Justin Bieber vai lançar série documental sobre novo disco
O cantor Justin Bieber revelou que vai lançar uma série documental na semana que vem, antecipando o lançamento de seu novo disco em 2020 – o primeiro em cinco anos. A produção deve abordar bastidores de gravações e de uma extensa turnê, recém-anunciada, que percorrerá a América do Norte entre maio e julho. O próprio Bieber fez o anúncio, apropriadamente, num vídeo publicado no YouTube. “Eu sinto que este disco será diferente do anterior, por conta de onde minha vida se encontra agora”, disse Bieber no vídeo, repleto de pensamentos banais tidos como profundos. “Como seres humanos, somos imperfeitos, meu passado, meus erros, todas as coisas pelas quais eu passei… Acredito que estou exatamente onde deveria estar e Deus me colocou exatamente onde ele me quer”. O vídeo ainda apresenta o novo perfil “maduro” que o cantor vai tentar emplacar. Nas cenas, um contemplativo Justin Bieber caminha por sucatas no deserto californiano, acompanhado por trechos de “Yummy”, o primeiro single do novo álbum. Que não é realmente muito diferente das gravações anteriores do cantor. A música chegará às plataformas digitais no próximo dia 3 de janeiro. A série, por sua vez, estreia antes disso, na próxima terça, dia 31 de dezembro. Não houve anúncio sobre a plataforma em que os capítulos será exibidos, subentendo que poderão ser acompanhados no YouTube. Também não foi destacado o título do álbum que será promovido. Mas tudo indica que pode ter sido batizado de Bieber 2020, uma hashtag escancarada no vídeo em tamanho gigante. Veja abaixo.
25 anos de sucesso natalino de Mariah Carey ganha documentário. Veja na íntegra
A Amazon divulgou um documentário sobre a história da música “All I Want for Christmas Is You”, de Mariah Carey, o maior sucesso de temática natalina deste século. Intitulado “Mariah Carey Is Christmas” (Mariah Carey É o Natal, em tradução literal), o vídeo é curto, com pouco mais de 11 minutos, e foi disponibilizado na íntegra na internet. Veja abaixo. A produção traz entrevistas com a cantora, seu produtor e outras pessoas envolvidos com o sucesso da canção, traçando desde a origem da música até seu fenômeno popular. “All I Want for Christmas Is You” ocupou o 1º lugar nas paradas de sucesso da Billboard durante 36 semanas desde 1994 e está no Livro de Recordes da Guinness como o maior sucesso de Natal de um artista solo em todos os tempos. Com vendas globais de mais de 16 milhões de cópias, o hit continua sendo o maior sucesso internacional de Carey, é o 12º single mais vendido da História e o mais vendido de Natal por um artista em geral. Até 2017, a música já havia rendido US$ 60 milhões em royalties, que vão aumentar muito com o revival gerado por seu aniversário. O documentário da Amazon também celebra os 25 anos do álbum “Merry Christmas” da cantora, de onde saiu a gravação original. “À medida que continuamos comemorando o 25º aniversário de ‘All I Want for Christmas Is You’, era importante para mim compartilhar parte da história por trás dessa música que ainda me traz alegria todos os anos. Espero que vocês gostem do vislumbre especial da Amazon Music sobre a magia desta música. Feliz Natal e Boas Festas!”, disse Mariah Carey, em comunicado.
Netflix prepara documentário sobre Taylor Swift
A Netflix revelou nesta quarta (4/12) que prepara um documentário sobre a cantora Taylor Swift. Intitulado “Taylor Swift: Miss Americana”, o filme tem direção de Lana Wilson e será exibido em janeiro no Festival de Sundance, em Utah (Estados Unidos), antes de chegar em streaming. Em seu perfil oficial no Twitter, a plataforma descreveu assim a produção: “Um olhar cru e emocionalmente revelador para uma das artistas mais emblemáticas do nosso tempo, enquanto ela aprende a abraçar seu papel não apenas como compositora e intérprete, mas como uma mulher que utiliza todo o poder de sua voz”. Ainda não há data prevista para “Taylor Swift: Miss Americana” aparecer em streaming. TAYLOR SWIFT: MISS AMERICANA Dir. Lana Wilson A raw and emotionally revealing look at one of the most iconic artists of our time as she learns to embrace her role not only as a songwriter and performer, but as a woman harnessing the full power of her voice. pic.twitter.com/ElUuMbmKAS — Netflix Film (@NetflixFilm) December 4, 2019
Martin Scorsese planeja documentário sobre a cena musical de Nova York dos anos 1970
Martin Scorsese definiu seu próximo projeto após “O Irlandês”. Em parceria com a produtora Imagine Entertainment, do colega Ron Howard, o cineasta vai retornar aos documentários musicais para explorar o cenário artístico de Nova York nos anos 1970. Não há muitos detalhes sobre o projeto, mas o período e local são os mesmos que inspiraram Scorsese a fazer a série “Vinyl”, da HBO, com Mick Jagger. Indiscutivelmente o caldeirão mais criativo da história da música popular, a cidade de Nova York deu origem ao punk rock, à new wave, à disco music, ao rap, ao hip-hop e ao garage house quase que de forma simultânea durante a década de 1970. Ainda não há distribuidora envolvida, mas Scorsese tem realizado seus trabalhos mais recentes com a Netflix, que nesta quarta (27/11) estreou “O Irlandês” em streaming, e no começo do ano lançou o documentário musical “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese”.
Show de Roberto Carlos em Jerusalém vai virar filme 3D com produção da equipe de Avatar
O show que Roberto Carlos realizou em Jerusalém, em 2011, vai ganhar uma versão diferenciada para o cinema. O espetáculo, em que Roberto canta em português, espanhol, inglês, italiano e hebraico, já rendeu um especial da Globo, disco ao vivo e foi lançado em DVD e Bluray com direção de Jayme Monjardim (“O Vendedor de Sonhos”). A diferença é que, para o cinema, também foram captadas imagens da visita do cantor a Jerusalém, que serão intercaladas às canções, em clima de documentário e produção em 3D da mesma empresa responsável pelo filme “Avatar”. A estreia está marcada para o dia 2 de dezembro.
Show orquestral do Metallica, em comemoração aos 20 anos do disco S&M, será exibido nos cinemas
A rede de cinemas UCI vai exibir no Brasil o show “Metallica & San Francisco Symphony Orchestra: S&M 2”, apresentação exclusiva da banda Metallica com acompanhamento orquestral. O show faz parte da comemoração dos 20 anos do disco sinfônico da banda, “S&M”, em setembro. Para marcar a data, a banda vai se apresentar novamente com a Orquestra Sinfônica de São Francisco, comandada pelo maestro Michael Tilson Thomas, nos Estados Unidos. A apresentação, que acontece no dia 6 de setembro, será registrada para a exibição nos cinemas. E já tem trailer. Veja abaixo. No Brasil, o documentário musical será exibido entre os dias 9 e 11 de outubro. Os ingressos já estão à venda no site da UCI e em salas de todo o país.
D.A. Pennebaker (1925 – 2019)
O cineasta D.A. Pennebaker, único documentarista premiado com um Oscar honorário pelas realizações da carreira, morreu na noite de quinta (1/8) de causas naturais, aos 94 anos. Maior mestre dos documentários musicais, ele ficou famoso ao registrar a turnê britânica de Bob Dylan de 1965, que registrou a difícil transformação do cantor folk em roqueiro, e foi indicado ao Oscar por sua cobertura da campanha presidencial de Bill Clinton em 1992. Donn Alan Pennebaker nasceu em 15 de julho de 1925 no subúrbio de Evanston, Illinois. “Penny” formou-se em engenharia mecânica na universidade de Yale, mas nunca seguiu a profissão. Em vez disso, tornou-se documentarista em 1953, ao filmar seu primeiro curta, “Daybreak Express”, que mostrava os trens sujos e abarrotados de Nova York como um retrato encantador, ao som da música de Duke Ellington que lhe servia de título. Foi o primeiro de seus muitos trabalhos em que a música tomou o primeiro plano. “A natureza do filme é musical”, ele disse uma vez, explicando sua preferência. Em 1959, Pennebaker juntou-se a Robert Leacock, Albert Maysles, Terry Filgate e Robert Drew na Drew Associates, produtora que lançou a célebre série documental “Living Camera”. Um dos trabalhos do diretor na série, “Mooney vs. Fowle”, sobre um jogo do campeonato colegial do futebol americano, venceu o prêmio principal no Festival de Cinema de Londres de 1962. Pennebaker e Robert Leacock também foram responsáveis, no início da década de 1960, por desenvolver os primeiros sistemas de câmera capazes de captar de forma sincronizada gravação de imagem e som, no formato de 16mm. A partir dessa inovação, que diminuiu o tamanho das equipes necessárias para registrar filmes documentais, os dois decidiram se juntar numa empresa própria, Leacock Pennebaker Inc. Um curta da companhia, sobre o vocalista de jazz David Lambert, chamou atenção internacional e levou o empresário de Dylan, Albert Grossman, a se aproximar de Pennebaker para filmar a turnê do músico na Inglaterra no ano seguinte. O resultado da filmagem foi o célebre “Don’t Look Back” (1965), um dos melhores documentários musicais de todos os tempos. “Penny” captou a essência de Dylan em sua turnê mais mítica, enfrentando as vaias dos fãs ao tentar se redefinir como cantor de rock, acompanhado por banda e tocando guitarra elétrica. Uma blasfêmia para quem surgiu na cena folk. Uma epifania para a história do rock. Sobre a reação de Dylan ao documentário, Pennebaker disse à revista Time em 2007: “Ele viu o filme pela primeira vez num projetor muito ruim e me disse: ‘Quando tivermos uma projeção melhor eu vou escrever todas as coisas que vamos ter que mudar’. Claro, isso me deixou um pouco triste. Na noite seguinte, nos reunimos novamente e ele se sentou na frente da tela com um caderno amarelo. No final do filme, ele me entregou o bloco em branco. ‘É isso aí que temos mudar’.” A abertura do filme, que mostrava Bob Dylan segurando diversos cartazes com a letra de “Subterranean Homesick Blues”, alternando os textos de forma sincronizada com a música, acabou “viralizando” antes dessa expressão significar o que representa hoje. Exibida de forma separada na TV, virou o primeiro Lyric Video de todos os tempos. Com o impacto desse filme na cena cultural da época, Pennebaker foi registrar outro marco da história do rock, o Festival de Monterey, de 1967. Lançado no ano seguinte como “Monterey Pop” (1968), o filme contou com performances que catapultaram para o estrelato ninguém menos que Janis Joplin e Jimi Hendrix. Mas, por incrível que pareça, nenhuma distribuidora se interessou em adquirir “Monterey Pop” para lançá-lo nos cinemas. Pennebaker acabou fechando com um cine pornô de Manhattan para a estreia. E o filme ficou um ano inteiro em cartaz naquele cinema, com as sessões sempre lotadas. O diretor especializou-se em documentários de rock, filmando shows de John Lennon, Little Richards, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e David Bowie, entre outros. Seu documentário sobre a turnê de “Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” (1973) é um dos melhores registros da fase glam da carreira de Bowie. Outro de seus trabalhos marcantes foi “Original Cast Album: Company” (1970), que documentou a exaustiva sessão de 18 horas e meia de gravação da trilha sonora do musical da Broadway que estabeleceu o recorde de 14 prêmios Tony, composta por Stephen Sondheim. A exibição causou tumulto no Festival de Nova York, com filas que precisaram ser organizadas pela polícia e agendamento apressado de segunda sessão, tamanha a procura. Infelizmente, devido a questões legais, o filme não encontrou distribuição até 1992, quando a RCA Victor o lançou em vídeo. Em meados dos anos 1970, Pennebaker firmou outra parceria importante com a colega cineasta Chris Hegedus, com quem trabalhou por mais de três décadas. E com quem se casou em 1982. Os dois realizaram um dos documentários musicais mais famosos dos anos 1980, “Depeche Mode: 101” (1989), sobre o show que encerrou a fase mais criativa da banda inglesa – anunciado na época como despedida do Depeche Mode. Mas mudaram totalmente de tema em seu filme mais celebrado da década seguinte. Para “The War Room” (1993), indicado ao Oscar de Melhor Documentário, Pennebaker e Hegedus focaram a campanha presidencial de Bill Clinton em 1992. Como os cineastas não tinham acesso ao próprio Clinton, as filmagens se concentraram nas estratégias políticas orquestradas pelo gerente de campanha James Carville e pelo diretor de comunicações George Stephanopoulos. O sucesso do filme transformou os dois em estrelas. Carville teve aparições em vários filmes e programas de TV e foi o conselheiro político de Hillary Clinton durante sua campanha presidencial de 2008, e Stephanopoulos virou comentarista de política na TV americana. A popularidade desse documentário gerou uma continuação, “The Return of the War Room” (2008), que reuniu os participantes originais para refletir sobre a paisagem da política americana e campanhas políticas da época. Pennebaker recebeu seu Oscar honorário em 2012, na primeira e até hoje única vez que a Academia reconheceu a carreira de um documentarista. E dedicou-o à sua esposa e parceira. Depois disso, ainda fez mais um filme ao lado dela, “Unlocking the Cage” (2016), sobre direitos animais. Do primeiro curta ao último longa, todos os seus filmes mantiveram a mesma característica, uma marca de Pennebaker que influenciou a carreira de muitos documentaristas: a ausência completa de narração e entrevistador. Ele dizia que seus filmes não eram didáticos e preferia ser comparado ao dramaturgo Henrik Ibsen do que a um repórter. “Este é o meu segredo: minha vontade de virar Ibsen. Existem coisas acontecendo o tempo todo com as pessoas. Você não precisa dramatizar nada ou roteirizá-las [para filmar um documentário]”.
O Barato de Iacanga vence o festival In-Edit Brasil
O filme “O Barato de Iacanga”, de Thiago Mattar, foi anunciado como vencedor do prêmio do júri do Festival In-Edit Brasil 2019, realizado em São Paulo e focado em documentários musicais. Com imagens raras de shows, “O Barato de Iacanga” resgata o lendário Festival de Águas Claras, que teve quatro edições realizadas entre 1975 e 1984 numa fazenda em Iacanga, no interior paulista. Considerado o “Woodstock brasileiro”, o evento reuniu artistas como Os Mutantes, João Gilberto, Gonzaguinha, Gilberto Gil, Som Nosso de Cada Dia, Egberto Gismonti, Raul Seixas, Alceu Valença e Jorge Mautner. E sofreu perseguição da ditadura militar por conta de sua influência hippie – com amor e drogas livres. A pesquisa de material do diretor, em busca de registros considerados perdidos, durou 10 anos. Com a vitória, “O Barato de Iacanga” será exibido também na edição 2019 do In-Edit em Barcelona e no circuito internacional dos festivais In-Edit. O júri do In-Edit Brasil ainda concedeu um prêmio especial para “Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos”, dirigido por Daniela Broitman, que também ficou com o Prêmio do Público. Veja abaixo o trailer do principal vencedor.
Novo “documentário” de Bob Dylan na Netflix é trollagem de Martin Scorsese
Martin Scorsese trollou o público e a crítica com seu novo filme. Boa parte das entrevistas incluídas no documentário “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese” não são verídicas. São gravações de personagens fictícios ou histórias inventadas para a produção. O filme traz Sharon Stone e outros famosos fazendo relatos fantasiosos sobre seus supostos envolvimentos com a turnê de Bob Dylan retratada no longa. Mas Sharon Stone não viu os shows, muito menos se juntou à excursão na adolescência para cair na pegadinha de que “Just Like a Woman” (de 1966) tinha sido feito para ela. Entre outras histórias, o atual CEO da Paramount Pictures também não foi promotor da aventura musical de 1975. Os relatos são o que se costuma chamar de mentiras. Ou atuações, quando as mentiras seguem um roteiro. Há, inclusive, depoimentos de pessoas que simplesmente não existem. Um dos entrevistados, Jack Turner (na verdade, o ator Michael Murphy), é o protagonista da minissérie “Tanner ’88″, uma das primeiras produções da HBO, dirigida pelo cineasta Robert Altman em 1988. Outro, Stefan van Dorp, supostamente um diretor de cinema europeu que foi contratado para documentar a turnê de Bob Dylan nos anos 1970, é de fato Martin von Haselberg, marido da atriz Bette Midler. “Não estamos chamando-o de documentário”, explicou Margaret Bodde, uma das produtoras, ao ser questionada pela imprensa americana sobre o lançamento. A palavra “Story” realmente faz parte do título do filme. Mas o release oficial da Netflix chama o longa de “parte documentário, parte filme de show e parte sonho febril”. Enquanto a palavra documentário está logo no começo da definição, a palavra ficção não pode ser vista em “parte” alguma. “Sonho febril” é uma figura poética e não uma classificação de gênero. Por conta disso, muitas críticas já publicadas consideraram a obra como um relato autêntico, um documentário real da turnê Rolling Thunder Revue, que Dylan realizou entre 1975 e 1976. A turnê foi folclórica por incluir cidades que normalmente não faziam parte da rota dos grandes shows, no interiorzão americano, e por também ter virado uma “caravana musical”, que levava, entre os músicos da banda, artistas tão diferentes quanto as cantoras folk Joan Baez e Joni Mitchel e a punk Patti Smith, sem esquecer do ex-Byrds Roger McGuinn, o ex-Beatle Ringo Starr e o ex-Spiders from Mars Mick Ronson, além do poeta Allen Ginsberg e os atores Sam Shepard, Dennis Hopper e Bette Midler. Alguns aparecem em registros da época e em depoimentos para o filme. O próprio Dylan concedeu entrevista para a produção, rompendo um longo isolamento auto-imposto. Notavelmente recluso, o músico raramente fala com a imprensa. Mas Scorsese não é imprensa. E o filme não é realmente um documentário, no sentido jornalístico que se atribui ao gênero. Scorsese já tinha feito um trabalho documental bastante elogiado sobre Dylan há 14 anos, no épico “No Direction Home”, dedicado à carreira do cantor. Não há informações sobre o que teria motivado o cineasta a fazer um mockumentário desta vez. Nem explicações sobre a falta de avisos sobre o conteúdo parcialmente falso do projeto. Em vez disso, há teorias. E o filme do diretor Todd Haynes, “Não Estou Lá” – uma ficção que conta a história de Bob Dylan sem a presença de Dylan, mas repleta de suas múltiplas personalidades, inventadas pelo cantor ao longo de sua trajetória. Interessante reparar que, nos shows registrados pela “parte documentário” do filme, Dylan aparece com o rosto pintado com maquiagem branca de mímico, como a dizer que aquilo tudo era encenação. E, não, a banda Kiss não inspirou esse visual, porque essa é outra mentira do filme, diretamente da boca que canta “Too Much of Nothing”. Ou seja, mesmo depoimentos que poderiam ser reais também incluem ficção. Levou quase cinco décadas, mas Scorsese pegou a deixa da mímica do cantor em 1975. Graças a isso, “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese” é mais uma invenção da carreira de Bob Dylan.
Festival Cine-Edit Brasil faz festa de documentários musicais com filmes e shows
O Festival Cine-Edit Brasil chega a sua 11ª edição nesta quarta (12/6) em São Paulo, fazendo um panorama abrangente da produção de documentários musicais no país e no mundo. Até 25 de junho, o evento vai exibir, ao todo, 57 filmes em cinco salas – Spcine Olido, CCSP, Cinemateca e Matilha Cultural, com entrada gratuita, e no CineSESC, com ingressos a R$ 12. Também estão programadas sessões especiais do lançamento da série “História Secreta do Pop Brasileiro”, de André Barcinski, sobre músicas da Xuxa, Gretchen e as picaretagens que fizeram sucesso nos anos 1970 e 1980. Sem esquecer de atividades paralelas, como uma Feira de Vinil e muitos shows, que levam o festival a ocupar novos espaços, como a Sala Olido, Sala Adoniran Barbosa (CCSP), Cine Joia, Blue Note São Paulo e Z Largo da Batata. O fato de se tornar um projeto de fôlego, com expansão para mais locais e com shows de alguns dos artistas documentados, demonstra seu fortalecimento, mesmo tão próximo do É Tudo Verdade, o festival de documentários mais proeminente do Brasil – que acontece em abril, sempre lançando muitos filmes musicais. O longa de abertura é “My Generation”, um passeio pela era mod de Londres nos anos 1960, guiado pelo ator Michael Caine, com depoimentos de Paul McCarney, Roger Daltrey, Marianne Faithfull, Lulu e outros. A seleção internacional inclui mais 20 títulos de diversos países, a maioria produções inéditas no Brasil e sem previsão de estreia no circuito comercial, que abordam artistas tão diferentes quanto Joan Jett, Miles Davis, New Order, Ryuichi Sakamoto, Agnostic Front, Elvis Presley, Luther Pendergrass e Suede, além de gravadoras históricas, como Trojan e Blue Note, referências do reggae e do jazz, e até a lendária discoteca Studio 54, de Nova York. A lista nacional é ainda mais eclética, com diversas estreias nacionais. Há obras sobre artistas como Alceu Valença, Arrigo Barnabé, Dorival Caymmi, Arnaldo Antunes, Clementina de Jesus, Edy Star, grupo Rumo, A Grande Trepada, Nação Zumbi e também sobre gravadoras nacionais, como a Deck Discos, e movimentos musicais, do underground indie de “Guitar Days – An Unlikely Story of Brazilian Music”, à história da música eletrônica nacional, em “Eletronica:Mentes”, sem esquecer de “O Barato de Iacanga”, que lembra o lendário Festival de Iacanga, responsável por juntar em 1975 Os Mutantes, Som Nosso de Cada Dia e Jorge Mautner. Entre os curtas, destacam-se registros de artistas femininas, como “Beat É Protesto – O Funk Pela Ótica Feminina” e “Feito por Elas”, sobre bandas de rock femininas do underground paulistano. A programação completa, com todos os títulos, horários e endereços, pode ser conferida no site oficial.
In-Edit protesta contra decreto de liberação de armas em vídeo oficial do festival
O vídeo que divulga o In-Edit Brasil, Festival Internacional do Documentário Musical que começa na quarta (12/6) em São Paulo, traz um mensagem embutida contra o Projeto de Decreto n° 9785, de 2019, que facilita a venda de armas de fogo para a população brasileira. A peça traz imagens de quatro músicos que perderam suas vidas após receberem tiros: Sabotage, MC Daleste, Speedfreaks e Evaldo Rosa. Eles aparecem em meio de imagens de munição, com os rostos formados por uma montagem de balas. Sabotage foi morto por quatro tiros, em São Paulo, em janeiro de 2003, aos 29 anos, após provocar uma revolução no rap nacional com seu primeiro álbum solo, “Rap é Compromisso”, além de ter atuado nos filmes “Carandiru” e “O Invasor”. MC Daleste foi morto durante uma apresentação, em Paulínia, em 2013, aos 20 anos. Um dos precursores do funk paulista, ajudou a popularizar o gênero com canções como “Angra dos Reis”, “Água na Boca” e “Mina de Vermelho”. Speedfreaks foi encontrado em um valão, com marcas de tiros, em Niterói, em 2010, aos 36 anos. Considerado um dos pioneiros do hip-hop no Rio de Janeiro, gravou com Black Alien, Planet Hemp, Fernanda Abreu e Marcelo D2, entre outros, e teve canções remixadas por artistas como Afrika Bambaataa e Fat Boy Slim. Evaldo Rosa teve o carro alvejado por mais de 200 tiros, dados por militares do Exército, em frente ao quartel de Guadalupe, no Rio de Janeiro, quando passeava com sua família em abril passado, aos 51 anos. Era cavaquinista no grupo de pagode Remelexo da Cor. Todos eles deixaram um vazio enorme em suas famílias e no mundo artístico. Com esta ação, o In-Edit Brasil pretende convidar a sociedade a refletir melhor sobre o decreto e também se posicionar em pesquisa do Portal e-Cidadania do Senado Federal – este é o link para para dar sua opinião. Veja o vídeo abaixo.
Guitar Days: Documentário sobre rock indie brasileiro ganha trailer para estreia no In-Edit
Depois de ser exibido na Europa, Ásia, EUA e ser premiado na Espanha em setembro, o documentário “Guitar Days – An Unlikely Story of Brazilian Music” vai finalmente ter sua première no Brasil, na programação do Festival In-Edit. Em antecipação à exibição, a produção ganhou um novo trailer, que pode ser conferido abaixo. O filme o diretor paulistano Caio Augusto Braga traça as linhas do tempo das chamadas “guitar bands” e da construção do rock indie brasileiro cantado em inglês, desde seus primórdios, ali no final dos anos 1980, passando pelo boom nos anos 1990 e seguindo até a atualidade. O diretor colheu depoimentos de personagens centrais do indie rock nacional e gringo para tratar das grandes histórias (e também dos detalhes) de um cenário musical que mudou toda a estética do rock brasileiro. Entre os entrevistados estão músicos das bandas Maria Angélica, Pin Ups, Second Come, Killing Chainsaw, Mickey Junkies e PELVs, os saudosos Kid Vinil e Carlos Miranda, e os internacionais Thurston Moore (Sonic Youth), Mark Gardener (Ride), Stephen Lawrie (The Telescopes), além do jornalista que cunhou o termo “grunge”, Everett True. O festival In-Edit começa sua 11ª edição na quarta-feira (12/6) em São Paulo, e a exibição de “Guitar Days” vai acontecer em três datas, no Cinesesc (15), Cine Olido (18) e Centro Cultural São Paulo (22). Após a exibição do dia 22, haverá o show Guitar Days, com participação das bandas Pin Ups, Wry, Twinpine(s), Sky Down e convidados. Para total transparência: o editor da Pipoca Moderna é um dos entrevistados do filme.
O jovem Bob Dylan canta “Hard Rain” em clipe de documentário da Netflix
A Netflix divulgou um “clipe” do filme “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese”, que o título longo revela ser um novo documentário sobre o cantor Bob Dylan dirigido por Martin Scorsese. O vídeo traz Dylan e sua banda tocando a íntegra do clássico “Hard Rain”. A performance dos anos 1970 é inédita em vídeo ou filme e foi totalmente restaurada por Scorsese. “Rolling Thunder Revue” é o segundo documentário do cineasta sobre Dylan, 14 anos após o épico “No Direction Home”, que cobriu a carreira do cantor. Mas a relação entre os dois é muito mais antiga. Scorsese dirigiu em 1978 um dos documentários mais famosos da história do rock, “O Último Concerto de Rock” (The Last Waltz), que registrou a despedida da The Band, a banda que acompanhava os shows de Dylan e que também teve uma importante carreira paralela. O próprio Dylan foi destaque do show de despedida registrado pelo diretor. O novo trabalho do cineasta cobre uma turnê que aconteceu dois anos antes de “O Último Concerto de Rock”. Entretanto, os músicos que acompanham Dylan já não são The Band, mas os que gravaram o disco “Desire”, lançado em janeiro de 1976. A turnê “Rolling Thunder Revue” surgiu da vontade de Dylan de tocar para a “América profunda”, indo a cidades do interior e locais que não costumavam receber grandes shows de rock. Com isso em mente, convidou alguns amigos famosos, artistas tão diferentes quanto as cantoras folks Joan Baez e Joni Mitchel e a punk Patti Smith, sem esquecer do ex-Byrds Roger McGuinn, o ex-Beatle Ringo Starr e o ex-Spiders from Mars Mick Ronson, além do poeta Allen Ginsberg e os atores Sam Shepard, Dennis Hopper e Bette Midler, entre outros, que embarcaram com o cantor numa “caravana musical”. Além de cenas do show, a nova obra de Scorsese combina entrevistas com os participantes da turnê, imagens de Dylan e companhia na estrada e até algumas cenas ficcionais “similares a um sonho febril”, segundo o release. Até Dylan concedeu entrevista para o longa, rompendo um longo isolamento auto-imposto. Notavelmente recluso, o músico raramente fala com a imprensa. Mas Scorsese não é imprensa. Os dois são realmente amigos. O lançamento de “Rolling Thunder Revue” também consolida o relacionamento do cineasta com a Netflix, por onde irá lançar seu próximo longa de ficção, o aguardadíssimo “The Irishman”, drama sobre mafiosos estrelado por Robert De Niro e Al Pacino – previsto para o final deste ano. O documentário ainda será exibido em alguns cinemas dos Estados Unidos, em busca de qualificação para competir no Oscar 2020, e estará disponível no catálogo da Netflix a partir de 12 de junho.









