Julie Powell, blogueira que inspirou o filme “Julie e Julia”, morre aos 49 anos
A blogueira de comida Julie Powell, que inspirou o filme “Julie e Julia”, morreu na quarta passada (26/10) aos 49 anos, informou o jornal The New York Times. Ela sofreu uma parada cardíaca fulminante em sua casa casa, em Nova York. Julie Powell se tornou conhecida ao decidir cozinhar todas as receitas do livro clássico “Mastering the Art of French Cooking”, de Julia Child, ao longo de um ano. Ela criou um blog em 2002 para registrar o progresso de sua aventura culinária, que se tornou imensamente popular. Em 2005, o blog virou o livro “Julie & Julia: 365 Days, 524 Recipes, 1 Tiny Apartment Kitchen”, que vendeu mais de 1 milhão de cópias. O sucesso rendeu fez com que sua história virasse filme em 2009, no qual foi interpretada por Amy Adams. O filme de Nora Ephrom (1941–2012) narrou um paralelo entre o desafio de Julie Powell e a história de Julia Child, vivida na tela por Maryl Streep – que foi indicada ao Oscar pelo papel.
Filho músico do ator Tim Roth morre de câncer aos 25 anos
O músico Cormac Roth, filho do ator inglês Tim Roth (o Abominável de “Mulher-Hulk”), morreu de câncer aos 25 anos. O falecimento foi anunciado nesta segunda (31/10) pela família, mas a morte aconteceu no dia 16 de outubro. “Ele era uma fonte de energia elétrica e seu espírito estava cheio de luz e bondade”, disse a família em comunicado. “Por mais rebelde que fosse, Cormac também era a personificação da bondade. Uma alma gentil que trouxe tanta felicidade e esperança para aqueles ao seu redor. A dor vem em ondas, assim como as lágrimas e risos quando pensamos naquele lindo menino ao longo dos 25 anos e 10 meses que o conhecemos. Uma criança irreprimível e alegre e selvagem e maravilhosa. Apenas recentemente um homem. Nós o amamos. Vamos carregá-lo conosco aonde quer que formos”, acrescenta o texto. Cormac era guitarrista, compositor e produtor, e criou a trilha sonora do filme “Nova Ordem”, do cineasta mexicano Michel Franco, que venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza em 2020. Ele foi diagnosticado com tumores de células germinativas em novembro de 2021. O pai dele, Tim Roth, é um dos grandes nos do cinema dos anos 1990, que trabalhou em “Cães de Aluguel”, “Planeta dos Macacos” e “Pulp Fiction”, além de “O Incrível Hulk”, onde viveu pela primeira vez o Abominável. Ele foi indicado ao Oscar em 1996 por “Rob Roy – A Saga de uma Paixão”.
Lenda do rock Jerry Lee Lewis morre aos 87 anos
Jerry Lee Lewis, um dos pais do rock and roll, morreu nessa sexta (28/10) de causas naturais, aos 87 anos. Apelidado de “The Killer” (O Assassino), Lewis era dono de um estilo próprio, que misturava rock, gospel, blues e country. Ele ficou conhecido por clássicos como “Whole Lotta Shakin’ Goin On”, “Great Balls of Fire”, “Breathless” e “High School Confidential”. Lewis acumulou 10 discos de ouro ao longo da sua carreira, iniciada nos anos 1950, mas ironicamente seu maior sucesso foi “Last Man Standing”, lançado em 2006, que vendeu mais de meio milhão de cópias em todo o mundo. Além de tocar piano com mais atitude que muitos heróis da guitarra, houve ocasiões em que chegou a atear fogo em seu instrumento, impossibilitando que alguém o ofuscasse em festivais de rock. “Ninguém queria tocar depois de Jerry Lee”, Johnny Cash disse uma vez, “nem mesmo Elvis”. Lewis nasceu em 19 de setembro de 1935, em Louisiana. Filho de pais pobres e indigentes, ele foi criado como cristão e cresceu em uma fazenda familiar na cidade de Ferriday que “produziu mais pessoas famosas por quilômetro quadrado do que qualquer outra pequena cidade americana”, disse ele uma vez. O roqueiro aprendeu sozinho a tocar piano aos 8 anos e cantava música gospel na igreja. Seus dois primos, Mickey Gilley, que se tornou um cantor country de sucesso, e Jimmy Swaggart, um renomado televangelista, compartilhavam seus interesses musicais. Ele costumava ouvir artistas como Jimmie Rodgers, Hank Williams e Moon Mullican no rádio, que ajudaram a eventualmente criar o seu estilo. Em 1956, Lewis se mudou para Memphis para tentar tentar ser contratado por Sam Phillips, o dono da Sun Records, responsável por gravar os primeiros discos de Johnny Cash, Elvis Presley e Carl Perkins. Phillips não estava lá quando Lewis chegou, então o produtor Jack Clement gravou o single de estreia de Lewis, uma versão de “Crazy Arms”, de Ray Price. Lewis conseguiu um trabalho no estúdio tocando piano em várias gravações de Cash, Billy Lee Riley e Carl Perkins, entre outros. Até que ele resolveu fazer uma gravação de “Whole Lotta Shakin’ Goin’ On”, hit de R&B de Big Maybelle, transformando-a num rock’n’roll capaz de evocar todo seu estilo abusado em 1957. “Eu sabia que era um sucesso quando eu fiz”, disse Lewis, “mas Sam Phillips achou que era muito ousado”. Mas foi o hit seguinte, “Great Balls of Fire”, que rendeu fama mundial a Lewis, um sucesso que se manteve com o lançamento de “Breathless” no ano seguinte. Ambos entraram no Top 10 nas paradas pop, em 2º e 7º lugar, respectivamente. O sucesso era tanto que Jerry Lee Lewis foi parar no cinema. Ele participou do musical “Jamboree” (1957), dirigido por Roy Lockwood, e do drama “Escola do Vício” (1958), estrelado pela pin-up Mamie Van Doren e John Drew Barrymore (o pai de Drew Barrymore). Este filme tinha o nome original de um dos maiores hits de Lewis, “High School Confidential”, tocado logo na abertura pelo artista, com sua banda em cima de uma caminhonete em movimento. Mas não foi apenas o rock que lhe deu notoriedade. Ele se casou com a filha de um pastor, Dorothy Barton, em 1952, quando ela tinha 16 anos e secretamente transformou sua prima Myra Gale Brown em sua terceira esposa no auge de seu sucesso. Na época, Lewis tinha 22 anos, mas já era pai de dois filhos, e sua nova esposa tinha apenas 13 anos de idade. Foi um escândalo que quase acabou com sua carreira. Diante da polêmica, as estações de rádio pararam de tocar seus discos e suas aparições públicas foram canceladas. Isto também deu munição a seu primo Jimmy Swaggart, que lançou uma cruzada nacional contra o rock, queimando discos da “música do diabo” em praça pública. Depois que seu contrato com a Sun terminou, ele só foi reencontrar o sucesso em meados dos anos 1960, embora sem retornar ao auge dos seus primeiros lançamentos. Seu álbum “Live at the Star Club, Hamburg”, de 1964, é considerado um dos discos de shows ao vivo mais espetaculares já lançados. Em 1968, Lewis gravou o hit “Another Place, Another Time”, seguido pelo single “To Make Love Sweeter for You”. Pouco a pouco, ele foi recuperando o seu sucesso, com canções como “Once More With Feeling”, “There Must Be More to Love Than This” e “Me & Bobby McGee”. Eleito para o Rock and Roll Hall of Fame em 1986, Lewis foi chamado de “uma das melhores vozes americanas de todos os tempos” por seu colaborador ocasional, Kris Kristofferson. Em 1989, ele voltou aos holofotes com o lançamento da sua cinebiografia, “A Fera do Rock”, estrelada por Dennis Quaid como Lewis e Winona Ryder como Myra Gale. O filme foi baseado no livro escrito por ela, que depois mudou seu nome para Myra Lewis Williams. Jerry Lee Lewis gravou as músicas para a trilha sonora. Ainda ativo nos últimos anos, Lewis lançou em 2014 o álbum “Rock & Roll Time”, que contou com muitos artistas que ele inspirou, incluindo Keith Richards, Ron Wood, Neil Young, Robbie Robertson, Nils Lofgren e Shelby Lynne. A sua biografia “Jerry Lee Lewis: His Own Story”, escrita por Rick Bragg (escritor vencedor do Prêmio Pulitzer), foi publicada em 2015. Além disso, um documentário sobre sua vida, intitulado “Jerry Lee Lewis: Trouble in Mind” e dirigido por Ethan Coen, foi exibido no Festival de Cannes deste ano.
Produção de “Call Me Kat” é pausada por morte de Leslie Jordan
A produção da série “Call Me Kat” foi interrompida após a morte repentina do ator Leslie Jordan, num acidente de carro em Hollywood nesta segunda (24/10). Ele tinha 67 anos e, de acordo com a polícia de Los Angeles, provavelmente sofreu uma emergência médica, antes de bater seu carro em um muro por volta das 9h45 da manhã. O ator gravou 9 episódios da 3ª temporada e os produtores decidiram manter o capítulo previsto para ir ao ar na quinta-feira (27/10), intitulado “Call Me Uncle Dad”, que será exibido com uma dedicação especial a sua memória. A equipe da série também divulgou um comunicado sobre o falecimento do artista. “Não há palavras para expressar a perda que estamos vivenciando entre o elenco e a família de ‘Call Me Kat’. Leslie Jordan era maior que a vida”, diz o texto, assinado em conjunto pelo elenco e os produtores. “Ele era um cavalheiro sulista; doce, sábio, impertinente e hilariante. Nós o conhecemos e o amamos no auge de sua felicidade e alegria, e é inconcebível imaginar um mundo sem nosso Leslie: o homem que cuspia nas lentes de contato antes de colocá-las nos olhos, o homem que tinha uma história sobre todos os homens em Hollywood e algumas mulheres também, o homem que viveu para fazer as pessoas rirem. Vamos ter tempo para lamentar e celebrar os muitos presentes que Leslie deu a nós e ao mundo inteiro, mas apreciamos a privacidade neste momento”. Tanto a rede Fox, que exibe a série nos EUA, quanto a Warner Bros. Television, responsável por sua produção, também divulgaram declarações após a tragédia. “Estamos chocados e devastados com o trágico falecimento de Leslie Jordan hoje”, disse um representante da Fox Entertainment. “Leslie era muito mais do que um talento cômico vencedor do Emmy, com quem rimos por todos esses anos. Ele era a pessoa mais gentil que você poderia imaginar, que simplesmente iluminava uma sala e trazia pura alegria e sorrisos enormes para milhões de pessoas ao redor do mundo. O mais verdadeiro dos cavalheiros do sul, Leslie carregava uma exuberância contagiante, senso de humor indelével e, por toda parte, nos presenteou com inúmeras boas lembranças que durarão para sempre. Enquanto lamentamos esta triste notícia, também desejamos estender nossas mais profundas condolências à família, amigos e fãs de Leslie, a quem ele tanto amava”. “A Warner Bros. Television está devastada com a perda trágica e repentina de nosso querido amigo Leslie Jordan. Leslie era uma pessoa e um talento extraordinários. Ele trouxe alegria para os fãs em todo o mundo. Nossos pensamentos estão com sua família, amigos e fãs neste momento”, acrescentou o comunicado da Warner Bros. Television. Atualmente em sua 3ª temporada, “Call Me Kat” segue a personagem-título, uma solteira de 39 anos (vivida por Mayim Bialik) que abre um café para gatos em Lousiville. O personagem de Jordan, Phil, é o padeiro-chefe do estabelecimento de Kat e o personagem mais engraçado do programa. A primeira atração de Mayim Bialik após “The Big Bang Theory” é remake da sitcom britânica “Miranda” (2009–2015), da BBC, e seu elenco também inclui Swoosie Kurtz (“Mike & Molly”), Cheyenne Jackson (“American Horror Story”), Kyla Pratt (“Recovery Road”) e Julian Gant (“Good Girls”). A série é disponibilizada pela HBO Max no Brasil.
Leslie Jordan, ator de “Will & Grace”, morre aos 67 anos
O ator Leslie Jordan, conhecido pelos seus papeis nas séries “Will & Grace” e “American Horror Story”, morreu nessa segunda (24/10) aos 67 anos. De acordo com o site TMZ, a causa da morte foi um acidente automobilístico. Suspeita-se que ele tenha sofrido algum problema de saúde enquanto dirigia. Dono de uma carreira que se estendeu por quase 40 anos, Jordan também participou de filmes como “Uma Família e Tanto” (2000), que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no New York International Independent Film & Video Festival, “Como Eliminar seu Marido” (2003) e “Histórias Cruzadas” (2011). Leslie Jordan nasceu em 29 de abril de 1955, em Memphis, no estado americano do Tennessee. Ele se mudou para Los Angeles em 1982 e quatro anos depois fez a sua estreia na TV, participando de episódios das séries “Duro na Queda” e “Passe de Mágica”. Sua estreia no cinema aconteceu em 1988, quando fez pequenas participações nos filmes “Mudança do Barulho” e “Frankenstein General Hospital”. Durante a crise da AIDS, ele esteve envolvido com o Projeto AIDS Los Angeles e o Projeto Angel Food. Também precisou lidar com o vício em drogas e álcool, que iniciou aos 20 anos. Em 2010, ele anunciou que estava sóbrio há 13 anos. Jordan conseguiu o seu primeiro papel recorrente em 1989: 10 episódios da série “The People Next Door”. E pouco a pouco começou a ganhar mais destaque em filmes como “Dinheiro a Qualquer Preço” (1991), “Jason vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira” (1993) e “Talento Traído” (1997), além de novos papéis recorrentes em séries – “Top of the Heap” (1991), “Reasonable Doubts” (1992-1993), “Bodies of Evidence” (1992-1993) e “Lois & Clark – As Novas Aventuras do Superman” (1993-1994). Em 2001, o ator interpretou um dos seus personagens mais conhecidos: Beverley Leslie, o amigo sexualmente ambíguo de Karen na série “Will & Grace”. Jordan interpretou o papel por 17 episódios, incluindo no revival de 2017, e venceu um Emmy de Melhor Ator Convidado pelo papel em 2006. Ele também estrelou três temporadas de “American Horror Story – Coven”, “American Horror Story – Roanoke” e “American Horror Story – 1984”, sempre em papéis diferentes. Outros destaques de sua carreira incluem participações nos filmes “O Último Sharknado: Já Estava na Hora” (2018) e “Estados Unidos vs. Billie Holiday” (2021), e nas séries “The Cool Kids” (2018-2019) e “Call Me Kat”, em que tinha papel fixo. A série teve o primeiro episódio de sua 3ª temporada recentemente disponibilizado no serviço de streaming HBO Max. Fora das telas, um dos papéis mais celebrados de Jordan foi sua apresentação como Earl “Brother Boy” Ingram na peça de teatro “Sordid Lives”, que mais tarde foi adaptada para o filme “Uma Família e Tanto”. Em 1993, ele criou seu primeiro espetáculo autobiográfico, “Hysterical Blindness and Other Southern Tragedies That Have Plagued My Life So Far”, que durou sete meses fora da Broadway. A peça narrava o início da vida de Jordan em Chatanooga, Tennessee, e apresentava o ator acompanhado por um coral gospel cantando canções satíricas sobre racismo e homofobia. Durante a pandemia, Jordan se tornou um fenômeno nas redes sociais, ganhando milhões de seguidores no Instagram devido aos vídeos humorísticos postados quando precisou ficar de quarentena. Ele também lançou um álbum de música gospel intitulado “Company’s Comin” (2021) e, mais tarde, apareceu como convidado no programa “The Masked Singer”, onde apresentou a canção gospel “This Little Light of Mine”. Ícone da comunidade LGBTQIAP+, Jordan ainda recebeu o prêmio GALECA em 2021 e apareceu no reality “RuPaul’s Drag Race” como jurado convidado em 2013 e novamente em 2022 como diretor convidado. Ao saberem da morte de Leslie Jordan, alguns colegas e admiradores prestaram as suas homenagens. O comediante Sean Hayes, que trabalhou com Jordan em “Will & Grace”, postou uma foto dos dois no seu Twitter, com a legenda: “Meu coração está partido. Leslie Jordan foi uma das pessoas mais engraçadas com quem já tive o prazer de trabalhar. Todos que o conheceram o amavam. Nunca haverá alguém como ele. Um talento único com um coração enorme e carinhoso. Você fará falta, meu caro amigo”. Já o cineasta Paul Feig (“A Escola do Bem e do Mal”) compartilhou a notícia da morte de Jordan e escreveu: “Simplesmente devastado com essa notícia. Trabalhei com Leslie como ator nos anos 1980, quando ele e eu estávamos juntos em ‘Uma Farra na Neve’ e ele era o melhor. Um verdadeiro amor e uma pessoa tão engraçada. O mundo é um lugar muito mais triste sem ele. RIP Leslie.” My heart is broken. Leslie Jordan was one of the funniest people I ever had the pleasure of working with. Everyone who ever met him, loved him. There will never be anyone like him. A unique talent with an enormous, caring heart. You will be missed, my dear friend. 😔❤️ pic.twitter.com/RNKSamoES0 — Sean Hayes (@SeanHayes) October 24, 2022 Just devastated at this news. I worked with Leslie as an actor back in the 80s when he and I were in Ski Patrol together and he was just the best. A true sweetheart and such a funny person. The world is a much sadder place without him in it. RIP Leslie. https://t.co/1V6la8cMYE — Paul Feig (@paulfeig) October 24, 2022
Cantor e ator Jr. Black, de “Bacurau”, morre aos 46 anos
O cantor, compositor e ator pernambucano Jr. Black morreu na noite de sábado (22/10), no Recife, após sofrer uma parada cardíaca aos 46 anos. O falecimento foi informado pelo cineasta Kleber Mendonça Filho, que dirigiu Jr. Black em “Bacurau”, onde o artista deu vida ao personagem DJ Urso, um locutor de carro de som. Ele estava hospitalizado desde a semana passada devido a um pico de glicose, quando foi diagnosticado com diabetes. Black não sabia que tinha diabetes até ser internado. A suspeita é de que a morte do músico tenha sido provocada por uma trombose. Jr. Black nasceu em 22 de janeiro de 1976 em Garanhuns (PE) e começou a carreira em 2001, como vocalista da banda Negroove. A carreira solo teve início em 2008 e rendeu parcerias musicais com artistas como China, Mombojó, DJ Dolores, Bruno Lins e Dado Villa-Lobos. Como ator, teve presença em várias produções do novo cinema pernambucano, incluindo no curta “Recife Frio”, que consagrou o diretor Kleber Mendonça Filho com vários prêmios em 2009. Ele também participou dos dois longas dirigidos por Hilton Lacerda, “Tatuagem” (2013) e “Fim de Festa” (2013). Seu último trabalho nas telas foi em “Carro Rei”, de Renata Pinheiro, que venceu o Festival de Gramado do ano passado. A Secretaria de Cultura e a Fundação de Cultura do Recife lamentou, por nota, a morte do “artista imenso em criatividade e gentileza, que sempre levantou sua voz forte e impecavelmente empostada a favor das melhores causas e causos”. As duas candidatas ao governo de Pernambuco também se manifestaram. Marília Arraes lembrou que Jr. Black integrou sua equipe de campanha e suspendeu as atividades para que os colegas pudessem se despedir do artista. “Lamento, em nome de toda a equipe, a perda do querido Jr Black, que emprestou sua voz e talento para a nossa campanha. Estamos suspendendo as atividades para que todos possam se despedir. Meus sentimentos ao seu filho Francisco, sua família e amigos. Que Deus conforte a todos”, declarou. Raquel Lyra também se pronunciou assim que soube da morte do artista. “Acabo de saber da partida de Jr. Black, grande artista, músico, ator, e muito querido por todos. Ficará para sempre nas nossas lembranças. Que Deus ilumine sua passagem e proteja sua família. Meus sentimentos mais sinceros”, publicou nas redes sociais. Ele deixa um filho de 13 anos chamado Francisco, fruto do relacionamento com a produtora cultural Célia Lima.
Robbie Coltrane, o Hagrid da saga “Harry Potter”, sofria com dores há 10 anos
O ator Robbie Coltrane, que morreu nesta sexta (14/10) aos 72 anos, sofreu com dores constantes nos últimos dez anos de sua vida. O intérprete de Hagrid na saga “Harry Potter” sofria com osteoartrite, doença que degenera as articulações. “Eu sentia dores 24 horas por dia quando fazia [a minissérie de 2016] ‘National Treasure’ e [o filme de 2012] ‘Grandes Esperanças'”, revelou o ator em entrevista ao DailyExpress em 2020. “Não desejo essa dor nem para o meu pior inimigo”, completou o ator, que passou os últimos anos em uma cadeira de rodas. Entretanto, ele acreditou que estava melhorando. Em 2020, submeteu=se a uma cirurgia para substituição da articulação dos joelhos e disse: “Posso dormir novamente”. Os problemas de saúde do artista também o impediram de participar de eventos. Ele cancelou, em julho deste ano, sua presença na Comic Con de Londres. “Ele lamenta muito desapontar seus fãs e apoiadores e espera muito aparecer em outro evento da Showmasters quando sua saúde permitir”, escreveram os organizadores do evento na época. Apesar de todas as dificuldades, Coltrane conseguiu participar do especial de 20 anos de “Harry Potter”, lançado pela HBO Max em 2022. Bastante emocionado e com aparência cansada, ele fez uma previsão ao comentar sobre o futuro próximo. “Infelizmente, eu não estarei aqui, mas Hagrid, sim”, disse.
Atores morrem em filmagem com a Maria Joaquina original no México
Dois atores morreram na última quarta-feira (12/10) durante a produção do filme “Noche de Bodas” (foto acima) na praia de Oaxaca, no México. O filme dirigido por Osvaldo Benavides (intérprete do Dr. Mateo em “The Good Doctor”) destaca em seu elenco a atriz Ludwika Paleta (a Maria Joaquina da versão original de “Carrossel”). Segundo o Mexico Daily Post, as mortes aconteceram depois que um grupo de figurantes foi para a praia se divertir ao fim das filmagens do dia. Três deles resolveram entrar no mar, que naquele momento apresentava fortes ondas e correnteza. Um desses figurantes foi resgatado, mas os outros dois, identificados como Luis Manuel “N” (46 anos) e Marco Antonio “N” (47 anos), não conseguiram sair. O corpo de Marco Antonio foi encontrado na manhã de quinta-feira pela Estação Naval de Busca e Salvamento da Secretaria da Marinha e a direção municipal de Proteção Civil de Huatulco. Mas Luis Manuel continua desaparecido e as buscas pelo ator continuam. Enquanto isso, as filmagens da produção foram paralisadas. A produtora do filme, Traziende Films, emitiu um comunicado relatando a situação e se solidarizando com as famílias das vítimas. Eles também disseram que estão em contato com as autoridades e que vão manter um canal aberto de comunicação com o público. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Traziende Films (@traziendefilms)
Robbie Coltrane, o Hagrid de “Harry Potter”, morre aos 72 anos
O ator Robbie Coltrane, conhecido pelas novas gerações por interpretar o personagem Hagrid na franquia “Harry Potter”, morreu nesta sexta (14/10), aos 72 anos. Além do seu papel na franquia baseada nos livros de JK Rowling, Coltrane também fez participações em dois filmes de James Bond e no terror “Do Inferno” (2001), estrelado por Johnny Depp. Robbie Coltrane era o nome artístico de Anthony Robert McMillan, nascido em 30 de março de 1950, em Glasgow, na Escócia. Filho de um médico e uma professora, ele se formou na escola de arte de Glasgow, e continuou a estudar arte na Moray House College of Education, em Edimburgo. Sua estreia nas telas aconteceu em 1979, quando participou de um episódio do teleatro “Play for Today”. No ano seguinte, apareceu pela primeira vez no cinema com figurante da sci-fi dramática “A Morte ao Vivo”, clássico visionário de Bertrand Tavernier. Seguiram-se várias outras participações pequenas em filmes de sucesso ou cultuados, como “Flash Gordon” (1980), “Krull” (1983), “Férias Frustradas II” (1985) e “Henrique V” (1989), além de vários programas humorísticos, como “A Kick Up the Eighties” (1984), “Alfresco” (1984) e “Tutti Frutti” (1987). Mas foi só nos anos 1990 que ele conseguiu virar protagonista. Isto aconteceu na série “Cracker”, seu primeiro grande papel, onde Coltrane deu vida ao Dr Edward “Fitz” Fitzgerald, um psicólogo criminal antissocial e desagradável, mas com um dom único para resolver crimes. O papel rendeu a Coltrane o prêmio BAFTA. “Cracker” durou três temporadas, exibidas entre 1993 e 1995 no canal britânico ITV, e depois disso o ator foi direto enfrentar James Bond. Em 1995, Coltrane interpretou Valentin Zukovsky em “007 Contra GoldenEye” (1995), que marcou a estreia de Pierce Brosnan no papel do espião britânico. O personagem fez tanto sucesso que se tornou um dos poucos vilões a aparecer em mais de um filme de Bond, voltando em “007 – O Mundo Não é o Bastante” (1999). Sua carreira tomou outro rumo com a chegada do novo século. Em 2001, ele teve papel de destaque em “Do Inferno”, adaptação de uma famosa história em quadrinhos de Alan Moore sobre os assassinatos de Jack, o Estripador. E, claro, estrelou o filme que definiria sua carreira: “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Em “Harry Potter”, Coltrane interpretou Hagrid, um meio-gigante que trabalha como guarda-caça da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e que foi um dos principais aliados do personagem-título na sua batalha contra Voldemort. Com sua inocência e seu jeito desengonçado, Hagrid conquistou uma geração inteira de fãs. Ele apareceu em todos os oito filmes da franquia, além de ter emprestado a voz para o personagem em alguns curtas-metragens. Embora a franquia “Harry Potter” lhe tenha mantido ocupado, Coltrane ainda encontrou tempo para participar de filmes como “Van Helsing – O Caçador de Monstros” (2004), no qual interpretou o monstro Mr. Hyde, “Alex Rider Contra o Tempo” (2006), no papel de Primeiro-Ministro, e na adaptação do clássico “Grandes Esperanças” (2012) em que dividiu a tela com alguns dos seus colegas de “Harry Potter”, como Ralph Fiennes e Helena Bonham Carter. Seus últimos créditos foram nas séries “National Treasure” (2016) e “Urban Myths” (2020), na qual interpretou o cineasta Orson Welles (diretor de “Cidadão Kane”). Robbie Coltrane já estava doente há dois anos, mas ele ainda participou do reencontro de “Harry Potter”, produzido pelo serviço de streaming HBO Max. Sua fala, ao final do especial, foi premonitória. “O legado dos filmes é que a geração dos meus filhos vai mostrá-los para os seus filhos. Então você poderá estar assistindo aos filmes daqui a 50 anos, facilmente”, disse ele. “Eu não vou estar por aqui, infelizmente. Mas Hagrid vai estar, sim”, completou. Daniel Radcliffe homenageou o colega ao lembrá-lo como “uma das pessoas mais engraçadas que conheci”. “Ele costumava nos manter rindo o tempo inteiro quando éramos crianças no set”, disse o intérprete de Harry Potter num comunicado. “Tenho lembranças especialmente boas dele mantendo nosso ânimo em ‘Prisioneiro de Azkaban’, quando ficamos todos escondidos de uma chuva torrencial por horas na cabana de Hagrid e ele contava histórias e piadas para manter o moral alto. Eu me sinto incrivelmente sortudo por ter conhecido e trabalhado com ele e muito triste por ele ter falecido. Ele era um ator incrível e um homem adorável”.
Criador de “Yu-Gi-Oh!” morreu ao tentar ato heroico
Encontrado morto numa praia do Japão em julho, o artista Kazuki Takahashi, criador do popular mangá “Yu-Gi-Oh!”, pode ter se afogado ao tentar praticar um ato heroico. Uma testemunha relatou que ele estava nas águas de Nago, na província de Okinawa, para salvar pessoas de uma forte correnteza. O Major Robert Bourgeau disse ao site militar Stars & Stripes, que reúne notícias do Departamento de Defesa dos EUA, que estava perto do local com dois alunos de mergulho, por volta das 14h do dia 4 de julho, e uma mulher pediu ajuda porque a filha de 11 anos e um soldado americano estavam presos no mar. As ondas tinham cerca de 1,80m e dificultavam a saída. Bourgeau e um de seus alunos entraram na água, enquanto o terceiro ligou para os serviços de emergência. Bourgeau conseguiu carregar a criança para um lugar seguro, mas a mãe, nesse meio tempo, entrou também no mar e ficou presa. Em algum momento, Takahashi apareceu e também foi para a água ajudar, mas desapareceu sob as ondas. A testemunha o chamou de herói: “Ele morreu tentando salvar alguém”. A criança, a mãe e o soldado, assim como o major e seus alunos conseguiram se salvar. Takahashi não foi mais visto e o corpo acabou encontrado dois dias depois. O corpo de Takahashi, que tinha 60 anos, foi identificado após uma empresa de aluguel de carros ter acionado a polícia de Okinawa. Ela havia perdido contato com o artista, que tinha contratado os seus serviços e viajava sozinho pela região. A perícia encontrou marcas de mordidas em seu corpo, provenientes de tubarões e outros animais marinhos. A conclusão é que isso aconteceu depois de sua morte por afogamento. Takahashi começou a desenhar mangás em 1982. Seu primeiro trabalho de destaque foi “Fighting Hawk”, publicado em 1990, e no ano seguinte criou “Tennenshokudanji Buray”, que durou dois volumes e foi publicado entre 1991 e 1992. Mas nenhum dos dois mangás o preparou para o fenômeno de “Yu-Gi-Oh!”, criado em 1996. Publicado de setembro de 1996 a março de 2004, o mangá contava a história de um menino chamado Yugi Mutou, que resolve um antigo enigma milenar e desperta um alter-ego dentro de seu corpo que passa a resolver conflitos usando vários jogos. O mangá foi adaptado em várias séries de anime. A primeira foi produzida pela Toei Animation em 1998, enquanto as demais foram desenvolvidas pela NAS, Gallop e Bridge. A mais lembrada é “Yu-Gi-Oh! Duel Monsters”, que teve cinco temporadas exibidas entre 2000 e 2004. A mais recente é “Yu-Gi-Oh! Go Rush!!”, lançada em abril passado. Além das séries, “Yu-Gi-Oh!” teve quatro longas animados e seu jogo de cartas entrou no Livro Guinness dos Recordes como o maior sucesso de sua categoria (trading card), com mais de 25 bilhões de cartas vendidas. Em 2015, Kazuki Takahashi recebeu o prêmio Inkpot da Comic-Con International pelas contribuições de sua carreira para os quadrinhos.
Ex-marido de Anne Heche perde disputa por herança com filho mais velho da atriz
O ator James Tupper (“Big Little Lies”), ex-marido de Anne Heche (“Jogando com Prazer”), teve negada a sua petição para ser nomeado guardião de Atlas (seu filho com Heche) e responsável pelo espólio da atriz, que faleceu após um acidente de carro há dois meses. O caso foi julgado na última terça (11/10), em Los Angeles, e culminou em uma discussão entre Tupper e o juiz Lee Bogdanof. Segundo a decisão de Bogdanof, Tupper não forneceu provas suficientes para impedir que Homer Laffoon (filho mais velho de Heche, de seu primeiro casamento) se tornasse o guardião legal de seu meio-irmão caçula, Atlas. Em 31 de agosto, Homer apresentou uma petição para ser nomeado executor do espólio de sua mãe, alegando que ele era “a pessoa com a mais alta prioridade de nomeação” e que, por conta disso, tinha “legalmente o direito de nomeação como administrador.” Além disso, solicitou que ele e Atlas fossem listados como únicos herdeiros de Heche e pediu que o tribunal o nomeasse guardião de Atlas. Tupper, por sua vez, alegou que “como menor, Atlas não tem capacidade de contratar representação legal para representar seus interesses neste processo”. O ator também acrescentou que ele é o único pai vivo de Atlas, que eles moram juntos e que ele ama seu filho. Portanto, além de pedir ao tribunal que o nomeasse guardião legal do seu filho, Tupper também alegou que ele deveria ser o executor do espólio de Heche. Para isso, ele apresentou um e-mail que Anne Heche o enviou em 2011, supostamente confirmando esse pedido. “Meus desejos são que todos os meus bens vão para o controle do Sr. James Tupper para serem usados para criar meus filhos e depois entregues aos filhos”, diz o e-mail. No entanto, Homer alegou que o suposto testamento não era válido porque “não foi assinado por [Heche] e não tem duas testemunhas que assinaram o documento durante [sua] vida”. O juiz decidiu que os irmãos têm igual interesse na propriedade e que ela será dividida igualmente. Porém, Christopher Johnson, advogado de Tupper, disse que a verdadeira questão não era a divisão, mas sim quem será o administrador do espólio. Isso deu início a uma longa discussão. Quando Johnson argumentou que Homer não era qualificado, o juiz respondeu: “Senhor, na Califórnia, se você é analfabeto, pode ser um administrador. Ok? Se você não sabe ler, nunca fez faculdade, pode ser um administrador. Ok? O fato de ele ser da geração Z ou o que quer que seja, ou talvez ele seja um cara frio, isso não o desqualifica. Talvez ele não seja o maior comunicador, isso não o desqualifica. Nada disso o desqualifica.” “Não estamos nomeando, não estamos decidindo quem é a melhor pessoa aqui. Para evitar decepção como administrador, eu teria que descobrir que há motivos para sua remoção. Ou seja, se há fraude, conflito de interesses, ou se ele fez algo terrível”, disse Bogdanoff. “Não estamos aqui para escolher a melhor pessoa. Estou aqui para decidir se ele é qualificado ou não-qualificado.” Tupper, que estava ao lado de seu advogado e do filho, ficava o tempo todo balançando a cabeça e isso incomodou o juiz. “Por que você está balançando a cabeça? É muito desrespeitoso. Não balance a cabeça para mim – nunca faça isso se você for aparecer novamente. Por favor, tire as mãos dos bolsos, senhor. Você quer dizer alguma coisa?” Diante do questionamento, Tupper respondeu: “Claro. Eu não sinto que o irmão mais velho [de Atlas] vai cuidar dele. Esperamos dois meses para só poder entrar no apartamento.” Foi apenas nesta semana que Atlas teve permissão para retirar suas coisas da casa da própria mãe, tendo sido até então impedido pelo irmão mais velho. Tupper disse que precisou comprar um novo computador para Atlas, já que o irmão mudou as fechaduras da casa e impediu que ele pegasse seu laptop, e ainda afirmou que Homer está tratando Atlas como se fossem “inimigos”. Ele acrescentou que Atlas está “passando por luto e isso está complicando tudo” e que teme que o relacionamento deles possa ser arruinado permanentemente por isso. Após a decisão, o advogado de Laffoon, Bryan L. Phipps, disse ao site Page Six que: “Estamos satisfeitos – mas não surpresos – com a decisão do tribunal nesta manhã negando a petição de James para se nomear guardião ad litem para Atlas. Estamos ansiosos para que o tribunal resolva a petição de Homer na próxima audiência e, enquanto isso, Homer continuará administrando diligentemente o espólio de acordo com sua autoridade como Administrador Especial.” A próxima audiência do caso ocorrerá em 30 de novembro de 2022. Anne Heche morreu em consequência de um acidente de carro ocorrido em 5 de agosto, que a deixou em coma por uma semana. Ela foi declarada com morte cerebral em 11 de agosto, mas permaneceu temporariamente em suporte de vida para doar seus órgãos.
Mário César Camargo, ator de “Chocolate com Pimenta”, morre aos 75 anos
O ator Mário César Camargo morreu na segunda-feira (10/10), em Belo Horizonte. Ele sofreu um mal súbito e caiu na rua, onde acabou falecendo aos 75 anos. O artista nasceu em Marília, interior de São Paulo, mas morava em Belo Horizonte desde 1988. Ele iniciou sua carreira artística no Centro Popular de Cultura da União Nacional de Estudantes (UNE), no começo dos anos 1960, mas demorou a deslanchar, o que aconteceu em 1982, quando interpretou Giovanni Barachetta na peça “Bella Ciao”, de Luis Alberto de Abreu. Somente depois disso passou para a televisão. Embora tenha aparecido em “Partido Alto” (1984), só conseguiu seu primeiro papel de destaque na Globo 15 anos depois, como o personagem Anacleto em “Terra Nostra” (1999). Ele também atuou em “Coração de Estudante”, “Começar de Novo”, “Insensato Coração” e “Chocolate com Pimenta”, que está atualmente sendo reprisada em uma edição especial. Mário César também teve papéis em quatro filmes entre 2003 e 2008: “Narradores de Javé”, “Veias e Vinhos”, “Pequenas Histórias” e “Linha de Passe”. Seu último trabalho nas telas foi em 2016, na série de terror “Supermax”, em que interpretou Timóteo, um médico reformado pelo exército. Ele deixa a esposa Monica Belisário e a filha Laura, de 29 anos.
Angela Lansbury, estrela de “Assassinato por Escrito”, morre aos 96 anos
A atriz Angela Lansbury, indicada três vezes ao Oscar e protagonista da série “Assassinato por Escrito”, morreu enquanto dormia nesta terça (11/10) em Los Angeles, aos 96 anos. Lansbury recebeu diversas indicações ao Emmy pelo seu papel de Jessica Fletcher na série de investigação, além de ter construído uma carreira sólida no cinema, que lhe rendeu até um Oscar honorário em 2013, pela sua contribuição para a indústria cinematográfica. Angela Brigid Lansbury nasceu em 16 de outubro de 1925 em Londres. Filha da atriz Moyna MacGill (de “O Retrato de Dorian Gray”), ela foi incentivada a participar de peças escolares na infância e estudou por um ano na escola de teatro, formando-se com honras na Royal Academy of Music. Com o início da 2ª Guerra Mundial, ela se mudou com a mãe e os dois irmãos para os EUA (o pai dela morreu quando Angela tinha 9 anos), onde continuou estudando artes dramáticas em Nova York, formando-se em 1942, aos 17 anos. Na época, começou a fazer apresentações em boates, mentindo sobre sua idade para poder participar da cena noturna artística da cidade. Decidida a investir na carreira, mudou-se para Los Angeles e assinou um contrato com a MGM, fazendo sua estreia no cinema no thriller psicológico “À Meia Luz” (1944), com Charles Boyer e Ingrid Bergman. Famosíssima, esta adaptação da peça de Patrick Hamilton deu origem à expressão “gaslighting” (derivada de seu título original, “Gaslight”) para definir relações tóxicas em que um homem tenta convencer uma mulher de que ela é louca. O filme também rendeu a primeira indicação de Lansbury ao Oscar, como Melhor Atriz Coadjuvante. No ano seguinte, ela recebeu sua segunda indicação, desta vez por “O Retrato de Dorian Gray” (1945), adaptação do livro de Oscar Wilde dirigida por Albert Lewin, em que contracenou pela primeira e única vez com sua mãe. Outros filmes que estrelou no período foram “A Mocidade é Assim Mesmo” (1944) com a adolescente Elizabeth Taylor, “As Garçonetes de Harvey” (1946) com Judy Garland, e “Ouro no Barro” (1946) com Esther Williams. Relembrando o seu tempo no estúdio, Lansbury disse certa vez que “acabei interpretando alguns dos papéis mais ridículos da MGM.” Nos anos seguintes, a atriz trocou os filmes adolescentes por aventuras, participando de “Os Três Mosqueteiros” (1948), “Sansão e Dalila” (1949) e “Motim Sangrento” (1952), que marcou sua estreia como protagonista feminina. Depois de viver uma princesa na comédia “O Bobo da Corte” (1955), ela deu uma guinada dramática, vivendo a femme fatale do noir “Mata-me por Favor” (1956), e integrando os dramas “O Mercador de Almas” (1958) e “Sombras no Fim da Escada” (1960). Mas também fez a comédia musical “Feitiço Havaiano” (1961), estrelada por Elvis Presley, entre muitos outras produções. Sua terceira indicação ao Oscar veio pelo papel da mãe manipuladora de Laurence Harvey em “Sob o Domínio do Mal” (1962), thriller de conspiração dirigido por John Frankenheimer. Paralelamente ao cinema, Lansbury também construiu uma carreira sólida no teatro, estrelando peças como “Hotel Paradiso” (1957), que marcou a sua estreia nos palcos, o musical “Anyone Can Whistle” (1964), produzido por Stephen Sondheim, e “Mame” (1966), que lhe rendeu sua primeira indicação ao prêmio Tony. Depois disso, ela foi premiada por sua atuação nas peças “Dear World” (1969), “Gypsy” (1974), “Sweeney Todd” (1979) e “Blithe Spirit” (2009). Em junho passado, ela ainda recebeu um Tony honorário pela sua contribuição para o teatro. Como se estivesse se preparando para o seu grande papel na TV, Lansbury estrelou duas adaptações da obra de Agatha Christie: o primeiro “Morte Sobre o Nilo” (1978) e “A Maldição do Espelho” (1980). Neste último, viveu a detetive Miss Marple, um protótipo da Jessica Fletcher de “Assassinato por Escrito”. O mais interessante é que, com uma carreira consolidada no cinema e no teatro, Lansbury não tinha o menor interesse em estrelar uma série de TV. “Eu não poderia imaginar que algum dia iria querer fazer televisão”, disse Lansbury em uma entrevista de 1985 ao The New York Times. “Mas o ano de 1983 chegou e não tive papéis na Broadway, então eu participei de uma minissérie, como Gertrude Whitney em ‘Glória Feita de Ódio’. E vi que então [havia] uma série de papéis em minisséries, e comecei a sentir que o público da televisão era muito receptivo, e decidi que deveria parar de flertar ou fechar a porta para TV, dizendo aos meus agentes: ‘Estou pronta para pensar em séries.’” E foi assim que Lansbury aceitou o convite para estrelar “Assassinato por Escrito”, interpretando Jessica Fletcher, uma professora de literatura aposentada, escritora de mistério e detetive amadora que soluciona casos reais e ainda encontra tempo para escrever seus livros. “O que me atraiu em Jessica Fletcher é que eu poderia fazer o que faço de melhor e [interpretar alguém que tive] pouca chance de interpretar – uma mulher sincera e pé no chão”, disse ela. “Em sua maioria, eu interpretei cadelas muito espetaculares. Jessica tem extrema sinceridade, compaixão, intuição extraordinária. Eu não sou como ela. Minha imaginação corre solta. Não sou pragmática. Jéssica é.” A série foi um sucesso enorme, que durou 12 temporadas exibidas entre 1984 e 1996, além de ter continuado em quatro telefilmes até 2003. Durante esse tempo, a personagem fictícia Fletcher resolveu cerca de 300 assassinatos e escreveu mais de 30 livros. Outros trabalhos de destaque de Lansbury foram seus trabalhos para o público infantil, como “Se Minha Cama Voasse” (1971) e as animações “A Bela e a Fera” (1991) e “Anastasia” (1997). Nos últimos anos, ela também apareceu em “Os Pinguins do Papai” (2011), “O Retorno de Mary Poppins” (2018) e “A Magia de Acreditar” (2018), seu último crédito como atriz. Angela Lansbury se casou pela primeira vez em 1944, com o ator Richard Cromwell (“Glórias Roubadas”), mas o casamento deles durou menos de um ano e depois ela descobriu que ele era gay. Em 1949, Lansbury voltou a se casar, desta vez com o produtor Peter Shaw. Os dois ficaram juntos até a morte dele em 2003 e tiveram dois filhos, Anthony e Deirdre.












