Liga da Justiça estreia em 1º lugar, mas é maior fracasso do universo DC na América do Norte
“Liga da Justiça” abriu em 1º lugar nas bilheterias da América do Norte, faturando US$ 96M (milhões) em seu fim de semana de estreia. Números imponentes. Mas com um porém ainda maior: os US$ 300 milhões estimados de seu orçamento de produção. Ainda entusiasmados pelo bom resultado de “Mulher-Maravilha”, o público americano foi em massa assistir às pré-estreias e ao primeiro dia de exibição da nova produção de super-heróis da Warner Bros, o que jogou suas estimativas de faturamento para a casa dos US$ 120 milhões. Entretanto, o ímpeto diminuiu no sábado. As vendas de ingresso caíram e o filme, inesperadamente, não conseguiu ultrapassar os US$ 100 milhões. Por “coincidência”, a avaliação do site Rotten Tomatoes só foi liberada na véspera da estreia – de forma controversa – , e a nota foi péssima, oscilando entre 38 e 40% de aprovação. As críticas negativas contribuíram para arrefecer o entusiasmo do público. Ao final, o primeiro filme a juntar os maiores heróis da DC Comics estreou abaixo do longa individual da Mulher-Maravilha. O lançamento da heroína abriu com US$ 103M em junho, na América do Norte. Ainda mais significativo é seu desempenho diante da estreia de “Batman vs. Superman”, que estabeleceu a premissa do universo compartilhado da DC Comics – ao introduzir Mulher-Maravilha e apresentar rapidamente os demais integrantes da futura Liga da Justiça. O borrão sombrio de Zack Snyder abriu com US$ 166M no ano passado. Mas desabou em sua segunda semana, após ser execrado pela crítica – e terminou sua trajetória com quatro prêmios no troféu Framboesas de Ouro, anualmente concebidos aos piores trabalhos do cinema hollywoodiano. Considerando que “Esquadrão Suicida” fez US$ 133M e até “O Homem de Aço” começou com US$ 113M, os números definem “Liga da Justiça” não como o carro-chefe do universo compartilhado da DC Comics, como planejava a Warner, mas como seu maior fracasso. Para chegar em números mais baixos, é preciso lembrar o estado em que estavam as adaptações de quadrinhos há duas décadas, época de “Batman e Robin”, que levaram até “Batman Begins” a ser encarado com desconfiança – e uma bilheteria inicial de apenas US$ 48,7M há 12 anos. Superada esta fase, só “Liga da Justiça” faturou menos de US$ 100M para o catálogo da DC. Para cutucar com vara curta, vale lembrar que “Os Vingadores”, primeira produção a juntar os super-heróis da Marvel, fez mais que o dobro em sua estreia, estabelecendo a arrecadação recorde de US$ 204,7M em 2012 – e a continuação não ficou muito atrás, com US$ 191,3M em 2015. A briga de DC vs. Marvel quase ofuscou os demais lançamentos da semana. Mas é digno de nota o desempenho de “Extraordinário”, que se acomodou no 2º lugar. A história anti-bullying do menino deformado que encontra apoio para superar as dificuldades da vida escolar agradou em cheio, com 82% de aprovação da crítica. A arrecadação de US$ 27M ficou, inclusive, acima das expectativas do mercado, diante da concorrência dos blockbusters dos super-heróis valentões. A estreia no Brasil vai acontecer em 7 de dezembro. Com isso, “Thor: Ragnarok” perdeu duas posições, caindo para 3º lugar após duas semanas no topo. O longa tinha aberto com US$ 122,7M e já tem US$ 247,3M em bilheteria doméstica. Com um detalhe a mais para se vangloriar: custou 60% do preço da “Liga da Justiça”. Abaixo no ranking, a animação “A Estrela de Belém” implodiu com US$ 10M. História do nascimento de Jesus com bichos falantes, o filme foi aprovado pela crítica americana, com 62% no Rotten Tomatoes, e traz sua presepada ao Brasil em 30 de novembro. Destaca-se, ainda, o fenômeno registrado nas exibições limitadas de “Lady Bird” e “Três Anúncios para um Crime”. O sucesso de “Lady Bird” na semana passada fez o filme dobrar a quantidade de telas, chegando em 238 salas. “Três Anúncios para um Crime” está em 53. E ambos se destacam no Top 10 à frente de títulos em cartaz em mais de mil salas. Na verdade, só “Liga da Justiça” faturou mais que os dois por sala neste fim de semana na América do Norte. Mas o público brasileiro só vai vê-los em 2018, após a confirmação de suas indicações para o Oscar. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Liga da Justiça Fim de semana: US$ 96M Total EUA: US$ 96M Total Mundo: US$ 281,5M 2. Extraordinário Fim de semana: US$ 27M Total EUA: US$ 27M Total Mundo: US$ 27M 3. Thor: Ragnarok Fim de semana: US$ 21,7M Total EUA: US$ 247,3M Total Mundo: US$ 738M 4. Pai em Dose Dupla 2 Fim de semana: US$ 14,85M Total EUA: US$ 50,5M Total Mundo: US$ 51M 5. Assassinato no Expresso do Oriente Fim de semana: US$ 13,8M Total EUA: US$ 51,7M Total Mundo: US$ 148,2M 6. A Estrela de Belém Fim de semana: US$ 10M Total EUA: US$ 10M Total Mundo: US$ 10M 7. Perfeita É a Mãe 2 Fim de semana: US$ 6,8M Total EUA: US$ 50,9M Total Mundo: US$ 77,5M 8. Lady Bird Fim de semana: US$ 2,5M Total EUA: US$ 4,7M Total Mundo: US$ 4,7M 9. Três Anúncios para um Crime Fim de semana: US$ 1,5M Total EUA: US$ 1,5M Total Mundo: US$ 1,5M 10. Jogos Mortais: Jigsaw Fim de semana: US$ 1M Total EUA: US$ 36,4M Total Mundo: US$ 88,8M
Luke Evans, Josh Gad e Daisy Ridley vão estrelar comédia de super-heróis da Netflix
A Netflix vai produzir uma comédia de super-heróis com Josh Gad, Luke Evans e Daisy Ridley, intitulada “Super-Normal”. O projeto foi oferecido a vários estúdios no mês passado, atraindo interesse até da Disney, mas o negócio acabou fechado pela plataforma de streaming. A premissa foi desenvolvida por Gad, que viverá um super-herói na trama, e transformada em roteiro pelos irmãos Aaron e Jordan Kandell, que trabalharam na animação “Moana”. Gad aproveitou as amizades feitas em seus filmes mais recentes para fechar o elenco central forte. Chamou Luke Evans, seu parceiro em “A Bela e a Fera”, no qual interpretaram a dupla LeFou e Gastão, respectivamente, e Daisy Ridley, com quem fez amizade no set de “Assassinato no Expresso do Oriente”. Evans participou, inclusive, das apresentações do projeto aos estúdios, ao lado de Gad. Ainda não há cronograma de produção nem previsão da estreia da comédia.
2ª temporada de Easy desfila seu elenco grandioso em trailer e fotos
A Netflix divulgou 7 fotos e o primeiro trailer da 2ª temporada de “Easy”, série de comédia concebida como uma antologia tradicional (com episódios independentes), que acompanha diversos personagens em busca de amor, mas principalmente de sexo. Criada por Joe Swanberg (“Um Brinde à Amizade”), a série terá novos episódios escritos, dirigidos e produzidos pelo cineasta indie, que voltou a reunir um grande elenco. Entre os que retornam da 1ª temporada, estão Dave Franco (“Vizinhos”), Jacqueline Toboni (série “Grimm”), Kiersey Clemons (“Um Vizinho Perigoso”), Michael Chernus (série “Orange Is the New Black”), Aya Cash (série “You’re the Worst”), Kate Micucci (“Sonhos à Deriva”), Elizabeth Reaser (“Crepúsculo”), Zazie Beetz (“Deadpool 2”), Evan Jonigkeit (série “Frontier”) e Marc Maron (série “Glow”). Embora a divulgação não tenha adiantado se eles interpretarão os mesmos ou novos personagens, Maron já revelou no Twitter que retoma seu personagem. Já as novidades incluem Aubrey Plaza (série “Legion”), Judy Greer (“Homem-Formiga”), Joe Lo Truglio (série “Brooklyn Nine-Nine”), Kate Berlant (série “Search Party”), Michaela Watkins (série “Casual”) e Danielle Macdonald (“Patti Cake$”). A 2ª temporada de “Easy” estreia na Netflix em 1 de dezembro.
Nickelodeon cancela séries School of Rock e Nicky, Ricky, Dicky & Dawn
O canal pago americano Nickelodeon anunciou o cancelamento das séries infantis “School of Rock”, baseada na comédia “Escola de Rock” (2003), e “Nicky, Ricky, Dicky & Dawn”. Ambas as séries encerrarão suas tramas em 2018, quando completarão quatro anos no ar. “Estamos extremamente orgulhosos de cada série, e agradecemos aos elencos e equipes pelos seus trabalhos. Os episódios restantes das duas séries continuarão a aparecer no Nickelodeon até 2018”, anunciou o canal em comunicado. “Nicky, Ricky, Dicky & Dawn” ainda irá exibir toda a 4ª temporada em 2018, mas “School of Rock” tem apenas metade de sua atual temporada (13 episódios) para veicular. Nesta série, o papel de professor de rock, que foi vivido por Jack Black no cinema, é interpretado por Tony Cavalero (da série “Hart of Dixon”), enquanto o papel da diretora da escola coube a Jama Williamson (série “Parks and Recreation”). Entre o elenco de crianças, os mais conhecidos são Lance Lim (série “Growing Up Fisher”), Breanna Yde (série “A Família Hathaways/The Haunted Hathaways”), Jade Pettyjohn (série “The Last Ship”) e Aidan Miner (série “A Vida Secreta de uma Adolescente Americana”). A adaptação foi desenvolvida pelos irmãos Jim e Steve Armogida (produtores das séries “Crash & Bernstein” e “The Return of Jezebel James”). O diretor e o produtor do filme, Richard Linklater e Scott Rudin, também integram a equipe executiva. Já “Nicky, Ricky, Dicky & Dawn” é uma criação de dois roteiristas veteranos do canal, Michael Feldman (“Sunny Entre Estrelas” e “See Dad Run”) e Matt Fleckenstein (“Victorious” e “iCarly”), e girava em torno de quatro irmãos gêmeos, que tinham 11 anos quando a série começou em 2014.
Recrutas da Pesada: Comédia clássica dos anos 1980 pode virar série
A comédia clássica dos anos 1980, “Recrutas da Pesada” (Stripes, 1981), dirigida por Ivan Reitman, escrita por Harold Ramis e estrelada por Bill Murray, vai virar série de TV. A revista Variety publicou que a rede americana CBS está desenvolvendo o projeto, com roteiro e produção do trio Trevor Moore, Sam Brown e Zach Cregger, criadores da série de esquetes “The Whitest Kids U’ Know”. Assim como no filme, a série acompanhará um eterno rebelde que encontra seu propósito de vida no Exército dos Estados Unidos, unindo-se a um grupo de figuras excêntricas. O longa foi o segundo trabalho consecutivo a juntar Reitman, Ramis e Murray no cinema, após “Almôndegas” (1979). O trio voltaria a trabalhar juntos no clássico “Os Caça-Fantasmas” (1986) e sua continuação. Ainda não foram definidos elenco e cronograma de produção da atração, que precisará ter seu piloto aprovado para ganhar encomenda de temporada inaugural. Caso a produção ganhe sinal verde, será lançada com o título original do filme em inglês, “Stripes”.
Pete Holmes peregrina por sofás de comediantes no trailer da 2ª temporada de Crashing
A HBO divulgou o trailer da 2ª temporada de “Crashing”, série de comédia criada e estrelada por Pete Holmes. A prévia continua a fórmula estabelecida no primeiro ano. Com tom semi-autobiográfico, a série gira em torno de um humorista de stand-up chamado Pete, que, após ser abandonado pela esposa (Lauren Lapkus, da série “Orange Is the New Black”), fica sem ter onde morar. Assim, ele começa a dormir nos sofás dos melhores comediantes de Nova York. A premissa serve de gancho para a participação de diversos humoristas. A produção é do cineasta Judd Apatow (“Descompensada”) e a 2ª temporada inclui os comediantes Bill Burr (série “Kroll Show”), Wayne Federman (série “Curb Your Enthusiasm”) e Whitney Cummings (série “Whitney”), além de Jamie Lee (que é roteirista de “Crashing”) como possível interesse romântico do protagonista. Os novos episódios estreiam em 14 de janeiro.
Guy Pearce e Kyle Minogue fazem swing no trailer da nova comédia do diretor de Priscilla, a Rainha do Deserto
A Becker Film divulgou o trailer e o pôster da comédia australiana “Swinging Safari”, novo filme de Stephan Elliott, diretor do cultuado “Priscilla, a Rainha do Deserto” (1994). Há seis anos sem filmar, ele retorna a temas de seu filme mais famoso, com uma nova produção sobre personagens extravagantes, que gostam de sexo não convencional e Abba. Até o ator Guy Pearce está de volta. A diferença é que, em vez de uma jornada pelo outback, os personagens fazem safari sem ir muito longe de suas casas. Passada nos anos 1970, a comédia acompanha três famílias de vizinhos, pais de adolescentes, que além de roupas espalhafatosas e hábitos inapropriados, resolvem espantar o tédio de suas vidas suburbanas com uma das modas da época: o swing, também conhecido como “troca de casais”. Pearce forma um dos casais com a cantora Kyle Minogue (“Holy Motors”) e o elenco também inclui Julian McMahon (“Quarteto Fantástico”), Radha Mitchell (“Invasão à Londres”), Jeremy Sims (“A Vítima Perfeita”) e Asher Keddie (“X-Men Origens: Wolverine”). A estreia está marcada para 18 de janeiro na Austrália e ainda não há previsão de lançamento em outros países.
Terror Corra! vai disputar Globo de Ouro como comédia
O prêmio que ninguém leva a sério pode ficar ainda mais engraçado neste ano. Após premiar o “hilário” “Perdido em Marte” como Melhor Comédia de 2015, o Globo de Ouro pode consagrar o “leve e romântico” “Corra!” na mesma categoria. Na verdade, “Corra!” não é nada leve. Tenso do começo ao fim, costumava ser considerado um filme de terror, até a Associação dos Críticos Estrangeiros de Hollywood se reunir para reclassificá-lo como uma comédia – possivelmente romântica, sim, já que sua trama não deixa de evocar “Adivinhe Quem Vem para Jantar” (1967). A revelação foi feita por Kristopher Tapley, jornalista da revista Variety, em seu Twitter. Segundo Tapley, se não entrasse como comédia, o filme de Jordan Peele, que lidera as indicações do Gotham Awards 2017, corria risco de ficar de fora da “importante” premiação. Veja abaixo. Os indicados ao Globo de Ouro serão revelados no dia 11 de dezembro e a cerimônia de premiação está marcada para 8 de janeiro, com transmissão no Brasil pelo canal pago TNT. The HFPA met today to determine categories. “Get Out” seemed most in danger of being overruled, but while there was disagreement, it’s officially in comedy. — Kristopher Tapley (@kristapley) November 14, 2017
Paloma Duarte viverá youtuber em série do Multishow
A atriz Paloma Duarte vai voltar à TV numa série de comédia do Multishow. Afastada da programação televisiva desde 2013, quando atuou na novela “Pecado Mortal”, da Record, ela será protagonista da série “Eu, Ela e Um Milhão de Seguidores”, que estreia em dezembro no canal Multishow. Na produção, ela vive uma youtuber e contracena com o humorista Rafinha Bastos (“Internet – O Filme”). Em entrevista ao jornal O Globo, ela contou que teve aprender a lidar com as novas tecnologias das redes sociais, como o stories do Instagram, para viver o papel. “Levei muita bronca porque não olhava para a câmera do celular quando estava gravando os vlogs”. Ainda lembrada por papéis de adolescente, Paloma está com 40 anos e assume que foi difícil retomar a vida profissional após o nascimento de Antônio, seu filho de 1 ano, do casamento com o também ator Bruno Ferrari. Ela ainda é mãe de Ana Clara, de 20 anos, e de Maria Luiza, de 22. “Quando eu tive as meninas, eu não tinha a opção de parar para pensar nisso. Estava criando duas filhas sozinha, tinha que trabalhar. Agora é diferente, queria ficar mais tempo, mas precisava voltar em algum momento. Um dos motivos pelo qual aceitei participar desse projeto foi porque era mais curto, nada igual a uma novela, por exemplo”.
Thor: Ragnarok mantém 1º lugar e já supera bilheterias dos dois filmes anteriores da franquia
“Thor: Ragnarok” enfrentou pais em dose dupla e trens expressos sem sair do lugar: o 1º lugar das bilheterias na América do Norte. O blockbuster da Marvel faturou US$ 56,6M (milhões) na estimativa do site Box Office Mojo, em seu segundo fim de semana em cartaz nos Estados Unidos e no Canadá. É uma arrecadação incomum para uma produção em sua segunda semana, ainda mais por disputar ingressos com duas grandes estreias no período. O sucesso de “Thor: Ragnarok” é tão estrondoso que já superou, em apenas de dez dias, toda a arrecadação conquistada pelos dois longas anteriores da franquia, “Thor” (2011) e “Thor: O Mundo Sombrio” (2013), tanto no mercado doméstico quando em seu faturamento mundial. O lançamento já soma US$ 211,5M na América do Norte e US$ 650M em todo o mundo, ultrapassando “Thor: O Mundo Sombrio”, que fez US$ 206M e US$ 644M em 23 semanas. Entre as estreias, “Pai em Dose Dupla 2” foi a que se saiu melhor. Apesar de ter sido destruída pela crítica, com míseros 16% de aprovação no site Rotten Tomatoes, a curiosidade de ver Mel Gibson numa comédia, como o pai de Mark Wahlberg, lhe rendeu o 2º lugar no ranking com um faturamento considerável de US$ 30M. Mas “Assassinato no Expresso do Oriente” não ficou muito atrás, com US$ 28,2M. A diferença pode ser creditada às 230 salas a menos que receberam esta produção. Apesar do grande elenco – Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, etc – , o “remake” de Kenneth Branagh não conseguiu atingir a consagração da primeira versão da obra de Agatha Christie, encenada em 1974 e premiada pelo Oscar (Melhor Atriz Coadjuvante, vencido por Ingrid Bergman). Sem empolgar a crítica, conquistou 58% de aprovação e elogios para sua direção de arte. “Pai em Dose Dupla 2” e “Assassinato no Expresso do Oriente” estreiam, respectivamente, em 23 e 30 de novembro no Brasil. A grande sensação da semana, porém, não foi nenhum título do Top 3. De forma inesperada e impressionante, a novidade mais celebrada acabou sendo o filme que fecha o Top 10. “Lady Bird” foi lançado na semana passada em circuito ultra-limitado, apenas em Los Angeles e Nova York, e expandiu suas salas na última sexta (10/11) para atingir um total de 37 cinemas. Mesmo assim, virou um dos dez filmes mais vistos do fim de semana nos Estados Unidos, faturando US$ 1,2M. O valor representa uma arrecadação de US$ 33,7 mil por sala. Para se ter noção, “Thor: Ragnarok” faturou no mesmo tempo US$ 13 mil por sala – mas nem em sua estreia conseguiu tanto (US$ 30 mil). Trata-se de um fenômeno, que transforma “Lady Bird” num dos filmes indies mais bem-sucedidos do ano, além de lhe jogar holofotes na véspera das premiações do cinema americano. O filme marca a estreia na direção da atriz Greta Gerwig (“Mulheres do Século 20”). Ela não atua na produção, mas Saoirse Ronan (“Brooklyn”) é basicamente uma transposição das personagens rebeldes e desfocadas que Gerwig transformou em carreira. Vale lembrar que, além de atriz, Gerwig é uma escritora talentosa. Ela escreveu, entre outros, “Frances Ha” (2012) e “Mistress America” (2015), seus filmes mais famosos. E também assina o roteiro de “Lady Bird”, que é uma síntese de suas angústias existenciais, inspirado em sua própria vida. A previsão de estreia no Brasil é, inacreditavelmente, apenas para abril, cinco meses após o lançamento nos EUA e um mês inteiro depois do anúncio dos vencedores do Oscar 2018, que deve contar com sua presença entre os indicados. Trata-se de reincidência. Este descaso sempre costuma acontecer quando um grande estúdio (leia-se Universal) assume a distribuição internacional de uma produção indie. Confira, abaixo, o desempenho dos dez filmes de maior bilheteria do fim de semana na América do Norte. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Thor: Ragnarok Fim de semana: US$ 56,6M Total EUA: US$ 211,5M Total Mundo: US$ 650M 2. Pai em Dose Dupla 2 Fim de semana: US$ 30M Total EUA: US$ 30M Total Mundo: US$ 30M 3. Assassinato no Expresso do Oriente Fim de semana: US$ 28,2M Total EUA: US$ 28,2M Total Mundo: US$ 85,4M 4. Perfeita É a Mãe 2 Fim de semana: US$ 11,5M Total EUA: US$ 39,8M Total Mundo: US$ 46,5M 5. Jogos Mortais: Jigsaw Fim de semana: US$ 3,4M Total EUA: US$ 34,3M Total Mundo: US$ 79M 6. Tyler Perry’s Boo 2! A Madea Halloween Fim de semana: US$ 2M Total EUA: US$ 45,9M Total Mundo: US$ 46,6M 7. Tempestade – Planeta em Fúria Fim de semana: US$ 1,5M Total EUA: US$ 31,6M Total Mundo: US$ 199M 8. Blade Runner 2049 Fim de semana: US$ 1,4M Total EUA: US$ 88M Total Mundo: US$ 243M 9. A Morte Te Dá Parabéns Fim de semana: US$ 1,3M Total EUA: US$ 54,9M Total Mundo: US$ 88,1M 10. Lady Bird Fim de semana: US$ 1,2M Total EUA: US$ 1,7M Total Mundo: US$ 1,7M
Comédia A Noite do Jogo ganha trailer divertido com Rachel McAdams e Jason Bateman
Provavelmente, as melhores piadas estão no trailer, mas é bem engraçada a primeira prévia legendada de “A Noite do Jogo” (Game Night), comédia estrelada por Rachel McAdams (“Doutor Estranho”) e Jason Bateman (“A Última Ressaca do Ano”), que também ganhou pôster internacional da Warner. O vídeo introduz a trama, mostrando um grupo de amigos que se reúne semanalmente para uma noite de jogos. A sugestão do personagem de Kyle Chandler (série “Bloodline”) é que a diversão da noite seja desvendar um crime: alguém do grupo seria raptado e os demais deveriam descobrir para onde ele foi levado. Como mostra o trailer, esta é a deixa para criminosos invadirem a casa e sequestrarem o próprio Chandler, que jura que aquilo não é brincadeira. Não demora e eles descobrem que o crime foi mesmo real. Mas, até lá, divertem-se horrores. O elenco também inclui Billy Magnussen (“Ponte dos Espiões”), Lamorne Morris (série “New Girl”), Jesse Plemons (série “Fargo”), Kylie Bunbury (série “Pitch”), Sharon Horgan (série “Catastrophe”) e Joshua Mikel (série “The Walking Dead”). Com direção de John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein (a dupla do reboot de “Férias Frustradas”), “A Noite do Jogo” estreia em 10 de maio no Brasil, dois meses após o lançamento nos Estados Unidos.
Ben Stiller entra em crise e faz um de seus melhores filmes em O Estado das Coisas
Não deixa de ser interessante a virada atual na carreira de Ben Stiller, de astro de comédias escrachadas para papéis mais tragicômicos. Ele tem feito, em geral, tipos inseguros, que funcionam como uma evolução da persona que construiu em suas comédias mais populares. É provável que este potencial já estivesse presente desde “Caindo na Real” (1994), “Os Excêntricos Tenenbaums” (2001) e “O Solteirão” (2010), sua primeira parceria com Noah Baumbach, mas se acentuou após o fracasso de “Zoolander 2” (2016), que ele próprio dirigiu, estimulando-o a se aventurar mais no cinema indie, o que resultou num novo filme de Baumbach, “Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe”, e neste “O Estado das Coisas”, de Mike White. “O Estado das Coisas” é, como “O Solteirão” e “Enquanto Somos Jovens” (2014), ambos de Baumbach, mais um filme em que Stiller interpreta alguém em crise de meia-idade. Na verdade, não há nada de errado com a vida de Brad Sloan (Stiller). Ele trabalha em uma empresa sem fins lucrativos, é casado com uma mulher encantadora (Jenna Fisher, da série “The Office”) e agora está ajudando o filho inteligente e educado (Austin Abrams, de “Cidades de Papel”) a entrar em um novo e excitante momento de sua vida: a universidade. O problema de Brad é que ele tem a mania de ficar comparando suas realizações com as de seus colegas de escola, que se tornaram milionários e famosos. Segundo filme dirigido por Mike White, que tem uma carreira extensa como roteirista (“Escola do Rock”, “Emoji: O Filme”, etc), “O Estado das Coisas” agradou em cheio a crítica americana (81% de aprovação no Rotten Tomatoes), mas não deve ser visto com muita expectativa, por ser mesmo uma obra pequena e sutil no tratamento de seu tema. Dito isto, é também um filme bem engraçado, por mais que os pensamentos do protagonista sejam quase doentios. Isto porque é muito fácil se identificar de alguma forma com a situação de Brad. Um dos destaques do filme – e que pode incomodar alguns – é o uso intensivo do voice-over pelo protagonista, em um trabalho muito bom do fluxo de consciência, apresentando monólogos ora divertidos ora amargos sobre a vida. Um dos acertos do roteiro de White, que inclusive concorre ao troféu Gotham (premiação do cinema indie americano), é sua extrema honestidade, que não deixa de explicitar as falhas de seu herói. Essas falhas estão bem à sua frente, como se houvesse um véu cobrindo seu olhar. E que se revelam numa resposta muito boa de uma jovem garota universitária, que resumem o personagem como um egocêntrico que não sabe a sorte que tem. A personalidade bipolar de Brad fica clara em momentos inesperados, como na visualização de um sonho, em que vê o filho aceito na Universidade de Harvard. Mas o que seria um momento de celebração em família logo lhe induz pensamentos sombrios, que voltam a deprimi-lo, diante da possibilidade de ele ter inveja do próprio filho, que poderia se tornar melhor do que ele jamais foi na vida. As cenas de Brad desejando mulheres mais jovens também são hilárias, bem como o modo como ele imagina um amigo de escola, que hoje vive aposentado e morando com duas garotas em uma praia havaiana. Curioso, aliás, como a praia – e mulheres jovens -sempre aparecem como status de sucesso na vida. Entre os coadjuvantes, o destaque é para Michael Sheen (série “Masters of Sex”), no papel de um antigo colega de escola que virou um famoso e arrogante apresentador de televisão. O ator funciona muito bem em tipos assim, vide o recente “De Volta para Casa”, com Reese Witherspoon. Se há um problema no filme talvez seja a timidez com que o diretor utiliza cenas dramáticas, talvez com medo de transformar sua trama inteligente em um dramalhão, especialmente nos momentos de emoção intensa do personagem de Stiller. Mesmo com esta ressalva, “O Estado das Coisas” é um prazer do início ao fim, algo cada vez mais difícil de se dizer sobre os filmes em cartaz.
A Comédia Divina impressiona de tão ruim que é
Quem achou fraco “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola” pode ficar impressionado com “A Comédia Divina”, de Toni Venturi. Mas impressionado no pior sentido, já que o que o filme chega a ser constrangedor, inclusive na forma. Uma pena, pois Monica Iozzi (“Superpai”), com seu carisma e simpatia, merecia uma estreia melhor como protagonista de cinema. Na trama, supostamente inspirada – não em “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, mas em outra obra literária – no conto “A Igreja do Diabo”, de Machado de Assis, o “coisa-ruim” em pessoa resolve vir à Terra para fundar a sua própria igreja, vendo que está totalmente desacreditado pela humanidade. O que parece ser uma premissa ok se revela uma bobagem sem tamanho em questão de poucos minutos. E Murilo Rosa (“Área Q”) como o diabo é um horror. Primeira comédia de Toni Venturi, que até então tinha feito só filmes sérios como “Cabra-Cega” (2004) e “Estamos Juntos” (2011), além de documentários premiados, “A Comédia Divina” consegue uma façanha: não tem uma sequência boa sequer. Quando mais se pensa sobre o filme, pior fica.












