Lô Borges convoca fãs para gravar clipe coletivo com tema da quarentena
O cantor Lô Borges está convocando seus fãs para gravarem vídeos da janela de suas casas e cantarem um de suas músicas mais conhecidas, “Paisagem da Janela”. A canção, composta por Borges e Fernando Brant, faz parte do consagrado álbum “Clube da Esquina” (1972), de Lô e Milton Nascimento, e registra o que o cantor podia ver da janela de sua casa. A letra serve perfeitamente como tema desses tempos de confinamento pelo novo coronavírus. Batizada de “Da Janela Lateral”, a iniciativa do projeto partiu de uma empresa médica de Belo Horizonte, que já organiza anualmente um evento de música, o Festival Meu Vizinho. Lô Borges, que se apresentou no festival em 2017, aprovou o projeto e decidiu convocar seus fãs. Os vídeos devem ser enviados ao perfil do festival no Instagram. Os primeiros vídeos já foram disponibilizados. Ao final, eles passarão por uma edição e integrarão um clipe coletivo, a ser lançado no fim do mês. Veja a mensagem de Lô Borges abaixo. Ver essa foto no Instagram E aí, vizinho! Como está sendo sua quarentena? Por aqui, depois de observar muito pela janela os detalhes lá fora, tivemos uma ideia, e queremos você nessa! O @loborgesoficial está aqui para convidar você a participar do novo clipe da música “Paisagem da Janela”, com imagens e vídeos enviados por pessoas do Brasil todo.⠀ ⠀ Dá uma olhada nesse recado que ele gravou dentro de casa e faça o mesmo! Assim como ele, você pode registrar o seu momento se mantendo seguro, sem sair do isolamento social. Participe, vai ser lindo! @hermes.pardini #DaJanelaLateral #fiqueemcasa #meuvizinhopardini Uma publicação compartilhada por Meu Vizinho Pardini (@festivalmeuvizinho) em 9 de Abr, 2020 às 8:32 PDT
Clipe de Daniela Mercury e Caetano Veloso desperta a ira da direita brasileira
O novo clipe de Daniela Mercury, “Proibido o Carnaval”, que conta com participação de Caetano Veloso, virou alvo da ira da direita brasileira. Uma campanha no Whatsapp e nas redes sociais está conclamando o público conservador a dar “dislikes” em massa na página do vídeo no YouTube. Lançado na terça-feira passada (12/2), o clipe já conta com 218 mil dislikes contra 86 mil likes. O motivo da irritação são as ironias de Daniela e Caetano disparadas contra o conservadorismo do novo governo brasileiro, com direito a referenciar a já icônica frase da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que afirmou que meninos devem usar azul e meninas, rosa. A música também faz uma defesa apaixonada dos direitos LGBTQIA+ e a liberdade de se assumir o que se quiser, sem sofrer censura ou ameaça de “cura gay”. “Abra a porta desse armário/ Que não tem censura pra me segurar/ Abra a porta desse armário/ Que alegria cura, venha me beijar”, diz a letra. A produção também inclui uma dedicação ao deputado federal Jean Wyllys, defensor de bandeiras LGBTQIA+, que abandonou seu mandato para ir morar no exterior, após sofrer ameaças de morte nas redes sociais – numa reação similar à evocada pelo vídeo atual. Por sinal, o tom agressivo e o baixo nível das reações contra “Proibido o Carnaval” foi tão abissal que os comentários do vídeo precisaram ser desabilitados pelo YouTube. Milhares de mensagens ofensivas e ataques contra a cantora também foram postadas nas redes sociais da cantora e de Caetano Veloso. Muitos comemoram um possível “fracasso” da música e alguns se referem a cantora como decadente e que estaria de “mimimi” por não poder contar com patrocínio do governo para o carnaval. Mas a campanha negativa também ajudou na divulgação da obra, que atingiu quase 2 milhões de acessos. Com isso, virou o vídeo mais visto da página da cantora. Caetano e Daniela ainda não se manifestaram diretamente sobre os protestos, mas a cantora postou em seu Twitter uma citação significativa, atribuída ao poeta Fernando Pessoa: “A finalidade da arte não é agradar. O prazer é aqui um meio, não é neste caso um fim. A finalidade da arte é elevar.” Veja o vídeo “polêmico” abaixo.
Fevereiros celebra a música e a religiosidade de Maria Bethânia
Maria Bethânia, uma das maiores intérpretes da música brasileira, com 50 anos de uma brilhante carreira, já recebeu inúmeras homenagens, foi cantada em prosa e em verso, por meio de todas as mídias possíveis. Um desafio para o documentarista Márcio Debellian. O que ainda faltaria dizer ou abordar sobre ela? Quem mostrou o caminho foi a escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Em 2016, a Verde e Rosa homenageou Bethânia com o enredo “Menina dos Olhos de Oya”, dando destaque ao lado religioso da vida dela. O sincretismo religioso de Maria Bethânia combina o candomblé, a devoção católica, sobretudo, à Nossa Senhora e sabedorias herdadas dos índios. Esse amálgama traz a fé temperada pela diversidade e pela tolerância. E o convívio muito próximo e intenso com o mano Caetano acrescenta os elementos de ceticismo e ateísmo à mistura. Caetano Veloso, aberto a tudo, como ela, compartilhando experiências, mesmo sem crer verdadeiramente. Belos exemplos de respeito à ampla diversidade de cultos, crenças e não crenças. Que celebra a vida e a história, com festa. O filme “Fevereiros” explora bem esse caminho, ao mostrar e tratar do desfile campeão da Mangueira, que levou em conta a história do samba, a tolerância religiosa e o racismo, ao homenagear a carreira da cantora, que explodiu em 1964, no show Opinião, com a célebre interpretação de “Carcará”, de João do Vale. A ave, em grandes dimensões, foi um dos destaques do desfile. Márcio Debellian buscou explorar o universo familiar, festivo e religioso de Bethânia, acompanhando-a a Santo Amaro da Purificação, cidade natal dela, no Recôncavo Baiano, a região brasileira que recebeu mais negros escravizados da África. E a cidade que cultua Santo Amaro, Nossa Senhora da Purificação e outros santos em todos os fevereiros, com grandes rituais e festas populares. Maria Bethânia nunca deixa de estar lá, a partir de 31 de janeiro, em todos os fevereiros, luminares, marcantes de sua vida. “Fevereiros” traz a boa conversa de Bethânia, de Caetano Veloso, de outros familiares dela, participações de Chico Buarque e da turma da Mangueira. Tudo muito bom de se ver e ouvir. Pena que haja pouca música cantada por ela, mas isso se perdoa. Afinal, o que mais se conhece dela são suas canções gravadas, os poemas que ela recita lindamente, suas aparições mágicas nos palcos. O recorte de “Fevereiros” é outro, não exatamente original, mas bastante oportuno. Em tempos de fundamentalismos religiosos idiotas e opressores, é bom celebrar a vida, a festa, a tolerância e, sobretudo, a diversidade. Lançado no festival do Rio 2017 e já exibido em 29 festivais de cinema pelo mundo, “Fevereiros” foi escolhido como o Melhor Filme do 10º. In-Edit Brasil e recebeu menção honrosa do Júri Latino-americano do Festival Internacional do Uruguai.
Daniela Mercury e Caetano Veloso celebram a diversidade em clipe sobre o carnaval dos conservadores
A cantora Daniela Mercury lançou o clipe de “Proibido o Carnaval”, em que canta e dança com Caetano Veloso a favor da diversidade em tempos conservadores. Misturando ritmos e batidas, a marchinha de samba-frevo-axé-eletrônico celebra a liberdade sexual, que costuma ser exaltada no período do carnaval, ao mesmo tempo que impõe limites feministas às mãos bobas. A maioria das frases, porém, valoriza o orgulho gay. “Abra a porta deste armário/Que não tem censura pra me segurar”, diz a letra, embora o refrão afirme o contrário: “Tá proibido o Carnaval/Neste país tropical”. A narrativa é realmente errática, mas este é o país das idas e vindas. Quando se acha que o futuro finalmente vai chegar, o povo resolve eleger o atraso. Como demonstra a indagação da letra: “Vai de rosa ou vai de azul?”, em referência à ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que manifestou seu desejo de acabar com a homossexualidade no pais – “Menino veste azul e menina veste rosa”… Nos créditos finais, Daniela ainda homenageia Jean Wyllys, deputado federal do PSOL engajado na luta pelos direitos LGBTQIA+, que deixou o cargo e o país após sofrer ameaças de morte. Trata-se de outro contraste com o tom de deboche do clipe dirigido por Jana Leite, que sugere rir sobre um tema que inspira o contrário: vontade de chorar.
Globo começa a exibir filme Elis como minissérie
A Globo vai exibir sua versão do filme “Elis” como minissérie a partir desta desta terça-feira (8/1). Intitulada “Elis – Viver É Melhor que Sonhar”, a produção é uma versão esticada e remontada do filme de 2016, que inclui cenas inéditas e registros documentais para aumentar sua duração. Na prática, deixa de ser uma obra de dramaturgia cinematográfica para virar um versão em capítulos do programa “Por Toda Minha Vida”. Serão, ao todo, quatro episódios de docudrama, misturando cenas do filme de Hugo Prata, imagens de arquivo e uma sequência inédita gravada por Andreia Horta no papel da cantora. A atriz fornecerá o fio condutor para a colcha de retalhos, ao voltar à pele de Elis para uma entrevista fictícia, que seria a última antes da morte da estrela.
Vida do cantor Ney Matogrosso vai virar filme
O cantor Ney Matogrosso assinou na última semana um contrato com a Paris Filmes para a produção de sua cinebiografia. Ainda sem título, o filme será produzido por Renata Rezende (da Paris Entretenimento) e deverá acompanhar a vida do artista desde a a infância no Mato Grosso do Sul, incluindo o complicado relacionamento com o pai militar, mostrará a vida do cantor no Rio de Janeiro vendendo artesanato até o sucesso com o grupo Secos e Molhados, sua carreira solo e os dias atuais. Como pano de fundo, a trama deve abordar a história do país, desde movimentos culturais como o Tropicalismo, até políticos como a luta contra a censura e a Diretas Já. O projeto acontece após o estouro internacional de “Bohemian Rhapsody”, cinebiografia da banda Queen e do cantor Freddie Mercury, comprovando o interesse do público por histórias de músicos. Outros filmes recentes, como “Elis”, “Tim Maia” e “Gonzaga, de Pai para Filho”, atestam a viabilidade do filão no Brasil. O filme de Ney Matogrosso deverá ser rodado em 2019 para um lançamento em 2020. Além do filme, a Paris Filmes também adquiriu os direitos das músicas do cantor para desenvolver ainda um espetáculo teatral e uma série de TV.
Clipe de Adriana Calcanhotto transforma canção de Caetano Veloso em protesto contundente contra o neofascismo
Adriana Calcanhotto lançou um clipe provocante para a sua versão da música “O Cu do Mundo”, gravada por Caetano Veloso em 1991. A pegada dançante com percussão eletro-tribal brasileira nem parece uma obra da cantora do banquinho e violão, graças à produção dos DJs Ubunto Zé Pedro. Assim como o clipe, sem presença da própria, que resulta de encenação do grupo do Teatro da PombaGira inspirada no espetáculo “Demônios”. A performance ganhou cores fortes sob direção de Murilo Alvesso, enfatizando o tom de denúncia da canção, de versos como “A mais triste nação/ Na época mais podre/ Compõe-se de possíveis/ Grupos de linchadores”, que soam ainda mais atuais hoje do que na época do “Plano Collor”. A união de letra, música, carne e teatro resulta num protesto LGBTQIA+ contundente contra a inclinação neofascista que empurra “esse nosso sítio” para “onde o cujo faz a curva”.
Clássico da MPB Maria, Maria ganha clipe após 40 anos, com Zezé Motta, Camila Pitanga e Sophie Charlotte
“Maria Maria”, clássico da MPB de Milton Nascimento, ganhou seu primeiro clipe após quatro décadas. O vídeo reúne as atrizes Zezé Motta, Camila Pitanga, Sophie Charlotte, Georgiana Góes, Arianne Botelho, Simone Mazzer e Jéssica Ellen, que demonstram, numa coreografia simbólica, a força e a beleza da mulher. Com direção e roteiro de Matheus Senra, o vídeo também explora a capacidade feminina de gerar vida, mostrando as dores do parto e fazendo analogia ecológica entre a Terra batida sob os pés do elenco e o take final, que revela o nascimento de uma planta. Composta em parceria com o poeta Fernando Brant, a música do icônico LP “Clube da Esquina II” (1978) ganhou nova versão acústica, que faz parte do EP “A Festa”. O disco, que inclui outros clássicos ao violão e a faixa-título, anteriormente gravada por Maria Rita em 2003, foi disponibilizado nas plataformas digitais nesta sexta (21/9).
Clipe junta Anitta e Silva numa estética de pop art
Anitta não para. Ela está em mais um clipe, “Fica Tudo Bem”, participando de um dueto romântico com Silva, cantor da nova MPB. A música é muito diferente do que se espera de Anitta, baseada em violão e voz, sem recursos eletrônicos. Já o vídeo remete ao período de “Essa Mina É Louca”, quando os clipes da cantora esboçavam influências de quadrinhos. “Fica Tudo Bem” atualiza e radicalizada essa estética “pop art” com cores vivas e imagens surreais. Não fosse o fato de os diretores (a dupla Hardcuore, composta pelos artistas gráficos Breno Pineschi e Rafael Cazes) gravarem muitos comerciais com a mesma pegada, seria o caso de apontar influência dos clipes da artista americana St. Vincent. Vale destacar que a direção de fotografia é assinada por Marcelo Durst, cinematógrafo de clássicos modernos do cinema brasileiro, como “Os Matadores” (1997), “Ação Entre Amigos” (1998), “Estorvo” (2000) e o recente “Big Jato” (2016). Anitta contou em entrevista ao programa “Vídeo Show”, que aceitou prontamente o convite para gravar o dueto com Silva. “Quando eu gosto da música, eu não fico pensando muito no amanhã não. Eu gostei, eu gravo e faço. E essa música eu amei.” “Fica Tudo Bem” é uma das 13 faixas do disco “Brasileiro”, o quinto e mais recente trabalho do cantor capixaba de 29 anos. Lançada há três semanas, a música chegou a entrar no ranking global das 50 músicas virais do Spotify. Antes de ganhar clipe, o áudio da faixa contava com mais de 1,2 milhão de reproduções no canal de Silva no YouTube. O cantor foi indicado ao Grammy Latino de 2017 de Melhor Álbum de MPB com “Silva Canta Marisa”, disco dedicado à cantora fluminense de quem também se declara fã.
Documentário resgata vida e morte intensas de Torquato Neto
A escolha do personagem Torquato Neto para um documentário não poderia ser mais feliz. O poeta, que viveu pouco, mas teve intensa e profunda atuação cultural, estava mesmo precisando ser lembrado e resgatado em sua obra, que envolvia música, como letrista, cinema, como criador e intérprete, jornalismo, com seus textos e poemas, e a produção cultural, de modo geral. Isso foi feito. O filme de Eduardo Ades e Marcus Fernando resgata a poesia e a prosa de Torquato Neto, na voz do ator Jesuíta Barbosa, e compreende a sua atuação por meio de muitos depoimentos e trechos de filmes em que ele participou, com o personagem do curta “Nosferato no Brasil” (1970), dirigido por Ivan Cardoso, e muitos exemplares do cinema marginal, com quem ele interagia, e do cinema novo. Sua vida cultural envolveu trabalhos com Edu Lobo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Jards Macalé, Wally Salomão, Hélio Oiticica, e muitos outros que compunham com ele a geleia geral brasileira do período em que ele viveu. Esse piauiense tão talentoso, inovador e provocador, suicidou-se aos 28 anos de idade, em 1972, e falar da sua vida é, inevitavelmente, falar dessa escolha, que sempre o acompanhou como ideia e que ele acabou por concretizar. Não há respostas, há tentativas de aproximação e entendimento. O que importa hoje é a obra que ficou, que é muito relevante e merece ser revisitada. Não faltam elementos, informações, referências visuais ao documentário “Torquato Neto – Todas as Horas do Fim”, mas ele seria mais interessante se tivesse se preocupado um pouquinho mais em ser didático, o que costuma ser mal visto pelos documentaristas atuais, mas que faz falta, muitas vezes. E não é nenhum pecado mortal, convenhamos. As falas, os depoimentos, são ouvidos quase o tempo todo, enquanto as imagens mostram filmes e fotos. Algumas vezes, aparece o nome da pessoa que fala, outras, não. Quem não identificar o tom de voz, fica sem saber quem está falando. Caetano, Gil, Tom Zé, têm timbres bem conhecidos e divulgados, outros, nem tanto. É possível dizer que o importante é o que se diz, não quem disse. Mas, sem dúvida, o espectador quer saber e tem esse direito. Outro aspecto que causa estranheza é a ausência de Edu Lobo no filme. A música de Torquato Neto que mais se ouve ainda hoje é “Pra Dizer Adeus”, parceria com Edu, tocada duas vezes no filme. Porém, a única referência a Edu Lobo na vida de Torquato é uma foto, junto com outras pessoas, e o crédito na música citada, ao final. Enquanto isso, Caetano e Gil aparecem prodigamente. Nada contra. Mas há um descompasso que poderia ter sido pelo menos compensado por alguma citação, se é que Edu não pôde ou não quis dar depoimento para o filme. Ficou faltando a sua presença, que certamente é menos provocadora, mas não menos importante. O tropicalismo, movimento que Torquato Neto ajudou a criar e militou culturalmente, tem grande destaque no documentário e as imagens dele, no papel de vampiro, perpassam todo o filme. As palavras que ele manejava como poucos inundam a tela. Ao final, um resgate bonito e necessário.
Chico Buarque demonstra devoção submissa, cega e doentia em sua nova cantiga
É estranho falar num videoclipe de Chico Buarque, mas foi o que a gravadora Biscoito Fino divulgou para a nova música do cantor, “Tua Cantiga”. Trata-se da primeira canção inédita do artista em seis anos. Ela tem letra do próprio cantor e melodia do pianista Cristóvão Bastos, com quem Chico fez há 30 anos a canção “Todo o Sentimento”. A música fala numa devoção submissa, cega e doentia – “Largo mulher e filhos e de joelhos vou te seguir” – , e não deve demorar a virar meme, visto como poderia facilmente servir para ilustrar a ligação entre o cantor e Lula, com trechos que poderiam aludir até a fatos ainda nos noticiários – “Se um desalmado te faz chorar…” Como se sabe, as letras de Chico sempre tem entrelinhas. Mas também pode ser só uma canção antiquada de amor. “Tua Cantiga” faz parte do vindouro álbum “Caravanas”, e o clipe, dirigido por Bruno Tinoco, recria o suposto clima intimista em que o disco foi gravado. Chico aparece entrando nos estúdios da Biscoito Fino, no Rio, com a banda já tocando, canta sua parte e vai direto para a rua ao final da canção, sem dirigir uma palavra sequer aos músicos. “Caravanas” tem lançamento esperado para o fim de agosto.
Gil, Elza, Ney, Céu, Criolo e muitos outros se unem em clipe de 15 minutos pelos direitos indígenas
Um clipe lançado nesta segunda (24/4) reuniu cantores de várias gerações da música brasileira – e convidados de adjacências artísticas – para protestar contra a situação de abandono em que se encontram os índios no país. Intitulada “Demarcação Já”, a composição de Carlos Rennó e Chico César rendeu um clipe de 15 minutos e mais de 100 versos, dirigido por André D’Elia, responsável pelos documentários “Belo Monte: Anúncio de uma Guerra” (2012), sobre o impacto do propinoduto de Belo Monte nas comunidades indígenas do Xingu, e “A Lei da Água (Novo Código Florestal)” (2015), de título autoexplicativo. Entre os que entoam as frases urgentes da canção estão Gilberto Gil, Elza Soares, Maria Bethânia, Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho, Lenine, Céu, Criolo, Arnaldo Antunes, Tetê Espíndola, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Nando Reis, Dona Onete, Felipe Cordeiro, Lira, Margareth Menezes, Marlui Miranda, Russo Passapusso, a atriz Letícia Sabatella e o diretor de teatro Zé Celso, além do próprio compositor, Chico César. Os artistas não receberam cachê para participar do projeto, que visa chamar a atenção para a tramitação de projetos de lei no Congresso que buscam dificultar a demarcação de terras indígenas. É importante destacar que a demarcação de terras indígenas no Brasil está praticamente parada e, segundo movimentos sociais e pesquisadores, enfrenta um momento de grande dificuldade e instabilidade. Desde que assumiu o governo, Michel Temer não assinou nenhum decreto homologando demarcação de terras. E, para completar, a Funai (Fundação Nacional do Índio) teve corte de cargos e fechamento de unidades. Mas o descaso não é de hoje. Os índios brasileiros denunciaram o governo Dilma à ONU, alertando que suas lideranças tinham sido cooptados pelo partido da presidente para não realizarem protestos após uma comunidade indígena inteira ser desalojada durante a construção de Belo Monte. E como se não bastasse a usina, o governo petista ainda autorizou a construção da maior mineradora de ouro a céu aberto do país na mesma região. A relatora da ONU para direitos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, chegou a visitar o Rio Xingu no começo do ano passado, registrando o tamanho da catástrofe. Os cara-pálidas de pau têm línguas dividas em todos os partidos.
Pierre Barouh (1934 – 2016)
Morreu o ator, diretor, cantor e compositor francês Pierre Barouh, que ficou conhecido mundialmente ao cantar a música tema do filme “Um Homem, uma Mulher” (1966). Ele também tinha profunda ligação com a música brasileira. Barouh esteve internado em um hospital de Paris por cinco dias e morreu de insuficiência cardíaca na quarta-feira (28/12), aos 82 anos. Criado nos subúrbios parisienses em uma família judia, ele foi jornalista e atleta, chegando a participar da seleção francesa de vôlei antes de vir pela primeira vez para o Brasil, onde fez amizade com os principais cantores e compositores da bossa nova. O cantor foi considerado uma espécie de embaixador da música brasileira na Europa e chegou a gravar “Noite dos Mascarados”, num dueto com Elis Regina, além de ter feito, em parceria com Baden Powell, o célebre “Samba da Benção”, ou “Samba Saravah” como é conhecido na França, cuja letra homenageia gênios musicais do país, de Pixinguinha a Vinicius de Moraes. “Saravah” também foi título de um documentário que Barouh dirigiu em 1972, sobre os primórdios da bossa nova. Ele comandou outros três filmes, dois deles de ficção, e ainda atuou como ator em 20 produções, inclusive no clássico “Um Homem, uma Mulher”, de Claude Lelouch, e em “Arrastão” (1967), no qual contracenou com brasileiros como Cécil Thiré, Jardel Filho e Grande Otelo. Ele ainda manteve a colaboração com Lelouch (e com o parceiro compositor Francis Lai) ao longo dos anos, seja escrevendo temas de filmes como “A Nós Dois” (1979), “Retratos da Vida” (1981) e “Um Homem, Uma Mulher: 20 Anos Depois”, seja como ator, em “Outro Homem, Outra Mulher” (1977) e “Tem Dias de Lua Cheia” (1990). Às vezes, até as duas coisas, como em “A Coragem de Amar” (2005). Mas apesar dos múltiplos talentos, fez muito mais sucesso como compositor. Suas músicas foram interpretadas por estrelas francesas que marcaram época, como Yves Montand e Francoise Hardy. Confira abaixo cinco gravações clássicas, ressaltando que apenas “Noite dos Mascarados” não é de sua autoria.










