Estreias | “Borderlands” e “Armadilha” são as principais novidades de cinema
Além da sci-fi com Cate Blanchett e o suspense de M. Night Shyamalan, a programação recebe um melodrama com Blake Lively, o novo apelo social de Ken Loach e três filmes brasileiros
Estreias | “Deadpool & Wolverine” chega aos cinemas
O circuito limitado ainda recebe o premiado drama japonês "O Mal Não Existe", a comédia britânica "Pequenas Cartas Obscenas" e a animação brasileira "Teca e Tuti - Uma Noite na Biblioteca"
Trailer traz Ian McKellen como um crítico teatral implacável
"The Crititc", ambientado na Londres dos anos 1930, também é estrelado por Gemma Arterton, Mark Strong e Lesley Manville
Estreias | Terror “Imaginário” tem maior destaque nos cinemas
Maioria dos lançamentos da semana chega em circuito limitado, com destaque para o filme turco "Ervas Secas", premiado no último Festival de Cannes
Filme sobre a cantora Amy Winehouse ganha primeiro trailer
A Focus Features divulgou um novo pôster e o primeiro trailer de “Back to Black”, cinebiografia de Amy Winehouse. A prévia traz a atriz Marisa Abela (da série “Industry”) no papel da cantora britânica, em cenas do começo e do auge de sua carreira. Considerada uma das maiores artistas da história, Amy Winehouse vendeu mais de 30 milhões de discos em todo o mundo e até hoje gera mais de 80 milhões de streams por mês. Seu álbum “Back to Black” (2006), que dá nome ao filme, a levou ao estrelato, rendendo-lhe cinco Grammys. O filme vai se focar na genialidade, criatividade e fragilidade de Amy. A trama cobre a vida da cantora desde os pequenos palcos de Londres na década de 1990 até o seu sucesso global, com hits como “Rehab” e “Back to Black”, incluindo sua grande desilusão amorosa e seus vícios fatais em álcool e drogas, que a levaram a morrer sozinha em sua casa, aos 27 anos, no dia 23 de julho de 2011. O roteiro foi escrito por Matt Greenhalgh e a direção é de Sam Taylor-Johnson, que já trabalharam juntos em outra cinebiografia musical, “O Garoto de Liverpool” (2009), sobre a juventude de John Lennon. A estreia no Brasil está marcada para 9 de maio, duas semanas depois do lançamento no Reino Unido e uma semana antes dos Estados Unidos.
Série baseada no filme “Sexy Beast” ganha primeiro trailer
A Paramount divulgou o pôster e o trailer de “Sexy Beast”, série que adapta o filme homônimo de 2000. Estreia do cineasta Jonathan Glazer (“Reencarnação” e “Sob a Pele”), “Sexy Beast” foi um filme de gângsteres que rendeu até uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Ben Kingsley. Na trama de cinema, Ray Winstone vivia Gal Dove, um ladrão que resolve se aposentar da vida do crime, saindo em férias com sua mulher e amigos para a Espanha. Mas seu antigo parceiro Don Logan (papel de Kingsley) quer que ele participe de um grande assalto em Londres e se recusa a aceitar “não” como resposta. Ian McShane também estava no elenco com o poderoso chefão Teddy Bass, que se beneficiaria do crime. A série é um prólogo focado no passado criminoso desses personagens, mostrando o começo da parceria entre Gal Dove e Don Logan, na época em que começam a trabalhar para o chefão Teddy Bass e Gal conhece e se apaixona pela estrela de cinema adulto DeeDee – sua futura esposa. Gal é um ladrão brilhante e Don é um gângster cruel, e a série vai explorar o complicado relacionamento do par, em meio à loucura sedutora do mundo criminoso de Londres durante os vibrantes e voláteis anos 1990. Os papéis principais são vividos por James McArdle (“Mare of Easttown”) como Gal, Emun Elliott (“Mistério no Mar”) como Don, Sarah Greene (“Normal People”) como Deedee, Stephen Moyer (“True Blood”) como Teddy, além de Tamsin Greig (“Episodes”) no papel da irmã controladora de Don, Cecília. A atração foi desenvolvida por Michael Caleo, roteirista das séries clássicas “Rescue Me” e “Os Sopranos”, além do filme “A Família”, de Luc Besson, e o primeiro episódio tem direção da cineasta Karyn Kusama (“O Peso do Passado”). A estreia está marcada para 25 de janeiro.
Filme sobre a cantora Amy Winehouse ganha primeiro teaser
O Studiocanal divulgou o pôster e o primeiro teaser de “Back to Black”, cinebiografia de Amy Winehouse. A prévia traz a atriz Marisa Abela (da série “Industry”) no papel da cantora britânica, em cenas do começo e do auge de sua carreira. Considerada uma das maiores artistas da história, Amy Winehouse vendeu mais de 30 milhões de discos em todo o mundo e até hoje gera mais de 80 milhões de streams por mês. Seu álbum “Back to Black” (2006), que dá nome ao filme, a levou ao estrelato, rendendo-lhe cinco Grammys. O filme vai se focar na genialidade, criatividade e fragilidade de Amy. A trama cobre a vida da cantora desde os pequenos palcos de Londres na década de 1990 até o seu sucesso global, com hits como “Rehab” e “Back to Black”, incluindo seus vícios fatais em álcool e drogas, que a levaram a morrer sozinha em sua casa, aos 27 anos, no dia 23 de julho de 2011. O roteiro foi escrito por Matt Greenhalgh e a direção é de Sam Taylor-Johnson, que já trabalharam juntos em outra cinebiografia musical, “O Garoto de Liverpool” (2009), sobre a juventude de John Lennon. O lançamento no Reino Unido e na Irlanda está marcado para o dia 24 de abril, mas ainda não há previsão de estreia no Brasil.
Glynis Johns, estrela de “Mary Poppins”, morre aos 100 anos
A atriz Glynis Johns, conhecida por seu papel como a mãe feminista de “Mary Poppins”, morreu nesta quinta (4/1) aos 100 anos. Segundo seu agente, ela faleceu de causas naturais em uma casa de repouso assistido em West Hollywood, na grande Los Angeles. Início de carreira Nascida em 5 de outubro de 1923 em Pretoria, África do Sul, Johns iniciou sua carreira através de competições de dança na Inglaterra, aos 10 anos de idade. A estreia no cinema veio aos 13 anos, no drama inglês “Abnegação” (1938). E a consagração no teatro aconteceu aos 19, por interpretar o papel principal em “Peter Pan” numa montagem londrina da fábula de J.M. Barrie. Ela virou protagonista de cinema aos 23 anos, ao viver o papel-título do filme “Miranda, a Sereia” (1948), de Ken Annakin, que foi seguido por protagonismos em “Segredo de Estado” (1950), de Sidney Gilliat, “Na Estrada do Céu” (1951), de Henry Koster, e nas comédias “Ação Fulminante” (1951), como par romântico de David Niven, e “Às Voltas com 3 Mulheres” (1952), disputando Alec Guinness. Sucesso em Hollywood Acabou chamando atenção de Hollywood, tornando-se estrela de dois famosos filmes de aventura da Disney em 1953: “Entre a Espada e a Rosa”, novamente dirigida por Ken Annakin, e “O Grande Rebelde” (Rob Roy), de Harold French. Ela também protagonizou a comédia medieval da Paramount “O Bobo da Corte” (1955), ao lado de Danny Kaye, e a aventura épica “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1956), que venceu cinco Oscars, ao mesmo tempo em que mantinha uma carreira ativa no Reino Unido – sua parceria com Ken Annakin seguiu forte com o drama “Terra da Sedução” (1954) e a comédia “Lua de Mel em Monte Carlo” (1956). Seu talento multifacetado a levou a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em “Peregrino da Esperança” (1960), de Fred Zinnemann, um drama sobre a colonização australiana. Mas seu maior reconhecimento veio com o papel da Sra. Banks em “Mary Poppins” (1964), a mãe feminista das crianças cuidadas pela babá mágica do título (vivida por Julie Andrews). Sua atuação memorável, especialmente na performance da canção “Sister Suffragette”, consolidou sua posição como uma atriz carismática e querida do público da Disney. Glynis ainda obteve sucesso com as comédias “O Estado Interessante de Papai” (1963), ao lado de Jackie Gleason, e “Minha Querida Brigitte” (1965), como a mãe de um menino (Billy Mumy, de “Perdidos no Espaço”) obcecado pela estrela francesa Brigitte Bardot. Além disso, teve um papel recorrente memorável na popular série “Batman”, aparecendo em quatro episódios como Lady Penelope Peasoup em 1967. Entretanto, ao final dos anos 1960 as produções ingênuas que ela costumava estrelar começaram a sair de moda e suas tentativas de embarcar na onda dos filmes mais picantes – “Por um Corpo de Mulher” (1968), “As Virgens Impacientes” (1969) e “Sob o Bosque de Leite” (1971), este com Richard Burton e Elizabeth Taylor – não foram tão bem sucedidas. Consagração no teatro e final da carreira Voltando-se ao teatro, a atriz ganhou o Tony Award por sua performance no musical da Broadway “A Little Night Music” em 1973. Esta atuação foi particularmente notável porque incluiu a interpretação de “Send in the Clowns”, música escrita especificamente para ela por Stephen Sondheim. Ela seguiu fazendo apresentações teatrais, filmes e participações televisivas pelas décadas seguintes. Uma de suas participações mais famosas na TV foi como a mãe de Diane Chambers (Shelley Long), protagonista de “Cheers”, num episódios de 1983. Figura constante nas telas até o final do século 20, ela se aposentou após as comédias “O Árbitro” (1994), “Enquanto Você Dormia” (1995) e “Superstar: Despenca uma Estrela” (1999), em que viveu mãe e avó dos protagonistas. Glynnis Johns se casou quatro vezes e teve um único filho, o ator Gareth Forwood (“Gandhi”), que morreu em 2007. Ela deixa um neto e três bisnetos.
Tom Wilkinson, ator de “Ou Tudo ou Nada” e “Batman Begins”, morre aos 75 anos
O ator britânico Tom Wilkinson, conhecido por filmes como “Ou Tudo ou Nada” (1997), “Batman Begins” (2005) e “Conduta de Risco” (2008), morreu neste sábado (30/12) aos 75 anos. Segundo seus familiares, ele sofreu um mal súbito em casa e faleceu repentinamente. Wilkinson tinha uma longa e premiada carreira, tendo trabalhado com alguns dos principais cineastas contemporâneos, de Christopher Nolan a Ang Lee, passando pelos polêmicos Woody Allen e Roman Polanski. Foi indicado a dois Oscars e seis prêmios BAFTA (o Oscar britânico), tendo vencido a premiação de cinema do Reino Unido em 1997 pela atuação no filme “Ou Tudo ou Nada” (Full Monty). Neste ano, ele voltou a encarnar seu papel do filme, o capataz Gerald, numa série produzida pela Disney+, que mostrou a vida dos personagens 26 anos depois. Nascido em Yorkshire, na Inglaterra, o artista frequentou a Royal Academy of Dramatic Art e começou a atuar na TV em 1975. A transição para o cinema veio dez anos depois, como coadjuvante em filmes como “Sombras do Passado” (1985) e “Sylvia” (1985). Mas foi só nos anos 1990 que começou a chamar atenção, embora ainda em pequenos papéis, como o promotor de “Em Nome do Pai” (1993), de Jim Sheridan, e o rico aristocrata de “Razão e Sensibilidade” (1995), de Ang Lee, que ao morrer deixa as filhas na miséria. Ele também foi o chefe de Michael Douglas em “A Sombra e a Escuridão” (1996), de Stephen Hopkins, e o vilão de “Mistério na Neve” (1997), de Bille August, antes de ser escalado no papel que mudou tudo em “Ou Tudo ou Nada”. A comédia de Peter Cattaneo acompanhava seis trabalhadores desempregados de uma fábrica que, em meio à crise financeira, resolvem fazer um show de striptease para arrecadar dinheiro. Wilkinson vivia o ex-capataz da fábrica, que estava escondendo sua demissão da esposa. Sucesso enorme de público e crítica, foi indicado a 4 Oscars e 12 BAFTAs, vencendo a premiação britânica como Melhor Filme do ano, além de render troféus de Melhor Ator para Robert Carlyle e de Coadjuvante para Wilkinson. A partir daí, sua carreira deslanchou e Wilkinson apareceu em vários sucessos, incluindo o filme vencedor do Oscar “Shakeaspeare Apaixonado” (1998). Em seguida, ele consolidou sua carreira com duas indicações ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. A primeira foi por “Entre Quatro Paredes” (2001), de Todd Field, como o pai enlutado de um filho assassinado. A segunda veio por “Conduta de Risco” (2007), de Tony Gilroy, como um advogado, colega de George Clooney, que surta ao descobrir que o conglomerado que defendia era culpado por várias mortes, tendo um fim trágico por saber demais. Entre os dois títulos, ele apareceu em mais de uma dezena de filmes, alguns bem famosos como “Moça com Brinco de Pérola” (2003), de Peter Webber, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (2004), de Michel Gondry, “O Exorcismo de Emily Rose” (2005), de Scott Derrickson, e “Batman Begins” (2009), de Christopher Nolan, onde viveu o chefão do crime Carmine Falcone. A filmografia impressionante seguiu com “O Sonho de Cassandra” (2007), filme britânico de Woody Allen, “Rock’n’Rolla: A Grande Roubada” (2008), de Guy Ritchie, “Operação Valquíria” (2009), de Bryan Singer, “O Escritor Fantasma” (2010), de Roman Polanski, “O Exótico Hotel Marigold” (2011), de John Madden, e “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” (2011), de Brad Bird. Mas nesse ponto ele também começou a ter presença de destaque em produções premiadas da TV americana. Wilkinson foi indicado a dois Emmy e dois Globos de Ouros em 2008, por seu papel como Benjamin Franklin na minissérie “John Adams” (2008) e pela atuação no telefilme político “Recontagem”, ambos produzidos pela HBO. Ele venceu os dois troféus pela série. E em 2011 voltou a ser indicado ao Emmy como o patriarca da família Kennedy, na minissérie “Os Kennedys”. Entre seus últimos trabalhos, destacam-se as minisséries britânicas “Belgravia” (2020), criada por Julian Fellowes (de “Downton Abbey”), e “Ou Tudo ou Nada” (2022), que encerrou a carreira de Wilkinson com uma volta ao papel que o consagrou. Ele era casado com a atriz Diana Hardcastle, com quem contracenou em “O Exótico Hotel Marigold”, “Os Kennedys” e “Belgravia”, e tinha dois filhos.
Estreias | “Berlim” e as novidades de streaming da semana
O Top 10 dos lançamentos de streaming da semana incluem 4 séries e 6 filmes. Os destaques episódicos são a primeira série derivada do fenômeno espanhol “La Casa de Papel” e o final de uma comédia britânica premiada, além de dois animes. Já os filmes trazem produções de comédia, drama, guerra, suspense e terror – 3 delas em VOD e 3 nas plataformas de assinatura. Confira os títulos a seguir. SÉRIES BERLIM | NETFLIX O spin-off de “La Casa de Papel” é um prólogo que acompanha Andrés de Fonollosa antes dele se tornar Berlim e, como os fãs sabem, morrer. Na trama, ele reúne uma gangue diferente para seguir outro plano infalível de assalto, desta vez envolvendo a “casa de leilões mais importante de Paris”. Desenvolvida pelo criador de “La Casa de Papel”, Álex Pina, em parceria com Esther Martínez Lobato, roteirista-produtora da série original, a produção deve atrair fãs da série original, mas muitas vezes parece uma versão inferior de “La Casa de Papel”. Além de Pedro Alonso, de volta ao papel do ladrão de joias hedonista, “Berlim” também inclui Michelle Jenner (“Isabel”) como Keila, especialista em eletrônica, Tristán Ulloa (“Fariña”) como o professor filantrópico Damián, Begoña Vargas (“Bem-vindos ao Éden”) como a instável Cameron, Julio Peña Fernández (“Através da Minha Janela”) como o dedicado Roi e o estreante Joel Sánchez como Bruce, um homem de ação implacável. Para completar, as atrizes Itziar Ituño e Najwa Nimri retornam à franquia como Raquel Murillo e Alicia Sierra, respectivamente, inspetoras que investigaram os assaltantes de “La Casa de Papel” e, conforme mostra a nova série, já perseguiam Berlim há algum tempo. O DILEMA DE SUZY 2 | GLOBOPLAY Nas comédia inglesa, Billie Piper (a eterna Rose de “Doctor Who”) vive Suzy, uma subcelebridade que tem fotos íntimas comprometedoras vazadas nas redes sociais, desencadeando uma série de eventos tumultuados em sua vida pessoal e profissional – o que a torna uma pessoa bastante odiada no Reino Unido. Na 2ª e última temporada, Suzy sofre um novo colapso mental, entra num reality de dança e consegue se destacar, mas, mesmo diante do sucesso, logo percebe que muitas pessoas ainda nutrem um forte sentimento de ódio por ela. A série é criação da própria atriz em parceria com roteirista Lucy Prebble. As duas já tinham trabalhado juntas em “Diário Secreto de uma Garota de Programa” (2007–2011). Concebida como uma espécie de especial “anti-Natal”, a 2ª temporada é composta por apenas três episódios e rendeu indicação ao BAFTA (o Oscar e o Emmy britânico) de Melhor Atriz para Piper. UNDEAD UNLUCK | STAR+ Baseado no mangá de Yoshifumi Tozuka, publicado no Japão desde 2020 – e no Brasil pela Panini – o anime acompanha dois parceiros bizarros num mundo repleto de “Negadores” – pessoas que, inexplicavelmente, negam alguma característica específica da humanidade. Os protagonistas são um homem que nega a morte (o “Undead”) e uma garota que nega a sorte (a “Unluck”). Nenhum dos dois está feliz com seus “poderes”. Andy, o Undead, só quer morrer de uma vez, cansado com a própria existência, enquanto Fuuko Izumo, a jovem Unluck, não suporta o fato de acabar com a sorte de todos que a tocam. Mas quando Fuuko se prepara para se matar, é impedida por Andy, que vê nela a chance de finalmente morrer. Ele a transforma em cobaia, buscando uma maneira de desencadear um golpe de Azar grande o suficiente para matá-lo de vez. No entanto, logo descobrem que uma organização secreta está lhes caçando, o que muda os planos drasticamente. A CONCIÉRGE POKÉMON | NETFLIX A primeira série exclusiva de Pokémon da Netflix apresenta Haru, uma funcionária recém-contratada para recepcionar pokémons num resort especializado. Nos episódios fofos, ela acaba ajudando e se tornando amiga de vários monstrinhos de bolso, mas principalmente de um Psyduck. Produzida pelo dwarf studios, a animação chama atenção principalmente por ser uma produção em stop-motion, com bonequinhos movimentados quadro a quadro para criar a ilusão de movimento. A direção é do curta-metragista Iku Ogawa e a atriz japonesa Non (“Three Sisters of Tenmasou”) dubla Haru. FILMES DINHEIRO FÁCIL VOD* A comédia conta a história real sobre como nerds manipularam o mercado de ações e ficaram ricos. O longa é dirigido por Craig Gillespie, conhecido pelo seu trabalho em “Eu, Tonya” (2017) e “Cruella” (2021), e mostra os absurdos por trás do esquema que causou um boom nas ações de uma empresa varejista. A trama acompanha Keith Gill (Paul Dano, de “Batman”), que dá início à polêmica história ao investir suas economias nas ações em queda da GameStop em 2021. Logo em seguida, ele compartilha sobre o investimento nas redes sociais e as postagens começam a viralizar. Conforme a popularidade do tópico aumenta, sua vida e a de todos que o seguem começam a ser afetadas. O que começa com uma dica de investimento se transforma em um gigantesco movimento onde todos enriquecem – até que os bilionários decidem revidar. A narrativa humorística explora as falhas do capitalismo, apresentando uma versão da clássica batalha entre Davi e Golias na era digital. Com um elenco estelar, incluindo Seth Rogen (“Pam e Tommy”) como o grande investidor que enfrenta problemas financeiros com a iniciativa dos nerds, e personagens carismáticos como o irmão desleixado de Gill, interpretado por Pete Davidson (“Morte, Morte, Morte”), a produção consegue entrelaçar humor e comentário social. Além disso, a trama é bem servida de personagens secundários, como a enfermeira vivida por America Ferrera (“Superstore”) e o caixa da GameStop interpretado por Anthony Ramos (“Transformers: O Despertar das Feras”), que trazem profundidade e humanidade à história, ressaltando o impacto coletivo do esquema de investimento. Para completar, referências culturais contemporâneas, como memes e danças do TikTok, enriquecem a narrativa. Por conta dessa estrutura e abordagem, “Dinheiro Fácil” tem sido comparado a “A Grande Aposta” (2015), outro filme que também desvenda o universo financeiro com humor, crítica e memes. Ambas as obras exploram a engenhosidade e a audácia de indivíduos incomuns no enfrentamento de gigantes financeiros, embora com tons e perspectivas distintas. Enquanto “A Grande Aposta” dissecou a crise financeira de 2008 com uma abordagem mais séria, “Dumb Money” adota uma postura mais leve ao retratar os eventos recentes da saga GameStop. Mas isso também torna o filme de Gillespie o “primo pobre” da obra de Adam McKay, vencedora do Oscar de Melhor Roteiro. NÃO ABRA! VOD* O filme de estreia do indiano Bishal Dutta chama atenção por ser um terror diferente, centrada numa adolescente índio-americana, que precisa se reconectar com suas raízes culturais para sobreviver, após se distanciar delas no ambiente predominantemente caucasiano de uma high school dos EUA. A trama ganha corpo quando uma amiga de infância de Samidha (Megan Suri) apresenta comportamento estranho relacionado a um pote de vidro que carrega, culminando em uma série de eventos sobrenaturais. O que há dentro do pote alimenta a trama: uma entidade demoníaca conhecida como Pishacha. De acordo com a mitologia hindu, este demônio se alimenta de energia negativa e carne humana. E é liberado após o pote ser quebrado. Dutta explora a temática da assimilação cultural e identidade numa narrativa que combina experiência de imigrante com terror sobrenatural. A mensagem é “não esqueça de onde você veio”, indicando que aqueles que se afastam de sua cultura nativa podem atrair ou até merecer tormentos de seus espíritos mitológicos antigos. Apesar do orçamento limitado, a obra consegue criar cenas inventivas e momentos de tensão, especialmente enquanto Pishacha é mais sugerido do que revelado. E mesmo ao cair nos clichês, não abandona sua premissa provocativa sobre a complexidade da identidade cultural e a necessidade de aceitação, que fazem de “Não Abra!” um filme que vai além do gênero de horror, tocando em questões socioculturais. THE LESSON VOD* O suspense britânico acompanha Liam Sommers (Daryl McCormack, de “Boa Sorte, Leo Grande”), um jovem escritor que vai parar na casa do renomado autor J.M. Sinclair, papel desempenhado por Richard E. Grant (“Saltburn”) e inspirado em J.D. Salinger (“O Apanhador no Campo de Centeio”). Supostamente aposentado e em luto pelo suicídio de seu filho, Sinclair é surpreendido pela chegada do jovem, contratado por sua esposa Hélène (Julie Delpy, de “Antes da Meia-Noite”) para tutorar o outro filho do casal, Bertie (Stephen McMillan, de “O Chef”), nos preparativos para o exame de admissão de Oxford. A trama se desenrola na propriedade campestre da família Sinclair, onde o jovem Liam descobre que o recluso autor está secretamente trabalhando em uma nova obra. A relação entre os dois se desenvolve sob a sombra da admiração e do mistério, com Liam tentando desvendar os segredos criativos do autor. Fascinado pelo escritor e sua obra, Liam começa a se envolver mais profundamente com os Sinclair, descobrindo verdades ocultas, enquanto Hélène começa a suspeitar da suas intenções. Primeiro longa da diretora Alice Troughton, conhecida por seu trabalho em séries de TV como “Doctor Who”, a produção é visualmente impressionante, utilizando bem as locações naturais da Alemanha, onde foi rodada. Para completar, o roteiro do estreante Alex MacKeith, embora não seja completamente original, é notável pelas suas referências literárias, musicais e cinematográficas, que se entrelaçam de maneira coesa à trama. The Lesson”, dirigido por Alice Troughton, é um thriller que narra a história de SISU – UMA HISTÓRIA DE DETERMINAÇÃO | HBO MAX Guerra, sangue e um bastardo inglório. O filme finlandês apresenta uma premissa à Tarantino que é, ao mesmo tempo, brutal e absurdamente divertida. A história se desenrola durante os últimos dias tumultuados da 2ª Guerra Mundial, colocando o ex-comando Aatami, apelidado de “o Imortal”, contra as tropas alemãs em retirada, que tiveram a infeliz ideia de roubar seu ouro, provocar seu cachorro e deixá-lo para morrer. Aatami, interpretado por Jorma Tommila (“Caçada ao Presidente”), exibe todas as características do título do filme, “Sisu”, uma palavra finlandesa que se traduz aproximadamente como coragem e determinação. A violência é gráfica e sangrenta, com Aatami transformando quase tudo em arma e a câmera sendo atingida por partes de corpo de nazistas explodidos. O elenco também apresenta Aksel Hennie (“O Paradoxo Cloverfield”) como um oficial implacável da SS nazista e Mimosa Willamo (“Deadwind”) como uma prisioneira, que se torna cada vez mais encorajada pela crescente contagem de mortes de Aatami. Por fim, o diretor responsável por desmembrar nazistas é Jalmari Helander, do cultuado terrir “Papai Noel das Cavernas” (2010). UMA FAMÍLIA EXTRAORDINÁRIA | PRIME VIDEO O drama estrelado por Kiernan Shipka (a Sabrina de “O Mundo Sombrio de Sabrina”) tem paralelos com o vencedor do Oscar “No Ritmo do Coração” (2021) ao mostrar uma complexa dinâmica familiar, em que uma jovem cuida de seus pais com deficiência mental. Entretanto, o diretor Matt Smukler revelou que a história foi inspirada por sua sobrinha e os pais dela, “e a forma como pude observá-los se entregarem ao amor mútuo”. O drama foca em Bea, interpretada por Shipka, enquanto ela enfrenta desafios da adolescência e, simultaneamente, cuida de seus pais neurodivergentes. É um enredo que dialoga com temas de amadurecimento rápido e lealdade familiar, tornando-se um ponto de reflexão sobre os múltiplos aspectos do crescimento. A pressão para Bea crescer vem de diversas frentes, incluindo um professor que a incentiva a focar em si mesma e um interesse amoroso que questiona seus motivos para cuidar de seus pais. Na trama, Bea tem de ponderar suas próprias necessidades contra as de sua família. O elenco inclui Samantha Hyde (“Atypical”) e Dash Mihok (“Ray Donovan”) como os pais, além de Charlie Plummer (“Quem É Você, Alasca?”), Alexandra Daddario (“As Bruxas Mayfair”), Jean Smart (“Hacks”), Brad Garrett (“Everybody Loves Raymond”), Jacki Weaver (“Yellostone”), Reid Scott (“Veep”) e a menina Ryan Kiera Armstrong (“Chamas da Vingança”) como a versão infantil de Bea. MEU CUNHADO É UM VAMPIRO | NETFLIX E suma nova comédia, Leandro Hassum (“Vizinhos”) interpreta Fernandinho, um pai de família que tem a vida transformada quando recebe a visita do cunhado Gregório (Rômulo Arantes Neto, de “Rio...
Estreias | Filme do Mamonas Assassinas chega aos cinemas
Dois filmes nacionais tem tratamento de blockbuster nesta quinta (28/12) após fracassos consecutivos do cinema americano no país. “Mamonas Assassinas – O Filme” e “Minha Irmã e Eu” chegam em cerca de mil salas do circuito nacional. Além deles, as estreias incluem um terror britânico e um drama francês. Confira os detalhes. MAMONAS ASSASSINAS – O FILME A cinebiografia conta a história da banda de Guarulhos que se tornou sensação nacional em meados anos 1990. Ela acompanha a vida dos Mamonas antes da fama, principalmente Dinho, as dificuldades no início da carreira e mostra como um conjunto fracassado de rock progressivo, chamado Utopia, se reinventa como uma banda comédia e se torna um fenômeno. Mamonas Assassinas acabou virando uma das bandas mais amadas do Brasil com sua alegria contagiante, mas sua trajetória foi curta, interrompida por um fim trágico – com a morte de todos os seus integrantes em um acidente aéreo na volta de um show, em 2 de março de 1996. Entretanto, quem não conhece direito a banda pode ter dificuldades em entender a trama, que é apresentada de forma episódica, sem um desenvolvimento narrativo coerente. Isso talvez se deva ao fato do projeto original ter sido concebido por Carlos Lombardi – autor de novelas como “Uga Uga” (2000) e Kubanacan (2004) – e escrito pelo repórter Carlos Amorim como uma minissérie da Record TV. O projeto acabou reconfigurado para as telas grandes com direção de Edson Spinello, que comandou as novelas “Apocalipse” (2017) e “Rei Davi” (2012), e faz sua estreia no cinema. Entretanto, a impressão é que faltam “capítulos” na história. A Record deve exibir a versão com todos os episódios ainda em 2024. O que a produção tem de positivo é a energia do elenco, composto por atores desconhecidos do grande público, mas com grande experiência em musicais, que entregam performances melhores que o próprio filme. Ruy Brissac, que interpreta o vocalista Dinho, repete o papel que viveu no teatro em “Mamonas, o Musical”, e que lhe rendeu o prêmio Bibi Ferreira de Ator Revelação. Adriano Tunes, que vive o baixista Samuel Reoli, é humorista e já trabalhou no programa “Dedé e o Comando Maluco”, do SBT, além de musicais como o da apresentadora Hebe Camargo. Robson Lima, que interpreta o tecladista Júlio Rasec, também é ator de teatro e trabalhou em “Yank – O Musical”. Rhener Freitas, que tem o papel do baixista Sérgio Reoli, trabalhou na série “Bia”, do Disney Channel. Já o guitarrista Bento quase foi vivido pelo cantor e apresentador Yudi Tamashiro, que acabou substituído por Alberto Hinomoto, sobrinho do personagem real. Alberto, que tinha 17 anos durante a produção, filmou com a mesma guitarra que pertenceu a seu tio, usada por ele nos shows da banda. As filmagens marcam sua estreia nas telas. Outro nome que estreia como atriz na produção é a famosa tiktoker Fernanda “Fefe” Schneider, intérprete de Valéria Zoppello, a namorada de Dinho, que perdeu seu companheiro quando tinha apenas 24 anos. Fernanda é um fenômeno no TikTok e acumula mais de 16 milhões de seguidores na plataforma. Para completar, os pais de Dinho são interpretados por Guta Ruiz, que já esteve no filme “Gostosas, Lindas e Sexies”, e Jarbas Homem de Mello, marido de Cláudia Raia e ator de “Roque Santeiro – O Musical”. MINHA IRMÃ E EU Ingrid Guimarães e Tatá Werneck vivem duas irmãs que se odeiam sem deixar de se amar em seu novo encontro cinematográfico. Amigas de longa data, as duas já dividiram a tela em “De Pernas pro Ar 2” (2012), “Loucas para Casar” (2015) e “TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva” (2017). Desta vez, elas vivem as irmãs Mirian (Ingrid) e Mirelly (Tatá), que nasceram em Rio Verde, Goiás, mas seguiram caminhos opostos na vida. Mirian nunca saiu de sua cidade e se acostumou à rotina pacata do interior. Já Mirelly partiu cedo para o Rio de Janeiro e toda a família acompanha pelas redes sociais seu sucesso, sempre rodeada de amigos famosos. O que os familiares não sabem é que é tudo fake. Na verdade, ela vive com as contas atrasadas e passa muito perrengue fazendo bicos e cuidando dos animais de estimação de celebridades, como a cantora IZA e o casal de atores Lázaro Ramos e Taís Araújo (que interpretam a si mesmos na produção), que ela mente que são seus amigos. Acreditando na mentira, Mirian decide que sua mãe (Arlete Salles) passará a morar com a irmã rica. A situação gera uma grande discussão e o caos culmina com o desaparecimento da mãe das duas, que a partir daí têm que deixar de lado as diferenças e se unir para procurá-la. “Minha Irmã e Eu” é o terceiro filme com “Minha” no título da diretora Susana Garcia, após “Minha Vida em Marte” e o blockbuster “Minha Mãe é uma Peça 3”. Explorando a dinâmica de opostos das irmãs, a comédia de apelo popular é uma das mais divertidas a chegar aos cinemas em 2023. O SENHOR DO CAOS O terror folk britânico acompanha Rebecca Holland, interpretada por Tuppence Middleton (“Sombras da Guerra”), uma pregadora cristã que se muda para a cidadezinha de Burrow com a filha Grace e é recebida com curiosidade pela comunidade local, cujas crenças ainda mantém tradições pagãs. Uma dessas tradições é um festival agrícola, que acaba escolhendo Grace como o “Anjo da Colheita”. Entretanto, a menina desaparece misteriosamente durante o evento, levando a protagonista a uma busca angustiante, que revela segredos sombrios sobre o local e seu líder. A atmosfera do filme é impulsionada pelas performances marcantes, especialmente a de Ralph Ineson (“A Bruxa”), que vive o líder carismático e ameaçador da comunidade. As descobertas da protagonista sobre a natureza da cidade e o misterioso festival proporcionam reviravoltas na trama, mantendo o suspense. Com roteiro de Tom Deville (de “A Maldição da Floresta”) e direção de William Brent Bell (de “A Órfã 2: A Origem”), o filme segue alguns padrões do terror pagão rural, estabelecidos no clássico “O Homem de Palha” (1973), mas também oferece surpresas e uma cinematografia marcante, que enfatiza a beleza natural do cenário campestre, capaz de se apresentar tanto de forma idílica quanto inquietante. PARE COM SUAS MENTIRAS Adaptação cinematográfica do romance autobiográfico de Philippe Besson, o drama gira em torno de Stéphane Belcourt (interpretado por Guillaume de Tonquédec, de “Qual É o Nome do Bebê”), um autor famoso que retorna, após 35 anos, à sua cidade natal na região francesa de Cognac. O motivo de seu retorno é um convite para um evento, mas suas verdadeiras intenções são reencontrar seu passado romântico, e ao chegar estabelece uma conexão com Lucas (Victor Belmondo, neto do icônico Jean-Paul Belmondo), filho de seu primeiro amor perdido. A narrativa se alterna entre o presente e flashbacks do jovem Stéphane, um estudante desajeitado do último ano do ensino médio, interpretado por Jérémy Gillet, e sua relação com Thomas Andrieu (Julien De Saint Jean), um aluno popular. A história explora a intensidade do primeiro amor e as repercussões de um romance secreto e envergonhado. Apresentado com duas narrativas paralelas – a do Stéphane adulto, celebridade local em Cognac, e a de seu eu jovem em 1984 – , o filme investiga as ramificações da fascinação do protagonista por outro jovem, às vezes beirando o sentimentalismo. A obra guarda semelhanças com “Verão de 85” de François Ozon, ambas adaptações de romances que lidam com o romance gay masculino às vésperas da crise da AIDS, e ambas apaixonadas por um amante que anda de moto. A dor de um tempo desperdiçado e de um amor perdido é um tema familiar no cinema queer, mas o filme de Olivier Peyon (“O Filho Uruguaio”) também oferece uma reflexão comovente sobre o amor adolescente.
Filme sobre a cantora Amy Winehouse ganha foto e data de estreia
O Studiocanal divulgou uma nova foto e a data de lançamento de “Back to Black”, cinebiografia de Amy Winehouse. A imagem traz a atriz Marisa Abela (da série “Industry”) transformada na cantora britânica. Considerada uma das maiores artistas da história, Amy Winehouse vendeu mais de 30 milhões de discos em todo o mundo e até hoje gera mais de 80 milhões de streams por mês. Seu álbum “Back to Black” (2006), que dá nome ao filme, a levou ao estrelato, rendendo-lhe cinco Grammys. O filme vai se focar na genialidade, criatividade e fragilidade de Amy. A trama deve abordar a vida da cantora desde os pequenos palcos de Londres na década de 1990 até o seu sucesso global, com hits como “Rehab” e “Back to Black”, incluindo seus vícios fatais em álcool e drogas, que a levaram a morrer sozinha em sua casa, aos 27 anos, no dia 23 de julho de 2011. O roteiro foi escrito por Matt Greenhalgh e a direção é de Sam Taylor-Johnson, que já trabalharam juntos em outra cinebiografia musical, “O Garoto de Liverpool” (2009), sobre a juventude de John Lennon. O lançamento no Reino Unido e na Irlanda ficou marcado para o dia 24 de abril de 2024.
Estreias: “As Marvels” ocupam metade dos cinemas do Brasil
“As Marvels” tem a maior estreia da semana, ocupando nada menos que 1,6 mil salas – o equivalente a metade do circuito cinematográfico do Brasil. Em um momento de crise criativa e de bilheteria da Marvel, a distribuição massiva sugere uma alternativa contra críticas negativas e falta do engajamento da mídia espontânea, buscando forçar um grande faturamento inaugural. Se vai dar certo, só saberemos no balanço do fim de semana, mas a iniciativa implica em diminuição das exibições de “Mussum – O Filmis”, que na semana passada teve a melhor estreia nacional do ano, e amplia as queixas contra a ausência de uma política de cota de telas em vigência no país. Por falar em cinema brasileiro, o melhor lançamento do fim de semana é uma produção nacional: o drama “Tia Virgínia”, premiadíssimo no recente Festival de Gramado e considerado um dos melhores filmes do ano – de qualquer nacionalidade. Chega em circuito limitado. Além dos títulos abaixo, filmes do Festival Varilux do Cinema Francês também ocupam a programação dos cinemas a partir desta quinta-feira (9/11). AS MARVELS O primeiro filme com um grupo de super-heroínas do MCU (Universo Cinematográfico Marvel) ecoa os problemas que têm acompanhado as últimas produções do estúdio. Seu índice de aprovação de apenas 59% no Rotten Tomatoes reflete um roteiro com abordagem formulaica, vilã genérica, falta de foco narrativo e uma ambição frustrante de conectar diferentes conteúdos. O filme tenta conciliar a trajetória de três protagonistas distintas, Carol Danvers (Brie Larson, a “Capitã Marvel”), Monica Rambeau (Teyonah Parris, introduzida em “WandaVision”) e Kamala Khan (Iman Vellani, a “Ms. Marvel”), que passam a trocar de lugar ao usarem seus poderes. A confusão é criada por uma inimiga da Capitã Marvel para dificultar que a heroína impeça seus planos de destruição. Mas isso aproxima o trio e as transforma em aliadas. Sem uma grande motivação além de vingar seu planeta por algo que aconteceu fora da tela, a vilã Dar-Benn (Zawe Ashton, de “Obsessão”) segue a tendência das produções da DC, com antagonistas que não apresentam uma ameaça convincente e uma lógica vilanesca que não se sustenta, mesmo após várias tentativas de explicação por meio de diálogos expositivos. Outro aspecto problemático é a sensação de que partes do filme parecem desconexas, como um casamento arranjado de Carol com um príncipe de um planeta musical ou a presença de gatos que disparam tentáculos – aproximando-se em alguns momentos de uma comédia pastelão. O que salva a falta de coesão é a energia e o carisma de Kamala Khan, que ajuda a trama a escapar da monotonia de suas cenas de lutas e sucessivas trocas de lugares resultante do entrelaçamento de poderes, um recurso narrativo que rapidamente se torna repetitivo. Além disso, a Marvel transformou o que diferenciava seus projetos em algo que os torna enfadonhos: o universo mais amplo deixou de ser atração para virar distração, a ponto de certas referências e aparições de personagens dependerem de o público conhecer um número suficiente de filmes e séries do estúdio. “As Marvels” foi escrito por Megan McDonnell (da equipe de “WandaVision”) e dirigido por Nia DaCosta (“A Lenda de Candyman”), e também destaca a participação de Samuel L. Jackson no papel de Nick Fury. TIA VIRGINIA O segundo longa de Fabio Meira (“As Duas Irenes”) venceu oito troféus no Festival de Gramado deste ano, incluindo o prêmio da Crítica e o de Melhor Atriz para Vera Holtz, que interpreta a personagem-título. A Tia Virgínia é uma senhora que, por não seguir os caminhos tradicionais de casamento e maternidade, assumiu o cuidado da mãe enferma. Sua rotina pacata é interrompida na véspera de Natal pela chegada de suas irmãs Vanda e Valquíria, interpretadas respectivamente por Arlete Salles e Louise Cardoso, além de familiares (Antônio Pitanga e outros), que se reúnem para festejar, mas desencadeiam uma série de conflitos e ressentimentos. Toda a história se desenrola num único dia, marcado pelos confrontos, tanto físicos quanto verbais, que destacam a disfuncionalidade da família e a maneira como essas relações moldaram a personagem principal. A casa, cheia de objetos e decorações que remetem a um passado que já não existe, simboliza o estado mental de Virgínia, que se recusa a aceitar o declínio de sua mãe e a realidade de sua situação. Para complicar, a casa e os pertences da matriarca são pontos de interesse para as irmãs, embora Virginia acredite que tenha mais direito por ter aberto mão da liberdade e de sonhos não realizados. A direção de arte premiada de Ana Mara Abreu confere à casa uma presença quase anímica, enriquecendo o cenário onde os dramas familiares se desenrolam. O roteiro premiado de Fabio Meira aborda de maneira sensível e crítica uma realidade comum na sociedade: o papel culturalmente imposto às mulheres como cuidadoras primárias no âmbito familiar, muitas vezes em detrimento de suas próprias vidas e aspirações. Virgínia reflete a figura de inúmeras mulheres que assumem a responsabilidade pelo cuidado de parentes enfermos ou idosos, um papel que frequentemente é esperado delas devido a normas de gênero enraizadas. Este aspecto do filme ressoa profundamente, evidenciando não só a dedicação e sacrifício da protagonista, mas também a complexidade e o peso emocional que acompanham essa escolha muitas vezes imposta, não escolhida. O filme também dá a Vera Holtz o melhor papel de sua carreira. Reconhecida por sua versatilidade e profundidade emocional em papéis anteriores, a atriz encarna a personagem-título com uma entrega que transita entre a força e a delicadeza, marcada por nuances que evidenciam não apenas o peso da responsabilidade que carrega como cuidadora, mas também suas camadas mais íntimas de frustração, amor e resiliência. NINA – A HEROÍNA DOS SETE MARES A animação francesa acompanha uma jovem ratinha em uma aventura mitológica ambientada na Grécia Antiga. Nina (ou Pattie no original) sonha em viver glorias comparáveis às de seu herói Jasão, que em sua juventude trouxe paz e prosperidade para a cidade ao enfrentar desafios para conquistar o Velo de Ouro. Agora, Jasão é um ancião e os deuses estão em desarmonia, com o destino da comunidade dependendo das ações de Nina, de um gato aspirante a ator e de uma gaivota desafinada e amputada. A ação desdobra-se quando a protagonista e o velho Jasão embarcam na lendária barca Argo em uma nova missão mitológica: encontrar um tridente para Poseidon, afim de apaziguar a ira do deus do mar. Ao longo do caminho, eles encontram escorpiões pacifistas, um Apollo narcisista e um grupo de ratos ninjas que executam um assalto ao som de música funk. A obra se destaca pela ousadia e pela capacidade de manter a atenção do público, apesar de misturar muitos elementos contrastantes. A produção, que encontrou seu espaço no mercado europeu, tem um nível visual superior às animações normalmente feitas na Europa, apesar do baixo orçamento – estimado de 10 milhões de euros. MISSÃO ANTENA – UMA AVENTURA INTERGALÁCTICA A animação dinamarquesa mescla elementos de ficção científica e aventura na história de um jovem garoto que, após o divórcio de seus pais, muda-se para uma nova cidade. A narrativa segue o pequeno Alan em sua busca por amizades e adaptação à nova realidade familiar, encontrando consolo em um encontro improvável com Britney, uma alienígena que pode ler mentes. O filme explora a temática do divórcio sob a perspectiva infantil, abordando como os jovens lidam com tal mudança, introduzindo valores educativos sobre a aceitação e o enfrentamento das alterações nos laços familiares. Já a aventura segue a fórmula “E.T.”, onde o pequeno Alan, juntamente com um entusiasta por OVNIs, embarca em uma missão para ajudar Britney a retornar ao seu planeta natal. A dinâmica entre os personagens principais, Alan e Britney, ressalta a importância da comunicação e do compartilhamento de emoções, uma vez que ambos lutam para expressar e entender sentimentos em um contexto onde as diferenças culturais e emocionais são pontuadas pela peculiaridade de Britney ser uma extraterrestre. Este aspecto fornece um pano de fundo para discussões sobre sinceridade e empatia. Mas a premissa não deixa de lado o suspense, com a presença de um antagonista que, também ao estilo “E.T.”, persegue Britney com intenções nefastas, injetando uma dose leve de tensão ao enredo infantil. HOW TO HAVE SEX Vencedor da mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes deste ano, o longa de estreia de Molly Manning Walker acompanha três amigas britânicas – Tara (Mia McKenna-Bruce), Skye (Lara Peake) e Em (Enva Lewis) – ao fim do Ensino Médio. Decididas a esquecer as preocupações, elas partem para Malia, na Grécia, ansiosas por uma temporada de liberdade e descobertas – particularmente Tara, que almeja vivenciar sua primeira experiência sexual. A atmosfera de Malia se alterna entre festas ensolaradas e vida noturna vibrante. A dinâmica entre as amigas é inicialmente marcada pela cumplicidade típica da juventude, mas logo as garotas começam a competir pelo mesmo rapaz, influenciando as decisões de Tara e afetando a harmonia do trio. Logo a protagonista se depara com situações que testam os limites do consentimento e exploram a dinâmica de suas amizades. A performance de McKenna-Bruce (de “Academia de Vampiros”) se destaca, pois sua personagem enfrenta experiências que desafiam suas expectativas e a obrigam a confrontar uma realidade áspera e dolorosa. É uma história familiar, mas contada com atenção aos detalhes. A experiência de Manning Walker em curtas-metragens e como diretora de fotografia é evidente – neons impressionantes capturam a energia frenética e decadente dos clubes – , enquanto retrata as áreas cinzentas das políticas sexuais e de gênero que adolescentes são forçadas a enfrentar na passagem para a vida adulta. TOLOS SÃO OS OUTROS A obra, que estreou no Festival de Karlovy Vary, emerge como a narrativa mais desafiadora do cineasta polonês Tomasz Wasilewski, enfatizando o poder da maternidade e os limites do amor incompreendido pela sociedade. A trama acompanha Marlena (interpretada por Dorota Kolak) e seu parceiro Tomasz (Lukasz Simlat), cuja existência compartilhada é abalada pelo retorno do filho enfermo terminal de Marlena, Mikolaj (Tomasz Tyndyk). O reencontro familiar desencadeia um turbilhão de emoções e reavaliações dos laços afetivos, e se desdobra em um ambiente opressivo, onde a convivência diária é pontuada por cuidados intensivos a Mikolaj e confrontos emocionais. A tensão cresce conforme a realidade do filho doente se entrelaça com o ressurgimento de um passado oculto, conferindo ao drama o tom de uma tragédia grega, marcada pelo fatalismo que se intensifica com o desenrolar dos acontecimentos. Os elementos visuais de “Insensatos” reforçam a narrativa dramática, com sequências simbólicas que representam os conflitos internos dos personagens. A relação entre os protagonistas e o filho enfermo é explorada sob uma ótica crua, sem subterfúgios sentimentais, refletindo a essência do cinema de Wasilewski, que também se diferencia por fazer uma abordagem audiovisual sem música, valorizando os sons do ambiente para embalar o drama vivido pelos personagens. A BELA AMÉRICA O diretor português António Ferreira tem uma trajetória caracterizada por obras que frequentemente exploram as profundezas da condição humana e as complexidades sociais. Sua filmografia inclui títulos como “Pedro e Inês” (2018), “Embargo” (2011) e “Respirar (Debaixo D’água)” (2000), que lhe renderam reconhecimento e diversas indicações a prêmios. Seu novo filme não foge à regra. Na trama, Lucas (interpretado por Estêvão Antunes) é um cozinheiro de origens modestas e vida difícil, que cruza com América (São José Correia), uma estrela da televisão e aspirante à presidência. Quando Lucas e sua mãe cega são despejados de sua casa, América enxerga na história do rapaz o potencial de uma narrativa emocionante para sua campanha eleitoral. Entretanto, a conexão vai além da política, evoluindo para uma paixão unilateral. Movido pelo desejo de impressionar América e talvez alcançar uma vida melhor, Lucas começa a infiltrar-se clandestinamente na casa dela para preparar pratos requintados como uma forma de expressar sua admiração e afeto. Ele não se revela, criando um ritual secreto de cozinhar para a bela América. Este ato, ao mesmo tempo romântico e obsessivo, também reflete a desconexão entre os mundos...












