Halyna Hutchins (1979–2021)
A diretora de fotografia Halyna Hutchins, que morreu na quinta (21/10), durante um acidente nas filmagens do western “Rust” era considerada uma “estrela em ascensão” na profissão. A definição foi feita pela revista American Cinematographer em 2019. Halyna nasceu na Ucrânia em 1979, época em que o país ainda fazia parte da extinta União Soviética. Ela contava em seu site oficial que passou a infância em uma base militar soviética no Circulo Polar Ártico, com sua educação “cercada por renas e submarinos nucleares”, por isso se dizia “uma pirralha do exército”. Ela passou a se interessar por cinema “porque “não havia muito o que fazer lá” no Ártico. Formada em jornalismo pela Universidade Nacional de Kiev, na Ucrânia, ela decidiu seguir carreira no cinema e partiu para os Estados Unidos, onde se formou no American Film Institute em 2015. Ao se estabelecer em Los Angeles, trabalhou em vários curtas-metragens antes de filmar seu primeiro longa, o terror “Snowbound” em 2017, que a levou até o Festival de Cannes. Em 2019, ela ganhou o prêmio de melhor cinematografia do English Riviera Film Festival por seu trabalho no curta-metragem “Treacle”, o que a levou a ser contratada para dirigir a fotografia de “Archenemy”, um longa-metragem de ação estrelado por Joe Manganiello em 2020, que se tornou sua filmagem de maior destaque. Durante as filmagens de seu último filme, “Rust”, no Novo México, ela foi atingida em cheio pelo ator Alec Baldwin, usando uma arma cenográfica que, segundo o IATSE (sindicato dos funcionários de produção), continham balas de verdade. Os tiros também feriram o diretor Joel Souza. O incidente ocorreu no Bonanza Creek Ranch, um local popular de produção ao sul de Santa Fé, onde mais de 100 westerns já foram filmados. Hutchins foi transportada de helicóptero para o Hospital da Universidade do Novo México em Albuquerque, onde morreu aos 42 anos. Souza, de 48, foi levado de ambulância ao Centro Médico Regional Christus St. Vincent, em Santa Fé, onde fez tratamento para os ferimentos. Ele foi atingido no ombro. Ela era casada, tinha um filho e adorava sua profissão. Seu perfil oficial no Instagram a definia como “sonhadora inquieta, viciada em adrenalina e diretora de fotografia” e sua última publicação celebrava seu trabalho final, mostrando um passeio a cavalo numa folga de “Rust”. “Uma das vantagens de filmar um western é andar a cavalo no seu dia de folga”, escreveu. View this post on Instagram Uma publicação compartilhada por Halyna Hutchins (@halynahutchins)
Ralph Carmichael (1927–2021)
Ralph Carmichael, um prolífico compositor e arranjador de músicas e trilhas, morreu na segunda-feira (18/10) em Camarillo, Califórnia, aos 94 anos. A causa da morte não foi informada. Carmichael iniciou sua longa carreira no início dos anos 1950, quando sua banda escolar apareceu na TV local de Los Angeles. Pouco depois, ele começou a compor músicas incidentais para séries como “I Love Lucy”, “December Bride” e “Bonanza”, entre outras, passando rapidamente a criar trilhas para filmes B e a exercer o cargo de diretor musical de especiais de TV com cantores como Roy Rogers, Bing Crosby, Barbara McNair, Julie London e Anita Bryant. Entre suas trilhas de cinema, destaca-se “A Bolha Assassina”, sci-fi barata de 1958 que lançou a carreira cinematográfica do ator Steve McQueen, e que contou com participação de Burt Bacharah na faixa de abertura. Já na TV, o destaque foi a música-tema de “Minha Mãe, o Carro” (1965). Carmichael compôs a divertida melodia que acompanhava a descrição da premissa da série, sobre a reencarnação da mãe do protagonista (Jerry Van Dyke) como um carro. Ele também se destacou na música popular americana, como arranjador, maestro, pianista e produtor de discos de Nat King Cole, Frankie Laine, Rosemary Clooney, Bing Crosby e Roger Williams. Entre os nove álbuns que gravou com Cole, encontra-se o clássico “The Magic of Christmas”, de 1960, que se tornou um dos discos de Natal mais tocados de todos os tempos. O compositor fundou sua própria gravadora em 1968, especializando-se em lançar artistas cristãos, como Andrae Crouch, os Continental Singers, Cliff Richard e seu próprio grupo de estúdio, The Young People. Creditado por escrever mais de 300 canções gospel, Carmichael também assinou a trilha do filme religioso “A Cruz e a Navalha” (1970), em que o cantor Pat Boone vivia um padre em luta contra jovens delinquentes. Ele ainda serviu por vários anos como presidente da Associação da Música Gospel dos EUA, ocasião em que chegou a ser conhecido como o “Pai da Música Cristã Contemporânea”. Mas o rótulo não foi seu único reconhecimento. Carmichael entrou para o Hall of Fame da Música Evangélica em 1985 e um ano depois publicou uma autobiografia em que falava de sua fé, batizada com o nome de uma de suas gravações de gospel mais famosas, “He’s Everything to Me”. Em 1994, ele recebeu o Grammy gospel, o Dove Award, por seu disco “Strike Up the Band”, e ainda foi homenageado no Hall of Fame dos Difusores Religiosos em 2001. Lembre abaixo a música-tema de “Minha Mãe, o Carro”.
Leslie Bricusse (1931–2021)
O compositor e roteirista Leslie Bricusse, que venceu dois Oscars, morreu na terça (19/10) aos 90 anos de idade. A causa da morte não foi revelada. Ao longo de sete décadas, o escritor e compositor nascido em Londres compôs temas orquestrações e canções que marcaram a história do cinema. Sua carreira começou com musicais do West End londrino na década de 1950, mas não demorou a chegar ao cinema. Ele escreveu seu primeiro roteiro, o musical “Charley Moon”, em 1956. Alternando-se entre roteiros, orquestrações e letras de músicas, Bricusse se manteve ativo até 2001. Ele ganhou o Oscar de Melhor Canção em 1967 por “Talk to the Animals”, do musical “O Fabuloso Doutor Dolittle”, que também roteirizou, e o Oscar de Melhor Trilha Sonora em 1982 pelo musical “Victor ou Victoria”, composta em parceria com Henry Mancini. Ao todo, ele teve 10 indicações ao Oscar. A lista de nomeações inclui, entre outras, as trilhas de “Adeus, Mr. Chips” (1969), “Adorável Avarento” (1970), “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (1971), “Esqueceram de Mim” (1990) e “Hook, a Volta do Capitão Gancho” (1991). Sua coleção de troféus também contém um Grammy de Melhor Canção do Ano de 1963, “What Kind of Fool Am I”, escrita com Anthony Newley para o musical do West End “Stop the World – I Want to Get Off”. E ele foi cinco vezes indicado ao Tony por espetáculos musicais, ingressando no Hall of Fame dos Compositores em 1989. Entre seus trabalhos mais conhecidos encontram-se ainda as letras das músicas-temas de dois filmes de James Bond, “007 Contra Goldfinger” (1967) e “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” (1967), e canções que compôs para o teatro, como “Who Can I Turn To” e “Feeling Good” foram gravadas por vários artistas, incluindo Tony Bennett e Nina Simone. Seu último trabalho cinematográfico foi como letrista no filme “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (2001), mas suas músicas continuam aparecendo em filmes até hoje. Feita para divertir em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “The Candy Man”, por exemplo, virou arrepiante no terror “A Lenda de Candyman”, lançado neste ano nos cinemas.
Betty Lynn (1926-2021)
A atriz Betty Lynn, que estrelou a série clássica “The Andy Griffith Show”, morreu no sábado (17/10) num retiro de idosos da Carolina do Norte, após uma curta doença, aos 95 anos. Matriculada no Conservatório de Música de Kansas City aos 5 anos pela mãe, que era cantora de ópera, Betty Lynn começou a cantar no rádio e em clubes noturnos ainda adolescente. Aos 18 anos, ela integrou o time de artistas contratado para animar as tropas americanas no exterior, durante a 2ª Guerra Mundial. Ao voltar de apresentações na Ásia, estreou na Broadway, onde chamou atenção de um caçador de talentos da Fox, assinando um contrato de três anos com o estúdio. Seu primeiro papel foi como coadjuvante em “Ama-Seca por Acaso”, emendado por participações em “Apartamento para Dois” e “Noiva da Primavera”, comédias lançadas com grande sucesso em 1948. Ela fez várias comédias da Fox até o fim do contrato em 1951, incluindo o clássico “Papai Batuta” (1950). Mas depois de completar seu acordo, preferiu voltar a Nova York para retomar a carreira teatral. Sem conseguir encaixe na temporada de espetáculos, ela buscou trabalhos em séries de TV ao vivo, que eram realizadas na cidade, o que acabou atrapalhando sua carreira no cinema. “Os estúdios odiavam a televisão”, observou ela numa entrevista antiga. “Quando me perguntaram o que eu estava fazendo, eu dizia: ‘Tenho feito televisão ao vivo, é absolutamente maravilhoso, é como fazer uma peça!’ E eles congelavam. Eu não entendia porque eles viam isso como dificuldade, mas acabei fazendo papel de idiota.” Os únicos papéis que lhe davam era de figurante, e ela precisou praticamente recomeçar a carreira, enquanto pagava as contas com cada vez mais participações televisivas, até ser escalada num papel recorrente na série “The Andy Griffith Show”. A atriz se juntou à sitcom perto do final da 1ª temporada em 1961 e apareceu em 26 episódios como Thelma Lou, a namorada certinha de Barney Fife, personagem marcante de Don Knotts. Quando o ator saiu de “The Andy Griffith Show” em 1965 para se concentrar em sua carreira no cinema, Lynn viu seu papel ser eliminado. Os produtores decidiram dar um final a sua trajetória após o hiato de um ano, num episódio em que Barney reapareceu na série buscando retomar o namoro com Thelma Lou, apenas para descobrir que ela tinha casado. Só que este desencontro não foi o final da história. Em 1986, a rede NBC produziu uma reunião especial com o elenco de “The Andy Griffith Show”. Intitulado “Return to Mayberry”, o telefilme usou como justificativa para o reencontro dos personagens clássicos justamente o casamento de Thelma Lou (agora divorciada) e Barney. No mesmo ano, Betty Lynn voltou a trabalhar com o astro original da série, o próprio Andy Griffith, interpretando sua secretária em um punhado de episódios da 1ª temporada de “Matlock”. Ela também apareceu em “Mod Squad”, “Os Pioneiros”, “Os Novos Centuriões” e “Barnaby Jones”, antes de desistir da carreira televisiva, mudando-se para o interior da Carolina do Norte após sua casa em Los Angeles ser assaltada duas vezes. Lynn se mudou para Mount Airy, terra natal de Andy Griffith, e era uma personalidade adorada na cidade, participando ativamente de homenagens no Andy Griffith Museum.
Ravil Isyanov (1962–2021)
O ator russo Ravil Isyanov, que integrava o elenco recorrente de séries como “The Americans” e “NCIS: Los Angeles”, morreu no dia 29 de setembro, aos 59 anos, após uma longa batalha contra o câncer. O falecimento foi comunicado apenas nesta quinta (14/10) por seu empresário. Ele serviu na Força Aérea soviética e estudou teatro em Moscou por quatro anos, e só conseguiu sair da Rússia ao ganhar uma bolsa do Departamento de Teatro da Universidade de Oxford, no Reino Unido, em 1990. Aproveitando o colapso da União Soviética, Isyanov decidiu buscar trabalho nos EUA, onde tentou se aproveitar do domínio dos idiomas inglês e russo para trabalhar em produções sobre a Guerra Fria. Seus primeiros créditos foram no thriller “Conspiração na Rússia” e na telebiografia “Stalin”, ambos lançados em 1992. A princípio, os papéis eram pequenas figurações em várias séries e filmes. Ele chegou até a pilotar um Mig, avião de caça russo, numa produção de James Bond, “007 Contra GoldenEye” (1995), além de ter participado de muitos thrillers de ação, espionagem e guerra, como “Hackers” (1995), “O Chacal” (1997), “O Santo” (1997), “Na Teia da Aranha” (2001), “K-19: The Widowmaker” (2002), “Sr. & Sra. Smith” (2005), “O Segredo de Berlim” (2006), “Um Ato de Liberdade” (2008) e até do blockbuster “Transformers: O Lado Oculto da Lua” (2011). Isyanov conseguiu se destacar mais ao começar a atuar em séries. De vilão da semana em “Buffy – A Caça-Vampiros” e “JAG: Ases Invencíveis” passou a vilanizar em dois episódios distintos de “Alias: Codinome Perigo”. Também apareceu em dois episódios de “Agents of SHIELD”, três de “24 Horas”, cinco de “The Last Ship” e seis de “The Americans”, culminando com sete participações em “NCIS: Los Angeles”, onde fez sua última aparição em abril passado, no papel do mafioso russo Anatoli Kirkin. Antes de falecer, Isyanov concluiu seu trabalho no filme “Blonde”, uma versão ficcional da vida de Marylin Monroe, onde interpretou o grande diretor Billy Wilder (de “Quanto Mais Quente Melhor”). Estrelada por Ana de Armas (“Entre Facas e Segredos”), a produção ainda não tem previsão de estreia.
David H. DePatie (1929–2021)
O gigante das animações David Hudson DePatie morreu de causas naturais aos 91 anos, no dia 23 de setembro, mas a informação só foi publicada nesta quinta (14/10) pela revista americana Variety. Entre outros projetos, ele foi responsável pela criação de nada menos que a Pantera Cor de Rosa. O personagem foi a primeira criação do estúdio formado por DePatie em 1963, após o fechamento da Warner Bros. Cartoons, braço animado da Warner que o produtor comandava até então – e por onde lançou muitos desenhos dos “Looney Tunes”. Ele tinha acabado de se juntar ao colega Friz Freleng para fundar a DePatie-Freleng Enterprises (DFE) quando o cineasta Blake Edwards o procurou para desenvolver a abertura animada do filme “A Pantera Cor de Rosa”. O sucesso do filme de 1963 rendeu várias continuações com aberturas animadas por DePatie e Freleng, além de um contrato da DFE com a United Artists, estúdio original da franquia, para o desenvolvimento de uma série de curtas com a Pantera Cor de Rosa para o cinema. O primeiro desses curtas, “A Pantera Pinta o Sete”, venceu o Oscar em 1965. A DFE também desenvolveu a abertura animada da série “Jeannie É um Gênio” em 1965, chamando atenção dos canais de TV dos EUA. A Pantera Cor de Rosa ganhou sua própria série televisiva em 1969, que abriu as portas para inúmeras outras atrações, como “Bom-Bom e Mau-Mau”, “Grump, o Feiticeiro Trapalhão”, “As Aventuras do Doutor Dolittle”, “Missão Quase Imprevisível”, “Os Caretas”, “Os Cometas”, “Meu Amigo, O Tubarão”, a cultuada “De Volta ao Planeta dos Macacos”, baseada na franquia cinematográfica “Planeta dos Macacos”, o revival de “Mr. Magoo”, especiais de personagens infantis do Dr. Seuss, como o Grinch, o Gato de Cartola e o Lorax, e adaptações dos quadrinhos da Marvel, incluindo “O Quarteto Fantástico” e “Homem-Aranha”. Em pouco tempo, a DFE passou a disputar com a Hanna-Barbera e a Filmation o domínio da programação de desenhos animados dos EUA nos anos de 1970. Mas logo a Marvel quis ter seu próprio estúdio de animação, com o objetivo de acabar com a terceirização da produção. Ao receberem uma proposta milionária, DePatie e Freleng venderam seu negócio para a editora de quadrinhos em 1981. Freleng voltou a trabalhar com a Warner, mas DePatie continuou à frente da rebatizada Marvel Productions, produzindo desenhos como “O Incrível Hulk” e “Homem-Aranha e Seus Amigos”, até ser substituído em 1984, dois anos antes da Marvel ser vendida para a New World. Ao sair da Marvel, DePatie reviveu seu antigo estúdio para lançar “Os Filhos da Pantera Cor de Rosa”. Mas a animação não fez muito sucesso em seu lançamento em 1985, levando o produtor a optar pela aposentadoria precoce. Desde então, ele vivia dos direitos de exploração da Pantera Cor de Rosa em novos projetos. Lembre abaixo a primeira animação da Pantera Cor de Rosa, feita para o filme que iniciou a franquia em 1963.
Granville Adams (1963–2021)
O ator Granville Adams, que ficou conhecido pela série “Oz”, morreu no domingo (10/10) aos 58 anos, após uma longa batalha contra um câncer. Adams tornou pública sua batalha contra o câncer no final do ano passado e, desde então, estava sob tratamento. Na série da HBO, que foi ao ar entre 1997 e 2003, ele deu vida a Zahir Arif, presente em todas as seis temporadas. Na trama, o personagem passava por uma transformação na prisão, convertendo-se em muçulmano para se tornar um dos prisioneiros mais tranquilos no Centro Correcional Estadual de Oswald. Paralelamente ao destaque obtido em “Oz”, ele também desempenhou um papel recorrente na série “Homicide: Life on the Street”, aparecendo em 11 episódios de 1996 a 1999, além de ter atuado no filme “Império” em 2002. Mas sua carreira não foi muito longe após o fim da produção da HBO. Em 2007, ele experimentou seu próprio julgamento criminal, sendo inocentado da acusação de homicídio negligente depois de se envolver numa briga em uma boate que resultou na morte de um homem. Os advogados de Adams pleitearam legítima defesa, enquanto os promotores não conseguiram provar que Adams agiu com negligência durante a altercação. Depois disso, ele só fez mais um trabalho nas telas, o drama indie “Magic City Memoirs”, em 2011.
Cynthia Harris (1934–2021)
A atriz Cynthia Harris, que estrelou a sitcom “Louco por Você” (Mad About You), morreu em 3 de outubro em Nova York, aos 87 anos. Harris passou a maior parte de sua carreira nos palcos da Broadway e à frente de sua própria companhia teatral no circuito off-Broadway, o que só lhe permitiu uma filmografia pequena, mas com alguns sucessos de bilheteria. Sua estreia nas telas aconteceu em 1968 no drama “Isadora”, cinebiografia da dançarina Isadora Duncan, estrelada por Vanessa Redgrave. Ela também participou da adaptação de “Tempestade” (1982) com John Cassavettes, e das comédias “Além das Fronteiras do Lar” (1972), com Barbra Streisand, “Três Solteirões e um Bebê” (1987), com Ted Danson, “Manequim: A Magia do Amor” (1991), com Kristy Swanson, e “Um Distinto Cavalheiro” (1992), com Eddie Murphy. Mas foi na TV que conquistou mais destaque. Além de participações em várias séries, de “Kojak” a “Law & Order”, ela estrelou a minissérie “Edward & Mrs. Simpson” em 1978 no papel de Wallis Simpson, a mulher que fez o Rei Edward abdicar do trono da Inglaterra. Seu papel mais marcante chegou em 1993, durante a 2ª temporada de “Louco por Você”, quando foi escalada como Sylvia Buchman, a mãe do protagonista Paul Buchman, vivido por Paul Reiser. Sua rivalidade ocasional com a nora Jamie Buchman (Helen Hunt) marcou alguns dos melhores episódios da sitcom premiada. Ao todo, Harris apareceu em 73 episódios da atração, incluindo duas vezes no revival de 2019. A retomada de Sylvia Buchman, uma década após se despedir do papel, foi seu último trabalho nas telas. Cocriador de “Louco por Você”, Paul Reiser homenageou sua mãe nas telas com um post nas redes sociais. “Que mulher excepcional. Verdadeiramente única”, ele escreveu. “E um coração tão grande. Foi uma honra e uma alegria ser seu ‘filho’ todos esses anos. Descanse em paz, querida amiga”. What an exceptional woman. Truly one of a kind. Cynthia could get a laugh just waiting to deliver a line you knew she would then absolutely crush. And such a big heart. It was an honor and a joy to be her "son" all these years. Rest in peace, dear friend. https://t.co/RTZKL7phwn — Paul Reiser (@PaulReiser) October 6, 2021
Nani (1951-2021)
O escritor e cartunista Nani, autor da tirinha “Vereda Tropical” e colaborador histórico do jornal de humor O Pasquim e da revista Mad, morreu nesta sexta (8/10), aos 70 anos, em decorrência de complicações da covid-19. Sua morte aconteceu no dia em que o Brasil atingiu 600 mil mortos na pandemia. Nani ficou cerca de uma semana internado em um hospital em Belo Horizonte, mas tinha acabado de passar por três transplantes de fígado e não aguentou, mesmo tendo tomado as duas doses da vacina contra o coronavírus. Ernani Diniz Lucas, o Nani, era mineiro de Esmeraldas e iniciou a carreira publicando charges no jornal O Diário, de Belo Horizonte, em 1971. Logo depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou conhecido nacionalmente por seus desenhos nas páginas da icônica publicação contracultural O Pasquim. A projeção o transformou num dos principais cartunistas do jornal O Globo. Além de cartunista de mão cheia, premiado em salões de humor do Brasil e do exterior, ele também foi um roteirista importante da rede Globo, tendo ajudado a escrever três programas de Chico Anysio, “Chico Total”, “Chico Anysio Show” e “Escolinha do Professor Raimundo”, além dos humorísticos “Casseta & Planeta”, “Sai de Baixo” e “Zorra Total”. Uma de suas criações mais célebres foi a tirinha “Vereda Tropical”, publicada em vários jornais, que satirizava o cotidiano político e social do país. Vários cartunistas lamentaram a sua morte nas redes sociais. “Obrigada por tanta graça que deixou pra gente”, escreveu Laerte.
Lenka Peterson (1925–2021)
A atriz Lenka Peterson, que fez sucesso na Broadway e se destacou em Hollywood nos anos 1950, morreu em 24 de setembro, enquanto dormia em sua casa em Connecticut, aos 95 anos. O anúncio foi feito pela família nesta terça (5/10). Filha de imigrantes suecos e húngaros, Lenka Isacson foi uma das primeiras estudantes do célebre The Actors Studio, iniciando sua carreira nos teatros de Nova York em 1947. Ela estrelou 10 produções da Broadway e recebeu uma indicação ao Tony de Melhor Atriz em Musical por “Quilters” em 1985. Peterson adotou seu nome artístico para estrear nos cinemas em “Pânico nas Ruas” (1950), de Elia Kazan. Também integrou “O Clube das Moças” (1951), de Jean Negulesco, e se notabilizou em outro drama de temática noir, “Cidade do Vício” (1955), de Phil Karlson, como a esposa de um advogado (Richard Kiley) determinado a limpar a corrupção de sua cidade. Mas se casou cedo com o produtor de telejornais Daniel O’Connor e teve cinco filhos, que interromperam sua carreira no auge. Por conta disso, a maioria de seus papéis nas telas foram participações em episódios de séries, de “Rota 66” no começo dos anos 1960 a “Chumbo Grosso” no final dos anos 1980. Quando Peterson percebeu que a escola primária de seus filhos tinha apenas uma atividade extracurricular, ela começou um clube de teatro. Nada menos que trezentos alunos se matricularam na primeira turma. O clube acabou virando o Westchester Young Actors Theatre, que apresentou peças por uma década. Depois que seus filhos cresceram, ela continuou trabalhando com crianças nos teatros de Connecticut, depois que ela e seu marido se mudaram para lá em 1979. Paralelamente, seguiu atuando em séries, novelas, peças e filmes até 2006, quando se despediu com o remake de “A Grande Ilusão”, no qual contracenou com Sean Penn, Kate Winslet, Anthony Hopkins, Mark Ruffalo e Jude Law. No mesmo ano, também lançou um livro sobre teatro infantil, “Kids Take the Stage: Helping People Discover the Creative Outlet of Theatre”. Uma das filhas de Petersen aproveitou o teatrinho infantil para seguir os passos da mãe e também se tornou uma atriz famosa: Glynnis O’Connor, estrela dos clássicos “A Ponte dos Desejos” e “O Garoto da Bolha de Plástico” (ambos de 1976), que recentemente integrou o elenco da série de espionagem “Condor”.
Marc Pilcher (1968-2021)
O cabeleireiro e figurinista Marc Pilcher, que há apenas três semanas venceu o Emmy por seu trabalho nos penteados da série “Bridgerton”, morreu no domingo (3/10) aos 53 anos em decorrência de covid-19. De acordo com informações da revista Variety, Pilcher passou mal ao retornar de Los Angeles, nos Estados Unidos, para onde tinha viajado especificamente para participar da cerimônia do Emmy, e já chegou doente ao Reino Unido. Apesar de ter sido vacinado com duas doses do imunizante contra o coronavírus e não ter comorbidades, ele não resistiu à infecção. A notícia da morte do profissional foi confirmada pela atriz Nicola Coughlan, intérprete de Penelope Featherington na série. Em seu perfil no Twitter, ela descreveu o cabeleireiro como “brilhante e visionário”, além de “apaixonado por seu trabalho”. “Com o coração partido pela perda de Marc Pilcher, o brilhante e visionário cabeleireiro e maquiador da 1ª temporada de ‘Bridgerton’. Marc era tão apaixonado por seu trabalho e tão talentoso. Nem um mês atrás, ele ganhou seu primeiro prêmio Emmy”, escreveu Coughlan no Twitter. O criador de “Bridgerton”, Chris Van Dusen, também lamentou a perda no Twitter, dizendo que é “impossível” assistir a série e não perceber “o talento, a criatividade, a paixão e a arte incomparáveis” de Marc Pilcher. “Ele deixou uma marca notável neste projeto e trabalhar com ele foi um privilégio”, completou. O prêmio conquistado por “Bridgerton” foi o principal de sua carreira, mas antes disso Pilcher recebeu uma indicação ao Oscar pelo filme “Duas Rainhas” (2018). Pilcher também foi cabelereiro da série “Downton Abbey”, trabalho que lhe rendeu prêmios consecutivos da Associação de Maquiadores e Cabeleireiros dos EUA, e também foi responsável pelos penteados do filme derivado da atração, lançado em 2019. Pilcher começou sua carreira no West End (a Broadway londrina) em 1988, onde trabalhou por 15 anos em peças e musicais, até estrear na TV em 2003. Em sua trajetória hollywoodiana, iniciada em 2007, ele fez a cabeça dos maiores astros do cinema em dezenas de blockbusters, creditado como cabelereiro de “Sherlock Holmes” (2009) e sua continuação de 2011, “Fúria de Titãs” (2010) e a sequência de 2012, “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo” (2011), “Sombras da Noite” (2012), “Thor: O Mundo Sombrio” (2012), “Malévola” (2014), “A Bela e a Fera” (2017) e quatro títulos da franquia “Star Wars”, incluindo “O Despertar da Força” (2015) e “A Ascensão Skywalker” (2019), entre muitas outras produções, incluindo “Sete Dias com Marylin” (2011), que rendeu indicação ao Oscar para Michelle Williams, e “W.E.: O Romance do Século” (2011), dirigido por Madonna. Na produção de “Duas Rainhas”, que lhe rendeu sua indicação ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUa, ele trabalhou com Saoirse Ronan e Margot Robbie. Seu último filme inédito é “King’s Man: A Origem”, que será lançado nos cinemas em dezembro.
Caike Luna (1979-2021)
O ator Caike Luna, que lutava contra um câncer, morreu aos 41 anos. A notícia foi dada pela atriz Katiuscia Canoro nas redes sociais. “É com a maior tristeza do mundo que venho comunicar a partida do meu irmão”, disse Canoro, amiga do artista. Luna contou em abril que havia iniciado o tratamento contra Linfoma Não-Hodgkin, um tipo de câncer no sistema linfático — o mesmo que acometeu o ator Reynaldo Gianecchini. Caike atuou em humorísticos como “Zorra Total”, da Globo, apareceu na novela “Rock Story”, participou do filme “Casa da Mãe Joana 2” e integrou o elenco de várias séries de comédia do Multishow, como “Baby Rose”, “Treme e Treme” e “Xilindró”. Ele também dirigiu episódios de “Baby Rose”, em que interpretava uma de suas personagens mais populares, Baby Bobolete, cabeleireira introduzida em “Treme Treme”. Personalidades da classe artística lamentaram a morte de Caike Luna. Lilia Cabral e Marcos Veras disseram ter ficado tristes com a notícia. Tatá Werneck publicou uma foto do amigo. “Muito triste pela sua partida. Um beijo imenso na sua mãe. Em seus grandes amigos. Na sua família. Que Deus proteja e ampare. E tenha misericórdia de todos nós”, disse a apresentadora do “Lady Night” no Instagram.
Jorge Cerruti (1944-2021)
O ator, diretor e dublador Jorge Cerruti morreu nesta sexta (1/10), aos 77 anos. A informação veio à público por meio de uma nota publicada nas redes sociais de sua sobrinha, que não revelou a causa da morte. Jorge Cerruti iniciou sua carreira como pianista em peças de teatro e em seguida passou para atuação, estreando na televisão na década de 1970 na TV Cultura. Ele chegou ao cinema em 1978, com “Wilsinho Galiléia”, de João Batista de Andrade, e ainda participou do cultuado “Os Imorais” (1979), de Geraldo Vietri, antes de priorizar o teatro, voltando apenas recentemente às telas. Seu papel de retorno foi como o homem de olho de vidro de “O Cheiro do Ralo” (2006). Também participou de “A Casa de Alice” (2007), “Zoom” (2015), “O Roubo da Taça” (2016) e “TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva” (2017). Na TV, teve destaque na novela “Cama de Gato” (2009), da Globo, como o personagem Domenico, e apareceu em várias séries, incluindo “9mm: São Paulo” (2008), “Força-Tarefa” (2009), “Como Aproveitar o Fim do Mundo” (2012), “Passionais” (2013), “Psi” (2014), “O Caçador” (2014) e “Amigo de Aluguel” (2018). Seu último trabalho foi na série “As Five”, cuja 2ª temporada ainda não tem data para chegar ao Globoplay.












