José de Abreu é condenado a indenizar Bia Doria por ofensa nas redes sociais
O ator José de Abreu foi condenado por um tuíte em que comparou a primeira-dama do estado de São Paulo, Bia Doria, a uma vaca. Ele terá que pagar uma indenização de R$ 50 mil à esposa do governador João Doria. O valor é metade do que pretendia a artista plástica, que acionou Abreu judicialmente, pedindo R$ 100 mil de indenização por dano moral, por ter ofendido “sua honra e reputação ao compará-la a um animal”. No tuíte compartilhado no dia 9 de outubro de 2016, Abreu escreveu: “STF proíbe vaquejada mas permite que a Bia Doria dê entrevista? É um crime contra os animais…”. Naquele dia, a Folha de S. Paulo havia publicado entrevista em que ela falou sobre a eleição do marido João Doria à prefeitura. Ela comparou a favela de Paraisópolis (na zona sul da capital) à Etiópia, disse que “quase nunca” havia ido ao Minhocão (na região central) e contou como ajudava os assistentes de seu ateliê: “Consegui casa para todos eles, dei dentes para eles, dei um plano de saúde bom”. A repercussão foi catastrófica, a ponto de Bia ser, desde então, blindada de contato com a imprensa. Quando o controle relaxou, ela causou outras polêmicas ao exprimir opiniões exóticas sobre os sem-tetos. Ainda cabe recurso contra a decisão do juiz Douglas Iecco Ravacci, da 33ª Vara Cível da Comarca de São Paulo, que determinou que Abreu também terá que arcar com o pagamento das custas e despesas processuais, além de honorários advocatícios de 10% do valor atualizado da condenação. A defesa do ator sustenta que ele fez a postagem “com intenção humorística e irônica” e se valeu do direito à liberdade de expressão, mas o magistrado considerou que o princípio não se aplica ao caso. “Não foi uma crítica, nem uma piada ruim”, escreveu na sentença, mas “verdadeira ofensa pessoal”. O juiz concordou com a tese da primeira-dama de que o ator efetivamente a chamou de vaca e disse que se trata de “expressão ofensiva utilizada contra mulheres”. Atualmente morando na Nova Zelândia, Abreu foi citado por edital público, após passar dois anos fugindo de oficial de justiça.
Responsável pelo atentado contra Porta dos Fundos vira réu por tentativa de homicídio
Eduardo Fauzi Richard Cerquise, o homem identificado como um dos responsáveis pelo atentado à bomba contra a sede da produtora Porta dos Fundos em dezembro do ano passado, vai responder por tentativa de homicídio. Ele se tornou réu nesta terça-feira (22/9), quando a 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Após fugir para o exterior, ele foi preso pela Interpol em Moscou, na Rússia, no começo de setembro e aguarda a extradição para o Brasil. A mesma decisão que tornou Fauzi réu também determinou sua prisão preventiva, de modo que ele desembarcará no aeroporto e irá diretamente para um presídio. Após ser identificado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro como um dos cinco homens que jogaram coquetéis molotov na sede da produtora, na véspera de Natal, o próprio suspeito assumiu a autoria do crime em postagens nas redes sociais. Em sua denúncia, o MP-RJ considera que, ao lançar os artefatos explosivos, Fauzi assumiu o risco de matar o vigilante que estava trabalhando na portaria do edifício. Como a porta de acesso ao edifício é de vidro, o vigilante podia ser visto pelo lado externo. Ainda segundo o Ministério Público, o vigilante só não morreu porque teve pronta reação, conseguindo controlar o incêndio causado e fugir do imóvel, apesar de a portaria ser pequena, com apenas uma saída. De acordo com a acusação, o delito tem o agravante de ter sido praticado por motivo fútil. O ataque aconteceu porque o grupo do qual Fauzi fazia parte não gostou do especial de fim de ano produzido pelo Porta dos Fundos para a Netflix, em que Jesus foi retratado como gay. Além do crime, os responsáveis pelo atentado divulgaram um vídeo de teor similar ao de organizações terroristas, usando máscaras, fazendo ameaças e incentivando o ódio contra os humoristas. Ao aceitar a denúncia, o juiz Alexandre Abrahão, da 3ª Vara Criminal do Rio, concluiu haver indícios de autoria, com base no relato da vítima e de testemunhas, assim como risco à garantia da ordem pública caso o acusado seja mantido em liberdade. Já a defesa do agora réu, em nota à imprensa, afirmou que Fauzi não arremessou qualquer artefato contra a produtora e diz que “recebeu com surpresa” a decisão judicial de aceitar a denúncia. “Soa absurdo que, mesmo havendo um laudo pericial extenso” e “vários estudos do Instituto de Criminalística da Polícia do RJ afirmando que não houve explosão e risco contra a vida de qualquer pessoa”, Fauzi seja julgado “como um homicida”. O escritório ROR Advocacia Criminal, que defende Fauzi, afirma ainda que “demonstrará a desnecessidade da decretação da prisão preventiva” e provará a inocência de seu cliente “de forma cristalina”. O MP espera que, para provar que não arremessou o conteúdo explosivo, o réu nomeie os comparsas responsáveis pelo ato criminoso, até agora não identificados.
Bolsonaro é condenado por usar filme para espalhar fake news
Chamar Jair Bolsonaro de mentiroso não é mais injúria, após a condenação do presidente nesta segunda (21/9) por divulgar mentiras nas redes sociais. Bolsonaro foi condenado pela juíza Maria Cristina de Brito Lima, da 4ª Vara Empresarial do Rio, pela publicação de um post no Twitter em que usou imagens do documentário “O Processo”, da diretora Maria Augusta Ramos, para espalhar fake news. Publicado em 13 de julho de 2019, o post trazia uma cena do filme sobre o impeachment de Dilma Rousseff, que Bolsonaro chamou de vídeo “vazado”, sugerindo tratar-se de um encontro do chamado “Foro de São Paulo” em Caracas, na Venezuela. Na verdade, o trecho mostrava uma reunião da bancada do PT, em Brasília. “Esse vídeo não vazou por acaso. Nele nunca se viu tantas pessoas do mal, inimigas da democracia e liberdade, juntas. É O JOGO DO PODER. A vitimização do PT é uma das últimas cartas do Foro de São Paulo em Caracas/Venezuela (24 a 28/julho)”, afirmou o presidente. Maria Augusta Ramos acionou a justiça diante da desfaçatez. A sentença saiu nesta segunda (21/9). A juíza condenou Bolsonaro a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios da cineasta, proibiu o presidente de utilizar qualquer obra da diretora, integral ou parcialmente sem autorização, sob pena de multa diária por utilização indevida de R$ 10 mil, e deu prazo de 24 horas para que o Twitter retire do ar a postagem. Caso o vídeo continue no ar, o Twitter pode responder por danos morais. Além disso, a multa será cobrada do presidente. Por enquanto, o vídeo permanece vinculado ao perfil de Bolsonaro, como se pode ver abaixo (se não puder ver, ele foi retirado). – Esse vídeo não vazou por acaso. Nele nunca se viu tantas pessoas do mal, inimigas da democracia e liberdade, juntas. É O JOGO DO PODER. A vitimização do PT é uma das últimas cartas do Foro de São Paulo em Caracas/Venezuela (24 a 28/julho). pic.twitter.com/PiiuUv2GJg — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) July 13, 2019
Herói que inspirou filme Hotel Ruanda pode pegar prisão perpétua
Paul Rusesabagina, cuja vida inspirou o filme “Hotel Ruanda”, no qual foi retratado como herói, está sendo acusado de terrorismo, cumplicidade em assassinato e formação ou adesão a um grupo armado irregular, além de mais 10 crimes. Ele pode pegar entre 25 anos e prisão perpétua se for condenado por alguma das acusações. “Hotel Ruanda” mostrava como o ex-gerente de hotel usou suas conexões com a elite hutu para proteger os tutsis do massacre que transformou a região num banho de sangue genocida. Por interpretar Rusesabagina, o ator Don Cheadle foi indicado ao Oscar em 2005. Opositor do atual governo do país, Rusesabagina já pregou resistência armada em um vídeo do YouTube, mas se recusou a responder às acusações na audiência do tribunal, que aconteceu na segunda-feira (14/9), dizendo que quer apelar contra cada uma. Seu caso chamou a atenção para o governo do presidente Paul Kagame, que é acusado por grupos de direitos humanos de sufocar a dissidência. A família de Rusesabagina pede um julgamento internacional. Eles também acusaram o governo de negar a ele a representação legal de sua escolha.
Bilheterias: Mulan implode e Tenet supera US$ 200 milhões
“Tenet” e “Mulan” são atualmente os principais lançamentos de Hollywood em cartaz no mercado internacional, nos países onde os cinemas já se encontram abertos. E ambos surpreenderam seus estúdios por conta de desempenhos inesperados, mas em sentidos contrários. A Disney fez tudo para agradar – ou, ao menos, não desagradar – o governo chinês para lançar “Mulan” naquele país. Sem se manifestar após declarações de Liu Yifei, a Mulan, contra o movimento pró-democracia de Hong Kong e ao incluir créditos finais que elogiam autoridades chinesas de uma região submetida à esterilização e reeducação forçadas, o estúdio viu se alastrarem campanhas de boicote ao filme em Taiwan, Hong Kong, Singapura e Tailândia. Mas a aposta de que a bilheteria chinesa compensaria tudo isso resultou equivocada. A verdade é que os esforços do estúdio para recuperar seu investimento foram sabotados em todas as etapas pelos poderosos de Pequim. “Mulan” só conseguiu liberar seu lançamento junto aos censores duas semanas antes da estreia prevista, ficando com pouco tempo para a divulgação. Além disso, segundo as agências de notícias, os principais meios de comunicação do país foram proibidos de cobrir a estreia e de fazer críticas independentes sobre o filme. Mas não ficou nisso. O Global Times, jornal do regime e único órgão de imprensa autorizado a criticar o longa, atacou o “baixo nível artístico” e “incompreensão da cultura chinesa” da produção, decretando que isso teria levado “ao fracasso de Mulan na China”. “O filme foi rejeitado devido à sua representação hipócrita, que falhou em ressoar com o público chinês”, afirmou a publicação antes das bilheterias abrirem na sexta (11/9), dia da estreia. O resultado anteclimático agora tem números. “Mulan” faturou US$ 23,2 milhões em seu fim de semana de estreia a China, abrindo em 2º lugar, atrás do blockbuster local “The Eight Hundred”. No resto do mundo, o filme fez só US$ 5,9 milhões. Assim, somando-se os locais em que o lançamento aconteceu na semana passada, o filme atingiu um total de US$ 37,6 milhões. Para recuperar os mais de US$ 200 milhões gastos em sua produção, a Disney está apostando no mercado digital, com distribuição em VOD premium (o estúdio chama de Premier Access) no Disney+ (Disney Plus) nos EUA. Entretanto, em três meses o longa estará disponível de graça para os assinantes da plataforma. “Tenet”, por outro lado, segue lotando cinemas. Ficou em 3º lugar em seu segundo fim de semana na China, mas já soma US$ 50,8 milhões no mercado local. Só nos últimos três dias, a produção da Warner faturou mais que a estreia de “Mulan”, com US$ 38,3 milhões mundiais – somando no montante US$ 6,7 milhões da América do Norte. Além da China, mais quatro países renderam bilheteria maior que a americana para “Tenet” entre sexta e domingo (13/9): Reino Unido (US$ 16,4 milhões), França (US$ 13,2 milhões), Alemanha (US$ 11,4 milhões) e Coréia do Sul (US$ 10,3 milhões). Na soma completa de suas bilheterias, desde o lançamento em 26 de agosto na Europa, “Tenet” já faturou US$ 207 milhões em todo o mundo. Em outros tempos, esses rendimentos representariam um fracasso colossal para uma produção com seu custo – também orçada em torno de US$ 200 milhões. Mas em tempos de covid-19, são números que o mercado comemora. A Warner espera lançar “Tenet” em 15 de outubro no Brasil, mas “Mulan” saiu do calendário de estreias nacionais, possivelmente porque deve chegar diretamente em streaming por aqui.
China proíbe críticas independentes e destrói estreia de Mulan no país
A Disney está aprendendo uma lição bastante valiosa, digna de suas fábulas mais moralistas, com o lançamento de “Mulan” na China. Após fazer tudo para agradar o governo chinês, o estúdio viu sua produção ser alvo de uma espécie de censura branca do governo do país. Segundo as agências de notícias, autoridades chinesas orientaram os principais meios de comunicação a não cobrirem a estreia do filme nesta sexta (11/9). Foram proibidas críticas independentes sobre o filme. A ordem teria relação com a campanha de boicote de ativistas pró-democracia, mas por motivo diverso. Os ativistas chamaram a atenção internacional sobre as ligações do filme com a região de Xinjiang, onde ocorreram as filmagens. Os créditos finais do longa agradecem as autoridades da região. O problema é que, povoado majoritariamente pela minoria muçulmana do país (os uigures), o local teria sido palco de inúmeras violações de direitos humanos cometidas pelo governo central chinês. Uma investigação internacional realizada em 2019 e por 17 veículos de imprensa, como a BBC e os jornais Le Monde e The New York Times, teve acesso a documentos que mostram que cerca de 1 milhão de uigures foram aprisionados e torturados em campos de reeducação em Xinjiang. Os moradores afirmam ter sido submetidos a regimes de doutrinação política exaustiva, trabalho forçado e esterilização — parte de um suposto programa para suprimir as taxas de natalidade na população muçulmana. O estúdio americano acabou queimando seu filme ao endossar as autoridades do local. Ao mesmo tempo, recebeu em retorno o tratamento de quem foi infectado por um vírus terrível, que o governo chinês trata de isolar com uma quarentena forçada de mídia. O mercado chinês era a grande esperança da Disney para recuperar o grande investimento feito no filme, orçado em cerca de US$ 200 milhões. Por conta disso, a Disney já tinha relevado comentários da estrela Liu Yifei, intérprete de Mulan, em favor da repressão policial às manifestações pró-democracia de Hong Kong. Baseado em uma história folclórica chinesa, “Mulan” foi concebido para atrair o público da China, o segundo maior mercado de cinema do mundo – na verdade, o primeiro após a pandemia de coronavírus. Mas a censura na imprensa deve impedir que a produção atinja a arrecadação esperada. Para piorar, o Global Times, jornal do regime e único órgão de imprensa autorizado a criticar o longa, atacou o “baixo nível artístico” e “incompreensão da cultura chinesa” da produção, o que, inclusive, já teria levado “ao fracasso de Mulan na China”. “O filme foi rejeitado devido à sua representação hipócrita, que falhou em ressoar com o público chinês”, afirma o texto, decretando a despedida do longa no dia de sua estreia. A China prefere que “Mulan” saia logo de cartaz para que as polêmicas que o acompanham saiam das pautas e sejam esquecidas. Ao final, a Disney se sujeitou a enxovalhar sua imagem de defensora de direitos humanos em troca de um punhado de yuans, a moeda chinesa. Achando que ia se banquetear, saiu da trilha certa e segura para tomar um atalho. Engambelada, acreditou que o lobo era uma vovozinha. Há uma moral da história aqui.
Créditos de Mulan criam nova polêmica com ativistas pró-democracia na Ásia
A campanha de boicote a “Mulan” ganhou novo impulso na Ásia após a estreia do filme em Taiwan e na Tailândia no fim de semana passado. Ativistas pró-democracia ficaram incomodados pelo texto dos créditos da produção, exibidos após o fim do filme. Entre os agradecimentos da produção, há menções às agências governamentais da China que viabilizaram filmagens do longa na província de Xinjiang. Povoado majoritariamente pela minoria muçulmana do país (os uigures), o local teria sido palco de inúmeras violações de direitos humanos cometidas pelo governo central chinês. Uma investigação internacional realizada em 2019 e por 17 veículos de imprensa, como a BBC e os jornais Le Monde e The New York Times, teve acesso a documentos que mostram que cerca de 1 milhão de uigures foram aprisionados e torturados em campos de reeducação em Xinjiang. Os moradores afirmam ter sido submetidos a regimes de doutrinação política exaustiva, trabalho forçado e esterilização — parte de um suposto programa para suprimir as taxas de natalidade na população muçulmana. Em resposta à polêmica, o governo chinês afirmou que os campos de detenção têm o objetivo de “pacificar” a região e acelerar seu desenvolvimento econômico. A Disney agradece, ao todo, oito entidades governamentais de Xianjiang, incluindo o departamento de segurança pública, responsável pela “pacificação” dos uigures, e até o departamento de publicidade do Partido Comunista Chinês, responsável pela propaganda do regime e as justificativas cor-de-rosa para a tortura da população. Um dos mais importantes ativista pró-democracia de Hong Kong, o jovem Joshua Wong, foi ao Twitter se dizer indignado com a submissão da Disney ao governo chinês, comentando a nova polêmica de “Mulan”. “Só piora! Agora, quando você assiste ‘Mulan’, não só está fechando os olhos para a brutalidade policial e a injustiça racial defendida pelo elenco principal, também é potencialmente cúmplice do encarceramento em massa de uigures muçulmanos. #BoicoteMulan”, escreveu Wong. O filme já vinha enfrentando boicote de ativistas por conta de sua história, que enaltece a defesa da China contra rebeliões, mas principalmente por declarações da atriz Liu Yifei, que dá vida à protagonista, em apoio às forças policiais durante a repressão violenta aos protestos pró-democracia de Hong Kong. A Disney aposta alto no lançamento da produção no mercado chinês, onde os cinemas já voltaram a lotar e bater recordes de arrecadação. A estreia de “Mulan” na China está marcada para sexta-feira (11/9). Activist Joshua Wong accused Disney of “kowtowing” to China, citing Liu and another actor’s support for Hong Kong police and the movie’s credits mentioning state organisations in Xinjiang. “We urge people around the world to boycott the new Mulan movie,” he told Reuters pic.twitter.com/4FZN42ICY1 — Joshua Wong 黃之鋒 😷 (@joshuawongcf) September 8, 2020
Marcelo Adnet transforma ofensas de Mário Frias em piada
Marcelo Adnet aproveitou o material humorístico fornecido pelo secretário de Cultura Mário Frias em novo esquete do programa “Sinta-se em Casa”, do Globoplay. Primeiro programa após os ataques de Frias e da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República), motivados por uma paródia feita por Adnet na sexta (4/9), o “Sinta-se em Casa” desta segunda (7/9) não deixou passar batido a reação desmedida do secretário, parafraseando as ofensas que ele postou nas redes sociais. “Isso mesmo, presidente. Vivemos a época do ‘mimimi’, mas curiosamente vou usar recursos e energia para responder a uma piada que não gostei: frouxo, sem futuro, criatura imunda”, diz Adnet no vídeo, ironizando a reação de Frias. No esquete, Adnet ainda apareceu em um playground para ilustrar a frase em que secretário faz bravata de recreio estudantil: “No lugar onde eu cresci, não duraria um minuto”. O humorista também incorporou Bolsonaro para falar que quer acabar com o politicamente correto, contudo o que realmente importa é “atacar quem faz piada conosco”. Confira abaixo. Dia de virar as costas pro Pantanal e dramatização do xilique-resposta do Brother Retumbante. Pedro reclamando seus direitos autorais. #SintaSeEmCasa completo, grátis e sem recursos públicos aqui: https://t.co/SL4t86LKCb pic.twitter.com/b4MN6dd1tS — Marcelo Adnet (@MarceloAdnet) September 7, 2020
Diretor do Festival de Cannes protesta contra situação da Cinemateca Brasileira
O diretor do Festival de Cannes, o francês Thierry Frémaux, prestou solidariedade à Cinemateca Brasileira durante evento neste fim de semana no Festival de Veneza, em que considerou o desgoverno do presidente Jair Bolsonaro como uma ameaça à Cultura. “Quero expressar meu apoio à Cinemateca Brasileira, ameaçada pelo atual governo”, disse ele, em entrevista coletiva com a participação dos diretores dos sete maiores festivais de cinema da Europa. A Cinemateca deixou de receber repasses federais em dezembro, quando o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, encerrou o contrato da Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto) para a realização da TV Escola. Como o contrato de administração da Cinemateca era um aditivo desse outro, a situação se tornou um imbróglio jurídico. A Acerp entendeu que a parceria não poderia ser rompida, porque o acordo original para que cuidasse da Cinemateca iria até março de 2021, e continuou a administrar a entidade com recursos do próprio caixa. Por conta disso, alega que o governo lhe deve R$ 14 milhões, correspondentes aos valores não repassados desde dezembro e a um montante não recebido ainda em 2019, quando o contrato estava vigente. Segundo a OS, ao longo de 2019, dos R$ 13 milhões do orçamento, o governo entregou à Acerp só R$ 7 milhões. O objetivo da secretaria de Cultura, ao congelar o repasse, teria sido justamente inviabilizar o funcionamento da Cinemateca para ser “forçada” pelas “circunstâncias” a assumir o controle administrativo da entidade. No início de agosto, as chaves da Cinemateca Brasileira foram entregues à União e todo corpo técnico da instituição foi demitido. O caso ganhou repercussão internacional e se tornou símbolo da falta de política cultural do governo Bolsonaro – ou da própria política cultural, que é simplesmente destruir tudo. A instituição de 70 anos tem um acervo que inclui mais de 30 mil títulos sobre a televisão e o cinema brasileiros e cerca de 250 mil rolos de filmes.
Marcelo Adnet responde à Secom: “Não aguentam sátira”
O humorista Marcelo Adnet respondeu no Twitter os ataques pessoais do secretário especial da Cultura, Mario Frias, e institucionais do perfil da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República), motivados por uma paródia feita em seu programa “Sinta-se em Casa”, na Globoplay. O comediante satirizou a participação de Frias num vídeo de tom nacional-triunfalista sobre “Heróis Brasileiros”, e o secretário da Cultura reagiu com ofensas, chamando Adnet de “criatura imunda”, “crápula”, “frouxo”, “sem futuro”, “palhaço”, “idiota”, “egoísta”, “fraco” e “bobão”, além evocar sua vida privada para exemplificar sua “falta de caráter”. Por sua vez, a Secom acusou Adnet de “parodiar o bem e fazer pouco dos brasileiros”, além de “desprezar o ser humano”. “Se elegeram sob a bandeira do fim do mimimi e do politicamente correto mas não aguentam UMA SÁTIRA que vêm chorar em perfil oficial”, escreveu Adnet. “A crítica não é ao povo, não força a barra. É AO GOVERNO FEDERAL, que em vez de trabalhar prefere perseguir seus próprios cidadãos”, acrescentou. Aos fatos:1-se elegeram sob a bandeira do fim do mimimi e do politicamente correto mas não aguentam UMA SÁTIRA que vem chorar em perfil oficial!2-A crítica não é ao povo, não força a barra. É AO GOVERNO FEDERAL que em vez de trabalhar prefere perseguir seus próprios cidadãos. — Marcelo Adnet (@MarceloAdnet) September 5, 2020
Humoristas apoiam Marcelo Adnet após ataques: “governo mimimi”
Após sofrer ataques pessoais do secretário especial da Cultura, Mario Frias, e institucionais do perfil da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República), Marcelo Adnet ganhou solidariedade de vários humoristas brasileiras. Os ataques foram motivados por uma paródia feita por Adnet na sexta (4/5), em seu programa “Sinta-se em Casa”, na Globoplay. O comediante satirizou a participação de Frias num vídeo de tom nacional-triunfalista sobre “Heróis Brasileiros”, e o secretário da Cultura reagiu com ofensas, chamando Adnet de “criatura imunda”, “crápula”, “frouxo”, “sem futuro”, “palhaço”, “idiota”, “egoísta”, “fraco” e “bobão”, além evocar sua vida privada para exemplificar sua “falta de caráter”. Por sua vez, a Secom acusou Adnet de “parodiar o bem e fazer pouco dos brasileiros”, listando “pessoas reais” que não estavam nem foram citadas no vídeo, em que Frias aparece sozinho no Museu do Senado. “Não imaginamos que honrar um morador de rua que salvou uma desconhecida ou uma professora que morreu queimada para salvar dezenas de crianças causaria reações maldosas, carregadas de desprezo por brasileiros simples, mas imensamente bondosos”, diz o texto, que ainda acusa Adnet de “desprezar o ser humano”. A reação, claro, virou piada entre a classe dos humoristas brasileiros. Maurício Meirelles criou a definição que acabou viralizando na internet, ao chamar o governo Bolsonaro de “governo mais mimimi da história deste país”. Danilo Gentili usou ironia para questionar quanto a Secom tinha recebido para fazer publicidade para Adnet. E tanto Fabio Rabin quanto Gregório Duvivier (num retuíte do repórter Rafael Neves) lembraram da recente participação de Adnet no “Roda Viva”, onde Marcelo Tas sugeriu que só governos comunistas, como China e Cuba, perseguiam humoristas e reprimiam o humor. Gentili ainda ponderou, em tom de reclamação, que Adnet não o defendeu na época de sua condenação por fazer piada misógina com a deputada petista Maria do Rosário. Mas o perfil Tesoureiros do Jair lembrou da defesa feita por Bolsonaro à liberdade do humor por ocasião dessa condenação, e o próprio Adnet retuitou em seu perfil. Veja estas e outras reações abaixo. É o governo mais MIMIMI da história do Brasil. PQP https://t.co/t2sLv4OpMA — Mauricio Meirelles (@MauMeirelles) September 5, 2020 Quanto o Adnet pagou pra vocês fazerem essa excelente publicidade pra ele? https://t.co/jh77prkkhd — Danilo Gentili (@DaniloGentili) September 5, 2020 Parabéns @MarceloAdnet ! Isso aqui é pra enquadrar.Era em Cuba que não podia fazer humor ? https://t.co/PPK9ExSYLY — Fabio Rabin (@fabiorabin) September 5, 2020 Corre aqui @MarceloTas, o governo de Cuba está perseguindo um humorista https://t.co/H4rOh2Stad — Rafael Neves (@contaneves) September 5, 2020 Meu presidente. https://t.co/gxnZeXDzOP — paulinho serra🇧🇷🏳️🇯🇲🏴☠️🇦🇱 (@PaulinhoSerra) September 5, 2020 Quem lê a resposta do Mário Frias pro Adnet – a que termina com um “Onde eu cresci ele não durava um minuto” – além de perceber que o Secretário de Cultura não sabe português, pensa que ele é uma mulher negra que enfrentou as adversidades de uma Esparta da vida real brasileira. — Antonio Tabet (@antoniotabet) September 5, 2020 Embora o Adnet tenha mantido o mais completo silêncio qdo fui condenado a prisão pela M. Rosário ou qdo rolou outras investidas do governo anterior contra meu trabalho, ele pode contar com meu total apoio contra essa investida grotesca e babaca do atual governo. Presidente fraco https://t.co/jh77prkkhd pic.twitter.com/TJiGYiZTjC — Danilo Gentili (@DaniloGentili) September 5, 2020 Em abril de 2019, Danilo Gentili foi condenado por esfregar uma notificação que recebeu da deputada Maria do Rosário em suas partes íntimas e a chamar de puta. Em setembro de 2020, o @MarceloAdnet fez uma paródia. pic.twitter.com/apO62pQdeP — Tesoureiros do Jair (@tesoureiros) September 5, 2020
Secretário da Cultura ataca Marcelo Adnet com ofensas após ganhar paródia
Nem todo político tem o bom-humor de Delfim Netto, que colecionou e emoldurou cartuns que o satirizavam na época em que foi ministro em plena ditadura militar. O secretário especial da Cultura, Mario Frias, e o perfil da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República), resolveram se manifestar – no caso da Secom, oficialmente – contra uma paródia do humorista Marcelo Adnet, que faz os melhores esquetes de humor do período da pandemia em seu programa “Sinta-se em Casa” na Globoplay. Na sexta (5/9), Adnet parodiou a campanha sobre “Heróis Brasileiros”, lançada uma dia antes pelo governo, com narração e atuação de Mario Frias, evocando o estilo nacional-triunfalista já popularizado na pasta da Cultura num vídeo anterior de Roberto Alvim. Na mesma noite, Frias atacou o esquete, lançando várias ofensas pessoais contra o humorista. Ele chamou Adnet de “criatura imunda”, “crápula”, “frouxo”, “sem futuro”, “palhaço”, “idiota”, “egoísta”, “fraco” e “bobão”, além de atacar sua vida privada, comentando sua infidelidade no casamento com a ex Dani Calabresa. “Um Judas que não respeitou nem a própria esposa, traindo a pobre coitada em público por pura vaidade e falta de caráter”. Adnet respondeu com nova piada, dizendo que Frias “recomendou” o esquete. “Até o Secretário Frias recomendou no Instagram dele! Vale conferir o post! A Secom deve replicar em suas redes!”, postou o humorista. Foi a deixa para o Twitter oficial da Secom atacar a sátira, acusando Adnet de “parodiar o bem e fazer pouco dos brasileiros”. A secretaria de Comunicação passou, então, a listar “pessoas reais” que não estão no vídeo, em que Frias aparece sozinho no Museu do Senado – diante de quadro do Rei da Bélgica!. “Não imaginamos que honrar um morador de rua que salvou uma desconhecida ou uma professora que morreu queimada para salvar dezenas de crianças causaria reações maldosas, carregadas de desprezo por brasileiros simples, mas imensamente bondosos”, diz o texto. Seguindo esse raciocínio, a Secon afirma que Adnet despreza “as pessoas reais, de carne e osso, que são exemplos para todos”, e que, no entanto, não aparecem em lugar algum do vídeo parodiado, nem mesmo em citações. De fato, a Secom fez vários posts consecutivos, explicando o vídeo com o que não há no vídeo. Leia abaixo. Melhor ainda, compare os vídeos originais e veja todas as reações. 🇧🇷 O Brasil tem História. Uma História com verdadeiros líderes, respeitados intelectuais e grandes heróis nacionais. Alguns, conhecidos; muitos, ignorados. Uma História tão bela e grandiosa quanto desprezada e vilipendiada por anos de destruição da identidade nacional. pic.twitter.com/N8TDqpASXu — SecomVc (@secomvc) September 3, 2020 Arquivo Confidencial com o presidente no #SintaSeEmCasa Pgm completo https://t.co/t26nDkk4gq pic.twitter.com/t3jPIJhhE5 — Marcelo Adnet (@MarceloAdnet) September 5, 2020 Ver essa foto no Instagram Garoto frouxo e sem futuro. Agindo como se fosse um ser do bem, quando na verdade não passa de uma criatura imunda, cujo o adjetivo que devidamente o qualifica não é outro senão o de crápula. Um Judas que não respeitou nem a própria esposa traindo a pobre coitada em público por pura vaidade e falta de caráter. Um palhaço decadente que se vende por qualquer tostão, trocando uma amizade verdadeira, um amor ou sua história por um saquinho de dinheiro e uma bajulada no seu ego infantil e incapaz de encarar a vida e suas responsabilidades morais. Pior do que isso: conta vantagem por se considerar melhor que as outras pessoas. Mas isso tudo é só para esconder a solidão em que ele se encontra. Quem em sã consciência consegue conviver no mundo real com um idiota egoísta e fraco como esse? Onde eu cresci ele não durava um minuto. Bobão! Uma publicação compartilhada por Mario Frias🇧🇷 (@mariofriasoficial) em 4 de Set, 2020 às 6:47 PDT Até o Secretário Frias recomendou no instagram dele! Vale conferir o post! A Secom deve replicar em suas redes! — Marcelo Adnet (@MarceloAdnet) September 5, 2020 Erramos. Acreditamos que seria possível unir todo o país em torno de bons valores e de bons exemplos. Afinal, ninguém é contra a bondade, o amor ao próximo, o sacrifício por inocentes, certo? Errado! Infelizmente, há quem prefira parodiar o bem e fazer pouco dos brasileiros. pic.twitter.com/kqA2yjx0Rb — SecomVc (@secomvc) September 5, 2020 Coincidentemente, a data é próxima ao nosso 7 de Setembro. Decidimos então fazer uma série única, sobre heróis brasileiros — primeiramente, heróis anônimos; depois grandes heróis nacionais. Em comum, além da bravura de seus atos, o fato de serem amplamente desprezados. — SecomVc (@secomvc) September 5, 2020 Não imaginamos que honrar um morador de rua que salvou uma desconhecida ou uma professora que morreu queimada para salvar dezenas de crianças causaria reações maldosas, carregadas de desprezo por brasileiros simples, mas imensamente bondosos. — SecomVc (@secomvc) September 5, 2020 De que adianta afetar bons sentimentos, falar em defesa do povo e coisas do tipo, mas na prática desprezar as pessoas reais, de carne e osso, que são exemplos para todos? De que adianta gritar que ama a humanidade, mas desprezar o ser humano? — SecomVc (@secomvc) September 5, 2020
Ativistas pró-democracia pedem boicote a Mulan na Ásia
“Mulan”, que estreia nesta sexta (4/9) na China, virou alvo de uma campanha de boicote de ativistas pró-democracia na Ásia. Os protestos têm como alvo tanto a história do filme, que enaltece e defende o império chinês, como a intérprete da heroína, a atriz Liu Yifei, que apoiou a polícia de Hong Kong durante os protestos contra a controversa lei de segurança nacional em 2019. “Eu apoio a polícia de Hong Kong, podem me agredir agora”, disse Yifei na rede social Weibo, no auge da repressão. “Que vergonha para Hong Kong”, ela ainda acrescentou. A lei entrou em vigor quase um ano após o início das grandes manifestações pró-democracia em Hong Kong, e foi criada como parte do projeto da China para enquadrar a província em seu regime, acabando a separação entre a Justiça de Hong Kong e do continente. Em agosto, a ativista pró-democracia Agnes Chow foi detida sob esta lei e muitos chineses a descreveram como “a verdadeira Mulan”. Nos últimos meses, também na Tailândia e em Taiwan os jovens têm se unido nas redes sociais para apoiar Chow e outros ativistas em Hong Kong. O movimento tem feito campanha pelo boicote ao filme pelas redes sociais, usando a hashtag MilkTeaAlliance (Aliança do chá com leite), criada nos protestos, e #BoycottMulan. Um dos ativistas que encabeçam os pedidos de boicote, Joshua Wong, líder do movimento pró-democracia de Hong Kong, diz que a Disney se ajoelha para o Partido Comunista e descreveu Liu Yifei como “um ícone do autoritarismo traindo de bom grado os valores que Hollywood dá à personagem”. Outro ativista, o tailandês Netiwit Chotiphatphaisal, também acusa a Disney de ser parceira da China na perpetuação da repressão. “A Disney e o governo chinês sabem que a violência do Estado contra as pessoas é inaceitável”, escreveu. Um cartaz photoshopado de Mulan, divulgado por ativistas, chega a apresentar Liu Yifei como Mulan, usando capacete policial e de cassetete em punho, arrancando sangue de manifestantes. Veja abaixo esta e outras representações da personagem, que acompanham os pedidos de boicote.












