmou um comunicado dos responsáveis pela defesa da atriz. “Ela jamais teve a intenção de ofender o povo da Paraíba, apenas manifestou opinião sobre o covarde comportamento de um paraibano em específico, do qual temos certeza que não é orgulho para nenhum de seus conterrâneos no momento. O Delegado que determinou a instauração do inquérito policial certamente está sendo induzido a erro, mudaram o foco da questão. Com a investigação será elucidado o fato específico, minha cliente não cometeu o suposto crime alegado. A situação vem causando um abalo imensurável à honra de Antonia, e eventual denúncia caluniosa será apurada, sob as penas da Lei”, acrescentou o texto. Essa não foi a primeira acusação de xenofobia contra Antonia Fontenelle. Em fevereiro, ela foi indiciada pelos crimes de racismo e xenofobia após dizer que Giselle Itié deveria voltar para o México, país onde a atriz nasceu.
Ruth Negga se passa por branca no trailer de “Identidade”
A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “Identidade” (Passing), que conta a história de uma mulher negra que se passa por branca no final dos anos 1920 em Nova York. Vivida por Ruth Negga (“Preacher”), a protagonista tem a segurança de seu relacionamento com um branco rico (Alexander Skarsgard, de “Big Little Lies”) ameaçado por uma amiga (Tessa Thompson, de “Thor: Raganorok”), que também tem a pele clara e a possibilidade de se fingir de branca, mas decide ficar do lado oposto desta divisão, apropriadamente filmada em preto e branco. O elenco também inclui André Holland (“Moonlight”), Bill Camp (“Relatos do Mundo”), Gbenga Akinnagbe (“The Deuce”) e Antoinette Crowe-Legacy (“Godfather of Harlem”). A trama é baseada no romance homônimo de Nella Larsen, publicado em 1929, e a adaptação marca a estreia da atriz Rebecca Hall (“Vicky Cristina Barcelona”) como diretora. Exibido no começo do ano no Festival de Sundance, “Identidade” vai passar a seguir no Festival de Nova York, antes de ganhar lançamento em streaming no dia 10 de novembro.








