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Divulgação/Warner Bros. Pictures

Filme|7 de setembro de 2023

“A Freira 2” e “Angela” são as principais estreias de cinema do feriadão

Terror “A Freira 2” é a principal estreia do feriadão, que também vai receber o drama true crime brasileiro “Angela” e a animação “A fada do Dente”. Os demais lançamentos acontecem em circuito limitado. Confira abaixo os trailers e mais detalhes.

 

A FREIRA 2

 

O terror é uma continuação do sucesso de 2018, que se tornou o título de maior bilheteria da franquia “Invocação do Mal” com US$ 365,5 milhões arrecadados ao redor do mundo. A sequência volta a trazer Taissa Farmiga como a Irmã Irene, novamente enfrentando a freira demoníaca Valak (Bonnie Aarons). Ambientado em 1956, alguns anos após o primeiro longa, a história começa com o amigo de Irmã Irene, Maurice (Jonas Bloquet), sendo possuído por Valak. Após um terrível evento na escola francesa onde Maurice trabalha, Irene se envolve na investigação, ajudada por uma nova freira, interpretada pela atriz Storm Reid (“Euphoria”).

A direção é de de Michael Chaves, que fez sua estreia com “A Maldição da Chorona” e comandou “Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio” (2021), a mais recente produção desse universo de terror.

A produção continua a cargo de James Wan, diretor dos dois primeiros “Invocação do Mal”, e Peter Safran, atual responsável pelo DC Studios ao lado de James Gunn. O roteiro foi escrito por Akela Cooper (“Maligno”) e revisado por Ian Goldberg e Richard Naing (ambos de “Fear the Walking Dead”).

 

ANGELA

 

O filme de true crime mais esperado do ano traz Isis Valverde (“Simonal”) como Angela Diniz, socialite vítima de violência doméstica, que foi assassinada pelo próprio marido. O crime cometido por Raul “Doca” Street tornou-se um divisor de águas no movimento feminista e no Direito brasileiros. Durante o julgamento do assassino, que deu quatro tiros no rosto da companheira em dezembro de 1976, no auge de uma discussão na Praia dos Ossos, em Búzios, Rio de Janeiro, a defesa alegou “legítima defesa da honra” para tentar absolvê-lo do caso. Ele alegou ter matado “por amor”.

O argumento gerou polêmica. Militantes feministas organizaram um movimento cujo slogan – “quem ama não mata” – tornou-se, anos mais tarde, o título de uma minissérie da Globo. Até o grande poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) se manifestou: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”, referindo-se à estratégia da defesa de culpabilizar Angela Diniz por seu próprio assassinato.

A tese da “legítima defesa da honra” constava no Código Penal da época, mas mesmo assim Doca Street foi condenado a 15 anos de prisão. Na década seguinte, a nova Constituição, elaborada ao fim da ditadura, acabou com essa desculpa para o feminicídio, mas só agora, em agosto de 2023, o STF (Supremo Tribunal Federal) a tornou oficialmente inconstitucional.

Com boa recriação dos anos 1970, o diretor Hugo Prata (“Elis”) mostra o machismo da época e a dificuldade de Leila Diniz para se desvencilhar do marido violento, com medo de ser “malvista” pela sociedade. O elenco ainda destaca Gabriel Braga Nunes (“Verdades Secretas”) no papel de Doca Street, além de Bianca Bin (“O Outro Lado do Paraíso”), Emílio Orciollo Netto (“O Mecanismo”), Chris Couto (“Não Foi Minha Culpa”), Gustavo Machado (“A Viagem de Pedro”) e Carolina Manica (“Vale dos Esquecidos”).

 

A FADA DO DENTE

 

A animação germano-luxemburguesa segue Violetta, uma fada atrevida, que entra clandestinamente no mundo humano. Por acaso, ela conhece uma menina de 12 anos, Maxie, que se sente perdida na cidade e que tem como maior desejo voltar para o campo. As dois fecham um acordo secreto, mas os planos não saem como planejado.

A trama explora temas de pertencimento e identidade através das protagonistas, retratadas como desajustadas em seus respectivos mundos. O filme também introduz um vilão, Rick, que tem planos para demolir uma estufa urbana que contém uma árvore crucial para o retorno de Violetta ao seu mundo. A narrativa incorpora elementos contemporâneos ao imaginar o ofício das fadas dos dentes como uma operação de entrega semelhante a uma big-tech.

Primeiro longa dirigido por Caroline Origer (da série “Polo”), a animação se destaca por seus elementos visuais, embora seja nítida a falta de complexidade temática em comparação com obras similares dos EUA.

 

NOSSO AMIGO EXTRAORDINÁRIO

 

A comédia de Marc Turtletaub (“O Quebra-Cabeça”) oferece a Ben Kingsley (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”) um papel ímpar como Milton, um idoso cuja vida segue uma rotina monótona. Participando assiduamente das reuniões do conselho municipal e cuidando de seu jardim, Milton tem sua vida drasticamente alterada quando um disco voador cai em seu quintal. Inicialmente desacreditado pelos habitantes locais, ele resolve abrigar o visitante alienígena, interpretado por Jade Quon (“Raze: Lutar ou Correr”). Duas mulheres do círculo municipal, interpretadas por Harriet Sansom Harris (“Lobisomem na Noite”) e Jane Curtin (“As Donas do Pedaço”), acabam se envolvendo na trama ao perceber a chegada suspeita de agentes do governo na cidade.

A narrativa se distingue de outros filmes do gênero alienígena por focar em personagens idosos que encontram afinidade com o status de “forasteiro” do extraterrestre. O filme explora temas como isolamento na terceira idade e a busca por autonomia, conferindo complexidade aos personagens sem recorrer a caricaturas. Ao longo da história, os protagonistas vivem momentos que vão de humor leve a introspecções sobre envelhecimento e amizade.

Trata-se basicamente de “E.T. – O Extraterrestre” com um grupo demográfico muito diferente.

 

LOBO E CÃO

 

Ambientado na ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, a primeira ficção da documentarista portuguesa Cláudia Varejão (“No Escuro do Cinema Descalço os Sapatos”) é um drama queer adolescente, estrelado por um elenco sem experiência anterior, e premiado na seção Jornada dos Autores do Festival de Veneza do ano passado.

A trama segue Ana (Ana Cabral), uma jovem que busca romper com as restrições de gênero impostas pela sua comunidade tradicional e religiosa. Ana encontra amizade e apoio em Luis (Ruben Pimenta), seu amigo abertamente gay, e em Chloe (Cristiana Branquinho), uma amiga que vem do Canadá. O irmão mais velho de Ana envolve-se com atividades ilegais, trazendo outra camada de complexidade à história.

Claudia Varejão, com experiência em documentários, utiliza uma abordagem que combina neorrealismo e experimentação, capturando a vida cotidiana dos personagens com uma câmera que se torna cada vez mais experimental à medida que o filme avança. O trabalho de Rui Xavier como diretor de fotografia também é notável, trazendo à tela a atmosfera e a paisagem do local.

A obra foi bem-recebida por tratar de maneira positiva e esperançosa a comunidade LGBTQIA+ em um contexto de isolamento e conservadorismo religioso. Sem recorrer a dramatizações excessivas, foca em microagressões e breves explosões de discurso de ódio, equilibrando a narrativa com momentos que celebram a resiliência e a quebra de barreiras sociais.

 

NÍOBE

 

O thriller político de ação, escrito e dirigido por Fernando Mamari (“Delirius Insurgentes”), se passa num país fictício da América do Sul, onde se fala português com sotaque carioca, e aborda um dia crucial na vida dos poderosos locais, incluindo o presidente da república, interpretado por Kadu Moliterno (“Topíssima”), e um general de alto escalão, vivido por Roberto Pirillo (“Magnífica 70”). O ponto central da trama é um encontro promovido por um empresário influente, cujo objetivo é explorar território indígena para a extração de minerais. No decorrer da noite, um grupo de prostitutas de luxo, liderado por Rita (Bárbara França, ex-“Malhação”), começa a ter uma influência imprevista nos resultados das negociações.

André Ramiro (“Ilha de Ferro”) também está no elenco, ao lado de Breno de Filippo (“Dom”) e atores menos conhecidos. A produção da Pajé Cultura combina ação, com muitos tiros e violência, e crítica à corrupção dos poderes constituídos, conforme, de forma inesperada, o destino de um país inteiro vai parar nas mãos de sete prostitutas que não têm medo de aproveitar a oportunidade.

Apresentado no Ventana Sur, recebeu o Chemistry Award para serviços de pós-produção.

 

UM POUCO DE MIM, UM POUCO DE NÓS

 

O diretor André Bushatsky (“A História do Homem Henry Sobel”) revisita a Segunda Guerra Mundial pelos depoimentos de sobreviventes do Holocausto que conseguiram escapar do pesadelo nazista e reconstruíram suas vidas no Brasil. O documentário também procura esclarecer porque a História tem a mania de se repetir e o que se pode fazer para garantir que os mesmos erros não se repitam.

 

EU DEVERIA ESTAR FELIZ

 

O documentário de Clauda Priscilla, diretora do premiado “Bixa Travesty” (2018), aborda a depressão pós-parto a partir da realidade de quatro mulheres que passaram por isso.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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