Divulgação/Globo

Tiago Leifert volta a falar da polêmica com Ícaro Silva após ataques antissemitas

Segunda-feira é tradicionalmente dia do Jogo da Discórdia no “Big Brother Brasil”, e embora não esteja mais ligado ao programa, Tiago Leifert enfrentou uma espécie de rodada virtual do quadro, ao retomar a polêmica que criou com o ator Ícaro Silva.

Preocupado ao ver-se envolvido num paredão da vida real, Leifert publicou um vídeo de oito minutos em que buscou justificar sua reação dura a um comentário infeliz de Ícaro Silva, que chamou o reality mais visto do Brasil de “entretenimento medíocre” nas redes sociais.

O problema é que um trecho da resposta do ex-apresentador do “BBB” acabou repercutindo de forma mais negativa que o comentário do ator. O ponto, inclusive, virou alvo de uma tréplica de Ícaro, ressaltando os problemas da fala sobre o “BBB” ser o que pagava seu salário.

Para defender que seu talento lhe garantia salário, o ator tornou a briga pessoal, ao sugerir que Leifert entrou na Globo devido ao sobrenome do pai, diretor da emissora.

Repercutida por vários artistas e anônimos, a polêmica saiu de controle e acabou alimentando os racistas de plantão nas redes sociais, originando ataques antissemitas contra o ex-apresentador.

No vídeo publicado em seu Instagram, Leifert condenou os ataques, tentou se explicar e reforçou não ter se arrependido do que disse.

Confira a íntegra do pronunciamento:

“Oi, acho que vocês já devem estar de saco cheio do assunto. Talvez não queiram assistir esse vídeo, tudo bem, não tem problema nenhum. Eu demorei mesmo, para vir aqui, acho que eu perdi o timing do assunto. Mas é que esses últimos dias foram importantes pra esfriar a temperatura e pra eu me acalmar também, porque eu achei que eu tinha escrito algo super óbvio e uma constatação até simples sobre como as coisas funcionam, mas o que eu disse foi jogado pra um lugar que não é meu, catapultado pra lugares que eu desconheço, que não foi o que eu falei, que vocês sabem que não foi o que eu falei. Vocês que me seguem, vocês mandaram mensagem e tudo.

Eu fui atacado por causa da minha religião, eu fui atacado por causa da minha família. E eu não fiz isso em nenhum momento, eu não ataquei a família de ninguém, eu não ataquei a índole de ninguém, eu não ataquei a trajetória de ninguém, eu não fiz isso em nenhum momento, minha postagem está lá. E por último, nesse delírio que aconteceu nos últimos dias, no último paragrafo de uma carta que foi escrita pra mim, citam, tripudiam na verdade, ironizam, um problema pelo qual eu estou passando, que nem eu estou preparado pra falar. E aquilo me tirou de giro de um jeito que eu achei que não fosse possível, sabia? Depois de tantos anos trabalhando na comunicação e na mídia, eu achei que não iam conseguir, mas realmente eu parei de enxergar tudo e eu fiquei muito transtornado com aquela última parte, então eu vou ignorar, por agora, aquele final. E vou ignorar também os ataques ao meu pai, à minha família, à minha religião.

Eu gostaria só de lamentar, que o que eu disse foi usado, acho que esse é o verbo, usado, para ferir pessoas que não tem nada a ver com o assunto, e uma causa que não tem nada a ver com o assunto, eu fiquei muito triste que o que eu fiz, defender meus colegas e meu trabalho, foi usado pra machucar outras pessoas, porque nunca foi essa a minha intenção, se você se feriu com o que eu falei, eu lamento pra caramba, porque não foi essa a minha intenção, mas esse não é um pedido de desculpas, tá? Eu só lamento mesmo, fico triste.

Quando eu disse, e está lá bem claro, voltando ao cerne da questão, ‘provavelmente ajudamos a pagar o seu salário’, eu errei. Não é provavelmente, Nós ajudamos a pagar o seu salário. O seu, o do Boninho, o meu, o do Luciano Huck, o do Mion, o de todo mundo ali. Assim como o trabalho de todo mundo da Globo, dos atores, atrizes, técnica, maquiagem, camareiro, figurino, comercial, jurídico, ajuda a pagar o meu salário. Ajudava, né, porque eu saí. Eu não consigo ver onde está a ofensa em uma constatação simples dessa, de saber que o nosso trabalho, todo mundo junto, um ajuda a pagar o salário do outro. Não consigo.

Então quando eu acordo e vejo fogo amigo, porque não é uma pessoa de outra emissora, não é um filósofo, que eu não tenho nada a ver, é um colega, que está ali no estúdio do lado, e que poderia sim estar no Camarote, sei lá se foi convidado, não sei, tá? Não perguntei. Mas poderia estar – porque é uma pessoa legal, uma pessoa interessante, ia ser um grande personagem – ele desdenhando do nosso programa dessa forma, do meu trabalho, chamando de bosta e de medíocre, é óbvio que eu reagi e reagiria de novo.

Mais um pouquinho de contexto também, porque eu acho que é importante, em 2020, quando a pandemia começou, na Globo só duas equipes estavam trabalho, criando conteúdo, o jornalismo, a que eu sou grato, e a equipe do Big Brother Brasil, a gente estava morrendo de medo, claro que estava, todo mundo estava, no começo a gente trabalhou sem máscara, lembra? A OMS não deixava usar máscara, falava que não precisava no começo, então a gente trabalhou sem máscara. E o Big Brother foi muito importante naquele ano, muito importante, assim como em 2021.

Particularmente, pessoalmente, agora falando em uma nota minha mesmo, que talvez até explique também a minha reação, a minha esposa estava grávida em 2020 e eu continuei trabalhando. E quando o Big Brother ia acabar a gente esticou mais cinco dias. Eu estava com medo, minha mulher estava grávida, tinha gente morrendo. Durante esse tempo todo, a equipe do Big Brother, as pessoas lá perderam parentes, perderam amigos. Teve gente que teve que sair por dois, três dias, enlutados, para enterrar um parente e voltar pra trabalhar.

E aí quando eu acordo e vejo fogo amigo, um colega, falando que nosso trabalho, ainda mais nesse contexto todo, é uma bosta, e é medíocre, é óbvio que eu fiquei pistola, é óbvio que eu fiquei chateado e óbvio que eu reagi. E eu dizer para ele: Você não precisa gostar e ninguém precisa gostar do Big Brother mas lembre-se que fazemos parte da mesma coisa, todos, o seu trabalho, o meu, a gente ajuda a pagar o seu salário, você ajuda a pagar o nosso, isso é simples pra mim, pegar isso e transformar em outra coisa, é de uma maldade impressionante, cara, impressionante.

Eu não preciso me defender de nada, eu só vim aqui mesmo esclarecer o que eu falei, e onde eu estou, e qual é o cerne dessa discussão, que é sobre ingratidão, sobre hipocrisia e sobre desrespeitar o trabalho das pessoas. Se para se defender disso levam a discussão para uma outra esfera e que machuca outras pessoas, e que é seríssimo, eu lamento pra caramba, porque não foi isso que eu falei.

Eu gravei esse vídeo há horas e deixei ele esfriando na minha tela, assisti ele de novo, porque eu estava morrendo de medo de postar, tamanha é a delicadeza da situação, e o que fizeram comigo, a covardia que fizeram comigo, acho que essa é a palavra. Eu falo ela com tranquilidade porque eu sei que vocês estão cientes, vocês me mandaram muitas mensagens.

E eu queria então terminar agradecendo todo mundo que me defendeu, agradecer as pessoas que eu não conheço e que me defenderam, muito obrigada mesmo. E terminar dizendo que eu não trabalho mais na Globo, eu não fiz meu exame de demissão nem nada, mas dia 23 foi meu último dia de contrato, e que mesmo assim, pela equipe do Big Brother, a equipe que mudou a minha vida, o programa que mudou a minha vida, e o público do Big Brother também, que me acolheu e me trouxe até aqui e mudou minha vida também, e me botou em outro patamar profissionalmente, que por vocês eu aguento qualquer coisa e faria tudo de novo por vocês.

Eu sou extremamente grato por tudo que nós passamos juntos nesses últimos cinco anos e tenho um orgulho gigantesco de tudo que a gente representa pra televisão brasileira, na história da televisão brasileira, a gente pode falar isso, eu posso pelo menos, já não estou mais aí. E é muito bonito ver, e que sirva de exemplo de toda essa história, o comportamento da equipe ao longo de todos esses anos. Mesmo fazendo enorme sucesso em todos os programas, que eu estou com vocês desde 2012, começando no The Voice, a gente nunca precisou diminuir ninguém pra se sentir superior, a gente nunca precisou falar do trabalho de ninguém pra que a gente pudesse desfrutar do nosso sucesso, e que a gente continue assim e que se a gente achar necessário um dia se defender de alguma coisa que a gente se defenda também sem medo, porque o nosso trabalho merece isso. Um beijo”.