“A Freira 2” e “Angela” são as principais estreias de cinema do feriadão
Terror “A Freira 2” é a principal estreia do feriadão, que também vai receber o drama true crime brasileiro “Angela” e a animação “A fada do Dente”. Os demais lançamentos acontecem em circuito limitado. Confira abaixo os trailers e mais detalhes. A FREIRA 2 O terror é uma continuação do sucesso de 2018, que se tornou o título de maior bilheteria da franquia “Invocação do Mal” com US$ 365,5 milhões arrecadados ao redor do mundo. A sequência volta a trazer Taissa Farmiga como a Irmã Irene, novamente enfrentando a freira demoníaca Valak (Bonnie Aarons). Ambientado em 1956, alguns anos após o primeiro longa, a história começa com o amigo de Irmã Irene, Maurice (Jonas Bloquet), sendo possuído por Valak. Após um terrível evento na escola francesa onde Maurice trabalha, Irene se envolve na investigação, ajudada por uma nova freira, interpretada pela atriz Storm Reid (“Euphoria”). A direção é de de Michael Chaves, que fez sua estreia com “A Maldição da Chorona” e comandou “Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio” (2021), a mais recente produção desse universo de terror. A produção continua a cargo de James Wan, diretor dos dois primeiros “Invocação do Mal”, e Peter Safran, atual responsável pelo DC Studios ao lado de James Gunn. O roteiro foi escrito por Akela Cooper (“Maligno”) e revisado por Ian Goldberg e Richard Naing (ambos de “Fear the Walking Dead”). ANGELA O filme de true crime mais esperado do ano traz Isis Valverde (“Simonal”) como Angela Diniz, socialite vítima de violência doméstica, que foi assassinada pelo próprio marido. O crime cometido por Raul “Doca” Street tornou-se um divisor de águas no movimento feminista e no Direito brasileiros. Durante o julgamento do assassino, que deu quatro tiros no rosto da companheira em dezembro de 1976, no auge de uma discussão na Praia dos Ossos, em Búzios, Rio de Janeiro, a defesa alegou “legítima defesa da honra” para tentar absolvê-lo do caso. Ele alegou ter matado “por amor”. O argumento gerou polêmica. Militantes feministas organizaram um movimento cujo slogan – “quem ama não mata” – tornou-se, anos mais tarde, o título de uma minissérie da Globo. Até o grande poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) se manifestou: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”, referindo-se à estratégia da defesa de culpabilizar Angela Diniz por seu próprio assassinato. A tese da “legítima defesa da honra” constava no Código Penal da época, mas mesmo assim Doca Street foi condenado a 15 anos de prisão. Na década seguinte, a nova Constituição, elaborada ao fim da ditadura, acabou com essa desculpa para o feminicídio, mas só agora, em agosto de 2023, o STF (Supremo Tribunal Federal) a tornou oficialmente inconstitucional. Com boa recriação dos anos 1970, o diretor Hugo Prata (“Elis”) mostra o machismo da época e a dificuldade de Leila Diniz para se desvencilhar do marido violento, com medo de ser “malvista” pela sociedade. O elenco ainda destaca Gabriel Braga Nunes (“Verdades Secretas”) no papel de Doca Street, além de Bianca Bin (“O Outro Lado do Paraíso”), Emílio Orciollo Netto (“O Mecanismo”), Chris Couto (“Não Foi Minha Culpa”), Gustavo Machado (“A Viagem de Pedro”) e Carolina Manica (“Vale dos Esquecidos”). A FADA DO DENTE A animação germano-luxemburguesa segue Violetta, uma fada atrevida, que entra clandestinamente no mundo humano. Por acaso, ela conhece uma menina de 12 anos, Maxie, que se sente perdida na cidade e que tem como maior desejo voltar para o campo. As dois fecham um acordo secreto, mas os planos não saem como planejado. A trama explora temas de pertencimento e identidade através das protagonistas, retratadas como desajustadas em seus respectivos mundos. O filme também introduz um vilão, Rick, que tem planos para demolir uma estufa urbana que contém uma árvore crucial para o retorno de Violetta ao seu mundo. A narrativa incorpora elementos contemporâneos ao imaginar o ofício das fadas dos dentes como uma operação de entrega semelhante a uma big-tech. Primeiro longa dirigido por Caroline Origer (da série “Polo”), a animação se destaca por seus elementos visuais, embora seja nítida a falta de complexidade temática em comparação com obras similares dos EUA. NOSSO AMIGO EXTRAORDINÁRIO A comédia de Marc Turtletaub (“O Quebra-Cabeça”) oferece a Ben Kingsley (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”) um papel ímpar como Milton, um idoso cuja vida segue uma rotina monótona. Participando assiduamente das reuniões do conselho municipal e cuidando de seu jardim, Milton tem sua vida drasticamente alterada quando um disco voador cai em seu quintal. Inicialmente desacreditado pelos habitantes locais, ele resolve abrigar o visitante alienígena, interpretado por Jade Quon (“Raze: Lutar ou Correr”). Duas mulheres do círculo municipal, interpretadas por Harriet Sansom Harris (“Lobisomem na Noite”) e Jane Curtin (“As Donas do Pedaço”), acabam se envolvendo na trama ao perceber a chegada suspeita de agentes do governo na cidade. A narrativa se distingue de outros filmes do gênero alienígena por focar em personagens idosos que encontram afinidade com o status de “forasteiro” do extraterrestre. O filme explora temas como isolamento na terceira idade e a busca por autonomia, conferindo complexidade aos personagens sem recorrer a caricaturas. Ao longo da história, os protagonistas vivem momentos que vão de humor leve a introspecções sobre envelhecimento e amizade. Trata-se basicamente de “E.T. – O Extraterrestre” com um grupo demográfico muito diferente. LOBO E CÃO Ambientado na ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, a primeira ficção da documentarista portuguesa Cláudia Varejão (“No Escuro do Cinema Descalço os Sapatos”) é um drama queer adolescente, estrelado por um elenco sem experiência anterior, e premiado na seção Jornada dos Autores do Festival de Veneza do ano passado. A trama segue Ana (Ana Cabral), uma jovem que busca romper com as restrições de gênero impostas pela sua comunidade tradicional e religiosa. Ana encontra amizade e apoio em Luis (Ruben Pimenta), seu amigo abertamente gay, e em Chloe (Cristiana Branquinho), uma amiga que vem do Canadá. O irmão mais velho de Ana envolve-se com atividades ilegais, trazendo outra camada de complexidade à história. Claudia Varejão, com experiência em documentários, utiliza uma abordagem que combina neorrealismo e experimentação, capturando a vida cotidiana dos personagens com uma câmera que se torna cada vez mais experimental à medida que o filme avança. O trabalho de Rui Xavier como diretor de fotografia também é notável, trazendo à tela a atmosfera e a paisagem do local. A obra foi bem-recebida por tratar de maneira positiva e esperançosa a comunidade LGBTQIA+ em um contexto de isolamento e conservadorismo religioso. Sem recorrer a dramatizações excessivas, foca em microagressões e breves explosões de discurso de ódio, equilibrando a narrativa com momentos que celebram a resiliência e a quebra de barreiras sociais. NÍOBE O thriller político de ação, escrito e dirigido por Fernando Mamari (“Delirius Insurgentes”), se passa num país fictício da América do Sul, onde se fala português com sotaque carioca, e aborda um dia crucial na vida dos poderosos locais, incluindo o presidente da república, interpretado por Kadu Moliterno (“Topíssima”), e um general de alto escalão, vivido por Roberto Pirillo (“Magnífica 70”). O ponto central da trama é um encontro promovido por um empresário influente, cujo objetivo é explorar território indígena para a extração de minerais. No decorrer da noite, um grupo de prostitutas de luxo, liderado por Rita (Bárbara França, ex-“Malhação”), começa a ter uma influência imprevista nos resultados das negociações. André Ramiro (“Ilha de Ferro”) também está no elenco, ao lado de Breno de Filippo (“Dom”) e atores menos conhecidos. A produção da Pajé Cultura combina ação, com muitos tiros e violência, e crítica à corrupção dos poderes constituídos, conforme, de forma inesperada, o destino de um país inteiro vai parar nas mãos de sete prostitutas que não têm medo de aproveitar a oportunidade. Apresentado no Ventana Sur, recebeu o Chemistry Award para serviços de pós-produção. UM POUCO DE MIM, UM POUCO DE NÓS O diretor André Bushatsky (“A História do Homem Henry Sobel”) revisita a Segunda Guerra Mundial pelos depoimentos de sobreviventes do Holocausto que conseguiram escapar do pesadelo nazista e reconstruíram suas vidas no Brasil. O documentário também procura esclarecer porque a História tem a mania de se repetir e o que se pode fazer para garantir que os mesmos erros não se repitam. EU DEVERIA ESTAR FELIZ O documentário de Clauda Priscilla, diretora do premiado “Bixa Travesty” (2018), aborda a depressão pós-parto a partir da realidade de quatro mulheres que passaram por isso.
Animação das “Tartarugas Ninja” é principal estreia de cinema da semana
A aguardada animação das “Tartarugas Ninja” chega em mais de mil telas nesta quinta-feira, trazendo a versão mais elogiada dos icônicos personagens. Em rara iniciativa, a comédia nacional “O Porteiro” ficou com a segunda maior distribuição, chegando em 430 salas. Além disso, a programação ainda destaca o terror “Toc Toc Toc – Ecos do Além” e, na opção cinéfila, a premiada produção europeia “As 8 Montanhas”, entre muitas outras opções. São 11 títulos ao todo, que podem ser conferidos com maiores detalhes a seguir. AS TARTARUGAS NINJA – CAOS MUTANTE A nova animação das “Tartarugas Ninja” é mais divertida que todas as outras adaptações, mostrando os protagonistas como adolescentes atrapalhados com suas habilidades ninja. A produção também é muito mais bonita, ressaltando um visual estilizado que lembra rabiscos de quadrinhos, a cargo dos diretores Jeff Rowe e Kyler Spears (da também bela “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas”). Diferentemente das versões anteriores que seguiram uma abordagem mais séria, “Caos Mutante” opta por seguir o estilo anárquico e punk underground dos quadrinhos originais de Kevin Eastman e Peter Laird. Com roteiro de Seth Rogen e Evan Goldberg (responsáveis por “The Boys”), o desenho acompanha as tartarugas que lutam contra o crime, que depois de um tempo agindo nas sombras – e nos esgotos – decidem conquistar os corações dos nova-iorquinos e serem aceitos como adolescentes normais – ou super-heróis. Com a ajuda da repórter estudantil April O’Neil, eles armam um plano para desbaratar um misterioso sindicato do crime, mas em vez disso se veem lutando contra um exército de mutantes. Além dos conflitos físicos, a trama também explora questões de aceitação e pertencimento, com um toque humorístico baseado na impulsividade adolescente dos personagens. Quem optar por assistir legendado, vai ouvir um elenco de dubladores famosos. A produção destaca ninguém menos que o astro chinês Jackie Chan (“O Reino Proibido”) como voz do mestre das artes marciais Splinter, o rato que ensina as tartarugas mutantes a se tornarem ninjas, Ayo Edebiri (“O Urso”) como April O’Neil, Paul Rudd (o Homem-Formiga) como Mondo Gecko, John Cena (o Pacificador) como Rocksteady, Seth Rogen (“Vizinhos”) como Bebop, Rose Byrne (“Vizinhos”) como Leatherhead, Giancarlo Esposito (“Better Call Saul”) como Baxter Stockman, Natasia Demetriou (“What We Do in the Shadows”) como Wingnut, Hannibal Burres (“Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”) como Genghis Frog, Maya Rudolph (“Desencantada”) como Cynthia Utrom e os rappers Post Malone (“Infiltrado”) e Ice Cube (“Policial em Apuros”) como Ray Fillet e Superfly. Já os interpretes do quarteto quelônio são os jovens Micah Abbey (“Cousins for Life”), Shamon Brown Jr. (“The Chi”), Nicolas Cantu (“The Walking Dead: World Beyond”) e Brady Noon (“Virando o Jogo dos Campeões”), respectivamente como as vozes de Donatello, Michelangelo, Leonardo e Raphael. TOC TOC TOC – ECOS DO ALÉM O terror explora a atmosfera tensa e misteriosa de uma casa aparentemente comum, na qual mora o jovem Peter (Woody Norman, visto recentemente em “Drácula: A Última Viagem do Deméter”), um garoto que começa a ouvir vozes vindas das paredes. O roteiro desenvolve um clima de suspense e dúvida sobre os ruídos, enquanto os pais do garoto, interpretados por Lizzy Caplan (“Atração Fatal”) e Antony Starr (“The Boys”), desconsideram as preocupações do filho como frutos de sua imaginação. A trama ganha novas camadas de complexidade quando a professora substituta de Peter, Miss Divine (Cleopatra Coleman, de “O Último Cara na Terra”), decide fazer uma visita não anunciada à sua casa, instigada por um desenho preocupante feito pelo garoto. Essa visita aprofunda as suspeitas sobre o bem-estar do menino. Dirigido pelo estreante Samuel Bodin, o filme desafia as convenções do gênero ao jogar com as expectativas do público e questionar a confiabilidade dos adultos na trama. Inicialmente, atribui-se às vozes um caráter sobrenatural ou imaginativo, mas à medida que a história avança, surgem suspeitas sobre os verdadeiros antagonistas da trama, com reviravoltas feitas para manter o interesse do público no mistério. O PORTEIRO Baseada em uma peça que já levou mais de 100 mil espectadores ao teatro, a comédia gira em torno de Waldisney, um porteiro nordestino interpretado por Alexandre Lino (“Minha Fama de Mau”). A trama acontece em um condomínio repleto de vizinhos problemáticos no bairro Flamengo, no Rio de Janeiro, e foca nas peripécias de Waldisney e da zeladora Rosival, vivida por Cacau Protásio (“Vai que Cola”), para manter a ordem. Narrado de forma episódica, o filme apresenta diferentes interações dos moradores do prédio com o porteiro e ainda faz uma homenagem à Paulo Gustavo e “Minha Mãe É uma Peça”. A história se passa no mesmo edifício da franquia, um tempo após Dona Hermínia ter se aposentado do cargo de síndica. Com direção de Paulo Fontenelle (“Divã a 2”), também inclui no elenco Maurício Manfrini, Aline Campos, Daniela Fontan, o lutador José Aldo e a influenciadora Raissa Chaddad. TPM! MEU AMOR A comédia gira em torno de Monique, interpretada por Paloma Bernardi (“Os Parças”), uma enfermeira da ala pediátrica que enfrenta variações de humor associadas à tensão pré-menstrual. Escrito por Jaqueline Vargas (“Sessão de Terapia”) e dirigido por Eliana Fonseca (“Eliana em O Segredo dos Golfinhos”), o longa explora os efeitos da TPM na vida da protagonista, não apenas no âmbito hormonal, mas também em um ambiente de trabalho marcado pelo machismo estrutural. Até que entra em cena o apelo da fantasia, que dá origem a uma nova personalidade criada pela TPM, dividindo sua vida entre uma versão gentil e contida e outra mais assertiva e sexy – ao estilo de Jerry Lewis no clássico “O Professor Aloprado” (1963). O filme também destaca o contraste entre um círculo de apoio feminino e o universo masculino, frequentemente representado por personagens com comportamentos prejudiciais às mulheres. Mas a opção pelo besteirol não permite grandes aprofundamentos. Além de Paloma Bernardi, o elenco inclui Maria Bopp, Marisa Bezerra, Teca Pereira, entre outros. AS 8 MONTANHAS O drama europeu explora a relação duradoura entre dois amigos, Pietro e Bruno, nascida na majestosa paisagem dos Alpes Italianos. Conhecidos desde a infância, quando os pais de Pietro alugaram uma casa na região de Aosta onde Bruno era o único outro jovem, os personagens descobrem com o tempo o quanto as montanhas também são um personagem crucial em suas vidas. Bruno (Alessandro Borghi) permanece na região, enquanto Pietro (Luca Marinelli) torna-se um nômade que viaja pelo mundo, mas encontra um lar espiritual nas colinas do Himalaia. Este amor pelas altitudes se fortalece após a morte do pai de Pietro, que leva os dois amigos a se reconectarem para realizar um sonho dele: a construção de uma cabana em um terreno montanhoso. Após anos de afastamento, os dois homens se reencontram com visões de vida bastante distintas, mas a construção desse abrigo na montanha se torna uma experiência catártica, ajudando Pietro e Bruno a cicatrizarem feridas emocionais e a revitalizarem sua amizade. O filme tem direção do cineasta Felix van Groeningen, que ficou conhecido por “Alabama Monroe”, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014. No novo filme, ele divide a direção com sua esposa, Charlotte Vandermeersch, que estreia na função após ajudar a escrever “Alabama Monroe”. A parceria conquistou o Prêmio do Júri do Festival de Cannes do ano passado e o David di Donatello (o Oscar italiano) de Melhor Filme Italiano de 2022. Mas o principal destaque nas premiações foi o belíssimo trabalho de direção de fotografia de Ruben Impens (que também fez “Alabama Monroe” e “Titane”), premiado no David di Donatello pela forma eloquente com que capturou a majestosidade das paisagens alpinas. GOLDA – A MULHER DE UMA NAÇÃO A cinebiografia coloca sob os holofotes um período crítico da vida da ex-Primeira-Ministra de Israel, Golda Meir, interpretada por Helen Mirren (“A Rainha”), durante a Guerra do Yom Kippur em 1973. Naquela data sagrada do calendário judaico, Egito e Síria lançaram um ataque surpresa contra Israel, colocando o país e seu governo em estado de alerta. A abordagem do diretor israelense Guy Nattiv (vencedor do Oscar com o curta-metragem “Skin” em 2019) é particular em sua escolha de focar na sala de guerra e nas decisões de Meir e seu gabinete, ao invés de mostrar as cenas de batalha em si – uma decisão que dividiu opiniões. O filme limita a visão do espectador aos relatos e sons de batalha que chegam aos ouvidos de Meir e seus ministros. Esta escolha narrativa visa dar mais peso aos conflitos internos do gabinete israelense e às decisões tomadas pela Primeira-Ministra durante esse período tumultuado, em particular seus apelos a Henry Kissinger, Secretário de Estado dos EUA, interpretado por Liev Schreiber (“Ray Donovan”). Nesses momentos cruciais, detalhes como tratamentos de linfoma de Meir são trazidos à narrativa, não como exposição de fraquezas, mas como camadas adicionais à personagem, que ainda precisa continuar com suas responsabilidades, mesmo sob tratamento médico. A transformação física de Helen Mirren é o aspecto mais notável da produção, envolvendo maquiagem e caracterização detalhadas, que mudam completamente a fisionomia da atriz britânica para deixá-la parecida com a personagem retratada. FLUXO Dirigido e escrito por André Pellenz (“Detetives do Prédio Azul: O Filme”), o longa foi rodado à distância, com o diretor longe do set, em sua casa, durante a quarentena da covid-19 e apresenta seu drama em preto e branco, inspirado no cinema existencial de Antonioni. O enredo gira em torno de um casal em crise interpretado por Gabriel Godoy (“Rota 66: A Polícia que Mata”) e Bruna Guerin (“Meu Álbum de Amores”). Eles se veem confinados durante um lockdown no momento em que seu relacionamento é posto à prova. Embora queiram se separar, a situação não permite. A trama ainda apresenta um contexto político, com o surgimento de um governo de ultradireita planejando um golpe de estado, aumentando as tensões da história. A obra foi influenciada pelo cancelamento do lançamento de um filme anterior de Pellenz, “Os Espetaculares”, e manteve a produção cinematográfica ativa em um período especialmente desafiador para o setor. Seu elenco adicional conta com nomes como Cássio Gabus Mendes, Silvero Pereira, Guida Vianna, Ronaldo Reis, Alana Ferri e Monika Saviano. Toda a equipe trabalhou remotamente, por conversas de vídeo, e os atores precisaram abraçar múltiplos papéis, inclusive como operadores de câmera. PRESOS NA FLORESTA – FUJA SE FOR CAPAZ O thriller de sobrevivência colombiano acompanha um casal em vias de separação, Josh (Allan Hawco, da série “Frontier”) e Sofia (Carolina Gaitán, da série “MalaYerba”). Ao viajar para uma conferência médica em Bogotá, os dois acabam decidindo fazer uma caminhada não recomendada pelos guias turísticos e acabam em uma situação crítica em Las Arenas, uma área perigosa da selva colombiana. Eles ficam presos em areia movediça, forçados a enfrentar não apenas os elementos da natureza, como um clima adverso e a fauna perigosa, mas também os problemas do seu relacionamento fracassado. O enredo é carregado de simbolismo, usando o obstáculo físico da areia movediça como uma metáfora para os desafios emocionais e conjugais pelos quais os personagens estão passando. Uma vez que ficam fisicamente presos, o roteiro entra em um ritmo mais lento, focando-se em escassos encontros com animais peçonhentos e condições climáticas difíceis, enquanto permite que o casal revele mais sobre o passado e as circunstâncias que levaram ao desgaste do relacionamento. A direção é do colombiano Andres Beltran (“MalaYerba”). ITHAKA – A LUTA DE ASSANGE O documentário concentra-se na luta de Stella Moris Assange, esposa do fundador do WikiLeaks Julian Assange, e John Shipton, pai de Assange, para libertá-lo da prisão de segurança máxima Belmarsh, na Grã-Bretanha, e impedir sua extradição para os Estados Unidos. A obra destaca principalmente a questão de se Assange está sendo processado por roubo de segredos de Estado ou por publicá-los, e levanta preocupações sobre a liberdade de imprensa e a perseguição a jornalistas investigativos. A produção traça um histórico detalhado das acusações e ações legais enfrentadas por Assange desde 2010, quando o WikiLeaks divulgou quase 750 mil arquivos militares e diplomáticos, vazados pela analista...
Festival de Veneza começa em meio à greves e polêmicas
O 80º Festival de Veneza, que começa nesta quarta (30/8) em meio às greves dos roteiristas e atores de Hollywood, terá poucos astros por causa da situação, mas seus filmes prometem dar muito o que falar, inclusive em termos de controvérsias, já que entre os títulos selecionados estão obras de diretores “cancelados” como Roman Polanski, Woody Allen e Luc Besson. Diretores polêmicos Polanski, que fugiu dos EUA em 1978 após ser condenado por agressão sexual a uma adolescente, apresentará seu novo filme, “The Palace”, fora da competição. Woody Allen traz “Coup de Chance”, e Luc Besson estreará “DogMan” na competição. Todos os três cineastas foram alvo de alegações de abuso e, no contexto do movimento #MeToo, também sofreram campanhas de cancelamento online. No entanto, apenas Polanski foi acusado formalmente de um crime. Woody Allen foi considerado inocente das alegações de abuso de sua filha adotiva nos anos 1990 e os tribunais franceses rejeitaram repetidamente as acusações contra Besson, inclusive recentemente descartando um caso envolvendo uma suposta agressão a uma atriz belga. Na ocasião do anúncio da programação, Alberto Barbera, diretor do festival, defendeu a escolha. “O caso Polanski [tem sido] debatido há 50 anos. Não entendo por que não se pode distinguir entre as responsabilidades do homem e as do artista”, disse ele. “Polanski tem 90 anos, é um dos poucos mestres em atividade, fez um filme extraordinário… Pode ser o último filme de sua carreira, embora eu espero que ele faça como [Joaquim] de Oliveira, que fez filmes até os 105 anos. Eu me posiciono firmemente entre aqueles que no debate distinguem [entre] a responsabilidade do homem e a do artista.” Filmes descancelados “The Palace”, de Polanski, é descrito como uma comédia negra ambientada em um luxuoso hotel suíço na véspera de Ano Novo em 1999. O elenco inclui John Cleese, Luca Barbareschi, Oliver Masucci, Fanny Ardant e Mickey Rourke. Já “Coup de Chance”, de Allen, é o primeiro filme do diretor em francês. Nos últimos anos, Allen encontrou dificuldades para garantir financiamento nos EUA para seus filmes, após as alegações de abuso de sua filha adotiva, Dylan Farrow, ressurgirem na era pós-#MeToo. No entanto, distribuidores europeus continuaram a apoiá-lo. O novo filme, que será lançado na França em 27 de setembro, inclui um elenco de estrelas francesas, incluindo Lou de Laage, Valerie Lemercier, Melvil Poupaud e Niels Schneider. “DogMan”, de Besson, marca o retorno do diretor ao cinema, após se afastar por quatro anos para lidar com acusações de assédio e estupro. O drama, que traz Caleb Landry Jones como um jovem marcado pela vida, que encontra sua salvação através do amor por seus cães, foi um sucesso de pré-vendas para a Kinology no European Film Market em Berlim em fevereiro, vendendo seus direitos de exibição para quase todo o mundo. Cinema brasileiro A programação do Festival de Veneza também exibe o longa-metragem brasileiro “Sem Coração”, que fará sua estreia mundial na mostra paralela Horizonte. O filme é uma coprodução oficial entre Brasil, França e Itália, dirigido e escrito por Nara Normande e Tião, e produzido por Emilie Lesclaux, Kleber Mendonça Filho (Cinemascópio), Justin Pechberty, Damien Megherbi (Les Valseurs), Nadia Trevisan, Alberto Fasulo (Itália) e pela Vitrine Filmes. “Sem Coração” se passa no verão de 1996, no litoral de Alagoas, e acompanha Tamara, que está aproveitando suas últimas semanas na vila pesqueira onde mora antes de partir para estudar em Brasília. Ela ouve falar de uma adolescente apelidada de “Sem Coração” por causa de uma cicatriz que tem no peito. Ao longo do verão, Tamara sente uma atração crescente por essa menina misteriosa. O filme foi rodado em locações no litoral de Alagoas, entre setembro e outubro de 2022. Presença de grandes cineastas Outros destaques do festival são “O Assassino”, de David Fincher, que traz Michael Fassbender como um assassino frio que começa a desenvolver uma consciência – o filme conta com a participação da brasileira Sophie Charlotte – , e “Maestro”, de Bradley Cooper, um drama sobre o grande maestro Leonard Bernstein. Ambos são lançamentos da Netflix, que também está competindo pelo Leão do Ouro com “El Conde”, do chileno Pablo Larrain, que retrata o ditador Augusto Pinochet como um vampiro. A lista de cineastas americanos ainda inclui Ava DuVernay, que traz “Origin”, sobre o sistema de hierarquia que moldou os EUA, Sofia Coppola, que apresenta “Priscilla”, cinebiografia de Priscilla Presley, e Michael Mann, que entra na disputa com o drama de corrida “Ferrari”, com Adam Driver no papel de Enzo Ferrari, o fundador da famosa marca de carros. O festival também mostrará a estreia do diretor mexicano Michel Franco em inglês, com “Memory”, um filme ambientado em Nova York e estrelado por Jessica Chastain e Peter Sarsgaard, além de novos filmes do diretor japonês de “Drive My Car”, Ryûsuke Hamaguchi, chamado “Evil Does Not Exist”, e do grego Yorgos Lanthimos, a ficção científica surrealista “Poor Things”, estrelado por Emma Stone. Seleção europeia A Itália também marca forte presença com seis títulos na competição, liderados pelo filme de abertura “Comandante”, um épico anti-guerra ambicioso estrelado pelo ator italiano Pierfrancesco Favino. Outros destaques italianos incluem “Io Capitano”, de Matteo Garrone, sobre a jornada homérica de dois jovens africanos que deixam Dakar para chegar à Europa, e “Finalmente L’alba”, de Saverio Costanzo, ambientado na Cinecittà durante os anos 1950, quando as famosas instalações de cinema eram conhecidas como a “Hollywood no Tibre”. Da França, vem o já mencionado “Dogman”, de Luc Besson, e “The Beast”, uma sci-fi de Bertrand Bonello que traz Léa Seydoux como uma jovem atormentada que decide purificar seu DNA em uma máquina, o que a levará em uma jornada por uma série de vidas passadas. Outros filmes notáveis incluem os poloneses “The Green Border”, de Agnieszka Holland, sobre a crise humanitária desencadeada pelo presidente bielorrusso Lukaschenko, que em 2021 abriu a fronteira da Bielorrússia com a Polônia para migrantes, e “Kobieta Z”, da dupla de diretores Małgorzata Szumowska e Michał Englert. O Festival de Veneza de 2023 acontecerá até 9 de setembro.
“Gran Turismo” e novo terror de “Drácula” estreiam nos cinemas
A programação de cinema desta semana destaca a adaptação do game “Gran Turismo” e uma nova versão de “Drácula”, centrada num capítulo específico da obra de Bram Stoker. A lista também inclui dois thrillers estrelados pelos veteranos Liam Neeson e Morgan Freeman, além do primeiro longa documental de Kleber Mendonça Filho, o premiado diretor de “Bacurau”. Confira abaixo mais detalhes dos filmes que estreiam na quinta-feira (24/8). GRAN TURISMO – DE JOGADOR A CORREDOR Baseado no famoso jogo de corrida do PlayStation, o filme narra a história real de Jann Mardenborough, um campeão de “Gran Turismo”, que entra em uma competição patrocinada pela Nissan para encontrar jogadores capazes de se tornarem pilotos reais. A trama se destaca por conseguir criar uma narrativa a partir de um jogo que originalmente não possui uma história definida. Embora siga uma fórmula esportiva familiar, com o treinador durão, o rival carismático, sucessos, fracassos e a inevitável volta por cima no terceiro ato, a transição de Jann de um jogador virtual para um piloto real é habilmente retratada, com destaque para elementos visuais que mesclam o mundo dos jogos com a realidade. Por conta dos clichês, porém, a obra teve apenas 58% de aprovação da crítica americana, na média apurada pelo Rotten Tomatoes. O papel principal é vivido por Archie Madekwe (“See”), enquanto o elenco também destaca Djimon Hounsou (“Guardiões da Galáxia”) como seu pai, David Harbour (“Stranger Things”) como seu treinador e Orlando Bloom (“Carnival Row”) na pele de um executivo do marketing que vê potencial comercial no novo piloto. Já a direção é do sul-africano Neill Blomkamp, que até então só tinha dirigido filmes de ficção científica, como “Distrito 9” e “Elysium”. DRÁCULA – A ÚLTIMA VIAGEM DO DEMÉTER Dramatização estendida de um breve capítulo do clássico literário “Drácula”, de Bram Stoker, o filme se passa em 1897, a bordo de um navio russo chamado Demeter, que carrega caixões sinistros em sua viagem da Romênia para a Inglaterra. A jornada é marcada por uma série de mortes e horrores indescritíveis, culminando na chegada do navio vazio ao seu destino. A narrativa, extraída dos detalhes do diário do capitão, descreve como o Conde Drácula sai de seu caixão à noite e causa estragos, atacando primeiro os animais a bordo e depois a tripulação. A história também inclui uma mulher chamada Anna, não incluída no capítulo original, uma noiva do vampiro que também sai de seu caixão, mas para tentar ajudar a tripulação. Dirigido pelo norueguês André Øvredal, que ficou conhecido por terrores indies como “O Caçador de Troll” e “A Autópsia”, o filme apresenta uma cinematografia que contribui para a atmosfera sombria da história. A representação de Drácula, interpretada por Javier Botet, é inspirada no visual de “Nosferatu”, e os efeitos especiais são usados para realçar os momentos de terror. Com um clima retrô, a produção lembra tanto os longas da antiga produtora britânica de terror Hammer quando a claustrofobia de “Alien”, em que um monstro começa a matar, um por um, toda a tripulação isolada na vastidão do espaço/mar. O elenco inclui Corey Hawkins (“Tempestade”) como o principal protagonista, Aisling Franciosi (“Imperdoável”) como Anna e Liam Cunningham (“Game of Thrones”) como o capitão da nau dos condenados. A CHAMADA O novo thriller de ação estrelado por Liam Neeson (“Assassino Sem Rastro”) é um remake do espanhol “El Desconocido” (2015), que também já rendeu uma versão sul-coreana, “Ligação Explosiva” (2021) – exibida em novembro do ano passado no Brasil. A trama começa em uma manhã aparentemente normal, mas que rapidamente se transforma em um pesadelo. O protagonista conduz seus dois filhos em seu carro quando recebe uma ligação misteriosa informando que há uma bomba no veículo, que será detonada caso tente parar. Após ser convencido da seriedade da ameaça, o pai faz tudo que pode pela sobrevivência de sua família, enquanto o interlocutor não identificado o força a cometer crimes. O enredo também lembra o clássico “Velocidade Máxima”, ao desencadear uma perseguição em alta velocidade pela cidade. Dirigido por Nimród Antal (“Predadores”), o elenco ainda conta com Matthew Modine (“Stranger Things”), Noma Dumezweni (“Bem-Vindos à Vizinhança”), Jack Champion (“Pânico 6”), Lilly Aspell (“Mulher-Maravilha 1984”) e Embeth Davidtz (“Influencer de Mentira”). MUTI – CRIME E PODER O suspense trash destaca Morgan Freeman (“Truque de Mestre”) no papel de um especialista em um caso de serial killer. A trama segue uma série de assassinatos que vão de Roma ao Mississippi, ligados a um aspecto obscuro de um ritual sul-africano chamada “Muti”, que envolve o uso de partes de um corpo numa feitiçaria. O personagem de Freeman é um professor de estudos africanos, que é trazido à investigação para ajudar a decifrar as evidências bizarras, reconhecendo a presença de “muti”. O vilão, um africano com cicatrizes chamado Randoku (interpretado pelo ex-jogador de futebol americano Vernon Davis), é apoiado por um rico empresário, enquanto um dos policiais (Cole Hauser, de “Yellowstone”) tenta resolver o caso motivado pela morte de sua filha. A direção é de George Gallo, especialista em thrillers de baixo orçamento, que já tinha trabalhado com Freeman em “A Rosa Venenosa” (2019) e possui a inabalável reputação de raramente fazer filmes bons. Nem a presença de seis roteiristas e 18 produtores diferentes conseguiu impedir seu novo longa de ser considerado lixão, com apenas 11% de aprovação no Rotten Tomatoes. SEM DEIXAR RASTROS O drama polonês é baseado num caso real e notório de assassinato, que aconteceu em 1983. A trama começa com o estudante Grzegorz Przemyk (Mateusz Górski) e seu amigo Jurek (Tomasz Ziętek) celebrando o fim do ensino médio em Varsóvia, quando são abordados pela milícia e levados à delegacia, onde Grzegorz é brutalmente espancado. A história segue a luta de Jurek, a única testemunha do crime, e da mãe de Grzegorz, a poeta e ativista Barbara Sadowska (Sandra Korzeniak), para levar os culpados à justiça, enfrentando a corrupção e a intimidação do governo comunista. Dirigido por Jan P. Matuszyński (“Deep Love”), o longa é meticuloso em detalhes, capturando a atmosfera dos anos 1980 e a tensão política da época. A narrativa traça cuidadosamente as manobras políticas, acordos, acobertamentos e coerção que definiram a tentativa do estado de se esquivar da responsabilidade pelo assassinato. Mas o ritmo lento e a duração de 160 minutos podem se tornar uma experiência desafiadora para o espectador. O ACIDENTE O primeiro longa do diretor gaúcho Bruno Carboni foi premiado por seu roteiro no Festival Internacional de Pequim, na China. A trama segue Joana (Carol Martins), uma ciclista que sofre um atropelamento inusitado após confrontar uma motorista que a fechou no trânsito. Carregada no capô do carro por alguns metros, Joana sai aparentemente ilesa, mas o vídeo do incidente viraliza, e ela se vê obrigada a lidar com as consequências que se desenrolam a partir disso. A narrativa é bem amarrada, com cada ação reverberando em uma consequência direta, e o atropelamento e suas reverberações ocasionam voltas e revoltas abruptas na vida de Joana. Carboni já havia demonstrado seu talento no curta-metragem “O Teto Sobre Nós”, que competiu no prestigiado Festival de Locarno, na Suíça, e faturou o troféu de Melhor Direção no 43º Festival de Gramado. Graças a este trabalho, ele foi selecionado para participar do Berlinale Talents em 2016 e da Locarno Filmmakers Academy em 2015, programas que reúnem jovens talentos promissores do cinema mundial. Para completar, desenvolveu o roteiro de “O Acidente” no laboratório do Torino Film Lab em 2018, na Itália. Sua habilidade para ir direto ao ponto, sem perder a profundidade e a complexidade, é evidente no longa, que consegue transformar um incidente aparentemente banal em uma reflexão profunda sobre temas sociais e humanos, como homofobia, misoginia e classicismo, além de oferecer um estudo delicado de personagens. RETRATOS FANTASMAS O novo filme de Kleber Mendonça Filho, o premiado cineasta de “O Som ao Redor”, “Aquarius” e “Bacurau”, é seu primeiro longa documental. A obra também é uma ode à sua cidade natal, Recife, e à sua paixão pelo cinema. Dividido em três capítulos, a obra explora as memórias do diretor, principalmente sua cinefilia. Mendonça Filho mistura vídeos caseiros antigos com suas próprias filmagens, e se aventura para explorar os cinemas de rua de sua infância, que alimentaram sua obsessão, mas que em sua maioria fecharam, vítimas da decadência urbana e da concorrência dos multiplexes suburbanos. Ele também explora o futuro alternativo dessas salas, visitando aquelas que foram transformadas em igrejas evangélicas, refletindo as tendências religiosas no Brasil moderno. “Retratos Fantasmas” é uma rica crônica da cinefilia, entrelaçada à jornada pessoal do cineasta. O documentário estreou fora de competição no Festival de Cannes e atraiu a atenção de distribuidores internacionais simpáticos à sua visão nostálgica pela exibição tradicional em cinemas. VIDAS DESCARTÁVEIS Premiado no Festival Cine-PE, o documentário de Alberto Graça (“Beatriz”) e Alexandre Valenti (“Amazônia – Heranças de uma Utopia”) aborda a escravidão moderna em áreas rurais e a exploração de mão de obra imigrante na indústria têxtil de São Paulo. A obra expõe as condições precárias de trabalho no Brasil, resultantes das dinâmicas migratórias movidas por falsas promessas de melhoria de vida. Entre os casos apresentados, estão os de imigrantes latinos que confeccionam roupas para marcas famosas e o caso da Fazenda Brasil Verde, no Pará. A narrativa é construída através de depoimentos de trabalhadores humildes, muitos deles analfabetos, que relatam suas experiências traumáticas, e monta um mosaico abrangente sobre o assunto, ampliando progressivamente a discussão e o choque. Trata-se de cinema enquanto canal de denúncia.
“Asteroid City” é principal estreia da semana nos cinemas
Interrompendo o fluxo de blockbusters semanais, o principal lançamento desta quinta (10/8) nos cinemas é um filme “de arte”: a nova obra de Wes Anderson, “Asteroid City”. Ao todo, o circuito recebe nove filmes novos, todos com distribuição muito abaixo da média dos grandes títulos das últimas semanas. Além de “Asteroid City”, as estreias de maior alcance incluem a cinebiografia musical “A Era de Ouro” e a animação russa “Gatos no Museu”. Confira abaixo todas as novidades. ASTEROID CITY O mais recente filme de Wes Anderson transporta o público para uma cidade desértica fictícia da década de 1950, palco de uma competição astronômica. O enredo metalinguístico se desenrola como uma peça teatral dentro de um programa de televisão, com Bryan Cranston (“Breaking Bad”) no papel do apresentador. O elenco estelar também inclui Jason Schwartzman (“A Crônica Francesa”), Scarlett Johansson (“Vingadores: Ultimato”), Edward Norton (“O Incrível Hulk”), Adrien Brody (“O Pianista”), Tilda Swinton (“Era Uma Vez um Gênio”), Jeffrey Wright (“Westworld”), Tom Hanks (“Elvis”), Willem Dafoe (“O Farol”), Jeff Goldblum (“Jurassic Park”), Margot Robbie (“Barbie”), Steve Carell (“The Office”), Maya Hawke (“Stranger Things”) e os cantores Seu Jorge (“Marighella”) e Jarvis Cocker (“Harry Potter e o Cálice de Fogo”). A narrativa é tecida em torno de personagens peculiares, como Woodrow Steenbeck (Jake Ryan), um jovem astrônomo cujo pai, Augie (Jason Schwartzman), guarda as cinzas de sua esposa em um recipiente Tupperware. Augie, um fotógrafo de guerra, se sente atraído por Midge Campbell (Scarlett Johansson), uma atriz glamourosa cuja filha, Dinah (Grace Edwards), tem uma conexão especial com Woodrow. A chegada de um visitante extraterrestre desencadeia um bloqueio militar na cidade, adicionando um elemento de tensão à trama. No fundo, “Asteroid City” é uma celebração do estilo único do diretor de “A Crônica Francesa”, “O Grande Hotel Budapeste” e “A Vida Marinha com Steve Zissou”, combinando humor irônico com elementos trágicos. Cheia dos maneirismos característicos de Anderson, como o uso de cores pastéis, imagens centralizadas e um verdadeiro desfile de atores famosos, a obra é uma reflexão sobre os métodos do diretor, seus desejos artísticos e sua visão sobre o cinema. A ERA DE OURO O drama biográfico narra a vida de Neil Bogart, o empresário visionário que criou a gravadora independente mais bem-sucedida de todos os tempos, antes de morrer de forma precoce em 1982, com apenas 39 anos. Escrito, dirigido e produzido por Timothy Scott Bogart, filho do biografado, o filme é uma homenagem de filho para pai – e por isso é uma história de sexo, drogas e rock and roll que, em grande parte, ignora todos os três. A trama se concentra na fundação da Casablanca Record, que, apesar de estar frequentemente à beira do colapso, encontrou sucesso na década de 1970 com artistas como Kiss, Donna Summer, Parliament e Village People. A história é contada pela perspectiva do empresário, interpretado por Jeremy Jordan (“Supergirl”), que narra sua própria vida, reconhecendo que as pessoas se lembram mais dos artistas do que do homem por trás das cenas. E o filme seria mesmo muito melhor se desse maior atenção aos artistas, apesar da relação de Bogart com Donna Summer receber destaque, com uma cena particularmente memorável retratando a gravação de “Love to Love You Baby”. O elenco é repleto de cantores reais: Ledisi como Gladys Knight, Jason Derulo como Ronald Isley, dos Isley Brothers, o rapper Wiz Khalifa como George Clinton, Tayla Parx como Donna Summer e o cantor da Broadway Casey Likes como Gene Simmons, do Kiss, entre outros. RHEINGOLD – O ROUBO DO SUCESSO Mais uma biografia musical, mas esta aborda uma variedade de temas, desde campos de refugiados, prisões sírias e o submundo do crime. A trama é inspirada nas memórias do rapper, produtor musical e ex-presidiário Giwar Hajabia, mais conhecido como Xatar. A história é uma representação da vida de Xatar, um filho de refugiados curdos que se envolveu em uma série de atividades criminosas antes de se tornar um rapper de sucesso. Com direção de Fatih Akin (“Soul Kitchen”), um diretor alemão de origem turca conhecido por abrir um novo caminho multicultural na cinematografia alemã no início deste século, a narrativa é repleta de energia e intensidade, começando com a prisão e tortura de Xatar na Síria em 2010. O filme então retrocede para a infância de Xatar, mostrando sua família durante a revolução iraniana de 1979 e sua subsequente fuga para a Europa. A história continua a acompanhar o jovem enquanto ele se envolve em pequenos crimes, tráfico de drogas e, eventualmente, um notório roubo de ouro. A produção é estrelada pelo ator Emilio Sakraya (“Warrior Nun”), cuja atuação é sempre descrita como magnética. URSINHO POOH – SANGUE E MEL O terror de baixo orçamento, que transforma os personagens amados de A.A. Milne em assassinos sanguinários, foi produzida após a expiração dos direitos autorais do Ursinho Pooh em 2022, permitindo que qualquer pessoa pudesse usá-lo num filme sem medo de ação legal. Com um orçamento de apenas US$ 100 mil, o estreante Rhys Frake-Waterfield aproveitou o atrativo da franquia famosa para chacinar memórias infantis sem dó. Após serem abandonados por Christopher Robin, que foi para a faculdade, Pooh e Leitão se tornam selvagens e são forçados a matar e comer o burrinho Ió para sobreviver. A partir daí, a dupla jura vingança contra a humanidade. Detalhe: os personagens parecem literalmente atores iniciantes usando máscaras de borracha. Apesar de sua premissa trash, a trama não é uma comédia. Em vez disso, é uma representação violenta e perturbadora dos personagens de Milne, com a maior parte da violência sendo direcionada a mulheres. Tudo é de baixa qualidade, do design de produção de liquidação à direção incoerente. | DESTINO DAS SOMBRAS | Realizado há cinco anos, o terror capixaba só agora encontra espaço no circuito comercial cinematográfico. O filme do estreante Klaus’Berg também tem orçamento irrisório. A trama, que explora o tema do desaparecimento de crianças, se desenrola quando dois amigos decidem passar um fim de semana em um sítio rural em Colatina para fugir de problemas familiares. Recém-separado, Marcos leva também sua pequena filha. No entanto, eles logo descobrem que o local possui um passado tenebroso. Enfrentando ameaças reais e questionando relatos sobrenaturais contados pelos moradores locais, os amigos acabam presos em uma história em que passado e presente se entrelaçam, revelando um destino sombrio. O elenco inclui Raphael Teixeira (“De Perto Ela Não é Normal”), Othoniel Cibien (“Os Incontestáveis”), Suely Bispo (“Velho Chico”), Thelma Lopes (“O Cemitério das Almas Perdidas”) e Markus Konká (“Mata Negra”). O ESPAÇO INFINITO O drama brasileiro foca em Nina, interpretada por Gabrielle Lopes (“Como Nossos Pais”), uma astrofísica que, após um surto psicótico, é internada em uma clínica de reabilitação. A partir desse ponto, a narrativa acompanha a jornada de Nina em seu próprio subconsciente, em busca de um caminho de volta à realidade compartilhada. A trama aborda temas como o tratamento de transtornos psicóticos, autoconhecimento, manifestação do inconsciente, simbolismos e amor, tudo isso através da experiência vivenciada pela protagonista. A história se desenrola com Nina em um processo de autodescoberta, enquanto interage com outros pacientes da clínica e recebe visitas ocasionais de sua mãe, seu marido e seu filho. O primeiro longa de Leo Bello apresenta um olhar intimista sobre os diagnósticos e processos de cura de transtornos psiquiátricos, mas . UMA NOITE EM HAIFA O mais recente filme do diretor israelense Amos Gitai (“Ana Arabia”) é o retrato de uma noite no Fattoush, um popular bar e galeria de arte em Haifa, Israel. O filme é ambientado inteiramente dentro do bar, onde uma série de personagens de diferentes origens e condições sociais se encontram e interagem ao longo da noite. A trama se desenrola através de uma série de diálogos e interações entre os personagens, que incluem Laila (Maria Zreik), a diretora palestina da galeria, Gil (Tsahi Halevi), um talentoso fotógrafo israelense, e Kamal (Makram J. Khoury), o marido cético de Laila. Através dessas interações, Gitai tenta explorar o conflito israelo-palestino, a arte e a vida pessoal dos personagens. No entanto, a narrativa gira em torno de si mesma, sem atingir um clímax convincente ou se resolver em um final sólido e eficaz. A seu favor, Gitai tenta mostrar uma realidade diferente daquela frequentemente retratada na mídia, onde árabes e israelenses estão constantemente em conflito. O filme é notável por sua representação de um ambiente multicultural onde árabes e israelenses, heterossexuais e gays, radicais e moderados convivem. GATOS NO MUSEU A animação russa acompanha um gato de rua e seu amigo ratinho que vão parar no Museu do Louvre, em Paris, e além de enfrentar os gatos guardiões do local ainda precisam sobreviver ao fantasma do museu. O diretor é o experiente Vasiliy Rovenskiy, que assina sua sexta animação após “Animais em Apuros” (2018), “Um Panda em Apuros” (2019), “O Reino do Golfinhos” (2020), “Pinocchio – O Menino de Madeira” (2021) e “Big Trip 2” (2022). Filmando um desenho por ano, o cineasta passa longe do nível de exigência hollywoodiano. A produção é barata, com visual CGI ultrapassado. TERRA QUE MARCA Documentário português sobre trabalho rural. Exibido no Festival de Berlim, o filme tem direção de Raul Domingues (“Flor Azul”).
Festival The Town anuncia programação completa e preparativos finais
A contagem regressiva para a estreia do The Town, festival de música organizado pelos mesmos criadores do Rock in Rio, está a todo vapor. A programação completa do evento, que ocorrerá no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, foi divulgada reunindo um grupo diversificado de estrelas musicais, como Bruno Mars, Foo Fighters, Garbage, Demi Lovato, Maroon 5, Vitalic, Racionais MC’s, Luisa Sonza e Ney Matogrosso. A venda geral por dia do festival começará em 18 de agosto. A programação completa, que inclui horários e palcos de cada apresentação, pode ser conferida logo abaixo – e no aplicativo oficial do The Town. Preparativos finais A menos de 30 dias para o início do festival, a Cidade da Música, local do evento, já está ganhando forma, com a montagem dos palcos Skyline, The One, Factory, São Paulo Square e New Dance Order. A icônica esfera do The Town, que já passou por lugares marcantes de São Paulo como o Parque do Ibirapuera, Largo da Batata e Viaduto do Chá, chegou oficialmente à Cidade da Música e será um dos destaques do festival. Luis Justo, CEO da Rock World, empresa que criou, organiza e produz o The Town e o Rock in Rio, expressou sua empolgação com a proximidade do evento. “Estamos a 30 dias de entrar para história com a primeira edição do The Town. O público vai se surpreender e ficar encantado com cada detalhe da cenografia, que está ficando deslumbrante em cada detalhe e com uma atmosfera mágica”, afirmou. Além dos shows previstos, a programação do evento vai contar com um momento especial. Serão distribuídas 100 mil pulseiras de LED para que os fãs participem ativamente de um espetáculo que sincronizará luz, música, fogos de artifício e transmissão ao vivo nos telões, num momento de celebração do primeiro Rock in Rio. O consagrado artista Ney Matogrosso é a atração convidada para reviver este momento nostálgico, cantando o sucesso “América do Sul”, apresentado na abertura do Rock in Rio, em 1985. Programação completa dos shows Dia 2 de setembro Palco Skyline 23h – Post Malone 20h25 – Demi Lovato 18h15 – Iggy Azalea 16h05 – MC Hariel com MC Ryan SP e MC Cabelinho Palco The One 21h45 – Racionais MC’s & Orquestra Sinfônica de Heliópolis 19h20 – Criolo convida Planet Hemp 17h10 – Orochi convida Azzy 15h – Tasha & Tracie convida Karol Conka Palco Factory 22h – Teto 20h – Kayblack 18h – Caio Luccas 16h – Urias Palco SP Square 20h30 – Esperanza Spalding 18h30 – Hermeto Pascoal 16h30 – São Paulo Big Band convida Alma Thomas 15h – São Paulo Big Band Palco New Dance Order 23h30 – Batekoo aka Freshprincedabahia x Jujuzl Ujuzl x Kiara X Mirands 21h25 – Tropkillaz “10 Anos” 19h50 – Osgemeos, “Uma Experiência” 18h05 – Deekapz x Vhoor 16h35 – Klean vs Klap 15h05 – Forro red light e o baile encanado (com Mestre Nico, Ella Voa e Furmiga Dub) Dia 3 de setembro Palco Skyline 23h – Bruno Mars 20h25 – Bebe Rexha 18h15 – Alok 16h05 – Luisa Sonza Palco The One 21h45 – Seu Jorge 19h20 – Leon Bridges 17h10 – Ney Matogrosso 15h – Matuê convida O Nordeste Palco Factory 22h – Luccas Carlos 20h – Wiu 18h – Veigh 16h – Lia Clark Palco São Paulo Square 20h30 – Esperanza Spalding 18h30 – Jonathan Ferr 16h30 – São Paulo Big Band convida Annalu & Kynnie 15h – São Paulo Big Band Palco New Dance Order 23h30 – Carlos Capslock Showcase Aka Belisa X Stroka X Tessuto 21h25- Ellen Allien X Badsista 19h50 – Paul Kalkbrenner Live 18h05 – Vitalic 16h35 – Noporn Live 15h05 – Carlos Do Complexo Vs Rhr Live Dia 7 de setembro Palco Skyline 23h – Maroon 5 20h25 – The Chainsmokers 18h15 – Liam Payne 16h05 – Ludmilla Palco The One 21h45 – Ne-Yo 19h20 – Masego 17h10 – Angelique Kidjo 15h – Maria Rita Palco Factory 22h – Marvvilla 20h – Afrocidade 18h – Larissa Luz 16h – Hodari Palco São Paulo Square 20h30 – Stanley Jordan 18h30 – Ivan Lins 16h30 – São Paulo Big Band convida Paula Lima 15h – São Paulo Big Band Palco New Dance Order 23h30 – Gop Tun Vs 28room+ Diogo Strausz Live Feat Julia Mestre 21h25 – Shermanology 19h50 – Kerri Chandler Live 18h05 – Natasha Diggs Live Horn 16h35 – L_cio Plants Live 15h05 – Afterclapp x Shigara x Xaxim Dia 9 de setembro Palco Skyline 23h – Foo Fighters 20h25 – Queens Of Stone Age 18h15 – Garbage 16h05 – Pitty Palco The One 21h45 – Wet Leg 19h20 – Barão Vermelho convida Samuel Rosa 17h10 – Detonautas 15h – Terno o Rei convida Mahmund e Fernanda Takai Palco Factory 22h – MC Don Juan 20h – Yunk Vino 18h – Mc Dricka 16h – Grag Queen Palco São Paulo Square 20h30 – Stanley Jordan 18h30 – Hamilton de Holanda 16h30 – São Paulo Big Band convida Vanessa Moreno e Ana Cañas 15h – São Paulo Big Band Palco New Dance Order 23h30 – Mamba Negra Showcase Feat Cashu + Paulete Lindacelva + Valentina Luz 21h25 – Badsista, Malka, Venus Aka Gueto Elegance Feat Marina Lima 19h50 – Inner City Live Bonus Set Kevin Saunderson 18h05 – Renato Cohen Live 16h35 – Aerea Live 15h05 – Kenya20hz Apresenta Chaos Sonora Dia 10 de setembro Palco Skyline 23h – Bruno Mars 20h25 – H.E.R. 18h15 – Kim Petras 16h05 – Iza Palco The One 21h45 – Jão 19h20 – Gloria Groove 17h10 – Pabllo Vittar convida Liniker e Jup do Bairro 15h – Marina Sena canta Gal Costa Palco Factory 22h – Xênia França 20h – Tassia Reis 18h – Cynthia Luz 16h – N.I.N.A. Palco São Paulo Square 20h30 – Richard Bona 18h30 – Banda Mantiqueira & Mônica Salmaso 16h30 – São Paulo Big Band convida Luciana Melo e Jesuton 15h – São Paulo Big Band Palco New Dance Order 23h30 – Oddjs Aka Davis x Vermelho x Zopelar 21h25 – Darren Emerson & Gui Boratto Live 19h50 – Crazy P Soundsystem 18h05 – Lion Babe 16h35 – Paradise Guerrilla 15h05 – Dj Mau Mau B2b Etcetera
“Megatubarão 2” é principal estreia de cinema da semana
A semana com o maior número de estreias de cinema no ano – 16 filmes! – tem como principal lançamento o trash de grande orçamento “Megatubarão 2”, mas também destaca a obra-prima “The First Slam Dunk”, anime com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, e duas comédias americanas, a elogiada “Loucas em Apuros” e a lamentada “Guerra entre Herdeiros”. Quase metade da lista – 7 filmes – é composta por longas brasileiros. E há 6 documentários, incluindo internacionais. Confira a relação completa dos lançamentos desta quinta-feira (3/8): MEGATUBARÃO 2 A continuação do filme de 2018 volta a trazer Jason Statham (“Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw”) contra tubarões gigantes. Desta vez, ele se depara com três tubarões pré-históricos e conta com a ajuda de Wu Jing (“Comando Final”), uma estrela enorme na China que atuou em blockbusters como “The Wandering Earth”, “Wolf Warrior” e “The Battle at Lake Changjin”. A dupla embarca numa jornada subaquática até o fundo do oceano para investigar novas criaturas, mas também acaba encontrando terroristas marinhos e todos terminam avançando rumo a um destino turístico à beira-mar. É claro que muitas pessoas acabam nas mandíbulas dos tubarões, mas até chegar lá o filme não economiza enrolação. A sequência foi confirmada pouco depois de “Megatubarão” ter arrecadado US$ 530 milhões em todo o mundo em 2018. O filme original seguia um grupo de cientistas cujo submarino foi atacado por um Megalodon – uma espécie de tubarão gigante que se pensava estar extinta. A continuação triplica a ameaça e ainda inclui um bônus gigante com tentáculos. “Megatubarão 2” conta ainda com a volta de Cliff Curtis (“Avatar: O Caminho da Água”), mas não dos outros sobreviventes do primeiro filme, substituídos por Sienna Guillory (“Resident Evil: Apocalypse”), Skyler Samuels (“Masquerade”), Page Kennedy (“A Hora do Rush”), Shuya Sophia Cai (“Somewhere Only We Know”) e Sergio Peris-Mencheta (“Rambo: Até o Fim”). O filme é baseado no segundo volume de uma franquia literária criada pelo escritor Steve Alten em 1997. A adaptação foi escrita pelos mesmos roteiristas do primeiro filme, Dean Georgaris (“Desejo de Matar”) e os irmãos Erich e Jon Hoeber (“Battleship”), e a direção está a cargo de Ben Wheatley (“Rebecca – A Mulher Inesquecível”). THE FIRST SLAM DUNK Adaptação cinematográfica do popular mangá “Slam Dunk”, o anime foi escrito e dirigido pelo próprio criador dos quadrinhos, Takehiko Inoue. A trama se concentra na equipe de basquete do Ensino Médio Shohoku, que compete pelo campeonato nacional. Ao contrário da tradição dos dramas de esportes, que guardam o grande jogo para o final, a trama inteira do desenho se desenrola ao longo de um único jogo, intercalado com flashbacks que oferecem uma visão mais profunda da vida dos jogadores, com destaque para o armador Ryota e o ala-pivô egocêntrico Hanamichi. A representação do basquete é um dos pontos altos do filme, capturando a fisicalidade explosiva do esporte através de uma combinação de imagens geradas por computador e animação tradicional desenhada à mão. A ação é fluida e realista, com movimentos dos jogadores que lembram a realidade do esporte, desde a captura de passes até a realização de enterradas. A trilha sonora complementa a ação, imitando perfeitamente o som de uma bola ao sair das pontas dos dedos de um jogador até gerar um estrondo sísmico a cada enterrada. Apesar de ser uma adaptação de um mangá que abrange 31 volumes, e que rendeu uma série com 101 episódios nos anos 1990, “O Primeiro Slam Dunk” consegue condensar a essência da história no filme de duas horas, encontrando uma forma inovadora de fornecer uma compreensão mais profunda de seus personagens, ao mesmo tempo em que serve uma série implacável de jogadas e reviravoltas capazes de fazer os fãs de esportes pularem nas poltronas. LOUCAS EM APUROS A comédia de viagem acompanha quatro amigas asiático-americanas em apuros na China. Estreia na direção de Adele Lim, roteirista de “Podres de Ricos” e “Raya e o Último Dragão”, o filme gira em torno de Audrey (Ashley Park, de “Emily em Paris”), uma advogada criada por pais americanos que decide procurar sua mãe biológica em Pequim. Acompanhando Audrey está sua melhor amiga Lolo (Sherry Cola, de “Good Trouble”), uma artista que usa sua arte erótica para desafiar estereótipos e a fetichização dos asiáticos, Kat (Stephanie Hsu, de “Maravilhosa Sra. Maisel”), uma atriz que trabalha em uma popular telenovela chinesa e está tentando esconder sua extensa lista de ex-parceiros de seu noivo super cristão, e a lacônica Deadeye (Sabrina Wu, de “Doogie Kamealoha: Doutora Precoce”), uma fã obcecada de K-pop. A narrativa é impulsionada pelas diferenças de temperamento e personalidade das protagonistas, além da forma diferente com que cada uma lida com sua herança cultural chinesa. Mas o que realmente chama atenção na comédia é o tom escrachado, repleto de momentos ultrajantes, incluindo piadas escatológicas. A crítica americana se divertiu, dando 91% de aprovação no Rotten Tomatoes. GUERRA ENTRE HERDEIROS A comédia sombria de humor cáustico acompanha as irmãs Macey (Toni Collette, de “Hereditário”) e Savanna (Anna Faris, de “Mom”), que, à beira da ruína financeira, veem uma oportunidade de salvação na notícia da doença terminal de sua tia rica Hilda (Kathleen Turner, de “O Método Kominsky”). Savanna, a irmã mais inescrupulosa, convence Macey a tentar se aproximar da tia, na esperança de serem incluídas em seu testamento. No entanto, ao chegarem à casa de Hilda, descobrem que seus primos igualmente sem escrúpulos tiveram a mesma ideia. A trama se desenrola como uma disputa de bajulação para ver quem aquece o coração frio da tia moribunda, assumindo um tom mordaz e exagerado sobre a ganância familiar. Rosemarie DeWitt (“A Escada”) e David Duchovny (“Arquivo X”) vivem os primos. Já roteiro e direção são de Dean Craig, conhecido por escrever a comédia “Morte no Funeral” (2010). Apesar da premissa curiosa e do bom elenco, o longa foi destruído pela crítica dos EUA, com apenas 30% no Rotten Tomatoes. DISCO BOY – CHOQUE ENTRE MUNDOS O primeira drama do documentarista italiano Giacomo Abbruzzese (“America”) mergulha na vida da Legião Estrangeira Francesa, com uma abordagem que oscila entre o real e o onírico, e traz como destaque a interpretação do alemão Franz Rogowski (“Undine”), conhecido por suas atuações intensas e versáteis no cinema europeu. Rogowski vive Aleksei, um andarilho bielorrusso marcado por tatuagens de prisão, que embarca em uma jornada arriscada em direção à França para se juntar à Legião Estrangeira. Lá, encontra um grupo diversificado de indivíduos de várias nacionalidades, todos em busca de uma oportunidade para obter a cidadania francesa. Durante uma missão de resgate de reféns na Nigéria, Aleksei encontra o rebelde Jomo (Morr Ndiaye) e o filme toma um rumo sombrio, transformando-se em uma história de fantasmas pós-colonial, conduzida pelas visões e emoções do protagonista. Ao voltar a Paris, ele encontra Udoka (Laëtitia Ky), irmã de Jomo, e a interação entre os dois personagens passa a refletir a inquietação típica dos imigrantes, levando o filme a explorar temas de identidade, pertencimento e a busca por um lugar no mundo. ALÉM DO TEMPO Drama marcado por tragédia, o filme holandês se passa em dois tempos. Nos anos 1980, um casal, Lucas e Johanna, decide navegar pelo mundo com o seu pequeno filho. No entanto, em meio à travessia do Atlântico, a criança desaparece. A dor do luto é insuportável e os afasta, levando-os a caminhos distintos. Décadas depois, Lucas, que se tornou um famoso diretor de teatro, decide explorar esse trauma no palco, provocando a fúria de Johanna. Essa decisão marca o reencontro do ex-casal, 40 anos após a tragédia, quando percebem que o tempo não conseguiu cicatrizar todas as feridas deixadas pela perda do filho. As diferenças em como lidaram com a dor e o luto se revelam, mostrando o profundo abismo emocional que os separou. A história é baseada em um acontecimento real e também marcou a volta do cineasta Theu Boermans à direção de um longa-metragem, quase três décadas após sua estreia premiada com “1000 Rosen” (1994). DEPOIS DE SER CINZA O drama dirigido por Eduardo Wannmacher combina registros de afeto com momentos de estranheza e desconforto. Sua história explora a jornada emocional de Isabel, uma jovem artista plástica que decide largar tudo para buscar uma nova vida na Croácia. Após cinco anos vivendo no país balcânico, Isabel sofre um grande trauma e, nesse momento, conhece Raul, um homem ainda mais atormentado que ela. A trama mostra o envolvimento da jovem com Raul, antes de revelar em flashbacks seu passado com outras duas mulheres, Suzy e Manoela, contrastando momentos de descontração e prazer com situações de desconforto e tristeza. Marcado por ideias de fuga, abandono e suicídio, o filme se revela um retrato fragmentado de personagens deprimidos, carregando segredos ou insatisfações crônicas. Ao mesmo tempo, evita os clichês do melodrama, do erotismo e do imaginário da depressão. O longa se destaca pela atuação coesa do elenco, que inclui Elisa Volpatto (“Bom Dia, Verônica”), João Campos (“A Lei do Amor”), Branca Messina (“A Divisão”) e Sílvia Lourenço (“Modo Avião”). DESPEDIDA Fantasia infantil brasileira, o longa da dupla gaúcha Luciana Mazeto e Vinicius Lopes (ambos de “Irmã”) acompanha Ana (interpretada por Anaís Grala Wegner, também de “Irmã”), uma menina de 11 anos que viaja para o Sul rural do país durante o feriado de Carnaval para o funeral de sua avó (Ida Celina, de “Disforia”). A partir daí, a história se desenrola em um mundo de fantasia e mistério, onde Ana precisa resolver uma antiga desavença familiar e recuperar o mundo imaginário de sua mãe, vivida por Patricia Soso. A narrativa de “Despedida” é construída com elementos lúdicos, com direito até a cenas animadas, mas à medida que a história avança, o roteiro revela complexidade emocional e temática. A intuição de Ana guia a trama, enquanto ela busca dar um final feliz àqueles que ama. O filme também destaca a importância da união feminina na resolução de conflitos, apresentando um elenco majoritariamente feminino. Esteticamente, “Despedida” é notável. O cuidado com o cenário, figurino e efeitos especiais complementa a história e seu misticismo, mergulhando o espectador na fábula e nos dramas familiares. A trama que aborda o luto, as descobertas e a superação reforça o poder da imaginação para entender a realidade e permitir que se siga em frente. CASA VAZIA O filme gaúcho oferece uma visão diferente dos pampas, ao acompanhar a vida de Raúl, um peão desempregado e pai de família que vive em uma casa isolada na imensidão solitária dos campos do Rio Grande do Sul. Assolado pela pobreza e a falta de trabalho, ele se junta a outros peões para roubar gado durante a escuridão. Mas uma noite, ao retornar da atividade criminosa, encontra sua casa vazia: sua mulher e filhos desapareceram. Com uma narrativa marcada por silêncios e uma sensação de isolamento, o filme oferece uma reflexão sobre a incomunicabilidade masculina e a impossibilidade de exteriorizar sentimentos e afetos – com Raúl constantemente olhando de forma melancólica para o nada. A trama também aborda a questão latifundiária, mostrando Raúl vivendo os dois lados da disputa. Estudo de personagem, a obra mostra a relação de Raúl com o ambiente ao seu redor, sendo engolido pelas vastas terras gaúchas. E para apresentar o universo regional de maneira muito autêntica, o ator principal, Hugo Nogueira, é um morador da região, escolhido pelo diretor Giovani Borba (“Banca Forte”) para fazer sua estreia como ator. Nogueira acabou premiado no Festival de Gramado, assim como o roteiro e a fotografia do longa. DESTINOS OPOSTOS Melodrama de novela com duração de filme, a obra de Walther Neto (“Sonhos”) evoca os cenários e temas de “Pantanal” ao contar a história de Tony, um homem movido pelo desejo de conquistas, que esconde as memórias de um passado conturbado. Ele é um profissional bem-sucedido que busca ser o maior piloto do rally dos sertões, mas que, ao mesmo tempo, não consegue criar laços, amar e encontrar o seu lugar, graças a...
“Mansão Mal-Assombrada” é principal estreia de cinema da semana
O circuito de estreias de cinema ficou pequeno, depois de uma série de lançamentos consecutivos de blockbusters, e nesta semana nenhum filme chega em mais de 500 salas. O maior lançamento, “Mansão Mal-Assombrada”, da Disney, tem distribuição em 472 salas, enquanto “O Convento” ocupa 280. Trata-se de um forte encolhimento em relação às semanas passadas, quando os principais títulos abriram em mais de mil telas. A decisão deve impactar as bilheterias dos estreantes, dificultando o sucesso da comédia sobrenatural da Disney num cenário monopolizado por “Barbie” e outros sucessos. Ao todo, oito títulos entram em cartaz nesta quinta (27/7), mas a maioria com exibições limitadas. Confira a lista completa. MANSÃO MAL-ASSOMBRADA A adaptação cinematográfica da famosa atração dos parques da Disney dividiu a crítica dos EUA entre os que gostaram de sua proposta de terror infantil e os que lamentaram a falta de graça das piadas. A trama gira em torno de um astrofísico interpretado por LaKeith Stanfield (“Judas e o Messias Negro”), que está de luto pela perda de sua amada esposa. Ele desenvolveu uma “câmera quântica” capaz de fotografar fantasmas, mas quando o Padre interpretado por Owen Wilson (“Loki”) o encontra, está afundado em tristeza. Ele é trazido de volta à vida pela oferta do padre: uma quantia substancial de dinheiro em troca de sua ajuda para investigar as visitas espectrais noturnas em uma casa a cerca de uma hora de Nova Orleans. A casa recentemente passou para a posse de uma mãe solteira (Rosario Dawson, de “Luke Cage”) e seu jovem filho, que estão presos com o lugar. Reunindo ainda uma médium excêntrica (Tiffany Haddish, de “Sócias em Guerra”) e um professor universitário ainda mais excêntrico (Danny DeVito, de “It’s Always Sunny in Philadelphia”), os protagonistas se juntam para identificar a origem da infestação de fantasmas e, ao explorar o local, descobrem a bola de cristal de Madame Leota (Jamie Lee Curtis, de “Halloween”), que os alerta sobre uma aparição misteriosa conhecida apenas como o “Fantasma da Caixa de Chapéu” – um papel creditado a Jared Leto (“Morbius”), embora o personagem seja totalmente criado por CGI. Apesar de ser uma comédia infantil, “A Mansão Mal-Assombrada” não foge da escuridão inerente a uma história sobre uma casa com espíritos de centenas de pessoas mortas. Há uma quantidade considerável de discussão sobre perda e tristeza, e Stanfield entrega um monólogo sobre sua falecida esposa que é surpreendentemente triste para o que é essencialmente um filme para assustar crianças. Vale lembrar que “Mansão Assombrada” já foi transformada numa comédia com Eddie Murphy, que foi um fracasso de bilheterias em 2003. Mas o estúdio foi destemido e decidiu filmar um roteiro de Kate Dipold, responsável por “Caça-Fantasmas” – também conhecido como “a versão feminina” de “Os Caça-Fantasmas” – , que foi outra atração do gênero terrir infantil a dar prejuízo. A direção é de Justin Simien (“Cara Gente Branca”). BLUE JEAN Este elogiadíssimo drama britânico retrata a vida de uma professora lésbica chamada Jean (interpretada por Rosy McEwen, de “O Alienista”) na Inglaterra dos anos 1980, durante o auge do conservadorismo do governo Thatcher. A trama é ambientada em Newcastle, no nordeste industrial da Inglaterra, onde Jean vive uma vida dupla, escondendo sua sexualidade de seus colegas de trabalho e de sua família por medo das consequências. No entanto, ela tem uma família escolhida, composta por outras mulheres queer, incluindo sua namorada, que é abertamente gay e destemida em relação à sua sexualidade. Quando uma nova estudante entra na aula de educação física de Jean e aparece no bar lésbico que ela frequenta com suas amigas, a protagonista se vê forçada a confrontar sua vida dupla e enfrentar a possibilidade de ser exposta em uma sociedade cada vez mais homofóbica. Importante situar que a trama se passa na época da Cláusula 28 (Clause 28), designação legislativa para leis que proibiam a “promoção da homossexualidade” na Grã-Bretanha. Introduzida por Margaret Thatcher, vigorou de 1988 a 2000 na Escócia e até 2003 na Inglaterra e no País de Gales. Com seu impacto devastador, a Seção 28 causou o fechamento de muitas organizações LGBT+ e limitou a expressão da homossexualidade na educação e em outros espaços públicos, contribuindo para a falta de visibilidade e representatividade, e a perseguição e discriminação contínua contra indivíduos LGBTQIAPN+ no Reino Unido. Longa de estreia da diretora Georgia Oakley, “Blue Jean” venceu quatro prêmios no British Independent Film Awards (BIFA) e tem 95% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Considerado um filme importantíssimo, serve de lembrete do que aconteceu quando conservadores assumiram o poder – e que vem se repetindo com novas legislações e ameaças anti-LGBTQIA+ atuais. MISSÃO DE SOBREVIVÊNCIA O novo thriller de ação de Gerard Butler traz o ator como um agente do MI6, emprestado para a CIA, que se disfarça de técnico de telecomunicações para identificar e destruir instalações subterrâneas de armas nucleares no Irã. Com o casamento em frangalhos, ele reluta em aceitar mais uma missão: atravessar a fronteira para o Afeganistão e viajar por um território hostil ocupado pelo Talibã para destruir uma usina nuclear. No entanto, as coisas rapidamente saem do controle quando ele entra no país e descobre que não tem tanto apoio quanto pensava. Com o reforço apenas de Mo, um intérprete e seu guia na região, ele corre inúmeros perigos para escapar dos Talibãs. Terceiro filme de Butler dirigido por Ric Roman Waugh (após “Invasão ao Serviço Secreto” e “Destruição Final: O Último Refúgio”), o longa tem roteiro de Mitchell LaFortune, um ex-agente de operações especiais, e chega a lembrar “O Pacto”, recente lançamento de Guy Ritchie. A comparação não é positiva para “Missão de Sobrevivência”, que pende mais para os thrillers geopolíticos inspirados por Tom Clancy, feitos a rodo nos anos 1990. O CONVENTO Ambientado em um convento isolado nas Highlands da Escócia, o terror traz Jena Malone (“Jogos Vorazes: Em Chamas”) como Grace, uma oftalmologista que chega ao local para investigar a morte violenta de seu irmão Michael, que era um padre. A história oficial é que Michael assassinou outro padre na capela e depois tirou a própria vida ao se jogar de um penhasco, mas Grace, uma cética humanista, não confia em nada relacionado à religião e está mais do que disposta a atribuir o crime às freiras. O filme também explora o passado extremamente conturbado de Grace, que é tão insano que parece pertencer a um filme separado, a história sangrenta do convento e visões da protagonista, que remetem à época medieval. Com direção de Christopher Smith, “O Convento” é uma tentativa artística de contar uma reformulação feminista do terror de possessão. À medida que as pistas da história começam a se desdobrar, no entanto, muitas perguntas permanecem sem resposta, e as explicações vagamente assustadoras tentam deixar claro que isso é o que menos importa. A crítica considerou o roteiro falho e deu apenas 42% de aprovação ao longa no Rotten Tomatoes. ALMA VIVA Filmado na região de Trás-os-Montes, em Portugal, o drama vencedor do troféu Sophia (o Oscar português) é narrado pelo ponto de vista de Salomé (Lua Michel), uma menina pré-adolescente que se encontra dividida entre dois mundos: a cultura folclórica repleta de magia da casa de sua amada avó e o materialismo desprovido de sentimentos que levou muitos dessa região pobre de Portugal a emigrar para a França, onde a própria Salomé cresceu. O detalhe é que a obra, primeiro longa-metragem da diretora franco-portuguesa Cristèle Alves Meira, gradualmente se transforma em uma espécie de história de fantasmas, centrada em uma possessão espiritual. A narrativa começa com Salomé retornando ao seu vilarejo familiar nas montanhas portuguesas para passar as férias de verão. Ela tem uma relação muito próxima e especial com sua avó, uma mulher cínica, de caráter forte, mas nobre, que tem certos conhecimentos e práticas que fazem com que alguns na região, incluindo sua própria família, a considerem uma bruxa. Quando a matriarca da família morre repentinamente, os membros da família entram em colapso e aos poucos começam a surgir ressentimentos guardados há muito tempo. Em meio a essa comoção, Salomé começa a acreditar que está possuída pelo espírito da avó. “Alma Viva” não explora o aspecto sobrenatural para das sustos ou gerar tensão de filme de terror, mas como parte de uma parábola. Esta possessão espiritual é retratada como uma forma de Salomé manter a ligação com a avó e, ao mesmo tempo, como um reflexo da luta da menina para reconciliar a cultura folclórica de sua família com o mundo moderno em que vive. A jornada de Salomé, desde hospedar o espírito da avó até rejeitá-lo gentilmente, representa tanto o bom quanto o mau da fascinação por superstições e a cultura popular. CAPITU E O CAPÍTULO O novo filme Júlio Bressane é uma incursão no universo de Machado de Assis, mas o escritor é apenas o ponto de partida, não necessariamente a finalidade. A narrativa integra música, poesia, pintura e “até” cinema em seu itinerário experimental, que explora a paixão e a estrutura capitular nos romances de Machado de Assis, particularmente de “Dom Casmurro”, que possui 148 capítulos. Bressane pressupõe que a estrutura fragmentada dos romances do escritor, com capítulos curtos, poderia ser uma manifestação involuntária do quadro de epilepsia que ele sofria. Para explorar essa hipótese, ele utiliza tableaux vivants – cenas estáticas que reproduzem momentos dramáticos importantes do romance – com as participações de atores famosos dando vida a personagens célebres, como Mariana Ximenes (“O Grande Circo Místico”) como Capitu, Enrique Diaz (“Mar do Sertão”) como Casmurro, Vladimir Brichta (“Bingo: O Rei das Manhãs”) como Bentinho e Djin Sganzerla (“Meu Nome é Dindi”) como Sancha. Optando pelo caminho experimental, as cenas representadas não contam toda a história do livro, apenas alguns momentos marcante, como exemplos para o questionamento do diretor sobre o livro de Machado de Assis. Embora seja uma obra que exige do espectador um conhecimento prévio de “Dom Casmurro”, “Capitu e o Capítulo” também oferece uma nova perspectiva sobre o clássico machadiano. ONDE FICA ESTA RUA? OU SEM ANTES NEM DEPOIS O documentário sobre o clássico do cinema português “Os Verdes Anos”, de Paulo Rocha, revisita as locações emblemáticas e os temas do filme de 1963, inspirado na Nouvelle Vague francesa, que capturou as ansiedades da época, como o amor inquieto entre os jovens protagonistas e a dificuldade de se integrar em um mundo urbano alienante. A filmagem se desenrola a partir da vista da rua do apartamento de um dos diretores, João Pedro Rodrigues, que foi herdado de seus avós e dá diretamente para um dos cenários do filme original. Rodrigues e o codiretor João Rui Guerra da Mata (ambos de “A Última Vez que Vi Macau”) emergem dessa famosa janela para observar a protagonista do filme de Rocha, Isabel Ruth, que agora tem 80 anos, enquanto ela percorre as mesmas ruas que percorreu 60 anos antes. Feito durante a pandemia, o longa também apresenta uma Lisboa quase vazia de habitantes, dando aos jovens protagonistas de Rocha a condição de fantasmas da memória.
“Missão: Impossível 7” é a grande estreia da semana nos cinemas
Um dos filmes mais esperados do ano, “Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1” começa a ser exibido em 1,3 mil salas nesta quinta (13/7), acompanhado de elogios rasgados da crítica internacional e enorme expectativa do público. Tom Cruise fará o impossível ocupando mais de um terço do circuito brasileiro. Apesar disso, duas fantasias românticas também terão lançamento amplo: “O Portal Secreto”, com distribuição em mais de 300 telas, e a produção brasileira “Perdida”, que chega em 500. Confira a seguir todas as estreias da semana no cinema. MISSÃO: IMPOSSÍVEL – ACERTO DE CONTAS PARTE 1 Tom Cruise volta a impressionar os fãs de cinema no papel de Ethan Hunt, o agente incansável da MIF (Força Missão Impossível), que desta vez enfrenta um inimigo conhecido como a Entidade, um programa de inteligência artificial prestes a ganhar consciência e ameaçar a existência do mundo. Ao lado do protagonista, um elenco de apoio composto por Rebecca Ferguson, Ving Rhames, Simon Pegg, Vanessa Kirby e a nova adição, Hayley Atwell (a “Agente Carter”), junta-se para combater esta ameaça iminente. A trama em si é mera desculpa para um impressionante desfile de cenas vertiginosas passadas num cenário global, que vão desde o deserto árabe até a capital italiana, sem esquecer os abismos da Noruega, enquanto Ethan e sua equipe envolvem-se em perseguições frenéticas de carros, saltos de paraquedas de tirar o fôlego e lutas em cima de um trem em disparada. A dedicação de Cruise e sua insistência em realizar suas próprias cenas de ação se traduzem em sequências que justificam o nome de “Missão: Impossível” – e que são uma característica definidora da franquia. Mas desta vez o filme não é apenas um festival de ação, pois também explora a paranoia mundial em torno da recente ascensão da inteligência artificial. Unanimidade entre a crítica, com 98% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme também tem um desfecho trágico para os fãs da franquia, enquanto prepara o terreno para o que está por vir no próximo capítulo da saga. O PORTAL SECRETO A nova fantasia ao estilo “Harry Potter” é uma adaptação do romance de Tom Holt e se desenrola em JW Wells & Co, uma venerável corporação mágica londrina, responsável por orquestrar todos os incidentes diários de coincidência e imprevistos que ocorrem na vida urbana. Inicialmente, o recém-chegado estagiário Paul Carpenter (Patrick Gibson, de “Sombra e Ossos”) desconhece completamente a verdadeira função da empresa quando aceita o emprego. Diferente de sua colega novata Sophie (Sophie Wilde, de “Eden”), que possui habilidades empáticas, ele parece não ter talentos notáveis. Por isso, se sente aliviado quando o CEO da empresa (Christoph Waltz, de “Django Livre”) o encarrega de encontrar uma porta mágica que desapareceu em algum lugar da empresa. Mas, nessa busca, ele se vê constantemente surpreendido por essa espécie de Hogwarts corporativa, repleta de regras arbitrárias e objetos misteriosos. Dirigido pelo experiente diretor de TV Jeffrey Walker (“H2O: Meninas Sereias”) e co-produzido pela Jim Henson Company (produtora dos “Muppets”), o filme também destaca em seu elenco o veterano Sam Neill (“Jurassic Park”) como um gerente impiedoso, que têm planos diferentes para o futuro do mundo. Com elementos de fantasia e comédia, “A Porta Portátil” também apresenta um toque de sátira e brinca com a ideia da porta capaz de conduzir à diferentes dimensões. No entanto, a história central gira em torno dos protagonistas e de seu envolvimento romântico, tornando o filme uma raridade dentro do cinema comercial familiar. PERDIDA Giovanna Grigio (“Rebelde”) estrela a adaptação do livro de Carina Rissi, que conta uma fantasia romântica com viagem no tempo. Na trama, Sofia (Grigio) é uma jovem moderna apaixonada por obras antigas, como os clássicos de Jane Austen. Ao tentar convencer uma editora a investir no nicho, ela acaba se frustrando com o pedido negado. Logo em seguida, a personagem é transportada para um mundo semelhante ao dos livros que tanto gosta, ambientados no século 19. Completamente perdida, Sofia conta com a ajuda do encantador Ian Clarke (Bruno Montaleone, de “Verdades Secretas”) para resolver o mistério por trás de sua chegada naquele lugar – enquanto vive seu próprio romance de época. Primeiro longa dirigido por Katherine Chediak Putnam e Dean Law (do curta “Inferno”), o elenco ainda conta com Nathália Falcão (“Desalma”), Bia Arantes (“Órfãos da Terra”), Sérgio Malheiros (“Um Natal Cheio de Graça”), Hélio de la Peña (“Conversa Piada”) e Luciana Paes (“Galeria Futuro”). A NOITE DO DIA 12 O thriller vencedor de seis prêmio César (o Oscar da França), incluindo Melhor Filme francês do ano, é a investigação de um crime real: o assassinato de Clara, uma estudante de 21 anos (interpretada por Lulu Cotton-Frapier, de “Instituto Voltaire”), que é morta de forma brutal no interior do país. Após sair da casa de sua melhor amiga em uma festa do pijama, ela decide voltar para casa sozinha às 3 da manhã, sendo atacada por uma figura encapuzada que a queima viva. O caso é entregue à polícia de Grenoble, liderada pelo recém-promovido Capitão Yohan Vivès (Bastien Bouillon, de “A Garota Radiante”), um jovem reservado e de comportamento neutro, que tem como parceiro o veterano Marceau (interpretado por Bouli Lanners, de “Adeus, Idiotas”) de temperamento explosivo. Ao longo da investigação, são apresentados diversos suspeitos, cada um mais sinistro que o outro, mas todos acabam descartados por serem óbvios demais, mantendo a audiência sempre na expectativa de uma solução. A obra do cineasta Dominik Moll (“Eden”) utiliza a narrativa não apenas para solucionar o mistério, mas também para explorar as dinâmicas e hipocrisias existentes dentro da própria força policial. O filme sugere que o assassinato de Clara, além de uma tragédia pessoal, é um reflexo das dinâmicas sociais e do sexismo. Embora a investigação seja o foco central, as ambiguidades e o clima sombrio da história refletem a realidade crua, afastando-se das convenções típicas das histórias de crime. HERÓI DE SANGUE O drama de guerra explora a história não muito difundida dos Tirailleurs Senegaleses – regimentos de africanos colonizados que foram forçados a servir no exército francês durante a 1ª Guerra Mundial. Dirigido por Mathieu Vadepied (“La Vie en Grand”), acompanha um pai (interpretado por Omar Sy, de “Lupin”) que voluntariamente se alista para proteger seu filho (interpretado por Alassane Diong, de “O Rei das Sombras”), no auge da sangrenta Batalha de Verdun. Bakary, um pacífico pastor em Senegal, se vê no meio da guerra quando seu filho de 17 anos é recrutado pelo exército francês. Para salvaguardar a vida de Thierno, Bakary também se alista, levando a dupla para as trincheiras da 1ª Guerra Mundial. O tenente francês branco, Chambreau (interpretado por Jonas Bloquet, de “1899”), nomeia Thierno como cabo após um ato heroico na batalha, colocando-o numa posição curiosa, comandando um esquadrão que também inclui seu próprio pai. Enquanto isso, Bakary faz todo o possível para ambos escaparem. Além da representação visceral do campo de batalha, o filme apresenta momentos intensos de conflito entre duas gerações, simbolizados pelas visões contrastantes de Bakary e Thierno. Enquanto Bakary sonha em retornar ao Senegal e retomar sua vida pacífica como pastor de gado, Thierno começa a vislumbrar a possibilidade de construir uma nova vida na França. Ao mesmo tempo, o filme destaca-se pela maneira como toca em temas de colonialismo e imperialismo durante a guerra. LUZ NOS TRÓPICOS A cineasta franco-colombiana Paula Gaitán (“Exilados do Vulcão”) conta 4 horas de histórias paralelas, separadas por 150 anos no Tempo, num mesmo espaço fluvial. O filme se desdobra em torno da jornada de um jovem indígena, interpretado por Begê Muniz, que parte em busca de sua ancestralidade Kuikuro, numa viagem pelo Parque do Xingu até as águas do Pantanal. Esta narrativa é entrelaçada com cenas que retratam a rotina de colonizadores franceses e portugueses explorando a floresta amazônica, que oferecem perspectivas contrastantes em idiomas português, francês, kuikuro e outros. Gaitán é conhecida por sua habilidade em mesclar registros documentais e ficcionais. “Luz nos Trópicos” convida o espectador para uma jornada de metamorfoses, apresentando uma mistura de imagens de arquivos, película, Super 8, 16mm, documentação dialógica, experimentação pictórica e rítmica, cinema de fluxo e cortes rápidos. E inclui até uma performance musical de batuques liderada por Arrigo Barnabé, que interpreta um dos estrangeiros da trama. Reconhecido em vários festivais de cinema, o longa longuíssimo foi exibido na 70ª edição do Festival de Berlim e venceu o 9º Olhar de Cinema, mostra de cinema independente de Curitiba.
“Sobrenatural 5” e Zé do Caixão assombram a programação de cinema
O circuito aproveita uma pausa na sucessão de blockbusters de ação para trazer o terror de volta aos cinemas, após mais de um mês sem lançamentos do gênero. O quinto filme da franquia “Sobrenatural” é o maior lançamento desta quinta-feira (6/7). E vem acompanhado de outro título sombrio, com a exibição em circuito limitado de um antigo filme perdido de Zé do Caixão, o mestre do horror brasileiro. Entre os destaques da programação, também há uma nova comédia criminal de François Ozon (“Frantz”). Ao todo, sete títulos entram em cartaz nas maiores cidades, cinco deles brasileiros. Confira abaixo a relação completa. | SOBRENATURAL: A PORTA VERMELHA | O quinto filme da franquia de terror se passa 13 anos após os acontecimentos do longa original e marca a estreia do ator Patrick Wilson (“Invocação do Mal”) como diretor. Com sua presença também no elenco, a trama traz o foco de volta à família original, os Lamberts, com Josh (Wilson), Renai (Rose Byrne, de “Vizinhos”) e seu filho já crescido Dalton (Ty Simpkins, visto recentemente em “A Baleia”) enfrentando problemas novos e mais assustadores. Vale lembrar que, enquanto os dois primeiros filmes traziam os Lamberts como personagens principais, o terceiro e quarto foram centrados na parapsicóloga Elise Rainier (Lin Shaye). Na trama, Josh está entrando na faculdade, quando começa a lembrar vagamente de ter sido assombrado na infância. Conforme as visões ficam mais nítidas, o terror também se torna mais próximo e faz com que a família decida acabar com todos os segredos para enfrentar tudo o que os assombra. O roteiro é assinado por Scott Teems (“Halloween Kills”), que se baseou numa história desenvolvida por um dos criadores da franquia, o roteirista Leigh Whannell. Whannell também produz o filme, junto com James Wan (diretor do original), Oren Peli (produtor da franquia) e Jason Blum (dono do estúdio Blumhouse). | A PRAGA | O terror de estética trash é nada menos que um filme perdido de José Mojica Marins, o mais famoso cineasta brasileiro do gênero, que faleceu em fevereiro de 2020. Com narração feita pelo próprio Zé do Caixão, personagem icônico de Marins, “A Praga” conta a história de Juvenal (Felipe Von Rhein), um jovem que, ignorando os perigos, provoca uma velha senhora e acaba sendo amaldiçoado com uma fome insaciável por carne crua. A trama se desenrola com uma corrida desesperada para se livrar da praga e sobreviver aos horrores proferidos pela bruxa. O roteiro foi escrito pelo próprio Mojica ao lado do parceiro de longa data, o roteirista Rubens Francisco Luchetti, conhecido por escrever os filmes mais populares do Ivan Cardoso, “O Segredo da Múmia” (1982) e “As Sete Vampiras” (1986), além de quadrinhos clássicos de terror dos anos 1960. O projeto, por sinal, é dessa época. Começou como parte da antologia “Além, Muito Além do Além”, escrita por Luchetti e exibida pela TV Bandeirantes em 1966. Mas o material foi perdido em um incêndio na emissora. Apesar de Mojica ter tentado refilmar a obra na década de 1980, ele não conseguiu concluí-la. Nos últimos 15 anos, o diretor Eugenio Puppo se dedicou a encontrar os rolos originais do filme perdido. Com negativos restaurados em 4K, a trilha sonora foi remasterizada e as cores foram ajustadas. Em uma parceria da Heco Produções com a Elo Studios, o filme foi finalmente finalizado para chegar aos cinemas. | O CRIME É MEU | O premiado cineasta francês François Ozon (“Frantz”) dirige essa divertida farsa, em que um crime transforma a vida de uma atriz fracassada. A trama se passa na Paris dos anos 1930, quando Madeleine, uma atriz pobre e endividada, e sua melhor amiga Pauline, uma advogada desempregada, estão prestes a ser despejadas. Tudo muda quando elas se tornam suspeitas de um crime e Madeline decide confessar ter assassinado um famoso produtor. Com a ajuda de Pauline, ela consegue ser absolvida por legítima defesa. O julgamento a torna famosa, rendendo-lhe convites para peças e mudando sua trajetória. Mas assim que sua nova vida começa, outra mulher aparece, dizendo-se a verdadeira assassina. O elenco destaca Nadia Tereszkiewicz (“A Última Rainha”), Rebecca Marder (“A Garota Radiante”), Isabelle Huppert (“A Sindicalista”), Fabrice Luchini (“O Melhor Está por Vir”) e Dany Boon (“Mistério em Paris”). | UM DIA CINCO ESTRELAS | Estevam Nabote (“Tô de Graça”) estrela a nova comédia de Hsu Chien (“Desapega!”) como um homem apaixonado por Mozão, um Opala dos anos 1970. Quando a situação econômica aparte, ele decide trabalhar como motorista de aplicativo. O filme acompanha as situações inusitadas e divertidas que mudam sua vida a partir do novo trabalho. O título, entretanto, não reflete nada disso, referindo-se a um dia de spa de sua sogra, vivida por Nanny People (“Quem Vai Ficar com Mario?”). Com clima de sitcom do Multishow, o elenco também destaca Aline Campos (“Vai que Cola”) e Danielle Winits (“Esposa de Aluguel”). | OS AVENTUREIROS – A ORIGEM | Depois de vários filmes digitais, Luccas Neto lança suas aventuras juvenis pela primeira vez no cinema, sem mudar as características genéricas e os efeitos baratos. Na trama, Luccas e seus amigos decidem invadir o laboratório do recém-desaparecido cientista Honório Flacksman e acabam sugados para um portal que os levam para outra dimensão – a Cidade da Alegria. Lá, eles são abordados pela chefe dos Guardiões, que os interroga, suspeitando que estejam envolvidos no recente sumiço do mapa das Pedras do Poder. Para completar, também viram super-heróis, com direito a uniformes e codinome. A direção é de André Pellenz (“Detetives do Prédio Azul”). | CANÇÃO AO LONGE | O novo drama da mineira Clarissa Campolina (“Girimunho”) explora a busca de identidade e de um lugar no mundo. A protagonista vivida pela estreante Mônica Maria deseja mudar-se da casa, que compartilha com a mãe e a avó, e onde se sente deslocada. Ela é a única mulher de pele escura na família. Nesse movimento, Jimena também lida com sua origem, seu corpo, suas escolhas e se depara com o preconceito e o silêncio de suas relações familiares. | ODESZA – THE LAST GOODBYE CINEMATIC EXPERIENCE | O documentário registra a nova turnê da dupla americana de música eletrônica Odesza. Por meio de entrevistas com os artistas, seus fãs e membros de sua equipe criativa, o filme oferece uma visão divertida e sincera sobre a conexão entre a banda e seus fãs, sobre como as experiências de vida moldaram a criação de seu último álbum e como Odesza foi de aspirante a músicos de uma cidade interiorana a três vezes indicado ao prêmio Grammy.
Volta de “Indiana Jones” é principal estreia da semana nos cinemas
A temporada de blockbusters nos cinemas continua com “Indiana Jones e a Relíquia do Destino”, esperada volta – e despedida – de Harrison Ford ao papel do arqueólogo aventureiro dos anos 1980. O lançamento da Disney vai chegar em 1,2 mil cinemas, repetindo a distribuição massiva das últimas estreias no Brasil. Além disso, a animação “Ruby Marinho – Monstro Adolescente” também deve ganhar circuito amplo, dificultando a estratégia de “Tração”, filme de ação brasileiro com potencial comercial, que se espreme em poucas salas exibidoras. Confira abaixo as estreias de cinema desta quinta (29/6). | INDIANA JONES E A RELÍQUIA DO DESTINO | A despedida de Harrison Ford do papel-título começa com uma impressionante sequência de flashback, ambientada em 1944, que apresenta um Indy mais jovem, graças à tecnologia de rejuvenescimento digital, enfrentando nazistas para se apossar de um artefato crucial, a Antikythera de Arquimedes – um dispositivo de cálculo celestial que no filme tem poderes extraordinários. A história então avança para 1969, onde o agora idoso Dr. Jones, perto de se aposentar e vivendo em um apartamento decadente em Nova York, se vê envolvido em uma última aventura ao lado de Helena (Phoebe Waller-Bridge), a filha de seu falecido parceiro Basil (Toby Jones), e numa corrida com o cientista nazista Jürgen Voller (Mads Mikkelsen) pela tal relíquia. Dirigido por James Mangold (“Logan”), o filme leva Indy e seus aliados a uma série de locais exóticos, incluindo as estreitas ruas de Tânger e a tumba de Arquimedes na Sicília, cheia de quebra-cabeças à la “Código Da Vinci” e um segredo que desafia a física. O elenco de apoio inclui o retorno de algumas personagens queridas da franquia e a adição de novas, como a personagem de Waller-Bridge, Helena, que desempenha um papel significativo na trama. A história também encontra uma maneira de amarrar as pontas soltas de personagens anteriores que haviam desaparecido sem explicação. Mesmo que não seja um clássico como os primeiros longas, sua combinação de nostalgia e ação empolgante proporciona uma despedida digna ao personagem – além de superar o capítulo anterior, “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, de 2008. | RUBY MARINHO – MONSTRO ADOLESCENTE | A nova animação da DreamWorks concebida pelo cineasta Kirk DeMicco (criador de “Os Croods”) segue uma adolescente de 15 anos que descobre que é uma princesa. Mas tem um detalhe: sua família reina no fundo do mar. Ao entrar em contato com a água salgada, ela descobre que faz parte de uma família de Krakens – gigantescos monstros marinhos com tentáculos. Além de lidar com os típicos dilemas adolescentes, Ruby deve agora cumprir seus deveres reais e ajudar na luta contra as terríveis sereias – os verdadeiros monstros da história. Ainda que a narrativa pareça convencional – uma mistura de “Luca” com “Red: Crescer É uma Fera” – , o filme cativa com bom humor e visuais vibrantes. A crítica americana aprovou, com 71% de críticas positivas no Rotten Tomatoes. | TRAÇÃO | Espécie de “Velozes e Furiosos” brasileiro, só que com motos, o filme de ação acompanha corredores de motocross que se envolvem com o crime. A história acompanha Ajax (Marcos Pasquim, de “Morde & Assopra”), um piloto profissional de motocross que sofre pela perda da mãe de sua filha. Certo dia, Ajax e seus amigos são abordados pelo político milionário DiMello (Nelson Freitas, de “Eike, Tudo ou Nada”) com a proposta de uma grande competição com várias categorias de motos e muito dinheiro. Entretanto, eles acabam caindo em uma armadilha e usam da velocidade sobre rodas para escapar desse golpe. A direção é de André Luís Camargo (“Amor, Confuso Amor”), que também atua na produção, e o elenco ainda conta com Fiuk (“O Galã”), Duda Nagle (“Cúmplices de um Resgate”), André Ramiro (“Tropa de Elite”), Paola Rodrigues (“Desafio Egito na Pegada”), Bruna Altieri (“Sistema Bruto”) e Mauricio Meirelles (“Foi Mau”). | A SINDICALISTA | Isabelle Huppert (“Elle”) vive a personagem-título do filme, baseado na história real de Maureen Kearney, uma representante sindical que denunciou acordos secretos e abalou a indústria nuclear francesa. Quando ela é violentamente agredida em casa e começa a reagir, a investigação a transforma de vítima em suspeita. A direção é de Jean-Paul Salomé, em sua segunda parceria seguida com Huppert, após filmá-la na comédia “A Dona do Barato” (2020). | LA PARLE | Durante suas férias de verão, Fanny precisa lidar com a iminência de um exame médico. Acompanhada de três amigos com diferentes preocupações, seu momento de relaxamento se torna uma experiência profunda conforme o grupo cria conexões inesperadas no litoral francês. Além protagonizarem o drama em preto e branco, Fanny Boldini, Gabriela Boeri, Kevin Vanstaen e Simon Boulier também compartilham a direção. Curta-metragistas, eles assinam seu primeiro longa e também estreiam como atores.
Animação da Pixar e comédia com Jennifer Lawrence são destaques nos cinemas
A animação “Elementos” começa a ser exibida em 1,2 mil telas nesta quinta (22/6), dando sequência aos lançamentos amplos de Hollywood, que toda semana trazem um novo candidato a blockbuster ao circuito. A estreia original da produção da Disney Pixar não encontrou muito sucesso nos EUA, onde chegou na semana passada, junto com “The Flash”. Mas a Disney optou por distanciar sua estreia brasileira do filme de super-herói, atrasando a distribuição nacional em uma semana. Com isso, “Elementos” virou a principal opção para o público de todas as idades, já que a segunda novidade de maior alcance, “Que Horas Eu te Pego?”, ao estilo das comédias sexuais dos anos 1980, foi classificada como imprópria para menores de 16 anos. Confira abaixo mais detalhes de todos os títulos que chegam aos cinemas. | ELEMENTOS | A nova animação da Pixar se passa numa cidade onde os elementos do fogo, água, terra e ar vivem juntos em harmonia. Apesar disso, a família de Ember sempre ensinou à jovem que os elementos não se misturam. Mas um encontro fortuito faz com que a garota quente embarque numa jornada de descobertas com um jovem aguado, buscando entender até que ponto água e fogo podem se aproximar. O cineasta Peter Sohn (“O Bom Dinossauro”) diz ter buscado inspiração na sua infância como filho de imigrante coreano em Nova York, quando conviveu com muitas pessoas de culturas diferentes. Mas a analogia se perde numa história confusa, abaixo do padrão que costuma acompanhar a grife Pixar, embora o visual e a técnica de animação mantenha-se de primeiro nível. | QUE HORAS EU TE PEGO? | A comédia sexual traz Jennifer Lawrence (“Não Olhe para Cima”) tentando seduzir um adolescente da geração Z. Ela interpreta uma motorista de Uber sem carro que, em crise financeira, responde a um anúncio preocupado de pais na internet, que buscam alguém capaz de “namorar” seu filho esquisito de 19 anos antes que ele vá para a faculdade. Achando que seria dinheiro fácil, ela acaba tendo mais trabalho que poderia imaginar. Claramente inspirado por clássicos de VHS da década da 1980, o filme tem roteiro e direção de Gene Stupnitsky, conhecido por fazer comédias politicamente incorretas como “Professora sem Classe” (2011) e “Bons Meninos” (2019). Fãs de comédias juvenis dos anos 1980 também vão reconhecer o pai do adolescente: ninguém menos que Ferris Bueller, ou melhor, o ator Matthew Broderick. | SEDE ASSASSINA | A estreia em Hollywood do cineasta argentino Damian Szifrón (“Relatos Selvagens”) é um thriller policial sobre a caça a um sniper assassino. Profissional que mata seus alvos à distância sem deixar pistas, o serial killer escapa de todas as tentativas de captura, até que uma policial inexperiente é recrutada para o caso num palpite do chefe da investigação, e demonstra que seu perfil desajustado pode ser a chave para entender a mente desse assassino. O elenco destaca Shailene Woodley (“Divergente”), Ben Mendelsohn (“Capitã Marvel”) e Jovan Adepo (“Babilônia”). | AO SEU LADO | Dois jogadores de rugbi acabam se envolvendo sexualmente e tentam esconder o caso, não apenas de seus próprios parceiros, mas também de seus companheiros de equipe. O drama esportivo do britânico Matt Carter venceu o prêmio de Melhor Filme de Estreia no festival LGBTQIAPN+ FilmOut, de San Diego, nos EUA. | DERRAPADA | O novo filme de Pedro Amorim (“Dissonantes”) é um drama sobre gravidez adolescente, que transporta a trama de “Slam”, livro do inglês Nick Hornby (“Alta Fidelidade”), para cenários e realidade brasileiros. O protagonista é um skatista, filho de mãe solteira, que se envolve com uma poeta de slam e acaba engravidando a jovem – apesar de saber tudo o que a mãe passou na juventude, por engravidar aos 16 anos e precisar criar o filho de um pai irresponsável e ausente. No livro, o skatista acaba tendo uma luz ao conhecer a história de seu ídolo, Tony Hawk. Na versão brasileira, o ídolo é Bob Burnquist. O resto do elenco destaca Matheus Costa (“Desapega!”), Heslaine Vieira (“As Five”) e Nanda Costa (“Monster Hunter”). | TINNITUS | O drama esportivo de Gregorio Graziosi (“A Obra”) tem uma inesperada guinada para o terror. A trama gira em torno de Marina (Joana de Verona), uma atleta de Saltos Ornamentais que sofre de um terrível zumbido nos ouvidos. Após sofrer um acidente, ela troca a perigosa e desafiadora plataforma de saltos por uma pacata vida no aquário, onde trabalha fantasiada de sereia. No entanto, busca voltar ao esporte que ama, o que faz aumentar os desafios, o zumbido e o perigo. O roteiro é de um especialista em terrores não convencionais, o cineasta Marco Dutra (“As Boas Maneiras”). | SEUS OSSOS E SEUS OLHOS | Filme antigo, o segundo longa de Caetano Gotardo (“Todos os Mortos”) foi exibido na Mostra de Tiradentes de 2019. A abordagem é de cinema autoral, mas o clima teatralizado explica a relutância do circuito comercial em programá-lo. O próprio diretor vive o protagonista, um cineasta gay de classe média, passando por uma série de encontros com pessoas diversas, incluindo uma amiga, o namorado e um rapaz que vê no metrô e com quem se envolve sexualmente, entre outros conhecidos e desconhecidos. Esses encontros o afetam e revelam aos poucos um jogo de tempos que mistura vida e processo de criação, presente e memória.
“The Flash” tem lançamento de blockbuster nos cinemas
O aguardado filme “The Flash” chega em 1,3 mil salas de cinema nesta quinta (15/6), marcando o sexto lançamento em estilo blockbuster no país desde o mês de maio. Antes do longa de super-herói da DC/Warner Bros, vieram “Transformers: O Despertar das Feras” com estreia em 1,1 mil telas, “Homem-Aranha: Através do Aranhaverso” em 1,5 mil, “A Pequena Sereia” em 1,4 mil, “Velozes e Furiosos 10” em 1,7 mil e “Guardiões da Galáxia Vol. 3” em 1,6 mil. Detalhe: o Brasil tem aproximadamente 3,2 mil telas em seu circuito exibidor e todos esses blockbusters ainda estão em cartaz. Por conta disso, as demais estreias da semana visam exclusivamente o circuito alternativo. A maioria são documentários, inclusive duas produções sobre integrantes do grupo BTS, fenômeno do K-Pop. Confira todas as estreias abaixo. | THE FLASH | A nova incursão no multiverso dos super-heróis dividiu a crítica, após ser propagandeada como a melhor adaptação da DC Comics de todos os tempos. Não chegou nem perto do hype plantado pela Warner Bros, embora o filme dirigido por Andy Muschietti, conhecido pelo terror “It – A Coisa”, faça realmente a despedida do Snyderverso (os heróis da Liga de Justiça de Zack Snyder). O roteiro de Christina Hodson (“Aves de Rapina”) adapta um dos arcos mais famosos dos quadrinhos da editora, o crossover “Ponto de Ignição” (Flashpoint). No filme, o velocista interpretado por Ezra Miller volta no tempo para impedir o assassinato de sua mãe e, ao fazer isso, acaba alterando a linha temporal do planeta inteiro. Entre os eventos inesperados, ele encontra uma versão mais jovem de si mesmo (também interpretada por Miller) e, ao mesmo tempo, se depara com um mundo em que a Liga da Justiça nunca existiu. Para piorar, como Superman nunca chegou a Terra, não há ninguém capaz de impedir a invasão do General Zod (Michael Shannon, repetindo seu papel de “O Homem de Aço”). Assim, cabe ao Flash do futuro reunir um grupo de heróis para fazer frente a essa ameaça. Com a ajuda de um Batman mais velho (Michael Keaton, que viveu o herói em filmes de 1989 e 1991), ele consegue encontrar e liberar um kryptoniano para auxiliá-los: Kara, uma nova Supergirl morena, vivida por Sasha Calle (“The Young and the Restless”) – que é a primeira intérprete latina da heroína. A narrativa centrada em viagens no tempo e universos alternativos pode remeter a sucessos como “Vingadores: Ultimato” e “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”, mas a trama sofreu horrores com suas inúmeras refilmagens, que acrescentaram e tiraram personagens, salvaram e mataram heróis, porém deixaram o fan service mais rejeitado de todos os tempos, em que o Flash tem visões de diferentes versões dos personagens da DC – inclusive de filmes que nunca saíram do papel, mas não de sua bem-sucedida versão da TV. O resultado é um filme caríssimo que arrecadou muito pouco, um fracasso retumbante de público e crítica. O que só aumenta a tristeza por seus pontos positivos, em especial a descoberta de Sasha Calle como Supergirl, que, infelizmente, após a fraca bilheteria, não deve ser reaproveitada no futuro da DC planejado pelos novos chefões do estúdio no cinema. Ela é o principal motivo para recomendar a ida ao cinema. | MEDUSA DELUXE | A exótica comédia britânica é ambientada em uma competição regional de cabeleireiros e se desenvolve após o assassinato macabro de um dos competidores, com o crime provocando uma cadeia de suspeitas, fofocas e intrigas entre os cabeleireiros, modelos e seguranças presentes. Com visual arrojado e audácia narrativa, a estreia do diretor Thomas Hardiman encantou a crítica, atingindo 92% de aprovação no site Rotten Tomatoes – houve até comparações com o cinema de Pedro Almodóvar. Os papéis principais são vividos por Clare Perkins (“A Roda do Tempo”) e Harriet Webb (“Succession”), rivais na disputa diretas na disputa pelo penteado mais ousado da competição. | A HISTÓRIA DA MINHA MULHER | O capitão de um navio faz uma aposta em um café com um amigo de que casará com a primeira mulher que entrar. E dá sorte: a esposa desconhecida é vivida por ninguém menos que Léa Seydoux (“007: Sem Tempo para Morrer”). A atração é visível e mútua. Mas a suspeita de infidelidade ameaça condenar o capitão à loucura. A direção é da húngara Ildikó Enyedi, indicada ao Oscar e vencedora do Urso de Ouro no Festival de Berlim por “De Corpo e Alma” (2017). E o elenco ainda destaca Gijs Naber (“A Espiã”) como o capitão e Louis Garrel (“Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan”) como a fonte de seu ciúmes. | BEM-VINDOS DE NOVO | O primeiro documentário de Marcos Yoshi, diretor e personagem, retrata a trajetória imigratória de sua família. O filme registra o reencontro de pai e filhos, descendentes de japoneses afetados pelo fluxo imigratório entre Brasil e Japão, conhecido como fenômeno dekassegui, depois de 13 anos de separação. | REMOÇÃO | Dez anos antes de fazer a novela “Todas as Flores”, o diretor Luiz Antônio Pilar se juntou a Anderson Quack (“Vai Dançar”) para realizar esse documentário sobre o processo de remoção das favelas da zona sul da cidade do Rio de Janeiro nas décadas de 1960 e 1970, que deram origem a primeira experiência de criação dos conjuntos habitacionais de Vila Kennedy, Vila Aliança, Cidade de Deus, Cidade Alta, em Cordovil; Dom Jayme Câmara, em Padre Miguel e a Cruzada São Sebastião, no Leblon. O filme de 2013 finalmente estreia nos cinemas. | PLAUTO, UM SOPRO MUSICAL | O documentário aborda a vida e a obra de um dos maiores músicos gaúchos: Plauto Cruz, considerado por muitos o melhor flautista do Brasil. A direção é de Rodrigo Portela (do curta “Reflexos”). | SUGA – ROAD TO D-DAY | | J-HOPE – IN THE BOX | As duas produções da Disney+ sobre integrantes do BTS ganham exibição limitada nos cinemas. Os documentários focam os processos criativos de Suga e J-Hope, que encaram os desafios da carreira solo durante a pausa do grupo fenômeno do K-Pop. As produções têm várias cenas de viagens internacionais, com destaque para a apresentação de J-Hope no Lollapalooza norte-americano. Ambos estão disponíveis em streaming.












