Clipe de Adriana Calcanhotto transforma canção de Caetano Veloso em protesto contundente contra o neofascismo



Adriana Calcanhotto lançou um clipe provocante para a sua versão da música “O Cu do Mundo”, gravada por Caetano Veloso em 1991. A pegada dançante com percussão eletro-tribal brasileira nem parece uma obra da cantora do banquinho e violão, graças à produção dos DJs Ubunto Zé Pedro. Assim como o clipe, sem presença da própria, que resulta de encenação do grupo do Teatro da PombaGira inspirada no espetáculo “Demônios”.

A performance ganhou cores fortes sob direção de Murilo Alvesso, enfatizando o tom de denúncia da canção, de versos como “A mais triste nação/ Na época mais podre/ Compõe-se de possíveis/ Grupos de linchadores”, que soam ainda mais atuais hoje do que na época do “Plano Collor”.



A união de letra, música, carne e teatro resulta num protesto LGBTQ+ contundente contra a inclinação neofascista que empurra “esse nosso sítio” para “onde o cujo faz a curva”.


Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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