Filme sobre a cantora Amy Winehouse ganha foto e data de estreia
O Studiocanal divulgou uma nova foto e a data de lançamento de “Back to Black”, cinebiografia de Amy Winehouse. A imagem traz a atriz Marisa Abela (da série “Industry”) transformada na cantora britânica. Considerada uma das maiores artistas da história, Amy Winehouse vendeu mais de 30 milhões de discos em todo o mundo e até hoje gera mais de 80 milhões de streams por mês. Seu álbum “Back to Black” (2006), que dá nome ao filme, a levou ao estrelato, rendendo-lhe cinco Grammys. O filme vai se focar na genialidade, criatividade e fragilidade de Amy. A trama deve abordar a vida da cantora desde os pequenos palcos de Londres na década de 1990 até o seu sucesso global, com hits como “Rehab” e “Back to Black”, incluindo seus vícios fatais em álcool e drogas, que a levaram a morrer sozinha em sua casa, aos 27 anos, no dia 23 de julho de 2011. O roteiro foi escrito por Matt Greenhalgh e a direção é de Sam Taylor-Johnson, que já trabalharam juntos em outra cinebiografia musical, “O Garoto de Liverpool” (2009), sobre a juventude de John Lennon. O lançamento no Reino Unido e na Irlanda ficou marcado para o dia 24 de abril de 2024.
Estreias: “As Marvels” ocupam metade dos cinemas do Brasil
“As Marvels” tem a maior estreia da semana, ocupando nada menos que 1,6 mil salas – o equivalente a metade do circuito cinematográfico do Brasil. Em um momento de crise criativa e de bilheteria da Marvel, a distribuição massiva sugere uma alternativa contra críticas negativas e falta do engajamento da mídia espontânea, buscando forçar um grande faturamento inaugural. Se vai dar certo, só saberemos no balanço do fim de semana, mas a iniciativa implica em diminuição das exibições de “Mussum – O Filmis”, que na semana passada teve a melhor estreia nacional do ano, e amplia as queixas contra a ausência de uma política de cota de telas em vigência no país. Por falar em cinema brasileiro, o melhor lançamento do fim de semana é uma produção nacional: o drama “Tia Virgínia”, premiadíssimo no recente Festival de Gramado e considerado um dos melhores filmes do ano – de qualquer nacionalidade. Chega em circuito limitado. Além dos títulos abaixo, filmes do Festival Varilux do Cinema Francês também ocupam a programação dos cinemas a partir desta quinta-feira (9/11). AS MARVELS O primeiro filme com um grupo de super-heroínas do MCU (Universo Cinematográfico Marvel) ecoa os problemas que têm acompanhado as últimas produções do estúdio. Seu índice de aprovação de apenas 59% no Rotten Tomatoes reflete um roteiro com abordagem formulaica, vilã genérica, falta de foco narrativo e uma ambição frustrante de conectar diferentes conteúdos. O filme tenta conciliar a trajetória de três protagonistas distintas, Carol Danvers (Brie Larson, a “Capitã Marvel”), Monica Rambeau (Teyonah Parris, introduzida em “WandaVision”) e Kamala Khan (Iman Vellani, a “Ms. Marvel”), que passam a trocar de lugar ao usarem seus poderes. A confusão é criada por uma inimiga da Capitã Marvel para dificultar que a heroína impeça seus planos de destruição. Mas isso aproxima o trio e as transforma em aliadas. Sem uma grande motivação além de vingar seu planeta por algo que aconteceu fora da tela, a vilã Dar-Benn (Zawe Ashton, de “Obsessão”) segue a tendência das produções da DC, com antagonistas que não apresentam uma ameaça convincente e uma lógica vilanesca que não se sustenta, mesmo após várias tentativas de explicação por meio de diálogos expositivos. Outro aspecto problemático é a sensação de que partes do filme parecem desconexas, como um casamento arranjado de Carol com um príncipe de um planeta musical ou a presença de gatos que disparam tentáculos – aproximando-se em alguns momentos de uma comédia pastelão. O que salva a falta de coesão é a energia e o carisma de Kamala Khan, que ajuda a trama a escapar da monotonia de suas cenas de lutas e sucessivas trocas de lugares resultante do entrelaçamento de poderes, um recurso narrativo que rapidamente se torna repetitivo. Além disso, a Marvel transformou o que diferenciava seus projetos em algo que os torna enfadonhos: o universo mais amplo deixou de ser atração para virar distração, a ponto de certas referências e aparições de personagens dependerem de o público conhecer um número suficiente de filmes e séries do estúdio. “As Marvels” foi escrito por Megan McDonnell (da equipe de “WandaVision”) e dirigido por Nia DaCosta (“A Lenda de Candyman”), e também destaca a participação de Samuel L. Jackson no papel de Nick Fury. TIA VIRGINIA O segundo longa de Fabio Meira (“As Duas Irenes”) venceu oito troféus no Festival de Gramado deste ano, incluindo o prêmio da Crítica e o de Melhor Atriz para Vera Holtz, que interpreta a personagem-título. A Tia Virgínia é uma senhora que, por não seguir os caminhos tradicionais de casamento e maternidade, assumiu o cuidado da mãe enferma. Sua rotina pacata é interrompida na véspera de Natal pela chegada de suas irmãs Vanda e Valquíria, interpretadas respectivamente por Arlete Salles e Louise Cardoso, além de familiares (Antônio Pitanga e outros), que se reúnem para festejar, mas desencadeiam uma série de conflitos e ressentimentos. Toda a história se desenrola num único dia, marcado pelos confrontos, tanto físicos quanto verbais, que destacam a disfuncionalidade da família e a maneira como essas relações moldaram a personagem principal. A casa, cheia de objetos e decorações que remetem a um passado que já não existe, simboliza o estado mental de Virgínia, que se recusa a aceitar o declínio de sua mãe e a realidade de sua situação. Para complicar, a casa e os pertences da matriarca são pontos de interesse para as irmãs, embora Virginia acredite que tenha mais direito por ter aberto mão da liberdade e de sonhos não realizados. A direção de arte premiada de Ana Mara Abreu confere à casa uma presença quase anímica, enriquecendo o cenário onde os dramas familiares se desenrolam. O roteiro premiado de Fabio Meira aborda de maneira sensível e crítica uma realidade comum na sociedade: o papel culturalmente imposto às mulheres como cuidadoras primárias no âmbito familiar, muitas vezes em detrimento de suas próprias vidas e aspirações. Virgínia reflete a figura de inúmeras mulheres que assumem a responsabilidade pelo cuidado de parentes enfermos ou idosos, um papel que frequentemente é esperado delas devido a normas de gênero enraizadas. Este aspecto do filme ressoa profundamente, evidenciando não só a dedicação e sacrifício da protagonista, mas também a complexidade e o peso emocional que acompanham essa escolha muitas vezes imposta, não escolhida. O filme também dá a Vera Holtz o melhor papel de sua carreira. Reconhecida por sua versatilidade e profundidade emocional em papéis anteriores, a atriz encarna a personagem-título com uma entrega que transita entre a força e a delicadeza, marcada por nuances que evidenciam não apenas o peso da responsabilidade que carrega como cuidadora, mas também suas camadas mais íntimas de frustração, amor e resiliência. NINA – A HEROÍNA DOS SETE MARES A animação francesa acompanha uma jovem ratinha em uma aventura mitológica ambientada na Grécia Antiga. Nina (ou Pattie no original) sonha em viver glorias comparáveis às de seu herói Jasão, que em sua juventude trouxe paz e prosperidade para a cidade ao enfrentar desafios para conquistar o Velo de Ouro. Agora, Jasão é um ancião e os deuses estão em desarmonia, com o destino da comunidade dependendo das ações de Nina, de um gato aspirante a ator e de uma gaivota desafinada e amputada. A ação desdobra-se quando a protagonista e o velho Jasão embarcam na lendária barca Argo em uma nova missão mitológica: encontrar um tridente para Poseidon, afim de apaziguar a ira do deus do mar. Ao longo do caminho, eles encontram escorpiões pacifistas, um Apollo narcisista e um grupo de ratos ninjas que executam um assalto ao som de música funk. A obra se destaca pela ousadia e pela capacidade de manter a atenção do público, apesar de misturar muitos elementos contrastantes. A produção, que encontrou seu espaço no mercado europeu, tem um nível visual superior às animações normalmente feitas na Europa, apesar do baixo orçamento – estimado de 10 milhões de euros. MISSÃO ANTENA – UMA AVENTURA INTERGALÁCTICA A animação dinamarquesa mescla elementos de ficção científica e aventura na história de um jovem garoto que, após o divórcio de seus pais, muda-se para uma nova cidade. A narrativa segue o pequeno Alan em sua busca por amizades e adaptação à nova realidade familiar, encontrando consolo em um encontro improvável com Britney, uma alienígena que pode ler mentes. O filme explora a temática do divórcio sob a perspectiva infantil, abordando como os jovens lidam com tal mudança, introduzindo valores educativos sobre a aceitação e o enfrentamento das alterações nos laços familiares. Já a aventura segue a fórmula “E.T.”, onde o pequeno Alan, juntamente com um entusiasta por OVNIs, embarca em uma missão para ajudar Britney a retornar ao seu planeta natal. A dinâmica entre os personagens principais, Alan e Britney, ressalta a importância da comunicação e do compartilhamento de emoções, uma vez que ambos lutam para expressar e entender sentimentos em um contexto onde as diferenças culturais e emocionais são pontuadas pela peculiaridade de Britney ser uma extraterrestre. Este aspecto fornece um pano de fundo para discussões sobre sinceridade e empatia. Mas a premissa não deixa de lado o suspense, com a presença de um antagonista que, também ao estilo “E.T.”, persegue Britney com intenções nefastas, injetando uma dose leve de tensão ao enredo infantil. HOW TO HAVE SEX Vencedor da mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes deste ano, o longa de estreia de Molly Manning Walker acompanha três amigas britânicas – Tara (Mia McKenna-Bruce), Skye (Lara Peake) e Em (Enva Lewis) – ao fim do Ensino Médio. Decididas a esquecer as preocupações, elas partem para Malia, na Grécia, ansiosas por uma temporada de liberdade e descobertas – particularmente Tara, que almeja vivenciar sua primeira experiência sexual. A atmosfera de Malia se alterna entre festas ensolaradas e vida noturna vibrante. A dinâmica entre as amigas é inicialmente marcada pela cumplicidade típica da juventude, mas logo as garotas começam a competir pelo mesmo rapaz, influenciando as decisões de Tara e afetando a harmonia do trio. Logo a protagonista se depara com situações que testam os limites do consentimento e exploram a dinâmica de suas amizades. A performance de McKenna-Bruce (de “Academia de Vampiros”) se destaca, pois sua personagem enfrenta experiências que desafiam suas expectativas e a obrigam a confrontar uma realidade áspera e dolorosa. É uma história familiar, mas contada com atenção aos detalhes. A experiência de Manning Walker em curtas-metragens e como diretora de fotografia é evidente – neons impressionantes capturam a energia frenética e decadente dos clubes – , enquanto retrata as áreas cinzentas das políticas sexuais e de gênero que adolescentes são forçadas a enfrentar na passagem para a vida adulta. TOLOS SÃO OS OUTROS A obra, que estreou no Festival de Karlovy Vary, emerge como a narrativa mais desafiadora do cineasta polonês Tomasz Wasilewski, enfatizando o poder da maternidade e os limites do amor incompreendido pela sociedade. A trama acompanha Marlena (interpretada por Dorota Kolak) e seu parceiro Tomasz (Lukasz Simlat), cuja existência compartilhada é abalada pelo retorno do filho enfermo terminal de Marlena, Mikolaj (Tomasz Tyndyk). O reencontro familiar desencadeia um turbilhão de emoções e reavaliações dos laços afetivos, e se desdobra em um ambiente opressivo, onde a convivência diária é pontuada por cuidados intensivos a Mikolaj e confrontos emocionais. A tensão cresce conforme a realidade do filho doente se entrelaça com o ressurgimento de um passado oculto, conferindo ao drama o tom de uma tragédia grega, marcada pelo fatalismo que se intensifica com o desenrolar dos acontecimentos. Os elementos visuais de “Insensatos” reforçam a narrativa dramática, com sequências simbólicas que representam os conflitos internos dos personagens. A relação entre os protagonistas e o filho enfermo é explorada sob uma ótica crua, sem subterfúgios sentimentais, refletindo a essência do cinema de Wasilewski, que também se diferencia por fazer uma abordagem audiovisual sem música, valorizando os sons do ambiente para embalar o drama vivido pelos personagens. A BELA AMÉRICA O diretor português António Ferreira tem uma trajetória caracterizada por obras que frequentemente exploram as profundezas da condição humana e as complexidades sociais. Sua filmografia inclui títulos como “Pedro e Inês” (2018), “Embargo” (2011) e “Respirar (Debaixo D’água)” (2000), que lhe renderam reconhecimento e diversas indicações a prêmios. Seu novo filme não foge à regra. Na trama, Lucas (interpretado por Estêvão Antunes) é um cozinheiro de origens modestas e vida difícil, que cruza com América (São José Correia), uma estrela da televisão e aspirante à presidência. Quando Lucas e sua mãe cega são despejados de sua casa, América enxerga na história do rapaz o potencial de uma narrativa emocionante para sua campanha eleitoral. Entretanto, a conexão vai além da política, evoluindo para uma paixão unilateral. Movido pelo desejo de impressionar América e talvez alcançar uma vida melhor, Lucas começa a infiltrar-se clandestinamente na casa dela para preparar pratos requintados como uma forma de expressar sua admiração e afeto. Ele não se revela, criando um ritual secreto de cozinhar para a bela América. Este ato, ao mesmo tempo romântico e obsessivo, também reflete a desconexão entre os mundos...
Terence Davies, diretor de “Vozes Distantes” e “Amor Profundo”, morre aos 77 anos
Terence Davies, cineasta britânico renomado por suas obras autobiográficas e dramas de época, faleceu aos 77 anos. A informação foi confirmada neste sábado (7/10) pela conta oficial do diretor no Instagram, que informou que ele morreu pacificamente em casa após uma breve doença. Início promissor e premiado Davies ganhou notoriedade internacional a partir do final dos anos 1980 com seus primeiros longas-metragens, “Vozes Distantes” (1988) e “O Fim do Longo Dia” (1992), ambientados em sua cidade natal, Liverpool. Ambos exploram, em diferentes graus, sua experiência pessoal com a família e de crescer como um homem gay e católico em Liverpool nas décadas de 1950 e 1960. Bem-recebidos pela crítica e muito premiados, inclusive no Festival de Cannes, os filmes criaram grande expectativa sobre a carreira do cineasta. A predileção por dramas de época Ao mudar de cenário com “Memórias” (1995), sobre a vida de um menino no interior dos EUA dos anos 1940, o diretor não teve tão boa recepção quanto com seus predecessores, mas isso não o desestimulou. De fato, Davies não parou de produzir obras significativas ao longo de sua carreira, optando por adaptar diversos romances de época. Sua entrada nos anos 2000 se deu com “A Essência da Paixão”. uma adaptação do romance de Edith Wharton, que rendeu o prêmio de Melhor Atriz para Gillian Anderson no BIFA (premiação do cinema independente britânico). Ao explorar as complexidades e armadilhas da sociedade da elite de Nova York no início do século 20, o filme foi bastante elogiado por sua representação incisiva das distinções de classe e da crueldade social. A volta a Liverpool Ele deu um grande hiato na carreira após o longa, voltando com um documentário, “Do Tempo e da Cidade”, em que voltou à cidade de sua infância e de seus primeiros filmes. “Voltei à minha igreja paroquial durante as filmagens”, Davies revelou ao The Hollywood Reporter na época. “Orei para ser perdoado até meus joelhos sangrarem, e eu não tinha feito nada. Você não pode se livrar da culpa. Você é, ipso facto, um pecador porque tem o pecado original em sua alma. Isso é errado.” O sucesso comercial Em sua volta aos dramas de ficção, ele fez seu maior sucesso comercial, “Amor Profundo” (2011), uma adaptação da peça de Terence Rattigan, em que Tom Hiddleston e Rachel Weisz vivem um caso de amor tumultuado no pós-guerra em Londres. O filme foi elogiado por sua representação emocionalmente carregada de amor e perda. Sua adaptação seguinte foi uma obra que levou 18 anos para sair do papel, com busca de financiamento iniciada ainda nos anos 1990. “A Canção do Pôr do Sol” (2015) levou às telas o romance clássico de Lewis Grassic Gibbon sobre a vida difícil de uma jovem em uma fazenda escocesa no início do século 20, mantendo-se fiel ao espírito do livro enquanto explora temas universais como amor, perda e a passagem do tempo. Os poetas finais Acostumados com a demora entre seus filmes, os cinéfilos foram surpreendidos com um novo lançamento em tempo recorde, após apenas um ano. Primeira biografia da carreira do diretor, “Além das Palavras” (2016) foi um retrato da vida da poeta Emily Dickinson, interpretada por Cynthia Nixon, e também recebeu aclamação da crítica por sua abordagem íntima e meticulosa da vida da escritora. Depois disso, ele levou mais cinco anos para realizar novo filme, e foi para sua despedida. “Benediction” (2021), a derradeira de Davies, foi outro drama biográfico sobre poeta, o britânico Siegfried Sassoon. O filme explora a vida de Sassoon, sua experiência na 1ª Guerra Mundial e sua vida amorosa. Apesar da vasta carreira, com filmes sempre muito elogiados, Davis não conquistou o reconhecimento institucional devido para seu trabalho na Grã-Bretanha. Em uma entrevista de 2021 ao jornal britânico The Guardian, ele desabafou: “Teria sido bom ser reconhecido pela BAFTA. Mas nunca fui. Por outro lado, também há uma parte de mim que pensa: não é apenas vaidade? Se um filme vive toda vez que é visto, essa é a verdadeira recompensa.”
Jane Birkin, ícone do cinema, da música e da moda, morre aos 76 anos
A renomada atriz, modelo e cantora inglesa Jane Birkin, conhecida por sua multifacetada carreira artística e influência na moda, morreu aos 76 anos. A notícia foi confirmada pelo Ministro da Cultura francês e divulgada pelos canais BFMTV e Le Parisien. Birkin foi encontrada sem vida em sua casa em Paris neste domingo (16/7). Embora a causa da morte não tenha sido divulgada, é sabido que a atriz sofreu um leve derrame em 2021. Nascida em Londres, Birkin já era uma modelo em ascensão quando foi parar no cinema, em filmes britânicos da era mod como “A Bossa da Conquista” (1965), “Blow-Up” (1966), “Caleidoscópio” (1966) – os dois últimos do diretor italiano Michelangelo Antonioni – , “Um Jogador Romântico” (1966) e “O Muro das Maravilhas” (1968) – com trilha do então Beatle George Harrison. A fama se consolidou na década de 1970, ao firmar uma duradoura parceria romântica e artística com o músico francês Serge Gainsbourg e se mudar para Paris. Juntos, protagonizaram “Slogan” (1969), dirigido por Pierre Grimblat, e no ano seguinte lançaram a faixa “Je t’aime… Moi non Plus”, que chocou o público e foi censurada em diversos países, incluindo o Brasil, por sua letra considerada explicitamente sexual. Na gravação, Birkin canta como se estivesse gemendo de prazer. Foi um escândalo e também um enorme sucesso, lembrado até hoje. Parceria com Serge Gainsbourg Depois de se conheceram durante as filmagens de “Slogan”, a relação amorosa que nasceu da colaboração profissional se estendeu por 13 anos, rendeu vários filmes e músicas, e fez deles um dos casais mais famosos da França. A união também gerou uma filha, Charlotte Gainsbourg, que seguiu carreira tão ousada como atriz quanto a mãe. Birkin e Gainsbourg encerraram o relacionamento amoroso em 1980, mas mantiveram uma estreita colaboração artística até a morte do músico em 1991. A atriz relatou que Serge se tornou uma pessoa “temperamental”, viciado em álcool e cigarro e que não a tratava bem, mas isso não impediu que ela e Charlotte continuassem celebrando sua arte após seu falecimento. Sucesso cinematográfico O sucesso de Jane Birkin no cinema foi bastante duradouro. Ela encantou a França desde jovem, com sua participação em “A Piscina” (1969), como uma ninfeta cobiçada por Alain Delon no clássico de Jacques Deray. Não satisfeita em seduzir o ator mais bonito da França, foi parar na cama com a atriz mais sexy do país, Brigitte Bardot, outra amante famosa de Gainsbourg, em “Se Don Juan Fosse Mulher” (1973), de Roger Vadim. Também trabalhou na Itália com o mestre dos giallos Antonio Margheriti, em “Sete Mortes nos Olhos de um Gato” (1973), e voltou à Inglaterra para o terror “Herança Maldita” (1974), com Christopher Lee. Em 1975, ela e Gainsbourg transformaram a música “Je t’aime… Moi non Plus” em filme. E foi nova polêmica. Lançado no Brasil como “Paixão Selvagem”, o drama escrito e dirigido por Gainsbourg trazia a atriz como uma garçonete andrógina, magérrima e de cabelos curtos, que era confundida com um rapaz por um gay bonitão (o muso de Andy Warhol, Joe Dallesandro). Um romance improvável tem início, que esbarra na dor da personagem de Birkin ao tentar sexo anal. Sua estreia em Hollywood aconteceu em 1978, quando integrou o elenco de estrelas internacionais da versão original do mistério “Morte no Nilo” (1978), repetindo a experiência com “Assassinato num Dia de Sol” (1982). Os dois suspenses eram casos do Inspetor Poirot, adaptados de obras literárias de Agatha Christie. Consagração artística e ícone da moda Com beleza duradoura, a atriz seguiu vivendo femme fatales e mulheres sedutoras por décadas no cinema, como na comédia picante “Circulem, Não Há Nada Pra Ver!” (1983), de Patrice Leconte, e no drama “La Pirate” (1984), onde viveu uma lésbica apaixonada – e foi indicada ao César pelo papel, o Oscar francês. Ela também se casou com o diretor do filme, Jacques Doillon. Foi nesta época em que Jean Louis-Dumas, chefe-executivo da grife Hermès, inspirado em uma conversa com a artista, criou a luxuosa bolsa Birkin, que se tornou um símbolo mundialmente conhecido de status social. Fase madura O prestígio fez com que os filmes de sua fase madura ficassem conhecidos por parcerias com alguns dos maiores mestres do cinema francês, como Jean-Luc Godard na comédia “Atenção à Direita” (1987), Bertrand Tavernier no drama “O Regresso” (1990), Jacques Rivette no clássico absoluto “A Bela Intrigante” (1991), Agnès Varda no romance “As Cento e uma Noites” (1995) e Alain Resnais no musical “Amores Parisienses” (1997). Birkin também voltou a estrelar produções britânicas de prestígio, como “A Soldier’s Daughter Never Cries” (1998), de James Ivory, e “The Last September” (1999), de Deborah Warner. E estreou como diretora em 2007, comandando “Boxes”, que foi selecionado para o Festival de Cannes. Final da carreira Seus últimos filmes de ficção foram seu primeiro longa espanhol, “Prova de Redenção” (2012), de Sergio Castellitto, em que contracenou com Penelope Cruz, e o sucesso comercial “O Palácio Francês” (2013), no qual reviveu a parceria com Tavernier. Mas ela continuou trabalhando na TV, em curtas e em sua carreira musical. Sua última imagem nas telas foi registrada por sua filha, no documentário “Jane por Charlotte” (2021), dirigido por Charlotte Gainsbourg, em que as duas exploram a complexa relação entre elas. Birkin era mãe de três filhas: Charlotte Gainsbourg, do casamento com Serge Gainsbourg, a cantora Lou Doillon, do casamento com o diretor Jacques Doillon, e a fotógrafa Kate Barry, fruto do casamento com o compositor John Barry (da famosa trilha de 007), que morreu tragicamente em 2013.
Murray Melvin, ator de “Um Gosto de Mel” e “Barry Lyndon”, morre aos 90 anos
O ator britânico Murray Melvin, conhecido por seus papéis em clássicos como “Um Gosto de Mel” e “Barry Lyndon”, faleceu na última sexta-feira (14/4) aos 90 anos de idade no hospital St. Thomas, em Londres. Melvin nasceu em 1932 em Londres, onde iniciou sua carreira como ator em 1957 no teatro, antes de estrear no cinema com “Armadilha a Sangue Frio” em 1960. Seu trabalho mais notável foi a adaptação de uma peça que ele tinha estrelado. Melvin foi o único ator da montagem teatral convidado a integrar o elenco do filme “Um Gosto de Mel” (1961), de Tony Richardson, que acabou se tornando pioneiro na abordagem da homossexualidade e gravidez adolescente no cinema, tornando-se um dos mais famosos da new wave britânica. O filme contava a história de Jo (Rita Tushingham), uma adolescente que vivia com sua mãe alcoólatra e iniciava um relacionamento com marinheiro negro, que a deixa grávida. Murray Melvin interpretava um estudante gay que se tornava amigo e ajudava Jo em suas dificuldades. Por seu desempenho, Melvin ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes em 1962. Ele também foi indicado ao BAFTA (o Oscar britânico) de Revelação do ano. A consagração lhe abriu as portas do cinema britânico. Ele apareceu em filmes de grande orçamento, como a aventura de época “Revolta em Alto Mar” (1962) e “O Homem de Kiev” (1968), mas também em novos clássicos da new wave, especialmente “Como Conquistar as Mulheres” (Alfie, 1966), de Lewis Gilbert, em que Michael Caine vivia um gigolô. Durante os anos 1970, Melvin trabalhou em três filmes de Ken Russell, um dos cineastas mais vanguardistas do Reino Unido: “O ‘Boyfriend’ (O Namoradinho)” (1971), “Os Demônios” (1971) e o proibidíssimo “Lisztomania” (1975). E integrou o elenco de “Barry Lyndon” (1975), um dos trabalhos mais influentes de Stanley Kubrick. Apesar disso, não teve a ambição de seguir carreira em Hollywood, alternando-se entre montagens teatrais, produções do cinema britânico e atrações locais de TV. Outros filmes de destaque de sua filmografia incluem “A Contestação da Fé” (1984), “Os implacáveis Krays” (1990), “As Novas Roupas do Imperador” (2001) e a versão musical de “O Fantasma da Ópera” (2004). Já na TV, seus papéis mais lembrados incluem uma minissérie sobre Cristóvão Colombo e participações em duas séries de temática sci-fi: “Starhunters” e “Torchwood” (derivado da popular série “Doctor Who”). Ele chegou a completar as filmagens de seu último filme, “The Undertaker”, que ainda não tem previsão de estreia.
Leslie Phillips, ator de “Harry Potter”, morre aos 98 anos
O ator britânico Leslie Phillips, que as gerações mais novas conhecem como a voz ao Chapéu Seletor da saga “Harry Potter”, faleceu aos 98 anos. De acordo com o seu agente, ele lutava contra uma doença não especificada e faleceu pacificamente enquanto dormia na noite de segunda-feira (7/11). Phillips começou a atuar na década de 1930 e teve uma carreira prolífica nos palcos e nas telas, aparecendo em várias das comédias britânicas “Carry On” – a maior franquia britânica com mais de 31 filmes. Ele também participou de alguns clássicos hollywoodianos, como o musical “Les Girls” (1957), de George Cukor, “Entre Dois Amores” (1985), de Sydney Pollack, “Império do Sol” (1987), de Steven Spielberg, e “As Montanhas da Lua” (1990), de Bob Rafelson, além do filme de ação “Lara Croft: Tomb Raider” (2001), estrelado por Angelina Jolie. O principal papel de sua carreira foi em “Vênus” (2006), de Hanif Kurieshi, pelo qual foi indicado ao BAFTA (o Oscar britânico). Na trama, Phillips integrava um grupo de atores envelhecidos, ao lado de Peter O’Toole e Richard Griffiths, que vivem de reminiscências, até que a jovem sobrinha do personagem de O’Toole sacode suas existências. Seus últimos trabalhos incluem os filmes “Late Bloomers – O Amor não tem Fim”, de Julie Gavras, e “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”, de David Yates, ambos em 2011. E completou a produção britânica de mistério “Darkheart Manor” antes de falecer.
Filmes sobre Dom Pedro I e Zé Arigó chegam aos cinemas
Os cinemas recebem 12 lançamentos nesta quinta (1/9), a maioria em circuito limitado. Em contraste com as últimas semanas, a maior estreia é nacional. “Predestinado”, sobre a vida do médium Zé Arigó, chega em mais de 650 salas, apostando no apelo religioso da trama. No passado, a cinebiografia de “Chico Xavier” e “Nosso Lar” provaram a força comercial do cinema espírita no país. Outro grande título brasileiro, “A Viagem de Pedro” aproveita a data do bicentenário da independência para se destacar na programação. Mas é uma obra contemporânea e revisionista, que questiona a figura heroica de D. Pedro I, apresentando-o como um homem tóxico, que queria ser ditador, apesar de se apresentar como libertador. Entre os títulos internacionais, os destaques são a fantasia extravagante “Era uma vez um Gênio”, de George Miller (o diretor de “Mad Max”), o romance “Um Lugar Bem Longe Daqui”, o drama culinário britânico “O Chef” e o relançamento de “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” com cenas inéditas. Confira abaixo todas as estreias com seus respectivos trailers. | A VIAGEM DE PEDRO | Cauã Reymond (“Alemão”) vive Dom Pedro I no drama histórico, que chega aos cinemas na véspera dos 200 anos da proclamação da Independência. Entretanto, o longa de Laís Bodanzky, diretora dos premiados “Bicho de Sete Cabeças” (2000) e “Como Nossos Pais” (2017), não é um filme para exaltar a data, como foi o marco dos 150 anos, “Independência ou Morte”. O drama de época acompanha o imperador brasileiro em sua viagem de exílio, após ser expulso do país que ele fundou. Destronado, depressivo e doente, ele busca encontrar forças durante a travessia do Atlântico para enfrentar seu irmão, que usurpou seu trono em Portugal, enquanto recorda seu período no Brasil, desde a chegada na colônia à proclamação da independência. O retrato não é heroico, muito pelo contrário, e serve de contraponto à celebração acrítica do bicentenário. O elenco ainda destaca a alemã Luise Heyer (da série “Dark”) como a imperatriz Leopoldina, a artista plástica Rita Wainer, que estreia como atriz no papel de Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, o irlandês Francis Magee (“Into the Badlands”), o guineense Welket Bungué (“Berlin Alexanderplatz”) e vários atores portugueses, com destaque para Luísa Cruz (“As Mil e uma Noites”), João Lagarto (“O Filme do Bruno Aleixo”) e Victória Guerra (“Variações”). | PREDESTINADO | O drama espírita conta a história de Zé Arigó, um homem comum que recebe o espírito de Dr. Fritz, médico alemão falecido durante a 1ª Guerra Mundial, e se torna um milagreiro. Criticado por céticos, ele teria salvo inúmeras vidas por intermédio da cirurgia espiritual. O primeiro filme dirigido por Gustavo Fernández (da novela “Pantanal”) traz Danton Mello (“Vai que dá Certo”) no papel principal, Juliana Paes (também de “Pantanal”) como sua esposa e o inglês James Falkner (“Da Vinci’s Demons”) como o espírito do Dr. Fritz. E chega aos cinemas com uma missão: recuperar a fé no espiritismo depois que o Brasil parou para acompanhar o escândalo do médium João de Deus, condenado por crimes sexuais contra mulheres que acreditavam em seu poder de cura. O biografado é exemplar neste sentido, já que sempre foi humilde. Perseguido, chegou a ser preso por curandeirismo, mas teve o trabalho documentado em filme por pesquisadores americanos, que não conseguiram contestá-lo. Como diz o filme, se tivesse nascido em outro país, Arigó seria motivo de estudo, não de rechaço. | ERA UMA VEZ UM GÊNIO | O filme que marca a volta do cineasta George Miller ao cinema, sete anos após deixar público e crítica impressionados com “Mad Max: Estrada da Fúria”, é inspirado pelas fábulas das Mil e uma Noites. A fantasia de visual arrebatador traz Idris Elba (“Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw”) como um gênio encantado – na verdade, um Djinn – , cuja “lâmpada” mágica vai parar nas mãos de uma viúva solitária (vivida por Tilda Swinton, de “Doutor Estranho”) após passar séculos perdida. Enquanto pondera seus três desejos, a mulher conhece a história do gênio e reflete sobre a velha moral da história: “cuidado com o que desejar”. O visual, especialmente durante as cenas de recriação do Oriente exuberante, é de encher os olhos, com muitos efeitos visuais, além de uma fotografia, cenografia e figurinos refinadíssimos. Mas a expectativa para a produção era maior que seus 72% de aprovação da crítica na medição do site Rotten Tomatoes. | UM LUGAR BEM LONGE DAQUI | Baseado no livro de mesmo nome de Delia Owens, o filme gira em torno de Kya, uma jovem que cresceu sozinha no brejo de uma cidadezinha e passou a ser tratada como se fosse um bicho. Só que é uma menina doce, que acaba atraindo o interesse de dois rapazes. Quando um deles aparece morto, ela passa a ser caçada pela polícia e precisa provar sua inocência diante de uma população que a odeia. O filme foi escrito por Lucy Alibar (indicada ao Oscar por “Indomável Sonhadora”), dirigido por Olivia Newman (“Minha Primeira Luta”), estrelado por Daisy Edgar-Jones (“Normal People”) e conta ainda com uma música exclusiva de Taylor Swift (“Carolina”) em sua trilha sonora. | HOMEM-ARANHA – SEM VOLTA PARA CASA: A VERSÃO AINDA MAIS DIVERTIDA | O blockbuster de maior bilheteria da pandemia (US$ 1,9 bilhão mundial) volta aos cinemas com 11 minutos de cenas inéditas, incluindo mais cenas de Tobey Maguire e Andrew Garfield. A trama abre o multiverso e infinitas possibilidades no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), além de transformar “fan service” em arte, representando o ápice do modelo cinematográfico da Marvel. Há muitas participações especiais – todas que os fãs pediram – e citações envolvendo 20 anos de cronologia do herói, desde o primeiríssimo “Homem-Aranha” de 2002. Há cenas de muita ação, comédia de rir à toa e tragédia para soluçar de choro. Não é à toa que foi considerado o melhor filme do Homem-Aranha já feito – há quem diga que seja o melhor filme do MCU. E de quebra ainda oferece uma conclusão para a primeira trilogia estrelada por Tom Holland e Zendaya, com direção de Jon Watts. Com tanto sucesso, nem precisavam anunciar, mas já está oficializado que este não é realmente o fim da história. | O CHEF | Elogiadíssima e realmente eletrizante, a produção britânica traz Stephen Graham (“Venom: Tempo de Carnificina”) como um chef que lida com as pressões da crítica e de funcionários, falta de ingredientes e visitas inesperadas numa noite caótica, tentando manter o controle de seu restaurante. Toda filmada em plano sequência pelo diretor Philip Barantini (“Villain”), ao estilo do filme de guerra “1917”, a obra foi indicada a quatro BAFTAs (o Oscar britânico) e tem 99% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. | ENCONTROS | Se o filme é do diretor sul-coreano Hong Sang-Soo (“Certo Agora, Errado Antes”), ele tem uma viagem, conversas em torno de uma mesa, brindes de saquê, passeios na praia e prêmio de festival internacional. Esse arranjo minimalista está mais uma vez presente nas três histórias interconectadas por encontros e desencontros, que começam com a visita de Young-ho a seu pai, um médico. Este não o recebe, pois está atendendo a um ator famoso. Enquanto isso, a namorada do protagonista se muda para Berlim, onde se hospeda na casa de uma pintora. Por fim, o rapaz encontra sua mãe almoçando com o ator, paciente de seu pai. Levou o troféu de Melhor Roteiro no Festival de Berlim. | ENTRE ROSAS | A comédia dramática francesa acompanha uma criadora de rosas à beira da falência, que é salva por uma solução de sua fiel secretária: contratar três presidiários sem nenhum conhecimento de jardinagem, mas que trabalham por salários baixos. Completamente diferentes, eles se unem na missão de salvar a pequena fazenda. A veterana Catherine Frot (“Margueritte”) tem o papel principal. | A ÚLTIMA CHAMADA | O terror B acompanha a vingança de uma velhinha que teve seus últimos momentos de vida importunados pela brincadeira de mau gosto de três adolescentes. Após sua morte, o viúvo procura os jovens para informá-los que eles estão no testamento dela e podem ganhar US$ 100 mil cada apenas para fazer uma ligação – de dentro de sua casa para um telefone no caixão da morta. Mas ao ligarem para o número indicado, coisas estranhas e sanguinárias começam a acontecer. O elenco destaca Linn Shaye (a médium Elise da franquia “Sobrenatural”) como a falecida e Tobin Bell (o serial killer Jigsaw de “Jogos Mortais”) como seu marido. Medíocre, atingiu 44% de aprovação no Rotten Tomatoes. | PINOCCHIO – O MENINO DE MADEIRA | Esta versão irreconhecível da história de Carlo Colodi é uma animação russa de baixo orçamento e péssimo acabamento, que substitui o Grilo Falante por um cavalo falante. A história acompanha Pinóquio cavalgando para conhecer o mundo e fazer truques equestres num circo, onde se apaixona por uma trapezista. | SEGREDOS DE PUTUMAYO | O documentário de Aurélio Michiles (“O Cineasta da Selva”) resgata as investigações do ativista irlandês Roger Casement de mais de 100 anos atrás, quando o então Cônsul Britânico no Brasil denunciou a escravidão e assassinato de milhares de indígenas que eram forçados a trabalhar na coleta de borracha. O seu relatório sobre este assunto foi publicado pelo parlamento britânico e deu-lhe o reconhecimento internacional como humanista e o título de Cavaleiro (Sir) – que ele perdeu junto com a vida, ao ser condenado por se aliar aos alemães num complô pela independência da Irlanda na véspera da 1ª Guerra Mundial. | MARIA – NINGUÉM SABE QUEM SOU EU | O documentário de Maria Bethânia tem como base um depoimento exclusivo para o diretor e roteirista Carlos Jardim, entremeado por imagens raras de ensaios e shows da cantora ao longo de seus 57 anos de carreira. Completando a narrativa, a atriz Fernanda Montenegro recita textos de autores como Ferreira Gullar e Caio Fernando Abreu sobre a importância de Bethânia no cenário cultural brasileiro.
Ator é demitido de série de striptease masculino por “conduta imprópria”
O ator Hugo Speer não vai mais repetir seu papel de “Ou Tudo ou Nada” (The Full Monty) na série baseada no filme de 1997. Ele foi demitido da produção da Disney+ após acusações de “conduta imprópria”. O ator inglês de 53 anos havia sido contratado para reprisar o papel de Guy — ao lado de outros ex-colegas de elenco, incluindo Robert Carlyle como Gaz e Lesley Sharp como Jean — na minissérie que retomaria a trama 25 anos após o lançamento da famosa comédia. A Disney+ soltou uma nota, informando que ele foi afastado após uma investigação interna. “Recentemente, fomos informados de alegações de conduta inadequada de Hugo Speer no set de uma produção encomendada. Como é a política, uma investigação foi iniciada. Após sua conclusão, foi tomada a decisão de rescindir seu contrato, com efeito imediato.” Segundo o jornal britânico The Sun, durante as gravações, ele teria convidado uma mulher da produção para entrar no seu trailer enquanto estava nu. Um porta-voz do ator se pronunciou dizendo que “Hugo nega todas as alegações e está desafiando todas elas”. A produção da série começou no final de março e, por conta disso, Speer deve ter gravado alguns episódios. A trama vai reencontrar os personagens originais, que ao ficaram desempregados em Sheffield, na Inglaterra, em 1997, conseguiram ganhar dinheiro com um show de striptease masculino. A trama deve acomodar os veteranos ao lado de uma nova geração, vítima do impacto econômico do coronavírus. A série é uma criação do roteirista Simon Beaufoy, que foi indicado ao Oscar pelo filme original, e também contará com participação do produtor do filme, Uberto Pasolini. Ainda sem previsão de estreia, “The Full Monty” (título original) será exibida pela Star+ no Brasil e no restante da América Latina. Nos demais países, a atração irá ao ar pela Disney+, exceto nos EUA, onde fará parte da programação da Hulu. Veja o trailer abaixo para lembrar o filme original.
Acusado de assédio e demitido, Noel Clarke vai processar todo mundo por falta de evidências
Acusado de assédio sexual, o ator e produtor britânico Noel Clarke teve prêmios rescindidos e séries canceladas. Mas um ano depois do escândalo, a Polícia Metropolitana de Londres anunciou não ter conseguido confirmar nenhuma das denúncias, encerrando as investigações após atingir o limite de tempo para prosseguir sem resultados por falta de evidências. Um dos mais promissores astros do Reino Unido, Clarke foi a falência e fechou sua produtora por causa de um artigo publicado em maio de 2021 pelo jornal The Guardian, com depoimentos nominais e em off de cerca de 20 mulheres que trabalharam com ele em projetos de cinema e TV nos últimos anos. As alegações incluíam desde toques inadequados até a filmagem secreta de uma atriz nua durante um teste de papel. As denúncias assumidas foram feitas por Gina Powell, que trabalhou para Clarke como produtora por três anos, e a atriz Jahannah James, que apareceu no filme “Brotherhood” (2016), final de uma trilogia aclamada que o ator dirigiu e estrelou. Todas as demais acusações foram em “off”, sem identificação. Clarke sempre negou todas as acusações e a investigação policial não conseguiu provar malícia de sua parte. Neste fim de semana, ele desabafou numa entrevista ao jornal Daily Mail: “Não houve prisão, nenhuma acusação, nenhum julgamento, nenhum veredicto, mas fui criminalizado. Esta é uma forma de macarthismo moderno.” “Se não precisamos mais de polícia, juízes e júris, se precisamos apenas das mídias sociais e de declarações na imprensa, então em que mundo vivemos?”, ele continuou. “Em que ponto as emissoras de TV deste país se tornaram juízes, júris e executores de pessoas? Em que ponto a BAFTA (Academia de TV e Cinema do Reino Unido) decidiu que não seu objetivo não é mais sobre filmes, mas julgar a vida das pessoas? Isso não é apenas sobre mim, é maior, é sobre o direito à Justiça. Sim, as pessoas disseram essas coisas sobre mim, mas se eu disser que você é um burro, isso não faz de você um burro, faz?” Sua menção à BAFTA se deve à retirada de um prêmio em homenagem às suas conquistas notáveis na indústria cinematográfica britânica. Já a parte das emissoras refletem o fato de os canais britânicos ITV e Sky terem rompido suas relações profissionais com o ator, levando ao cancelamento da série policial “Bulletproof” e à interrupção da minissérie “Viewpoint”. Ele agora está processando a BAFTA e o jornal The Guardian por difamação. Ele também está processando a editora de revistas Conde Nast, que publicou um artigo sobre a polêmica na revista GQ. “Vinte anos de trabalho se foram em 24 horas”, disse Clarke ao Daily Mail. “Eu perdi tudo. A empresa que construí do zero, meus programas de TV, meus filmes, meus contratos de livros, o respeito da indústria que eu tinha. No meu coração e na minha cabeça, isso me prejudicou de uma forma que não consigo articular.” Clarke diz que seus processos visam criar uma indústria de cinema e TV mais justa, capaz de ter uma estrutura onde “mulheres e pessoas vulneráveis sejam protegidas, mas também que proteja pessoas de condenações sumárias sem provas”. Ele acrescenta que não vê um caminho fácil para retomar sua carreira depois de ter sido “cancelado” pela BAFTA, emissoras de TV e produtoras. “Nenhum deles quer estar errado. Eles fizeram declarações tão grandes e ousadas. Depois, há o clima atual, em que se alguém questiona a opinião da maioria, ‘Espere um segundo, qual é o contexto?’, a sociedade também se volta contra essa pessoa”.
Olivia Colman e Jessie Buckley retomam parceria de “A Filha Perdida”
As atrizes Olivia Colman e Jessie Buckley vão voltar a trabalhar juntas após “A Filha Perdida”, onde viverem a mesma personagem em diferentes épocas. Com a vantagem de que, desta vez, elas irão contracenar uma com a outra. As duas serão as protagonistas da comédia “Wicked Little Letters”, baseada em uma história real que aconteceu nos anos 1920. Na trama, elas interpretarão vizinhas muito diferentes, que se unem para resolver um mistério. Buckley será a ardente Rose Gooding, que tem pouco em comum com a piedosa Edith Swan (Colman), além do fato de serem vizinhas na cidade litorânea de Littlehampton na década de 1920. Um dia, Edith e outros na cidade começam a receber cartas escandalosas escritas com linguagem chula tão excêntrica quanto obscena, e o dedo da suspeita cai imediatamente sobre Rose. Enquanto Rose está prestes a perder sua liberdade e a custódia de sua filha, e cartas ultrajantes continuam a arruinar a cidade, a policial Gladys Moss começa a suspeitar que algo está errado. Juntamente com um grupo de mulheres engenhosas, Gladys se esforça para resolver o mistério, libertar Rose e pegar o verdadeiro culpado. Com produção do Studiocanal, “Wicked Little Letters” será apresentado ao mercado durante o Festival de Cannes, que começa nesta terça (17/5).
Dennis Waterman (1948–2022)
O ator britânico Dennis Waterman, que estrelou a série clássica “The Sweeney”, morreu neste domingo (8/5) num hospital da Espanha de causas não informadas, aos 74 anos. Nascido em Londres, ele começou sua carreira aos 12 anos, alternando-se entre peças, filmes e séries britânicas, e, além de atuar, ficou conhecido por cantar as músicas-tema de muitos de suas atrações. Waterman virou protagonista aos 14 anos, quanto foi escalado no papel-título da série “William” (1962), da BBC, baseada nos livros de Richmal Crompton. Logo após a adolescência, participou de filmes importantes como “Na Encruzilhada” (1968), de Peter Collinson, marco do chamado “kitchen sink realism”, a versão britânica do neorrealismo italiano, que rendeu dramas impactantes sobre a realidade social da classe trabalhadora. E também integrou os terrores “O Conde Drácula” (1970), de Roy Ward Baker, e “Uma Noite de Pavor” (1971), novamente trabalhando com Collinson. Sua carreira sofreu uma reviravolta quando foi escalado para viver o detetive policial George Carter na série “The Sweeney”. Enorme sucesso de audiência no Reino Unido, a série durou quatro temporadas, de 1974 a 1978, e ainda rendeu dois filmes, em 1977 e 1978. Ele seguiu o papel com outro ainda mais bem-sucedido, o guarda-costas Terry McCann na série “Minder”, sobre o submundo do crime de Londres, que durou nada menos que 10 temporadas, de 1979 a 1994. E ainda superou esta duração em sua série final, o drama policial “New Tricks”, que teve 12 temporadas entre 2004 e 2015. Nesta série, ele chegou a contracenar com uma de suas filhas, Hannah Waterman, que seguiu a carreira de atriz e apareceu em quase 400 episódios da novela “EastEnders” Seu último trabalho foi a comédia “A Última Escapada”, lançada em 2020, em que liderou uma rebelião e fuga de internados de um asilo para idosos. Lembre abaixo as aberturas das três séries mais famosas de Waterman. Detalhe: ele canta as músicas das duas últimas.
Filme “Ou Tudo ou Nada” vai virar série com elenco original
A popular comédia britânica “Ou Tudo ou Nada” (The Full Monty) vai virar uma série de streaming com participação do elenco original, liderado por Robert Carlyle. A produção começou nesta segunda (28/3) nas regiões de Sheffield e Manchester, na Inglaterra. Vinte e cinco anos depois da exibição original de 1997, a série vai reencontrar os desempregados de Sheffield, que se despiram para ganhar um pouco de dinheiro extra num show de striptease. A trama deve acomodar os veteranos ao lado de uma nova geração, vítima do impacto econômico do coronavírus. A série é uma criação do roteirista Simon Beaufoy, que foi indicado ao Oscar pelo filme original, e também contará com participação do produtor do filme, Uberto Pasolini. Ainda sem previsão de estreia, “The Full Monty” (título original) será exibida pela Star+ no Brasil e no restante da América Latina. Nos demais países, a atração irá ao ar pela Disney+, exceto nos EUA, onde fará parte da programação da Hulu. Veja o trailer abaixo para lembrar o filme original.
“Magnatas do Crime” vai virar série da Netflix
A Netflix está prestes a fechar acordo para produzir uma série baseada no filme “Magnatas do Crime” (2019), de Guy Ritchie. O projeto começou a ganhar forma há dois anos e tem o próprio Richie à frente das negociações. O cineasta britânico co-escreveu o episódio piloto e planeja dirigir os dois capítulos iniciais, além de servir como produtor ao lado de executivos da Miramax TV e da Moonage Pictures (formada há quatro anos por produtores de “Peaky Blinders”). Com a aprovação do negócio, a adaptação marcará o terceiro filme de Guy Ritchie a virar série. “Lock, Stock…”, inspirada em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998), foi ao ar no ano 2000 no Channel 4 britânico, e “Snatch”, inspirada em “Snatch: Porcos e Diamantes” (2000), durou duas temporadas, de 2017 a 2018, na plataforma de streaming Crackle. A adaptação virou prioridade da Miramax, que sob a nova chefia de Marc Helwig tem buscado capitalizar seu extenso catálogo cinematográfico em licenciamento de séries. Neste sentido, a produção de “The Gentlemen” (título original) vai se juntar à anunciada adaptação de “Mutação” (Mimic, 1997), terror do estúdio que se transformará numa série produzida e dirigida por Paul WS Anderson (“Resident Evil”). Elogiado pela crítica internacional (73% de aprovação no Rotten Tomatoes), “Magnatas do Crime” marcou a volta do diretor do blockbuster “Aladdin” (2019) às tramas de gângsteres do começo de sua carreira. A trama gira em torno da sucessão de um chefão americano do crime, interpretado no cinema por Matthew McConaughey (“Interestelar”), que construiu um império de drogas no Reino Unido. Quando rumores começam a circular sobre sua aposentadoria, todos os outros criminosos de Londres criam seus próprios esquemas para tomar o lugar dele. O elenco do filme ainda incluiu Charlie Hunnam (Rei Arthur: A Lenda da Espada”), Henry Golding (“Podres de Ricos”), Michelle Dockery (“Downton Abbey”), Jeremy Strong (“Succession”), Eddie Marsan (“Ray Donovan”), Colin Farrell (“Dumbo”) e Hugh Grant (“Florence: Quem é Essa Mulher?”). Veja abaixo o trailer legendado de “Magnatas do Crime”.












