Rhonda Fleming (1923 – 2020)
A atriz Rhonda Fleming, uma das ruivas mais famosas da era de ouro de Hollywood, morreu na quarta-feira (14/10) em Santa Monica, na Califórnia, aos 97 anos. O cabelo cor de fogo e os olhos verdes-esmeraldas a tornaram bastante popular nos primórdios do cinema colorido, o que acabou lhe valendo o apelido de rainha do Technicolor e uma filmografia cheia de clássicos, incluindo obras assinadas pelos mestres Alfred Hitchcock, Jacques Tourneur, Robert Siodmak, Fritz Lang e John Sturges. Nascida Marilyn Louis em Los Angeles, ela estudou na Beverly Hills High e foi descoberta aos 16 anos pelo famoso agente Henry Wilson (que também descobriu Rock Hudson, Tab Hunter e Natalie Wood) a caminho da escola. Foi ele quem mudou seu nome para Rhonda Fleming e conseguiu seu primeiro contrato, com o famoso produtor David O. Selznick. Seu primeiro papel importante foi como uma ninfomaníaca no suspense “Quando Fala o Coração” (Spellbound, 1945), de Hitchcock, e ela disse que era tão ingênua que teve que procurar a palavra no dicionário quando foi escalada. Em seguida, foi parar em uma mansão assustadora no terror sombrio “Silêncio nas Trevas” (The Spiral Staircase, 1946), de Siodmak, e virou femme fatale no noir “Fuga do Passado” (Out of the Past, 1947), de Tourneur. Mas foi uma aventura de baixa qualidade, “A Ilha da Maldição” (Adventure Island, 1947), que a transformou em estrela. Tudo o que precisou foi ser filmada em cores. Até o cenário exuberante de uma ilha do Pacífico virou pano de fundo para a beleza de Fleming. Ela se destacou ainda mais na comédia musical “Na Corte do Rei Artur” (A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court, 1948) como interesse romântico de Bing Crosby, mostrando que também sabia cantar. E Bob Hope, grande amigo de Crosby, impressionou-se tanto ao visitar as filmagens que fez questão de escalá-la em seu próximo trabalho, como seu par em “O Gostosão” (The Great Lover, 1949). Em 1951, Rhonda Fleming tinha se tornado tão cobiçada que estrelou nada menos que cinco filmes, incluindo o noir “Golpe do Destino” (Cry Danger, 1951) e o western “A Revolta dos Apaches” (The Last Outpost, 1951), em que inaugurou sua mais duradoura parceria nas telas com Ronald Reagan. Ela foi par do futuro presidente dos EUA em mais três filmes: “Hong Kong” (1952), “O Carrasco dos Trópicos” (Tropic Zone, 1953) e “A Audácia é a Minha Lei” (Tennessee’s Partner, 1955). Rhonda acabou se especializando em filmes de aventura, vivendo Cleópatra em “A Serpente do Nilo” (Serpent of the Nile, 1953), coestrelando “As Aventuras de Buffalo Bill” (Pony Express, 1953) com Charlton Heston e protagonizando alguns dos primeiros lançamentos 3D de Hollywood, como “Rastros do Inferno” (1953) e “O Tesouro Perdido do Amazonas” (1954). Mas adorava mesmo era se transformar em mulher fatal em clássicos do cinema noir, como “O Poder do Ódio” (Slightly Scarlet, 1956), adaptação de James M. Cain, e “No Silêncio de uma Cidade” (While the City Sleeps, 1956), do mestre Fritz Lang. “Eu adorei interpretar esses papéis”, disse Fleming ao historiador de cinema Rhett Bartlett em uma entrevista de 2012. “Elas eram garotas malvadas, e eu era uma menina tão doce e simpática!” Bastante ocupada até o final dos anos 1950, sua filmografia ainda destaca um dos westerns mais famosos de todos os tempos, “Sem Lei e Sem Alma” (Gunfight at the O.K. Corral, 1957), de John Sturges, ao lado de Burt Lancaster (no papel de Wyatt Earp) e Kirk Douglas (Doc Holliday). Seu último trabalho como protagonista foi na produção italiana “A Revolta dos Escravos” (1960), lançado no mesmo ano em que ela ganhou sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Apesar de seguir atuando por mais 20 anos, os papéis seguintes foram pequenas participações em séries e filmes, de “O Otário” (1964), de Jerry Lewis, até “A Bomba Que Desnuda” (1980), longa derivado da série de comédia “Agente 86”. Além do cinema, Fleming participou de montagens teatrais da Broadway e fez shows musicais em Las Vegas e no Hollywood Bowl. Ao se afastar das telas e dos palcos, passou a se dedicar à filantropia, tornando-se uma destacada apoiadora de várias causas importantes, da luta contra o câncer à falta de moradia e o abuso infantil. Essa fase de sua vida começou após seu quinto casamento, com o magnata da rede de cinemas Ted Mann (dono do famoso Chinese Theatre ). Eles viram juntos de 1978 até a morte de Mann, em janeiro de 2001, e representaram um força benéfica no sul da Califórnia. Ela e Mann fundaram a Rhonda Fleming Mann Clinic for Comprehensive Care no centro médico da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) em 1991, oferecendo atendimento ginecológico e obstétrico a mulheres, e um centro de apoio para mulheres com câncer três anos depois. O casal também criou a bolsa Rhonda Fleming Mann Research Fellowship, para incentivar a pesquisa de câncer. Seus outros maridos incluem o ator Lang Jeffries, com quem contracenou em “A Revolta dos Escravos”, o produtor Hall Bartlett, e o médico Thomas Lane, com quem teve seu único filho, o ator Kent Lane (“As Incertezas de um Jovem”).
Conchata Ferrell (1943 – 2020)
A atriz Conchata Ferrell, que viveu a governanta Berta na série de sucesso “Two and a Half Men”, morreu na segunda (12/10), aos 77 anos, de complicações após uma parada cardíaca. Ela estava internada desde julho e morreu na companhia de toda a família no Hospital Sherman Oaks, na Califórnia. Ferrell começou a carreira em peças da trupe Circle Repertory Company, que fazia sensação no circuito off-off-Broadway no começo dos anos 1970. Por seu papel de Gertrude Blum na peça “The Sea Horse”, ela venceu três prêmios de prestígio: Drama Desk, Theatre World e Obie Awards, como Melhor Atriz. E chamou atenção do famoso produtor Norman Lear, que adaptou outra peça estrelada pela atriz, “Hot L Baltimore”, especialmente para lançá-la na TV em 1975. A atração durou só 13 episódios, mas lhe abriu as portas de Hollywood, levando-a ao oscarizado drama “Rede de Intrigas” (1976), enquanto participava de outras séries de Lear, como “Good Times” e “One Day at a Time”. Em 1979, ela estrelou “Heartland”, seu principal trabalho no cinema, vivendo uma mãe viúva que vai trabalhar como empregada doméstica num rancho isolado no começo do século 20. O filme do diretor Richard Pearce venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Ela também teve papel de destaque em dois filmes estrelados por Julia Roberts, a comédia romântica “Três Mulheres, Três Amores” (Mystic Pizza, 1988) e “Erin Brockovich” (2000), além de ter trabalhado em “Edward Mãos de Tesoura” (1990), “Amor à Queima Roupa” (1993), “Entre o Céu e a Terra” (1993), “Freeway – Sem Saída” (1996), “Meus Queridos Presidentes” (1996), “K-Pax: O Caminho da Luz” (2001), “A Herança de Mr. Deeds” (2002) e feito dezenas de participações especiais em séries clássicas. Entre os papéis televisivos mais longos, incluem-se aparições recorrentes em “As Aventuras de B.J.” (entre 1979 e 1981), “Plantão Médico”/”ER” (1984-1985) e “L.A. Law” (1988-1992). Pelo trabalho nesta última, foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante. Claro, nenhum desses papéis teve a popularidade de seu desempenho como Berta, a governanta do folgado Charlie Sheen, do atrapalhado Jon Cryer e, posteriormente, do alheio Ashton Kutcher em “Two and a Half Men”. Ela apareceu em 212 episódios das 12 temporadas da atração, de 2003 a 2015, recebendo duas indicações ao Emmy (em 2005 e 2007) de Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia. Após o fim da série, Ferrell estrelou dois filmes de Natal – incluindo o terrir “Krampus: O Terror do Natal” (2015) – e reencontrou Kutcher num papel recorrente em “O Rancho” (The Ranch), na Netflix. Além de atuar, ela também deu aulas de interpretação televisiva na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) por vários anos. “Ela era uma linda humana”, disse Jon Cryer, co-estrela de “Two and a Half Men”, no Twitter. “O exterior rude de Berta foi uma invenção dos roteiristas. O calor e a vulnerabilidade de Chatty eram seus verdadeiros pontos fortes. Estou chorando pela mulher de que vou sentir falta e pela alegria que ela trouxe a tantas pessoas”, completou, citando o apelido da atriz. Charlie Sheen acrescentou: “Um amor absoluto, uma profissional consumada, uma amiga genuína. Uma perda chocante e dolorosa. Berta, sua arrumação da casa era um pouco suspeita, mas sua arrumação de ‘pessoas’ era perfeita”.
Margaret Nolan (1943 – 2020)
A atriz Margaret Nolan, que ficou conhecida como mulher de ouro do filme “007 Contra Goldfinger”, morreu em 5 de outubro passado, aos 76 anos. Além de aparecer na abertura e no pôster de “Goldfinger”, ela também teve um papel no longa e se destacou em diversas comédias britânicas, participando até de um filme com os Beatles. Nolan começou sua carreira nas artes como modelo, adotando o pseudônimo de Vicky Kennedy no início dos anos 1960, mas retomou seu nome de nascimento assim que começou a atuar. Seu corpo cheio de curvas chamou atenção dos produtores do canal britânico ITV, que a lançaram em seu primeiro papel de garota sexy num episódio de 1963 da série clássica “O Santo” (The Saint), ao lado do futuro 007 Roger Moore. Ela chegou ao cinema no ano seguinte, em nada menos que cinco filmes. Nolan viveu uma candidata a miss na comédia “Um Corpo de Mulher”, teve uma cena em “Os Reis do Ié-Ié-Ié”, primeiro filme dos Beatles, juntou-se a outra banda de Liverpool, Gerry & The Pacemakers, em “Frenéticos do Ritmo”, e ainda apareceu em “Saturday Night Out”. Mas foi mesmo com “007 Contra Goldfinger” que atingiu status de ícone na Inglaterra. Embora tenha aparecido no filme como Dink, massageando James Bond (Sean Connery), seu desempenho mais lembrado acontece na famosa sequência de abertura, como a modelo pintada de ouro, que serve de tela para cenas da produção, projetadas sobre o corpo. O visual mod-psicodélico também foi evocado no pôster do filme, com Connery estampado sobre sua pele dourada. Esse trabalho lhe rendeu vários convites para voltar a ser modelo, inclusive uma sessão de fotos para a revista Playboy, mas ela não quis largar o cinema. Depois de filmar “Três Quartos em Manhattan” (1965) com o francês Marcel Carné, apareceu na sua primeira comédia besteirol da franquia “Carry On”, “Pra Frente, Vaqueiro” (1965), e encontrou seu nicho como comediante. Embora tenha aparecido no terror “O Caçador de Bruxas” (1968), com Vincent Price, ela transformou o papel de garota sexy numa bem-sucedida filmografia de humor, contracenando inclusive com os americanos Warren Beatty e Jerry Lewis, respectivamente em “A Deliciosa Viuvinha” (1966) e “Um Golpe das Arábias” (1968). Ao ser convidada para mais quatro filmes de “Carry On”, entre eles os sucessos “Manda Ver, Henry” (1971) e “Simplesmente Garotas” (1973), conseguiu manter sua popularidade até meados dos anos 1970. Nolan ainda atuou em diversos episódios de séries britânicas famosas, incluindo “Danger Man”, “Secret Agent”, “The Persuaders” e “Q”, e chegou a ser dirigida por Alfred Hitchcock em “Frenesi”, mas sua cena foi cortada na edição que chegou aos cinemas em 1972. Assim que as ofertas de trabalho diminuíram, no começo dos anos 1980, ela decidiu se reinventar. Mudou-se para a Espanha e passou a trabalhar com fotografia, realizando experiências visuais com fotomontagens. Suas obras foram aclamadas e exibidas em galerias de arte de Londres. Ela só voltou a atuar por insistência de um fã. O diretor Edgar Wright a escalou para um pequeno papel em seu próximo filme, “Last Night in Soho”, que ela completou antes de morrer. “Ela estava no meio de tudo que era cool nos anos 1960”, descreveu Wright em suas redes sociais, ao lamentar a morte da atriz. A atriz deixa dois filhos. Um deles, Oscar Deeks, deu sequência a duas paixões da mãe, virando diretor de fotografia de cinema. Não só isso: sua carreira começou como assistente de fotografia em “007 – Cassino Royale” (2006).
Cecil Thiré (1943 – 2020)
O ator Cecil Thiré morreu nesta sexta-feira (9/10), aos 77 anos, enquanto dormia em sua casa, no Rio de Janeiro. Filho da famosa atriz Tônia Carrero, ele enfrentava o Mal de Parkinson há alguns anos. Além de ser reconhecido como ator de novelas da Globo, especialmente por seus papéis de vilões, como Mário Liberato, em “Roda de Fogo” (1987), e Adalberto, em “A Próxima Vítima” (1995), Thiré também foi roteirista e diretor de diversas obras no cinema e no teatro. Nascido em 28 de maio de 1943, no Rio, Cecil Aldary Portocarrero Thiré foi o filho único do casamento entre Tônia Carrero e o artista plástico Carlos Arthur Thiré, e desde cedo seguiu a tradição artística da família. Sua estreia nas telas foi aos 9 anos, numa pequena participação no filme “Tico-Tico no Fubá”, sucesso musical de 1952 estrelado pela mãe. Sua carreira teve impulso durante o apogeu do Cinema Novo. Aos 19 anos, apareceu em dois segmentos do clássico “Cinco Vezes Favela” (1962). Aos 21, fez sua estreia atrás das câmeras, como assistente de direção de Ruy Guerra em “Os Fuzis” (1964), em que também atuou. Com 24, ganhou projeção internacional no filme “Arrastão” (1967), do francês Antoine d’Ormesson, e virou ator de novelas, no elenco de “Angústia de Amar” (1967), da TV Tupi. Ao chegar aos 25, tornou-se diretor de cinema, comandando o drama “O Diabo Mora no Sangue” (1968). Mas depois desse começo avassalador, o AI-5 mudou os rumos do cinema brasileiro e da maioria das pessoas que trabalhavam nele. Com a censura dos filmes de temática política e social, Cecil Thiré se reinventou como comediante. Integrou o programa humorístico “Balança Mas Não Cai” e ingressou nas pornochanchadas, que faziam sucesso na época, tanto como ator, em “Como Nos Livrar do Saco” (1973), “Ainda Agarro Esta Vizinha…” (1974) e “Eu Dou o que Ela Gosta” (1975), quanto como roteirista, do último filme citado e de “O Roubo das Calcinhas” (1975). Ele também escreveu o sucesso musical “Amante Latino” (1979), estrelado pelo cantor Sidney Magal, enquanto se dedicava, ao mesmo tempo, ao teatro e à televisão. Sua primeira experiência como diretor de teatro foi em 1971, numa montagem de “Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen, e em 1975 recebeu o Prêmio Molière por sua montagem da peça “A Noite dos Campeões”, de Jason Miller. Ao ingressar na Globo, deu vazão ainda maior à sua versatilidade. Após se destacar como ator de novelas – em “O Espigão” (1974) e “Escalada” (1975) – , começou a aparecer em humorísticos, como “Planeta dos Homens” (a partir de 1976), o que o aproximou de Jô Soares e lhe abriu novos caminhos. Quando Jô Soares ganhou seu próprio programa, “Viva o Gordo”, em 1981, Thiré virou diretor de TV. Depois disso, passou a se alternar na frente e atrás das câmeras, inclusive em novelas. Ele estrelou “Sol de Verão” (1982), “Champanhe” (1983), “Roda de Fogo” (1987), “Top Model” (1989), “Renascer” (1993), “A Próxima Vítima” (1995), “Celebridade” (2003) e dirigiu “Sassaricando” (1987), “Araponga” (1990) e episódios de “Você Decide” e “Sai Debaixo”, além de ter ido para Portugal com sua mãe, para dirigi-la na série “Cupido Electrónico”, em 1993. Mesmo com tanto trabalho, sempre reservou espaço na agenda para o cinema, atuando em filmes famosos, como “Luz del Fuego” (1982), de David Neves, “A Bela Palomera” (1988), de Ruy Guerra, “Forever – Juntos para Sempre” (1991), de Walter Hugo Khouri, “O Quatrilho” (1995), de Fábio Barreto, indicado ao Oscar, “Cronicamente Inviável” (2000), de Sergio Bianchi, “Sonhos Tropicais” (2001), de André Sturm, entre outros. Thiré chegou a viver o mesmo personagem, o Marechal Henrique Lott, na TV e no cinema, respectivamente na minissérie “JK” (2006) e no filme “Bela Noite para Voar” (2009), de Zelito Viana. Ainda apareceu em três novelas da Record, antes de se afastar das telas em 2013, após a novela “Máscaras” e a série “Se Eu Fosse Você”, ano em que também publicou o livro “A Carpintaria do Ator”, resultado de outra atividade paralela, ensinando o ofício da atuação. A doença o impediu de continuar em atividade. Durante a cerimônia de cremação da mãe, em março de 2018, seu estado de saúde chamou atenção, pela dificuldades demonstradas para andar e falar. Em um vídeo enviado pelo WhatsApp a pessoas próximas da família, a filha de Cecil, a atriz Luisa Thiré, disse: “Ele vai deixar muita saudade, porque papai foi um cara muito importante para a arte toda. Deixou muita coisa boa, muito aprendizado. Foi professor de muita gente, tanto de cinema quanto de teatro. Lembro de eu, pequena, entrando no Teatro Fênix, ele gravando o ‘Viva o Gordo’, e a claque inteira vindo falar comigo como papai era querido. Por onde andou, ele fez amigos de A a Z. Que ele descanse, porque ele merece. Esse final estava bem difícil”, contou a atriz. A família puxou o pai e a avó, com três dos quatro filhos de Thiré seguindo a carreira de atores: Luisa, Carlos e Miguel.
Clark Middleton (1957 – 2020)
O ator Clark Middleton, que estrelou as séries “Twin Peaks” e “The Blacklist”, morreu no domingo (4/5) por infecção do vírus do Nilo Ocidental, aos 63 anos. “Com o coração pesado, anunciamos a passagem de uma vida eminentemente digna de comemoração: Clark Tinsley Middleton, 63 – amado ator, escritor, diretor, professor, herói, marido, farol, amigo”, escreveu sua esposa Elissa nas redes sociais. “Clark fez a transição em 4 de outubro como resultado do vírus do Nilo Ocidental, para o qual não há cura conhecida. Clark era uma bela alma que passou a vida desafiando limites e defendendo as pessoas com deficiência”. Middleton começou a trabalhar como ator em Nova York em 1983, fazendo sua estreia teatral ao lado da estrela da Broadway Geraldine Page. Nos últimos 30 anos, sua extensa experiência no palco o levou por todo o país, onde se apresentou nos principais teatros das cidades de Nova York e Los Angeles, incluindo a montagem de sua peça individual aclamada pela crítica “Miracle Mile”. Na televisão, Middleton se destacou em papéis recorrentes em “Law & Order”, “Fringe”, no revival de “Twin Peaks” (como o marido de Aubrey/Sherilyn Fenn) e, mais recentemente, em “The Blacklist”, onde interpretou um parceiro profundamente irritante de Raymond “Red” Reddington (James Spader). Sua última participação na série foi exibida em abril passado. Ao longo de sua carreira, Middleton trabalhou com vários diretores proeminentes, como Quentin Tarantino em “Kill Bill Vol. 2” (2004), Robert Rodriguez em “Sin City” (2005), Ang Lee em “Aconteceu em Woodstock” (2009), Bong Joon Ho em “Expresso do Amanhã” (2009) e Alejandro G. Iñárritu em “Birdman” (2014). Membro vitalício do Actors Studio, ele também ensinou atuação por mais de 20 anos na cidade de Nova York. Paralelamente ao trabalho artístico, ainda foi um porta-voz da Fundação de Artrite, após conviver com a artrite reumatóide juvenil por mais de 50 anos. Em comunicado, o criador de “The Blacklist”, Jon Bokenkamp, lamentou a morte do ator. “Estou com o coração partido. Além de ser um ator verdadeiramente único e talentoso, Clark era simplesmente um cara incrível em todos os sentidos. Ele era um louco por filmes. Ele amava seu trabalho com paixão. E ele era incrivelmente generoso de espírito… Eu sei que sua família inteira em ‘The Blacklist’ está arrasada com essa notícia. Clark era um dos bons, e nós o perdemos cedo demais.”
Thomas Jefferson Byrd (1941 – 2020)
O cineasta Spike Lee anunciou a morte de Thomas Jefferson Byrd em seu Instagram. Em sua postagem, Lee compartilhou uma foto de Thomas como o personagem Errol Barnes em seu filme “Irmãos de Sangue” (1995). Segundo o diretor, o ator foi assassinado na noite de sábado (3/10) em Atlanta, na Geórgia. “Estou tão triste em anunciar o assassinato trágico de nosso amado irmão Thomas Jefferson Byrd na noite passada”, Lee escreveu. “Tom era meu cara.” O Departamento de Polícia de Atlanta confirmaram a morte de Byrd à revista The Hollywood Reporter. Em comunicado, informou que policiais foram despachados por volta de 1h45 no sábado para a Avenida Belvedere, 2.257, após relatos de um ferido. “Na chegada, as unidades localizaram um homem deitado sem resposta no local”. Ele foi encontrado morto com vários tiros nas costas. “A vítima foi posteriormente identificada como Thomas Byrd”, confirmou o departamento. Byrd estrelou uma variedade de filmes de Spike Lee, começando por “Irmãos de Sangue” (1995) e seguindo até os trabalhos mais recentes do diretor. Ele participou de “Garota 6” (1996), “Todos a Bordo” (1996), “Jogada Decisiva” (1998), “A Hora do Show” (2000), “Verão em Red Hook” (2012), “A Doce Sede de Sangue” (2014), “Chi-Raq” (2015) e até da série “Ela Quer Tudo” (2017-2019), que Lee realizou na Netflix. A filmografia do ator também inclui produções famosas de outros cineastas, como “Até as Últimas Consequências” (1996), de F. Gary Gray, “Politicamente Incorreto” (1998), de Warren Beatty, “Ray” (2004), de Taylor Hackford e “Atraídos Pelo Crime” (2009), de Antoine Fuqua. Seu último trabalho foi uma participação em “Freedom’s Path”, western passado na Guerra Civil e ainda inédito, que marcará a estreia do premiado curta-metragista Brett Smith no comando de um longa. Mas além do cinema, Byrd ainda teve uma carreira destacada no teatro, chegando a ser indicado ao prêmio Tony de Melhor Ator em 2003 por seu papel na montagem de “Ma Rainey’s Black Bottom”, peça que agora vai virar filme na Netflix com o último desempenho da vida de Chadwick Boseman. A morte de Byrd está atualmente sob investigação no Departamento de Polícia de Atlanta. Ver essa foto no Instagram I’m So Sad To Announce The Tragic Murder Of Our Beloved Brother Thomas Jefferson Byrd Last Night In Atlanta,Georgia. Tom Is My Guy,Here Below You See Him As The Frightening Character Errol Barnes In CLOCKERS. Brother Byrd Also Did His Thang In My Joints- CHI-RAQ,SWEET BLOOD OF JESUS, RED HOOK SUMMER,BAMBOOZLED,HE GOT GAME,GET ON THE BUS,GIRL 6 And CLOCKERS. May We All Wish Condolences And Blessings To His Family. Rest In Peace Brother Byrd.🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿🙏🏿💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜 Uma publicação compartilhada por Spike Lee (@officialspikelee) em 4 de Out, 2020 às 10:40 PDT
Leila Cravo (1953 – 2020)
A atriz Leila Cravo, símbolo sexual dos anos 1970 que estrelou pornochanchadas, novelas e apresentou o “Fantástico”, morreu esquecida em 5 de agosto passado, aos 66 anos, após ser levada com dores a um hospital do Rio de Janeiro. Ela foi uma das estrelas que mais estampou capas de revistas na década de 1970, mas acabou se tornando mais lembrada devido um escândalo. Ainda iniciante, Leila começou sua carreira na Globo após estrelar a pornochanchada “Uma Pantera em Minha Cama” (1971), escalada pelo diretor Walter Avancini num pequeno papel na novela “O Semideus” (1973). No ano seguinte, deslanchou ao coadjuvar em “Corrida do Ouro” (1974). Também apareceu nos filmes “Relatório de um Homem Casado” e “Brutos Inocentes”. E, aos 21 anos, tinha se tornado apresentadora do “Fantástico”. Então, um caso misterioso e brutal aconteceu no motel Vip’s, no Rio de Janeiro, que lhe afetou pelo resto da vida. A artista foi encontrada nua e estatelada na rua em 1975, após cair da suíte presidencial do estabelecimento, a 18 metros de altura, com um bilhete para o amante na mão. Ela sobreviveu, mas teve politraumatismo craniano e passou 13 dias em coma. Apesar da queda, ficou com poucas marcas no corpo. Passou décadas sem contar o que realmente aconteceu e o acidente nunca foi devidamente investigado. Leila chegou a citar o caso em seu livro “Passagem Secreta”, de 1979, mas de forma metafórica. Ela se referia a um “milagre”, por ter sobrevivido. Mas só recentemente, em entrevista para a TV Record, decidiu revelar que tinha escapado de um complô para matá-la. Ela teria sido jogada do quarto por alguém poderoso – um Ministro da ditadura militar, que a estuprou e a espancou com mais dois homens (um deles, seu amante, que a levou ao local) e tentou esconder o crime com um suicídio encenado. Ao retomar a atividade, ela emplacou mais três filmes, “Tem Alguém na Minha Cama” (1976), “Quem é o Pai da Criança?” (1976) e “Empregada Para Todo o Serviço” (1977), lançado no ano em que posou para a revista Playboy. Ela estava no auge quando fez em sequência duas novelas de sucesso, “Te Contei?” e “Sinal de Alerta” (ambas de 1978), e então sua carreira acabou. Ela se mudou para o Paraná e após aparecer num programa infantil de uma afiliada da TV Bandeirantes em Cascavel, saiu dos holofotes para uma vida mais calma, da qual deixa a filha Tathiana, de 38 anos, e a neta Ana Julia, de 11.
Archie Lyndhurst (2000 – 2020)
O jovem ator britânico Archie Lyndhurst, conhecido no Reino Unido por estrelar a série teen “So Awkward”, morreu aos 19 anos de idade após uma “curta doença”. Apesar de revelada nesta quinta (1/10), a morte teria acontecido há alguns dias e a causa exata não foi revelada pelos pais do ator, que pediram à imprensa que respeitasse sua privacidade. O rapaz era filho do também ator Nicholas Lyndhurst, conhecido por estrelar a duradoura série de comédia “Only Fools and Horses” (1981-2003), e da ex-balarina Lucy Smith. Pai e filho atuaram juntos em um episódio de “So Awkward” em 2019. Archie estreou como ator no teatro, aos 10 anos de idade, mas só ficou conhecido após conseguir o papel na série “So Awkward”, da BBC, em 2015. A série acompanha um grupo de estudantes que enfrentam a experiência constrangedora de virar adolescentes e sobreviver ao Ensino Médio. A 6ª temporada foi lançada em agosto no serviço de streaming da emissora. Além da sitcom, Lyndhurst também apareceu na série “Bad Education”, como a versão mais nova do comediante Jack Whitehall, e emprestou sua voz para videogames como “Final Fantasy 14: Heavensward” e “The Secret World”. Whitehall escreveu uma homenagem no Instagram, dizendo que o jovem “nunca será esquecido”. “Archie Lyndhurst entrou na minha vida há quase 10 anos, interpretando uma versão jovem de mim mesmo”, disse ele. “Ele era brilhante, tão talentoso e engraçado. Uma alegria absoluta. Não tenho dúvidas de que ele teria uma carreira longa e ilustre e continuaria iluminando a vida de todos aqueles que o encontraram”.
Goran Paskaljević (1947 – 2020)
O diretor sérvio Goran Paskaljević, que realizou 18 filmes, incluindo os premiados “Tango Argentino” e “Barril de Pólvora”, morreu na sexta-feira (25/9) em Paris, de câncer de pulmão, aos 73 anos. A doença não o impediu de terminar seu último filme, “Nonostante la Nebbia”, que foi rodado na Itália no ano passado. Nascido em Belgrado em 22 de abril de 1947, Paskaljević estudou cinema na Tchecoslováquia na ilustre escola FAMU durante a primavera de Praga. Lá, ele fez seus primeiros curtas-metragens, enfrentando a censura comunista por seus temas de compaixão pelos desprezados pelo sistema. Após a invasão soviética em Praga, em 1968, ele teve a carreira interrompida e retornou à então Iugoslávia, só lançando seu primeiro longa oito anos depois, o drama “Beach Guard in Winter” (1976), que competiu em Berlim e lhe renceu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cinema de Pula. A obra foi co-escrita por Gordan Mihić, que se tornou seu parceiro de roteiro de longa data. Os filmes de Paskaljević geralmente traçavam a vida de pessoas comuns em circunstâncias dramáticas e se tornaram sucessos no circuito dos festivais internacionais. Quatro de seus filmes tiverem première em Cannes: “Special Treatment” (1980), “Guardian Angel” (1987), “Time of Miracles” (1989) e seu único filme ambientado nos EUA, “Someone Else’s America” (1995). E “Tango Argentina” (1992) ganhou o prêmio do público em Veneza. Com o tempo, o humor gentil de seus primeiros trabalhos deu lugar à ironia e tragédia sombrias, mas sempre de forma a defender os oprimidos, fossem crianças, deficientes, judeus, ciganos ou imigrantes. Embora ele sempre tenha se negado a se definir como um cineasta político, ele também admitiu que “não se pode evitar a política”, e repetidamente seus trabalhos e entrevistas irritaram os nacionalistas da antiga Iugoslávia. Com o desmembramento do país e a onda crescente de nacionalismo na Sérvia, Paskaljević e sua esposa, Christine Gentet-Paskaljević, mudaram-se para Paris em 1992 e ele tornou-se um cidadão francês. Ele só voltou para casa em 1998 para filmar o memorável “Barril de Pólvora”, que capturou a violência nas ruas de Belgrado e venceu o prêmio da crítica em Veneza e no European Film Awards. Seus filmes posteriores, muitos dos quais ele mesmo escreveu, dirigiu e produziu, mantiveram o padrão elevado, com destaque para a produção irlandesa “How Harry Became a Tree” (2001) e o alegórico “Midwinter Night’s Dream” (2004), que criticou corajosamente o papel da Sérvia na guerra dos Balcãs. Entre seus filmes finais estão “When Day Breaks” (2012), em que um professor judeu aprende sobre seu passado, e “Land of the Gods” (2016), ambientado na Índia. Assim como o derradeiro longa, “Nonostante la Nebbia”, todos tiveram première no Festival de Valladolid, na Espanha.
Yuko Takeuchi (1980 – 2020)
A atriz Yuko Takeuchi, que estrelou o primeiro filme da franquia japonesa “O Chamado” e a série “Miss Sherlock”, foi encontrada morta na manhã deste domingo (27/9) em sua residência em Tóquio aos 40 anos. O marido de Takeuchi, o também ator Taiki Nakabayashi (“Strawberry Night Saga”), teria encontrado a atriz em seu quarto por volta das 2 da manhã, de acordo com o jornal The Japan Times. A polícia está tratando o caso como um aparente suicídio. Takeuchi era bastante conhecida no Japão por sua variedade de trabalhos no cinema e na televisão. Ela fez sua estreia no cinema com 18 anos com dois filmes lançados em 1998. Um deles foi o longa que lançou a franquia internacional de terror “O Chamado” (“Ringu”, em japonês), que ganhou remake nos EUA em 2002 e até hoje segue rendendo continuações e reboots. No longa original, de Hideo Nakata, Takeuchi viveu a primeira vítima da maldição de Sadako (transformada em Samara nos EUA). O sucesso do filme ajudou a estabelecer sua carreira, que seguiu com várias séries e filmes, a maioria com tramas românticas. O reconhecimento não tardou. Suas performances em “Yomigaeri” (2003), “Be With You” (2004) e “Spring Snow” (2005) foi indicadas a três troféus consecutivos de Melhor Atriz da Academia Japonesa de Cinema. Ela também concorreu ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por “Cape Nostalgia” (2012). Mais recentemente, Takeuchi voltou ao terror com um dos principais papéis de “Creepy” (2016), do mestre do J-horror Kiyoshi Kurosawa, premiado no Fantasia Film Festival, no Canadá, e se projetou ainda mais como a personagem-título de “Miss Sherlock”, série de 2018 da HBO Asia sobre uma versão feminina de Sherlock Holmes, que foi exportada para o mundo todo. Seu último filme, “The Confidence Man JP: Princess” era segundo longo de uma franquia iniciada em 2019 e foi lançado em julho passado. Ela também tinha se tornado mãe pela segunda vez em janeiro deste ano. Os sobreviventes incluem seu marido e dois filhos.
Mãe de Sylvester Stallone morre aos 98 anos
A mãe do ator Sylvester Stallone, Jacqueline Frances Stallone, morreu na noite de segunda (21/9) de causas não reveladas. Ela completaria 99 anos em novembro. Jackie Stallone, como era conhecida, fez carreira como astróloga e também trabalhou como dançarina e promoter de luta livre feminina. Ela foi uma das idealizadores do programa “G.L.O.W.”, que inspirou a série homônima da Netflix. No Brasil, o programa de luta entre modelos e atrizes aspirantes foi exibido no SBT com o título de “Luta Livre de Mulheres”. Ela também atuou no filme “Garotas do Outro Mundo” (1993) e participou de temporadas do “Celebrity Big Brother”, no Reino Unido. Além disso, era muito ativa nas redes sociais, postando fotos e vídeos de seu dia a dia, com destaque para a malhação na academia. Além de Sylvester, ela era mãe do cantor Frank Stallone e da atriz Toni D’Alto, que morreu em 2012, aos 48 anos, vítima de um câncer de pulmão. “Ela morreu enquanto dormia, como desejava”, escreveu Frank Stallone nas redes sociais.
Michael Lonsdale (1931 – 2020)
O ator Michael Lonsdale, que ficou conhecido como o herói de “O Dia do Chacal” e o vilão de “007 Contra o Foguete da Morte”, morreu nesta segunda-feira (21/8) em sua casa em Paris aos 89 anos, após uma carreira de seis décadas. Filho de pai britânico e mãe francesa, Lonsdale cresceu em Londres e no Marrocos, onde descobriu o cinema de Hollywood em sessões com as tropas americanas durante a 2ª Guerra Mundial, mas só foi se dedicar às artes ao regressar a Paris em 1947, por influência de seu tio Marcel Arland, diretor da revista literária NRF. Ele estreou no teatro aos 24 anos e logo se mostrou interessado por experiências radicais, em adaptações de Eugène Ionesco e em parcerias com Marguerite Duras. A estreia no cinema aconteceu em 1956, sob o nome Michel Lonsdale. Ele participou de várias produções francesas até sofrer sua metamorfose, virando Michael ao ser escalado por Orson Welles em “O Processo” (1962), adaptação do célebre texto de Kafka rodada na França com Anthony Perkins e Jeanne Moreau. Dois anos depois, voltou a ser dirigido na França por outro mestre de Hollywood, Fred Zinnemann, no drama de guerra “A Voz do Sangue” (1964). Mas apesar da experiência com dois dos maiores cineastas hollywoodianos, decidiu retomar o nome Michel e mergulhar no cinema de arte francês, atuando em clássicos da nouvelle vague como “A Noiva Estava de Preto” (1968) e “Beijos Proibidos” (1968), ambos de François Truffaut, “Sopro no Coração” (1971), de Louis Malle, e “Não me Toque” (1971) e “Out 1: Spectre” (1972), os dois de Jacques Rivette. Entretanto, Fred Zinnemann não o esqueceu e se tornou responsável por introduzi-lo no cinema britânico, ao lhe dar um papel de destaque na adaptação do thriller “O Dia do Chacal” (1973), como o obstinado detetive Lebel, que enfrentou o vilão Carlos Chacal. Ele chegou a ser indicado ao BAFTA (o Oscar britânico), mas não foi desta vez que voltou a ser Michael, permanecendo no cinema francês com papéis em “Deslizamentos Progressivos do Prazer” (1974), de Alain Robbe-Grillet, e “O Fantasma da Liberdade” (1974), de Luis Buñuel, onde chegou a mostrar seu traseiro em cenas sadomasoquistas, pelo “amor à arte”. Paralelamente, aprofundou sua relação com a escritora Marguerite Duras, estrelando quatro filmes que ela dirigiu: “Destruir, Disse Ela” (1969), “Amarelo o Sol” (1971) e “India Song” (1975), onde se destacou como um vice-cônsul torturado, repetindo o papel em “Son Nom de Venise dans Calcutta Désert” (1976). No mesmo ano de “India Song”, que o projetou como protagonista, Lonsdale estrelou o clássico “Sessão Especial de Justiça” (1975), de Costa-Gravas, cuja denúncia do sistema penal à serviço de governos corruptos (no caso, da França ocupada por nazistas) rendeu discussões acaloradas – assim como censura – em vários países. A repercussão do filme de Costa-Gravas o projetou para além da França, levando-o a trabalhar com o inglês Joseph Losey (“Galileu”, “A Inglesa Romântica” e “Cidadão Klein”) e o austríaco Peter Handke (“A Mulher Canhota”), o que o colocou no radar dos produtores da franquia “007”. Em “007 Contra o Foguete da Morte” (1979), Lonsdale viveu o diabólico Drax, um industrial bilionário e pianista, que pretendia envenenar a população da Terra e, em seguida, repovoar o planeta com alguns escolhidos, que ele selecionou para viver em sua estação espacial. O ator comparou seu personagem a Hitler em uma entrevista de 2012. “Ele queria destruir todo mundo e fazer surgir uma nova ordem de jovens muito atléticos… ele estava completamente louco.” Para enfrentar o James Bond vivido por Roger Moore, Lonsdale decidiu voltar a ser Michael e assim foi “adotado” pelo cinema britânico, aparecendo em seguida num dos filmes ingleses mais bem-sucedidos de todos os tempos, “Carruagens de Fogo” (1981). Lonsdale também participou do blockbuster “O Nome da Rosa” (1986) e de vários filmes notáveis dos anos seguintes, firmando parceria com o mestre do drama de época britânico James Ivory nos clássicos “Vestígios do Dia” (1993) e “Jefferson em Paris” (1995), no qual interpretou o imperador Luis XVI. Apesar do sucesso em inglês, ele nunca filmou nos EUA, mas trabalhou em mais três thrillers de diretores americanos famosos. Dois desses filmes foram dirigidos na Inglaterra por John Frankenheimer: “O Documento Holcroft” (1985), estrelado por Michael Caine, e “Ronin” (1998), em que contracenou com Robert De Niro. O terceiro foi “Munique” (2005), de Steven Spielberg, em cenas rodadas na França. Mesmo com essas experiências, ele nunca se interessou por Hollywood, preferindo trabalhar com cineastas europeus como Milos Forman (“Sombras de Goya”), François Ozon (“O Amor em 5 Tempos”), Catherine Breillat (“A Última Amante”), Ermanno Olmi (“A Aldeia de Cartão”), Xavier Beauvois (“Homens e Deuses”) e até o centenário cineasta português Manoel de Oliveira (no último longa do diretor, “O Gebo e a Sombra”). Ativo até 2016, quando se aposentou, Lonsdale só foi receber seu primeiro grande prêmio na véspera de seus 80 anos, o César (equivalente francês do Oscar) por seu papel coadjuvante como sacerdote livre e heroico em “Homens e Deuses” (2010). A consagração como homem de fé foi importante não apenas para a carreira de Lonsdale. Ele professava fé cristã pela influência de uma madrinha cega e, em 1987, ingressou na Renovação Carismática Católica antes de fundar o “Magnificat”, um grupo de oração para artistas. Solteiro e sem filhos, Lonsdale também foi pintor e emprestou sua voz inconfundível a inúmeros documentários e audiolivros.
Terceiro artista asiático é encontrado morto em casa nesta semana
O cantor, ator e apresentador Alien Huang, personalidade de mídia bastante conhecida em Taiwan, foi encontrado morto em seu apartamento em Taipei na manhã desta quarta (16/6). A causa da morte não foi informada para a imprensa, mas ele é o terceiro artista asiático a ser encontrado morto em sua casa nos últimos três dias, após a sul-coreana Oh In Hye na segunda (14/9) e a japonesa Ashina Sei na terça (15/9). As duas primeiras teriam se suicidado. Ainda há outra coincidência ligando as três histórias: os três morreram aos 36 anos. Huang ficou conhecido em 2002, quando se juntou ao grupo musical HC3. Após a separação no ano seguinte, ele entrou em outra boy band, a Cosmo, que também não durou, levando-o a optar por uma carreira solo. Ele virou ator em 2004, com a comédia “Holiday Dreaming”, e poucos meses depois começou a apresentar o programa de variedades “100% Entertainment”, que lhe deu ainda maior projeção, levando-o a receber convites para ampliar sua carreira com papéis em séries e filmes. As produções eram todas comédia românticas, que traziam Huang como galã, com apenas uma exceção, o thriller de ação “Gatao” (2015), que foi mal-recebido pela crítica. Seu último trabalho como ator foi “Acting Out of Love”, lançado em março em Taiwan, em que ele tinha apenas um pequeno papel.












