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  • Filme

    Sob a Sombra encontra o terror na cultura iraniana

    20 de janeiro de 2017 /

    Há um monstro em “Sob a Sombra”, mas não um monstro como aqueles a que fomos habituado pelo cinema norte-americano. A criatura pode ou não estar escondida dentro do lar da iraniana Shideh (Narges Rashidi), mas há uma guerra correndo lá fora, e apenas Shided e sua filha pequena, Dorsa (Avin Manshadi), parecem amedrontadas pela sinistra figura. O míssil encravado no apartamento do vizinho de cima sem detonar, talvez explique o pavor que mãe e filha vivem, enquanto o marido, um médico do exército recrutado para dar assistência no front, não volta. O horror vem da aflição e do perigo eminente do desconhecido, mas também da sombra de algo bem conhecido: a guerra. No caso, o final do confronto entre Irã e Iraque em 1988, um episódio histórico que deixou milhares de mortos e a cidade de Teerã em ruínas. O diretor e roteirista estreante Babak Anvari baseou-se em sua própria experiência de infância do período para recriar o clima de agonia e tensão de “Sob a Escuridão”. Intriga a forma como ele faz o terror progredir. A ameaça não vem de fora, ela brota de dentro. É como se estivesse debaixo da pele e atingisse primeiro os ossos. A mãe procura manter a rotina dentro de casa tranquila e a violência, embora referida a todo momento, nunca ocorre em quadro. Os barulhos das explosões e as rajadas de metralhadoras parecem longe, mas funcionam como pequenos lembretes. Não adianta fingir, é preciso estar sempre alerta. É por isso que mãe e filha dormem pouco. A pequena Dorsa é a primeira a pressentir os sinais dos “djins”. Só muda o nome, essas figuras folclóricas da cultura persa, no fundo são carregadas pelo vento do mesmo modo que o bicho papão da cultura ocidental. Shideh, é claro, tenta tranquilizar a criança, mas quando vislumbra atrás dela, espelhada na tela da TV, algo que não deveria estar lá, as duas esquecem o temor da guerra e os perigos da noite, e correm em pânico pelas ruas. É um alívio quando avistam as luzes de um veículo policial à frente; a dedução é que certamente esses homens virão em auxílio. Mas, em vez disso, eles repreendem as duas, com uma pergunta: “Estamos na Europa agora?” Só então a iraniana Shihed percebe que esqueceu a burka. Cáustica ironia, além de enfrentar a guerra e os “djins”, ainda há tempo para os oficiais lembrá-las dos costumes e do decoro. O que nos leva a crer que, em filme de terror do Oriente Médio, a desvantagem das vítimas é muito maior. Disponibilizado por streaming pela Netflix, a coprodução entre Irã e Reino Unido foi uma das sensações do Festival de Sundance do ano passado e, desde então, conquistou diversos prêmios, como Melhor Filme da mostra New Visions do Festival de Sitges (o mais famoso evento de cinema fantástico do mundo), além dos BIFAs (prêmio do cinema independente do Reino Unido) de Melhor Roteiro, Atriz Coadjuvante e Diretor Estreante – sem esquecer que ainda está indicada ao BAFTA (o “Oscar britânico”) e ao Independent Spirit Awards (o “Oscar indie”) em diversas categorias.

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  • Filme

    Filme Eu, Daniel Blake inspira gritos de “Fora Temer” no Brasil

    18 de janeiro de 2017 /

    Em cartaz desde o dia 5 de janeiro, o filme “Eu, Daniel Blake”, do inglês Ken Loach, tem inspirado manifestações políticas no Brasil. A produção, que mostra a crise do sistema de previdência, a burocracia estatal e as consequências da falta de emprego para a população na Inglaterra, costuma terminar com gritos de “Fora Temer” aos finais das sessões. O costume foi inaugurado durante o Festival do Rio, em outubro, quando o filme foi exibido pela primeira vez no país, rendendo um forte “Fora Temer” em meio a aplausos entusiasmados pela obra de Loach, diretor conhecido por abordar temas sociais e políticos de esquerda. Segundo o jornal O Globo apurou, a justificativa para as manifestações brasileiras seria o projeto de reforma de presidência enviada pelo governo ao Congresso. Do outro lado do espectro político, as únicas manifestações contra o partido da ex-presidente Dilma tem sido na denúncia do próprio filme como sendo “petista”. Não houve, no entanto, manifestações que fizessem a ligação entre a denúncia do filme à situação de devastação total dos fundos de previdência estatais, pilhados pela corrupção dos últimos 14 anos – do poderoso Petros, da Petrobrás, ao Postalis, dos Correios. Nem à crise de desemprego desencadeada pela política econômica do governo Dilma. Além de evocar catarse do público e elogios da crítica, “Eu, Daniel Blake” também venceu o Festival de Cannes do ano passado. Mas sua Palma de Ouro é considerada controvertida até entre os cinéfilos mais à esquerda. Há quem lamente que “Elle” e “Toni Erdmann” tenham sido menosprezados pelo festival francês, culpando a decisão numa suposta inclinação política do juri. Fora de Cannes, ocorreu o inverso, com “Eu, Daniel Blake” passando quase em branco na temporada de premiações do final do ano, diante da consagração de “Elle” e “Toni Erdmann”. Abaixo, alguns exemplos de tuítes relatando as manifestações nas sessões de “Eu, Daniel Blake”. Ontem vi "Eu, Daniel Blake" no belas… Acabou o filme povo gritando "Fora Temer" e aplaudindo… O_o — zedmartins (@zedmartins) 13 de janeiro de 2017 hoje fui com moze assistir Eu, Daniel Blake e rolou logo um FORA TEMER mto massa na sala no fim da sessão — priscila (@prisc666) 17 de janeiro de 2017 Ontem a seção de Eu, Daniel Blake em que eu estava virou um grande manifesto Fora Temer. — Cecilia Oliveira (@Filosolinda) 8 de janeiro de 2017

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  • Filme

    Netflix disponibiliza de surpresa um dos melhores filmes de terror de 2016

    17 de janeiro de 2017 /

    A Netflix brasileira disponibilizou de surpresa e sem nenhuma divulgação o terror “Sob a Sombra” (Under the Shadow), coprodução iraniana e britânica que, ao entrar no circuito dos festivais, sensibilizou a crítica internacional e acabou considerado um dos melhores filmes de terror de 2016. Entre os diversos prêmios que a produção conquistou estão o de Melhor Filme da mostra New Visions do Festival de Sitges, o mais famoso evento de cinema fantástico do mundo, e o de Melhor Roteiro do Festival de Atenas, além dos BIFAs (prêmio do cinema independente do Reino Unido) de Melhor Roteiro, Atriz Coadjuvante e Diretor Estreante – sem esquecer ainda que está indicada ao BAFTA (o “Oscar britânico”) e ao Independent Spirit Awards (o “Oscar indie”) em diversas categorias. Escrita e dirigida por Babak Anvari, a trama acompanha mãe e filha que se vêem assombradas em sua casa, em Teerã, enquanto o marido luta na guerra do Irã contra o Iraque dos anos 1980. De forma estranha, em vez de exaltar o filme que adquiriu, a Netflix simplesmente despejou o título em sua videoteca. Felizmente, o estúdio britânico disponibilizou um trailer, que pode ser visto abaixo. E, mesmo sem legendas, consegue impressionar. Atualização: A crítica já pode ser lida aqui.

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  • Série

    Rupert Grint e Ed Westwick trocam tiros no primeiro trailer da série baseada no filme Snatch

    15 de janeiro de 2017 /

    O serviço de streaming Crackle divulgou o pôster e o primeiro trailer da série “Snatch”, baseado no filme homônimo de 2000, que no Brasil foi lançado como “Snatch: Porcos e Diamantes”. A prévia apresenta os personagens, com direito a tiroteio entre os personagens de Rupert Grint (o Ron Weasley da saga “Harry Potter”) e Ed Westwick (série “Gossip Girl”), além de indicar que a trama deve incorporar também elementos de “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998). “Jogos, Trapaças” e “Snatch” foram os dois primeiros filmes escritos e dirigidos por Guy Ritchie (“O Agente da UNCLE”), caracterizados por muita ação, humor negro e reviravoltas sem fim. Para quem não lembra, o longa de 2000 foi estrelado pelo então iniciante Jason Statham (“Velozes e Furiosos 7”), Brad Pitt (“A Grande Aposta”) e Benicio Del Toro (“Sicario”). A versão de TV traz, além de Grint e Westwick, Dougray Scott (série “Fear the Walking Dead”), Luke Pasqualino (série “The Musketeers”), Stephanie Leonidas (série “Defiance”), Lucien Laviscount (série “Scream Queens”), Phoebe Dynevor (série “Dickensian”) e Juliet Aubrey (“Fallen”). A trama da série não será a mesma do cinema, sendo descrita como inspirada no espírito do longa, do mesmo modo que “Fargo” em relação ao longa homônimo dos irmãos Coen. A história, supostamente baseada num caso real, vai girar em torno de um roubo de milhões em ouro, que aconteceu em Londres, acompanhando um grupo de jovens que encontra, por acaso, o caminhão carregado com o ouro roubado. Enquanto tentam sobreviver no submundo de Londres, eles enfrentam policiais desonestos, ciganos, gângsteres internacionais e bandidos locais. A adaptação está a cargo de Alex De Rakoff (“Menino Cálcio – Um Lutador Duro na Queda”). A série “Snatch” vai estrear em 16 de março nos EUA.

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  • Filme

    Fábula sombria de O Lagosta explora a desumanização da sociedade

    12 de janeiro de 2017 /

    Não é de estranhar que um longa tão pouco comercial como “O Lagosta”, ainda que extremamente fascinante, pule seu lançamento nos cinemas para estrear direto em vídeo e streaming. Mistura de fábula sombria e sci-fi distópica, o primeiro filme falado em inglês do grego Yorgos Lanthimos (“Alpes”) aprofunda a visão de uma sociedade desumana, bizarra e distorcida que o cineasta já tinha explorado em “Dente Canino” (2009). A trama se passa num mundo cruel, que obriga as pessoas a formar pares e pune, de forma surreal, aquelas que não conseguem. Em outras palavras, os que não se encaixam nos padrões da sociedade. Na trama, Colin Farrell (“Animais Fantásticos e Onde Habitam”) vive um homem recém-separado da esposa, que, por ter se tornado novamente solteiro, é obrigado a encontrar uma nova parceira em 45 dias. Para isso, é levado a um hotel de campo, onde outras pessoas na mesma situação precisam formar pares entre si. Mas as regras são muito rígidas. Não se pode fingir ou tentar casamentos de conveniência, embora alguns busquem essa saída. Ao falharem, os incapazes de encontrar um parceiro são punidos de forma fantástica. Como faz a feiticeira Circe, em “A Odisseia”. Logo ao chegar ao hotel, o personagem de Farrell é perguntado em qual animal gostaria de ser transformado, caso não consiga achar uma parceira. E é daí que vem o título da produção. Ele opta por virar uma lagosta, pois elas vivem até os cem anos e tem sangue azul. O tom surreal aos poucos se torna melancólico, conforme o protagonista, acompanhado por um cachorro, que na verdade é seu irmão transformado, vai conhecendo outras pessoas solitárias em sua mesma situação. Entre elas, está a personagem de Rachel Weisz (“A Luz Entre Oceanos”), com quem ele chega a imaginar uma chance de permanecer humano. Mas há também outra mulher importante na trama. A rebelde encarnada por Léa Seydoux (“007 Contra Spectre”) lidera um movimento contra o sistema, formando uma sociedade ilegal na floresta em torno do hotel, que prega a recusa completa às regras. Ou seja, o total desapego ao amor e ao romance. O filme pondera o destino do protagonista entre estes dois extremos, que tendem a produzir o mesmo resultado: a solidão. À deriva em sua situação desesperadora, Colin Farrell conquistou uma indicação ao Globo de Ouro pelo papel.

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    La La Land lidera indicações ao prêmio BAFTA, o “Oscar britânico”

    10 de janeiro de 2017 /

    Depois de conquistar premiação recorde no Globo de Ouro, o musical “La La Land: Cantando Estações” voltou a sair na frente como favorito do prêmio Bafta, da Academia Britânica de Artes do Cinema e da Televisão. O longa de Damien Chazelle teve o maior número de indicações ao chamado “Oscar britânico”: 11, entre elas de Melhor Filme, Diretor, Ator (Ryan Gosling) e Atriz (Emma Stone). A categoria de Melhor Filme também inclui “Eu, Daniel Blake”, única produção britânica da lista e que não tem aparecido em outras premiações, apesar de ter vencido o Festival de Cannes. A lista se completa com “A Chegada”, “Manchester À Beira-Mar” e “Moonlight: Sob a Luz do Luar”. Por sinal, “Eu, Daniel Blake” também disputa a categoria de Melhor Filme Britânico, com “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, “Notes on Blindness”, “Docinho Americano” (American Honey), “Negação” e “Sob a Sombra”. Os prêmios Bafta serão entregues no dia 12 de fevereiro, em cerimônia realizada na tradicional casa de espetáculos Royal Albert Hall, em Londres, com apresentação do ator Stephen Fry. Confira abaixo a lista completa dos indicados. Indicados ao BAFTA Awards 2017 MELHOR FILME “La La Land” “A Chegada” “Eu, Daniel Blake” “Manchester à Beira-Mar” “Moonlight” MELHOR FILME BRITÂNICO “Docinho da América” “Animais Fantásticos e Onde Habitam” “Negação” “Eu, Daniel Blake” “Notes on Blindness” “Sob as Sombras” MELHOR ESTREIA DE ROTEIRISTA, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO “The Girl With All the Gifts” – Mike Carey (roteirista), Camille Gatin (produtor) “The Hard Stop” – George Amponsah (roteirista, produtor, diretor), Dionne Walker (roteirista, produtor) “Notes on Blindness” – Peter Middleton (roteirista, produtor, diretor), James Spinney (produtor, diretor), Jo-Jo Ellison (produtor) “The Pass” – John Donnelly (roteirista), Ben A Williams (diretor) “Under the Shadow” – Babak Anvari (roteirista/diretor), Emily Leo, Oliver Roskill, Lucan Toh (produtores) MELHOR FILME ESTRANGEIRO “Dheepan” “Julieta” “Cinco Graças” “O Filho de Saul” “Toni Erdmann” MELHOR DOCUMENTÁRIO “A 13a Emenda” “The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years” “The Eagle Huntress” “Weiner” “Notes on Blindness” MELHOR ANIMAÇÃO “Procurando Dory” “Kubo e as Cordas Mágicas” “Zootopia” “Moana” MELHOR DIRETOR Denis Villeneuve, por “A Chegada” Ken Loach, por “Eu, Daniel Blake” Damien Chazelle, por “La La Land” Kenneth Lonergan, por “Manchester à Beira-Mar” Tom Ford, por “Animais Noturnos” MELHOR ROTEIRO ORIGINAL “Eu, Daniel Blake” “Manchester à Beira-Mar” “Moonlight” “La La Land” “A Qualquer Custo” MELHOR ROTEIRO ADAPTADO “A Chegada” “Até o Último Homem” “Estrelas Além do Tempo” “Lion” “Animais Noturnos” MELHOR ATOR Andrew Garfield, por “Até o Último Homem” Casey Affleck, por “Manchester à Beira-Mar” Jake Gyllenhaal, por “Animais Noturnos” Ryan Gosling, por “La La Land” Viggo Mortensen, por “Capitão Fantástico” MELHOR ATRIZ Amy Adams, por “A Chegada” Emily Blunt, por “A Garota no Trem” Emma Stone, por “La La Land” Meryl Streep, por “Florence – Quem é Essa Mulher?” Natalie Portman, por “Jackie” MELHOR ATOR COADJUVANTE Aaron Taylor-Johnson, por “Animais Noturnos” Dev Patel, por “Lion” Hugh Grant, por “Florence – Quem é Essa Mulher?” Jeff Bridges, por “A Qualquer Custo” Mahershala Ali, por “Moonlight” MELHOR ATRIZ COADJUVANTE Hayley Squires, por “Eu, Daniel Blake” Michelle Williams, por “Manchester à Beira-Mar” Naomie Harris, por “Moonlight” Nicole Kidman, por “Lion” Viola Davis, por “Fences” MELHOR TRILHA SONORA “A Chegada” “Jackie” “La La Land” “Lion” “Animais Noturnos” MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA “A Chegada” “La La Land” “Lion” “Animais Noturnos” “A Qualquer Custo” MELHOR EDIÇÃO “A Chegada” “La La Land” “Animais Noturnos” “Manchester à Beira-Mar” “Até o Último Homem” MELHOR DIREÇÃO DE ARTE “Doutor Estranho” “La La Land” “Animais Noturnos” “Animais Fantásticos e Onde Habitam” “Ave, César” MELHOR FIGURINO “Aliados” “Animais Fantásticos e Onde Habitam” “La La Land” “Jackie” “Florence – Quem é Essa Mulher?” MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADO “Florence – Quem é Essa Mulher?” “Até o Último Homem” “Doutor Estranho” “Animais Noturnos” “Rogue One – Uma História Star Wars” MELHOR SOM “A Chegada” “Horizonte Profundo” “Até o Último Homem” “La La Land” “Animais Fantásticos e Onde Habitam” MELHORES EFEITOS VISUAIS “A Chegada” “Doutor Estranho” “Animais Fantásticos e Onde Habitam” “Mogli – O Menino Lobo” “Rogue One – Uma História Star Wars” MELHOR CURTA BRITÂNICO DE ANIMAÇÃO “The Alan Dimension” “A Love Story” “Tough” MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO “Consumed” “Home” “Mouth of Hell” “The Party” “Standby” REVELAÇÃO DO ANO Anya Taylor-Joy Laia Costa Lucas Hedges Ruth Negga Tom Holland

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  • Filme

    Eu, Daniel Blake humaniza o desespero do trabalhador desamparado pelo estado

    5 de janeiro de 2017 /

    O cineasta britânico Ken Loach chegou aos 80 anos de idade levando mais uma Palma de Ouro em Cannes, com “Eu, Daniel Blake”. A anterior foi conquistada em 2006, com “Ventos da Liberdade”. A filmografia do diretor é extensa e brilhante, envolve títulos como “Kes” (1969), “Vida em Família” (1971), “Agenda Secreta” (1990), “Terra e Liberdade” (1995), “Meu Nome é Joe” (1998), “Pão e Rosas” (2000) e “Jimmy’s Hall” (2014), para citar só alguns de seus trabalhos. Ele tem sólida formação política e um decidido e generoso olhar voltado para a classe trabalhadora. É um dos maiores críticos, no cinema, dos desmontes das políticas públicas voltadas para o bem-estar social. Em “Eu, Daniel Blake”, Loach mostra que uma política de serviço social, aparentemente destinada a proteger os mais pobres e as decorrências a que estão sujeitos, pode ser cruel e insensível, com relação àqueles que deveria apoiar. Benefícios concedidos por lei, como auxílio em situação de doença que incapacita temporariamente ao trabalho e o seguro desemprego, esbarram numa burocracia infernal, despropositada e, consequentemente, indutora de injustiça, deixando ao desamparo justamente quem lhes cabe proteger. Perguntas distantes do problema de saúde do trabalhador e totalmente inadequadas fazem parte de formulários a serem enviados somente pela Internet e os contatos se fazem por telefone ao bel prazer de um técnico que vai ligar para o trabalhador no dia e hora em que melhor lhe aprouver. Enquanto isso, o tempo passa e nada se resolve. Ou melhor, o aluguel deixa de ser pago, a luz é cortada e os mais pobres passam fome e frio dentro de casa. Quem é uma espécie de analfabeto digital, como o personagem Daniel, com 40 anos de experiência e habilidade para consertar de tudo, menos computadores, fica perdido em meio a dificuldades para ele insolúveis, na condição de viúvo, sem filhos ou netos para ajudá-lo. Assim humilhado, ele vai perdendo a própria dignidade. Além da burocracia, Ken Loach deixa claro também o quanto o espírito britânico rígido, em relação a normas e procedimentos, se torna cruel junto aos mais fracos. A famosa pontualidade inglesa se volta contra uma jovem que, com duas crianças, se perde na cidade em que acaba de chegar, mas não é atendida, em função de alguns minutos de atraso. O trabalhador é um número, tratado como objeto, para quem o sistema não é capaz de se dignar a olhar e compreender suas necessidades. Isso num período de crise e mudanças no paradigma econômico europeu, em época de desmanche do Estado de Bem-Estar Social. A filmagem de Loach mescla esse óbvio realismo crítico, capaz de revoltar qualquer pessoa de bom senso, a uma experiência emocional, que nos conta o que vivem e sentem os personagens envolvidos nessa trama kafkiana. Pessoas reais, com pensamentos e sentimentos, sua luta diária, seus valores, qualidades e defeitos, estão lá, num cinema soberbo, que exala humanismo. “Eu, Daniel Blake” tem no comediante Dave Johns um dedicado desempenho como protagonista dramático, que mantém uma leveza interpretativa muito apropriada ao tema tratado. E à situação, que é de deixar qualquer um louco, desesperado. Mas quem teve um ataque cardíaco precisa se conter a qualquer custo. A atriz Hayley Squires, no papel de Katie, a jovem a quem Daniel ajuda a sobreviver, é muito expressiva e afetiva em sua performance. O elenco, sem estrelas, é muito bom, inclusive o menino Dylan McKiernan. O roteiro é bem construído e todos os detalhes de cotidiano que aparecem são essenciais para a empatia com os dramas da classe trabalhadora em momentos de dificuldade. Não há excessos ou gordura na trama. O final é previsível, mas verdadeiro. “Eu, Daniel Blake” é um filme que pode ajudar algumas pessoas a compreenderem a realidade de uma classe social diferente da sua, experimentando com Daniel uma dimensão do cotidiano em que o respeito pelo outro vale muito. Julgar é fácil, entender é sempre muito difícil. Em tempos de redes sociais, barbaridades são postadas diariamente como se fossem verdades, elas refletem apenas a ignorância e a desinformação de seus autores. Se eles se dignassem a ver um filme como esse, quem sabe poderiam enxergar um pouco os preconceitos que os movem. Nosso mundo está cada vez mais carente de olhares como o de Ken Loach.

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  • Filme

    Prevenge: Grávida psicótica realiza matança em trailer de comédia já considerada cult

    22 de dezembro de 2016 /

    A Western Edge Pictures divulgou fotos e o primeiro trailer de “Prevenge”, comédia britânica de humor negro – na verdade, negríssimo – que marca a estreia da atriz Alice Lowe na direção. Ela é mais conhecida pelo filme “Turistas” (2012), com o qual “Prevenge” possui semelhanças. Ambos foram escritos por ela. A atriz também estrela o filme como uma viúva grávida, que ouve a voz de seu feto comandá-la a executar uma onda de massacres sanguinários. Detalhe: ela estava realmente grávida durante as filmagens. O elenco inclui Kate Dickie (“A Bruxa”), Jo Hartley (“Voando Alto”), Kayvan Novak (“As Aventuras de Paddington”), Tom Davis (série “Plebs”) e Gemma Whelan (série “Game of Thrones”). “Prevenge” teve première mundial na mostra Semana da Crítica, do Festival de Veneza, onde encantou a imprensa internacional e foi considerado um futuro cult. Por conta dos elogios, sua média no site Rotten Tomatoes é de 90% de aprovação. A estreia comercial está marcada para 10 de fevereiro no Reino Unido e não há previsão de lançamento no Brasil.

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  • Filme

    Continuação de Trainspotting ganha fotos e vídeo de bastidores

    17 de dezembro de 2016 /

    A Sony divulgou quatro fotos e um vídeo de bastidores da continuação de “Trainspotting” (1996), que destaca o depoimento de Ewan McGregor sobre o retorno de Renton, seu personagem icônico, além de mostrar as filmagens de algumas cenas. “Ele não é quem o público espera que Renton seja. Ele escolheu a vida”, declara McGregor no vídeo, referindo-se ao famoso dilema da premissa original. O ator explica que Renton passou os últimos 20 anos em Amsterdam e só agora volta à órbita de Sick Boy (Jonny Lee Miller), Spud (Ewen Bremner) e Begbie (Robert Carlyle), pois são as pessoas que realmente o conhecem a fundo. Além deles, também retornam na continuação o diretor Danny Boyle e o roteirista John Hodge, que escreveu a adaptação do romance original de Irvine Welsh. A estreia está marcada para 27 de janeiro no Reino Unido e apenas 16 de fevereiro no Brasil, com o título infeliz de “T2 Trainspotting”. Clique nas imagens abaixo para ampliá-las

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  • Filme

    Drama de época britânico Lady Macbeth ganha trailer provocante

    12 de dezembro de 2016 /

    A Roadside Attractions divulgou três fotos e o trailer de “Lady Macbeth”, um dos filmes britânicos mais comentados do ano. Drama de época, passado na Inglaterra rural do século 19, o longa acompanha Katherine, uma jovem presa num casamento sem amor, obrigada a se relacionar com um homem com o dobro de sua idade e a agradar sua família fria e cruel. Mas, como ele vive viajando, ela logo embarca num caso romântico com um dos empregados, o que tem consequências terríveis para todos os envolvidos. O filme é uma adaptação do romance homônimo de Nikolai Leskov com direção de William Oldroyd, diretor britânico de teatro e curtas que estreia em longa-metragem. O papel principal destaca Florence Pugh (“The Falling”), que tem causado sensação entre a crítica por sua atuação contida, mas também provocante. E o elenco ainda inclui Christopher Fairbanks (“Guardiões da Galáxia”), Cosmo Jarvis (“Spooks: O Mestre Espião”), Bill Fellows (série “Broadchurch”) e Naomi Ackie (série “The Five”). Atualmente no circuito dos festivais, “Lady Macbeth” só tem estreia marcada para junho nos EUA. Não há previsão para o lançamento no Brasil.

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  • Etc,  Filme,  Série

    Peter Vaughan (1923 – 2016)

    6 de dezembro de 2016 /

    O ator britânico Peter Vaughan, que interpretou o personagem Meistre Aemon na série “Game of Thrones”, morreu na manhã desta terça-feira (6/12), aos 93 anos. A agente de Vaugahn afirmou em nota que “ele morreu pacificamente e cercado pela família”. Nascido em 1923, o ator ficou conhecido principalmente por papéis de coadjuvante, tanto no teatro quanto no cinema e na TV, a partir dos anos 1950. Ele começou a demonstrar sua capacidade de roubar cenas ao dar vida a um dos personagens mais celebrados da série de comédia “Porridge” (1974 – 1977), passada numa prisão, mesmo tendo aparecido em apenas três episódios. Fez tanto sucesso que acabou escalado para reprisar seu papel no filme derivado da produção, lançado em 1979. Mas nem sempre teve a mesma sorte. Quanto viveu seu papel de maior destaque no cinema, um agente secreto britânico em “O Serviço Secreto em Ação” (1967), viu o filme implodir com os chiliques e sumiços do astro, ninguém menos que Frank Sinatra, e precisou completar as filmagens contracenando com um dublê do ator, fotografado à distância. De grande estatura e rosto longo, ele sempre usou a seu favor sua presença intimadora, que foi bastante notada quando disparou os eventos brutais de “Sob Domínio do Medo” (1971), suspense clássico de Sam Peckinpah. Mas também demonstrou grande sensibilidade no drama “Vestígios do Dia” (1993), como o pai doente de Anthony Hopkins. Ao longo de sua extensa filmografia, também se destacam o drama “A Mulher do Tenente Francês” (1981), estrelado por Meryl Streep, duas fantasias clássicas do cineasta Terry Gilliam, “Os Bandidos do Tempo” (1981) e “Brazil: O filme” (1985), a versão cinematográfica da peça “As Bruxas de Salém (1996), a adaptação de “O Marido Ideal” (1999) e, mais recentemente, a popular comédia britânica “Morte no Funeral” (2007), entre dezenas de outras produções. Seu último trabalho foi na série “Game of Thrones”, em que viveu o mentor cego e sábio de Jon Snow, o Meistre Aemon Targaryen, da 1ª à 5ª temporada.

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    Continuação de Trainspotting finalmente ganha trailer oficial legendado

    23 de novembro de 2016 /

    A Sony brasileira divulgou o trailer legendado da continuação de “Trainspotting”, 20 dias depois da liberação do vídeo original pelo Sony britânica. O número é curioso, já que o vídeo chegou à internet 20 anos depois do lançamento do primeiro filme, fazendo, inclusive, referência ao texto utilizado no trailer original – as frases sobre escolhas e a conclusão de que, em vez de escolher a vida, é mais fácil escolher se drogar. Apesar de o protagonista dizer que não usa mais heroína, a prévia mostra que a sequência terá o mesmo clima de sexo, drogas e música eletrônica, a partir do reencontro dos personagens, com a volta de Renton (Ewan McGregor) à órbita de Sick Boy (Jonny Lee Miller), Spud (Ewen Bremner) e Begbie (Robert Carlyle), e imagens de viagens profundas, ligadas ao consumo de novas drogas do século 21. Além deles e do diretor Danny Boyle, o roteirista John Hodge, que escreveu a adaptação do romance original de Irvine Welsh, também retorna à produção. Mas desta vez ele não vai se prender tanto à trama literária específica – no caso, o livro “Porno”, escrito por Welsh, que continua a trama de “Trainspotting” – para contar o que aconteceu com os personagens após duas décadas. Infelizmente, a continuação não ficará pronta a tempo de marcar os 20 anos do filme original. Mas por pouco. A estreia está marcada para 27 de janeiro no Reino Unido. Mas infeliz mesmo foi o título encontrado para a produção: “T2 Trainspotting”, que lembra “T2”, mais conhecido no Brasil como “O Exterminador do Futuro 2” (1991). Acabaram mesmo escolheram uma droga, em vez de um título adequado.

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    Eu, Daniel Blake: Veja o trailer nacional legendado do vencedor de Cannes 2016

    10 de novembro de 2016 /

    A Imovision divulgou o trailer nacional legendado de “Eu, Daniel Blake”, filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano. A prévia apresenta a trama dramática, que acompanha um velho marceneiro (Dave Johns, em seu primeiro filme) durante sua peregrinação pela burocracia da previdência social na Inglaterra, encontrando apenas desrespeito e desumanidade. “Eu, Daniel Blake” foi a segunda Palma de Ouro da carreira do cineasta inglês Ken Loach, que também saiu premiado do Festival de Cannes com o drama histórico “Ventos da Liberdade” (2006). Em seu discurso neste ano, o cineasta de 79 anos criticou o neoliberalismo que “deixa milhões na miséria”, dizendo-se desconfortável com o fato de receber a honraria em um ambiente glamouroso como o de Cannes, em contraste com as condições de vida daqueles que inspiraram seu filme. Exibido no Festival do Rio, o filme tem sua estreia comercial marcada para 29 de dezembro no Brasil.

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