Diretoria da Academia francesa renuncia após indicações de Roman Polanski ao César 2020
A diretoria da Academia das Artes e Técnicas Cinematográficas da França, responsável pelo César, premiação francesa equivalente ao Oscar, anunciou sua renúncia nesta quinta (13/2), em resposta às polêmicas indicações recebidas pelo novo filme de Roman Polanski a seu prêmio anual. O drama de época “Um Oficial e um Espião” (J’Accuse) é o filme que disputa mais categorias na cerimônia de 2020. O longa de Polanski tem 12 indicações, superando “Os Miseráveis”, que disputou o Oscar de Melhor Filme Internacional, e outro favorito, “La Belle Époque”, ambos com 11 nomeações cada. Grupos feministas haviam repudiado as indicações, depois de terem convocado um boicote ineficaz contra o filme. Mas seus protestos ganharam reforço de dezenas de personalidades da indústria cinematográfica – incluindo o ator de “Os Intocáveis” Omar Sy e a atriz Berenice Bejo, do filme “O Artista” – , que denunciaram a “opacidade” da Academia em uma carta aberta, criando um clima tenso para a realização da cerimônia de premiação. “Para honrar os que fizeram filmes em 2019, para reconquistar serenidade e tornar o evento de cinema uma celebração, o conselho de diretores tomou uma decisão unânime de renunciar”, anunciou a Academia francesa em nota oficial. A demissão coletiva aconteceu a apenas duas semanas da data de entrega dos prêmios, marcada para 28 de fevereiro, em Paris. A exibição de “O Oficial e o Espião” nos cinemas enfrentou protestos feministas na França, após o surgimento de mais uma acusação de estupro contra o diretor, que, como as demais, teria acontecido há várias décadas. Polanski chegou a ser expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA em 2018, quando o movimento #MeToo relembrou seu caso histórica e incentivou o surgimento de novas acusações sobre o passado do diretor. Na ocasião, o diretor chamou a atitude de hipocrisia, já que sua condenação por abuso de menor era pública desde os anos 1970, e isso não impediu a Academia americana de lhe consagrar com um Oscar, por “O Pianista” (2002). Contrariando a nova posição dos organizadores do Oscar, o presidente da Academia Francesa, Alain Terzian, chegou a dizer que o César “não deve adotar posições morais”, ao anunciar os indicados. “Se eu não estiver equivocado, 1,5 milhão de franceses assistiram ao filme”, completou. De fato, a estreia de “O Oficial e o Espião” foi a mais bem-sucedida da carreira de Polanski, batendo o recorde de público de sua trajetória como cineasta, apesar da tentativa de boicote feminista, alimentada pela declaração da fotógrafa Valentine Monnier, dias antes, de que tinha sido violentada por Polanski em 1975, quando ela tinha 18 anos. O diretor negou a acusação por meio de seu advogado. Polanski é considerado foragido da Justiça dos Estados Unidos, onde em 1977 foi condenado de estuprar uma menina de 13 anos. Além das indicações ao César, “O Oficial e o Espião” também concorreu ao prêmio da Academia Europeia, mas perdeu. Em compensação, venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza no ano passado. O filme será exibido no Brasil a partir de 13 de março.
Joaquin Phoenix é preso na véspera do Oscar
O ator Joaquin Phoenix voltou a ser preso nos EUA, ao participar de um protesto ambientalista ao lado da colega Jane Fonda. Os dois foram detidos com cerca de 15 pessoas nesta sexta (8/2), durante manifestação contra a falta de iniciativas do governo americano contra as mudanças climáticas. A diferença para prisões anteriores da dupla é que, desta vez, o protesto aconteceu em Los Angeles, onde o Oscar será entregue no domingo (9/2), e não em Washington, capital dos EUA, onde as demonstrações anteriores aconteceram. Os manifestantes ocuparam a matriz da Maverick Natural Resources, uma empresa que explora gás na Califórnia, e marcharam até a prefeitura de Los Angeles. A atriz lidera protestos ambientais todas as sextas desde outubro de 2019. Ela já foi presa cinco vezes desde então. Para Phoenix, esta é a segunda prisão. Outros famosos que se juntaram às manifestações e acabaram presos foram Lily Tomlin, Sam Waterston, Martin Sheen — colegas de Fonda na série “Grace & Frankie” — Ted Danson, Diane Lane, Piper Perabo, Amber Valletta e Sally Field.
Diretora de For Sama, indicado ao Oscar 2020, protesta contra ONU
A cineasta Waad al-Kateab, diretora de “For Sama”, documentário sírio indicado ao Oscar 2020, protestou nesta quinta-feira (30/1) em frente à sede da ONU, após o anúncio do adiamento dos resultados de uma investigação sobre crimes de guerra na Síria. “Vergonha, ONU! Vergonha (secretário-geral António) Guterres! Vergonha!”, gritou a cineasta, cujo documentário sobre sua vida em Aleppo, sob bombardeio constante, tem vencido vários prêmios internacionais. Consagrado no Festival de Cannes, “For Sama” foi resultado da mistura de sua experiência pessoal e profissional em Aleppo. Waad deu à luz a sua filha Sama enquanto trabalhava como jornalista em meio à guerra civil no país. Além do sucesso do filme, suas reportagens para o noticiário do Channel 4 britânico foram reconhecidas com o prêmio Emmy americano. Seu marido e pai de Sama é médico. Por isso, ela se engajou na manifestação da ONG Medical for Human Rights e leu mensagens de médicos que testemunharam os danos causados pelo bombardeio de hospitais em áreas controladas por rebeldes na Síria. Em agosto, a ONU abriu uma investigação sobre alguns dos ataques, que Moscou nega ter realizado. A investigação deveria estar pronta no final de janeiro, mas foi adiada para meados de março. Waad al-Kateab teme que os resultados da investigação nunca sejam publicados, o que levaria a “mais desinformação em vez de dizer a verdade sobre o que está acontecendo na Síria”. Ela disse que não confia na ONU e em Guterres, e que a organização está “ajudando” a ofensiva do presidente Bashar al-Assad, no noroeste da Síria. “Eles devem aceitar sua responsabilidade. Eles são as Nações Unidas. Eles não devem tomar partido e ajudar o regime de Assad”, disse o cineasta.
César 2020: Novo filme de Polanski lidera lista de indicados ao “Oscar francês”
A Academia francesa ignorou a polêmica em torno do cineasta Roman Polanski para consagrar seu novo filme, “O Oficial e o Espião” (J’accuse), na lista de indicados ao César, o equivalente francês ao Oscar. O longa de Polanski sobre o julgamento histórico do militar judeu Alfred Dreyfus foi o que mais recebeu indicações ao prêmio, aparecendo 12 vezes na relação oficial. Com isso, superou “Os Miseráveis”, que disputa o Oscar de Melhor Filme Internacional, e outro favorito, “La Belle Époque”, de Nicolas Bedos. Ambos atingiram 11 indicações cada. “O Oficial e o Espião” teve sua estreia marcada por protestos feministas na França, após o surgimento de mais uma acusação de estupro contra o diretor, que, como as demais, teria acontecido há várias décadas. Polanski chegou a ser expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA em 2018, quando o movimento #MeToo relembrou seu caso e disparou acusações antigas. Na ocasião, o diretor chamou a atitude de hipocrisia, já que sua condenação por abuso de menor era pública desde os anos 1970, e isso não impediu a Academia americana de lhe consagrar com um Oscar, por “O Pianista” (2002). Contrariando a nova posição dos organizadores do Oscar, o presidente da Academia Francesa, Alain Terzian, disse que o César “não deve adotar posições morais”, ao anunciar os indicados nesta quarta-feira. “Se eu não estiver equivocado, 1,5 milhão de franceses assistiram ao filme”, completou. De fato, a estreia de “O Oficial e o Espião” foi a mais bem-sucedida da carreira de Polanski, batendo o recorde de público de sua trajetória como cineasta, apesar de enfrentar uma ameaça de boicote, depois que a fotógrafa Valentine Monnier disse à imprensa que Polanski a violentara em 1975, quando ela tinha 18 anos. O diretor negou a acusação por meio de seu advogado. Polanski é considerado foragido da Justiça dos Estados Unidos, onde em 1977 foi condenado de estuprar uma menor de 13 anos. Além das indicações ao César, “O Oficial e o Espião” também concorreu ao prêmio da Academia Europeia, mas perdeu. Em compensação, venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza no ano passado. O filme finalmente teve sua estreia no Brasil confirmada. “O Oficial e o Espião” chega por aqui em 13 de março. Já a cerimônia do César 2020 acontecerá em 28 de fevereiro, em Paris.
Joaquin Phoenix trocou festas do SAG Awards por vigília contra matadouro de porcos
Vegano desde criança e ativista atuante da causa animal, o ator Joaquin Phoenix trocou as festas badaladas do SAG Awards por uma participação num protesto contra um matadouro de porcos em Los Angeles. Após vencer o troféu do Sindicato dos Atores dos EUA, por seu papel em “Coringa”, Phoenix fez uma rápida passagem pela festa da revista People e pulou todos os demais eventos que o esperavam, preferindo se juntar a outros militantes numa vigília organizada pela ONG LA Animal Save, que ele frequenta com assiduidade. Sem trocar de roupa, ele apareceu com traje de gala, o mesmo que usou ao receber o SAG Award de Melhor Ator do ano, para pegar mangueiras de água e dar de beber a porcos que estavam presos em caminhões de um frigorífico. Uma ativista que transmitia ao vivo a manifestação pediu para o ator explicar porque ele resolveu aparecer lá, em vez de celebrar sua vitória com os demais atores de Hollywood. “Eu vim aqui porque eu preciso vir. A maioria das pessoas não sabe sobre as torturas e assassinatos da indústria [agropecuária]. E eu acho que nós temos a obrigação de falar sobre isso e expor o que a indústria realmente é. Nós somos bombardeados com essas imagens de animais felizes em fazendas e todo tipo de publicidade e isso é uma mentira. Eu acho que as pessoas precisam saber a verdade. E eu acho que é nossa obrigação expor isso e é por isso que eu tenho que vir aqui”, disse Joaquin. Veja abaixo o vídeo integral da manifestação. Joaquin Phoenix aparece após os 16 minutos.
Joaquin Phoenix é preso em manifestação contra mudanças climáticas
O ator Joaquin Phoenix, vencedor do recente Globo de Ouro 2020 por “Coringa”, foi preso nesta sexta (10/1) ao participar de mais um protesto organizado por Jane Fonda contra a mudança climática na frente do Capitólio, em Washington (EUA). Ele terá a companhia do ator Martin Sheen, que trabalha com Fonda na série “Grace and Frankie”, também detido na manifestação. Joaquin discursou para os manifestantes — que incluíam ainda as atrizes Maggie Gyllenhaal e Susan Sarandon — e aproveitou para chamar atenção para os malefícios causados pela agropecuária para o meio ambiente. “Eu não tenho nada preparado, mas acho que poucos falam nesses protestos sobre a indústria de carne e laticínios”, afirmou o ator, sendo aplaudido. “Às vezes nos perguntamos o que podemos fazer nesta luta contra a mudança climática, e você pode mudar já, hoje ou amanhã o que consome”, disse. Todos os manifestantes foram alertados pela polícia de que seriam presos caso não cooperarem com as autoridades e começassem a se dispersar. A multidão de hoje foi uma das maiores desde que Fonda começou seus protestos. Even the Joker believes in climate change! Joaquin Phoenix calls out the meat and dairy industry for being the 3rd leading cause of the climate crisis #FireDrillFriday pic.twitter.com/NpxdC7aU38 — Fire Drill Fridays (@FireDrillFriday) January 10, 2020
Ativistas se vestem como a Aliança Rebelde para protestar em première de Star Wars
A première de “Star Wars: A Ascensão Skywalker” em Londres foi invadida por demonstrações do grupo Extinction Rebellion, que encenou protestos contra o aquecimento global. Segundo o site oficial do grupo, vários voluntários do grupo compareceram à sessão realizada em Leicester Square vestidos como integrantes da Aliança Rebelde, movimento comandado pela princesa/general Leia (Carrie Fisher) na saga. O grupo se deitou no tapete vermelho (na verdade, azul) do evento, atraindo as lentes dos paparazzi. O objetivo do protesto foi “pedir para Hollywood criar narrativas que engajem o público na emergência climática”. “Os membros da indústria cinematográfica precisa usar a sua influência e seus poderes de contadores de histórias para ajudar as pessoas ao redor do mundo a entender a urgência da situação, e incentivar a discussão pública sobre o tema”, comentou Alfie Warren-Knight, um dos participantes do ato. Ele ainda lembrou um dos integrantes do elenco central da franquia. “No recente encontro de governos mundiais em Dubai, Harrison Ford disse: ‘Estamos diante daquilo que eu acredito ser a maior crise moral dos nossos tempos”. “Como os rebeldes de ‘Star Wars’, estamos engajados em uma luta contra forças sombrias e destrutivas, que já estão matando milhares de pessoas, e ameaçando o colapso da nossa civilização no futuro”, completou Tom Richards. A manifestação foi breve e os ativistas foram rapidamente removidos do tapete vermelho do filme. Mas deixaram seu recado de forma bem visível para Hollywood.
Sally Field é presa em protesto pelo meio ambiente nos Estados Unidos
A atriz Sally Field se juntou ao grupo de celebridades de Hollywood presas durante as manifestações programadas por Jane Fonda nas sexta-feiras em Washington. Segundo o site TMZ, a atriz foi presa por fazer um pronunciamento público em um púlpito, discursando sobre a importância da preocupação com o meio ambiente, o futuro verde e o aquecimento global, citando até o filme que lhe rendeu um Oscar, “Norma Rae” (1979), como inspiração. Os policiais decidiram levá-la para a delegacia porque ela estava discursando nos degraus de um prédio governamental. Com ela, outras pessoas também foram detidas. Jane Fonda, que estava no protesto com Sally Field, desta vez saiu ilesa. A atriz já tinha sido presa quatro vezes ao participar das manifestações contra a falta de iniciativa ambiental do governo americano. This is a possibility that is actually happening, we need to get out of our comfort zones now! – @sally_field #firedrillfriday pic.twitter.com/1qNEfRfn12 — Fire Drill Fridays (@FireDrillFriday) December 13, 2019 Thank you to @sally_field who was just arrested on the US Capitol steps with #FireDrillFriday taking action demanding a just transition! pic.twitter.com/T54vKME0Ve — Fire Drill Fridays (@FireDrillFriday) December 13, 2019
Artistas estrangeiros vestem camisetas com pôsteres do cinema brasileiro em protesto internacional
O diretor Kleber Mendonça Filho (“Bacurau”) publicou em suas redes sociais duas fotos de um protesto internacional contra a decisão da Agência Nacional de Cinema (Ancine) de retirar cartazes de filmes nacionais de sua sede e interromper a divulgação de eventos e obras brasileiras em seu site. A foto principal reúne os integrantes do júri do Festival de Cinema de Marrakesh, no Marrocos, vestindo camisetas estampadas com pôsteres do cinema nacional. Os manifestantes ao lado diretor brasileiro são o cineasta australiano David Michot (“O Rei”), a diretora francesa Rebecca Zlotovsky (“Além da Ilusão”), a diretora inglesa Andrea Arnold (“Aquário”), o diretor afegão Atiq Rahimi (“A Pedra da Paciência”), o documentarista marroquino Ali Essafi (“Sheikhates Blues”), a atriz francesa Chiara Mastroianni (“3 Corações”) e a inglesa Tilda Swinton (“Suspiria”), que também aparece numa segunda imagem ao lado de Mendonça Filho. As manifestações da classe artística contra o ato da Ancine começaram na quarta-feira (4/12), dia em que a Agência interrompeu a divulgação dos filmes nacionais. A instituição já se manifestou sobre o assunto, afirmando que a ação visa a isonomia, impessoalidade e o interesse público ao não favorecer determinadas obras sobre outras. Fato é que, sob o governo Bolsonaro, o cinema brasileiro parece enfrentar uma batalha nova por semana, geralmente envolvendo uma ação deliberada de censura, cometida sob a desculpa paradoxal de que não se trata de censura, mas outro nome para a mesma coisa. Cada vez mais consagrado no exterior, o cinema nacional sofreu diversos revezes em 2019 na esfera pública federal – inclusive nas instituições que existem para incentivá-lo. Ver essa foto no Instagram Essa semana a Ancine tirou das suas paredes cartazes dos filmes brasileiros que a instituição sempre promoveu como parte da sua missão. O júri oficial do #festivaldemarrakech composto por atrizes, roteiristas, cineastas e escritores mandou fazer camisas para vestir no peito cartazes de filmes brasileiros e assim mostrar apoio ao Cinema Brasileiro. A comunidade internacional está de olho. Com David Michot (Austrália), REBECCA ZLOTOWSKI (França), eu, Tilda Swinton (Escócia), Chiara Mastroianni (Itália/França), ATIQ RAHIMI (Afeganistão/França), Andrea Arnold (Inglaterra)e ALI ESSAFI (Marrocos). ——— It was widely reported this week that at the Brazilian Film Agency Ancine all Brazilian film posters were taken down from walls and from its official site. Ancine’s mission has always been for almost 20 years to regulate and promote Brazilian cinema. The jury at the Marrakech International Film Festival composed by actors, screenwriters and filmmakers shows solidarity wearing some of those posters on this picture taken yesterday. With Tilda Swinton, REBECCA ZLOTOWSKI, Chiara Mastroianni, David Michot, ATIQ RAHIMI, Andrea Arnold e ALI ESSAFI. #cinemabraaileiro aidentidadedocinemabrasileiro #Ancinesemfilmeesemcartaz #brasilnocinema #ocinemabrasileiroemcartaz #audiovisualbrasileiro #conteudobrasileiro #acaradocinemabrasileiro Uma publicação compartilhada por Kleber Mendonça Filho (@kleber_mendonca_filho) em 7 de Dez, 2019 às 7:17 PST Ver essa foto no Instagram Com Rojas, Dutra, Coutinho e Tilda. Uma publicação compartilhada por Kleber Mendonça Filho (@kleber_mendonca_filho) em 7 de Dez, 2019 às 7:22 PST
Roman Polanski cancela aula que daria em sua antiga faculdade após protestos de estudantes
O cineasta Roman Polanski cancelou uma palestra/aula de cinema que daria numa universidade da Polônia após protestos de estudantes e funcionários. Ele havia sido convidado pelo Instituto de Cinema de Lodz, onde estudou durante a juventude. Mas o convite rendeu manifestações com cartazes que o chamavam de “estuprador” e uma petição online com várias assinaturas contra sua presença. “Como qualquer outra entidade educacional, nossa escola de cinema deve ser um lugar onde a violência sexual é condenada”, diz um trecho do abaixo-assinado contra a presença do cineasta, condenado por estupro nos EUA nos anos 1970. Radicado na França desde 1978, para onde fugiu antes do anúncio de sua sentença, Polanski se formou pelo Instituto de Cinema de Lodz, que lhe concederia mais tarde o título de doutor honoris causa. Polanski também tem um Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, concedido em 2003 por “O Pianista”, além de uma Palma de Ouro pelo mesmo filme no Festival de Cannes, um Urso de Ouro (por “Cul-de-sac”) e vários Ursos de Prata no Festival de Berlim, uma coleção de Césars (o Oscar francês), BAFTAs (o Oscar britânico) e ainda venceu o Prêmio do Juri no último Festival de Veneza por seu filme mais recente, “An Officer and a Spy” (J’accuse). Mariusz Grzegorzek, reitor da universidade, divulgou uma nota em devesa do convite ao realizador: “Roman Polanski é um grande artista do cinema, nosso aluno mais destacado. Ele sempre expressou enorme respeito por nossa escola. Devemos a ele muita gratidão”, escreveu. O conselho de estudantes da escola de cinema também emitiu um comunicado sobre o ocorrido: “Nós não somos um tribunal. Não nos compete julgar Roman Polanski. Estamos preocupados com os relatórios da imprensa afirmando que toda a comunidade estudantil está contra o planejado encontro com o maior ex-aluno de nossa universidade. Nós respeitamos todos vocês, e todos têm o direito de se expressar. No entanto, não concordamos com as emoções ditadas pelo ódio, que parecem cada vez mais substituir o discurso racional”, diz trecho da nota. O lançamento do novo filme de Polanski também enfrentou protestos em Paris, mas isso não impediu “J’accuse” de se tornar a maior estreia da carreira do veterano diretor na França. “An Officer and a Spy” (J’accuse) não tem previsão de lançamento no Brasil.
Astro mirim de Young Sheldon se junta a Jane Fonda em protesto ambiental nos EUA
O protesto semanal da veterana atriz Jane Fonda (“Grace & Frankie”) em Washington, nos Estados Unidos, por mudanças nas políticas climáticas do governo americano, contou com a participação de seu ativista mais novo, o ator Iain Armitage, estrela da série “Young Sheldon”, de apenas 11 anos de idade. Os dois trabalharam juntos no filme “Nossas Noites” (Our Souls at Night), de 2017, em que viveram vovó e netinho. Além do pequeno Sheldon televisivo, também participaram do novo protesto os netos verdadeiros da atriz de 81 anos e o ator Paul Scheer (de “Veep”), que acabou se tornando o preso da semana – junto com outras 37 pessoas. Armitage também falou no evento e mais tarde usou sua conta pessoal no Twitter para compartilhar uma foto da manifestação em frente ao prédio do Capitólio. Veja abaixo. Jane Fonda vem inspirando uma série de atores a se juntarem à causa ambiental. Nas manifestações das últimas semanas, os atores Ted Danson (“The Good Place”) e Sam Waterston (seu colega na série “Grace & Frankie”) e as atrizes Diane Lane (a mãe da Superman nos filmes da DC), Piper Perabo (“Covert Affairs”) e Amber Valletta (“Revenge”) também foram presos enquanto a acompanhavam. Here we are! @Janefonda @FireDrillFriday pic.twitter.com/tvdatGBjYS — Iain Armitage (@IainLoveTheatre) November 29, 2019
Diane Lane, Piper Perabo e Amber Valletta são presas em protesto nos Estados Unidos
As atrizes Diane Lane (a mãe da Superman nos filmes da DC), Piper Perabo (“Covert Affairs”) e Amber Valletta (“Revenge”) fora presas nesta sexta (22/11) durante protesto da campanha Fire Drill Fridays, que organiza demonstrações semanais em Washington, exigindo que o governo americano adote medidas de combate ao aquecimento global. A organização ganhou notoriedade graças à participação de Jane Fonda nos protestos. A atriz de 81 anos foi presa por três semanas seguidas, e continua comparecendo às demonstrações, agora evitando os policiais. As três atrizes presas no protesto desta semana não tiveram a mesma sorte que Fonda e o ator Manny Jacinto, conhecido pelo papel de Jason na série “The Good Place”, que também compareceu à manifestação e — assim como Fonda — conseguiu evitar a prisão.
Manifestantes impedem première do novo filme de Polanski na França
Um grupo de cerca de 40 manifestantes bloqueou a entrada de um cinema que receberia a première de “An Officer and a Spy” (J’Accuse), novo filme de Roman Polanski, na noite de terça-feira (12/11) em Paris, resultando no cancelamento da exibição. Vestindo preto e equipado com sinalizadores vermelhos e cartazes com os nomes das mulheres que acusaram o diretor de estupro, o grupo se manifestou por cerca de uma hora em frente ao cinema Le Champo, até a sessão ser cancelada. Mas essa não foi a première principal do longa. A sessão de gala aconteceu na mesma hora no cinema UGC Normandie, nos Champs-Elysées, com a presença de Polanski, sem encontrar protestos semelhantes. Polanski foi recentemente acusado por um fotógrafa francesa, Valentine Monnier, de estuprá-la em seu chalé suíço em 1975. Ele negou as acusações por meio de seu advogado. Mas ela é a sexta mulher a acusar o diretor de violência sexual cometida nos anos 1970. O vencedor do Oscar vive na França desde que fugiu dos EUA em 1978, no meio de um julgamento em que se declarou culpado de fazer sexo com uma garota de 13 anos. Monnier disse que resolveu revelar o estupro justamente devido à estreia de “An Officer and a Spy” (J’accuse), em que Polanski filma um famoso erro judicial francês, o caso Dreyfus, em que um inocente é injustamente condenado por um crime que não cometeu. O diretor já teceu comentários comparando-se a Dreyfus. O longa foi lançado no Festival de Cinema de Veneza, onde venceu o Prêmio do Grande Júri. Na semana passada, o filme foi indicado a quatro European Film Awards pela Academia Europeia. Mas quanto mais prestígio conquista a obra, mais intensos se tornam os protestos. No início desta semana, o ator Jean Dujardin, indicado a Melhor Ator Europeu por “An Officer and a Spy”, cancelou uma entrevista com a principal emissora francesa, TF1, alegando que não queria responder perguntas sobre novas acusações contra Polanski. Também na terça-feira, embora sem mencionar Polanski pelo nome, a Associação Francesa de Cineastas, ARP, divulgou um comunicado dizendo que “apoia fortemente todas as vítimas de violência moral e sexual” e que “deve levar em conta que nossas profissões, pelo poder que exercem, podem abrir a porta a excessos repreensíveis ”. A declaração ainda avisa que a ARP “proporá ao próximo conselho de administração que, a partir de agora, qualquer membro considerado culpado de uma ofensa sexual seja excluído e que qualquer membro denunciado pelo mesmo motivo seja suspenso”. Polanski é membro da organização. “An Officer and a Spy” estreia comercialmente nesta quarta (13/11) na França, sob campanha de boicote de vários grupos de pressão. Não há previsão para seu lançamento no Brasil. Vale lembrar que manifestantes também impediram a première de outro filme europeu na semana passada, por motivos bem diferentes e num espectro político oposto na escala do radicalismo cultural. Manifestantes de extrema direita atacaram o público da estreia do premiado “And Then We Danced”, de Levan Akin, em Tbilisi, capital da Geórgia, por prestigiarem uma história de amor LGBTQIA+, entre dois jovens dançarinos georgianos de balé. Eles também querem impedir o filme vencedor de prêmios internacionais de ser exibido nos cinemas do país.












