Martin Scorsese, James Cameron e Clint Eastwood alertam que pandemia pode matar o cinema
Mais de 70 diretores e produtores de Hollywood, entre eles os cineastas vencedores do Oscar James Cameron, Clint Eastwood e Martin Scorsese, uniram forças com proprietários de cinemas em um alerta e apelo por ajuda financeira do governo dos EUA, dizendo temer pelo futuro da indústria. Em uma carta aos líderes do Senado e da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, eles disseram que o fechamento das salas causado pelo coronavírus teve um efeito devastador e que, sem recursos, “os cinemas podem não sobreviver ao impacto da pandemia”. Além das assinaturas individuais, o documento é endossado pelo Sindicato dos Diretores, a Associação Nacional dos Proprietários de Cinema e a Associação do Cinema dos EUA. Devido à pandemia os cinemas paralisaram suas projeções em meados de março nos EUA. Embora grandes redes, incluindo AMC Entertainment e Cineworld, já tenham reaberto algumas salas com capacidade reduzida, os principais maiores do país, em Los Angeles e Nova York, continuam com a política de salas fechadas. Para piorar, os esforços para levar o público de volta ao cinema fracassaram. A iniciativa da Warner de lançar “Tenet” resultou em uma bilheteria muito abaixo do esperado nos EUA e, diante do receio de perder fortunas, os estúdios de Hollywood atrasaram o lançamento de filmes prontos, como “Viúva Negra” e “Top Gun: Maverick”, para 2021. A este quadro, somam-se ainda a decisão da Disney de lançar “Mulan” em streaming e um acordo histórico, firmado entre o estúdio Universal e os cinemas da rede AMC, para diminuir drasticamente a janela de exibição entre os lançamentos cinematográficos e sua disponibilização em streaming. Diante de todos esses desdobramentos, o cenário vislumbrado para o futuro dos cinemas parece realmente ser apocalíptico.
Hillary Clinton e Steven Spielberg farão série sobre luta pelo voto feminino
A política americana Hillary Clinton se juntou ao cineasta Steven Spielberg para contar a história do movimento pelo voto feminino em “The Woman’s Hour”, série inspirada no livro de mesmo nome de Elaine Weiss, que será exibida pela rede americana The CW. A atração vai cobrir o movimento sufragista, nome dado às ativistas que foram à luta pelo direito ao voto feminino, e será comandada pela roteirista Angelina Burnett, que escreveu e produziu episódios de “The Americans”, “Halt and Catch Fire” e “Hannibal”. Ainda sem data de estreia, “The Woman’s Hour” terá formato de antologia, permitindo que outras lutas por avanços sociais sejam abordadas nas próximas temporadas. Para dar noção da dificuldade das mulheres para conquistar o simples direito a votar nos EUA, o pontapé inicial do movimento sufragista aconteceu na Convenção de Seneca Falls, a primeira dedicada aos direitos das mulheres no país, em 1848, mas a conquista só aconteceu em 1920, depois de 72 anos de lutas. Enquanto Weiss estava escrevendo o livro sobre essa história, ela teria ficado impressionada com os paralelos entre o movimento sufragista feminino e a disputa presidencial de 2016 entre Clinton e Donald Trump. Então, transformou em prioridade colocar seu livro nas mãos de Clinton. Eventualmente, Weiss conseguiu que o dono de uma livraria entregasse “The Woman’s Hour” nas mãos da candidata do Partido Democrata. Clinton adorou o livro, procurou conhecer Weiss e foi atrás de seu apoiador Spielberg. Desta troca surgiu o projeto da Amblin TV, a empresa televisiva de Spielberg. Na época, a Amblin planejava adaptar o romance como um telefilme ou uma série limitada. Mas o livro oferece uma infinidade de material de fontes adicionais para temporadas subsequentes, pois a história segue os ativistas que lideraram a luta de décadas para conceder às mulheres o direito de voto e lançaram as bases para o movimento pelos direitos civis, que surgiu décadas depois. “The Woman’s Hour” reforça a ligação de Clinton com produções de TV. A ex-senadora também está produzindo “Hillary”, uma série documental em quatro partes para a Hulu, que traça um perfil de sua vida e carreira. Além disso, a Hulu também está desenvolvendo “Rodham”, adaptação do romance best-seller de Curtis Sittenfeld, que explora uma realidade alternativa em que a ex-primeira-dama nunca se casou com Bill Clinton, virando a primeira mulher a presidir os EUA.
Continuação insana de Borat ganha trailer legendado
A Amazon divulgou dois pôsteres e o primeiro trailer legendado da continuação de “Borat”, que recebeu o título nacional de “Borat: Fita de Cinema Seguinte” (Borat Subsequent Moviefilm). A prévia mostra a volta do repórter mais conhecido do Cazaquistão aos EUA, após trazer vergonha a seu país. Mas desta vez ele não vem sozinho. Borat tem uma nova missão insana: dar a filha de presente para alguém do “trono” americano. E uma das cenas mostra o personagem invadindo um evento do Partido Republicano, disfarçado de Donald Trump, para dar a filha (a búlgara Maria Bakalova) para “Michael Pennis” – na verdade, Mike Pence, o atual vice-presidente dos EUA. O disfarce é um dos muitos usados pelo comediante Sacha Baron Cohen na continuação. O vídeo explica que Borat se tornou uma celebridade e não pode ir a todos os lugares sem ser reconhecido. Mesmo assim, ele consegue se infiltrar entre integrantes da direita americana para registrar os pensamentos – ou a falta de pensamentos – dessa demografia em particular. Lançado em 2006, o primeiro “Borat” se valeu do fato de Cohen não ser tão conhecido para se tornar o filme de pegadinha mais eficaz e engraçado de todos os tempos. Encarnando Borat Sagdiyev, um jornalista desajeitado da rede estatal de TV do Cazaquistão, ele desfilou seu inglês ruim e vários preconceitos com a desculpa de fazer um documentário sobre a vida nos EUA. E conseguiu convencer várias pessoas de que Borat era uma pessoa real, registrando suas reações a situações tão inesperadas quanto ridículas. Depois disso, o comediante usou tática semelhante para enganar conservadores famosos em seu programa de TV “Who’s America”, exibido nos EUA em 2018, sempre fingindo ser um personagem de extrema direita. “Borat: Fita de Cinema Seguinte” surge como uma mistura das duas abordagens, em que Cohen aparece como Borat e como Borat disfarçado de conservador radical, que convence americanos comuns a mostrarem o que tem de pior. Entre as visitas que registra, desta vez estão um “Centro de Saúde da Mulher”, que apesar do nome não é uma clínica que realiza abortos, mas o oposto disso, e locais para “quarentenas” de homens de direita que aparentemente não viram o filme original. A estreia está marcada para 23 de outubro.
Andréia Horta será a ex-Primeira Dama Maria Thereza Goulart em cinebiografia
A atriz Andréia Horta, que já viveu Elis Regina no cinema, interpretará a ex-Primeira Dama Maria Thereza Goulart no filme “Vestida de Silêncio”, da cineasta Susanna Lira. O longa da FM Produções e da Modo Operante adapta o livro “Uma Mulher Vestida de Silêncio – A Biografia de Maria Thereza Goulart”, de Wagner Willian, e revisitará a trajetória de João Goulart, presidente deposto por um golpe militar em 1964, pelo olhar de Maria Thereza, considerada a mais linda Primeira Dama do país. “Vestida de Silêncio” será a estreia da documentarista Susanna Lira na ficção após muitos curtas, séries jornalísticas e mais de uma dezena de documentários, entre eles “Positivas” (2009), premiado no Festival do Rio, e “A Torre das Donzelas” (2018), premiado na Mostra de São Paulo. Além de Andréia Horta (“Elis”) no papel principal, Alexandre Nero (“João, o Maestro”) viverá Jango e Roberto Birindelli (“1 Contra Todos”) será Leonel Brizola. Para completar, a produção terá trilha sonora do compositor Francis Hime, coautor de sucessos como “Atrás da Porta” e “Trocando em Miúdos”.
Dwayne Johnson estreia na política para apoiar Joe Biden
O ator Dwayne “The Rock” Johnson, uma das personalidades mais populares do mundo do entretenimento norte-americano, endossou publicamente os candidatos democratas Joe Biden e sua parceira vice-presidencial Kamala Harris para as eleições de novembro nos EUA. Johnson não deu apenas um apoio virtual, mas fez um vídeo com os candidatos e compartilhou em suas redes sociais. Só no Instagram ele tem 199 milhões de seguidores. É a primeira vez que Johnson endossa um candidato político. Para justificar sua decisão, ele citou a compaixão e o espírito de Biden, e observou que Harris é uma “durona certificada”, por seu histórico como promotora antes de ser eleita senadora dos EUA. Ele também acrescentou, no texto que acompanha o post em seu Instagram: “Como políticamente independente e centrista por muitos anos, votei tanto em democratas quanto republicanos no passado. Nesta eleição crítica, acredito que Joe Biden e Kamala Harris são os melhores para liderar nosso país, e como meu primeiro endosso presidencial (público), eu orgulhosamente os endosso para a administração presidencial de nossos Estados Unidos. O progresso exige coragem, humanidade, empatia, força, coragem, bondade e respeito. Ser gentil e respeitoso um com o outro sempre fará diferença. Agora devemos TODOS VOTAR.” Os políticos também elogiaram o astro, com Kamala Harris se declarando fã das franquias “Velozes e Furiosos” e “Jumanji”. Veja abaixo. Ver essa foto no Instagram As a political independent and centrist for many years, I’ve voted for Democrats in the past and as well as Republican. In this critical election, I believe Joe Biden and Kamala Harris are the best to lead our country, and as my first ever (public) Presidential endorsement, I proudly endorse them for the presidential office of our United States. Progress takes courage, humanity, empathy, strength, grit, kindness and respect. Being KIND & RESPECTFUL to one another will always matter. Now we must ALL VOTE, so hit the link up top 👆🏾 and I’ll help you get it done. #BidenHarrisJohnsonSummit #ProgressThroughHumanity #VOTE2020 👊🏾 Uma publicação compartilhada por therock (@therock) em 27 de Set, 2020 às 5:15 PDT
Trump indica para Suprema Corte juíza de seita comparada à Handmaid’s Tale
O presidente Donald Trump aproveitou a morte da juíza Ruth Bader Ginsburg na semana passada para indicar em sua vaga uma juíza que é seu oposto completo. Homenageada no documentário “RBG” (2018) e no filme “Suprema” (2018) por seu ativismo em prol dos direitos da mulher, Ginsburg se tornou um ícone pop admirado, mas pode ser substituída por Amy Coney Barrett, integrante da seita People of Praise (Povo de Louvor, em tradução literal), uma comunidade cristã de renovação carismática cujas crenças são comparadas por muitos à sociedade ultraconservadora da série “The Handmaid’s Tale”. A ligação da juíza com a seita foi revelada pelo jornal The New York Times de 2017 e nunca foi negada pelas partes. O People of Praise tem cerca de 1,7 mil membros em 22 cidades nos Estados Unidos, Canadá e Caribe, de acordo com seu site, e foi fundado em 1971 em South Bend, Indiana, também sede da Universidade de Notre Dame, administrada por católicos, que teria fornecido seus primeiros integrantes. “Admiramos os primeiros cristãos que foram guiados pelo Espírito Santo para formar uma comunidade”, diz o site, remontando suas origens ao final dos anos 1960, quando os alunos e professores de Notre Dame experimentaram “uma renovação do entusiasmo e fervor cristão, juntamente com os dons carismático como falar em línguas e cura física”. Amy Coney Barrett também é professora da Universidade de Notre Dame. A People of Praise ganhou atenção quando uma ex-integrante, chamada Coral Anika Theill, denunciou o grupo como uma seita abusiva em que as mulheres são completamente obedientes aos homens e os pensadores independentes são humilhados, interrogados, envergonhados e rejeitados. Ela contou sua experiência num livro, “Bonsheà”, em que revelou que seu ex-marido, integrante do grupo, tentou censurá-la para impedir que a publicação dificultasse que Barrett fosse indicada. Theill também postou texto em seu em seu blog pessoal intitulado “Eu vivi o conto da aia”. “Muitas de nós sofremos da síndrome de Estocolmo e muitas das mulheres tomavam antidepressivos e tranquilizantes”, ela escreveu. “Mas se você fosse super submissa, talvez não fosse arrastada no meio da noite para um interrogatório”. Ela denunciou que, até recentemente, as mulheres com funções de liderança na organização eram chamadas de “handmaidens” (aias), mas a popularidade da série “The Handmaid’s Tale” fez com que a denominação fosse revista. “Reconhecendo que o significado deste termo mudou drasticamente em nossa cultura nos últimos anos, não usamos mais o termo serva”, disse o grupo em 2018, após o interesse crescente da mídia sobre seu funcionamento. Assim como em “The Handmaid’s Tale”, a People of Praise ensina uma visão de mundo patriarcal, em que os homens são os chefes de família, tomam todas as decisões e têm autoridade irrestrita sobre suas esposas. O grupo não pratica escravidão sexual como na série, mas as mulheres que seguem a religião não teriam direito a negar sexo para os maridos nem a controlar sua capacidade reprodutiva. Barrett tem cinco filhos biológicos, além de duas crianças adotadas no Haiti. Para ser confirmada na vaga de Ginsburg, ela precisa ser aprovada numa sabatina do Senado, que atualmente tem maioria de integrantes do Partido Republicano, a que pertence Trump. “Eu sei que você vai fazer nosso país muito orgulhoso”, disse o presidente dos EUA neste sábado (26/9), ao indicar o nome de Barret em cerimônia realizada em frente à Casa Branca. O objetivo de Trump com a indicação, apenas uma semana após a morte de Ruth Bader Ginsburg, é forçar a confirmação de sua escolha pelo Senado antes da eleição presidencial, prevista para o início de novembro. A questão é polêmica, porque o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, bloqueou uma nomeação do presidente Barack Obama em situação semelhante, alegando que a vaga abriu em um ano eleitoral. Obama indicou Merrick Garland para preencher uma vaga após a morte de Antonin Scalia em fevereiro de 2016, mas McConnell se recusou até mesmo a dar uma audiência a seu indicado. Nos últimos dias, muitos senadores republicanos que impediram Obama de indicar Garland há oito meses da eleição passada, defendem a aprovação de Barrett, menos de dois meses do novo período eleitoral. Se o Senado comprovar que o problema era Obama indicar um juiz progressista e, sem medo de passar recibo de hipócrita, confirmar Barrett, o Supremo passará a contar com seis juízes conservadores entre seus nove magistrados e pode reverter várias conquistas jurídicas dos movimentos feministas e de minorias nos EUA. Barret também é vocalmente contra o atendimento público de saúde para a população do país, uma posição que possui evidente potencial trágico durante a pandemia de coronavírus. O WGA, Sindicato dos Roteiristas de Hollywood, engajou-se numa campanha para denunciar os planos do Partido Republicano e ajudar a eleger candidatos do Partido Democrata para impedir a reeleição dos conservadores e renovar o Congresso na próxima eleição.
Justiça nega tentativa de censura evangélica de Lindinhas no Brasil
O juiz Luiz Fernando Rodrigues Guerra rejeitou pedido feito pela organização evangélica Templo Planeta do Senhor para censurar o filme francês “Lindinhas” (Mignonnes), lançado na Netflix. Premiado no Festival de Sundance, “Lindinhas” ganhou repercussão entre os evangélicos brasileiros após deixar a ministra pastora Damares Alves “brava, Brasil”. Ela também tenta a censura do filme. “É interesse de todos nós botarmos freio” e “vamos tomar todas as medidas judiciais cabíveis”, chegou a afirmar sobre a produção. O motivo do protesto são “meninas em posições eróticas e com roupas de dançarinas adultas”, segundo a pastora que integra o governo Bolsonaro. “Quero deixar claro que não faremos concessões a nada que erotize ou normalize a pedofilia!”, ainda ameaçou. Na ação em que pede censura ao filme da diretora Maïmouna Doucouré, a organização Templo Planeta do Senhor ecoa o ataque da ministra para dizer que as meninas do filme têm um comportamento inadequado para sua idade, com “vestimentas sensuais, blusas curtas e calças apertadas”, concluindo que a Netflix promove um “prato cheio para a pedofilia”. Ao rejeitar o pedido de liminar, o juiz diz que a Netflix não violou a legislação e que o pedido de exclusão do filme é inconstitucional. “É uma forma indefensável de censura, pois pretendia a supressão da liberdade de informação e, sobretudo, da liberdade de educação familiar”. De acordo com o magistrado, os pais e responsáveis têm o direito de decidir quais conteúdos seus filhos podem assistir, a despeito dos interesses religiosos da entidade. A Templo Planeta do Senhor é a mesma organização evangélica que queria lucrar R$ 1 bilhão num processo contra a Netflix e o Porta dos Fundos, devido ao especial de Natal do grupo de humoristas, mas acabou punida com um prejuízo financeiro considerável. A ação chegou ao fim sem que a Netflix e o Porta dos Fundos fossem sequer notificados oficialmente, porque a juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Patrícia Conceição, não deu o direito da Justiça gratuita ao caso – ou seja, como o Templo Planeta do Senhor pedia R$ 1 bilhão, os custos do processo chegaram a R$ 82 mil. O templo tentou mudar o valor da indenização, mas foi impedido porque o caso já tinha avançado. Pensou em recorrer, mas aí o prejuízo seria em dobro, novamente em custos judiciais. Acabou desistindo do processo, mas ainda precisou pagar os custos. Assim como fez com “Lindinhas”, o processo anterior também pedia a retirada do programa do ar e tinha pouca chance de prosperar, pois em janeiro o Supremo Tribunal Federal já havia se manifestado de forma favorável à liberdade de expressão dos humoristas e contra qualquer tentativa de censura. Em contraste com a reação de Damares e outros evangélicos, o filme foi lançado sem provocar polêmicas na França em agosto. De fato, as autoridades de proteção infantil do governo francês acompanharam as filmagens durante a produção e aprovaram seu conteúdo integralmente. A reação negativa contra o filme só começou após um pôster equivocado da própria Netflix, que apresentava as meninas em trajes colantes, tentando fazer poses sensuais. A imagem, por sinal, é exatamente o que o filme critica. No momento em que ela aparece no contexto do filme, as meninas são vaiadas por mães que se horrorizam com a performance sexualizada delas num concurso de danças. Isto serve de despertar para a protagonista, uma pré-adolescente que até então confundia sexualização com rebelião diante da cultura de submissão feminina de sua família religiosa. O governo francês também defendeu o filme ao considerar que as críticas se baseiam numa série de imagens descontextualizadas e reducionistas. Afirma que as críticas imputam à diretora uma intenção que ela não teve e que vai “em total contradição com o que a obra propõe”. A Netflix também se pronunciou sobre as críticas conservadoras ao longa. “‘Lindinhas’ é uma crítica social à sexualização de crianças. É um filme premiado, com uma história poderosa sobre a pressão que jovens meninas sofrem das redes sociais e da sociedade em geral enquanto crescem — e encorajamos qualquer pessoa que se importa com este tema fundamental a assistir ao filme”, disse a plataforma.
José de Abreu é condenado a indenizar Bia Doria por ofensa nas redes sociais
O ator José de Abreu foi condenado por um tuíte em que comparou a primeira-dama do estado de São Paulo, Bia Doria, a uma vaca. Ele terá que pagar uma indenização de R$ 50 mil à esposa do governador João Doria. O valor é metade do que pretendia a artista plástica, que acionou Abreu judicialmente, pedindo R$ 100 mil de indenização por dano moral, por ter ofendido “sua honra e reputação ao compará-la a um animal”. No tuíte compartilhado no dia 9 de outubro de 2016, Abreu escreveu: “STF proíbe vaquejada mas permite que a Bia Doria dê entrevista? É um crime contra os animais…”. Naquele dia, a Folha de S. Paulo havia publicado entrevista em que ela falou sobre a eleição do marido João Doria à prefeitura. Ela comparou a favela de Paraisópolis (na zona sul da capital) à Etiópia, disse que “quase nunca” havia ido ao Minhocão (na região central) e contou como ajudava os assistentes de seu ateliê: “Consegui casa para todos eles, dei dentes para eles, dei um plano de saúde bom”. A repercussão foi catastrófica, a ponto de Bia ser, desde então, blindada de contato com a imprensa. Quando o controle relaxou, ela causou outras polêmicas ao exprimir opiniões exóticas sobre os sem-tetos. Ainda cabe recurso contra a decisão do juiz Douglas Iecco Ravacci, da 33ª Vara Cível da Comarca de São Paulo, que determinou que Abreu também terá que arcar com o pagamento das custas e despesas processuais, além de honorários advocatícios de 10% do valor atualizado da condenação. A defesa do ator sustenta que ele fez a postagem “com intenção humorística e irônica” e se valeu do direito à liberdade de expressão, mas o magistrado considerou que o princípio não se aplica ao caso. “Não foi uma crítica, nem uma piada ruim”, escreveu na sentença, mas “verdadeira ofensa pessoal”. O juiz concordou com a tese da primeira-dama de que o ator efetivamente a chamou de vaca e disse que se trata de “expressão ofensiva utilizada contra mulheres”. Atualmente morando na Nova Zelândia, Abreu foi citado por edital público, após passar dois anos fugindo de oficial de justiça.
Responsável pelo atentado contra Porta dos Fundos vira réu por tentativa de homicídio
Eduardo Fauzi Richard Cerquise, o homem identificado como um dos responsáveis pelo atentado à bomba contra a sede da produtora Porta dos Fundos em dezembro do ano passado, vai responder por tentativa de homicídio. Ele se tornou réu nesta terça-feira (22/9), quando a 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Após fugir para o exterior, ele foi preso pela Interpol em Moscou, na Rússia, no começo de setembro e aguarda a extradição para o Brasil. A mesma decisão que tornou Fauzi réu também determinou sua prisão preventiva, de modo que ele desembarcará no aeroporto e irá diretamente para um presídio. Após ser identificado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro como um dos cinco homens que jogaram coquetéis molotov na sede da produtora, na véspera de Natal, o próprio suspeito assumiu a autoria do crime em postagens nas redes sociais. Em sua denúncia, o MP-RJ considera que, ao lançar os artefatos explosivos, Fauzi assumiu o risco de matar o vigilante que estava trabalhando na portaria do edifício. Como a porta de acesso ao edifício é de vidro, o vigilante podia ser visto pelo lado externo. Ainda segundo o Ministério Público, o vigilante só não morreu porque teve pronta reação, conseguindo controlar o incêndio causado e fugir do imóvel, apesar de a portaria ser pequena, com apenas uma saída. De acordo com a acusação, o delito tem o agravante de ter sido praticado por motivo fútil. O ataque aconteceu porque o grupo do qual Fauzi fazia parte não gostou do especial de fim de ano produzido pelo Porta dos Fundos para a Netflix, em que Jesus foi retratado como gay. Além do crime, os responsáveis pelo atentado divulgaram um vídeo de teor similar ao de organizações terroristas, usando máscaras, fazendo ameaças e incentivando o ódio contra os humoristas. Ao aceitar a denúncia, o juiz Alexandre Abrahão, da 3ª Vara Criminal do Rio, concluiu haver indícios de autoria, com base no relato da vítima e de testemunhas, assim como risco à garantia da ordem pública caso o acusado seja mantido em liberdade. Já a defesa do agora réu, em nota à imprensa, afirmou que Fauzi não arremessou qualquer artefato contra a produtora e diz que “recebeu com surpresa” a decisão judicial de aceitar a denúncia. “Soa absurdo que, mesmo havendo um laudo pericial extenso” e “vários estudos do Instituto de Criminalística da Polícia do RJ afirmando que não houve explosão e risco contra a vida de qualquer pessoa”, Fauzi seja julgado “como um homicida”. O escritório ROR Advocacia Criminal, que defende Fauzi, afirma ainda que “demonstrará a desnecessidade da decretação da prisão preventiva” e provará a inocência de seu cliente “de forma cristalina”. O MP espera que, para provar que não arremessou o conteúdo explosivo, o réu nomeie os comparsas responsáveis pelo ato criminoso, até agora não identificados.
Bolsonaro é condenado por usar filme para espalhar fake news
Chamar Jair Bolsonaro de mentiroso não é mais injúria, após a condenação do presidente nesta segunda (21/9) por divulgar mentiras nas redes sociais. Bolsonaro foi condenado pela juíza Maria Cristina de Brito Lima, da 4ª Vara Empresarial do Rio, pela publicação de um post no Twitter em que usou imagens do documentário “O Processo”, da diretora Maria Augusta Ramos, para espalhar fake news. Publicado em 13 de julho de 2019, o post trazia uma cena do filme sobre o impeachment de Dilma Rousseff, que Bolsonaro chamou de vídeo “vazado”, sugerindo tratar-se de um encontro do chamado “Foro de São Paulo” em Caracas, na Venezuela. Na verdade, o trecho mostrava uma reunião da bancada do PT, em Brasília. “Esse vídeo não vazou por acaso. Nele nunca se viu tantas pessoas do mal, inimigas da democracia e liberdade, juntas. É O JOGO DO PODER. A vitimização do PT é uma das últimas cartas do Foro de São Paulo em Caracas/Venezuela (24 a 28/julho)”, afirmou o presidente. Maria Augusta Ramos acionou a justiça diante da desfaçatez. A sentença saiu nesta segunda (21/9). A juíza condenou Bolsonaro a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios da cineasta, proibiu o presidente de utilizar qualquer obra da diretora, integral ou parcialmente sem autorização, sob pena de multa diária por utilização indevida de R$ 10 mil, e deu prazo de 24 horas para que o Twitter retire do ar a postagem. Caso o vídeo continue no ar, o Twitter pode responder por danos morais. Além disso, a multa será cobrada do presidente. Por enquanto, o vídeo permanece vinculado ao perfil de Bolsonaro, como se pode ver abaixo (se não puder ver, ele foi retirado). – Esse vídeo não vazou por acaso. Nele nunca se viu tantas pessoas do mal, inimigas da democracia e liberdade, juntas. É O JOGO DO PODER. A vitimização do PT é uma das últimas cartas do Foro de São Paulo em Caracas/Venezuela (24 a 28/julho). pic.twitter.com/PiiuUv2GJg — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) July 13, 2019
Herói que inspirou filme Hotel Ruanda pode pegar prisão perpétua
Paul Rusesabagina, cuja vida inspirou o filme “Hotel Ruanda”, no qual foi retratado como herói, está sendo acusado de terrorismo, cumplicidade em assassinato e formação ou adesão a um grupo armado irregular, além de mais 10 crimes. Ele pode pegar entre 25 anos e prisão perpétua se for condenado por alguma das acusações. “Hotel Ruanda” mostrava como o ex-gerente de hotel usou suas conexões com a elite hutu para proteger os tutsis do massacre que transformou a região num banho de sangue genocida. Por interpretar Rusesabagina, o ator Don Cheadle foi indicado ao Oscar em 2005. Opositor do atual governo do país, Rusesabagina já pregou resistência armada em um vídeo do YouTube, mas se recusou a responder às acusações na audiência do tribunal, que aconteceu na segunda-feira (14/9), dizendo que quer apelar contra cada uma. Seu caso chamou a atenção para o governo do presidente Paul Kagame, que é acusado por grupos de direitos humanos de sufocar a dissidência. A família de Rusesabagina pede um julgamento internacional. Eles também acusaram o governo de negar a ele a representação legal de sua escolha.
Bilheterias: Mulan implode e Tenet supera US$ 200 milhões
“Tenet” e “Mulan” são atualmente os principais lançamentos de Hollywood em cartaz no mercado internacional, nos países onde os cinemas já se encontram abertos. E ambos surpreenderam seus estúdios por conta de desempenhos inesperados, mas em sentidos contrários. A Disney fez tudo para agradar – ou, ao menos, não desagradar – o governo chinês para lançar “Mulan” naquele país. Sem se manifestar após declarações de Liu Yifei, a Mulan, contra o movimento pró-democracia de Hong Kong e ao incluir créditos finais que elogiam autoridades chinesas de uma região submetida à esterilização e reeducação forçadas, o estúdio viu se alastrarem campanhas de boicote ao filme em Taiwan, Hong Kong, Singapura e Tailândia. Mas a aposta de que a bilheteria chinesa compensaria tudo isso resultou equivocada. A verdade é que os esforços do estúdio para recuperar seu investimento foram sabotados em todas as etapas pelos poderosos de Pequim. “Mulan” só conseguiu liberar seu lançamento junto aos censores duas semanas antes da estreia prevista, ficando com pouco tempo para a divulgação. Além disso, segundo as agências de notícias, os principais meios de comunicação do país foram proibidos de cobrir a estreia e de fazer críticas independentes sobre o filme. Mas não ficou nisso. O Global Times, jornal do regime e único órgão de imprensa autorizado a criticar o longa, atacou o “baixo nível artístico” e “incompreensão da cultura chinesa” da produção, decretando que isso teria levado “ao fracasso de Mulan na China”. “O filme foi rejeitado devido à sua representação hipócrita, que falhou em ressoar com o público chinês”, afirmou a publicação antes das bilheterias abrirem na sexta (11/9), dia da estreia. O resultado anteclimático agora tem números. “Mulan” faturou US$ 23,2 milhões em seu fim de semana de estreia a China, abrindo em 2º lugar, atrás do blockbuster local “The Eight Hundred”. No resto do mundo, o filme fez só US$ 5,9 milhões. Assim, somando-se os locais em que o lançamento aconteceu na semana passada, o filme atingiu um total de US$ 37,6 milhões. Para recuperar os mais de US$ 200 milhões gastos em sua produção, a Disney está apostando no mercado digital, com distribuição em VOD premium (o estúdio chama de Premier Access) no Disney+ (Disney Plus) nos EUA. Entretanto, em três meses o longa estará disponível de graça para os assinantes da plataforma. “Tenet”, por outro lado, segue lotando cinemas. Ficou em 3º lugar em seu segundo fim de semana na China, mas já soma US$ 50,8 milhões no mercado local. Só nos últimos três dias, a produção da Warner faturou mais que a estreia de “Mulan”, com US$ 38,3 milhões mundiais – somando no montante US$ 6,7 milhões da América do Norte. Além da China, mais quatro países renderam bilheteria maior que a americana para “Tenet” entre sexta e domingo (13/9): Reino Unido (US$ 16,4 milhões), França (US$ 13,2 milhões), Alemanha (US$ 11,4 milhões) e Coréia do Sul (US$ 10,3 milhões). Na soma completa de suas bilheterias, desde o lançamento em 26 de agosto na Europa, “Tenet” já faturou US$ 207 milhões em todo o mundo. Em outros tempos, esses rendimentos representariam um fracasso colossal para uma produção com seu custo – também orçada em torno de US$ 200 milhões. Mas em tempos de covid-19, são números que o mercado comemora. A Warner espera lançar “Tenet” em 15 de outubro no Brasil, mas “Mulan” saiu do calendário de estreias nacionais, possivelmente porque deve chegar diretamente em streaming por aqui.
China proíbe críticas independentes e destrói estreia de Mulan no país
A Disney está aprendendo uma lição bastante valiosa, digna de suas fábulas mais moralistas, com o lançamento de “Mulan” na China. Após fazer tudo para agradar o governo chinês, o estúdio viu sua produção ser alvo de uma espécie de censura branca do governo do país. Segundo as agências de notícias, autoridades chinesas orientaram os principais meios de comunicação a não cobrirem a estreia do filme nesta sexta (11/9). Foram proibidas críticas independentes sobre o filme. A ordem teria relação com a campanha de boicote de ativistas pró-democracia, mas por motivo diverso. Os ativistas chamaram a atenção internacional sobre as ligações do filme com a região de Xinjiang, onde ocorreram as filmagens. Os créditos finais do longa agradecem as autoridades da região. O problema é que, povoado majoritariamente pela minoria muçulmana do país (os uigures), o local teria sido palco de inúmeras violações de direitos humanos cometidas pelo governo central chinês. Uma investigação internacional realizada em 2019 e por 17 veículos de imprensa, como a BBC e os jornais Le Monde e The New York Times, teve acesso a documentos que mostram que cerca de 1 milhão de uigures foram aprisionados e torturados em campos de reeducação em Xinjiang. Os moradores afirmam ter sido submetidos a regimes de doutrinação política exaustiva, trabalho forçado e esterilização — parte de um suposto programa para suprimir as taxas de natalidade na população muçulmana. O estúdio americano acabou queimando seu filme ao endossar as autoridades do local. Ao mesmo tempo, recebeu em retorno o tratamento de quem foi infectado por um vírus terrível, que o governo chinês trata de isolar com uma quarentena forçada de mídia. O mercado chinês era a grande esperança da Disney para recuperar o grande investimento feito no filme, orçado em cerca de US$ 200 milhões. Por conta disso, a Disney já tinha relevado comentários da estrela Liu Yifei, intérprete de Mulan, em favor da repressão policial às manifestações pró-democracia de Hong Kong. Baseado em uma história folclórica chinesa, “Mulan” foi concebido para atrair o público da China, o segundo maior mercado de cinema do mundo – na verdade, o primeiro após a pandemia de coronavírus. Mas a censura na imprensa deve impedir que a produção atinja a arrecadação esperada. Para piorar, o Global Times, jornal do regime e único órgão de imprensa autorizado a criticar o longa, atacou o “baixo nível artístico” e “incompreensão da cultura chinesa” da produção, o que, inclusive, já teria levado “ao fracasso de Mulan na China”. “O filme foi rejeitado devido à sua representação hipócrita, que falhou em ressoar com o público chinês”, afirma o texto, decretando a despedida do longa no dia de sua estreia. A China prefere que “Mulan” saia logo de cartaz para que as polêmicas que o acompanham saiam das pautas e sejam esquecidas. Ao final, a Disney se sujeitou a enxovalhar sua imagem de defensora de direitos humanos em troca de um punhado de yuans, a moeda chinesa. Achando que ia se banquetear, saiu da trilha certa e segura para tomar um atalho. Engambelada, acreditou que o lobo era uma vovozinha. Há uma moral da história aqui.












