“A Febre” vence o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro
O filme de temática indígena “A Febre”, de 2019, foi o vencedor da 20ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em cerimônia realizada no domingo (28/11). A conquista se soma a outros 25 troféus da obra de Maya Da-Rin, que também venceu os festivais de Brasília, Biarritz, Lima e IndieLisboa, além de ter rendido vários prêmios para sua diretora e seu ator principal, o estreante Regis Myrupu. A febre é o que sente o protagonista, um indígena do povo Desana que trabalha como vigia em um porto de cargas e vive na periferia de Manaus. Muito branco para sua tribo, muito índio para os brancos, ele adoece quando sua única companhia, a filha Vanessa, prepara-se para estudar Medicina em Brasília, e passa a ter visões que lhe impulsionam a reencontrar suas raízes. A premiação da Academia Brasileira de Cinema (ABC) também consagrou “Pacarrete”, outro filme de 2019, que teve o maior número de vitórias: oito troféus ao todo, incluindo o prêmio do Júri Popular e Melhor Comédia para o trabalho do diretor Allan Deberton, além do troféu de Melhor Atriz para Marcélia Cartaxo pelo papel-título. Já o Melhor Ator foi Marcos Palmeira por outro papel-título, desempenhado em “Boca de Ouro”, mais um lançamento de 2019. O Grande Prêmio do Cinema Brasileiro ainda destacou “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou”, de Bárbara Paz — escolhido pela própria ABC para representar o Brasil no Oscar 2021 — como Melhor Documentário, e Filme de Estreia, além de Som e Montagem. Veja abaixo a lista completa dos vencedores do evento, que como sempre acontece um ano após a temporada original de premiações e praticamente dois anos após as estreias dos principais agraciados, conformando-se em ser a mais datada de todas as premiações nacionais. Melhor Longa-Metragem Ficção “A Febre”, de Maya Da-Rin. Melhor Direção Jeferson De, por “M8 – Quando A Morte Socorre A Vida” Melhor Longa-Metragem Comédia “Pacarrete”, de Allan Deberton Melhor Ator Marcos Palmeira, por “Boca de Ouro” Melhor Atriz Marcélia Cartaxo, por “Pacarrete” Melhor Ator Coadjuvante João Miguel, por “Pacarrete” Melhor Atriz Coadjuvante Hermila Guedes, por “Fim De Festa” Melhor Longa-Metragem Documentário “Babenco: Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer Parou”, de Bárbara Paz Melhor Filme Pelo Voto Popular “Pacarrete”, de Allan Deberton Melhor Filme Internacional “Jojo Rabbit”, de Taika Waititi (EUA) Melhor Filme Ibero-Americano “O Roubo do Século”, Ariel Winograd (Argentina) Melhor Longa-Metragem Animação Os Under-Undergrounds, “O Começo”, de Nelson Botter Jr Melhor Primeira Direção de Longa-Metragem Bárbara Paz, por “Babenco: Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer Parou” Melhor Som Rodrigo Ferrante, Miriam Biderman, e Ricardo Reis, por “Babenco: Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer Parou” Melhor Montagem – Ficção Karen Akerman, por “A Febre” Melhor Montagem – Documentário Cao Guimarães E Bárbara Paz, por “Babenco: Alguém Tem Que Ouvir O Coração e Dizer Parou” Melhor Roteiro Original Allan Deberton, André Araújo, Natália Maia e Samuel Brasileiro, por “Pacarrete” Melhor Roteiro Adaptado Jeferson De e Felipe Sholl, por “M8: Quando A Morte Socorre A Vida” Melhor Direção de Fotografia Barbara Alvarez, por “A Febre” Melhor Maquiagem Tayce Vale, por “Pacarrete” Melhor Figurino Kika Lopes, por “Boca De Ouro” Melhor Efeito Visual Marcelo Siqueira, por “A Divisão – O Filme” Melhor Direção de Arte Rodrigo Frota, por “Pacarrete” Melhor Trilha Sonora Fred Silveira, por “Pacarrete” Melhor Longa-Metragem Infantil “10 Horas Para O Natal”, de Cris D’amato Melhor Curta-Metragem – Ficção “República”, de Grace Passô Melhor Curta-Metragem – Documentário “Filhas de Lavadeiras”, de Edileuza Penha de Souza Melhor Curta-Metragem – Animação “Subsolo”, de Erica Maradona e Otto Guerra Melhor Série Documentário TV Paga/Streaming “Milton e O Clube da Esquina” – 1ª Temporada (Canal Brasil). Direção Geral: Vitor Mafra Melhor Série Animação da TV Paga/Streaming “Rocky & Hudson: Os Caubóis Gays” – 1ª Temporada (Canal Brasil). Melhor Série Ficção TV Aberta “Sob Pressão – Plantão Covid” – Temporada Especial (TV Globo). Melhor Série Ficção TV Paga/Streaming “Bom Dia, Verônica” – 1ª Temporada (Netflix).
Cinemas recebem animação da Disney, Lady Gaga e candidato brasileiro ao Oscar
Os cinemas renovam a programação com opções bem variadas nesta quinta-feira (25/11), com destaque para um desenho animado da Disney, a volta de Lady Gaga aos papéis dramáticos, uma comédia com Cacau Protásio e o candidato brasileiro a uma vaga no Oscar. Entre as estreias de circuito limitado, ainda há filmes premiados em festivais importantes, como Gramado e Veneza, além de uma produção da Netflix. Confira os detalhes abaixo. Encanto Com distribuição mais ampla, “Encanto” é a segunda incursão animada da Disney pelo universo latino, após “Viva – A Vida é uma Festa” (Coco), em 2017. Concebida pelo compositor Lin-Manuel Miranda, gira em torno dos Madrigal, uma família extraordinária que mora numa casa mágica nas montanhas da Colômbia. Cada integrante da família é abençoada com um dom único, desde superforça até o poder de curar. Exceto Mirabel. E quando a magia começa a entrar em colapso, é justamente ela, a única Madrigal sem poderes sobrenaturais, que se torna a última esperança de seus parentes excepcionais. Embora a perspectiva cultural latina ainda seja novidade para a Disney, o produto final é típico do estúdio: divertido, musical e lindamente animado. A produção também confirma a supervalorização de Lin-Manuel Miranda em Hollywood. “Encanto” é o quarto filme com suas digitais em 2021 – após “Em um Bairro em Nova York”, “Tick, Tick…Boom!” e outra animação, “Vivo: Um Amigo Show”. Já a direção está a cargo de Byron Howard e Jared Bush, co-diretores de “Zootopia”, em parceria com Charise Castro Smith – que faz sua estreia na função após uma carreira como roteirista de séries (de “Devious Maids” à “Maldição da Residência Hill”). Casa Gucci O veterano cineasta Ridley Scott (“Gladiador”) estreia no gênero “true crime”, mas o resultado parece mais um melodrama de novela sobre o mundo dos ricos e famosos. “Casa Gucci” também oferece paralelos aos filmes de máfia, com luta fraticida pelo poder, traições, informantes policiais, assassinos profissionais e atores americanos forçando sotaque italiano. Apesar disso, é um filme sobre uma grife do mercado de luxo. A produção é centrada no maior escândalo dos bastidores da grife Gucci, envolvendo Maurizio Gucci, vivido por Adam Driver (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”), e sua esposa Patrizia Reggiani, personagem de Lady Gaga. Eles foram casados por 12 anos, entre 1973 e 1985, e tiveram duas filhas. Até o herdeiro milionário trocá-la por uma mulher mais nova – disse que ia viajar a negócios e nunca mais voltou. Como vingança, Patrizia encomendou o assassinato do ex-marido a um matador profissional. O papel de Reggiani marca o primeiro projeto de Lady Gaga no cinema desde “Nasce Uma Estrela” (2018), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz – além da conquista do troféu de Melhor Canção Original por “Shallow”. E, de forma impressionante, ela ofusca os colegas, que incluem Jeremy Irons (“Watchmen”), Al Pacino (“O Irlandês”), Salma Hayek (“Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime”) e um irreconhecível Jared Leto (“Esquadrão Suicida”) careca. Sua performance marca de tal forma a produção que ameaça trazer o camp (o estilo cafona americano) de volta à moda. Deserto Particular Premiado no Festival de Veneza, “Deserto Particular” foi escolhido para tentar uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2022. O novo drama de Aly Muritiba (“Ferrugem”) lida com aquilo que o diretor chama de “os afetos masculinos no Brasil contemporâneo” e traz Antonio Saboia (“Bacurau”) como protagonista, no papel de um policial curitibano que se relaciona virtualmente com uma moradora do sertão da Bahia. Profissional exemplar, ele comete um erro e é afastado de sua função, colocando sua carreira e honra em risco. Não vendo mais sentido em continuar vivendo em Curitiba, ele parte em busca da namorada virtual, que desaparece misteriosamente, sendo surpreendido ao encontrar o personagem de Pedro Fasanaro (“Onde Nascem os Fortes”). Bastante aplaudido ao ser exibido em Veneza, o longa venceu o prêmio do público ao ser exibido na mostra paralela Venice Days e o recente Festival Mix Brasil em São Paulo. A Sogra Perfeita A nova comédia da diretora Cris D’Amato (“SOS Mulheres ao Mar”) oferece protagonismo a Cacau Protásio, mais até que em “Amarração do Amor”, lançado no começo do ano, e não lhe falta carisma para brilhar fora da turma do “Vai que Cola”. Com humor simples, mas eficaz, Protásio vive Neide, dona de um salão de beleza de periferia, que desenvolve um plano para tirar o filho adulto folgado (Luis Navarro) de sua casa. Como uma mistura de cupido e pigmalião, ela consegue transformar uma nova e ingênua funcionária (Polliana Aleixo), recém-chegada do interior, na mulher da vida do rapaz, até que um mal-entendido muda sua disposição. O ponto alto é ver a atriz viver uma mulher empoderada e dona de si, após ser estereotipada como doméstica em outras produções. Pena a participação “especial” de Rodrigo Sant’anna como um gay muito estereotipado ir na contramão desse tom progressista. O Novelo Vencedor do Prêmio do Público e de Melhor Ator (Nando Cunha) no Festival de Gramado deste ano, o primeiro longa de Cláudia Pinheiro acompanha cinco irmãos que mal lembram do pai e perderam a mãe cedo, transformando o mais velho num pai substituto. Já adultos, recebem a notícia de que um homem em coma numa UTI pode ser seu pai desaparecido. Reunidos na sala de espera do Hospital, eles mergulham em seus conflitos e memórias, enquanto passam o tempo fazendo tricô aprendido na infância. E esta é a única tradição que os une, já que se revelam completamente diferentes. Adaptação da peça homônima de Nanna De Castro, “O Novelo” usa linguagem cinematográfica para revelar a história de cada um, transformando cada fio de trajetória em reflexões sobre o papel do homem no mundo contemporâneo. Imperdoável Neste lançamento da Netflix que chega primeiro aos cinemas, a estrela americana Sandra Bullock (“Gravidade”) vive um melodrama “imperdoável”, segundo as críticas impiedosas da imprensa norte-americana, que lhe deram apenas 39% de aprovação no Rotten Tomatoes. A história é remake de uma minissérie britânica (“Unforgiven”) de 2019, e a necessidade de refilmá-la leva a questionar se a distância de dois anos foi uma enormidade para o público esquecê-la. Num papel que lembra o de Sônia Braga na novela “Dancing Days”, Sandra Bullock sai da prisão, após cumprir pena de 20 anos por homicídio, mas tem dificuldades em se reintegrar a uma sociedade que se recusa a perdoar seu passado. Julgada por quase todos à sua volta, a protagonista se senta sozinha e desamparada, e sua única esperança de redenção é reencontrar a irmã mais nova, de quem foi forçada a se separar ao ser trancafiada na prisão. Só que o casal que tem a guarda da menina, vivido por Vincent D’Onofrio (“Demolidor”) e Viola Davis (“O Esquadrão Suicida”), não está disposto a deixar a criminosa entrar em suas vidas. Madre Drama espanhol premiado de 2019, “Madre” acompanha o trauma causado pelo desaparecimento do filho da protagonista. Ele tinha seis anos de idade, quando, em uma ligação, disse que estava perdido em uma praia na França e não conseguia encontrar o seu pai. Dez anos depois, Elena mora nesta mesma praia, onde gerencia um restaurante e está finalmente se recuperando da tragédia, quando conhece um adolescente francês que a lembra muito o filho. Os dois embarcam em uma estranha relação, em meio a muita desconfiança. Intérprete da mãe do título, Marta Nieto conquistou o troféu de Melhor Atriz da mostra Horizontes no Festival de Veneza. Meu Querido Supermercado Cravos A programação se completa com dois documentários brasileiros, que compartilham um detalhe em comum. Tali Yankelevich, que assina a direção de “Meu Querido Supermercado”, sobre o cotidiano de funcionários de um supermercado, editou e roteirizou “Cravos”, que conta a história de três artistas da família Cravo. Realizado em 2019, “Meu Querido Supermercado” foi o primeiro longa dirigido por Yankelevich e acabou premiado nos EUA, no Indie Memphis Film Festival. “Cravos” foi produzido um ano antes, com direção de Marco Del Fiol, e centra sua narrativa no fotógrafo Christian Cravo em viagem pela África, enquanto vive o luto pela morte do pai, Cravo Neto, ícone da fotografia brasileira, e desavenças com o avô, Cravo Junior, mestre da escultura modernista.
Filmes online: 10 documentários brasileiros para o Dia da Consciência Negra
Celebrado neste sábado (20/11), o Dia da Consciência Negra inspira reflexões. E nada melhor para isso que uma maratona de documentários. Sem exagero, a lista dos 10 títulos abaixo inclui alguns dos mais importantes trabalhos documentais sobre a questão racial já feitos no Brasil. O Negro da Senzala ao Soul | YouTube Produzido em 1977, o primeiro documentário televisionado sobte o movimento negro do Brasil foi feito pelo repórter Gabriel Priolli para a TV Cultura, na época em que o Departamento de Jornalismo do canal era comandado por Paulo Roberto Leandro e num momento em que a música soul e ideias de “black power” chegavam ao imaginário popular. Pioneiro, conseguiu driblar a censura para ir ao ar graças ao viés musical, mas foi seu claro engajamento que o fez circular em cópias piratas entre movimentos sociais. Um trecho do filme acabou reaparecendo em outro documentário da lista, “AmarElo”, do rapper Emicida. Ôri | NOW Lançado pela socióloga e cineasta Raquel Gerber em 1989, “Ôri” (consciência em Iorubá) documenta os movimentos negros brasileiros dos anos 1970 com comentários de uma mais maiores ativistas e pensadoras negras do país, Beatriz Nascimento (1942-1995). Levou 11 anos para ser concluído, porque parte do seu material foi apreendido pela ditadura militar. E já na época a diretora notou a ausência de imagens sobre a história negra no país, que nunca deixou de ser metodicamente apagada e destruída. A Negação do Brasil | YouTube Dirigido por Joel Zito Araújo, um dos maiores cineastas negros do país, “A Negação do Brasil” também é um dos mais importantes documentários da seleção. Lançado no ano 2000, conta a história dos negros na TV brasileira. Ou melhor, da falta de negros na TV brasileira, mostrando como eles foram escanteados, ignorados e até mesmo suprimidos da produção televisiva nacional, que só lhes permitia interpretar estereótipos, quando permitia, raramente reconhecendo o talento dos artistas. Menino 23 | Globoplay O filme de Belisário Franca acompanha as investigações de um historiador sobre tijolos marcados com suásticas nazistas, encontrados no interior de São Paulo, e acaba revelando uma história de terror, de meninos órfãos e negros, que foram submetidos a um projeto criminoso de eugenia pela elite política brasileira dos anos 1930. Falcão – Meninos do Tráfico | YouTube Produzido pelo rapper MV Bill e pelo centro de audiovisual da Central Única das Favelas, o filme de 2006 faz um relato duro da vida de jovens de favelas brasileiras, que pela falta de perspectivas são facilmente cooptados pelo tráfico de drogas. Durante as gravações, 16 dos 17 meninos entrevistados morreram, vítimas da violência na qual estavam inseridos. Exibido no “Fantástico”, o documentário teve ampla repercussão, mas nem a entrega simbólica de um DVD do filme nas mãos do então presidente Lula mudou a situação de abandono e omissão do Estado sobre o futuro das crianças das favelas brasileiras. Disponível de graça na página de MV Bill no YouTube. A Última Abolição | Globoplay O título se refere ao fato de o Brasil ter sido o último país do mundo a abolir a escravidão. O filme de Alice Gomes também lembra que isso não aconteceu por causa de um ato magnânimo da Princesa Isabel, mas por anos de lutas e pelo sacrifício de mulheres negras que conseguiram alforriar uma geração de crianças, tornando a liberdade dos negros irreversível. Samba de Santo – Resistência Afro-Baiana | Globoplay A história de três blocos de Carnaval centenários, nascidos em terreiros de candomblé na Bahia, Ilê Aiyê, Cortejo Afro e Bankoma, serve de ponto de partida para explorar a cultura negra, por meio de musicalidade, danças, religiosidade e ancestralidade. E mostram como a tradição carnavalesca politizou-se para ajudar suas comunidades e espalhar brilho no estado mais negro do país, e por isso também mais submetido ao racismo. AmarElo | Netflix Dirigido por Fred Ouro Preto (sobrinho de Dinho, do Capital Inicial), o documentário estabelece um elo entre o show do rapper Emicida no Theatro Municipal, de São Paulo, com dois momentos importantes da história e da cultura passados dentro e fora do Municipal: a Semana de Arte Moderna de 1922 e a fundação do Movimento Negro Unificado (MNU) em 1978 – que lutou pela auto-afirmação cultural e o incentivo à cultura de matriz africana, até então estigmatizada no Brasil. Sementes – Mulheres Pretas No Poder | Globoplay O filme de Julia Mariano e Éthel Oliveira foi feito sob o impacto do assassinato de Marielle Franco, transformando o luto em luta. Dos protestos às candidaturas políticas, acompanha o efeito multiplicador da luta pela resistência com o surgimento de novas lideranças negras e femininas em meio ao auge opressor do aparato político-miliciano que exterminou Marielle e resultou na eleição de Bolsonaro em 2018. Dentro Da Minha Pele | Globoplay O documentário de Toni Venturi conta histórias de 9 pessoas comuns, com diferentes tons de pele negra, que apresentam seu cotidiano na cidade de São Paulo e compartilham situações de racismo, dos velados aos mais explícitos. Entre os relatos há um médico confundido com bandido, uma faxineira tratada como escrava, um garoto assassinado pela polícia e uma funcionária trans que nunca é promovida.
Filmes online: 10 estreias para ver em streaming
O Top 10 está de volta. Com o aumento avassalador de ofertas de filmes para ver em casa, destacar as opções mais relevantes passa a ser a melhor curadoria. Mas as listas também se multiplicaram. Para a refletir a evolução do mercado com a chegada de muitas plataformas novas em 2021, a partir de agora serão duas listas de filmes: uma para as assinaturas de streaming e outras para os lançamentos de VOD (locação digital). E a programação deste fim de semana em streaming é marcada por musicais envolventes, animações de vanguarda, histórias adolescentes e um mergulho no cinema japonês. Tick Tick… Boom! | Netflix Lin-Manuel Miranda (o autor de “Hamilton”) trabalhou em nada menos que quatro filmes em 2021. E depois de duas animações e a adaptação de sua peça “Em um Bairro de Nova York”, agora faz sua estreia na direção com “Tick, Tick… Boom!”, em que homenageia outro célebre autor da Broadway. O resultado não é menos que espetacular. O filme adapta a peça homônima de Jonathan Larson e traz Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha”) no papel do dramaturgo antes do sucesso, ansioso pela véspera de seu aniversário de 30 anos e da estreia de seu projeto dos sonhos: “Superbia”, uma ópera rock inspirada em “1984”, de George Orwell – que na vida real nunca foi produzido. O texto é um grande desabafo, dispensando a estrutura grandiosa da Broadway para ser apresentado como show “de bolso” em pequenos palcos. Originalmente estrelado apenas por Larson e uma banda em 1990, a peça foi ampliada após a morte do autor em 1996, fazendo sua estreia como musical off-Broadway em 2001. A versão que chega ao streaming é a póstuma, que incluiu outros personagens além de Larson. E conta com roteiro, por sinal, de mais uma estrela da Broadway: Steven Levenson, responsável por “Querido Evan Hansen” – além de ter vencido o WGA Award (prêmio do Sindicato dos Roteiristas) pela minissérie “Fosse/Verdon”, homenagem aos musicais. Vale lembrar que, enquanto expressava sua frustração no espetáculo solo, Larson acabou desenvolvendo “Rent”, seu maior sucesso, que infelizmente ele nunca pôde apreciar. O dramaturgo morreu de problemas cardíacos na manhã da première de “Rent”, aos 35 anos, vencendo todos os prêmios possíveis (do Tony ao Pulitzer) postumamente. Rocketman | Netflix A Netflix também disponibilizou a premiada cinebiografia do cantor Elton John. Muito diferente de “Bohemian Rhapsody”, ainda que compartilhe o diretor (Dexter Fletcher foi quem salvou o filme do Queen após a demissão de Bryan Singer), tem uma estrutura mais próxima dos espetáculos da Broadway. Só que até seus arroubos de fantasia poética são fiéis à realidade. Taron Egerton, praticamente um menino em “Kingsman: Serviço Secreto” (2014), surpreende no papel principal. E, claro, não faltam hits. O detalhe é que o próprio ator canta os sucessos, sem fazer lip synch – ao contrário, novamente, de “Bohemian Rhapsody”. Oitava Série | Netflix Um dos principais títulos indies recentes, com nada menos que 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, “Oitava Série” marcou a estreia do humorista Bo Burnham como diretor de cinema em 2019 e fez deslanchar a carreira da atriz mirim Elsie Fisher, até então dubladora (é dela a voz original da pequena Agnes de “Meu Malvado Favorito”). A estrelinha interpreta a protagonista, uma menina da 8ª série do Ensino Fundamental que enfrenta as crises de sua idade, como a timidez absurda, a falta de popularidade e a sensação de que sua vida é um fracasso, tudo antes de atingir a puberdade. Combinando drama e humor, o filme é de uma ternura impossível de resistir e somou nada menos que 60 prêmios internacionais. Stop-Zemlia | Filmicca Longa de estreia de Kateryna Gornostai, “Stop-Zemlia” tira seu título de uma brincadeira infantil e apresenta uma abordagem contemplativa da adolescência, ao acompanhar uma menina em sua jornada de autodescoberta, rumo à maturidade, com uma fotografia de tirar o fôlego. Venceu 10 prêmios, incluindo o Urso de Cristal do Festival de Berlim, como Melhor Filme da mostra Generation para crianças acima de 14 anos. Antes que Tudo Desapareça | MUBI Mais premiado autor japonês do cinema fantástico, Kiyoshi Kurosawa inspira-se no clássico “Vampiros de Almas” para contar uma história de invasão silenciosa da Terra, em que três alienígenas se passam por humanos para abrir caminho para um ataque. Apesar da referência clara, trata-se da adaptação de uma peça japonesa (de Tomohiro Maekawa) e a abordagem se diferencia da trama tradicional de “Invasores de Corpos” por reforçar o humanismo como arma contra a aniquilação. The Fable | Netflix (Netflix) The Fable: O Assassino Que Não Podia Matar | Netflix (Netflix) “The Fable” e sua continuação adaptam o popular mangá homônimo de Katsuhisa Minami, que venceu o Kodansha Manga Award e já vendeu mais de 8 milhões de exemplares. Trata-se de uma comédia de ação sobre um assassino profissional que recebe uma missão incomum: não matar. Ele deve arranjar um emprego normal e viver com uma colega de profissão como se fossem dois irmãos por um ano – ou até receber a ordem de agir, que nunca vem. Entretanto, Akira “The Fable” Sato não consegue manter indiferença quando vê injustiças ao seu redor, o que gera várias complicações – e diversão para o público. Aya e a Bruxa | Netflix A primeira animação criada por computação gráfica é também a mais fraca do célebre Studio Ghibli. O filme de Goro Miyazaki, filho do fundador do estúdio, Hayao Miyazaki (“A Viagem de Chihiro”), baseia-se no livro infantil de Diana Wyne Jones (a mesma autora de “O Castelo Animado”) e sua animação é inteiramente digital – como as produções da Pixar, por exemplo. A trama acompanha Aya, uma jovem que cresceu órfã sem saber que é filha de uma bruxa, mas acaba sendo adotada por outra bruxa, indo morar numa casa cheia de magia e coisas assustadoras. Ah, além de bruxa, ela também é roqueira. Accidental Luxuriance of the Translucent Watery Rebus | MUBI Altamente estilizada e vanguardista, a animação de Dalibor Baric acompanha um ativista e uma artista conceitual em fuga da lei, mas a verdadeira revolução está menos na história e mais na forma poética e abstrata utilizada para contá-la, lançando mão desde colagens até rotogravura. Um espetáculo visual. Amor Sem Medida | Netflix Há dois lançamentos brasileiros em streaming neste fim de semana. Um deles é o filme baseado na série “Garota da Moto” na Amazon Prime Video. O outro é a nova comédia de Leandro Hassum na Netflix. E quase que nenhum entrou no Top 10. “Amor Sem Medida” é segunda comédia de Hassum na plataforma – após “Tudo Bem No Natal Que Vem”, no ano passado, e tem uma premissa típica de comédias americanas dos anos 1990, com Juliana Paes (“A Dona do Pedaço”) se apaixonando pelo médico vivido pelo comediante, após os dois trocarem acidentalmente de celular. Só que, ao se encontrarem ao vivo, ela descobre que ele é baixinho, praticamente anão. O resto da história é um grande clichê com mensagem de superação de preconceitos. Só que a produção não supera seu próprio preconceito. De fato, o uso de efeito visual para diminuir Hassum impede a clara e rara possiblidade de escalar um ator à altura real do papel. E não faltaria candidato. Afinal, Gigante Léo já estrelou história parecida em “Altas Expectativas”, comédia romântica que tratava do mesmo “amor sem medida” em 2017. Vale apontar que “Amor sem Medida” é um remake do filme argentino “Coração de Leão – O Amor Não Tem Tamanho” (2013), que há oito anos usou o mesmo truque com o ator Guillermo Francella. A direção é de Ale McHaddo, que já tinha trabalhado com Hassum em “O Amor Dá Trabalho” (2019) e na série animada “Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma” (2013-2015).
Filmes de “Bob Cuspe” e “Pixinguinha” chegam aos cinemas
Filmes brasileiros são a salvação da programação de cinema desta quinta (11/11). Mas terão pouco espaço para receber a atenção que merecem. Não bastasse o monopólio de blockbusters, o circuito deve priorizar o musical “Querido Evan Hansen”, destruído pela crítica nos EUA (30% no Rotten Tomatoes), e o filme de ação “A Profissional” (61%), produção genérica ao estilo da Netflix. Principal título, “Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente” é uma adaptação dos quadrinhos de Angeli que foi premiada nos festivais internacionais de animação de Ottawa, no Canadá, e de Annecy, na França (o “Cannes da animação”). Primeiro longa-metragem de Cesar Cabral, foi filmado com bonecos ao longo de cinco anos, utilizando a técnica de stop motion (na qual objetos são fotografados quadro a quadro para passar a ilusão de movimento). O próprio Angeli aparece na trama, mas em versão animada, disposto a dar a Bob Cuspe o mesmo fim da Rê Bordosa. Mas o punk não aceita a extinção (afinal, “punk’s not dead!”) e parte para um acerto de contas. Milhem Cortaz (“O Lobo Atrás da Porta”) dá voz ao famoso punk da periferia dos quadrinhos. “Pixinguinha – Um Homem Carinhoso” chega aos cinemas uma semana depois de “Marighella”, embora tenha sido filmado um ano antes. Este paradoxo deixa duas cinebiografias estreladas por Seu Jorge em cartaz simultaneamente. Desta vez, além de atuar, ele toca os instrumentos de verdade, o que aumenta a credibilidade da representação do maestro. Mas a ambição de condensar 75 anos de vida em 100 minutos ofusca a tentativa de explorar o importante aspecto musical da história. Chama atenção a cinebiografia de um dos artistas mais importantes da música brasileira não ter entrado em nenhum festival importante. Mas a opção pela abordagem episódica, que simplifica personalidade, época e trajetória do compositor de “Carinhoso”, “Lamentos” e “Benguelê”, torna “Pixinguinha” quase uma versão compacta de minissérie. Ela é assinada pela roteirista Manuela Dias e dirigida pela dupla Denise Saraceni e Allan Fiterman, conhecidos pela realização de novelas e séries da Globo. A seleção nacional também inclui o drama “Curral”, que foi premiado no festival espanhol de Huelva. O primeiro longa de ficção de Marcelo Brennand compartilha a temática de seu documentário “Porta a Porta” (2010), abordando as campanhas políticas do Nordeste. Na trama, um político que se apresenta como renovação repete os mesmos métodos que denuncia como ultrapassados. O elenco traz Thomas Aquino (“Bacurau”), José Dumont (“Onde Nascem os Fortes”) e Rodrigo García (“Onde Está Meu Coração”). Sem maiores destaques, as outras opções da semana podem ser conferidas abaixo, na lista das estreias, com seus respectivos trailers. Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente | Brasil | Animação Pixinguinha – Um Homem Carinhoso | Brasil | Drama Curral | Brasil | Drama Querido Evan Hansen | EUA | Musical A Profissional | EUA | Ação O Ninho | Itália | Terror Charuto de Mel | França | Drama Deus Não Está Morto – O Próximo Capítulo | EUA | Religião Lutar, Lutar, Lutar | Brasil | Documentário
Filmes online: 25 estreias para assistir em casa no fim de semana
A programação desta semana reúne bons títulos exclusivos de streaming, numa disputa entre serviços de assinatura para fazer frente às ofertas das locadoras digitais. A Netflix traz “Vingança & Castigo” (The Harder They Fall), primeiro filme dedicado a reunir os mais famosos pistoleiros negros do Velho Oeste, com elenco composto por alguns dos maiores astros negros de Hollywood, entre eles Idris Elba (“Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw”), Regina King (“Watchmen”), Jonathan Majors (“Lovecraft Country”), Zazie Beetz (“Coringa”), LaKeith Stanfield (“Judas e o Messias Negro”) e Delroy Lindo (“Destacamento Blood”). A trama gira em torno do fora-da-lei Nate Love (Majors), que descobre que seu maior rival, Rufus Buck (Elba), escapou do trem que o levava para a prisão. Reunindo aliados, ele parte para enfrentar o bando do rival na expectativa de um tiroteio épico. Só que há outro interessado nos criminosos: o lendário delegado Bass Reeves (Lindo). A produção é do rapper Jay-Z. Opção da Apple TV+, “Finch” mostra Tom Hanks, um cachorro e um robô contra o apocalipse. Na trama, o engenheiro de robótica Finch (Hanks) é um dos poucos sobreviventes de um evento solar cataclísmico que transformou o mundo num deserto. Vivendo em um abrigo subterrâneo há uma década, ele construiu um mundo próprio, que divide com seu cachorro Goodyear, e decide criar um robô para cuidar do melhor amigo quando ele não puder mais. O longa tem produção de Robert Zemeckis, que curiosamente já dirigiu Hanks em situação parecida, como um náufrago isolado que tinha apenas a companhia de uma bola que batizou de Wilson, em “Náufrago” (2000). Já a direção é de Miguel Sapochnik, premiado com o Emmy por seu trabalho monumental na série “Game of Thrones”. Prioridade da HBO Max compartilhada com plataformas de VOD, “Os Muitos Santos de Newark” (The Many Saints of Newark) é um prólogo da série “A Família Soprano” (The Sopranos) centrado na juventude de Tony Soprano. O personagem retorna em interpretação de Michael Gandolfini (“The Deuce”), filho do falecido ator James Gandolfini (astro da série exibida de 1999 a 2007 na HBO), enquanto é preparado pelo tio Dickie (Alessandro Nivola, de “Desobediência”) para um dia assumir o comando da família mafiosa. O principal título para locação é “Anônimo”, thriller de ação do criador de “John Wick”, em que um pai trabalhador (Bob Odenkirk, de “Better Call Saul”) surpreende a família ao revela-se um matador profissional, quando tem a casa invadida por criminosos. Há também a fraca continuação do terror “Escape Room” e o fenômeno infantil “Patrulha Canina – O Filme”. Mas como são 25 opções, não faltam descobertas a serem exploradas. Uma delas é “Zola”, indicado para adultos: um road movie de humor sombrio que mostra como o relacionamento de duas strippers implode quando elas decidem explorar sua intimidade para ganhar dinheiro no mercado sexual da Flórida. A produção foi inspirada por um tópico do Twitter de 2015 que conquistou a internet apesar de ter apenas 148 palavras. Os tuítes eram de A’ziah King, na época uma garçonete do Hooters, que escreveu sobre seu encontro casual com uma stripper e a orgia de dois dias que se seguiu, envolvendo prostituição, assassinato e um cafetão violento conhecido simplesmente como Z. Na tela, as protagonistas são vividas por Taylour Paige (“A Voz Suprema do Blues”) e Riley Keough (“Mad Max: Estrada da Fúria”). A lista também inclui quatro títulos brasileiros, incluindo dois bons filmes de esportes. Entre as atrações nacionais, destaca-se “A Última Floresta”, documentário que pode chegar ao Oscar 2022. Vencedor da Mostra Panorama, do Festival de Berlim, o longa de Luiz Bolognesi registra a luta dos yanomamis no Norte da Amazônia contra o avanço criminoso dos garimpeiros sobre suas terras, e está disponível na Netflix. Confira abaixo as 25 dicas para assistir no fim de semana, acompanhadas por seus respectivos trailers. Vingança & Castigo | EUA | Western (Netflix) Finch | EUA | Sci-Fi (Apple TV+) Os Muitos Santos de Newark | EUA | Crime (Apple TV, HBO Max, Vivo Play) Zola | EUA | Crime (Google Play, Looke, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Anônimo | EUA | Ação (Apple TV, Looke, Sky Play, Vivo Play) Escape Room 2: Tensão Máxima | EUA | Terror (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Oi Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Creepy | Japão | Suspense (Google Play, Look, MUBI, NOW, Vivo Play) Yara | Itália | Suspense (Netflix) 7 Boxes | Paraguai | Suspense (MUBI) Efeito Flashback | EUA | Suspense (Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Fruto da Memória | Grécia | Sci-Fi Dramática (Apple TV, Google Play, NOW, Sky Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Patrulha Canina – O Filme | EUA | Animação (Amazon Prime Video, Apple TV, Google Play, NOW, Sky Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Descendentes: O Casamento Real | EUA | Animação (Disney+) Um Match Surpresa | EUA | Comédia (Netflix) O Último Jogo | Brasil, Argentina | Comédia (NOW, Sky Play, Telecine, Vivo Play) 4×100: Correndo por um Sonho | Brasil | Drama (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Sky Play, Telecine, Vivo Play, YouTube Filmes) O Jardim Secreto de Mariana | Brasil | Drama (NOW, Vivo Play) As Verdadeiras Aventuras do Menino Lobo | EUA | Drama (HBO Max) Algum Lugar Especial | Reino Unido, Itália | Drama (Apple TV, Google Play, NOW, Sky Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Retrato de um Campeão | Hong Kong | Drama (Netflix) Não Devíamos ter Crescido | Japão | Drama (Netflix) Amina | Nigéria | Ação (Netflix) O Pombo – Um Refúgio para Sobreviver | Turquia | Drama (Apple TV, NOW) Um Filme de Policiais | México | Documentário (Netflix) A Última Floresta | Brasil | Documentário (Netflix)
“Eternos” e “Marighella” são as principais estreias de cinema
O novo filme de super-heróis da Marvel e a cinebiografia de um terrorista/herói da resistência nacional são os maiores lançamentos desta quinta (4/11) nos cinemas. Mas a diferença de alcance entre os dois é gritante. “Eternos” tem a maior estreia do ano, entrando em cartaz em 1,7 mil telas. Já “Marighella” chega em 279 cinemas. Também há uma distância brutal entre a avaliação de ambos pela crítica, mas em sentido oposto. Apesar de dirigido pela vencedora do Oscar Chloé Zhao (por “Nomadland”) e estrelado por vários astros famosos, incluindo Angelina Jolie, “Eternos” teve a pior nota de uma produção do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) no Rotten Tomatoes, tornando-se também o primeiro filme do Marvel Studios considerado medíocre, com apenas 53% de avaliações positivas nos EUA. O consenso é que se trata da produção mais genérica da Marvel, plasticamente bonita, mas tão séria que se torna sem graça. “Marighella”, por sua vez, tem 88% de aprovação no mesmo Rotten Tomatoes. Em seu primeiro longa como diretor, Wagner Moura foi coberto de elogios pela crítica internacional, chegando a ser comparado aos grandes cineastas do cinema engajado internacional dos anos 1960 e 1970. A comparação é quase associativa, diante da recriação da guerrilha urbana do Brasil no período citado. Mas assim como todo cinema engajado, a trama comete idiossincrasias ao romantizar o personagem-título, encarnado por Seu Jorge como um herói do povo em luta pela liberdade. Na verdade, o enfrentamento de Carlos Marighella e seus contemporâneos torna-se “democrático” somente por viés anacrônico, em contraste com a repressão vigente na época, mas ninguém razoavelmente informado confundiria ação comunista com luta pela democracia. O fato é que filmes refletem mais seus tempos que os períodos que retratam. E o incômodo causado por “Marighella” entre bolsonaristas, com ou sem cargo político, ajuda a iluminar o quanto esse governo se identifica com a ditadura, a ponto de defender com dentes arreganhados os capítulos mais sinistros da História brasileira. A reação extremada só aumenta a importância de “Marighella”, não por suposta fidelidade histórica, mas por sua liberdade artística ser capaz de traduzir o Brasil atual, que, por meio de suas “autoridades”, ainda mata impunemente “bandidos” pretos como Carlos Marighella no meio da rua. O resto da programação chama atenção por uma característica inusitada, ao trazer três produções da Netflix previstas para chegar ao streaming na semana que vem. A maior aposta é a comédia de ação “Alerta Vermelho”, com exibição até em multiplexes, graças ao apelo comercial de seus astros, Dwayne Johnson, Ryan Reynolds e Gal Gadot. Mas o verdadeiro destaque deste lote é o premiado “7 Prisioneiros”, que atingiu 94% no Rotten Tomatoes e conquistou um troféu paralelo no Festival de Veneza, o Sorriso Diverso, dedicado à obra social mais relevante do evento. A trama explora a situação de trabalho análogo à escravidão perpetuada no Brasil por meio da história do jovem Mateus (Christian Malheiros), recém-saído do interior em busca de uma oportunidade de trabalho em São Paulo, que se revela uma cilada. Rodrigo Santoro também está no elenco como o gerente explorador. Com oito títulos ao todo, o circuito ainda recebe o vencedor internacional do Festival de Sundance do ano passado, “Yalda – Uma Noite de Perdão”, que ainda rendeu ao cineasta iraniano Massoud Bakhshi o troféu de Melhor Roteiro no Festival de Sofia. A história totalmente surreal, mas absolutamente verdadeira, acompanha uma jovem condenada à morte por assassinar o marido, que ganha uma chance de comutar sua sentença, bastando para isso conseguir o perdão de sua enteada (bem mais velha que ela) num reality show televisivo! Veja abaixo os títulos e os trailers de todas as estreias. Eternos | EUA | Ação Marighella | Brasil | Drama 7 Prisioneiros | Brasil | Drama Amor sem Medida | Brasil | Comédia Alerta Vermelho | EUA | Comédia de Ação Yalda – Uma Noite de Perdão | França, Alemanha, Suíça, Líbano | Drama Lá Vamos Nós | Israel, Itália | Drama Amigo Arrigo | Brasil | Documentário
Drama costa-riquenho vence Mostra de São Paulo
A organização da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo anunciou na noite desta quarta-feira (3/10) os filmes vencedores de sua 45ª edição. A cerimônia de encerramento, realizada no Vale do Anhangabaú, consagrou o drama costa-riquenho “Clara Sola” como o Melhor Filme Estrangeiro. Dirigido por Nathalie Álvarez Mesén, o longa acompanha uma mulher de 40 anos que acredita ter uma conexão especial com Deus, mas quando conhece o namorado da sobrinha, vê seus desejos sexuais despertarem após anos de repressão. Além do troféu Bandeira Paulista de Melhor Filme, concedido pelo júri entre os pré-selecionados pelo voto do público, na seção Novos Diretores, “Clara Sola” também levou o prêmio de Melhor Atriz, conquistado pela estreante Wendy Chinchilla Araya. Já o Melhor Ator foi o russo Yuriy Borisov, de “Compartment Nº 6”. Para completar, o júri ainda concedeu menção honrosa a “Pequena Palestina, Diário de um Cerco”, documentário do diretor sírio Abdallah Al-Khatib sobre as dificuldades enfrentadas pelo maior campo de refugiados palestinos do mundo. O público, por sua vez, preferiu o filme de guerra franco-japonês “Onoda – 10 Mil Noites na Selva”, de Arthur Harari, como Melhor Filme internacional. O longa conta a história do soldado japonês que ficou anos escondido nas selvas das Filipinas acreditando que a 2ª Guerra Mundial ainda estava em andamento. A votação popular também elegeu “Summer of Soul (… ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada)” como Melhor Documentário. A produção resgata a memória do festival de música e cultura do Harlem de 1969, que ficou conhecido como “black Woodstock” ao reunir grandes astros do soul em Nova York, no mesmo verão e a apenas de 100 milhas de distância do evento roqueiro. Entre os filmes brasileiros, foram premiados “Urubus”, de Cláudio Borelli, drama ficcional sobre o universo dos grafiteiros paulistas, e “O Melhor Lugar do Mundo É Agora”, segundo documentário do ator transformado em diretor Caco Ciocler. O primeiro longa de Borelli também venceu o Prêmio da Crítica. Apesar da cerimônia de “encerramento”, a Mostra segue em sua tradicional repescagem até 7 de novembro, exibindo alguns destaques da sua programação inclusive na plataforma Mostra Play. Confira, abaixo, a lista completa de prêmios oficiais e paralelos do festival paulistano. Prêmio do Júri – Melhor Filme “Clara Sola”, de Nathalie Álvarez Mesén Prêmio do Júri – Melhor Atriz Wendy Chinchilla Araya, por “Clara Sola” Prêmio do Júri – Melhor Ator Yuriy Borisov, por “Compartment Nº 6” Menção Honrosa do Júri “Pequena Palestina, Diário de um Cerco”, de Abdallah Al-Khatib Prêmio do Público – Melhor Filme de Ficção Internacional “Onoda – 10 Mil Noites na Selva”, de Arthur Harari Prêmio do Público – Melhor Documentário Internacional “Summer of Soul (… ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada)”, de Ahmir “Questlove” Thompson Prêmio do Público – Melhor Filme de Ficção Brasileiro “Urubus”, de Cláudio Borelli Prêmio do Público – Melhor Documentário Brasileiro “O Melhor Lugar do Mundo É Agora”, de Caco Ciocler Prêmio da Crítica – Melhor Filme Internacional “O Compromisso de Hasan”, de Semih Kaplanoglu Prêmio da Crítica – Melhor Filme Brasileiro “Urubus”, de Cláudio Borelli Prêmio da Abraccine – Melhor Filme Brasileiro de Diretor Estreante “A Felicidade das Coisas”, de Thais Fujinagua Prêmio Projeto Paradiso (apoio ao desenvolvimento de novos filmes) “Entre Espelhos”, de João Braga Prêmio Brada – Melhor Direção de Arte Amparo Baeza, por “Clara Sola”
Exibido em Cannes, novo filme de Karim Aïnouz vai encerrar Cine Ceará
“O Marinheiro das Montanhas”, documentário de Karim Aïnouz exibido no Festival de Cannes, terá sua première nacional no 31º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que acontece em Fortaleza, cidade natal do cineasta, entre 27 de novembro e 3 de dezembro. A obra de Aïnouz será o filme de encerramento do festival, que este ano acontecerá em formato híbrido, com exibições presenciais no Cineteatro São Luiz e no Cinema do Dragão, no Canal Brasil, na Globoplay e no YouTube. O longa é todo narrado pelo diretor, que lê uma carta para a sua mãe, já falecida. Ela se transforma em uma companheira imaginária de uma viagem, em que Aïnouz busca as raízes de sua família na Argélia, numa jornada que começa pela travessia de barco pelo Mar Mediterrâneo e leva até as Montanhas Altas no norte do país – por isso, o título – , em busca do povoado em que seu pai nasceu. Veja um trecho do filme abaixo.
“G.I. Joe Origens: Snake Eyes” e 20 filmes pra ver online
Após ter a distribuição nos cinemas cancelada na véspera da estreia em agosto, “G.I. Joe Origens: Snake Eyes” finalmente chega ao Brasil via PVOD (sessão digital com preço “premium”). O lançamento digital mais comercial da semana é um filme de ação que conta a origem do antagonismo entre o personagem-título (vivido por Henry Golding, de “Podres de Ricos”) e seu rival Storm Shadow (Andrew Koji, da série “Warrior”), personagens da franquia de brinquedos, desenhos animados e quadrinhos “G.I. Joe”. Não foi o único filme que trocou as exibições cinematográficas por estreia online no país. “Na Mente do Demônio”, primeiro terror de Neill Blomkamp, diretor conhecido por ficções científicas como “Distrito 9” e “Elysium”, também faz parte da programação de estreias digitais. Os dois lançamentos pularam os cinemas brasileiros após fracassarem nas bilheterias e obterem críticas muito negativas nos EUA – detalhe importante. Por sinal, a quantidade de lançamentos de terror chama atenção. Com o início do mês do Halloween, a tendência é contar com cada vez mais opções do gênero. As melhores alternativas são os dois títulos da 2ª “temporada” de “Welcome to the Blumhouse”, pareceria entre a produtora Blumhouse e a Amazon para lançar novos talentos no gênero. A mexicana Gigi Saul Guerrero (“El Gigante”) dirige Adriana Barraza (indicada ao Oscar por “Babel”) em luta contra uma força maligna que tomou conta do salão de bingo local em “Bingo Hell”, enquanto Maritte Lee Go (da antologia “Phobias”) faz sua estreia em longas-metragens em “Black as Night”, reunindo adolescentes para enfrentar vampiros que aterrorizam Nova Orleans. A lista também destaca thrillers e suspenses tensos, incluindo o brasileiro “O Silêncio da Chuva”, lançado nos cinemas na semana passada. É neste filão que se encontra a melhor estreia da semana, “Você Nunca Esteve Realmente Aqui”, em que Joaquin Phoenix (o “Coringa”) tenta resgatar a filha adolescente de um político das garras de traficantes de mulheres. Foi premiado no Festival de Cannes com os troféus de Melhor Ator e Roteiro (da diretora Lynne Ramsay, de “Precisamos Falar sobre o Kevin”), e tem trilha sonora composta pelo guitarrista do Radiohead Jonny Greenwood (“Sangue Negro”). Os cinéfilos ainda dispõem de muitas outras opções dramáticas, incluindo os impactantes “Nossas Crianças” e “3000 Noites”, que abordam o futuro das crianças em meio à polarização violenta do mundo atual. São, ao todo, 20 indicações de estreias para assistir nas plataformas digitais neste fim de semana, incluindo o primeiro curta de animação produzido pela Apple. Confira abaixo todas as sugestões (com trailers). G.I. Joe Origens: Snake Eyes | EUA | Ação (Apple TV, Google Play, Microsoft Store, NOW, Oi Play, SKY Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Bingo Hell | EUA | Terror (Amazon Prime Video) Black as Night | EUA | Terror (Amazon Prime Video) Ninguém Sai Vivo | EUA | Terror (Netflix) Na Mente do Demônio | EUA | Terror (Apple TV, Google Play, YouTube Filmes) Você Nunca Esteve Realmente Aqui | Reino Unido | Thriller (Supo Mungam Plus) O Culpado | EUA | Suspense (Netflix) O Silêncio da Chuva | Brasil | Suspense (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, PingPlay, Vivo Play, YouTube Filmes) 438 Dias | Suécia | Thriller (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Ficaremos Bem | Noruega, Suécia | Drama (Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Nossas Crianças | Noruega, Suécia | Drama (Supo Mungam Plus) Um Lugar | EUA | Drama (Apple TV, Google Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Four Good Days | EUA | Drama (Apple TV, Google Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Anne at 13,000 Ft. | Canadá | Drama (MUBI) Cemitério de Esplendor | Tailândia | Drama (MUBI) 3000 Noites | Palestina | Drama (Supo Mungam Plus) Hava, Maryam, Ayesha | Afeganistão | Drama (Apple TV, Google Play, Looke, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Encarcerados | Brasil | Documentário (NOW, Vivo Play) As Aventuras do Avião Vermelho | Brasil | Animação (Netflix) Blush | EUA | Animação (Apple TV+)
“007 – Sem Tempo para Morrer” é a principal estreia nos cinemas
A estreia de “007 – Sem Tempo para Morrer” nesta quinta (30/9) encerra uma longa espera. Três vezes adiado pela pandemia, o 25º lançamento da franquia oficial do agente secreto deixou passar seis anos desde “007 Contra Spectre” e só fez crescer a expectativa para a despedida de Daniel Craig do papel de James Bond. Com o retorno de vários personagens dos filmes anteriores, sua história tenta dar uma conclusão em ritmo acelerado à trajetória iniciada em 2006 com “Cassino Royale”. No processo, consagra Craig como o mais sentimental dos intérpretes do personagem, sem abrir mão das cenas de ação mirabolantes, o vilão de gibi e as Bond girls boas de briga que caracterizam a franquia. Com a diferença que agora uma das supostas Bond girls também é uma 007. Sinal dos tempos. E do fim de uma era. O circuito comercial também recebe “Ainbo – A Guerreira da Amazônia”, uma animação peruana-holandesa com diretor alemão (Richard Claus, de “Meu Amigo Vampiro”) sobre uma indiazinha em luta pela preservação da floresta amazônica. E, sem maiores avisos, várias telas serão ocupadas pela pré-estreia de “Venom: Tempo de Carnificina”, que oficialmente só chega aos cinemas na semana que vem. Já o circuito alternativo, cada vez menor no país, recebe três dramas e dois documentários num punhado de salas com horários limitados. O principal título é o alemão “Meu Fim. Seu Começo”, estreia de Mariko Minoguchi na direção, que explora o sentimento do déjà vu e fez sucesso no circuito dos festivais internacionais. Cinéfilos podem se interessar ainda por “DNA”, quinto longa dirigido pela atriz Maïwenn (do ótimo “Polissia”), que tem o tema da busca pela identidade e foi indicado a quatro troféus César (o Oscar francês). Os demais lançamentos são brasileiros, incluindo a volta de Sergio Rezende ao cinema, cinco anos depois de “Em Nome da Lei”, num melodrama romântico: “O Jardim Secreto de Mariana”, escrito em parceria com sua filha Maria Rezende. Confira abaixo a relação completa das estreias da semana com seus respectivos trailers. 007 – Sem Tempo para Morrer | Reino Unido | Ação Ainbo – A Guerreira da Amazônia | Peru, Holanda | Animação Meu Fim. Seu Começo | Alemanha | Drama DNA | França, Argélia | Drama O Jardim Secreto de Mariana | Brasil | Drama Bravos Valentes | Brasil | Documentário Zimba | Brasil | Documentário
Brasil disputa Emmy Internacional com cinco atrações
O Emmy Internacional divulgou a lista de indicados de sua edição deste ano e o Brasil está representado por cinco atrações. As produções da Globo foram os grandes destaques da lista, que inclui a telenovela “Amor de Mãe”, a série de curta duração “Diário de um Confinado”, a minissérie “Todas as Mulheres do Mundo” e o documentário “Cercados”. As quatro produções indicadas estão disponíveis no Globoplay. A quinta produção indicada foi o documentário “Emicida: AmarElo – É Tudo pra Ontem”, produzido pela Netflix, que mostra os bastidores do show histórico do rapper Emicida no Theatro Municipal de São Paulo e concorre na categoria de programação artística. Os vencedores serão anunciados em 22 de novembro, durante cerimônia de premiação em Nova York.
“No Ritmo do Coração” é a principal estreia dos cinemas
Os cinemas recebem 13 estreias nesta quinta (23/9), mas a maioria é restrita ao circuito invisível de “arte” – uma dúzia de cinemas nas maiores capitais. Para o grande público que vai aos cinemas de shopping centers, a lista se resume, na verdade, a apenas três lançamentos. Dois deles foram atrações do Festival de Sundance deste ano. O terceiro é mais um longa animado da série infantil “Abelha Maya”. O principal título é “No Ritmo do Coração” (Coda), que venceu Sundance e foi comprado (e exibido) pela Apple TV+ nos EUA. Dilema de partir o coração, o drama gira em torno de uma adolescente (Emilia Jones, de “Locke & Key”) de família surda, que se vê dividida entre perseguir sua paixão pela música ou servir de conexão entre seus pais e o mundo auditivo, como a única capaz de impedir a falência da família. Além de vencer dois troféus de Melhor Filme (do Júri e do Público), a obra de Siân Heder (“Tallulah”) também conquistou prêmios de Melhor Elenco e Melhor Direção no principal festival de cinema independente dos EUA. “A Casa Sombria” não foi premiado em Sundance, mas arrancou muitos elogios durante sua exibição, atingindo 86% de aprovação no Rotten Tomatoes. No terror, Rebecca Hall (“Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas”) vive uma viúva que começa a desvendar os segredos perturbadores de seu marido, recentemente falecido, ao explorar a arquitetura pouco convencional de sua casa. A direção é de David Bruckner (“O Ritual”), que a seguir vai comandar o remake de “Hellraiser”. Há um terror ainda mais bem-avaliado no circuito limitado: “A Chorona”, com 96% no Rotten Tomatoes (a mesma cotação de “No Ritmo do Coração”). Produção guatemalteca, o longa de Jayro Bustamante (“Tremores”) inova ao juntar assombração e política com resultados arrepiantes. Venceu nada menos que 23 troféus internacionais, inclusive no Festival de Veneza. Entre os demais, seis longas são brasileiros, com destaque para o suspense “O Silêncio da Chuva”, de Daniel Filho (“Boca de Ouro”), que volta a trazer às telas o universo dos mistérios policiais do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza. Na trama, ao investigar o assassinato de um empresário, o detetive interpretado por Lázaro Ramos (“Mundo Cão”) se depara com um submundo de corrupção e femme fatales digno dos melhores filmes noir. Outro destaque pela criatividade narrativa é “Dora e Gabriel”, passado quase todo no interior do porta-malas de um carro, onde os personagens do título são jogados após serem sequestrados. A direção é de Ugo Giorgetti (“Festa”), um mestre do cinema de risco. A lista ainda tem “A Garota da Moto”, filme de ação baseado na série do SBT, o drama “Aranha”, indicação do Chile ao Oscar passado, a comédia “A Dona do Barato”, em que Isabelle Huppert (“Elle”) vira traficante, o trash não intencional “O Filho Único do Meu Pai” e três documentários. Os documentários são “Nem Tudo se Desfaz”, análise da eleição de Bolsonaro por Josias Teófilo, diretor de “O Jardim das Aflições” (sobre Olavo de Carvalho, o guru chulo do bolsonarismo), “Oasis Knebworth 1996”, sobre os 25 anos dos dois shows do Oasis no Knebworth Park, que reuniram 250 mil pessoas e se tornaram os maiores já realizados no Reino Unido, e “Você Não é um Soldado”, que acompanha o premiado fotógrafo brasileiro de guerra André Liohn em cenas de tirar o fôlego. Cheia de imagens impactantes, a obra de Maria Carolina Telles (“A Verdada da Mentira”) foi selecionada para três festivais internacionais: Hot Docs, DOXA e Doc Edge Festival, que qualificam ao Oscar. Confira abaixo a relação completa das estreias da semana com seus respectivos trailers. No Ritmo do Coração | EUA | Drama A Casa Sombria | EUA | Terror A Chorona | Guatemala, França | Terror O Silêncio da Chuva | Brasil | Suspense Dora e Gabriel | Brasil | Drama Garota da Moto | Brasil | Ação Aranha | Argentina, Brasil, Chile | Drama A Dona do Barato | França | Comédia O Filho Único do Meu Pai | Brasil | Comédia A Abelhinha Maya e o Ovo Dourado | Alemanha | Animação Nem Tudo se Desfaz | Brasil | Documentário Você Não É um Soldado | Brasil | Documentário Oasis Knebworth 1996 | Reino Unido | Documentário












