Sophia Loren voltará a estrelar um filme após uma década
A atriz italiana Sophia Loren planeja voltar ao cinema, depois de uma década afastada, para protagonizar o remake de “Madame Rosa – A Vida à Sua Frente”, que será dirigido por seu filho Edoardo Ponti. Loren interpretará a personagem que dá nome ao filme, uma sobrevivente do Holocausto que forjará um vínculo emocional com um adolescente de 12 anos, imigrante do Senegal, chamado Momo. “Madame Rosa – A Vida à Sua Frente” é uma adaptação do romance francês “A Vie Devant Soi”, escrito por Roman Gary e publicado em 1975, e a primeira versão de cinema é de 1977. Protagonizada por Simone Signoret e dirigida pelo cineasta israelense Moshe Mizrahi, “Madame Rosa”, venceu o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira de 1978. Sophia Loren não estrelava um filme desde o musical “Nine”, de Rob Marshall, lançado em 2009, mas está trabalhando 10 horas por dia na produção, que já começou a ser filmada na Itália, na cidade litorânea de Bari. Sobre trabalhar com o filho, a diva italiana disse à revista Variety que ele “não se conformaria com nada que não fosse o melhor para ela”. “Ele me conhece tão bem. Conhece cada centímetro do meu rosto, o meu coração, a minha alma. Ele só passará para a tomada seguinte quando conseguir a minha verdade mais profunda”. Por sua vez, Ponti elogiou a disposição de sua mãe e sua capacidade de trabalho. “Com 84 anos ela quer dar tudo para fazer um filme profundo, desafiante, tanto emocionalmente como fisicamente”, avaliou. Segundo o diretor, “a energia e paixão” com a qual Loren interpreta cada cena “é uma maravilha de se ver”. Ele já tinha dirigido a mãe anteriormente, em “Desejo de Liberdade” (2002). A nova versão de “Madame Rosa” ainda não tem previsão de estreia.
Valentina Cortese (1923 – 2019)
Valentina Cortese, atriz italiana indicada ao Oscar por sua interpretação em “A Noite Americana” (1973), clássico de François Truffaut, morreu nesta quarta (10/7) em Milão, aos 96 anos. Nascida em Milão em 1923, Cortese foi uma das principais “mocinhas” do cinema italiano dos anos 1940, lançada à fama com o papel de Lisabetta em “A Farsa Trágica” (1942), de Alessandro Blasetti. Ela fez nada menos que 26 filmes em sua primeira década de atividade, boa parte deles aventuras de capa e espada, conquistando aclamação para além das fronteiras nacionais ao interpretar tanto Fantine quanto Cosette na versão italiana de “Os Miseráveis”, lançada como dois filmes diferentes em 1948. A repercussão rendeu um contrato com a 20th Century Fox, que a lançou nos Estados Unidos no clássico noir “Mercado de Ladrões” (1949), de Jules Dassin. Fez vários filmes americanos, entre eles “Terrível Suspeita” (1951), de Robert Wise, e “A Condessa Descalça” (1954), de Joseph L. Mankiewicz. Mas a ironia é que Hollywood a tornou ainda mais popular na Europa, o que a levou de volta à Itália. Em seu retorno triunfal, a atriz passou a trabalhar com os grandes mestres do cinema italiano. Os convites não eram mais para papéis de donzelas em aventuras ligeiras, mas para participar de obras dos mais variados gêneros, do drama ao terror, a maioria cultuadíssima, como “As Amigas” (1955), de Michelangelo Antonioni, “Olhos Diabólicos” (1963), de Mario Bava, “Julieta dos Espíritos” (1965), de Federico Fellini, e “Irmão Sol, Irmã Lua” (1972), de Franco Zeffirelli, A atriz ainda participou de filmagens americanas na Itália, como “Barrabás” (1961), passado na Roma antiga, o drama “A Visita” (1964) e o filme de guerra “O Segredo de Santa Vitória” (1969). E trabalhou em produções inglesas, francesas, alemãs, espanholas, etc, como “Onde o Mundo Acaba” (1956), de Luis García Berlanga, “O Assassinato de Trotsky” (1972), de Joseph Losey, e “O Primeiro Amor” (1970), de Maximilian Schell. O papel de Severine, uma estrela de cinema envelhecida e alcoólatra, no clássico francês “A Noite Americana” (1973), de Truffaut, foi um dos pontos mais altos de sua carreira. Além da indicação ao Oscar, o trabalho lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro e o prêmio de Melhor Atriz da BAFTA, a Academia britânica. Ela ainda contracenou com Paul Newman no filme norte-americano de desastre “O Dia em que o Mundo Acabou” (1980) e foi dirigida pelo inglês Terry Gilliam na comédia de época “As Aventuras do Barão Munchausen” (1988), entre dois trabalhos de Zeffirelli, a minissérie “Jesus de Nazaré” (1977) e seu último longa, “Sonho Proibido” (1993), antes de aposentar das telas, com a fama de ter sido uma das maiores divas da história da Cinecittà.
Franco Zeffirelli (1923 – 2019)
O cineasta Franco Zeffirelli, conhecido por filmes como “Romeu e Julieta” (1968) e “Amor sem Fim” (1981), morreu neste sábado (15/6) em sua casa em Roma, aos 96 anos, em decorrência “de uma longa doença que se agravou nos últimos meses”, informou a imprensa italiana. “Nunca quis que esse dia chegasse. Franco partiu nesta manhã. Um dos maiores homens do mundo da cultura. Nós partilhamos da dor de seus amados. Adeus, grande mestre, Florença nunca te esquecerá”, disse o prefeito de Florença, Dario Nardella. Em uma carreira que se estendeu por cerca de 70 anos, ele se tornou um dos diretores mais populares da Itália, tanto por seus filmes, quanto por peças de teatro e óperas. Nascido como filho ilegítimo de uma designer de moda e de um comerciante de tecidos, Zeffirelli ficou órfão de mãe aos seis anos e foi criado por uma tia. Na juventude, afirma que foi abusado por um padre. Mas também estudou arte e arquitetura em Florença e integrou um grupo de teatro. Iniciou a carreira cinematográfica depois da 2ª Guerra Mundial, trabalhando como diretor assistente de Luchino Visconti em clássicos como “A Terra Treme” (1948), “Belíssima” (1951) e “Sedução da Carne” (1954). A partir dos anos 1950 voltou-se para os palcos, como diretor de teatro e ópera, e fez sua estreia como cineasta, com a comédia “Weekend de Amor” (1958). Mas não demorou a juntar cinema e ópera, num documentário sobre a maior diva dos tempos modernos, Maria Callas, em 1964. As paixões divididas explicam porque seu cinema sempre foi um pouco teatral e muito operístico. Tentando conciliar filme e teatro, lançou-se em adaptações de William Shakespeare. Fez “A Megera Domada” (1967) com Richard Burton e Elizabeth Taylor, chamando atenção de Hollywood. Mas foi “Romeu e Julieta” (1968), no ano seguinte, que o colocou na Academia. A obra foi indicada a quatro Oscars, inclusive Melhor Filme e Direção, e se diferenciou das versões anteriores por finalmente filmar dois adolescentes reais (Olivia Hussey e Leonard Whiting) nos papéis dos amantes trágicos. O longa venceu os Oscars de Melhor Fotografia e Melhor Figurino, além do David di Donatello (o “Oscar” italiano) de Melhor Diretor. O sucesso o influenciou a seguir filmando em inglês, mas seus trabalhos seguintes, “Irmão Sol, Irmã Lua” (1972), sobre as juventudes de São Francisco e Santa Clara, e a minissérie “Jesus de Nazaré” (1977), refletiram sua criação católica apostólica romana. Belíssimo, o longa de 1972 lhe rendeu seu segundo David di Donatello de Melhor Diretor, enquanto a obra televisiva trouxe como curiosidade a escalação da sua Julieta (Olivia Hussey) como a Virgem Maria. Depois de rodar o drama esportivo “O Campeão” (1979), com John Voight (o pai de Angelina Jolie), e o romance adolescente “Amor sem Fim” (1981), com Brooke Shields, Zefirelli voltou-se novamente às óperas. Mas desta vez em tela grande. Filmou “La Traviata” (1982), pelo qual foi indicado ao Oscar de Melhor Direção de Arte e Figurino, e “Otello” (1986), duas óperas de Verdi que foram protagonizadas por Plácido Domingo. Entretanto, para encarnar Otello, o cantor foi submetido à maquiagem especial para escurecer sua pele, num processo chamado de “black face”, que atualmente é considerado um ato de racismo. Já na época não caiu muito bem. Entre um e outro longa, Zefirelli ainda filmou duas óperas televisivas, “Cavalleria Rusticana” (1982) e “Pagliacci” (1982), novamente com Plácido Domingo. E venceu um Emmy pela segunda. Ele seguiu alternando seus temas favoritos com “O Jovem Toscanini” (1988), cinebiografia do grande maestro Toscanini, fez sua versão de “Hamlet” (1990), com Mel Gibson e Glenn Close, e realizou a tele-ópera “Don Carlo” (1992), com Luciano Pavarotti. Dirigiu ainda adaptações de romances clássicos como “Sonho Proibido” (1993), baseado na obra de Giovanni Verga, e “Jane Eyre – Encontro com o Amor”, inspirado no romance gótico de Charlotte Brontë, com William Hurt e as então jovens Charlotte Gainsbourg e Anna Paquin, antes de adaptar sua própria autobiografia, “Chá com Mussolini” (1999). Ainda voltou uma última vez ao passado em seu longa final, o documentário “Callas Forever” (2002), sobre a diva da ópera que tinha filmado pela primeira vez nos anos 1960. Nos últimos anos, Zefirelli se tornou mais conhecido por seu envolvimento com a política. Conservador a ponto de ter lançado uma campanha contra “A Última Tentação de Cristo”, de Martin Scorsese, quando o filme fez sua première no Festival de Veneza em 1988, ele era contra projetos de reconhecimento dos casais homossexuais e foi um dos poucos artistas italianos a apoiar Silvio Berlusconi quando o bilionário entrou para a política no início dos anos 1990. Acabou eleito senador no partido do magnata, de 1994 a 2001.
Crime de O Caravaggio Roubado não compensa
Depois de “Viva a Liberdade”, em 2013, e “As Confissões”, em 2016, o cineasta italiano Roberto Andò vem com um suspense cheio de mistérios e coisas a serem descobertas pouco a pouco. O fio condutor é um crime ocorrido há 50 anos, numa capela de Palermo, na Sicília, o roubo da pintura Nativitá, de Caravaggio, que segue sem solução. Não seja por isso, a ficção se encarrega de criar uma história que envolve uma escritora fantasma de um roteirista bem sucedido, que é conhecida apenas como secretária de um produtor de cinema. Ela tem acesso a uma oferta de uma história espetacular, mas muito perigosa. Vai dar na máfia, claro. Afinal, estamos em Palermo. Uma trama intrincada vai se desenvolvendo. Nada, ou pouco, se dá a conhecer à primeira vista. O quebra-cabeças vai se formando, fazendo sentido, e trazendo muitos outros elementos à trama. Em especial, pelos relacionamentos que se estabelecem e se transformam, dando ritmo aos eventos. “O Caravaggio Roubado” tem boas sequências, é visualmente bonito, tem ótimos desempenhos, mas se perde na falta de fluidez. Há uma preocupação excessiva em permanecer num clima de mistério constante que, se estimula de um lado, cansa de outro. Tensão e enigma não faltarão aos espectadores que forem ver o filme. O grande destaque vai para a protagonista Valéria, desempenho excelente de Micaela Ramazzotti (atriz de “Loucas de Alegria”), e para o papel de Renato Carpentieri (“Corpo Celeste”), muito bom. Alessandro Gassman (filho do lendário ator Vittorio Gassman) está num papel menor, mas central da trama, como o roteirista Alessandro Paes. O filme conta, ainda, com a participação especial do grande cineasta polonês Jerzy Skolimovski (“Matança Necessária”).
Roberto Benigni vira Gepeto na primeira foto do novo Pinóquio
O estúdio Le Pacte divulgou a primeira foto da nova versão de “Pinóquio”. A imagem traz o ator e diretor italiano Roberto Benigni (vencedor do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira por “A Vida É Bela”) como o marceneiro Gepeto diante do boneco de madeira. O filme marca a volta de Benigni ao cinema, oito anos após seu último papel, quando fez uma pequena participação em “Para Roma, com Amor” (2012), de Woody Allen. E, por coincidência, numa adaptação da mesma obra que lhe rendeu o seu maior fracasso. Benigni foi diretor, roteirista e protagonista de uma versão anterior da mesma história, lançada em 2002. Na ocasião, no papel do boneco de corpo e cara-de-pau, ele conseguiu a façanha de atingir 0% de aprovação no Rotten Tomatoes. O novo filme é dirigido por Matteo Garrone, que volta ao mundo das fábulas encantadas após o ótimo “O Conto dos Contos” (2015). Em comunicado à imprensa, Garrone afirmou que o projeto representa “dois sonhos se tornando realidade”: dirigir uma adaptação de “Pinóquio” e trabalhar com Benigni. As filmagens começaram em 18 de março na Itália e vão continuar por mais 11 semanas. Apesar de ainda não ter previsão de estreia, a produção italiana vai chegar aos cinemas antes de seus concorrentes americanos saírem do papel. Há pelo três filmes sobre “Pinóquio” em desenvolvimento nos Estados Unidos: um longa animado de Guillermo del Toro, com produção da Netflix, uma versão “live-action” da Disney, que traria Tom Hanks como Gepeto, e outra da Warner com Robert Downey Jr. Pela falta de atualizações, é provável que a última já tenha sido descartada. A adaptação mais famosa da obra de Carlo Collodi continua a ser o desenho lançado pela Disney em 1940, que venceu o Oscar de Melhor Canção Original – pela clássica “When You Whish Upon a Star”.
Dogman traz explosão de feiura e violência para refletir
“Dogman”, o novo filme de Matteo Garrone (de “Gomorra”), não é fácil de se ver. É tenso, sofrido, violento, passa-se numa ambientação feia, suja. As escolhas estéticas não visam a produzir belezas, embora haja belas tomadas cinematográficas. A intenção é nos colocar numa vida dos infernos, em que predominam a opressão e a impotência. Como o filme é contado do ponto de vista de Marcelo (Marcello Fonte), o Dogman do título, e ele é o homem pequeno e gentil que é oprimido, o que vivemos junto com ele é a impotência. E por mais pacíficos que sejamos, torcemos pela vingança. Nas condições apresentadas, aparentemente não há outro caminho possível. O que é complicado e, até certo ponto, assustador. Quem quer que se coloque a favor da justiça pelas próprias mãos está rejeitando o caminho da democracia e da lei. Convalidando a barbárie, portanto. Em “Dogman”, estamos na periferia suspensa entre a metrópole e o deserto, em que a lei do mais forte predomina. Marcelo tem uma oficina de higiene e beleza para cães e está em contato harmônico com sua comunidade pobre e sem perspectivas naquele beco do mundo. A opressão que ele sofre se expressa por meio do personagem Simoncino (Edoardo Pesce), um brutamontes, ex-boxeador, que aterroriza todo o bairro, mas coloca Marcelo nas piores situações à base da intimidação e da força. Marcelo está acomodado nessa situação absurda, a ponto de até proteger ou cuidar dos ferimentos de seu algoz. Mas tudo só se agrava, a explosão da bestialidade humana acontece. E, consequentemente, a vingança inspirada nos cães presos nas gaiolas. Em um contexto em que a simples sobrevivência envolve riscos tão altos e escolhas muito complicadas de se fazer, realmente o que fica é a sensação de impotência. Quando tal sentimento prevalece, é fácil aprovar o caminho da violência como solução, quando, na verdade, ela é sempre um problema a mais. O diretor Matteo Garrone tem firmeza e intensidade nesse trabalho, que conta com um ator excepcional, como Marcello Fonte, merecidamente premiado no Festival de Cannes e pela Academia Europeia. Seu desempenho nos faz ficar em suspenso durante toda a projeção, atentos aos menores movimentos e expressões do personagem, sofrendo com ele e torcendo por ele. “Dogman” exige muito do espectador, mas tem muito a dar, também. Encarar uma realidade tão dura, insuportável, obriga a refletir sobre ela e a ter um posicionamento consistente diante do que a vida pode nos apresentar, gostemos disso ou não.
Dogman: Thriller premiado do diretor de Gomorra ganha trailer americano
A Magnolia divulgou o pôster e o trailer americanos de “Dogman”, um dos filmes europeus mais premiados e comentados de 2018. Dirigido por Matteo Garrone (“Gomorra”), acompanha um frágil cuidador de cachorros que é arrastado para cima e para baixo por um ex-boxeador brutamontes, que diz ser seu amigo enquanto o aterroriza, brutaliza e o faz testemunhar crimes. O ator Marcello Fonte foi premiado no Festival de Cannes e considerado o Melhor Ator Europeu de 2018 pela Academia Europeia, por seu desempenho no papel-título, como o cuidador de cachorros. Lançado em maio do ano passado na Itália, o filme tem sua estreia americana marcada para 12 de abril e ainda não tem previsão para chegar ao Brasil.
European Awards: Guerra Fria é o grande vencedor do “Oscar europeu”
O filme polonês “Guerra Fria” (Cold War) foi o grande vencedor dos European Film Awards 2018, premiação da Academia Europeia de Cinema, considerado o Oscar do cinema europeu. O drama em preto e branco de Pawel Pawlikowski arrecadou nada menos que cinco troféus na cerimônia, realizada na noite de sábado (15/12) em Sevilha, na Espanha. Além de Melhor Filme Europeu do ano, “Guerra Fria” conquistou as categorias de Melhor Direção, Roteiro (ambos de Pawlikoski), Atriz (Joanna Kulig) e Edição (Jaroslaw Kaminski). A quantidade de troféus é a mesma conquistada pelo filme anterior de Pawlikoski, “Ida”, em 2014. Na ocasião, após vencer como Melhor Filme Europeu, “Ida” também conquistou o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Por “Guerra Fria”, Pawlikowski já tinha sido considerado o Melhor Diretor do Festival de Cannes desde ano. O longa é, obviamente, o candidato da Polônia para tentar uma vaga no Oscar 2019. Outros destaques da premiação inclui o troféu de Melhor Ator para Marcello Fonte por seu papel em “Dogman”, do italiano Matteo Garrone, também reprisando seu reconhecimento anterior em Cannes. O prêmio de Melhor Documentário ficou com “Bergman – 100 anos”, de Jane Magnusson, o de Melhor Comédia com “A Morte de Stalin”, do escocês Armando Iannucci, e o de Melhor de Animação para outra produção polonesa, “Another Day of Life”, codirigido por Raul de la Fuente e Damian Nenow. Confira abaixo a lista completa dos vencedores. Melhor Filme Europeu “Guerra Fria”, de Pawel Pawlikowski Melhor Documentário Europeu “Bergman – 100 Anos”, de Jane Magnusson Melhor Diretor Europeu Pawel Pawlikowski (“Guerra Fria”) Melhor Atriz Europeia Joanna Kulig (“Guerra Fria”) Melhor Ator Europeu Marcello Fonte (“Dogman”) Melhor Roteiro Europeu Pawel Pawlikowski (“Guerra Fria”) Melhor Fotografia Europeia Martin Otterbeck (“Utøya 22 de Julho”) Melhor Edição Europeia Jaroslaw Kamiński (“Guerra Fria”) Melhor Direção de Arte Europeia Andrey Ponkratov (“Verão”) Melhor figurino Europeu Massimo Cantini Parrini (“Dogman”) Melhores Cabelos e Maquiagem Europeus Dalia Colli, Lorenzo Tamburini e Daniela Tartari (“Dogman”) Melhor Trilha Sonora Europeia Christoph M. Kaiser e Julian Maas (“3 Days in Quiberon”) Melhor Som Europeu André Bendocchi-Alves e Martin Steyer (“The Captain”) Melhores Efeitos Visuais Europeus Peter Hjorth (“Border”) Melhor Animação Europeia “Another Day of Life”, de Raul de la Fuente & Damian Nenow Melhor Comédia Europeia “A Morte de Stalin”, de Armando Iannucci Melhor Descoberta Europeia – Prêmio FIPRESCI “Girl”, de Lukas Dhont Prêmio do Público Europeu “Me Chame Pelo Seu Nome”, de Luca Guadagnino
Bernardo Bertolucci (1941 – 2018)
O cineasta italiano Bernardo Bertolucci morreu nesta segunda-feira (26/11), aos 77 anos. Celebrado por clássicos como “O Último Tango em Paris” (1972) e “O Último Imperador” (1987), ele lutou por anos contra um câncer, mas não resistiu. Com a saúde deteriorada, locomovia-se com uma cadeira de rodas há cerca de uma década, porém nem isso o impediu de realizar um último filme recentemente. Bertolucci foi um dos maiores nomes do cinema italiano e mundial, o mais novo e último remanescente de uma geração que contava com Fellini, Antonioni, Pasolini e Visconti, cuja obra autoral marcou gerações. Vencedor do Oscar de Melhor Direção por “O Último Imperador” – filme que conquistou ao todo nove troféus da Academia – , ele também foi homenageado com a Palma de Ouro, do Festival de Cannes, pelo conjunto da obra. E que obra. Filho de Attilio Bertolucci, um famoso poeta italiano, ele costumava acompanhar seu pai ao cinema em Parma, a cidade onde ele nasceu e cresceu, e começou a fazer filmes de 16mm aos 16 anos de idade. Conheceu o poeta Pier Paolo Pasolini através de seu pai, e quando Pasolini dirigiu seu primeiro filme, “Accattone – Desajuste Social” (1961), Bernardo foi contratado como assistente de produção. Um ano depois, ele dirigiu seu primeiro longa-metragem, “A Morte” (1962), baseado em um esboço de cinco páginas de Pasolini. Rodado quando ele tinha 22 anos de idade, o filme investigava o mistério de um assassinato por meio de flashbacks e diferentes perspectivas de testemunhas, que narravam o que viram ao investigador do caso, um figura invisível para os espectadores. O estilo era diferente e ousado já naquela época, resultado, segundo ele, de quem “tinha visto muitos e muitos filmes”. “Antes da Revolução” (1964) foi um trabalho muito mais pessoal, explorando os problemas de um jovem egoísta de classe média que se vê dividido entre política radical e conformidade, e entre um caso apaixonado com sua jovem tia e seu casamento burguês. Ele opta por respeitabilidade em ambos os casos. Vagamente baseado no romance “A Cartuxa de Parma”, de Stendhal, o filme chamou atenção por ser tecnicamente impressionante e pela capacidade de Bertolucci de articular temas, como o pai traidor e a conexão da libido com a política, que ele exploraria ao longo da carreira. Em “Partner”, ele adaptou “O Duplo” de Dostoiévski, atualizando a trama para a Roma de 1968 e incluindo uma homenagem à novelle vague, ao mostrar o protagonista, interpretado por Pierre Clémenti, falando francês, enquanto todos os demais falam italiano. No mesmo ano, Bertolucci assinou o roteiro do filme que passou a ser celebrado como auge do gênero spaghetti western, “Era uma Vez no Oeste”, de Sergio Leone, em que manifestou pela primeira vez suas aspirações épicas. Sua carreira estourou na década seguinte, após dar ao operador de câmera de “Antes da Revolução” o status de diretor de fotografia. A parceria com Vittorio Storaro marcou época. Fizeram oito filmes juntos, sendo o primeiro “A Estratégia da Aranha” (1970), que transpôs a história de Jorge Luis Borges da Irlanda para a Itália, mudando o contexto político para um retrato do fascismo dos anos 1930, ao mostrar que o pai, que o protagonista considerava um herói, era realmente um traidor. Um de seus maiores clássicos foi rodado quase ao mesmo tempo. “O Conformista” (1970) juntou as preocupações freudianas e políticas de Bertolucci em um estudo da Itália fascista, que procurava captar o pensamento da extrema direita por meio de um protagonista reprimido. Um homossexual que se recusava a se assumir, vivido por Jean-Louis Trintignant, e que por isso optava por valores burgueses e pela violência, recebendo do partido fascista a missão de assassinar seu ex-professor. O roteiro adaptado da obra de Alberto Moldavia rendeu ao cineasta sua primeira indicação ao Oscar. Impressionante, por ser um “filme falado em língua estrangeira”. O longa também se destacou pelo florescimento do estilo cinematográfico de Bertolucci, com tomadas elaboradas, ângulos de câmera barrocos, cores opulentas, cenografia repleta de ornamentos e um intrincado jogo de luz e sombra, que quase transformavam o filme em 3D só pelo impacto visual. Mas nenhum filme marcou mais sua carreira, para o bem e para o mal, que o que veio em seguida. “O Último Tango em Paris” se tornou um clássico do cinema erótico, por seu retrato de um relacionamento anti-romântico, baseado apenas em sexo, entre uma ninfeta e um homem bem mais velho, vividos por Maria Schneider, então com 19 anos, e Marlon Brando, de 48, que não querem saber nada um do outro, nem mesmo o nome. Altamente sensual, mas também violento, o filme provocou muitas discussões na época e rende assunto até hoje. Na ocasião, o cineasta foi indiciado por um tribunal em Bolonha por fazer um filme pornográfico. Embora tenha sido absolvido, perdeu seus direitos civis (incluindo seu direito de voto) por cinco anos e os tribunais italianos ordenaram que todas as cópias do filme fossem destruídas. Mas a obra estourou no exterior, lotou cinemas, gerou frisson e rendeu a segunda indicação ao Oscar para Bertolucci, desta vez como Melhor Diretor. Muito já se falou sobre a cena da manteiga, usada para simular lubrificação numa simulação de estupro. Uma violação não consentida que, na trama, levava a jovem protagonista a encerrar o relacionamento, algo que o homem não consegue entender. Maria Schneider denunciou Bertolucci e Brando, anos depois em sua autobiografia, pela violência da encenação. Mesmo que o estupro fosse simulado, ela se disse vítima de agressão, já que o uso da manteiga não estava no roteiro ou tinha sido combinado, e foi resultado de um ato violento, com Brando jogando-a no chão e tocando sua partes íntimas. Em uma entrevista de 2007, quatro anos antes de morrer, Schneider disse que suas “lágrimas eram verdadeiras” no filme. Em dezembro de 2016, a polêmica voltou à tona, quando uma entrevista antiga de Bertolucci ressurgiu nas redes sociais. Nela, Bertulucci assumia: “A sequência da manteiga foi uma ideia que eu tive com Marlon na véspera da filmagem. Eu queria que Maria reagisse, que ela fosse humilhada. Eu não queria que ela interpretasse a raiva, eu queria que ela sentisse raiva e humilhação”. A confissão ultrajou feministas. “A todos que gostaram do filme, vocês estão vendo uma jovem de 19 anos sendo violentada por um homem de 48 anos. O diretor planejou a agressão. Isso me dá nojo”, tuitou a atriz Jessica Chastain, que, depois, tomaria a frente do movimento Time’s Up, contra abusos e discriminação contra as mulheres em Hollywood. Essa discussão demorou décadas para assumir contornos mais negativos, o que levou Bertolucci a passar seus últimos anos se defendendo. Entretanto, ele também se beneficiou bastante da controvérsia. O interesse gerado pelas reputação de “O Último Tango em Paris” ajudou Bertolucci a obter o financiamento necessário para embarcar em seu projeto mais ambicioso, “1900”. O filme de 1977 foi o primeiro grande épico de sua carreira como diretor, com uma duração de nada menos de cinco horas, além de consumir um dos maiores orçamentos do cinema italiano. O diretor ainda quis aproximar duas escolas rivais de cinema, as grandes produções hollywoodianas e o realismo socialista do cinema russo dos anos 1930, para narrar a história da Itália sob o ponto de vista da luta de classes, representado pelos dois protagonistas: Olmo (Gérard Depardieu), o filho de uma camponesa, e Alfredo (Robert De Niro), o filho do dono da fazenda (Burt Lancaster), ambos nascidos no mesmo dia, 27 de janeiro de 1901. Imponente, mas também didático, o filme atinge o ápice em seus últimos 30 minutos, para encerrar seu painel histórico no Dia da Libertação da Itália pelos aliados, em 25 de abril de 1945. Ao buscar a grandiosidade, Bertolucci se afastou da introspecção que marcava seus trabalhos anteriores. E “1900” acabou considerado uma anomalia em sua filmografia. Suas obras seguintes voltaram aos temas psicológicos e políticos, em mergulhos na sexualidade e na relação paternal. “La Luna” (1979) foi a história de um relacionamento apaixonado, quase incestuoso, entre mãe e filho, rodado com simbolismos edipianos e virtuosismo cinematográfico. E “A Tragédia de um Homem Ridículo” (1981) representou o reverso de “A Estratégia da Aranha”, com um pai investigando a vida do filho, sequestrado misteriosamente e acusado de conspirar com a extrema esquerda. A ambiguidade das obras não agradaram público e crítica. Mas suas inclinações políticas de esquerda lhe permitiram ser bem-recebido na China, onde retomou o cinema épico, atingindo o ápice artístico de sua carreira. “O Último Imperador” foi o primeiro filme ocidental inteiramente rodado na China, e contou com participação oficial do governo do país, que lhe deu acesso à Cidade Proibida e outras locações imponentes, nunca antes registradas numa produção falada em inglês. O filme contava a história real de Pu Yi, o último imperador da China, que nasceu para governar e acabou como um jardineiro comum, após ser “reeducado” pelo regime maoísta, numa trajetória de 60 anos que cobria o período histórico mais controvertido da China. O filme era o equivalente chinês a “1900”, um novo retrato da luta de classes, mas muito mais suntuoso, ecoando o esplendor dourado do palácio na Cidade Proibida. As imagens deslumbrantes e a história inacreditável, mas real, impressionaram crítica e público em todo o mundo. Bertolucci venceu não um, mas dois Oscars, de Direção e Roteiro Adaptado, enquanto o longa colecionou 9 troféus, incluindo Melhor Filme e Fotografia (de Vittorio Storaro). “O Último Imperador” mudou os rumos da carreira de Bertolucci, que a seguir decidiu completar uma “trilogia oriental”, abrindo seu trabalho à temas existenciais e filosóficos por meio de “O Céu que nos Protege” (1990), filmado na Argélia e Marrocos, e “O Pequeno Buda” (1993), filmado no Butão e no Nepal. Mas embora fossem igualmente dispendiosos e exóticos, nenhum dos dois repetiu o êxito do longa chinês. Ele voltou para casa, descartou os excessos, retomou o cinema intimista e redescobriu o sexo com “Beleza Roubada” (1996), drama sobre o despertar sexual de uma adolescente americana (Liv Tyler) em uma vila na Toscana, habitada por artistas e boêmios, e “Assédio” (1998), ambientado em Roma, que se concentra na relação entre um pianista inglês recluso e sua jovem empregada africana (Thandie Newton). Com “Os Sonhadores” (2003), Bertolucci voltou a seus dias de juventude, tanto em termos de tema quanto de repercussão. Passado no ano de 1968, o filme juntava sexo e revolução, dois dos assuntos favoritos do diretor, usando a Primavera de Paris como pano de fundo para um relacionamento a três. Enquanto uma praia se revelava sob os paralelepípedos das ruas, os personagens se fechavam entre quatro paredes, como em “O Último Tango” passado na mesma Paris, para explorar sua paixão sexual e pelo cinema. O resultado se tornou a apoteose da cinefilia de Bertolucci e deslanchou a carreira dos jovens Louis Garrel, Michael Pitt e Eva Green, que fazia sua estreia nas telas. Foi um sucesso. Mas em vez de marcar um renascimento em sua carreira, foi quase uma despedida, pois logo em seguida ele passou a sofrer sérios problemas nas costas. Bertolucci se viu confinado a uma cadeira de rodas e não fez outro filme por nove anos. Foi buscar energia e vontade de filmar nos aplausos dos colegas, durante uma homenagem do Festival de Cannes, que lhe rendeu tributo pela carreira em 2011. Um ano depois, lançou “Eu e Você” (2012), seu primeiro filme italiano desde 1981 e último longa de sua filmografia. Foi um trabalho relativamente modesto com um pequeno elenco e, novamente, uma locação minimalista – um porão em que um adolescente se escondia com sua meia-irmã. Nos últimos anos, sua saúde deteriorou, acumulando um câncer. E, em vez de aplausos, Bertolucci precisou lidar com acusações de abusos cometidos num filme que ele dirigiu aos 31 anos de idade. Em sua derradeira manifestação pública, ele se defendeu: “Eu gostaria, pela última vez, de esclarecer um mal-entendido ridículo que continua a gerar reportagens sobre ‘O Último Tango em Paris’ em todo o mundo. Vários anos atrás, na Cinémathèque Française, alguém me perguntou detalhes sobre a famosa cena da manteiga....
Academia de Cinema Europeu premia Guerra Fria, Dogman e Verão
A Academia de Cinema Europeu revelou os primeiros oito vencedores dos European Film Awards, considerado o “Oscar europeu”, antecipando a premiação oficial, que vai acontecer em 15 de dezembro em Sevilha, na Espanha. O drama italiano “Dogman”, de Matteo Garrone (“Gomorra”), saiu na frente com dois troféus, nas categorias de Figurino e Maquiagem, mas o filme com o maior número de indicações, o polonês “Guerra Fria”, de Pawel Pawlikowski (“Ida”) também recebeu um troféu, como Melhor Edição. A lista ainda inclui o drama russo “Verão”, lançado na quinta-feira (15/11) no Brasil, que teve a Melhor Direção de Arte, e o norueguês “Utøya 22 de Julho: Terrorismo na Noruega”, que estreia por aqui em duas semanas, premiado como Melhor Fotografia Europeia de 2018. Os vencedores foram escolhidos por um comitê de oito membros da Academia, que se reuniram em Berlim durante a semana para a deliberação. Os oito premiados são: Melhor Fotografia Europeia Martin Otterbeck (“Utøya 22 de Julho: Terrorismo na Noruega”) Melhor Edição Europeia Jaroslaw Kamiński (“Guerra Fria”) Melhor Direção de Arte Europeia Andrey Ponkratov (“Verão”) Melhor figurino Europeu Massimo Cantini Parrini (“Dogman”) Melhores Cabelos e Maquiagem Europeus Dalia Colli, Lorenzo Tamburini e Daniela Tartari (“Dogman”) Melhor Trilha Sonora Europeia Christoph M. Kaiser e Julian Maas (“3 Days in Quiberon”) Melhor Som Europeu André Bendocchi-Alves e Martin Steyer (“The Captain”) Melhores Efeitos Visuais Europeus Peter Hjorth (“Border”)
Ministro da Cultura da Itália anuncia “decreto anti-Netflix” para filmes do país
Na contramão do fluxo da produção cinematográfica rumo ao streaming, o ministro da Cultura da Itália, Alberto Bonisoli, anunciou nesta quarta-feira (14/11) um decreto-lei que obrigará os filmes do país a estrearem primeiro nas salas de cinema, antes de serem disponibilizados em streaming. “Assinarei hoje um decreto no qual se regulam as bases sobre como os filmes têm que ser distribuídos, primeiro às salas e depois às plataformas. Acho importante assegurar a quem administra uma sala de cinema a tranquilidade de programar os filmes sem que esses estejam simultaneamente disponíveis também na internet”, disse Bonisoli em mensagem enviada a um ato da associação de comerciantes Confcommercio. Chamado pela imprensa italiana de “decreto anti-Netflix”, a iniciativa é resultado do lobby do parque exibidor italiano contra as plataformas de streaming. O setor foi ao ataque quando filmes da Netflix foram selecionados para a competição do Festival de Veneza. A vitória de “Roma”, produção da Netflix, no festival e o lançamento de “Sulla mia Pelle”, de Alessio Cremonini, simultaneamente nos cinemas e na Netflix teriam sido considerados tapas na cara do setor. As duas grandes associações de salas de cinema do país, a Associação Nacional de Expositores de Cinema (ANEC) e a Associação Nacional de Expositores Multiplex (ANEM) consideraram que “era um assunto muito delicado que deveria ser encarado de acordo com todos os expositores do setor cinematográfico”, sobretudo em um período “de grave crise” para a indústria do cinema na Itália. Até então, na Itália não existiam normas sobre esse assunto, apenas era respeitado o costume de esperar 105 dias desde a primeira exibição nos cinemas para que o filme chegasse a outras plataformas. Agora, esta janela será obrigatória. É importante salientar que o decreto referido pelo ministro é a implementação da chamada Lei do Cinema, desenvolvida em 2016, e diz respeito apenas aos filmes italianos. Para o ministro da Cultura italiano, a medida servirá para ajudar a “melhorar as salas e fazer com que sejam cada vez mais capazes de oferecer uma experiência única”. Entretanto, apesar da retórica, o decreto não faz exigência de nenhuma contrapartida para o parque exibidor, no sentido de “melhorar as salas” e etc. Além disso, desestimula a Netflix a investir em produções italianas, já que seu negócio não é exibir filmes em salas de cinema. Atualmente, a Netflix é a produtora que mais investe em filmes em todo o mundo e, na semana passada, anunciou que adotaria janelas de lançamento para algumas produções. Até o momento, a maior concessão são duas semanas de exclusividade nos cinemas, antes da distribuição em streaming. Bem diferente dos 105 dias exigidos na Itália.
Polonês Guerra Fria lidera lista de indicados ao “Oscar Europeu”
A Academia de Cinema Europeu divulgou este sábado (10/11), durante a realização do Festival de Sevilha, a lista dos indicados a sua premiação anual, os European Film Awards, considerados o Oscar da Europa, que vai acontecer na cidade andaluza no dia 15 de dezembro. O filme “Guerra Fria”, do cineasta polonês Pawel Pawlikowski, lidera a lista com cinco indicações. Além de disputar o troféu de Melhor Filme Europeu de 2018, “Guerra Fria” concorre às categorias de Direção, Ator (Tomasz Kot), Atriz (Joanna Kulig) e Roteiro – também a cargo do cineasta. Filmado em preto e branco como o longa anterior do diretor, “Ida” (2013), o drama aborda um romance entre um casal muito diferente, durante os anos 1950. Palikowski já venceu o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira com “Ida” e este ano recebeu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes por seu novo drama, que estreia no Brasil em 7 de fevereiro. Três filmes conseguiram quatro indicações: os italianos “Dogman”, de Mateo Garrone, e “Feliz como Lázaro”, de Alice Rohrwacher, e o sueco “Border”, de Ali Abassi. Estes três, mais “Guerra Fria” e o belga “Girl”, de Lukas Dhont, estão na disputa do prêmio de Melhor Filme. Duas produções indicadas tem coprodução brasileira: “Diamantino”, dos portugueses Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, que concorre a Melhor Comédia, e “Me Chame Pelo Seu Nome”, do italiano Luca Guadagnino, indicado ao Prêmio do Público, escolhido por votação popular. Confira abaixo a lista completa dos indicados. Melhor Filme Europeu Border – Ali Abbasi Guerra Fria – Pawel Pawlikowski Dogman – Matteo Garrone Girl – Lukas Dhont Feliz como Lázaro – Alice Rohrwacher Melhor Documentário Europeu A Woman Captured – Bernadett Tuza-Ritter Bergman – 100 Anos – Jane Magnusson Of Fathers and Sons – Talal Derki The Distant Barking of Dogs – Simon Lereng Wilmont The Silence of Others – Almudena Carracedo & Robert Bahar Melhor Diretor Europeu Ali Abbasi – Border Matteo Garrone – Dogman Samuel Maoz – Foxtrot Pawel Pawlikowski – Guerra Fria Alice Rohrwacher – Feliz como Lázaro Melhor Atriz Europeia Marie Bäumer – 3 Days in Quiberon Halldóra Geirharðsdóttir – Woman at War Joanna Kulig – Guerra Fria Bárbara Lennie – Petra Eva Melander – Border Alba Rohrwacher – Feliz como Lázaro Melhor Ator Europeu Jakob Cedergren – Culpa Rupert Everett – The Happy Prince Marcello Fonte – Dogman Sverrir Gudnason – Borg vs McEnroe Tomasz Kot – Guerra Fria Victor Polster – Girl Melhor Roteiro Europeu Ali Abbasi, Isabella Eklöf & John Ajvide Lindqvist – Border Matteo Garrone – Dogman Gustav Möller & Emil Nygaard Albertsen – Culpa Pawel Pawlikowski – Guerra Fria Alice Rohrwacher – Feliz como Lázaro Melhor Animação Europeia Another Day of Life – Raul de la Fuente & Damian Nenow O Homem das Cavernas – Nick Park A Ganha-Pão – Nora Twomey Caninos Brancos – Alexandre Espigares Melhor Comédia Europeia Assim É a Vida – Eric Toledano & Olivier Nakache Diamantino – Gabriel Abrantes & Daniel Schmidt A Morte de Stalin – Armando Iannucci Melhor Descoberta Europeia – Prêmio FIPRESCI Girl – Lukas Dhont Um Dia – Zsófia Szilágyi Scary Mother – Ana Urushadze Culpa – Gustav Möller Those Who Are Fine – Cyril Schäublin Não Me Toque – Adina Pintilie Prêmio do Público Europeu Borg vs McEnroe – Janus Metz Assim É a Vida – Olivier Nakache, Eric Toledano Me Chame Pelo Seu Nome – Luca Guadagnino Dunkirk – Christopher Nolan O Destino de uma Nação – Joe Wright Em Pedaços – Fatih Akin A Morte de Stalin – Armando Ianucci Valerian e a Cidade dos Mil Planetas – Luc Besson Victoria & Abdul: O Confidente da Rainha – Stephen Frears
Roberto Benigni vai voltar ao cinema após oito anos em filme sobre Pinóquio
O ator e diretor italiano Roberto Benigni, vencedor do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira por “A Vida É Bela” (1997), estará de volta aos cinemas em 2019, oito anos após seu último papel, quando fez uma pequena participação em “Para Roma, com Amor” (2012), de Woody Allen. No período em que ficou longe do cinema, Benigni se dedicou a estrelar uma adaptação teatral de “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. E agora voltará a um projeto em que já amargou fracasso. Ele vai viver Geppetto em uma adaptação com atores reais de “Pinóquio”, após ter implodido como diretor, roteirista e protagonista de uma versão anterior da mesma história, lançada em 2002. Vivendo o boneco de corpo e cara-de-pau, ele conseguiu a façanha de atingir 0% de aprovação no Rotten Tomatoes. O novo filme é dirigido por Matteo Garrone, que volta ao mundo das fábulas encantadas após o ótimo “O Conto dos Contos” (2015). Em comunicado à imprensa, Garrone afirmou que o projeto representa “dois sonhos se tornando realidade”: dirigir uma adaptação de “Pinóquio” e trabalhar com Benigni. “O fantoche de Collodi [criador do personagem] e eu temos perseguido um ao outro desde que eu era criança e desenhava meus primeiros storyboards. Com o passar dos anos, sempre senti algo familiar na história, como se o Pinóquio tivesse penetrado na minha imaginação de tal forma que muitos já encontraram traços das suas aventuras em meus filmes anteriores”, disse o diretor. O timing do projeto chama atenção. O anúncio desta sexta-feira (26/10) acontece quatro dias após Guillermo del Toro receber sinal verde da Netflix para realizar uma animação em stop-motion sobre “Pinóquio”.












