Oito Mulheres e mais 13 filmes chegam aos cinemas nesta semana
A semana traz 14 estreias, mas apenas cinco dignas de projeção em tela grande. Destas, somente uma chega com distribuição ampla nos cinemas. Trata-se de “Oito Mulheres e um Segredo”, versão feminina de “Onze Homens e um Segredo”, que tem como maior atrativo o elenco que reúne Sandra Bullock (“Gravidade”), Cate Blanchett (“Thor: Ragnarok”), Anne Hathaway (“Colossal”), Helena Bonham Carter (“Alice Através do Espelho”), Sarah Paulson (série “American Crime Story”), Mindy Kaling (série “The Mindy Project”), Awkwafina (“Vizinhos 2”) e a cantora Rihanna (“Battleship”). Na trama, Debbie Ocean (Bullock) sai da prisão planejando o golpe do século no baile anual do Met Gala, recheado de estrelas de Hollywood e um colar extremamente precioso, que desfila no pescoço de Hathaway. É a deixa para reunir um supertime de ladras, com direção de Gary Ross (“Jogos Vorazes”). O lançamento acontece em sincronia com os Estados Unidos, onde foi aprovado por 76% da crítica, na média do site Rotten Tomatoes. O melhor filme da semana, porém, é um terror. E brasileiro, quem diria. Na verdade, “As Boas Maneiras” é um dos filmes mais premiados da atual safra nacional. O segundo longa realizado em parceria pelos diretores Juliana Rojas e Marco Dutra (de “Trabalhar Cansa”) foi o grande vencedor do Festival do Rio 2017, onde arrematou os troféus de Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Marjorie Estiano) e Fotografia (o português Rui Poças, de “Uma Mulher Fantástica”). Além disso, também venceu o Festival do Uruguai, o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno, na Suiça, o Prêmio do Público no L’Etrange Festival, na França, e o Prêmio da Crítica no Festival de Sitges, na Espanha, entre muitas outras consagrações internacionais. Na trama, uma enfermeira da periferia de São Paulo (Isabél Zuaa, de “Joaquim”) é contratada por uma mulher rica, grávida e misteriosa (Marjorie Estiano, de “Sob Pressão”) para ajudar na casa e, após o nascimento do bebê, ser babá de seu filho. As duas desenvolvem uma forte relação de amizade, mas a gravidez se revela um horror, especialmente nas noites de lua cheia, a ponto de transformar a mulher conforme chega a hora do parto. É tenso, dramático e pronto para virar cult. O detalhe final: graças à projeção internacional, tem 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Para quem prefere filmes que pingam sangue, a programação reserva uma boa surpresa francesa. Com título auto-explicativo, “Vingança” traz a italiana Matilda Anna Ingrid Lutz (“O Chamado 3”) como a jovem amante de um milionário bonitão casado, que acaba estuprada pelos amigos dele durante um fim de semana de “diversão” e é abandonada para morrer no deserto. Só que ela se prova mais forte que o ódio e, no melhor estilo grindhouse, começa a caçá-los, esguichando sangue por todo o lado. Escrita e dirigida pela estreante Coralie Fargeat, “Vingança” evoca o clássico slasher “A Vingança de Jennifer” (1978), que chegou a ser proibido em alguns países. Apesar da história batida, a estilização visual agradou a crítica, o que lhe rendeu 92% de aprovação no Rotten Tomatoes após ganhar fãs nos festivais de Toronto e Sundance. Se a opção for pela comédia, “A Morte de Stalin” segue a linha do humor debochado de Armando Iannucci, criador da série “Veep”. Mas, curiosamente, é baseado numa graphic novel francesa de mesmo nome. A trama gira em torno dos dias caóticos que se seguiram à morte do líder soviético Joseph Stalin em 1953, quando o comunismo perdeu sua maior – e pior – referência. Por incrível que pareça, foi proibido na Rússia atual, supostamente democrática. O elenco reúne um time talentoso e eclético, liderado por Jeffrey Tambor (série “Transparent”), Steve Buscemi (série “Boardwalk Empire”), Rupert Friend (série “Homeland”), Michael Palin (“Ferocidade Máxima”), Jason Isaacs (franquia “Harry Potter”), Paddy Considine (“Macbeth: Ambição e Guerra”), Simon Russell Beale (“A Lenda de Tarzan”) e as atrizes Andrea Riseborough e Olga Kurylenko (ambas de “Oblivion”). Foi indicado aos BAFTA Awards (o Oscar britânico) e tem 96% de aprovação no Rotten Tomatoes. Por fim, o circuito realmente alternativo esconde “Comboio de Sal e Açúcar”, o primeiro representante de Moçambique a tentar uma vaga no Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Para aumentar ainda mais a curiosidade, é dirigido por um brasileiro. Licínio Azevedo mora em Moçambique desde 1975 e é um dos fundadores da empresa moçambicana de produção de cinema Ébano Multimédia, principal produtora do filme – e de vários outros longas-metragens e documentários premiados em todo o mundo. “Comboio de Sal e Açúcar” é seu quinto longa de ficção. Entre os anteriores, estão “Desobediência” (2003), premiado no Festival de Biarritz, e “Virgem Margarida” (2012), premiado em Amiens. Descrito como um “western africano”, o filme venceu o troféu Tanit de Ouro e mostra a perigosa viagem de um grupo, a bordo de um trem que tenta trocar sal por açúcar, atravessando zonas rebeldes de Moçambique em 1989, durante a guerra civil que varreu o país africano. Repleto de cenas de ação, sua narrativa envolvente destaca a divisão entre militares e civis no trem (comboio) que batiza a produção. A programação traz mais dois filmes de terror americanos muito ruins, diversos thrillers que parecem feitos para streaming, uma continuação russa de “Anna Karenina” e a leva semanal de documentários brasileiros que lembram programas de TV educativa. Para quem preferir ver o lado B da programação – como a sequência de “Os Estranhos” (2008), que tem 38% de aprovação – , os trailers e as sinopses de todas as estreias desta quinta (7/6) podem ser conferidas abaixo. Oito Mulheres e Um Segredo | EUA | Comédia de Ação Recém-saída da prisão, Debbie Ocean (Sandra Bullock) logo procura sua ex-parceira Lou (Cate Blanchett) para realizar um elaborado assalto: roubar um colar de diamantes no valor de US$ 150 milhões, que a Cartier mantém sempre em um cofre. O plano é convencer a empresa a emprestá-lo para que a estrela Daphne Kluger (Anne Hathaway) use a joia no badalado Met Gala, um dos eventos mais chiques e vistosos de Nova York. Para tanto, Debbie e Lou reúnem uma equipe composta apenas por mulheres: Nine Ball (Rihanna), Amita (Mindy Kaling), Constance (Awkwafina), Rose (Helena Bonham Carter) e Tammy (Sarah Paulson). As Boas Maneiras | Brasil | Terror Ana (Marjorie Estiano) contrata Clara (Isabél Zuaa), uma solitária enfermeira moradora da periferia de São Paulo, para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, Ana começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente Clara. Vingança | França | Thriller Três homens casados e ricos fazem anualmente uma espécie de caçada no deserto. Desta vez, um dos empresários decide trazer sua amante (Matilda Lutz). Quando ela é abandonada para morrer devido a uma série de acontecimentos, eles terão que lidar com as consequências de uma mulher que busca vingança. A Morte de Stalin | Reino Unido | Comédia União Soviética, 1953. Após a morte de Josef Stalin (Adrian McLoughlin), o alto escalão do comitê do Partido Comunista se vê em momentos caóticos para decidir quem será o sucessor do líder soviético. Comboio de Sal e Açúcar | Portugal, Moçambique, Brasil | Aventura Moçambique, 1988. Em meio à guerra civil, militares escoltam um trem de carga lotado de mercadorias e pessoas que buscam uma vida melhor. Muitos viajam para trocar além das fronteiras sal por açúcar, escasso localmente, e o grande desafio da jornada cheia de atritos é superar ataques surpresas e sabotagens de grupo paramilitar liderado por homem que, segundo as lendas, se transforma em macaco. Os Estranhos – Caçada Noturna | EUA | Terror Seguindo os acontecimentos do primeiro filme, uma nova família receberá a terrível visita de três psicopatas – que têm como único objetivo transformar suas vidas em um inferno na Terra. Um Dia para Viver | EUA | Thriller Um assassino (Ethan Hawke) ganha uma segunda chance quando seu empregador o traz de volta à vida temporariamente, logo após ter sido morto no trabalho. Ele tem 24 horas para realizar sua missão e se redimir. No Olho do Furacão | EUA | Thriller Um grupo de criminosos planeja roubar US$ 600 milhões do tesouro americano durante a passagem de um furacão. No entanto, seus planos são interrompidos quando o fenômeno meteorológico atinge o nível 5, considerado o mais grave de todos, e eles precisam do código de segurança que apenas uma funcionária do banco tem conhecimento. Selfie para o Inferno | Canadá | Terror Julia é uma vlogueira canadense totalmente conectada e habituada a compartilhar sua rotina com os seguidores, famosa especialmente pelas selfies que faz com frequência. Sua vida, no entanto, toma um rumo obscuro quando, ao visitar sua prima Hanna nos Estados Unidos, cai gravemente doente e coisas muito sinistras passam a acontecer envolvendo seu smartphone. Anna Karenina: A História de Vronsky | Rússia | Drama Durante a guerra russo-japonesa, em 1904, Sergey Karenin (Kirill Grebenshchikov), o chefe de um hospital descobre que um dos oficiais feridos é o conde Vronsky (Max Matveev), a pessoa que arruinou sua mãe, Anna Karenina (Elizaveta Boyarskaya). Agora, ele procura informações sobre o amante da mãe e o quê a levou a desistir da vida. Los Territorios | Argentina, Brasil | Documentário Depois do ataque ao jornal Charlie Hebdo em Paris, Ivan, o filho fútil de um importante jornalista argentino, embarca em uma jornada, perseguindo diferentes eventos e conflitos geopolíticos ao redor do mundo. No entanto, encontrar os acontecimentos na linha de frente é uma tarefa árdua. E ainda mais difícil do que se tornar um correspondente de guerra é marcar as fronteiras entre sua vida e o egocentrismo que guia Ivan, seu pai e os conflitos globais da atualidade. Bonifácio – O Fundador do Brasil | Brasil | Documentário José Bonifácio de Andrada e Silva foi um cientista, filósofo, estrategista e herói de guerra brasileiro que teve um papel decisivo no processo de emancipação do Estado brasileiro em relação a Portugal, sendo conhecido pelo título de Patriarca da Independência. Através de entrevistas com historiadores, a trajetória de sua vida, assim como suas aventuras, são reveladas em um formato inovador, que vai muito além dos livros de história. O Muro | Brasil | Documentário Nas manifestações em 2015 no Brasil contra e a favor da então presidente Dilma Rousseff, o diretor Lula Buarque e a roteirista Isabel de Luca procuram destacar a voz das pessoas e suas opiniões sobre a política nacional. Para eles, o diálogo é tudo, já que na falta dele são construídos muros. Caminho do Mar | Brasil | Documentário O Rio Paraíba do Sul é um dos mais importantes do Brasil, no entanto, ele não recebe a atenção, nem o reconhecimento que merece. Através de relatos de moradores ribeirinhos, pescadores e estudiosos, a história do rio, conhecido pelas suas águas cor de barro, é contada desde a nascente até a foz. Atualmente, ele é responsável por fornecer alimento e energia para o sudeste brasileiro, além disso, também foi fundamental durante o ciclo da cana, do café e do período de industrialização do país.
Documentário sobre Henfil vence o Festival Cine PE 2018
O documentário “Henfil”, sobre o cartunista, jornalista e escritor mineiro que marcou os anos 1970 com a criação do Fradim, venceu duplamente o festival Cine PE 2018, escolhido pelo júri oficial e pelo público como o Melhor Filme em longa-metragem da programação do evento, encerrado na noite de terça (5/6). O filme também rendeu troféus de direção e roteiro, ambos de Angela Zoé (“Meu Nome é Jacque”), que resgatou a intimidade de Henfil, morto em 1988, ao ser contaminado com HIV numa transfusão de sangue. A cineasta teve acesso à filmagens em Super 8 do acervo pessoal do célebre cartunista e resgatou seus desenhos críticos ao regime militar, nas charges publicadas no semanário “O Pasquim” em plena ditadura. Mas foi “Os Príncipes”, de Luiz Rosemberg Filho (“Guerra do Paraguay”), que conquistou o maior número de prêmios, recebendo seis Calungas de Prata, o troféu do Cine PE, incluindo os de Melhor Atriz, Ator e Ator Coadjuvante, respectivamente para Patrícia Niedermeier, Igor Cotrim e Tonico Pereira. O falso documentário “Vidas Cinzas”, de Leonardo Martinelli, ganhou o prêmio de melhor curta nacional no Cine PE. Já a mostra competitiva de curtas Pernambucanos premiou “Uma Balada para Rocky Lane”, dirigido por Djalma Galindo. O documentário “Marias”, de Yasmin Dias, e as animações “Insone”, de Débora Pinto e Breno Guerreiro, e “Plantae”, de Guilherme Gehr, receberam Menção Honrosa do júri do festival. Confira abaixo a lista completa de premiados. Vencedores do festival Cine PE 2018 MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS Melhor Filme – “Henfil” Melhor Direção – Angela Zoé (“Henfil”) Melhor Roteiro – Angela Zoé e Gabriela Javier (“Henfil”) Melhor Fotografia – Alisson Prodlik (“Os Príncipes”) Melhor Montagem – João Rodrigues e Indira Rodrigues (“Henfil”) Melhor edição de som – Marcito Vianna (“Os Príncipes”) Melhor Trilha Sonora – Gustavo Jobim (“Os Príncipes”) Melhor Direção de Arte – Letycia Rossi (“Dias Vazios”) Melhor Ator Coadjuvante – Tonico Pereira (“Os Príncipes”) Melhor Atriz Coadjuvante – Carla Ribas (“Dias Vazios”) Melhor Ator – Igor Cotrim (“Os Príncipes”) e Arthur Ávila (“Dias Vazios”) Melhor Atriz – Patrícia Niedermeier (“Os Príncipes”) MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS Melhor Filme – “Vidas Cinzas” Melhor Direção – Klaus Hastenreiter (“Não Falo com Estranhos”) Melhor Roteiro – Rubens Passaro (“Universo Preto Paralelo”) Melhor Fotografia – Ivanildo Machado (“Sob o Delírio de Agosto) Melhor Montagem – Pedro de Aquino (“Vidas Cinzas”) Melhor Edição de Som – Rafael Vieira (“Abismo”) Melhor Trilha Sonora – Alexsandra Stréliski e Ludovico Einaudi (“Plantae”) Melhor Direção de Arte – Rachel Oleksy (“Teodora Quer Dançar”) Melhor Ator – Jurandir de Oliveira (“Abismo”) Melhor Atriz – Mariana Badan (“Teodora quer Dançar”) Menções Honrosas – “Marias”, “Plantae” e “Insone” MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS Melhor Filme – “Uma Balada para Rocky Lane” Melhor Direção – Diego Melo (“Seja Feliz”) Melhor Roteiro – Fabio Ock (“Seja Feliz”) Melhor Fotografia – Henrique Spencer (“Frequências”) Melhor Montagem – Marcos Buccini (“O Consertador de Coisa Miúdas”) Melhor Edição de Som – Adalberto Oliveira (“Frequências”) Melhor Trilha Sonora – Neilton Carvalho (“O Consertador de Coisas Miúdas”) Melhor Direção de Arte – Lia Letícia (“Frequências”) Melhor Ator – Heraldo Carvalho (“Edney”) Melhor Atriz – Roberta Mharciana (“Cara de Rato”) PRÊMIO DA CRÍTICA Melhor Longa-Metragem – “Christabel” Melhor Curta Nacional – “Abismo” Melhor Curta Pernambuco – “Seja Feliz” PRÊMIO CANAL BRASIL Melhor Curta: “Universo Preto Paralelo” (SP)
Documentário sobre Alexander McQueen ganha primeiro trailer
A Bleeker Street divulgou o trailer e o pôster de “McQueen”, documentário sobre o estilista britânico de moda Alexander McQueen. A vida e a obra do mais ousado criador da alta costura ganha as telas por meio de depoimentos de familiares, amigos e influenciados, além das palavras do próprio McQueen, enquanto imagens de arquivo revelam o que o tornou tão falado – e temido. Com uma genialidade indiscutível, Alexander McQueen foi o mais gótico dos fashion designers, obcecado por influências sombrias. A inspiração vinha de sua própria depressão, que dominou sua vida até levá-lo ao suicídio em 2010. O documentário tem direção de Ian Bonhôte (diretor de clipes e curtas) e Peter Ettedgui (roteirista de “A Verdade sobre Marlon Brando”). Exibido no Festival de Tribeca em abril, chega aos cinemas em 8 de junho no Reino Unido e não tem previsão de lançamento no Brasil.
Todos os Paulos do Mundo presta bela homenagem a Paulo José
Paulo José é um dos maiores atores da história do cinema brasileiro. Sua força interpretativa, aliada a uma voz marcante e a uma versatilidade impressionante, povoam o nosso cinema de grandes personagens e alguns filmes históricos. É só lembrar de “Macunaíma”, “O Padre e a Moça”, “Todas as Mulheres do Mundo”, “Edu, Coração de Ouro”, “O Homem Nu”, “Os Deus e os Mortos”, “O Rei da Noite”, “Ilha das Flores”. São incontáveis os trabalhos de Paulo José que marcaram o cinema nacional desde os anos 1960. São seis décadas de atuação desse nosso carismático ícone. Não se pode deixar de lado, também, a contribuição de Paulo José para o teatro. Seu papel como integrante do renovador Teatro de Arena, nos anos 1960 e 1970. E a sua participação ativa na TV, especialmente depois que o Ato Institucional no. 5 aprofundou a opressão da ditadura militar sobre as artes, fechando as portas que tinham sido abertas pelo Cinema Novo e o teatro de resistência do período. Na TV, pôde fazer alguns trabalhos importantes, que serão sempre lembrados, por terem reunido naqueles tempos artistas de muito gabarito, que não conseguiam se expressar melhor por outros meios. Pois bem, Paulo José chega aos 80 anos e é muito justo e oportuno que seja homenageado pelo cinema, para quem tanto contribuiu e ainda contribui, mesmo enfrentando há 25 anos o mal de Parkinson, que acabou por produzir uma perda de voz, ou melhor, uma voz mais fraca e tímida, que se pode ouvir no documentário “Todos os Paulos do Mundo”, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira. O filme costura um vasto material de arquivo de imagens do trabalho magnífico do ator no cinema e também na TV, com momentos atuais de Paulo José. E o faz de uma forma poética, estabelecendo um vínculo entre esse legado e o autorretrato verbal do próprio ator. Paulo José escreve sobre aspectos importantes de sua vida e de sua arte, além de suas reflexões sobre a cultura brasileira e esses textos são interpretados por ele e por seus amigos e parceiros artísticos, como Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves, Selton Mello, Helena Ignez, Marieta Severo, Mariana Ximenes, Matheus Nachtergaele, entre outros. Também vemos em cena suas parcerias com Dina Sfat, Marília Pêra, Joana Fomm, Flávio Migliaccio, José Lewgoy e tanta gente mais. É uma profusão de talentos que preenche a tela. Esse formato que acopla textos do próprio ator às suas performances, sem entrevistas de outros, nem avaliações críticas de quem quer que seja, mostra que a arte de Paulo José e seu pensamento falam por si. A importância do sua obra salta aos olhos, até para aqueles mais jovens que só conhecem seus trabalhos mais recentes, como o de “O Palhaço”, dirigido por Selton Mello, em 2011, ou suas participações na TV. Quem viveu e acompanhou a trajetória de Paulo José tem no filme um mergulho na história cultural do país, na realidade brasileira com suas mazelas, utopias, tragédias e alegrias. Inevitavelmente, uma saudade e um sentido nostálgico aparecerão. Não porque ontem tenha sido necessariamente melhor do que hoje, mas porque o vivido foi bonito e envolveu muita luta. Paulo José é uma testemunha de tudo isso, numa trajetória que ele diz que foi mais marcada por fracassos do que por sucessos. É possível. Mas o que fica do seu trabalho é tão denso que o que se vê é o dinamismo e a beleza de sua arte. O resto já se perdeu, ganhou novo significado ou não importa.
Ex-Pajé denuncia consequências da evangelização dos índios brasileiros
Luiz Bolognesi é um de melhores roteiristas brasileiros de ficção. Só no ano passado, ele assinou o roteiro de dois dos filmes mais importantes do período, “Bingo – O Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende, e “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, sua esposa. Isso para citar apenas dois mais recentes. Mas já havia dentro de sua filmografia um interesse muito especial pela Amazônia e pelos índios. Além de documentários sobre a Amazônia, seu longa anterior como diretor foi a animação “Uma História de Amor e Fúria” (2013), que também contava em parte a história do índio brasileiro. “Ex-Pajé” é um documentário que mais parece com ficção. A história de Perpera, o personagem-título, é fascinante em sua dimensão trágica: um homem que se sente proibido de exercer a sua função tão importante na tribo (dos Paiter Suruí) porque virou evangélico e os líderes religiosos dizem que o que ele fazia antes era coisa do diabo. E agora o pobre ex-Pajé tem medo de dormir de luz apagada por causa dos espíritos da floresta, que estariam furiosos com sua atitude de renúncia. Esse mal estar é sentido em cada cena, em cada enquadramento, no modo como a tecnologia e o hábito dos brancos parece invadir aquele espaço. Por outro lado, não há uma vilanização dessa tecnologia. Como julgar um povo que, como nós, está aberto a certos confortos, como um ventilador, uma máquina de lavar roupas ou o acesso à internet? Inclusive, a internet é usada para fins muito nobres por parte dos índios mais jovens, dispostos a denunciar qualquer invasão de madeireiros ilegais no Facebook, com apoio internacional. Mas aí voltamos novamente ao aspecto trágico de Perpera, que veste um terno enorme para ficar de porteiro na igreja, sem entender sequer a língua portuguesa. Passa boa parte do tempo olhando para a natureza que parece lhe chamar a todo instante. O modo como o filme parece se transformar cada vez mais em uma obra de ficção se multiplica no momento em que o ex-Pajé é chamado a voltar à forma. Por manter a atenção do espectador com uma narrativa sem voice-over ou algo que o caracterize mais facilmente como um documentário, “Ex-Pajé” é dessas obras que funciona como denúncia real e drama envolvente. Uma arma em defesa dos direitos dos habitantes do Brasil pré-cabralesco, mas também um exemplo de como utilizar cenas do cotidiano para construir um roteiro tão perfeito que parece ter sido tudo combinado. Muita coisa deve ter sido, mas a mágica do filme e a sua verdade estão presentes o tempo todo. Inteiras.
Novo filme de Gaspar Noé é premiado no Festival de Cannes 2018
O filme “Climax”, do polêmico diretor Gaspar Noé, foi o grande vencedor da Quinzena dos Realizadores 2018, mostra paralela ao Festival de Cannes. A produção é outra obra de sexo explícito do cineasta argentino radicado na França, que chegou a ser descrita pelo jornal britânico The Guardian como “delírio satânico de sexo e desespero de uma trupe de dança”. No filme, uma companhia de dança faz uma festa pós-ensaio que ganha rumos inesperados quando os jovens dançarinos percebem que alguém batizou o ponche com LSD. O ápice da loucura é uma cena de orgia coletiva. Mas há momentos de terror puro. Veja o trailer aqui. Especialista em filmes sexualmente agressivos, Noé ficou conhecido por “Irreversível” (2002), que apresentou uma cena de 9 minutos de estupro da personagem de Monica Bellucci. Seu filme mais recente, “Love” (2015), tinha cenas reais e explícitas de sexo filmadas em 3D. O mais curioso é que o próprio Noé ficou surpreso com a reação positiva ao filme. Em entrevistas, ele disse que o seu agente o alertara para reações piores do que aos longas “Love” ou “Viagem Alucinante” (2009), exibidos em edições anteriores do festival francês. Mas aconteceu o oposto. Já o prêmio de melhor curta-metragem foi para “Skip Day”, documentário codirigido pelo americano Patrick Bresnan e a brasileira Ivete Lucas, que vive atualmente nos Estados Unidos. A dupla já tinha sido premiada no festival SXSW em 2016 pelo curta documental “Send Off” e prepara um documentário em longa-metragem sobre a cidadezinha retratada nos dois, “Pahokee”, uma comunidade majoritariamente negra e jovem da Flórida.
Deadpool 2 vira maior lançamento “para adultos” de todos os tempos no Brasil
A classificação etária para maiores de 18 anos não mudou a programação da Fox para “Deadpool 2”, que chega aos cinemas nesta quinta (17/5) em aproximadamente 1,4 mil salas. Trata-se da maior distribuição de um filme para adultos de todos os tempos no Brasil. Contribui para a elevada expectativa de comparecimento o fato de os filmes de super-heróis arrasarem quarteirões no país mesmo quando são ruins – o Brasil foi um dos países em que “Liga da Justiça” fez mais sucesso – , além de ser uma continuação com personagem conhecido e o investimento em marketing criativo ter sido esmagador – até Rubens Barrichello se envolveu na divulgação. A cereja no topo é o fato de “Deadpool 2” ser uma fantástica explosão metalinguística de violência e humor negro, que tende a deixar o público na dúvida se acredita no que está vendo ou se cobre os olhos para não ver. A história? O que que menos importa é a história. Quem viu o primeiro, já sabe o que esperar. E tem o detalhe: o filme está com 85% de aprovação no site Rotten Tomatoes, então é oficialmente melhor que o primeiro, que teve 83% de críticas positivas. A contraprogramação nos shoppings é um desenho animado para crianças, infantilóide a ponto de dispensar trabalho aos neurônios. Produção alemã, “A Abelhinha Maya: O Filme” é um derivado de uma série televisiva do Studio 100 Animation (o mesmo que produziu as novas séries de “Heidi” e “Vicky, o Viking”) exibida no canal pago Disney Junior. No circuito limitado, o destaque é o documentário “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, que venceu vários prêmios internacionais. Ao cobrir o Impeachment de Dilma, o filme escancara a bizarrice que reina no Congresso nacional, um show de horrores que os eleitores precisam parar de prestigiar. Dito isso, sua narrativa tenta diferenciar os que vestem vermelho, embora, na vida real, tanto estes quanto aqueles se igualam em outros processos, que não são políticos, mas criminais. Completam a programação limitada quatro dramas. Dentre eles, o brasileiro “Querida Mamãe” e o japonês “Entre-Laços” têm em comum o tema da aceitação e da tolerância em relação à sexualidade de pessoas que compõem as famílias abordadas. Vale avisar que o japonês é muito melhor resolvido, tanto que venceu o Teddy Award (melhor filme de temática LGBT) do Festival de Berlim. Confira abaixo todos os filmes, com sinopses e trailers, que estreiam nesta semana nos cinemas. Deadpool 2 | EUA | Super-Heróis Quando o super-soldado Cable (Josh Brolin) chega em uma missão para assassinar o jovem mutante Russel (Julian Dennison), o mercenário Deadpool (Ryan Reynolds) precisa aprender o que é ser herói de verdade para salvá-lo. Para isso, ele recruta seu velho amigo Colossus e forma o novo grupo X-Force, sempre com o apoio do fiel escudeiro Dopinder (Karan Soni). A Abelhinha Maya: O Filme | Alemanha | Animação Quando a entusiasmada Maya surpreende de maneira negativa a Imperatriz de Buzztropolis, ela é forçada a formar uma equipe para competir nos Jogos de Mel. Com a chance de salvar sua colmeia, Maya irá conhecer novos amigos, além de adversários extremamente habilidosos, e se aventurar além do jogo. O Processo | Brasil | Documentário A diretora Maria Augusta Ramos passou meses no Planalto e no Congresso Nacional captando imagens sobre votações e discussões que culminaram no Impeachment da “presidenta” Dilma Rousseff, e mostra os bastidores políticos da crise política sem nenhum tipo de abordagem direta, como entrevistas ou intervenções nos acontecimentos. Querida Mamãe | Brasil | Drama Heloísa (Letícia Sabatella) é uma médica que sofre de infelicidade crônica, tendo problemas com o marido (Marat Descartes) e a própria mãe (Selma Egrei), a quem constantemente acusa de tê-la preterida pela irmã. Após se separar do marido, Heloísa conhece no hospital em que trabalha a pintora Leda, que sofreu um acidente de carro. Grata pelo atendimento prestado, Leda deseja pintar um quadro da médica. Inicialmente reticente, ela aceita a proposta e, ao visitar o ateliê, acaba se envolvendo com a pintora. Entretanto, por mais que o novo relacionamento deixe Heloísa bem mais feliz, ela precisa lidar com o preconceito tanto de sua mãe quanto da própria filha. Entre-Laços | Japão | Drama Aos 11 anos de idade, Tomo é abandonada pela mãe e terá que confiar na ajuda de seu tio, que a leva para morar com ele e sua namorada Rinko. Inicialmente com pensamentos confusos após descobrir que Rinko é uma mulher transexual, Tomo vai aos poucos descobrindo o verdadeiro sentido de família. A Natureza do Tempo | Argélia, França, Alemanha | Drama Argélia, tempos atuais. Entre as novas configurações da sociedade árabe contemporânea, a vida de três pessoas completamente distintas irão se interligar inesperadamente: a de um corretor de imóveis rico, de um médico neurologista ambicioso preso ao seu passado e a de uma bela jovem totalmente dividida entre a razão e a emoção. Paris 8 | França | Drama Etienne se muda para Paris para estudar cinema. Na faculdade, ele conhece dois jovens que compartilham objetivos similares aos seus, mas, ao longo do ano, nem tudo sai como o planejado.
Trailer de documentário sobre Whitney Houston inclui cenas da cantora drogada
A Roadside Attracktions divulgou o pôster, uma cena e o trailer de “Whitney”, documentário sobre a cantora Whitney Houston. A obra é o primeiro filme autorizado pela família sobre a cantora, que faleceu em 2012, afogada numa banheira após usar cocaína. A prévia é o oposto do que se imaginaria de uma produção “chapa branca”, um retrato bastante íntimo e revelador, incluindo cenas exclusivas de bastidores de shows e da vida privada da cantora, que a flagram em seus dois extremos, no auge do sucesso e no fundo do poço das drogas. A produção também inclui muitos depoimentos de familiares e amigos, numa narrativa que destaca seu enorme talento e também os problemas pessoais, que são abordados de forma antagônica por Cissy, sua mãe, e o cantor Bobby Brown, seu ex-marido. O filme tem direção do cineasta Kevin Macdonald (“O Último Rei da Escócia”), que assina seu segundo documentário musical – o primeiro foi “Marley” (2012), sobre o cantor Bob Marley. “Whitney” tem première mundial nesta quarta (16/5) no Festival de Cannes 2018 e estreia nos cinemas americanos em 6 de julho. Ainda não há previsão para o lançamento no Brasil.
O Processo: Filme do Impeachment de Dilma vence festival de documentários de Madri
“O Processo”, de Maria Augusta Ramos, que retrata o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, venceu o principal troféu do Festival Documenta Madri, na Espanha, como Melhor Documentário Internacional. O júri justificou o prêmio “pela energia e tensão com que revela a teia de interesses que subjaz a uma situação de ressonâncias globais para as quais é dado um tratamento deliberadamente simples”. O filme já tinha levado o Prêmio Silvestre e o Prêmio do Público de Melhor Filme no Festival Indie Lisboa, em Portugal, e vencido o Festival Internacional de Documentários Visions du Reel em Nyon, na Suíça. Antes disso, tinha sido escolhido pelo público como o terceiro melhor documentário da mostra Panorama, durante o Festival de Berlim.
Estreias de cinema apresentam remake fracassado e comédia bem-sucedida
A programação de cinema recebe 11 novos lançamentos nesta quinta (10/5), mas, ainda sob impacto de “Vingadores: Guerra Infinita”, nenhum tem perfil de blockbuster. Os mais amplos são “Desejo de Matar” e “A Noite do Jogo”. O primeiro é remake do clássico de vingança dos anos 1970, com Bruce Willis no papel que eternizou Charles Bronson. Fracassou nas bilheterias norte-americanas e tem apenas 17% de aprovação no site Rotten Tomatoes – podrão. O segundo é um dos besteiróis mais bem-avaliados dos Estados Unidos nos últimos anos, com 82% de aprovação e direção dos roteiristas do blockbuster “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (2017). Ainda na dúvida sobre qual ver? Todos os demais preenchem o circuito alternativo, com direito a nada menos que quatro documentários. A lista destaca a nova comédia britânica do diretor Richard Loncraine (“Wimbledon: O Jogo do Amor”), o novo drama japonês de Naomi Kawase (“O Segredo das Águas”) e um velho drama francês filmado em preto e branco por Philippe Garrel – uma estreia de 2015, ou seja, anterior ao igualmente preto e branco “Amante por um Dia” (2017) do mesmo diretor, lançado há dois meses no Brasil. Confira abaixo todos os filmes, com sinopses oficiais e trailers, que estreiam nesta semana nos cinemas. Desejo de Matar | EUA | Ação Um homem gentil tem sua vida transformada quando sua família é abalada por um ato de violência que machuca a todos. Em busca de justiça, ele se transforma em uma máquina mortífera, para conseguir fazer justiça com as próprias mãos. A Noite do Jogo | EUA | Comédia Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams) participam de um grupo de casais que organizam noites de jogos. O irmão de Max, Brooks (Kyle Chandler), chega decidido a organizar uma festa de assassinato e mistério e acaba sequestrado, levando todos a acreditarem que o sumiço faz parte da misteriosa brincadeira. Os seis amigos competitivos precisam então resolver o caso para vencer o jogo, cujo rumo vai se tornando cada vez mais inesperado. Acertando o Passo | Reino Unido | Comédia Casada há 40 anos, Lady Sandra Abbott (Imelda Staunton) descobre que seu marido tem tido um caso amoroso com sua melhor amiga. Ela decide começar a fazer aulas de dança comunitária junto da irmã e acaba descobrindo um novo sopro de diversão e romance em sua vida. À Sombra de Duas Mulheres | França, Suiça | Drama Pierre e Manon formam um casal de documentaristas que sobrevivem fazendo trabalhos temporários para poder dar suporte aos filmes que desejam realizar. Apesar de estar apaixonado por Manon, Pierre acaba conhecendo Elizabeth e, a partir daí, deseja manter o relacionamento com as duas mulheres. No entanto, as coisas não sairão como ele espera. Esplendor | Japão | Drama Misako (Ayame Misaki) é uma cineasta apaixonada pelas versões cinematográficas destinadas a deficientes visuais. Durante a exibição de um dos seus filmes, ela conhece Masaya Nakamori (Masatoshi Nagase), um fotógrafo que está perdendo a sua visão, mas que guarda um acervo de fotografias que atrairá Misako e fará com que ela se conecte com seu passado. Attack On Titan: Fim do Mundo | Japão | Ação Eren Jäeger continua lutando na guerra entre os Titãs e os humanos sobreviventes. À medida que a batalha continua, ele descobre que tem a habilidade de se transformar em um Titã. Agora, as pessoas que Eren Jurou proteger o consideram mais um dos monstros que precisam derrotar. Para ter Onde Ir | Brasil | Drama No Pará, a história de três amigas inseparáveis e completamente diferentes: Eva Maués, uma mulher formal e madura cheia de incertezas; Melina Ribeiro, uma mulher livre que busca o grande amor; e Keithylennye, que por infortúnios da vida teve que abandonar sua adorada função de dançarina de tecnobrega. Hare Krishna! O Mantra, o Movimento e o Swami que Começou Tudo | EUA | Documentário Fundador do movimento espiritual Hare Krishna, Srila Prabhupada chegou aos Estados Unidos em 1965 com 70 anos e praticamente nenhum dinheiro ou contatos. Morando em Nova Iorque, ele começou a dar palestras interpretando antigos sânscritos indianos na época do auge da contracultura, e os jovens hippies, inclusive George Harrison dos Beatles, rapidamente se juntaram. O swami foi um incansável promotor até sua morte em 1977, tendo viajado por todo o mundo para espalhar sua mensagem. Todos os Paulos do Mundo | Brasil | Documentário A carreira de Paulo José como ator é revista a partir de seus filmes, dos icônicos “Todas as Mulheres do Mundo” a “Macunaíma”, passando ainda por “O Padre e a Moça”, “Juventude” e “O Palhaço”. Ícone do cinema brasileiro, a trajetória de Paulo José serve também como retrato de uma era no audiovisual do país. Chega de Fiu Fiu | Brasil | Documentário Através de imagens coletadas por câmeras escondidas, o dia a dia de três mulheres com vidas distintas é retratado, mostrando como a violência de gênero é constantemente praticada no espaço público urbano. Dessa forma, as diretoras Amanda Kamanchek Lemos e Fernanda Frazão procuraram especialistas para discutir sobre o assunto, buscando encontrar respostas e alternativas para a uma questão fundamental: Será que as cidades foram feitas para as mulheres? O Renascimento do Parto 2 | Brasil | Documentário O Brasil é o país com o maior número de cesáreas no mundo. O documentário busca elucidar os mitos em torno do parto normal e divulgar os cuidados para a realização dele.
Prédio que desabou em São Paulo vai virar documentário
O incêndio e desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no centro de São Paulo, vai repercutir no cinema. O prédio está no centro de um documentário, que já estava sendo filmado antes da tragédia e incluirá sua transformação em ruínas. A diretora Denise Zmekhol (do documentário “Children of the Amazon”) desenvolvia o projeto desde o ano passado, registrando os ângulos do edifício modernista de 24 anos como uma homenagem para seu pai, o arquiteto Roger Zmekhol (1928-1976), que projetou o prédio inaugurado em 1968 e destruído no dia 1º de maio. “Foi como se meu pai morresse outra vez”, disse Denise sobre o desabamento, para a coluna de Mônica Bergamo no jornal Folha de S. Paulo. O título do filme será “Pele de Vidro”, nome pelo qual a construção era conhecida. Na época, era uma das construções mais luxuosas do Brasil, o primeiro prédio de ar-condicionado central no país, e todos os seus vidros eram importados. Mas o dono se endividou e vendeu o prédio para a União, que o usou como sede da Polícia Federal, do auge da ditadura até 2003. Com a desocupação, o prédio foi tomado por um movimento social de moradia e deteriorou, a ponto de virar pó e sucata. A história do prédio, diz a cineasta, é “uma grande metáfora do Brasil”. “E esse final… Poxa, é triste! Não é o que a gente espera, o que a gente gostaria. Você fica pensando: ‘Puts, esse é o fim da história. Uma explosão, uma destruição’. É assim que eu vejo: como uma metáfora da situação do Brasil nos últimos 50 anos”, afirmou para a Folha. Ela também contou que ainda não conseguiu processar a tragédia. “Saber que morreram pessoas, que há desaparecidos, que o prédio não existe mais… As pessoas perderam a moradia, a cidade perdeu um prédio histórico. Todo mundo perdeu”, afirma. “As pessoas que morreram e o prédio em si são muito maiores do que aquilo que eu possa estar sentindo hoje.” “Talvez eu ficasse esperando anos para saber como eu ia terminar [o documentário]. Mas agora o filme já tem o seu final.”
Vingadores: Guerra Infinita chega com força total aos cinemas
Os super-heróis da Marvel chegam com força total nesta quinta (26/4), ocupando mais de mil telas de cinemas. Mas o circuito limitado resiste ao esmagamento do blockbuster com a programação de mais oito lançamentos, dos quais cinco são produções nacionais. Clique nos títulos de cada filme para ver os trailers de cada estreia. Culminação do plano de dez anos da Marvel para conquistar o mundo, “Vingadores: Guerra Infinita” é o crossover mais ambicioso já feito. Ou seja, um longa que necessita que o espectador tenha visto vários outros filmes antes de entrar no cinema. Ápice do gênero dos filmes de quadrinhos, em que tudo é continuação e o próximo capítulo precisa superar o anterior, o terceiro “Vingadores” é hiperlativo em tudo, da maior quantidade de super-heróis já reunida à maior duração de uma produção do estúdio, sem esquecer da maior quantidade de lutas. Festival de socos e chutes, tem ação do começo ao fim, com algumas piadinhas típicas, mas num tom dramático que costuma ser mais associado aos longas da DC Comics, com direito até à morte de Superman – ou equivalente reversível na Marvel. Trata-se também do mais caro comercial de todos os tempos, com US$ 150 milhões investidos por empresas de carros, refrigerantes e outras para incluir seus produtos em momentos estratégicos da projeção. Mas os fãs nem perceberão as mensagens subliminares, já que o final trágico monopolizará as discussões por pelo menos um ano, até o próximo filme, num exemplo da eficiência máxima da fórmula Marvel de cinema. O fiapo da história que justifica a sinergia de marcas, reunindo Vingadores, Guardiões da Galáxia, Doutor Estranho e personagens de Pantera Negra, gira em torno da ameaça de Thanos, supervilão que chega para mostrar para a Warner o que ela podia ter feito com Darkseid. Quarteirões serão arrasados com os inevitáveis recordes de bilheteria. Dramas indies A programação inclui mais três filmes falados em inglês, dois deles ingleses de verdade, todos dramáticos e de estúdios independentes. “Estrelas de Cinema Nunca Morrem” traz Annette Bening (“Mulheres do Século 20”) como a estrela do cinema noir Gloria Grahame (“No Silêncio da Noite”, “Os Corruptos”) no final de sua vida. E sua atuação é o grande destaque da produção, que tem diretor fraquinho (Paul McGuigan, de “Victor Frankenstein”) e segue a estrutura convencional das obras biográficas. Na trama, Bening incorpora a estrela hollywoodiana já em fase decadente, que viaja para Liverpool, na Inglaterra, em 1981 para trabalhar numa peça de teatro, onde acaba se envolvendo num romance com um homem muito mais jovem, encarnado por Jamie Bell (“Quarteto Fantástico”). A história é baseada nas memórias de Peter Turner, o personagem de Bell. E o que começa como a atração de um jovem aspirante a ator por uma femme fatale lendária logo vira um relacionamento profundo, que precisará ser testado quando a atriz descobre que está morrendo de câncer, aos 57 anos de idade. Recebida com elogios da crítica, o longa viu sua aprovação cair de 95% para 80% no Rotten Tomatoes quando a atuação de Bening não lhe rendeu sua quinta indicação ao Oscar. “Somente o Mar Sabe” é o novo drama baseado numa história real do diretor James Marsh (“A Teoria de Tudo”). Narra a façanha do empresário britânico e marinheiro amador Donald Crowhurst, que, apesar de sua inexperiência, construiu um barco para participar de uma competição de velejadores em 1968, uma maratona solitária e sem paradas ao redor do mundo. Seu objetivo era ganhar o prêmio para saldar suas extensas dívidas, mas ao embarcar na viagem não levou em conta como seria difícil cumprir o trajeto. Desesperado sob a fúria dos elementos, ele decide forjar sua localização para sugerir que está sendo bem-sucedido em sua aventura. Colin Firth (“Kingsman: O Círculo Dourado”) vive o protagonista e o elenco também destaca Rachel Weisz (“A Luz Entre Oceanos”) como sua esposa. 73% no Rotten Tomatoes. “Tudo que Quero” presta homenagem aos fãs de “Star Trek”, ao ao acompanhar uma jovem autista obcecada pelo universo trekker, que sonha escrever para a franquia. Logo, uma competição de roteiros para uma nova história da série a faz fugir dos cuidados da terapeuta e da irmã mais velha para chegar à fronteira final: Los Angeles, um lugar inamistoso e cheio de perigos para alguém em suas condições. Dakota Fanning (“Amaldiçoada”) tem o papel principal e o elenco traz Toni Colette (“Uma Longa Queda”) como a terapeuta e Alice Eve (que já estrelou um filme da franquia, “Além da Escuridão: Star Trek”) como a irmã mais velha. A direção é do polonês Ben Lewin, de 71 anos de idade, cujo trabalho mais recente foi o premiado drama indie “As Sessões” (2012). Para completar, a trilha é do guitarrista brasileiro Heitor Pereira (da franquia “Meu Malvado Favorito”). O resultado, porém, tem apenas 58% de aprovação – média para se ver em streaming. Festival de cinema brasileiro Em compensação, vale a pena ir ao cinema apreciar as produções nacionais da semana, que contam histórias necessárias do Brasil atual. “Praça Paris” venceu os prêmios de Melhor Direção e Atriz no Festival do Rio do ano passado. Suspense dramático, acompanha uma terapeuta portuguesa (Joana de Verona, de “Mistérios de Lisboa”) que trabalha na UERJ, onde atende Glória (Grace Passô, a premiada, de “O Roubo da Taça”), ascensorista da universidade, que lhe narra uma realidade bastante violenta – foi estuprada pelo próprio pai quando criança e seu irmão é um perigoso bandido que está na prisão. Cada vez mais assustada com os relatos, a terapeuta se sente ameaçada ao mesmo tempo em que Glória passa a vê-la como algo essencial em sua vida. Dirigido pela veterana Lúcia Murat (“A Memória que me Contam”), o longa exibe um retrato perturbador do Brasil atual, com elementos para se discutir racismo, empoderamento feminino e divisões sociais do país. E com uma tensão aflitiva, que não deixa seguro nem quem está no cinema. “A Cidade do Futuro” gira em torno de um relacionamento homoafetivo e a formação de uma família moderna por um casal gay e a irmã grávida de um deles. Entretanto, a história se passa no sertão baiano, marcado por machismo e homofobia, e foi inspirada em experiências reais do trio de atores (Mila Suzarte, Gilmar Araújo e Igor Santos) que, não por acaso, emprestam seus próprios nomes aos personagens. Assim, o filme dos codiretores Marília Hughes Guerreiro e Cláudio Marques (“Depois da Chuva”) simboliza os dramas reais de inúmeras pessoas obrigadas a deixar seus lares e migrar para terra desconhecida, devido à intolerância. Uma denúncia importante sobre um fenômeno que não vira manchete dos jornais, atualmente preocupados em avisar quem viajar à Copa 2018 que a Rússia é homofóbica. Mas a Rússia é aqui. Um dos principais documentários do ano, “Ex-Pajé” chega ao circuito comercial após ganhar Menção Especial no Festival de Berlim e vencer o prêmio da crítica no É Tudo Verdade. Novo trabalho de Luiz Bolognesi, roteirista de “Elis”, “Como Nossos Pais” e “Bingo: O Rei das Manhãs” e diretor da premiada animação “Uma História de Amor e Fúria”, registra os povos da floresta Amazônica nos dias de hoje, a partir da história de Perpera, um índio Paiter Suruí que viveu até os 20 anos numa tribo isolada onde se tornou pajé. Mas, após o contato com os homens brancos, ouviu de um pastor evangélico que ser pajé é coisa do diabo e viu sua tribo se voltar contra ele. O filme mostra como missões evangélicas aceleram a aculturação, transformando em pecado um estilo de vida que lograra escapar da dizimação desde a colonização portuguesa. A fotografia do espanhol Pedro J. Márquez (“Como Nossos Pais”) merece menção à parte, por ser de tirar o fôlego. Os dois documentários que fecham a programação são “Rogério Duarte – O Tropikaoslista”, um registro com entrevistas e imagens de arquivo do artista plástico tropicalista Rogério Duarte, figura fundamental da arte brasileira dos anos 1960 e 70, falecido há dois anos, e “Pagliacci”, dedicado à arte dos palhaços, que conta a trajetória do grupo LaMínima, criado por Fernando Sampaio e pelo também recém-falecido ator Domingos Montagner (da novela “Velho Chico”).
Os Simpsons: Dublador de Apu afirma que pode abandonar personagem após controvérsia
A polêmica evolvendo o personagem Apu, devido à forma preconceituosa como os indianos são retratados na série animada “Os Simpsons”, fez o ator Hank Azaria, que dubla Apu, afirmar que pode deixar o papel. Durante entrevista ao “Late Show” de Stephen Colbert, na noite de terça (24/4), ele revelou ter refletido sobre o assunto e disse estar disposto a deixar de dublar o personagem, abrindo espaço para um dublador indiano, além de pedir roteiristas indianos na série. “Eu pensei muito nisso. Muito mesmo. E meus olhos foram abertos. Eu acho que o mais importante é escutar as pessoas de origem indiana neste país e suas experiências. Ouvir as vozes deles significa incluí-los na sala dos roteiristas. Eu realmente quero ver indianos e pessoas do sul da Ásia nas salas de roteiro, informando em que direção o personagem pode seguir”, afirmou Azaria, que também dubla outros 30 personagens, entre eles Moe e o chefe de polícia Wiggam. “Eu estou perfeitamente disposto a sair e ajudar a fazer uma transição para algo melhor. Espero que ‘Os Simpsons’ façam isso. É o que eu sinto que é a coisa certa a fazer agora”, afirmou ele. O tratamento dado a Apu já rendeu até um documentário lançado em 2017, “The Problem with Apu”, em que o comediante Hari Kondabolu questionou tanto o estereótipo indiano, quanto o fato de ele ser dublado por alguém imitando o sotaque dos asiáticos. A resposta veio num episódio de “Os Simpsons” exibido no começo de abril, que só piorou a situação. Na trama, Lisa dizia: “Algo que começou há décadas, aplaudido e inofensivo, agora é politicamente incorreto. O que se pode fazer?” O comediante Hari Kondabolu, produtor e narrador de “The Problem with Apu”, reagiu negativamente logo após a exibição do episódio. Em sua conta no Twitter, ele escreveu: “Uau. Politicamene incorreto? Este foi o aprendizado do meu filme e da discussão que ele despertou? Cara, eu realmente amava este programa. Isto é triste.” Veja abaixo a entrevista com Hazaria, que aborda a controvérsia.












