Marianne Ebert (1968 – 2020)
A atriz Marianne Ebert morreu na terça (24/3), aos 51 anos, no Rio de Janeiro. O falecimento foi anunciado pelo amigo Miguel Falabella, que contou nas redes sociais que Marianne lutava há anos contra o câncer. Também coreógrafa e dançarina, Ebert atuou em duas novelas da Globo do começo dos anos 1990: “Barriga de Aluguel” (1990), em que viveu Drica, e “Sonho Meu” (1993), onde interpretou Irene. Ambas foram ao ar na faixa das 18h. Depois destes primeiros papéis, ela abandonou a carreira no Brasil, vivendo por 25 anos em Nova York, onde chegou a participar de algumas produções americanas, como figurante nos filmes ““Guerra dos Mundos” (2005), de Steven Spielberg, e “Confusões em Família” (2009), de Raymond De Felitta, além da série “Lei & Ordem: Crimes Premeditados”. Ela voltou ao Brasil para viver com a família, após ser diagnosticada com câncer de mama, que acabou se espalhando para ossos, fígado, pleura e, mais tarde, cérebro. Em 2014, participou de seu último filme, a comédia “Vestido pra Casar” (2014), estrelada por Leandro Hassum. “Querida Marianne, você foi uma guerreira e a vida não lhe deu tréguas. Anos e anos de luta contra essa maldita doença que lhe transtornou a vida, a carreira e acabou lhe vitimando”, lamentou Falabella. “Há entretanto um momento feliz e é sobre ele que eu jogo um foco de luz nesse momento de angústia: você vivendo a Sereiazinha, no palco do teatro Clara Nunes. Nós vivíamos cheios de sonhos naquela época. Que você possa descansar em paz”, completou. Ver essa foto no Instagram Querida Marianne, você foi uma guerreira e a vida não lhe deu tréguas. Anos e anos de luta contra essa maldita doença que lhe transtornou a vida, a carreira e acabou lhe vitimando. Há entretanto um momento feliz e é sobre ele que eu jogo um foco de luz nesse momento de angústia: você vivendo a Sereiazinha, no palco do teatro Clara Nunes. Nós vivíamos cheios de sonhos naquela época. Que você possa descansar em paz. Amor. Miguel. Marianne Ebert ❤️❤️❤️ Uma publicação compartilhada por miguelfalabellareal (@miguelfalabellareal) em 24 de Mar, 2020 às 10:51 PDT
Albert Uderzo (1927 – 2020)
O desenhista Albert Uderzo, criador de Asterix e Obelix ao lado de René Goscinny morreu nesta terça-feira (24/3), aos 92 anos, de ataque cardíaco. “Albert Uderzo morreu enquanto dormia em sua residência de Neuilly (nas proximidades de Paris) vítima de um ataque cardíaco, sem relação com o coronavírus. Estava muito cansado há várias semanas”, afirmou à AFP seu genro, Bernard de Choisy. Considerado o Walt Disney francês, Albert Uderzo era descendente de italianos e nasceu na pequena cidade de Fismes em 25 de abril de 1927. Quando tinha dois anos, a família se mudou para um subúrbio de Paris. E foi na capital francesa que encontrou seu grande parceiro René Goscinny, filho de um polonês e uma ucraniana, em 1951. Juntos, o desenhista e o roteirista criaram vários personagens icônicos, como o Oumpah-pah, mas nenhum fez tanto sucesso quanto o galês Asterix, herói que virou símbolo da identidade francesa. Uderzo desenhou os primeiros quadrinhos de Asterix em 1959, publicados em capítulos na revista “Pilote”. A primeira história completa, “Asterix, o Gaulês”, foi coletada num álbum em 1961, revelando a premissa que se manteria inalterada desde então. Na trama, Asterix é um baixinho bigodudo morador de um pequena aldeia na Gália, região da antiguidade que viraria a França e que resistia à ocupação romana em 50 a.C. A resistência ao poderio do império só era possível graças a uma poção mágica feita pelo druida Panoramix, que concedia superforça aos aldeões. Ao tomarem a poção, os gauleses se provam os piores inimigos de César. Menos o grandalhão barrigudo Obelix, que não pode bebê-la, porque caiu no caldeirão mágico quando criança e se tornou superforte o tempo inteiro. Apesar do protagonismo do baixinho, Uderzo não escondia que Obelix, o gorducho escudeiro do galês, era seu personagem favorito das histórias. A popularidade dos heróis gauleses se manteve irredutível ao longo dos anos, acumulando a venda de 370 milhões de exemplares de suas aventuras em todo o mundo, traduzidas para 111 idiomas e dialetos. Assim como Walt Disney, Uderzo e Goscinny conseguiram expandir o universo de suas criações para além das páginas dos quadrinhos. Ao todo, Asterix ganhou dez animações cinematográficas, a primeira em 1967 e a mais recente em 2018. Uderzo codirigiu dois dos filmes, “Asterix e Cleópatra” (1968) e “Os 12 Trabalhos de Asterix” (1976). O personagem também foi adaptado em quatro filmes live-action a partir de 1999, numa franquia iniciada com “Asterix e Obelix contra César”. Nos quatro filmes, Gérard Depardieu viveu Obelix. E, como a Disneylândia, o personagem francês ganhou um parque temático, inaugurado em 1989 em Plailly, nos arredores de Paris. Uderzo publicou 24 álbuns com Goscinny, que morreu em 1977 aos 51 anos, e, durante algum tempo, considerou encerrar a produção de novas histórias de Asterix sem a parceria do amigo, até mudar de ideia em 1980. Depois de assinar sozinho dez álbuns e completar 50 anos à frente do personagem, ele passou a permitir que outros autores, mais jovens, assumissem Asterix em 2011, mas sempre sob sua supervisão.
Lucia Bosè (1931 – 2020)
A atriz italiana Lucia Bosè, que estrelou clássicos europeus das décadas de 1950 e 1960, morreu em Segóvia, na Espanha, em decorrência de uma pneumonia, durante a pandemia de coronavírus. Ela tinha 89 anos. “Queridos amigos… comunico que minha mãe Lucia Bosè acaba de falecer. Ela já está no melhor dos lugares”, escreveu seu filho, o cantor Miguel Bosé em sua conta oficial no Twitter. Nascida em Milão em 1931, Bosè se projetou graças à sua indiscutível beleza, ao vencer o concurso Miss Itália em 1947. Três anos depois, o grande cineasta Michelangelo Antonioni a lançou como atriz em “Crônicas de um Amor” (1950). Ela voltaria a trabalhar com o mestre italiano em “A Dama sem Camélias” (1953). O ano de 1955 foi um marco para Bosè, com seus papéis em “A Morte de um Ciclista”, de Juan Antonio Bardem, e “Assim É a Aurora”, do mestre surrealista Luis Buñuel. Também foi o ano que marcou o seu casamento com o toureiro espanhol Luis Miguel Dominguín, com quem teve três filhos, incluindo Miguel. O casamento fez a atriz se afastar das telas. Ela só retornou em 1967, após o divórcio, numa retomada que incluiu clássicos como “Sob o Signo de Escorpião” (1969), dos irmãos Taviani, “Satyricon de Fellini” (1969), do gênio Federico Fellini, “A Força do Diabo” (1973), de Jorge Grau, e “Crônica de uma Morte Anunciada” (1987), de Francesco Rosi. Seu último papel foi como protagonista do drama independente “One More Time”, em 2013.
Bruno Lima Penido (1978 – 2020)
O roteirista Bruno Lima Penido, premiado com o Emmy Kids Internacional por “Malhação: Viva a Diferença”, morreu na noite de sábado (21/3), aos 41 anos. A informação foi confirmada pela rede Globo, mas a causa da morte não foi revelada. Bruno chegou à Globo em 2007 como produtor da Globonews, após deixar o jornal Folha de S. Paulo. Passou também pela redação do “Vídeo Show” até começar a carreira como roteirista. Entre 2016 e 2017, foi um dos responsáveis pelo texto de “A Cara do Pai”, série de comédia estrelada por Mel Maia e Leandro Hassum. Como colaborador de Walcyr Carrasco em “Verdades Secretas”, ele venceu o Emmy Internacional de Melhor Novela. E voltou a vencer um prêmio internacional do Emmy, em sua edição Kids, por “Malhação: Viva a Diferença”, a fase mais famosa da atração adolescente, dirigida por Cao Hamburger. Pela primeira vez ambientada em São Paulo, a temporada celebrou a diversidade, tendo como fio condutor a história de amizade entre cinco garotas, Keyla (Gabriela Medvedovski), Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Benê (Daphne Bozaski) e Tina (Ana Hikari). “Malhação: Viva a Diferença” fez tanto sucesso que as personagens que Bruno criou vão ganhar um spin-off em forma de série, “As Five”, com as cinco protagonistas da história original. Ainda sem data oficial de estreia, “As Five” tinha previsão de lançamento para o segundo semestre no Globoplay. O autor de textos televisivos também era poeta e tinha recentemente lançado o livro “Mordidas por Dentro”.
Lyle Wagoner (1935 – 2020)
O ator Lyle Wagoner, que viveu Steve Trevor na série clássica da “Mulher-Maravilha”, morreu nesta terça (17/3) aos 84 anos, na Califórnia, após uma longa doença não detalhada pela família. Nascido em 13 de abril de 1935, Kyle Wesley Wagoner foi lutador colegial, serviu como operador de rádio no exército dos EUA e trabalhou como vendedor ambulante antes de conhecer a fama. Depois de tanto ouvir dos clientes que “tinha aparência de ator”, mudou-se do Kansas para a Califórnia, visando participar de programas de “novos talentos” na MGM e na Fox, onde Tom Selleck e James Brolin também estavam iniciando suas carreiras. Ele chegou a fazer testes para o papel de Batman, na série de 1966, mesmo ano em que estreou nas telas num episódio de “Gunsmoke”. Também apareceu em “Perdidos no Espaço” e foi um alienígena no filme “Jornada ao Centro do Tempo” (1967), antes de ser contratado para o programa de comédia “The Carol Burnett Show”, do qual participou de sete temporadas, entre 1967 a 1974. O produtor Joe Hamilton, marido de Burnett, procurava por um “tipo Rock Hudson” quando contratou Wagoner, que além de viver vários personagens nas esquetes da série humorística, também foi o narrador oficial do programa. Ele fez tanto sucesso que passou a apresentar outra atração em paralelo, “It’s Your Bet”, um programa de perguntas e respostas, de 1969 a 1973. Wagoner ganhou fama de galã e até posou para a capa da revista Playgirl em 1973. Essa popularidade lhe rendeu o papel do major da aeronáutica Steve Trevor na série “Mulher-Maravilha” em 1975. A produção se tornou um fenômeno de audiência, e finalmente permitiu ao ator interpretar um personagem dos quadrinhos da DC Comics, após a frustração de não virar Batman. Curiosamente, “Mulher-Maravilha”, que era passada nos anos 1940, sofreu um reboot completo em sua 2ª temporada, trazendo as aventuras da heroína vivida por Lynda Carter para o presente. Todo o elenco de apoio foi alterado, mas Wagoner continuou na atração como filho do personagem original, também chamado de Steve Trevor. A série acabou na 3ª temporada em 1979, mas seus três anos de produção foram suficientes para garantir, de forma colateral, o resto da vida do ator, que, durante a produção, lembrou de seus dias de vendedor de produtos de porta em porta e tomou uma iniciativa milionária. “Quando eu estava em ‘Mulher-Maravilha, os produtores me ofereceram um ótimo motor home que eles alugaram de um proprietário particular, para eu usar no set”, ele contou em uma entrevista de 2013. “Eu percebi uma possibilidade de negócio que ninguém tinha pensado. Propus pra eles: ‘Bem, se eu encontrar e preferir outro trailer, vocês o alugariam pra mim?’ Então, comprei o meu próprio veículo e eles pagarem aluguel pra mim por três anos, enquanto estive no programa”. Vendo que o negócio era lucrativo, ele lançou sua própria empresa de aluguéis de trailers, a Star Waggons, em 1979. E logo passou a receber encomendas de diversos produtores, para ceder a atores, maquiadores etc. em sets de filmes e TV. “Encontrei um fabricante e construí um protótipo de um trailer de maquiagem”, lembrou. “Eu coloquei para alugar e, rapaz, eles adoraram. Começamos a construir nossos próprios trailers em 1988”. A Star Waggons atingiu o número de 800 trailers alugados na década atual, registrando uma receita anual de US$ 17 milhões há dois anos. Só a produção do reality show “Dancing With the Stars”, da rede ABC, aluga 30 trailers da empresa do ator. Com a fortuna que fez com o negócio, Wagoner gradualmente abandonou a atuação. Ele ainda apareceu em algumas séries famosas, como “As Panteras”, “O Barco do Amor”, “Ilha da Fantasia” e “Assassinato por Escrito”, mas os papéis serviam mais para sua diversão pessoal que qualquer outra coisa. Um dos melhores exemplos dessas participações especiais aconteceu na série “That ’70s Show”, num episódio de 1999 em que ele interpretou a si mesmo, com maquiagem para parecer mais jovem, voltando a seus tempos de galã televisivo. Lyle Wagoner se casou apenas uma vez, com Sharon Kennedy em setembro de 1960, e eles tiveram dois filhos, Beau e Jason.
Stuart Whitman (1928 – 2020)
O ator Stuart Whitman, que estrelou a série “Cimarron” e vários clássicos de cinema dos anos 1960, morreu na segunda (16/3) em seu rancho em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, aos 92 anos. Segundo o TMZ, ele lutava há algum tempo contra um tipo agressivo de câncer de pele. Stuart Maxwell Whitman nasceu em 1 de fevereiro de 1928 em São Francisco, serviu no Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA durante a 2ª Guerra Mundial e ainda foi campeão de boxe, vencendo 24 combates como peso-leve, antes de decidir estudar atuação no Los Angeles City College. A aparência musculosa lhe garantiu figuração na sci-fi “O Fim do Mundo” (1951), que inaugurou sua trajetória cinematográfica. Mas antes de ficar famoso precisou superar muitos papéis sem nome ou importância. A situação só mudou ao virar coadjuvante no western “7 Homens Sem Destino” (1956), ao lado de Randolph Scott e Lee Marvin. O primeiro protagonismo demorou menos, surgindo no ano seguinte com o noir “A Esperança Morre Conosco” (1957), ao lado de Ethel Barrymore e Carolyn Jones. A notoriedade veio com “Terror no Mar” (1958), ao compartilhar um dos primeiros beijos inter-raciais do cinema, com Dorothy Dandridge. E isso o ajudou a ser escalado em grandes produções, como o religioso “A História de Ruth” (1960), o filme de gângsteres “Assassinato S.A.” (1960) e o drama “A Marca do Cárcere” (1961), que lhe rendeu indicação ao Oscar de Melhor Ator. Produção britânica, “A Marca do Cárcere” deveria ter sido estrelada por Richard Burton, que preferiu fazer “Camelot” na Broadway a encarar um papel tão terrível. Whitman aceitou o desafio e viveu um molestador de crianças na tela. Seu personagem tinha um grande arco dramático. Ao sair da prisão, pedia a ajuda de um psiquiatra (Rod Steiger) para tentar levar uma vida normal, mas acabava denunciado – erroneamente – por um novo abuso que não cometeu. A Academia se impressionou com o ator, que viu sua carreira se valorizar com a indicação. Em seguida, Whitman estrelou um de seus filmes mais populares, o western “Comancheros” (1961), ao lado de John Wayne. E repetiu a parceria no longa seguinte, no épico de guerra “O Mais Longo dos Dias” (1962). Depois de filmar as duas obras finais do húngaro Michael Curtiz, “São Francisco de Assis” (1961) e “Comancheros”, ele ainda incluiu em sua filmografia notável “O Dia e a Hora” (1963), drama de guerra assinado por outro mestre europeu de Hollywood, o francês René Clement, e a divertida comédia “Esses Maravilhosos Homens e suas Máquinas Voadoras” (1965), do inglês Ken Anakin. Portanto, estava no auge quando decidiu fazer algo inesperado: estrelar uma série de TV. Whitman apostou que ganharia uma fortuna com o western “Cimarron”, já que também era creditado como produtor, e de fato recebeu bastante dinheiro com as reprises. Embora tenha durado apenas uma temporada (1967-68) e 23 episódios originais, a popularidade do ator fez com que a atração fosse reprisada à exaustão durante os anos 1970, tornando o delegado Jim Crown um dos personagens mais conhecidos do ator. Mas a ideia de produzir episódios com 90 minutos de duração enfrentou rejeição da audiência ao vivo. E a carreira cinematográfica de Whitman entrou em declínio devido à decisão, já que, na época, atores de TV eram menosprezados pelos grandes estúdios de Hollywood. Ele acabou se especializando em produções B, incluindo cults como “Loucura da Mamãe” (1975), de Jonathan Demme, “Devorado Vivo” (1976), de Tobe Hooper, e “O Massacre da Guiana” (1979), como líder de uma seita suicida. Após os anos 1970, também encaixou uma coleção de aparições em séries de TV, incluindo “Galeria do Terror”, “F.B.I”, “Os Novos Centuriões”, “S.W.A.T.”, “Ilha da Fantasia”, “A Supermáquina”, “Esquadrão Classe A”, “Assassinato por Escrito” e “Chuck Norris: O Homem da Lei”. Embora tenha surgido num excesso de 7 episódios de “Ilha da Fantasia”, sempre como personagens diferentes, foram poucas as suas participações recorrentes. Entre elas, contam-se um pequeno arco de cinco episódios em “Knots Landing” (1990) e o papel de Jonathan Kent, o pai de Clark Kent, na série “Superboy (1988-92). Seu último trabalho nas telas foi “O Homem do Presidente” (2000), um telefilme de ação, em que atuou ao lado do amigo Chuck Norris. A decisão de largar a atuação partiu dele próprio. Whitman tinha feito uma fortuna no mercado imobiliário, com investimentos certeiros. E, cansado de convites para filmes ruins, preferiu aproveitar a vida com a família, mudando-se para um rancho de 35 acres em Santa Barbara. O ator foi casado três vezes, a última em 2006, teve cinco filhos, sete netos e quatro bisnetos. “Ele adorava Jack Daniel’s, charutos e sujar as mãos com o trabalho em seu rancho, enquanto observava os pássaros e o Oceano Pacífico”, disse sua família em comunicado. “Ele adorava as pessoas e abraçava a todos igualmente, fosse um amigo famoso de longa data, como Frank Sinatra, ou um técnico que vinha reparar qualquer coisa em sua casa. Contador de histórias, ele sempre foi o centro das atenções, vivendo de acordo com um conselho de sua mãe, que ele se esforçou para nos ensinar: ‘Aproveite ao máximo tudo o que vier e o mínimo de tudo o que se for’.”
Lorenzo Brino (1998 – 2020)
O ator Lorenzo Brino, que participou ainda criança da série “Sétimo Céu” (7th Heaven), morreu aos 21 anos em um acidente automobilístico. Segundo o site TMZ, ele perdeu o controle de seu carro, um Toyota Camry, e atingiu um poste. Brino era o único ocupante do veículo e chegou a ser atendido, mas não resistiu aos ferimentos. O acidente aconteceu por volta das 3 da manhã (horário local) no condado de San Bernardino, no estado americano da Califórnia. Ele atuou em 138 episódios de “Sétimo Céu” como Sam Camden, uma das crianças da série, desde que tinha um ano de idade. Exibido em 1999, o episódio da 3ª temporada em que apareceu pela primeira vez, após a personagem Annie Camden (Catherine Hicks) dar à luz, foi um dos mais assistidos da atração. A série acabou em 2007, quando Brino tinha 9 anos. Ainda muito criança, ele não deu continuidade à carreira de ator. Lorenzo Brino tinha três irmãos gêmeos, que também apareceram na série. O elenco da atração destacava Nikolas Brino, que vivia seu irmão na série, David Camden. Mas Zachary e Myrinda também atuaram como dublês dos dois mais famosos quando bebês.
Tonie Marshall (1951 – 2020)
A diretora Tonie Marshall, única mulher a receber o prêmio César (o Oscar francês) na categoria de Melhor Direção – por “Instituto de Beleza Vênus” – , faleceu nesta quinta-feira (12/3), aos 68 anos, em “decorrência de uma longa doença”, informou sua agente. Filha da atriz francesa Micheline Presle e do ator e cineasta americano William Marshall, Tonie iniciou sua carreira como atriz em 1972 em “Um Homem em Estado… Interessante”, de Jacques Demy. Engajada, membro do coletivo 50/50 em favor da igualdade entre homens e mulheres no cinema, ela passou à direção em 1990 com “Pentimento”. Ao todo, assinou nove longas-metragens, incluindo o premiado “Instituto de Beleza Vênus”, estrelado por Audrey Tautou em 1999. Seus últimos filmes foram a comédia “Sexo, Amor e Terapia” (2014), com Sophie Marceau, e “A Número Um” (2017), com Emmanuelle Devos, em que examinou o machismo do mundo dos grandes negócios. “Tonie lutou e Tonie acaba de partir. Na vida, como em seus filmes, ela nos comoveu muitas vezes, nos fez sorrir lindamente, ela sempre nos seduziu. Tonie era forte e atenciosa, comprometida e delicada”, reagiu no Twitter o presidente do Festival de Cannes, Pierre Lescure. A secretária de Estado da França para a Igualdade de Gênero, Marlène Schiappa, também expressou sua “tristeza pelo anúncio da morte da talentosa e generosa Tonie Marshall”. Para a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, “Tonie Marshall nos deixa com um feminismo íntimo, cáustico e mais relevante do que nunca”.
James Lipton (1926 – 2020)
Morreu James Lipton, apresentador de um dos programas mais longevos da TV norte-americana. Ele criou e produziu o programa “Inside the Actors Studio”, que desde 1994 trazia entrevistas com os maiores astros de Hollywood. Lipton, que também foi reitor da Universidade Pace de Nova York, tinha 93 anos e faleceu de câncer nesta segunda-feira (2/3), em sua casa em Manhattan. “Inside the Actors Studio” tinha o nome de um dos mais famosos cursos de atuação dos EUA e foi concebido como uma master class para os estudantes, gravada para a televisão. Foi do Actors que saíram James Dean e Marlon Brando, para citar só dois nomes da História do Cinema. Graças à sua inspiração acadêmica, o programa de Lipton representava uma antítese da obsessão da mídia pelas celebridades, ignorando vidas pessoais para se concentrar na arte da interpretação e nas carreiras das estrelas de Hollywood. O programa acumulou um total de 18 indicações ao Emmy, saindo vencedor do maior prêmio da televisão em 2013. O apresentador ficou tão famoso que rendeu até um esquete fixo no humorístico “Saturday Night Live”, em que Lipton era interpretado pelo comediante Will Farrell. Ele adorava sua versão satírica, como contou em uma entrevista. Lipton também apareceu animado em “Os Simpsons” e “Uma Família da Pesada” (The Family Guy) e faz participações como si mesmo em “Arrested Development”, “Glee”, “Suburgatory”, “Joey” e “According to Jim”. Sua carreira pregressa ainda inclui algumas atuações de TV nos anos 1950, roteiros de séries dos 1960, livros, produções de peças da Broadway nos 1970 e especiais de TV nos 1980. Ele foi casado duas vezes, nos anos 1950 com a atriz Nina Foch, indicada ao Oscar por “Um Homem e Dez Destinos” (1954), e dos anos 1970 até hoje com Kedakai Mercedes Lipton, que serviu de modelo para a Srta. Rosa (Miss Scarlett) no famoso jogo de tabuleiro “Detetive” (Clue).
Camila María Concepción (1992 – 2020)
Camila María Concepción, ativista da causa trans que estava inciando a carreira como roteirista nas séries “Daybreak” e “Gentefied”, da Netflix, morreu aos 28 anos. A morte de Camila foi confirmada por amigos e colegas nas redes sociais, e aconteceu logo após o lançamento de “Gentefied”, que chegou na plataforma na sexta passada (21/2). A hipótese principal é de suicídio. Além de ser assistente na confecção dos roteiros de “Gentefied”, ela roteirizou um episódio da 1ª temporada da série, sobre três primos latinos que tentam manter a lanchonete de tacos da família num bairro cada vez mais embranquecido, e trabalhou com Jill Soloway, criadora da série “Transparent”, em campanhas de igualdade de gêneros em filmes, televisão e artes. Em mensagem nas redes sociais, Marvin Lemus, roteirista de “Gentefied”, lamentou a morte do “mais especial e cru talento” que ele já conheceu. “Tenho tentado anestesiar esta dor e focar no show e em todo o amor que temos recebido. Camila, estou tão bravo com você agora. Porque eu sou um dos seus milhões de fãs. Eu ia fazer de tudo para que o mundo conhecesse seu nome”, postou.
José Mojica Marins (1936 – 2020)
O cineasta José Mojica Marins, mais conhecido como seu personagem Zé do Caixão, morreu nesta quarta (19/2) em São Paulo, aos 83 anos de idade. O cineasta estava internado desde o dia 28 de janeiro para tratar de uma broncopneumonia. A informação foi confirmada por Liz Marins, filha do diretor. Filho de espanhóis, o paulistano Mojica iniciou a carreira em 1949 com uma câmera de 8mm que ganhou de seu pai em seu aniversário de 12 anos, quando fez seu primeiro “filme”: “O Juízo Final”, curta sci-fi sobre uma invasão alienígena. Ele também dirigiu o primeiro longa-metragem em formato Cinemascope (a tela widescreen original) do Brasil: o faroeste “Sina de Aventureiro” (1957). Mas a façanha que mais costuma ser celebrada em sua carreira é o fato de ter virado o maior nome do terror nacional, conhecido mundialmente pela criação de Zé do Caixão – ou Coffin Joe, como chamam os americanos – , personagem icônico que lançou em 1964, no clássico “A Meia Noite Levarei a Sua Alma”. Vilão amoral, sádico e irredimível, Zé do Caixão era o dono de um funerária do interior que desafiava Deus e o diabo com sua única crença: a continuidade do sangue. Ele quer ser o pai de uma criança superior a partir do cruzamento com a “mulher perfeita”, alguém que ele considere intelectualmente à sua altura – isto é, que não se deixe aterrorizar por bobagens, como aranhas vivas caminhando sobre seu corpo, nem acredite em superstições, como a Bíblia. Na busca por esta mulher, ele se mostra sempre pronto a torturar candidatas e matar quem tentar impedir sua missão. O impacto do personagem, uma criação original, rendeu fama a Mojica, que acabou confundido com o próprio Zé do Caixão ao explorar o personagem em novas continuações – como “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1967) e “Encarnação do Demônio” (2008) – , derivados – como “O Mundo Estranho de Zé do Caixão” (1968) e “Exorcismo Negro” (1974) – , aparições na TV e até nos quadrinhos. Mojica contou que o monstro famoso de unhas compridas lhe apareceu num pesadelo, no início de 1963. Ele já tinha dois longas-metragens no currículo, o citado “Sina de Aventureiro” e o drama “Meu Destino em Suas Mãos” (1961), quando se viu arrastado para uma cova por um homem todo de preto, com seu rosto. Ao acordar, ele decidiu transformar o pesadelo em filme, dando origem ao coveiro Josefel Zanatas, que seus detratores em “A Meia Noite Levarei a Sua Alma” batizaram de Zé do Caixão. Seu último filme como Zé do Caixão foi “Encarnação do Demônio”, de 2008. Originalmente previsto para ser o desfecho da trilogia original, ele deveria ter sido rodado em 1967, mas foi interrompido por problemas com a censura federal. A ditadura militar passou a considerar os filmes de Mojica muito perturbadores e passou a proibir a exibição de novos filmes de terror do diretor, como “Ritual dos Sádicos” (1969), também chamado de “O Despertar da Besta”, e “Finis Hominis” (1971). Mas Mojica se manteve na ativa, dirigindo filme eróticos na Boca do Lixo durante os anos 1970 e 1980 – de títulos sugestivos como “Quinta Dimensão do Sexo”, “48 Horas de Sexo Alucinante”, “Dr. Frank na Clínica das Taras” e “24 Horas de Sexo Explícito”. Um destes filmes, “A Virgem e o Machão”, tornou-se um de seus maiores sucessos comerciais, visto por 1,3 milhão de brasileiros. De vez em quando, porém, voltava ao terror, em alguns curtas e lançamentos em vídeo, até ressurgir com impacto em “Encarnação do Demônio”, seu primeiro filme de grande orçamento, que venceu o Festival de Paulínia. Mas apesar de elogios rasgados da crítica, o filme implodiu nas bilheterias. O diretor conquistou maior público e notoriedade ao expandir a presença de Zé do Caixão para outras mídias, apresentando programas que marcaram quatro décadas de telespectadores, como “Além, Muito Além do Além” (1967-68), na Bandeirantes, “Show do Outro Mundo” (1981), na Record, “Cine Trash” (1996), de novo na Band, e “O Estranho Mundo do Zé do Caixão” (2008), um talk show que durou sete temporadas no Canal Brasil. A presença televisiva inspirou a redescoberta de seus filmes originais. Depois de anos vivendo às margens do mercado cinematográfico brasileiro, Mojica se tornou cultuado e sua obra foi amplamente revisitada, em busca de pérolas perdidas. E havia muitos trabalhos de Mojica que o mercado desconhecia, como “Exorcismo Negro” (1974), talvez a grande obra-prima do diretor. Na virada para o século 21, Mojica virou fenômeno pop. Foi tema de livros, como “Maldito!” (1998), cinebiografia escrita pelos jornalistas André Barcinski e Ivan Finotti, recebeu homenagem do Festival de Sundance, nos EUA, com uma retrospectiva de sua carreira em 2001, inspirou desfiles de escolas de samba – no carnaval carioca de 2011 e no paulista de 2018 – e teve a vida transformada em série televisiva: “Zé do Caixão” (2015), em que foi encarnado por Matheus Nachtergaele. Ele seguia dirigindo e atuando em segmentos de coletâneas de terror, ao lado de outros cineastas, como a produção internacional “The Profane Exhibit” (2013) e a nacional “As Fábulas Negras” (2015). Atuou até na comédia “Entrando Numa Roubada” (2015). Mas a saúde debilitada começou a preocupar a família. Após infarto e paradas cardíacas em 2014, diminuiu o ritmo e passou a ser pouco visto desde então. Seu legado inclui cerca de 40 filmes como diretor e mais de 60 produções como ator, entre longas, curtas, documentários e séries.
Ja’net DuBois (1945 – 2020)
A atriz Ja’net DuBois, conhecida pela série clássica “Good Times”, morreu durante a madrugada desta terça-feira (18/2). Ela foi encontrada morta na cama de sua residência, em Glendale, Califórnia, aos 74 anos. Sua família disse à imprensa que ela morreu dormindo e não se queixava de nenhuma dor. DuBois iniciou a carreira em musicais da Broadway e estreou no cinema na comédia “Um Homem Chamado Adam” (1966), uma produção estrelada pelos músicos Sammy Davis Jr. e Louis Armstrong. Ela se especializou em comédias com astros negros, como “Five on the Black Hand Side” (1973), com Godfrey Cambridge, e “Os Espertalhões” (1977), com Sidney Poitier, mas também apareceu em “Quando Nem um Amante Resolve” (1970), em meio a um elenco branco encabeçado por Richard Benjamin e Frank Langella. Em 1974, ela foi escalada como Willona Woods, a vizinha da família Evans na adorada sitcom “Good Times”. Primeira comédia televisiva focada numa família negra, a série marcou época e durou seis temporadas, entre 1974 e 1979. O sucesso de “Good Times” levou ao lançamento de “The Jeffersons” no ano seguinte. Ambos eram criações do lendário produtor Norman Lear, sobre o cotidiano de famílias da classe média afro-americana. E ainda tinham outro ponto em comum: Ja’net DuBois. Além de atriz, DuBois também era uma talentosa compositora e foi responsável por criar e cantar o icônico tema de “The Jeffersons”, “Movin ‘on Up”. Ele teve carreira como cantora e ainda viveu a mãe de Janet Jackson no célebre clipe da música “Control”, de 1986. No cinema, participou ainda das comédias “Vou Te Pegar Otário” (1988), de Keenen Ivory Wayans, e “Um Espírito Grudou em Mim” (1990), com Bob Hoskins e Denzel Washington, e foi a mãe de Bosley (Bernie Mac) em “As Panteras: Detonando” (2002). Outros destaques que conseguiu na TV foram uma participação recorrente na série “Dupla do Barulho” (The Wayans Bros), entre 1996 e 1997, e um desempenho de dublagem premiado na série animada “The PJs” (1999–2001), pelo qual conquistou dois Emmys. Seus últimos trabalhos foram três temporadas da série animada “Ginger” (2000-2004), na Nickelodeon, e participações em episódios de “Crossing Jordan” e “Arquivo Morto” (Cold Case) em 2007. Depois disso, ela teve um hiato de nove anos até seu papel final, na comédia indie “She’s Got a Plan” (2016).
Esther Scott (1957 – 2020)
A veterana atriz Esther Scott, que trabalhou na série “Hart of Dixie”, morreu aos 62 anos. Um familiar da atriz contou ao TMZ que ela sofreu um aparente ataque cardíaco na semana passada em sua casa, na cidade de Santa Monica, em Los Angeles. Ela foi encontrada desacordada e levada ao hospital, onde ficou hospitalizada antes de morrer na última sexta-feira (14/2). Esther apareceu em mais de 70 filmes e séries desde os anos 1980, mas geralmente em papéis secundários, como a avó ou a tia de algum personagem mais importante. Ela estreou como dubladora da série animada “Ewoks” (1986), da franquia “Star Wars”, e virou vovó já no primeiro papel no cinema, em “Os Donos da Rua” (Boyz N The Hood, 1991). A atriz também foi uma enfermeira em “Don Juan DeMarco” (1994) e “Jovens Bruxas” (1996), além de uma juíza em “Austin Powers em o Homem do Membro de Ouro” (2002) e assistente social em “À Procura da Felicidade” (2006), mas os produtoras preferiam escalá-la como a idosa simpática da família, como em “Entre Nesta Dança: Hip Hop no Pedaço” (2004), “Dreamgirls: Em Busca de um Sonho” (2006) e até “Transformers” (2007). Em “Hart of Dixie”, ela tinha o papel recorrente de Delma Warner, outra vovó simpática, e apareceu em 24 episódios da série, entre 2011 e 2015. Seus últimos trabalhos foram exibidos no ano seguinte, num episódio da série “Pure Genius” e no filme “O Nascimento de uma Nação”.












