Jerry Lewis (1926 – 2017)
Morreu Jerry Lewis, “O Rei da Comédia”, como lhe intitulou um filme de Martin Scorsese. Ele faleceu no domingo (20/8) em sua casa em Las Vegas, aos 91 anos, de uma doença cardíaca. Ator, roteirista, produtor e diretor, Lewis foi considerado um gênio ainda nos anos 1960 pela crítica francesa, e, como se sabe, os americanos transformaram esse reconhecimento numa piada sobre o gosto dos franceses, relutando em reconhecer sua importância na história do cinema. Entretanto, Jerry Lewis foi importantíssimo. Não apenas por estrelar inúmeros clássicos da comédia, mas por suas inovações, tanto diante das câmeras, com um humor físico levado a limites nunca antes testados, como também atrás delas. Sua contribuição para a direção de cinema é inestimável. Foi ele quem introduziu o uso do monitor de filmagens no estúdio, no qual podia verificar instantaneamente cenas recém-rodadas. Até então, os diretores só viam o resultado de seus trabalhos durante o processo de montagem, na pós-produção. Mas Lewis improvisava o tempo inteiro e queria verificar se o take tinha funcionado na hora da filmagem. Todos os outros diretores o copiaram. Filho de músicos profissionais, Lewis nasceu Joseph Levitch em 16 de março de 1926, em Newark, Nova Jersey, e fez sua estreia aos cinco anos em um hotel de Nova York, cantando “Brother, Can You Spare a Dime?”. Ele abandonou os estudos no ensino médio para seguir sua paixão pelo palco, fazendo shows em que imitava cantores populares, nos mesmos lugares em que também trabalhava como garçom. Aos 20 anos, em julho de 1946, enquanto atuava no 500 Club em Atlantic City, um dos artistas com quem trabalhava desistiu abruptamente e ele precisou encontrar um novo parceiro para dividir o show. Acabou se juntando a Dean Martin, e as apresentações da dupla se tornaram uma sensação. Os salários, que eram de US$ 250 por semana, dispararam para US$ 5 mil e eles foram parar na Broadway, com espetáculos tão disputados que causavam congestionamento na Times Square, em Nova York. O contraste de personalidades entre o introvertido Lewis e o sedutor Martin chamou atenção do produtor de cinema Hal Wallis, que os contratou para o casting da Paramount. Em seu primeiro filme, “Amiga da Onça” (1949), eles apareceram apenas como coadjuvantes, mas roubaram as cenas. E após a continuação, “Minha Amiga Maluca” (1950), não houve mais como conter o protagonismo da dupla. A partir de “O Palhaço do Batalhão” (1950), Martin e Lewis emendaram uma produção atrás da outra, estrelando nada menos que 14 filmes em seis anos, até o final da parceria em “Ou Vai ou Racha” (1956). O cantor começou a achar ruim o fato de ser menos reconhecido que o parceiro e desfez a dupla. Eles só voltaram a se encontrar 20 anos depois, num evento beneficente, quando Frank Sinatra surpreendeu o anfitrião Lewis trazendo o ex-amigo ao Teleton de 1976. Lewis era mesmo o astro da dupla, pois imediatamente renegociou com a Paramount, recebendo US$ 10 milhões para fazer mais 14 filmes durante um período de sete anos – negócio jamais visto em Hollywood. E esse período marcou o auge de sua criatividade. Sem ter que dividir os holofotes ou incluir uma pausa obrigatória para as músicas de Martin, Lewis deu vazão à sua influência do cinema mudo, tornando sua persona cinematográfica ainda mais maníaca, com contorcionismos e caretas que marcaram época. Seu primeiro filme como protagonista solo foi “O Delinquente Delicado” (1957), e a lista inicial inclui “Bancando a Ama-Seca” (1958), em que ele aceita cuidar de trigêmeos de uma antiga paixão. O sucesso desse filme ampliou seu público infantil. A grande guinada de sua carreira, porém, aconteceu quase por acaso. Em 1960, a Paramount não tinha filme para lançar no Natal e Jerry Lewis propôs rodar uma produção em um mês, desde que também assinasse o roteiro e dirigisse. O estúdio topou e o resultado foi um de seus maiores sucessos, “O Mensageiro Trapalhão”, um filme falado sobre um personagem mudo, grande influência no futuro Mr. Bean. A partir daí, Lewis virou um autor. Além de estrelar, também passou a escrever, dirigir e produzir seus filmes. E sua criatividade fluiu como nunca, rendendo “O Mocinho Encrenqueiro” (1961), com cenas de metalinguagem que o mostravam aprontando num grande estúdio de cinema, e “O Terror das Mulheres” (1961), filmado num único cenário compartimentado para simular, feito sitcom, um prédio de dormitório universitário feminino em que ele trabalhava como zelador. A obra-prima veio em 1963. “O Professor Aloprado” foi disparado o seu filme mais autoral. Atualização da trama gótica de “O Médico e o Monstro”, trazia o comediante como um professor universitário nerd e introvertido, que inventava uma poção para se transformar num cantor sedutor, capaz de encantar as mulheres. Era uma referência escancarada à antiga parceria com Dean Martin. Ao fazer sucesso se revezando em dois papéis, ele decidiu ousar ainda mais e se multiplicar em seus filmes seguintes. Interpretou nada menos que sete personagens, uma família inteira, em “Uma Família Fulera” (1965), e outros cinco em “3 em um Sofá” (1966), no qual contracenou com Janet Leigh (“Psicose”). Lewis ficou tão popular que virou história em quadrinhos e até apareceu na série “Batman” como ele mesmo, numa pequena participação em 1966. Mas os gostos mudaram radicalmente em pouco tempo. A politização cada vez maior da juventude, público alvo das comédias do ator, resultando em queda nas bilheterias de seus filmes seguintes. Houve quem dissesse que a implosão foi culpa dele próprio. Seu ego estaria fora de controle. Para complicar, em 1965 ele se machucou numa filmagem e passou a tomar analgésicos. Acabou se viciando em Percodan. Ele tentou apelar para o que estava em voga. Foi ao espaço (“Um Biruta em Órbita”, de 1966) e até buscou o visual mod de Londres (“Um Golpe das Arábias”, 1968), mas nada colou. Sem conseguir emplacar mais sucessos, em 1972 Lewis escreveu, dirigiu e estrelou o filme mais controverso de sua carreira – e da história do cinema. “The Day the Clown Cried” (“O dia em que o palhaço chorou”, em tradução literal) trazia o ator como um palhaço alemão que, durante a 2ª Guerra Mundial, tem como tarefa divertir as crianças judias a caminho da câmara de gás. Ao ver o resultado, Lewis proibiu seu lançamento. Apenas uma cópia sobreviveu à destruição e, em 2015, foi adquirida pela Biblioteca do Congresso Americano para preservação. A experiência de “The Day the Clown Cried” o deixou em depressão profunda e ele só foi voltar a filmar em 1980, num hiato de uma década em sua carreira. Mas “Um Trapalhão Mandando Brasa” não foi o revival que ele esperava. A frustração com a carreira ajuda a explicar sua incursão dramática, dois anos depois, em “O Rei da Comédia” (1982). No filme de Martin Scorsese, Lewis vive um astro de talk show noturno que é sequestrado por um comediante aspirante, vivido por Robert De Niro. Lewis convenceu Scorsese a modificar o roteiro, incluindo várias referências de sua própria biografia na trama, como reações maldosas de fãs frustrados. Ele também encheu o filme de improvisos, desenvolvendo um humor amargo e autodepreciativo que acabou por influenciar uma nova geração de humoristas – como Garry Shandling, Steve Coogan, Ricky Gervais, Larry David e Jerry Seinfeld. O sucesso e o impacto de “O Rei da Comédia” foram inesperados para Lewis, que finalmente se viu na situação em que sempre se achou merecedor: saudado pela crítica norte-americana. Animado pela repercussão positiva, foi novamente escrever, dirigir e estrelar múltiplos papéis em nova retomada da carreira. Mas as bilheterias de “Cracking Up – As Loucuras de Jerry Lewis” (1983) deixaram claro que o sucesso de “O Rei da Comédia” aconteceu por uma renovação de sua persona. Ao tentar voltar a ser o velho Jerry Lewis, descobriu-se ultrapassado. Não era mais o que o público queria. O ator ainda pareceu como coadjuvante de luxo em alguns filmes e séries, entre eles “Cookie” (1989), “Mr. Saturday Night – A Arte de Fazer Rir” (1992), “Arizona Dream: Um Sonho Americano” (1993) e principalmente “Rir É Viver” (1995), no qual realizou uma de suas melhores interpretações, como um comediante veterano de Las Vegas que acaba roubando a cena do filho que quer seguir seus passos. A saúde do ator deteriorou muito nos anos 1990, o que o levou a se afastar das telas. Por isso, foi uma grande surpresa quando ele realizou um retorno dramático, como protagonista do filme “Max Rose” (2013), uma história sobre o fim da vida. Ele ainda encontrou vontade e força para participar de mais dois filmes, a comédia brasileira “Até que a Sorte nos Separe 2” (2013), na qual retomou seu personagem clássico de “O Mensageiro Trapalhão”, e o thriller “A Sacada” (2016), como o pai de Nicolas Cage, último papel de sua carreira. Mas a importância de Lewis não se restringiu apenas ao cinema. Ele também se notabilizou como apresentador de longa data do Teleton, campanha televisiva beneficente que preconizou eventos similares no mundo inteiro, como o “Criança Esperança” da Globo. Seu programa anual levantou fortunas, ao longo de décadas, para ajudar crianças vítimas de Distrofia Muscular. Ele liderou o Teleton mesmo enfrentou diversos problemas de saúde. Em 1983, passou por uma cirurgia no coração. Em 1992, precisou fazer uma operação após ser diagnosticado com câncer de próstata. Passou por tratamento contra dependência em medicamentos em 2003. E, em 2006, sofreu um ataque cardíaco. Além disso, tratava há anos de fibrose pulmonar, doença crônica nos pulmões. Apesar do corpo tentar desistir, sua mente não dava sinais de cansaço, como lembrou Robert DeNiro. Até o fim da vida, Lewis permaneceu ativo e inigualável. “Mesmo aos 91, ele não perdia o ritmo. Ou a piada”, lembrou o ator no Twitter, ao contar ter visto um show do comediante há poucas semanas. “Jerry Lewis foi um pioneiro da comédia e do cinema. E foi um amigo. Sua falta será sentida.” “Aquele cara não era brinquedo, não! Jerry Lewis era um gênio inegável, uma benção insondável, a comédia absoluta!”, elogiou Jim Carrey, que sempre foi comparado a Lewis em sua carreira. “Eu sou, porque ele era!”
Paulo Silvino (1939 – 2017)
Morreu o comediante Paulo Silvino, que lutava contra um câncer no estômago. Ele faleceu em casa, no Rio, na quinta-feira (17/8), aos 78 anos. Segundo a família, Silvino chegou a ser submetido a uma cirurgia no ano passado, mas o câncer se espalhou e a opção da família foi que ele fizesse o tratamento em casa. Paulo Ricardo Campos Silvino nasceu no Rio de Janeiro em 27 de julho de 1939 e cresceu nas coxias do teatro e nos bastidores da rádio. Isso porque seu pai, o comediante Silvério Silvino Neto, conhecido por realizar paródias de figuras públicas no Brasil dos anos 1940 e 1950, levava o menino para acompanhar seu trabalho. “Eu nasci nisso. Com seis, sete anos de idade, frequentava os teatros de revista nos quais o papai participava. Ele contracenava com pessoas que vieram a ser meus colegas depois, como o Costinha, a Dercy Gonçalves.”, disse o ator em entrevista ao Memória Globo. Ele pisou num palco pela primeira vez aos nove anos de idade, quando se atreveu a soprar as falas para um ator de uma peça que o pai participava. Mas em vez de ator, quase virou roqueiro. Tinha aulas de música com a mãe, a pianista e professora Noêmia Campos Silvino. E chegou a formar uma banda na adolescência, com feras como Eumir Deodato (teclados), Durval Ferreira (guitarra) e Fernando Costa (bateria). Depois de uma passagem pelo rádio, se juntou ao elenco da TV Rio, de onde saiu para a recém-fundada TV Globo em 1966, para apresentar o “Canal 0”, programa humorístico que satirizava a programação das emissoras de TV. Participou de programas clássicos do humorismo da Globo, coo “Balança Mas Não Cai” (1968), “Faça Humor, Não Faça Guerra” (1970), “Satiricom” (1973), “Planeta dos Homens” (1976), “Viva o Gordo” (1981) e “Zorra Total” (1999), criando personagens e bordões que marcaram época, como Severino (que analisa “cara e crachá”) e o mulherengo Alceu. Silvino também desenvolveu prolífica carreira cinematográfica, tanto à frente quanto atrás das câmeras. Ele começou ainda na época das chanchadas, em “Sherlock de Araque” (1957), filme estrelado por Carequinha e Costinha, e acabou se envolvendo em produções de Carlos Imperial, como “O Rei da Pilantragem” (1968) e “Um Edifício Chamado 200” (1973). Entre um filme e outro, teve uma peça que escreveu adaptada para as telas, “Ascensão e Queda de um Paquera” (1970). A experiência o inspirou a virar roteirista, e ele passou a assinar pérolas da pornochanchada, como “Com a Cama na Cabeça” (1972), “Café na Cama” (1973), “Um Varão entre as Mulheres” (1974), “O Padre que Queria Pecar” (1975), “A Mulata que Queria Pecar” (1976), “Os Melhores Momentos da Pornochanchada” (1978) e “Assim Era a Pornochanchada” (1978). Nos últimos anos, com o boom das globochanchadas, voltou a aparecer no cinema, tornando mais engraçadas as comédias “Muita Calma Nessa Hora 2” (2014), “Até que a Sorte nos Separe 3: A Falência Final” (2015) e “Gostosas, Lindas e Sexies” (2017). “Ah, como era grande” o seu talento. “O Paulo Silvino era a pessoa que mais me fazia rir”, disse Jô Soares para o G1. “De todos os meus colegas comediantes, era o que mais me fazia rir. Sempre inventava coisas diferentes. O mais ‘tonto’, o mais irreverente. Uma figura maravilhosa, com uma generosidade fantástica”.
Deadpool 2 retoma filmagens 48 horas após morte de dublê
A produção de “Deadpool 2” foi retomada na manhã de quarta (16/8), menos de 48 horas após o acidente fatal com a dublê Joi “SJ” Harris. Um aviso publicado pela produção informou que as filmagens continuariam do ponto em que foram interrompidas, no mesmo local em que a dublê morreu na segunda-feira. “Devido a circunstâncias imprevistas, ‘Deadpool 2’ não conseguiu completar suas filmagens previstas para 14 e 15 de agosto”, diz o texto, que informa a programação da produção na quarta e quinta-feira na cidade canadense de Vancouver. A cena filmada vai acontecer “após um acidente”, com “destroços” que serão espalhados no local nos dias 16 e 17 de agosto. Motociclista profissional de competições, Harris trabalhava como dublê pela primeira vez. Segundo o Deadline, ela perdeu o controle de sua moto, que acelerou no momento em que devia frear em uma esquina, e colidiu com uma janela de vidro na segunda-feira, morrendo no local. Ela tinha ensaiado a cena durante o dia inteiro no sábado (12/8), mas não estava usando um capacete de proteção. A polícia ainda está investigando as circunstâncias de sua morte.
Dublê que morreu no set de Deadpool 2 participava de seu primeiro filme
A dublê que morreu na segunda-feira (14/8) durante a filmagem de uma cena de “Deadpool 2” foi identificada pela Aliança Canadense de Artistas de Cinema como Joi “SJ” Harris, primeira mulher negra a se tornar profissional de motociclismo de estrada nos Estados Unidos. Segundo o site Deadline, ela participava de sua primeira produção cinematográfica como dublê. Testemunhas do acidente afirmaram que ela vestia a roupa da personagem Domino, interpretada por Zazie Beetz (“Atlanta”) e não usava um capacete no momento. Isto acabou contribuindo para sua morte. Segundo o Deadline, Harris perdeu o controle de sua moto, que acelerou no momento em que devia frear em uma esquina, e colidiu com uma janela de vidro. Uma fonte afirma que ela tinha ensaiado a cena durante o dia inteiro no sábado (12/8). Ryan Reynolds, que interpreta o personagem-título da produção, lamentou a morte em sua conta no Twitter. “Estamos com os corações partidos, chocados e devastados”, escreveu o ator. Em nota oficial, o diretor David Leitch (“Atômica”) afirmou que “não há palavras para descrever como eu e o resto da equipe de ‘Deadpool 2’ nos sentimos com essa tragédia. Nossos pensamentos estão com sua família, amigos e entes queridos neste momento difícil”. A produção encontra-se interrompida. A morte de Harris foi o segundo acidente fatal envolvendo um dublê em pouco mais de um mês. No dia 13 de julho, John Bernecker morreu enquanto participava da gravação de uma cena da série “The Walking Dead”. Além disso, o astro Tom Cruise, que costuma dispensar dublês para filmar cenas de ação, sofreu um acidente no fim de semana, no set de “Missão Impossível 6”. Outros acidentes recentes nos bastidores de produções cinematográficas incluem a mutilação da dublê Olivia Jackson, enquanto filmava “Resident Evil: O Capítulo Final”, e as costelas quebradas de Dylan O’Brien nas filmagens de “Maze Runner: A Cura Mortal”.
Dublê morre durante filmagens de Deadpool 2
Uma dublê morreu nesta segunda-feira (14/8) durante as filmagens de “Deadpool 2” no Canadá. Segundo a polícia da cidade de Vancouver, ela sofreu um acidente enquanto participava de uma cena em uma motocicleta. A identidade da vítima não foi divulgada. Em comunicado oficial, a 20th Century Fox, o estúdio responsável pelo filme, lamentou a morte da dublê. “Nós lamentamos profundamente o acidente que ocorreu no set de ‘Deadpool 2’ esta manhã. Nossos corações e orações estão com os familiares, amigos e colegas da nossa colega de equipe neste momento difícil”. De acordo com o site TMZ, a dublê fazia uma manobra quando a moto se chocou com a porta de vidro do estúdio. Testemunhas ouvidas pela publicação afirmaram que ela não usou os freios. Pelos registros anteriores das filmagens, feitos por paparazzi (foto acima), a dublê estava filmando uma cena da personagem Dominó, vivida por Zazie Beetz na produção. Este é o segundo acidente fatal envolvendo um dublê em pouco mais de um mês. No dia 13 de julho, John Bernecker morreu enquanto participava da gravação de uma cena da série “The Walking Dead”. Além disso, o astro Tom Cruise, que costuma dispensar dublês para filmar cenas de ação, sofreu um acidente no fim de semana, no set de “Missão Impossível 6”. Outros acidentes recentes nos bastidores de produções cinematográficas incluem a mutilação da dublê Olivia Jackson, enquanto filmava “Resident Evil: O Capítulo Final”, e as costelas quebradas de Dylan O’Brien nas filmagens de “Maze Runner: A Cura Mortal”.
Diretor revela que fãs se emocionarão com Carrie Fisher em Star Wars: Os Últimos Jedi
A estreia de “Star Wars: Os Últimos Jedi” será marcada pela despedida da atriz Carrie Fisher, em sua última aparição como a Princesa e General Leia. Apesar do filme não ter sido planejado dessa forma, o diretor Rian Johnson revelou que os fãs terão uma reação forte à jornada da personagem na trama. “Não tinha como sabermos que esse seria o último ‘Star Wars’ de que ela participaria, então não é como se tivéssemos feito o filme pensando em dar um ponto final para a personagem. Mas, depois de assistir a montagem final, fica claro que haverá uma reação muito emotiva ao que ela faz neste filme”, disse o cineasta em entrevista à revista Entertainment Weekly. Johnson não deu maiores detalhes, mas diversos integrantes da produção disseram anteriormente que Leia teria maior destaque na sequência do que teve “Star Wars: O Despertar da Força”. E a produtora Kathleen Kennedy, presidente da Lucasfilm, confirmou que seu papel seria ainda maior no “Episódio IX”, ainda sem título final, que infelizmente precisou ser reescrito após a morte da estrela. Em “Os Últimos Jedi”, Leia terá de lidar com o luto pela morte de Han Solo (Harrison Ford) pelas mãos de seu filho, Kylo Ren (Adam Driver), enquanto ainda comanda a Resistência, abalada pela destruição da República. “Ela sofreu muito. Uuma das coisas que conversei com Carrie antes de começar a escrever, enquanto tentava descobrir qual seria a participação dela neste filme, foi: para onde a personagem iria?”, contou Johnson, que também é roteirista da produção. Um dos caminhos da personagem será um relacionamento maternal com Poe Dameron (Oscar Isaac), que ganhará mais importância dentro da Resistência. “Poe é, de certa forma, um filho adotivo para Leia”, confirmou Oscar Isaac na mesma entrevista. “Mas também acho que ela vê nele o potencial para se tornar um grande líder da Resistência e ir além”. O ator, por sinal, guarda boas lembranças da convivência com Fisher no set da produção. “Uma das minhas coisas preferidas que aconteciam de vez em quando no set era quando Carrie cantava músicas antigas. Sempre que isso acontecia, eu oferecia a minha mão a ela e nós dançávamos valsa pelo set – em uma nave, na base rebelde, em um planeta estranho, ela cantava e nós dançávamos. Tão surreal e lindo pensar nisso agora. Com todo o seu humor delicioso e travesso e aquela energia explosiva, ela também tinha tanta graça. Eu sinto muita falta dela”. “Star Wars: Os Últimos Jedi” estreia em 14 de dezembro no Brasil.
Haruo Nakajima (1929 – 2017)
Morreu Haruo Nakajima, que ficou conhecido por “vestir” a fantasia de Godzilla no filme original e nas continuações das produções sobre o monstro japonês. Ele tinha 88 anos de idade. Nakajima começou a carreira como figurante de filmes do mestre Akira Kurosawa. Chegou, inclusive, a trabalhar nos clássicos “Cão Danado” (1949) e “Os Sete Samurais” (1954), antes de virar o rei dos monstros. O ator protagonizou 12 filmes usando a vestimenta de Godzilla, começando pelo clássico de 1954 dirigido por Ishirô Honda, no qual também pôde ser visto sem a fantasia, numa pequena participação como atendente de posto de gasolina. Após 24 anos destruindo Tóquio para o estúdio Toho, ele se despediu do personagem em “Godzilla vs. Gigan”, de 1972. Mas não foi muito longe. Após pendurar a fantasia, Nakajima seguiu trabalhando em uma pista de boliche localizada no próprio estúdio. A produção do remake americano dos anos 1990 trouxe notoriedade internacional para Nakajima, que passou a ser convidado para participar de convenções e eventos de cultura pop. Nos últimos anos, era constantemente entrevistado para documentários sobre a arte dos Kaiju, os filmes de monstros gigantes japoneses. E, em 2010, ele lançou sua autobiografia, intitulada “Monster Life: Haruo Nakajima, the Original Godzilla Actor”.
John Boyega diz que Star Wars: Os Últimos Jedi se despede da Princesa Leia “de um jeito fantástico”
O ator John Boyega, que vive o protagonista Finn em “Star Wars: O Despertar da Força” (2015), revelou mais detalhes sobre a participação de Carrie Fisher, intérprete da Princesa e General Leia, no próximo filme da franquia. A atriz morreu em 27 de dezembro, aos 60 anos, após filmar sua parte em “Star Wars: Os Últimos Jedi”. “Esse filme se despede dela [Carrie Fisher] de um jeito fantástico. Ela continuará viva na franquia. Aliás, ela vai viver para sempre, de algum modo”, disse Boyega, insinuando que a trama resolverá todas as pendências em relação ao arco de Leia na saga espacial. Uma reportagem de capa da revista Variety sobre “Star Wars” revelou que Carrie Fisher teria papel central na trama de “Star Wars: Episódio IX”, aina sem título oficial, mas sua morte fez com que os planos para a história fossem revistos. Recentemente, o roteirista britânico Jack Thorne (“Extraordinário”) se juntou ao time de roteiristas do último filme da nova trilogia. A primeira versão da história foi escrita pelo diretor do filme, Colin Trevorrow (“Jurassic World”), e seu parceiro, Derek Connolly (“Kong: A Ilha da Caveira”). As filmagens devem começar em janeiro de 2018, um mês após a estreia de “Star Wars: Os Últimos Jedi”, marcada para 14 de dezembro no Brasil.
Robert Hardy (1925 – 2017)
O ator inglês Robert Hardy, que interpretou o ministro da Magia Cornelius Fudge na franquia “Harry Potter”, morreu aos 91 anos. A morte foi confirmada pela família do ator em um comunicado e a causa não foi revelada. Hardy atuou por mais de 60 anos no teatro, na televisão e em filmes. Ele iniciou a carreira estrelando a série “David Copperfield” (1956) no papel-título do órfão que descobre a vida adulta. Mas o personagem que mais desempenhou na carreira foi o ex-Primeiro Ministro britânico Winston Churchill. Ele chegou a vencer o BAFTA pelo papel, ao estrelar a série britânica “Winston Churchill: The Wilderness Years” em 1981. Depois, repetiu a performance no filme “The Woman He Loved” (1988), na série “War and Remembrance” (1988), no telefilme “Bomber Harris” (1989), num episódio de “Agatha Christie’s Marple” (2006) e no telefilme “Churchill: 100 Days That Saved Britain” (2015), seu último trabalho. O ator nunca filmou em Hollywood, mas deixou sua marca em grandes sucessos do cinema britânico, do clássico de espionagem “O Espião que Veio do Frio” (1965) até a própria franquia “Harry Potter”, da qual participou de quatro filmes – de “Harry Potter e e a Câmara Secreta” (2002) a “Harry Potter e a Ordem da Fênix” (2007). Também chegou a contracenar com John Lennon na sátira “Como Eu Ganhei a Guerra” (1967) e estrelou alguns filmes cultuados do terror britânico, como “Espetáculo de Sangue” (1967), “O Estrangulador de Rillington Place” (1971) e “Herança Maldita” (1973), mas a maior parte de sua carreira foi voltada à TV. Mesmo assim, integrou o elenco grandioso do drama “Razão e Sensibilidade” (1993), ao lado de Kate Winslet, Emma Thompson e Hugh Grant, filme que venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.
Sam Shepard (1943 – 2017)
O ator, roteirista e dramaturgo Sam Shepard morreu na última quinta-feira (26/7), aos 73 anos, em sua casa no estado americano de Kentucky. Ele foi vítima de complicações da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), e estava cercado pela família no momento da morte, segundo anunciou um porta-voz na segunda-feira (31/7). Vencedor do Pulitzer por seu trabalho teatral – pela peça “Buried Child” (1979) – e indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Os Eleitos” (1983), Samuel Shepard Rogers III nasceu em 1943, no estado de Illinois, filho de pai militar. Antes de ficar conhecido em Hollywood, ele tocou bateria na banda The Holy Modal Rounders (que está na trilha de “Sem Destino/Easy Rider”), e decidiu escrever peças num momento em que buscava trabalhos como ator em Nova York. Em 1971, escreveu a peça “Cowboy Mouth” com a então namorada Patti Smith, que marcou sua traumática estreia nos palcos. Já no início das apresentações, Shepard ficou tão perturbado por se apresentar diante do público que abandonou o palco e, sem dar nenhuma explicação, foi embora da cidade. Ele decidiu se concentrar em escrever. Acabou assinando até roteiros de cinema, como o clássico hippie “Zabriskie Point” (1970), de Michelangelo Antonioni, e a adaptação da controvertida peça “Oh! Calcutta!” (1972). Também escreveu, em parceria com Bob Dylan, “Renaldo and Clara” (1978), único longa de ficção dirigido por Dylan. O filme marcou a estreia de Shepard diante das câmeras, numa pequena figuração. Sentindo menos pânico para atuar em estúdio, enveredou de vez pela carreira de ator, trabalhando a seguir no clássico “Cinzas do Paraíso” (1978), de Terrence Malick, como o fazendeiro que emprega Richard Gere e Brooke Adams. Fez outros filmes até cruzar com Jessica Lange em “Frances” (1982). A cinebiografia trágica da atriz Frances Farmer iniciou uma longa história de amor nos bastidores entre os dois atores, que só foi encerrada em 2009. Na época, ele já era casado e o divórcio só aconteceu depois do affair. Shepard finalmente se destacou em “Os Eleitos”, o grandioso drama de Philip Kaufman sobre os primeiros astronautas americanos, no qual viveu Chuck Yeager, que quebrou a barreira do som e sucessivos recordes como o piloto mais veloz do mundo. Sua história corria em paralelo à conquista do espaço, mas chegava a ofuscar a trama central, a ponto de lhe render indicação ao Oscar – perdeu a disputa para Jack Nicholson, por “Laços de Ternura” (1983). Fez seu segundo filme com Lange, “Minha Terra, Minha Vida” (1984), enquanto escrevia o fabuloso roteiro de “Paris, Texas” (1985), dirigido por Wim Wenders, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Paralelamente, ainda alinhavou a adaptação de sua peça “Louco de Amor” (1986). Dirigido por Robert Altman, “Louco de Amor” foi o filme que consagrou Shepard como protagonista, na pele do personagem-título, apaixonado por Kim Basinger a ponto de largar tudo para encontrá-la num motel de beira de estrada e convencê-la a dar mais uma chance ao amor. O ator e roteirista resolveu também virar diretor, e foi para trás das câmeras em “A Casa de Kate é um Caso” (1988), comandando sua mulher, Jessica Lange, num enredo sobre uma família que passou anos separada até finalmente decidir acertar as contas. O filme não teve a menor repercussão e Shepard só dirigiu mais um longa, o western “O Espírito do Silêncio” (1993), que nem sequer conseguiu lançamento comercial. Por outro lado, entre estes trabalhos ele se tornou um ator requisitado para produções de temática feminina, como “Crimes do Coração” (1986) e “Flores de Aço” (1989), que giravam em torno de vários mulheres e seus problemas, e de histórias de amor, como “O Viajante” (1991), “Unidos pelo Destino” (1994) e “Amores e Desencontros” (1997). Como contraponto a essa sensibilidade, também fez thrillers de ação em que precisou mostrar-se frio e calculista, como “Sem Defesa” (1991), de Martin Campbell, “Coração de Trovão” (1992), de Michael Apted, e “O Dossiê Pelicano” (1993), de Alan J. Pakula. Ele conseguiu o equilíbrio e se manteve requisitado, aparecendo em alguns dos filmes mais famosos do começo do século, como o thriller de guerra “Falcão Negro em Perigo” (2001), de Ridley Scott, e “Diário de uma Paixão” (2004), de Nick Cassavetes. Em 2005, estrelou seu último filme com Lange, “Estrela Solitária”, dirigido por Wim Wenders, como um astro de filmes de cowboy que abandona uma filmagem e tenta se reconectar com a família, apenas para descobrir que tem um filho que não conhece. Dois anos depois, fez um de seus melhores trabalhos como ator, “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (2007), de Andrew Dominik, no papel de Frank James, o irmão mais velho de Jesse, interpretado por Brad Pitt. Ele voltou a trabalhar com o diretor e com Pitt em “O Homem da Máfia” (2012). Entre seus últimos trabalhos ainda se destacam o suspense político “Jogo de Poder” (2010), de Doug Liman, o thriller de ação “Protegendo o Inimigo” (2012), de Daniel Espinosa, e os dramas criminais “Amor Bandido” (2012), de Jeff Nichols, “Tudo por Justiça” (2013), de Scott Cooper, e “Julho Sangrento” (2014), de Jim Mickle. Em alta demanda, Shepard permaneceu requisitado e desempenhando bons papéis até o fim da vida. Só no ano passado estrelou três filmes (“Ithaca”, “Destino Especial” e “Batalha Incerta”). Mas depois de tanto viver namorado e amante, no fim da carreira especializou-se em encarnar o pai de família. Eles fez vários filmes recentes nesta função, como “Entre Irmãos” (2009), de Jim Sheridan, como o pai de Jake Gyllenhaal e Tobey Maguire, e “Álbum de Família” (2013), de John Wells, cuja morte volta a reunir a família disfuncional, formada por Julia Roberts, Meryl Streep e muitos astros famosos. A sua última e marcante aparição foi na série “Bloodline”, da Netflix, como o patriarca da família Rayburn, sobre a qual girava a trama de suspense. A atração completou sua trama na 3ª temporada, lançada em maio deste ano. Sam Shepard deixa três filhos — Jesse, Hannah e Walker.
Jeanne Moreau (1928 – 2017)
Morreu a atriz Jeanne Moreau, ícone da nouvelle vague e uma das maiores intérpretes do cinema francês em todos os tempos. Ela tinha 89 anos e foi encontrada morta em sua casa em Paris, na manhã desta segunda-feira (31/7). Mais que estrela francesa, ela foi um mito mundial, tendo estrelado mais de 130 filmes, inclusive no Brasil, para alguns dos maiores cineastas que já existiram. A impressionante relação de diretores que a endeusaram inclui François Truffaut, Elia Kazan, Michelangelo Antonioni, Luis Bunuel, Rainer Werner Fassbinder, Louis Malle, Joseph Losey, Wim Wenders, Theodoros Angelopoulos, Manoel de Oliveira e Orson Welles, que a descreveu como “a melhor atriz do mundo”. “Se foi uma parte da lenda do cinema”, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron em um comunicado, no qual descreve Moreau como uma mulher “livre, rebelde e a serviço das causas nas quais acreditava”. Jeanne Moreau nasceu em 23 de janeiro de 1928, em Paris, filha de uma pai restaurador e uma mãe dançarina inglesa. O pai conservador foi responsável por seu feminismo latente. Em entrevista, ela o descreveu como “um homem criado por pais do século 19”, que não suportava o fato de não poder controlar sua mulher. “Isso me marcou pela raiva de ver como uma mulher poderia deixar-se intimidar”, disse, ao descrever a relação de seus pais e a motivação para viver personagens libertárias. Aos 19 anos, após o Conservatório, fez sua estreia no teatro. Mais especificamente na Comédie-Française que, para ela, representava “disciplina, rigor”. A estreia no cinema veio dois anos depois, em 1949, como coadjuvante em “Dernier Amour” (1949), um melodrama de Jean Stelli. As câmeras se apaixonaram pela atriz, que em pouco tempo saiu do elenco de apoio para os papéis principais. Em “Os Amores de uma Rainha” (1954) já viveu a personagem-título, a trágica Rainha Margot, e passou a reinar no cinema. Encarnou a persona de sedutora sensual em “Segredos de Alcova” (1954) e virou uma femme fatale, com “Alma Satânica (As Lobas)” (1957) e “Perversidade Satânica” (1958), estereótipos que acompanharam sua carreira, indissociáveis de sua beleza. Ela já era uma estrela em ascensão quando foi filmada por Louis Malle em “Ascensor para o Cadafalso” (1958), seu primeiro trabalho para um cineasta da nouvelle vague. Foi também sua estreia como cantora no cinema, gravando a voz numa trilha composta e interpretada por Miles Davis, mais elogiada que o próprio filme. Um ano depois, Moreau retomou a parceria com Malle em “Amantes” (1959), que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza. Filme “escandaloso” na época, mostrava a atriz tendo um caso com um estranho na mansão do próprio marido. Este enredo foi considerado “obsceno” em muitos países, inclusive nos Estados Unidos, e marcou Moreau como uma atriz “corajosa”. Após um papel em “Os Incompreendidos” (1959), filme de estreia de François Truffaut, ela voltou a encarnar uma sedutora fatal em “Ligações Amorosas” (1959), a versão de Roger Vadim para o romance “Ligações Perigosas”, de Choderlos de Laclos, no qual viveu a manipuladora Juliette de Merteuil. Já considerada estrela, quis conhecer a escritora Marguerite Duras. “Uma vez que me tornei uma estrela, poderia impor o tema, o diretor, o ator, então disse a mim mesma: vou conhecer esta mulher. Escrevi para ela, ela me recebeu”, contou. Moreau estrelou a adaptação de “Duas Almas em Suplício” (1960), roteirizada pela própria escritora, e venceu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. As duas ficaram amigas e voltariam a trabalhar juntas outras vezes, inclusive na estreia de Duras como diretora, “Nathalie Granger” (1972). Ao final, a atriz até interpretou Duras em “Cet Amour-là” (2001). Sua fama ficou ainda maior ao cruzar fronteiras com o clássico italiano “A Noite” (1961), em que foi dirigida por Michelangelo Antonioni e contracenou com Marcello Mastroianni. Um dos filmes mais influentes de sua época, tornou-se famoso pela atmosfera, ao retratar uma noite na vida de um casal entediado com a própria relação e com la dolce vitta. Mas não foi seu principal papel. Este viria no reencontro com Truffaut, “Jules e Jim – Uma Mulher para Dois” (1962). O filme foi um turbilhão – e incluía uma canção chamada “Le Torubillon” – ao pregar o amor livre no começo dos anos 1960 e sintetizar o júbilo da juventude numa corrida em direção à câmera, que era uma corrida contra o próprio tempo. Filmes de Godard já tinha estabelecido uma nova estética, mas foi “Jules e Jim” que estabeleceu o novo discurso. A nouvelle vague virava com ele o cinema mais jovem e libertário do mundo, conforme Jean Moreau corria sem amarras para inspirar gerações. Não mais uma garota sexy, mas uma mulher moderna. E os grandes cineastas vieram correndo atrás dela. Joseph Losey a filmou em “Eva” (1962), Orson Welles em “O Processo” (1962), Jacques Demy em “A Baía dos Anjos” (1963), até seu antigo parceiro Louis Malle no espetacular “Trinta Anos Esta Noite” (1963), Luis Bunuel em “O Diário de uma Camareira” (1964), John Frankenheimer em “O Trem” (1964). Louis Malle conseguiu realizar o que muitos invejaram ao juntar Moreau com Brigitte Bardot na comédia western “Viva Maria!” (1965) e ela foi parar na capa da revista americana Time – além de vencer o BAFTA (o Oscar inglês). O sucesso só aumentou seu status, mas ela recusou propostas comerciais para continuar suas parcerias com mestres do cinema, boa parte deles renegados pela própria Hollywood, como Orson Welles, que revisitou em “Falstaff – O Toque da Meia Noite” (1965), “História Imortal” (1968) e “The Deep” (1970). Também filmou mais dois textos de Margarite Duras com o diretor inglês Tony Richardson, “Chamas de Verão” (1966) e “O Marinheiro de Gibraltar” (1967). E voltou a trabalhar com Truffaut em outro filme emblemático, “A Noiva Estava de Preto” (1968), que retomou sua aura noir, de atriz noturna, sombria, antes de virar do avesso as aparências e se tornar tropical. Em 1973, Jean Moreau virou a “Joanna Francesa” do título do filme de Cacá Diegues. No longa brasileiro, ela abandonava o marido – ninguém menos que o estilista Pierre Cardin – para se aventurar com sexo nacional e MPB. Até gravou a música “Joana Francesa”, composta por Chico Buarque. Voltou a experimentar o amor a três e a chocar “valores burgueses” em “Corações Loucos” (1974), de Bertrand Blier, antes de se lançar como diretora. Incentivada por Orson Welles, estreou atrás das câmeras com “No Coração, a Chama” (1976), bisou a experiência com “A Adolescente” (1979) e a encerrou com um documentário sobre sua musa inspiradora, a estrela do cinema mudo Lillian Gish (“Órfãs da Tempestade”) em 1983. Apesar de prestigiada nos Estados Unidos, ela só foi filmar uma superprodução de Hollywood em 1976, “O Último Magnata”, adaptação da obra de F. Scott Fitzgerald em que contracenou com Robert De Niro e foi dirigida por Elia Kazan. Curiosamente, no mesmo ano também estrelou “Cidadão Klein” (1976) para o outsider Joseph Losey, americano que fez carreira no exterior e a dirigiu três vezes – a última em “La Truite (1982). Sua fama de “corajosa” a levou a “Querelle” em 1982, adaptação de Jean Genet com direção de Rainer Werner Fassbinder que virou um marco do cinema gay, pela forma crua como retratou relações sexuais entre homens. Exibido no Festival de Veneza, o filme polarizou opiniões, a ponto do Presidente do Júri, o veterano cineasta Marcel Carné, divulgar um manifesto durante a premiação, lamentando a decisão dos colegas de não premiarem a obra. “Ame ou odeie, um dia o filme de Fassbinder vai encontrar o seu lugar na história do cinema.” Na época, porém, a repercussão foi brutal. E até Moreau, acostumada com escândalos, preferiu uma saída estratégica para a televisão francesa. Só foi voltar ao cinema cinco anos depois, numa comédia leve, “Ladrão de Milagres” (1987). Em 1990, participou de “Nikita – Criada Para Matar”, thriller de ação dirigido por Luc Besson, que se tornou uma das maiores bilheterias internacionais do cinema francês. E assim voltou ao mundo. Seu itinerário cinematográfico a levou literalmente “Até o Fim do Mundo” (1991), com o alemão Win Wenders, obra seguida por “O Passo Suspenso da Cegonha” (1991), do grego Theodoros Angelopoulos, “O Mapa do Coração” (1992), do neozelandês Vincent Ward, “O Amante” (1992), do francês Jean-Jacques Annaud, “As Cento e Uma Noites” (1995) da belga Agnes Varda, “Além das Nuvens” (1995), parceria de Antonioni e Wenders, até conduzi-la de volta a Hollywood, com o romance “Bem-Me-Quer, Mal-Me-Quer” (1996), que juntava o casal Jude Law e Claire Danes, e o sucesso “Para Sempre Cinderela” (1998), com Drew Barrymore. No mesmo ano, ela recebeu das mãos de Sharon Stone um Oscar honorário por toda a sua carreira. A homenagem da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos foi apenas uma dentre as inúmeras honrarias que a estrela recebeu nos últimos anos por sua vasta filmografia. A lista inclui um Leão de Ouro em 1992, um Urso de Ouro em 2000, uma Palma de Ouro em 2003 e um “Super César” (o Oscar francês) em 2008, em celebração aos 60 anos de sua carreira. Ela também foi a única atriz convidada a presidir duas vezes o júri do Festival de Cannes (em 1975 e 1995). E mesmo com tantas homenagens ao seu passado, nem cogitava a aposentadoria. Seu último grande filme francês foi “O Tempo que Resta” (2005), de François Ozon, mas isto porque cineastas de todo o mundo disputavam filmá-la. O israelense Amos Gitai fez nada menos que quatro filmes com ela: “Aproximação” (2007), “Mais Tarde, Você Vai Entender” (2008), “Carmel” (2009) e “A Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas” (2009). Mas Moreau também filmou com o bósnio Ahmed Imamović (“Go West”), o estoniano Ilmar Raag (“Uma Dama em Paris”), o malaio Tsai Ming-liang (“Face”) e o português Manoel de Oliveira em seu último longa-metragem, “O Gebo e a Sombra” (2012). Em 2013, ela estrelou uma série francesa que era uma verdadeira homenagem a seu talento, “Le Tourbillon de Jeanne”, que contou com a participação de grandes astros do cinema francês. “Mas não sou o tipo de pessoa que pensa ‘Oh meu Deus, não era maravilhoso quando eu tinha 25 anos?'”, ela afirmou, em entrevista ao jornal New York Times em 2000, quando se tornou a primeira mulher eleita para integrar a Academia de Belas Artes francesa. Foi nesta ocasião, como notou o jornal americano, que ela se tornou “oficialmente” imortal. Mesmo que já fosse considerada mitológica há muitos e muitos anos.
John Heard (1945 – 2017)
O ator americano John Heard foi encontrado morto em um quarto de hotel na cidade de Palo Alto, na Califórnia, aos 72 anos. Segundo autoridades locais, Heard estava hospedado para se recuperar de uma cirurgia de coluna feita recentemente. A causa da morte ainda não foi confirmada. Nascido em Washington, capital dos EUA, em 1945, Heard iniciou sua carreira em espetáculos off-Broadway, em Nova York. Sua estreia no cinema ocorreu em 1977, na comédia “Between the lines”, de Joan Micklin Silver. Na década seguinte, começou a se destacar no papel do escritor Jack Kerouac em “Os Beatniks” (1980) e ao estrelar o cultuado remake do terror “A Marca da Pantera” (1982), ao lado de Nastassja Kinski e Malcolm McDowell. Ele virou protagonista com outro terror, “C.H.U.D. – A Cidade das Sombras” (1984), co-estrelado por Daniel Stern, com quem voltaria a trabalhar na franquia “Esqueceram de Mim”. Com a carreira em ascensão, apareceu em “Depois das Horas” (1985), de Martin Scorsese, “Rebelião em Milagro” (1988), ao lado de Sonia Braga e com direção de Robert Redford, “Atraiçoados” (1988), de Costa-Gavras, “Quero Ser Grande” (1988), com Tom Hanks, e “Tempo de Despertar” (1990), ambos de Penny Marshall. Mas seu principal sucesso só veio nos anos 1990, e como coadjuvante, no papel do pai de Macaulay Culkin nos dois primeiros filmes da franquia “Esqueceram de Mim”, de 1990 e 1992. Nos anos seguintes, manteve-se ocupado com thrillers como “Na Linha de Fogo” (1993), estrelado por Clint Eastwood, “O Dossiê Pelicano” (1993), com Julia Roberts e Denzel Washignton, e “Olhos de Serpente” (1998), com Nicolas Cage, mas também produções indies, como “Berço Silencioso” (1997), no qual contracenou com sua ex-esposa Margot Kidder (a Lois Lane, de “Superman – O Filme”) e “Pollock” (2000), estrelado e dirigido por Ed Harris. Entre seus filmes mais recentes estão a comédia “As Branquelas” (2004), o thriller de ação “Anjos da Vida – Mais Bravos que o Mar” (2006), com Kevin Costner, e o drama criminal “Aposta Máxima” (2013), com Ben Affleck. Nos últimos anos, Heard vinha se dedicando mais à TV. Ele fez aparições em séries como “Família Soprano”, “Lei e Ordem”, “CSI: Miami”, “Prison Break”, “Southland”, “NCIS: Los Angeles”, “Modern Family”, “Person of Interest”, “Elementary”, “Outsiders” e o remake de “MacGyver.
The Walking Dead volta a ser gravada e detalhes da morte do dublê são revelados
O canal pago AMC informou que as gravações da 8ª temporada de “The Walking Dead” foram reiniciadas, uma semana após o acidente fatal com um dublê que trabalhava na produção. John Bernecker sofreu uma queda de vários metros no set e veio a falecer na quarta-feira (12/7) em um hospital de Atlanta. Com a retomada das gravações, novos detalhes do acidente foram revelados. O dublê veterano estava fazendo uma cena de luta com o ator Austin Amelio, intérprete de Dwight, em uma varanda, quando caiu de uma altura de quase dez metros diretamente no chão de concreto. Havia uma almofada de segurança sob a varanda, mas o ator caiu ao lado dela, mergulhando de cabeça. O Sindicato dos Atores dos Estados Unidos (SAG-AFTRA) informou que vai investigar as causas do acidente. No Facebook, antes da confirmação da morte de Bernecker, a namorada do dublê considerou o acidente “injusto”.











