Playlist: Descubra 400 clipes novos do “lado B” indie do YouTube
Quem nunca ouviu/leu que o rock morreu, a música eletrônica estagnou, que não surgem artistas novos? Na verdade, o que acabou, morreu, falta são boas curadorias. A maior plataforma de música do mundo, o YouTube, recebe milhares de clipes por dia, a maioria de artistas novos e de todo o mundo. É informação demais. Vitalidade demais. Grande parte desses vídeos são produzidos por gravadoras e artistas independentes e é preciso peneirar bastante para encontrar as preciosidades. Mas quem tem tempo? Aparentemente, eu. Em janeiro, comecei uma listagem mensal reunindo os melhores lançamentos musicais do “lado B” do YouTube. Mas vários problemas pessoais, aliados a um aumento na ambição do projeto, fizeram com que a relação de março ficasse pronta apenas agora (21/5). Ela é mais exaustiva que as anteriores, chegando a 400 vídeos – o dobro da seleção de fevereiro. Tratam-se de clipes disponibilizados em março – mais uns 10% de fevereiro – de diversos estilos e nacionalidades, incluindo países de pouca tradição pop, como Estônia, Peru, Malásia e Quênia. Mas claro que americanos e britânicos continuam a ser a grande maioria. E embora a ênfase seja o rock/pop indie, há intersecções com a música eletrônica e o rap. A seleção começa com o pós-punk inglês da banda Drahla (são eles na foto) e se encerra com o rap piauiense da Tupi Machine. E tudo que existe entre um e outro foi programado para se alternar de forma harmônica, combinando batidas e acordes, com a intenção de sugerir uma simulação de discotecagem contínua. Ou seja, a playlist não é uma baciada aleatória de vídeos. A ordem dos clipes foi planejada para servir como uma trilha sequencial – que pode tocar por mais de 20 horas seguidas! Houve alguns percalços nesse trabalho. As 400 faixas esbarraram numa limitação de incorporação do YouTube, que só permite 200 vídeos por playlist exportada. Por isso, a lista precisou ser dividida em duas, mas elas são sequenciais e indistintas. Abaixo dos vídeos, estão os nomes dos artistas, faixas e nacionalidades. Quem tem wifi funcionando, consegue pesquisar e saber mais sobre cada um deles. Afinal, não basta assinar um Spotify para achar que está por dentro de todas as novidades. Ao contrário, provavelmente o assinante ouvirá mais do mesmo que sempre ouviu e dificilmente descobrirá algo novo sem incentivo. Periga até começar a dizer que o rock morreu, a música eletrônica estagnou, que não surgem artistas novos… Se gostou da curadoria, compartilhe o link com os amigos, porque não é nada fácil realizar essa apuração e muito menos organizar a playlist como “discotecagem”, do jeito como foi feito. Comentários podem ser direcionados ao Facebook oficial da Pipoca Moderna. 1 Drahla – Stimulus For Living (Inglaterra) | 2 Tropical Fuck Storm – The Planet Of Straw Men (Austrália) | 3 Raave Tapes – Stabs (Inglaterra) | 4 Spectres – Choucoune Asphyxiate Repeat (Canadá) | 5 Deliluh – Freeloader Feast (Canadá) | 6 Trupa Trupa – Dream About (Polônia) | 7 Petrol Girls – The Sound (Inglaterra) | 8 It It Anita – 11 (Bélgica) | 9 Voltaia – Erortzen (País Basco) | 10 Plague Vendor – New Comedown (EUA) | 11 Slaves – Bugs (EUA) | 12 False Heads – Slease (Inglaterra) | 13 Fury – Vacation (Holanda) | 14 Grim Streaker – Today New York (EUA) | 15 Arre! Arre! – I Feel It All (Suécia) | 16 The Coathangers – Step Back (EUA) | 17 Not on Tour – Therapy (Israel) | 18 Trashout – I Just Loving You (Japão) | 19 Direct Hit – Altered States (EUA) | 20 Lindenfield – Punk Mom (EUA) | 21 Amyl and the Sniffers – Monsoon Rock (Austrália) | 22 Vital Idels – Careful Extracts (Escócia) | 23 The Technicolors – Hurt So Bad (EUA) | 24 Tough Age – Me in Glue (Canadá) | 25 Ali Barter – Ur a Piece of Sh… (Austrália) | 26 Thick – Green Eyes (EUA) | 27 Body Type – Stingray (Austrália) | 28 Witching Waves – Eye 2 Eye (Inglaterra) | 29 Church Girls – Balance (EUA) | 30 Yawners – La Escalera (Espanha) | 31 The Glitter Shop – Throwing Apples (Inglaterra) | 32 The Sickly Hecks – Primitive (EUA) | 33 The Happys – Cut the Rope (EUA) | 34 The Frights – Over It (Live) (EUA) | 35 Goon – Datura (EUA) | 36 Dazor – All Night (Canadá) | 37 Snooze – Alicias House (EUA) | 38 The Lebowski – Come Around (Polônia) | 39 An Horse – This Is a Song (Austrália) | 40 The Jins – She Said (Canadá) | 41 Bad Sports – Don’t Deserve Love (EUA) | 42 Lauran Hibberd – Sugardaddy (Inglaterra) | 43 Carolina Durante – Joder, No Sé (Espanha) | 44 The Graylings – Entertain Us (EUA) | 45 Vespas – Amor Em Tempos de Cólera (Brasil) | 46 Slothrust – Peach (EUA) | 47 Hands off Gretel – It’s My Fault (Inglaterra) | 48 Middle Kids – Real Thing (Austrália) | 49 The Greeting Committee – Is This It? (EUA) | 50 Captains – Mysterious Pretty Cowboy Sunrise (Espanha) | 51 Wives – Waving Past Nirvana (EUA) | 52 Sego – Heart Attack (EUA) | 53 Beachtape – Fix It Up (Inglaterra) | 54 Kap Kap – I Don’t Like Dreaming (Finlândia) | 55 Pi Ja Ma – I Hate U (França) | 56 The Tenth – Hymns and Hieroglyphs (EUA) | 57 Fauness – Sixteen (Inglaterra) | 58 Angie McMahon – Pasta (Austrália) | 59 Dana Gavanski – One By One (Canadá) | 60 She Keeps Bees – Coyote (EUA) | 61 John J Presley – Riders (Inglaterra) | 62 Orville Peck – Turn To Hate (EUA) | 63 Didirri + Ro – Tea Stains (Austrália) | 64 Andrew Bird – Manifest (EUA) | 65 Delafaye – Godspeed (EUA) | 66 Andreas Dorau – Nein! (Alemanha) | 67 Olden Yolk – Cotton & Cane (EUA) | 68 Send Medicine – Harvest Man (EUA) | 69 Adir L.C. – Reacting (EUA) | 70 Tokyo Police Club – Ready To Win (Canadá) | 71 Calpurnia – Cell (EUA) | 72 The Spring Peaks – Coming of Age (Austrália) | 73 The Creature Comfort – Life’s a Crime (Inglaterra) | 74 Black Bones – Creepy Rain (França) | 75 Runah – Ground (Irlanda) | 76 Mariee Sioux – Snow Knows White (EUA) | 77 Saint Lo. – Blueberry Fields (Canadá) | 78 Emma Elisabeth – Pilot (Suécia) | 79 Jenny Lewis – Red Bull & Hennessy (EUA) | 80 Lexyton – Brand New (Inglaterra) | 81 Pageants – Will-o-the-Wisp (EUA) | 82 Voodoo Bandits – Sink Below (Ilha de Man) | 83 Peach Baby – Play (Suécia) | 84 Flying Fish Cove – Sleight of Hand (EUA) | 85 Pip Blom – Daddy Issues (Holanda) | 86 The Spook School – I Want To Kiss You (Escócia) | 87 Human People – Jenny (EUA) | 88 Sacred Paws – The Conversation (Escócia) | 89 Kill The Moose – She Gets High (França) | 90 Dentist – Alone in the Garden (EUA) | 91 Bænet – Trampoline (Suécia) | 92 Purest – Waste My Days (Inglaterra) | 93 Slow Crush – Glow (Bélgica) | 94 Ragmans Daughter – Sheeple (Inglaterra) | 95 Greys – Arc Light (Canadá) | 96 Protomartyr – Jumbos (EUA) | 97 Gurr – Zu Spät (Alemanha) | 98 $au$age$ – Statue (Inglaterra) | 99 Revolvers – True Love (Inglaterra) | 100 Marble Arch – Gold (França) | 101 No Vacation – Yam Yam (EUA) | 102 Ditch Days ft. Terry vs. Tori – Even If You Know (Portugal) | 103 Jai Wolf ft. Day Wave – Your Way (EUA) | 104 Huan Huan – Indiepop (Taiwan) | 105 Frankenchrist – Two Skies (Brasil) | 106 Fragile Animals – Come Down (Austrália) | 107 Raised on TV – Caroline (EUA) | 108 Egoism – Enemies (Austrália) | 109 Diet – What To Do (Austrália) | 110 Meyot – Grades (Brasil) | 111 Launder – Chew (EUA) | 112 Pastel Lite – Masa Kita (Malásia) | 113 Battery Point – Desire (EUA) | 114 The KVB – Violet Noon (Inglaterra) | 115 Listen to Girl – Big Things (Noruega) | 116 Heavy Heart – Bed Bug (Inglaterra) | 117 Hippo Campus – Why Even Try (EUA) | 118 Dead Sea – Colorate (EUA) | 119 The Chain Gang of 1974 – Burn Out (EUA) | 120 In The Valley Below – Rise (EUA) | 121 Drugface – In The Clouds (Canadá) | 122 MorMor – Outside (Canadá) | 123 O-Olivier Marguerit – Les Pédales (França) | 124 Froyo – Heart (Austrália) | 125 Feyer – Stuck in a Video Game (EUA) | 126 The Comet Is Coming – Summon The Fire (Inglaterra) | 127 Your 33 Black Angels – Hott Funn (EUA) | 128 Freak Genes – Waxing Moon (Inglaterra) | 129 Patience – The Girls Are Chewing Gum (EUA) | 130 Sarah P. – Maenads (Grécia) | 131 Jenn Vix – Ride (EUA) | 132 Theremyn_4 – Burning Streets of Sound (Peru) | 133 Ahns – Boys (Malásia) | 134 Sparkling – Fractions (Alemanha) | 135 Uma Sey – Till the Mourning (Brasil) | 136 Fär – Runaway (Bélgica) | 137 Undertheskin – Borderline (Polônia) | 138 Jakuzi – Toz (Turquia) | 139 Sonic Rade – Lets Dream Tonight (Suiça) | 140 The Noise & The Naive – Seek Solace (Inglaterra) | 141 Peter Perrett – I Want Your Dreams (Inglaterra) | 142 The Underrunners – Joyrider (Inglaterra) | 143 Feels – Find A Way (EUA) | 144 Guide Dog – Generation Y (País de Gales) | 145 Lenny Bull – Dont Talk About It (Canadá) | 146 Wooze – I’ll Have What She’s Having (Inglaterra) | 147 Rey Pila – Flames (México) | 148 BB Brunes – Visage (França) | 149 Meg Myers – Running Up That Hill (EUA) | 150 Soak – Déjà Vu (Irlanda do Norte) | 151 These New Puritans – Where The Trees Are on Fire (Inglaterra) | 152 Unkle ft. Keaton Henson – The First Time Ever I Saw Your Face (Inglaterra) | 153 Local Natives – When Am I Gonna Lose You (EUA) | 154 Editors – Barricades (Inglaterra) | 155 Starframes – Close (Itália) | 156 The Ninth Wave – Used to Be Yours (Escócia) | 157 HVOB – A List (Áustria) | 158 Ryan Playground – Luminaire (Canadá) | 159 Rich Aucoin – The Mind (Canadá) | 160 Rumi – Moi (Irlanda) | 161 Die Goldenen Zitronen – Das War Unsere BRD (Alemanha) | 162 L’Impératrice – Some Paradise (França) | 163 Beauty Sleep – The Dark (Irlanda do Norte) | 164 Blu DeTiger – Mad Love (EUA) | 165 Sinclair – Pop! Champagne Live (França) | 166 X Ambassadors – Boom (EUA) | 167 K.Flay – Bad Vibes (EUA) | 168 Gabe Gurnsey – New Kind (Inglaterra) | 169 Francisco, el Hombre – Encaldeirando (Aqui Dentro Tá Quente) (Brasil) | 170 Ibibio Sound Machine – Wanna Come Down (Inglaterra) | 171 Martes – Sex.0 (Colômbia) | 172 Two Door Cinema Club – Talk (Irlanda do Norte) | 173 Doomsquad – Dorians Closet (Canadá) | 174 Big Wild – City of Sound (EUA) | 175 World Champion – Callisto (Austrália) | 176 Polycool – Polywood (França) | 177 Ma Nien-Hsien & 9m88 – Walking Towards Me (Taiwan) | 178 Rose Gray – Blue the Visual (EUA) | 179 JGrrey – Notice (Inglaterra) | 180 Fieh – 25 (Noruega) | 181 Bad Sounds – How Are You Gonna Lose? (Inglaterra) | 182 Jack Savoretti – What More Can I Do? (Inglaterra) | 183 Yip Deceiver – Devotee (EUA) | 184 Phum Viphurit – Hello, Anxiety (Tailândia) | 185 Minsu – Minsu Is Confused (Coreia do Sul) | 186 Bilderbuch – Frisbeee (Áustria) | 187 The Chemical Brothers – Weve Got to Try (Inglaterra) | 188 Scalping – Chamber (Inglaterra) | 189 Teen – Popular Taste (EUA) | 190 Kap Bambino...
Novo clipe de Emicida escancara racismo “não assumido” do Brasil
O rapper Emicida lançou o clipe de “Eminência Parda”, que transforma em imagens o preconceito racial “não assumido” pelas classes mais abastadas do país. O vídeo acompanha uma família negra de classe média, que decide celebrar a formatura da filha na faculdade. O pai escolhe um restaurante chique para a comemoração, mas, ao chegar, o quarteto recebe olhares de desaprovação dos demais clientes – todos brancos – , como se estivesse invadindo um espaço que não lhes pertence. Alheios ao que acontece à sua volta, eles continuam celebrando, enquanto as imagens revelam o inconsciente dos incomodados. Em vez de ver uma família feliz e bem-sucedida, a elite branca vê drogados, prostitutas, bandidos, favelados, serviçais, escravos e vítimas de chacina. É uma mensagem sem a menor sutileza, que escancara a divisão racial do Brasil, onde até o sucesso dos negros incomoda. Curiosamente, a letra não tem nada disso. Fala em escapar da morte, sobrevivência, violência e orgulho negro, com críticas mais metafóricas ao racismo – contendo ainda versos de Jé Santiago e Papillon. Mas Emicida também é autor do roteiro do clipe, que foi dirigido por Leandro HBL (Leandro Lara), responsável pelo documentário “Favela on Blast” (2008) e por “Rodantes”, drama filmado há três anos que segue sem previsão de estreia. Após o lançamento do vídeo nesta quinta (9/5), Emicida usou as redes sociais para comentar o trabalho com fãs. E, ao responder uma pergunta sobre o final sangrento, ele resumiu a moral da história. “A partir do momento em que você encontra com uma família não branca, que tá fora do perfil do estereótipo que você espera pros lugares bacanas, os lugares bons da nossa sociedade, e você imagina que eles são todos aqueles estereótipos que passam pelo vídeo, você, mesmo que inconscientemente, vira cúmplice de um apertar do gatilho. É por isso que a gente tem uma verdadeira apatia quando vê várias tragédias acontecendo no nosso país, porque na mentalidade de várias pessoas a vida daquelas pessoas não importa. É isso que o final duro representa. Sacou?”
Banda Leela leva glam às noites vazias em novo clipe
A banda Leela lançou um novo clipe de visual caprichado. Rodado numa madrugada paulistana, “Cada Vez Mais” mostra Bianca Jhordão e Rodrigo O’Reilly Brandão de guitarras em punho, desfilando por ruas vazias do bairro da Liberdade. Em contraste com a escuridão noturna, Bianca usa uma roupa cintilante, que se alinha à maquiagem chamativa para dar um tom glam ao manifesto estético da banda. A música tem ainda participação da cantora Barbara Eugenia, que se junta a dupla numa fusão de imagens criativa, mesclando seu olhar ao de Bianca. A direção é da dupla Tata Pierry e Will Aleixo. “Cada Vez Mais” é o quarto clipe da nova fase da banda, que começou a vir à tona em novembro, com o lançamento do single/clipe “YouTube Mine”. Assim como as anteriores, a nova música é resultado de parceria com o cantor e poeta Fausto Fawcett. A gravação também contou com a participação do xamã norueguês Kjell Sandvik, que toca violão.
Anitta pede clipe de graça a Selton Mello
Anitta usou seu Instagram Stories na manhã deste domingo (21/4) para fazer um pedido especial aos seus fãs: seguir o perfil do ator e diretor Selton Mello (“O Filme da Minha Vida”). O pedido inusitado tem segunda intenções. A cantora brincou que gostaria de fazer uma troca de favores. No lugar dos novos seguidores, ela pediu um clipe de graça, afirmando que neste ano já tinha gastado todo o dinheiro disponível para investir em produções. “Segue ele aí, gente, por favor. Não tenho mais dinheiro para fazer clipe não. A não ser que ele queira me dar de presente. Já foi toda a verba”, brincou ela. Anitta lançou seu novo álbum, “Kisses”, no último dia 5, com dez músicas. Todas elas ganharam clipes, divulgados simultaneamente.
Anitta vira Netflix com lançamento de 10 clipes simultâneos
Anitta virou Netflix. A cantora lançou todos os clipes de seu novo álbum de uma vez, 10 vídeos simultâneos com as músicas do disco “Kisses”. A estratégia tinha sido ensaiada no EP “Solo”, no ano passado. Mas na época eram só três clipes – dirigidos por João Papa, que está de volta na nova leva. Agora é Beyoncé total – ou, como diriam os Titãs, tudo ao mesmo tempo agora – , chegando a usar o título de uma música da cantora americana (“Formation”) no refrão espanhol da faixa que abre sua nova temporada. A temporada completa revela uma grande variedade de estilos, parcerias, caras e línguas de Anitta, que vão de momentos supercoreografados ao despojamento absoluto – o batido clipe no estúdio de gravação. Há a assumida intenção de transformar o lançamento – seu primeiro álbum em quatro anos – em evento. E com colaborações tão disparatadas quanto Snoop Dogg e Caetano Veloso, não há como ignorá-lo. Mas, no fundo, o conjunto desperta mais monotonia que encantamento, já que soa pasteurizado, previsível, dos beijos em homens, mulheres e objetos cenográficos (que às vezes também são homens e mulheres), à produção musical linear, sem solavancos, sem o pancadão que faz tudo tremer, enterrando mensagens empoderadas (sensacional a inclusão do autoexame de mama) sob arranjos de pop de menininha. O álbum é trilíngue e parece dizer uma coisa só. Anitta quer fazer sucesso pop internacional, seguindo tendências populares, do reggaeton ao trap. Mas, sabe como é, a legítima tática Beyoncé total é lançar modas em vez de apenas segui-las. Assim, fica difícil concluir se os vestígios de originalidade sufocados em três músicas novas devem ser comemorados ou lamentados, já que são promessas cumpridas pela metade – meia “Banana”, semi “Atención” e quase uma “Onda Diferente”, com momentos, refrões, ganchos melhores que suas produções. Mais que as músicas genéricas, a versão Netflix de Anitta destaca a overdose expositiva da cantora, que no começo queria chamar atenção do público apenas uma vez por mês, com um lançamento diferente a cada 30 dias. Agora é Anitta o tempo todo, todo o tempo. Sua escalada foi tão rápida e vertiginosa que talvez não tenha percebido que uma “paradinha” também ajuda o público a não se cansar.
Parceria entre Ludmilla e Anitta rende clipe
A cantora Ludmilla divulgou o clipe de “Favela Chegou”, registrado ao vivo e que destaca sua aguardada parceria com Anitta. A reunião das duas divas faz o chão tremer, tem direito a duelo de rebolado, e inclui muito desbunde. A música é batidão que celebra a si mesmo, elogio do ritmo das favelas e dos requebrados das quebradas, e integra o repertório de “Hello Mundo”, primeiro DVD – sim, ainda existe isso – de Ludmilla. Gravado no último dia 14 de fevereiro no Rio de Janeiro num palco de 43 metros e com 19 dançarinos, o projeto dirigido por Julio Loureiro e Fábio Lopes é um desfile de hits da cantora – como “Hoje”, “Cheguei”, “Te Ensinei Certin”, “Din Din Din”, “A Danada Sou Eu” e “Fala Mal de Mim” – , mas também traz músicas inéditas em colaborações com Jão, Léo Santana, Ferrugem e a dupla Simone & Simaria, além de um cover de Beyoncé, lembrando que Ludmilla é fã da americana.
Anitta rebola na boquinha da garrafa em clipe dos Tropkillaz
Um dos novos hits pré-carnaval do Brasil ganhou clipe, voltando a reunir quase toda a turma de “Vai, Malandra”, a melhor música de Anitta do ano passado. Desta vez, ela é coadjuvante de luxo dos Tropkillaz, ainda que a câmera tenha ficado apaixonada por seu rebolado. E como não? Ela dispara gifs instantâneos ao fazer o ar tremer com o impacto de seu suingue. A música se chama “Bola, Rebola” e é o que Anitta faz, no ritmo das batidas dos DJs brasileiros, com direito a flauta japonesa e versos trilíngues, em português, espanhol e inglês, cortesia da participação do astro do regatton J. Balvin e do MC Zaac, que também cantou em “Vai, Malandra” – detalhe: a parceria com J. Balvin já é a quarta da carreira de Anitta. Com muitas cores, entre o mar e a favela, o clipe tem até momento de metalinguagem, ao mostrar a cantora rebolando na “boquinha da garrafa” sob alegre aprovação de Compadre Washington, do É o Tchan. As imagens hipnotizantes da “downtown” de Anitta e o clima do verão de biquíni no lajão são assinados pelo grande mestre Lula Carvalho, um dos mais célebres diretores de fotografia do Brasil – de “Tropa de Elite”, “O Lobo Atrás da Porta”, “Narcos”, etc – , que filmou e dirigiu a produção do vídeo. “Bola, Rebola” ainda mostra que a dupla eletrônica Tropkillaz (dos DJs Zé Gonzales e André Laudz) encontrou seu som, uma batida de funk brasileiro com apelo pop tropical capaz de aumentar o aquecimento global, deixar Major Lazer suando de inveja e o mundo em estado de alerta. Em três línguas diferentes, que é para enaltecer bem o suingue e enlouquecer a imaginação – especialmente sobre onde essas línguas entram no bem-bolado rebolado de Anitta.
Minha Fama de Mau celebra importância de Erasmo Carlos para o rock brasileiro
Erasmo Carlos, roqueiro e romântico, cantor e compositor, foi um dos pilares do programa “Jovem Guarda”, um megasucesso televisivo dos anos 1960, que se tornou um movimento de música jovem brasileira, sempre relembrado desde então. Roberto Carlos, o amigo e parceiro de Erasmo, manteve-se em alta sempre, mudando estilo, prioridades e público. Wanderléa, o terceiro pilar da Jovem Guarda, e Erasmo Carlos não conseguiram o mesmo resultado, mas são lembrados por seu pioneirismo que conseguiu incorporar o rock, então nascente, à música brasileira, compondo, vertendo e cantando em português (antes deles houve Celly Campello). Eles comandaram um time de artistas jovens, que se tornaram ídolos da brotolândia, como se dizia na época. Erasmo manteve uma carreira mais discreta como cantor, ao longo do tempo, mas dividindo com Roberto a grande maioria das composições que este lançava ao sucesso. Como acontece até hoje. “Minha Fama de Mau”, o filme de Lui Farias, é uma adaptação do livro escrito por Erasmo Carlos, contando parte de sua vida e carreira, da juventude pobre na Tijuca, vivendo em casa de cômodos, o popular cortiço, ao sucesso retumbante da Jovem Guarda e o posterior declínio. Passa pelo tempo do conjunto The Snakes e pelo conhecimento de Tião, depois Tim Maia, que lhe ensinou três acordes no violão, que lhe valeram muito, e também pelo período de afastamento de Roberto Carlos e a retomada da amizade e da parceria. Lá estão as muitas mulheres que passaram pela vida dele, inclusive a esposa Narinha. O filme optou por escolher uma única atriz para representar todas elas, Bianca Comparato. Uma opção interessante que, na prática, nivela as parceiras amorosas e sexuais por baixo. Todas valem pouco, pelo menos, até o aparecimento de Narinha. É o que deve ter sido captado pelos roteiristas Lui Farias, L. G. Bayão e Letícia Mey, do texto original, suponho. O filme é contado na primeira pessoa, é a visão de Erasmo Carlos sobre sua vida e carreira. O personagem chega a falar diretamente para a câmera, ou seja, contar para o público o que se passava ou o que era sentido por ele. O ator protagonista é Chay Suede, que não se parece fisicamente com Erasmo, mas convence pela entrega ao papel e porque canta bem as canções que marcaram o Tremendão. Gabriel Leone, que faz Roberto, e Malu Rodrigues, que faz Wanderléa, também cantam bem e compõem um bom elenco, assim como Bruno Luca, que faz Carlos Imperial, o empresário pilantra e pretensioso que, de qualquer modo, abriu muitas portas para Erasmo. O filme tem uma boa caracterização de época, incluindo signos muito claros da Jovem Guarda, como ambientes, vestuário, cartazes, instrumentos. Tem também achados interessantes, como a interação entre a interpretação de hoje e as imagens da plateia da época. Os elementos políticos da ditadura militar estão ausentes, mas estavam também ausentes na visão dos brotos e desses ídolos, no período. Algum tempo atrás, vi uma entrevista com Erasmo Carlos, em que ele dizia que estava na hora de se mostrar novamente. E contava que sua neta, na escola, informava às amiguinhas que Erasmo era amigo e parceiro de Roberto Carlos e muito famoso, mas elas relutavam em acreditar. As gerações passam e a história pode se perder. Daí a importância de filmes como “Minha Fama de Mau”. iframe width=”650″ height=”365″ src=”https://www.youtube.com/watch?v=8yh0GHxs8Ns” frameborder=”0″ allowfullscreen>
Clipe de Daniela Mercury e Caetano Veloso desperta a ira da direita brasileira
O novo clipe de Daniela Mercury, “Proibido o Carnaval”, que conta com participação de Caetano Veloso, virou alvo da ira da direita brasileira. Uma campanha no Whatsapp e nas redes sociais está conclamando o público conservador a dar “dislikes” em massa na página do vídeo no YouTube. Lançado na terça-feira passada (12/2), o clipe já conta com 218 mil dislikes contra 86 mil likes. O motivo da irritação são as ironias de Daniela e Caetano disparadas contra o conservadorismo do novo governo brasileiro, com direito a referenciar a já icônica frase da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que afirmou que meninos devem usar azul e meninas, rosa. A música também faz uma defesa apaixonada dos direitos LGBTQIA+ e a liberdade de se assumir o que se quiser, sem sofrer censura ou ameaça de “cura gay”. “Abra a porta desse armário/ Que não tem censura pra me segurar/ Abra a porta desse armário/ Que alegria cura, venha me beijar”, diz a letra. A produção também inclui uma dedicação ao deputado federal Jean Wyllys, defensor de bandeiras LGBTQIA+, que abandonou seu mandato para ir morar no exterior, após sofrer ameaças de morte nas redes sociais – numa reação similar à evocada pelo vídeo atual. Por sinal, o tom agressivo e o baixo nível das reações contra “Proibido o Carnaval” foi tão abissal que os comentários do vídeo precisaram ser desabilitados pelo YouTube. Milhares de mensagens ofensivas e ataques contra a cantora também foram postadas nas redes sociais da cantora e de Caetano Veloso. Muitos comemoram um possível “fracasso” da música e alguns se referem a cantora como decadente e que estaria de “mimimi” por não poder contar com patrocínio do governo para o carnaval. Mas a campanha negativa também ajudou na divulgação da obra, que atingiu quase 2 milhões de acessos. Com isso, virou o vídeo mais visto da página da cantora. Caetano e Daniela ainda não se manifestaram diretamente sobre os protestos, mas a cantora postou em seu Twitter uma citação significativa, atribuída ao poeta Fernando Pessoa: “A finalidade da arte não é agradar. O prazer é aqui um meio, não é neste caso um fim. A finalidade da arte é elevar.” Veja o vídeo “polêmico” abaixo.
Fevereiros celebra a música e a religiosidade de Maria Bethânia
Maria Bethânia, uma das maiores intérpretes da música brasileira, com 50 anos de uma brilhante carreira, já recebeu inúmeras homenagens, foi cantada em prosa e em verso, por meio de todas as mídias possíveis. Um desafio para o documentarista Márcio Debellian. O que ainda faltaria dizer ou abordar sobre ela? Quem mostrou o caminho foi a escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Em 2016, a Verde e Rosa homenageou Bethânia com o enredo “Menina dos Olhos de Oya”, dando destaque ao lado religioso da vida dela. O sincretismo religioso de Maria Bethânia combina o candomblé, a devoção católica, sobretudo, à Nossa Senhora e sabedorias herdadas dos índios. Esse amálgama traz a fé temperada pela diversidade e pela tolerância. E o convívio muito próximo e intenso com o mano Caetano acrescenta os elementos de ceticismo e ateísmo à mistura. Caetano Veloso, aberto a tudo, como ela, compartilhando experiências, mesmo sem crer verdadeiramente. Belos exemplos de respeito à ampla diversidade de cultos, crenças e não crenças. Que celebra a vida e a história, com festa. O filme “Fevereiros” explora bem esse caminho, ao mostrar e tratar do desfile campeão da Mangueira, que levou em conta a história do samba, a tolerância religiosa e o racismo, ao homenagear a carreira da cantora, que explodiu em 1964, no show Opinião, com a célebre interpretação de “Carcará”, de João do Vale. A ave, em grandes dimensões, foi um dos destaques do desfile. Márcio Debellian buscou explorar o universo familiar, festivo e religioso de Bethânia, acompanhando-a a Santo Amaro da Purificação, cidade natal dela, no Recôncavo Baiano, a região brasileira que recebeu mais negros escravizados da África. E a cidade que cultua Santo Amaro, Nossa Senhora da Purificação e outros santos em todos os fevereiros, com grandes rituais e festas populares. Maria Bethânia nunca deixa de estar lá, a partir de 31 de janeiro, em todos os fevereiros, luminares, marcantes de sua vida. “Fevereiros” traz a boa conversa de Bethânia, de Caetano Veloso, de outros familiares dela, participações de Chico Buarque e da turma da Mangueira. Tudo muito bom de se ver e ouvir. Pena que haja pouca música cantada por ela, mas isso se perdoa. Afinal, o que mais se conhece dela são suas canções gravadas, os poemas que ela recita lindamente, suas aparições mágicas nos palcos. O recorte de “Fevereiros” é outro, não exatamente original, mas bastante oportuno. Em tempos de fundamentalismos religiosos idiotas e opressores, é bom celebrar a vida, a festa, a tolerância e, sobretudo, a diversidade. Lançado no festival do Rio 2017 e já exibido em 29 festivais de cinema pelo mundo, “Fevereiros” foi escolhido como o Melhor Filme do 10º. In-Edit Brasil e recebeu menção honrosa do Júri Latino-americano do Festival Internacional do Uruguai.
Daniela Mercury e Caetano Veloso celebram a diversidade em clipe sobre o carnaval dos conservadores
A cantora Daniela Mercury lançou o clipe de “Proibido o Carnaval”, em que canta e dança com Caetano Veloso a favor da diversidade em tempos conservadores. Misturando ritmos e batidas, a marchinha de samba-frevo-axé-eletrônico celebra a liberdade sexual, que costuma ser exaltada no período do carnaval, ao mesmo tempo que impõe limites feministas às mãos bobas. A maioria das frases, porém, valoriza o orgulho gay. “Abra a porta deste armário/Que não tem censura pra me segurar”, diz a letra, embora o refrão afirme o contrário: “Tá proibido o Carnaval/Neste país tropical”. A narrativa é realmente errática, mas este é o país das idas e vindas. Quando se acha que o futuro finalmente vai chegar, o povo resolve eleger o atraso. Como demonstra a indagação da letra: “Vai de rosa ou vai de azul?”, em referência à ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que manifestou seu desejo de acabar com a homossexualidade no pais – “Menino veste azul e menina veste rosa”… Nos créditos finais, Daniela ainda homenageia Jean Wyllys, deputado federal do PSOL engajado na luta pelos direitos LGBTQIA+, que deixou o cargo e o país após sofrer ameaças de morte. Trata-se de outro contraste com o tom de deboche do clipe dirigido por Jana Leite, que sugere rir sobre um tema que inspira o contrário: vontade de chorar.
Pabllo Vittar dá chicotadas em seu novo clipe
Pabllo Vittar lançou o clipe de “Seu Crime”, que conta com batida do Diplo, muita dança, cores e closes traseiros. O vídeo tem roteiro e direção do fotógrafo de moda Guilherme Nabhan, e em seu fiapo de história Pabblo persegue um rapaz, de caminhonete, até uma festa rural que tem mais cara de tocar música sertaneja que o funk histérico do cantor – que, vale lembrar, faz sucesso como drag queen, mas não é transexual. Aparentemente, Pabblo é uma policial infiltrada, que estala um chicote para intimidar seu alvo, antes de prendê-lo. Ou talvez uma stripper disfarçada, já que o enredo está mais para fantasia sadomasoquista, que termina com beijo entre o cantor e o boy passivo – o papel é realmente descrito como Boy. O figurino pra sambar na cara, a voz aguda ao extremo e os dançarinos de auditório também fazem parte de um esforço comercial para vender camisinha e cerveja – os “product placements” da vez. Dói de brega, como merchandising de novela e chicotadas performáticas.
Adriana Calcanhotto lança novo clipe artístico e impactante com tema da poluição do mar
A cantora Adriana Calcanhotto divulgou um novo clipe impactante. Em “Ogunté”, aparece com um vestido “infinito” de saco de lixo preto, que se estende por todo o cenário em ondulações constantes, feito o alto-mar. A faixa fala sobre a poluição de rios e mares, enquanto Cacanhotto manifesta seu significado no próprio corpo, como uma instalação viva, revelando, ao final, que sob o plástico negro escuro existe vida vibrante. Combinação de artes plásticas, coreografia e encenação teatral, o vídeo remete ao trabalho anterior da cantora, “O Cu do Mundo”, igualmente forte e dirigido pelo mesmo Murilo Alvesso. Também merece aplausos o criador do figurino, Antônio Gomes, que transformou lixo num traje de deusa. As convergências entre os dois trabalhos mais recentes da cantora vão além do vigor artístico e estético. Compartilham temas do apocalipse cotidiano, referências de umbanda e beats eletrônicas, numa reinvenção completa do estilo da cantora, que se tornou muito mais jovem, energizada e contemporânea após completar 50 anos. “Ogunté” chega no Dia de Iemenjá (2/2) como um manifesto. Há vitalidade na música brasileira, sob o véu negro de estupidez que cobre rádios e TV.












