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    Entrevista: Diretor e roteirista contam como aconteceu O Roubo da Taça

    10 de setembro de 2016 /

    Recém-chegada do Festival de Gramado, onde “O Roubo da Taça” venceu quatro troféus Kikito (Melhor Ator para Paulo Tiefenthaler, Roteiro, Direção de Arte e Fotografia), a equipe do filme falou com a imprensa nesta semana em São Paulo. E, em clima de bate-papo descontraído, com Mr. Catra (que faz uma participação especial no longa) arrancando risadas dos jornalistas, os co-roteiristas Caíto Ortiz, que também é diretor do filme, e Lusa Silvestre explicaram como surgiu a ideia de filmar o roubo do orgulho de uma nação. Baseado no caso real do roubo da taça Jules Rimet, conquistada pela seleção de futebol tricampeã do mundo em 1970, que aconteceu em 1983 no Rio de Janeiro, a divertida comédia entrou em cartaz neste fim de semana nos cinemas do país. Confira abaixo um resumo com os principais depoimentos da entrevista coletiva. Sobre a concepção do roteiro Lusa Silvestre: um dia, o Caíto foi à minha casa para ver “Estômago” antes mesmo de o filme estar pronto. A partir desse encontro, começamos a falar sobre o roubo da taça Jules Rimet e o Caíto veio com uma matéria online. Existiam duas fontes de pesquisa sobre o caso: o da época, que era muito sobre o caso policial, e o de 20 anos depois, sendo matérias um pouco mais sóbrias, avaliando tudo o que aconteceu. O filme se baseia em ambas, contendo o que foi descoberto no calor daquele momento e o nosso ponto de vista de hoje. Caíto Ortiz: todas as pessoas envolvidas no crime estão mortas, houve meio que uma maldição pairando sobre o caso. Foi um processo interessante, pois ficamos durante todos esses anos escrevendo. A gente tentava por uma saída. Não dava certo e voltávamos para o início. Durante tudo isso, percebemos que era essencial a presença de uma figura feminina importante, um pilar. Lusa Silvestre: quando começamos a fazer o roteiro, estávamos muito apegados à realidade. A sequência de fatos é muito maluca. Para você ter uma ideia, todos os envolvidos foram presos, a polícia pegou o dinheiro deles e os soltaram! Somente anos depois eles realmente foram capturados e mantidos na prisão por outros policiais. Consideramos que tudo isso era demais para o roteiro. Foi assim que pensamos na Dolores, que foi a personagem que nos ajudou a levar a história para frente. Sobre o convite para interpretar Dolores Taís Araújo: entrei no projeto há três anos. Começamos a fazer as leituras. Achei o roteiro sensacional e eu faço tão pouco cinema… Ficávamos no processo de marcar para iniciar as filmagens, mas o roteiro ainda estava mudando, recebendo novos tratamentos para aprimorar. Quando recebi um novo roteiro, disse: “Hum, a personagem piorou!”. Foi também uma época que queria muito ter um filho, mas aguardava para fazer o filme. Mas aí vieram novos tratamentos e eu engravidei. Nisso, o roteiro mudou por mais uma última vez. Liguei para o Caíto Ortiz e disse que estava grávida, mas que queria muito fazer esse filme. Disse para ele esperar pelo amor de Deus. Eles me esperaram e começamos a gravar quando a minha filha estava entre três e quatro meses. Toda a caracterização da minha personagem foi inspirada na Adele Fátima. Sobre fazer comédia e o estado do gênero Caíto Ortiz: penso que essa coisa de gênero é uma discussão menor. “Ah, comédia é isso. Drama é aquilo.” Isso é uma bobagem. O que acho uma pena, e que também é algo que vejo os brasileiros fazendo nos últimos anos, é deixar de pensar um pouco mais a cinematografia ao fazer uma comédia. Dá para ser muito mais inteligente, melhor. Não é por ser uma comédia que deve ser mal feita. É um gênero muito difícil de fazer. É preciso ter timing. Lusa Silvestre: a comédia é um gênero muito nobre. Aristóteles escreveu livros sobre o teatro grego de sua época. Em um, ele tratou sobre a tragédia e, em outro, sobre a comédia. Se você ver o símbolo do teatro, é a carinha feliz e a carinha triste. A comédia é tão nobre quanto o sci-fi, o drama, o horror. Quando uma pessoa critica um filme por ser uma comédia, penso que ela precisa rever os seus conceitos, pois elas estão criticando Aristóteles.

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    Estreias: O Homem nas Trevas domina o escuro dos cinemas brasileiros

    8 de setembro de 2016 /

    O terror “O Homem nas Trevas” chega ao circuito com a ambição de repetir no Brasil seu sucesso americano. Há duas semanas na liderança das bilheterias dos EUA, o filme dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez (“A Morte do Demônio”) tem o maior lançamento da semana, com distribuição em 460 telas. E após uma leva de decepções do gênero, seu clima tenso deve agradar quem gosta de levar sustos no escuro do cinema. Com 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, gira em torno de três jovens ladrões que invadem a casa de um cego, sem saber que, em vez de roubar uma vítima indefesa, entraram no covil de um psicopata mortal. A segunda estreia mais ampla é uma produção nacional. A comédia “O Roubo da Taça” se revela uma boa surpresa, ao evitar os lugares comuns do besteirol televisivo para enveredar pela crítica social num humor bastante ácido. O filme relata o roubo verídico da Taça Jules Rimet, símbolo do tricampeonato da seleção brasileira de futebol de 1970, mas inventa boa parte da história. Venceu o prêmio do público no festival americano SXSW e quatro troféus em Gramado, incluindo os de Ator para Paulo Tiefenthaler (“O Lobo Atrás da Porta”) e Roteiro para Lusa Silvestre (“Mundo Cão”) e o diretor Caíto Ortiz (“Estação Liberdade”). Estreia em 180 salas. “Herança de Sangue” marca a volta triunfal de Mel Gibson aos filmes de ação, pelas mãos de um cineasta francês, Jean-François Richet (“Inimigo Público nº 1”), e com aprovação da crítica americana – 86% no site Rotten Tomatoes. Na trama, o personagem de Gibson faz tudo para salvar a filha, jurada de morte por traficantes. Em 138 salas. Pior filme da semana, a comédia besteirol americana “Virei um Gato”, estrelada por Kevin Spacey (série “House of Cards”), é a versão felina de diversos filmes de homens que trabalham demais, negligenciam suas famílias e viram cães. Como a crítica prefere cachorrinhos, teve apenas 10% de aprovação no Rotten Tomatoes. Despejado em 116 telas. A outra comédia americana desta quinta (8/9) teve 61% de aprovação mesmo sem cachorrinhos, embora seu título seja “Cães de Guerra”. Baseada numa história verídica, mostra Jonah Hills (“Anjos da Lei”) e Miles Teller (“Divergente”) como dois jovens inexperientes que ficaram milionários ao conseguir, de forma inacreditável, um contrato com o Pentágono para negociar armas no Oriente Médio. A direção de Todd Philips (“Se Beber, Não Case!”) busca ultrajar, mas também rende uma classificação etária elevada (escândalo: 16 anos no Brasil e censura livre na França, logo é “perseguido” politicamente como “Aquarius”!), que limita seu circuito a 60 salas. O drama religioso “Últimos Dias no Deserto” traz o escocês Ewan McGregor (“O Impossível”) como Jesus Cristo, mas, em contraste a “Ben Hur” e lançamentos evangélicos recentes, ocupa, sem fanfarra alguma, apenas 29 salas. O tamanho é inversamente proporcional à sua qualidade, ao desafiar dogmas para mostrar um Jesus humano. Dirigido pelo colombiano Rodrigo García (filho do escritor Gabriel García Márquez), a trama se passa durante os 40 dias de jejum e oração de uma peregrinação solitária pelo deserto, na qual Jesus encontra o próprio diabo. Com 72% de aprovação, ainda conta com uma cinegrafia deslumbrante, assinada pelo mexicano Emmanuel Lubezki (“O Regresso”), que venceu os três últimos Oscars de Melhor Fotografia. Passado durante a 2ª Guerra Mundial, o drama “Viva a França!” acompanha August Diehl (“Bastardos Inglórios”) como um pai desesperado, que atravessa os campos franceses, tomados por nazistas, para encontrar o filho desaparecido durante a invasão alemã da França, contando com a ajuda de um soldado britânico desgarrado, vivido por Matthew Rhys (série “The Americans”). A direção é do francês Christian Carion, responsável pelo belo “Feliz Natal”, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2006. A exibição é restrita a nove telas. Três filmes nacionais completam a programação, ainda que de forma praticamente invisível. O romance lésbico “Nós Duas Descendo a Escada” chega a somente duas telas em São Paulo e duas em Porto Alegre. Roteiro e direção são de um homem, o gaúcho Fabiano de Souza, que antes fez o ótimo “A Última Estrada da Praia” (2010). Quem conseguir ver, vai se surpreender com um filme repleto de citações cinéfilas, que merecia poder respirar melhor no circuito. Os dois títulos finais são documentários. “Jaime Lerner – Uma História de Sonhos” não deixa de ser também propaganda política, pelos personagens que desfila. Afinal, além de ser um urbanista renomado, Lerner foi governador do Paraná por duas vezes. O lançamento, curiosamente, vai ignorar o estado, chegando a uma sala no Rio e a outra em São Paulo. Já “O Touro” não teve circuito divulgado. Primeiro longa escrito e dirigido pela brasiliense Larissa Figueiredo, acompanha uma garota portuguesa que descobre que os moradores de Lençóis, na Bahia, proclamam-se descendentes de Dom Sebastião, o lendário rei de Portugal que desapareceu no século 16.

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    Aquarius ganha classificação livre para todas as idades na França

    7 de setembro de 2016 /

    O filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, foi classificado como livre para todas as idades na França. Mas a decisão da CNC (Le Centre National du Cinéma et de l’Image Animée), entidade que regula o setor, não tem a conotação politizada que andou ganhando em alguns sites. Afinal, assim como “Aquarius”, “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert, também recebeu a mesma classificação. No Brasil, os dois filmes foram exibidos com recomendação indicativa para maiores de 16 anos. O mercado de cinema francês é o mais liberal do mundo, e apenas pornografia recebe classificação para maiores de 18 anos. Filmes com closes de sexo explícito, como “Love”, “Um Estranho no Lago” e “Ninfomaníaca”, receberam indicação para maiores de 16 anos no país. Mas para balizar com um parâmetro mais expressivo, o drama francês “Azul É a Cor Mais Quente”, que tem longas cenas de sexo lésbico explícito, foi exibido para maiores de 12 anos no país. No Brasil, a classificação dos quatro longas citados foi de 18 anos e as empresas nacionais de replicação de Blu-ray se recusaram a produzir seus discos, devido ao conteúdo.

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    Leandro Hassum vai estrelar remake da comédia mexicana Não Aceitamos Devoluções

    6 de setembro de 2016 /

    A comédia mexicana “Não Aceitamos Devoluções”, maior bilheteria de língua espanhola nos cinemas dos EUA em todos os tempos, vai ganhar uma versão brasileira estrelada por Leandro Hassum (“Até que a Sorte nos Separe”). O papel será a primeira oportunidade para o ator interpretar um “galã”, desde que fez a operação para emagrecer. Será também a chance de conferir se humor tem a ver com calorias. A sinopse divulgada indica que a adaptação manterá intacta a premissa do filme original, dirigido e estrelado por Eugenio Derbez, sobre um solteirão namorador que se descobre pai e precisa se desdobrar para cuidar da filha pequena sozinho. No remake, o personagem Valentín vira Juca Valente, mas mantém a característica de seu nome, como alguém que não se considera medroso – mas “cuidadoso”. Dono de um quiosque no litoral de São Paulo, eterno namorador, faz a alegria das turistas do Brasil e do mundo, mas não quer compromisso. Um belo dia, uma ex-namorada americana larga um bebê com ele e some. Juca parte para os Estados Unidos na intenção de devolver a criança, mas o amor pela filha Emma cresce e Juca acaba por se estabelecer em Los Angeles, trabalhando como dublê e vivendo uma eterna aventura junto com Emma. Quando a menina completa seis anos, a mãe, Brenda (Maggie, no original), reaparece e pretende lutar por sua guarda. Mas o destino surpreendente vai mostrar que Juca é muito mais corajoso do que imaginava. Apesar do sucesso internacional, inclusive com exibição no Brasil, o filme mexicano foi considerado medíocre pela crítica americana, com 55% de aprovação no site Rotten Tomatoes. O consenso é que seu sucesso se devia muito à capacidade de Derbez para fazer rir e chorar, apesar do aspecto descaradamente manipulativo da parte final da história. A trama do solteirão que cuida de bebê, que cresce e vira “uma pequena dama”, por sinal, não é exatamente novidade no cinema. A versão nacional tem produção da Total Entertainment, da Fox International Productions e da Alebrije Producciones. A distribuição é da Fox Film do Brasil. Com locações nas cidades de São Paulo, Guarulhos e Guarujá, o longa começa a ser filmado em 22 de setembro, com a direção de André Moraes (“Entrando Numa Roubada”). O roteiro adaptado é assinado por Ana Maria Moretzsohn e Patrícia Moretzsohn, mãe e filha especialistas em telenovelas, que trabalharam juntas na novelinha “Malhação” em 2013. Além de Hassum, o elenco contará com a atriz cubana Laura Ramos (que já filmou no Brasil “Sangue Azul”), Jarbas Homem de Mello (“O Duelo”), Zéu Britto (“Uma Loucura de Mulher”), entre outras participações.

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    Festival de Brasília 2016 exibirá 40 filmes

    5 de setembro de 2016 /

    O 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro anunciou sua programação completa, prometendo sua maior edição dos últimos anos na capital federal. Só a competição terá 9 longas-metragens, três a mais que nas edições anteriores, além de 12 curtas. A estes filmes se somam outros 20 em mostras paralelas e sessões especiais, chegando a um total de 40 produções cinematográficas. Premiado no Festival de Cannes deste ano, o documentário “Cinema Novo”, de Eryk Rocha, foi selecionado para abrir o festival, no Cine Brasília, com exibição apenas para convidados. Já o encerramento vai acontecer com a projeção de “Baile Perfumado” (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, numa homenagem aos 20 anos da produção e a retomada do cinema pernambucano. “A gente quer dar de novo ao festival a potência que ele tinha, de trazer para Brasília o melhor do cinema brasileiro, não só na mostra oficial, mas nas mostras paralelas também”, disse o secretário de Cultura do Distrito Federal, Guilherme Reis, em comunicado, ecoando críticas feitas aqui mesmo na Pipoca Moderna. “Queremos que o festival de Brasília seja o festival dos festivais. Todo o cinema brasileiro potente tem que se reunir em Brasília. É o local de discussão política e estética do cinema. Este festival é o mais tradicional evento cultural de Brasília. É uma grande vitrine do estágio da produção tanto do ponto de vista da estética do cinema brasileiro quanto do seu papel político e da discussão política que se estabelece em Brasília”, afirmou o secretário. Todo os nove longas selecionados para a mostra competitiva são inéditos no circuito dos festivais brasileiros, mas dois já foram exibidos no exterior: a produção amazonense “Antes o Tempo Não Acabava”, de Sérgio Andrade e Fábio Baldo, que teve première no Festival de Berlim, e “A Cidade Onde Envelheço”, de Marilia Rocha, presente no Festival de Roterdã. A lista inclui ainda “Deserto”, dirigido pelo ator Guilherme Weber, “Elon Não Acredita na Morte”, de Ricardo Alves Jr., “Malícia”, de Jimi Figueiredo, “O Último Trago”, de Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti, e “Rifle”, de Davi Pretto. Os documentários “Martírio”, de Vincent Carelli, com Ernesto de Carvalho e Tita, e “Vinte anos”, de Alice de Andrade, completam a seleção. Ao todo, 132 filmes foram inscritos para participar da 49ª edição do festival, e os selecionados representam diferentes abordagens e regiões do país. Há desde estreantes, como Guilherme Weber, até veteranos do circuito dos festivais, como os irmãos Pretti e Pedro Diogenes. Uma novidade desta edição é a criação da Medalha Paulo Emílio Salles Gomes, intelectual responsável pela criação do festival, que completaria 100 anos em 2016. O objetivo da medalha é homenagear uma personalidade do cinema brasileiro a cada ano. E a primeira será dada ao crítico de cinema de origem francesa Jean-Claude Bernadet. “Bernadet é um grande teórico, professor e roteirista e, hoje, um grande ator do cinema brasileiro. Ele tudo a ver com a história do festival de cinema”, disse Guilherme Reis. O Festival de Brasília deste ano acontecerá de 20 a 27 de setembro na capital federal. A programação do festival pode ser conferida no site oficial.

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    Com toda a polêmica, Aquarius estreia apenas em 10º lugar nas bilheterias

    5 de setembro de 2016 /

    O filme que rendeu mais pauta na imprensa brasileira em 2016 não teve desempenho à altura de sua polêmica. “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, abriu apenas em 10º lugar nas bilheterias, levando 54 mil pessoas aos cinemas, entre quinta e domingo (4/9) num faturamento de R$ 880 mil em ingressos vendidos. Estrelado por Sonia Braga, o drama nacional foi exibido em 89 salas, com classificação indicativa para maiores de 16 anos. Quem conhece o mercado cinematográfico não esperava nada diferente. Afinal, o gênero dramático não costuma gerar blockbusters no Brasil e a distribuidora responsável por seu lançamento, Vitrine Filmes, é pequenina, com mais penetração no circuito limitado dos exibidores de filmes de arte. O pequeno número de salas reflete essa origem e jamais poderia dar num resultado expressivo. Mesmo assim, sobrou retórica a respeito de como a tática da politização transformaria o filme no grande blockbuster brasileiro de 2016 – algo que talvez só a provisória indicação para maiores de 18 anos, superada na véspera da estreia, poderia evitar, numa suposta conspiração do “governo ilegítimo”. “Aquarius” pode se conformar em ter conseguido uma boa média de ocupação, com 442 espectadores por sala, bastante alta para produções nacionais – foi a terceira maior ocupação por sala da semana. Mas, por outro lado, teve menos público total que outro lançamento brasileiro da semana, o besteirol “Um Namorado para Minha Mulher”, de Julia Rezende, que abriu em 4º lugar com 127 mil ingressos vendidos e renda de R$ 2 milhões. Acima de tudo isso, o campeão das bilheterias nacionais foi, pela segunda semana consecutiva, a animação “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”, visto por 713 mil pessoas e rendendo mais R$ 11 milhões nos últimos quatro dias. Já a maior estreia da semana, “Star Trek: Sem Fronteiras” ficou com a vice-liderança, levando 260 mil pessoas aos cinemas, com um faturamento de R$ 4,9 milhões.

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    16 filmes brasileiros disputarão uma indicação no Oscar 2017

    5 de setembro de 2016 /

    Dezesseis filmes brasileiros foram inscritos na comissão do Ministério da Cultura, que irá selecionar o representante do país na busca por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2017. A lista das produções inscritas foi divulgada pela Secretaria do Audiovisual e conta, entre outros, com “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, e “Chatô – O Rei do Brasil”, de Guilherme Fontes. “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert, e “Para Minha Amada Morta”, de Aly Muritiba, não foram incluídos na seleção por decisão de seus diretores, como protesto contra uma suposta “imparcialidade questionável” da comissão, no dizer de Mascaro, que colocaria o resultado em cheque. Os três diretores seguiram deixa de Kleber Mendonça Filho, que denunciou em carta aberta a inclusão do crítico Marcos Petrucelli, de visão política diferente da sua, como uma conspiração do “governo ilegítimo” contra seu filme “Aquarius”. Petrucelli criticou a photo-op de “Aquarius” no Festival de Cannes, quando Filho e seu elenco ergueram cartazes, em francês e inglês, para denunciar que “o Brasil não é mais uma democracia” por ter sofrido um “golpe de estado”. Além dos três cineastas desistentes, a própria comissão sofreu baixas, com as saídas do cineasta Guilherme Fiúza Zenha, que alegou motivos pessoais, e da atriz Ingra Lyberatto, que revelou ter sofrido pressões extremas da classe. Os dois foram substituídos pelos cineastas Bruno Barreto e Carla Camurati. Além disso, a presença de Petrucelli foi garantida pelo Secretário do Audiovisual, Alfredo Bertini. Os demais integrantes do comitê julgador são Adriana Rattes, Luiz Alberto Rodrigues, George Torquato Firmeza, Bruno Barreto, Carla Camurati, Paulo de Tarso Basto Menelau, Silvia Maria Sachs Rabello e Sylvia Regina Bahiense Naves. Em nota, o ministro da Cultura, Marcelo Calero, disse confiar “plenamente na isenção e na capacidade da comissão avaliadora”. “Será um trabalho difícil, pois a safra de filmes brasileiros está excelente”, afirmou. Apesar da polêmica, a quantidade de filmes inscritos é alta. No ano passado, foram apenas nove títulos. E vale registrar que o responsável por polemizar todo o processo, Kleber Mendonça Filho, não retirou seu filme da competição, deixando seus três colegas solidários no vácuo. Veja a lista completa de filmes: “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho “Chatô – O Rei do Brasil”, de Guilherme Fontes “Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo”, de Afonso Poyart “Nise – O Coração da Loucura”, de Roberto Berliner “Campo Grande”, de Sandra Kogut “Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil”, de Belisário Franca “Pequeno Segredo”, de David Schürmann “O Roubo da Taça” de Caíto Ortiz “A Despedida”, de Marcelo Galvão “O Outro Lado do Paraíso”, de André Ristum “Uma Loucura de Mulher”, de Marcus Ligocki Júnior “Vidas Partidas”, de Marcos Schechtman “Tudo que Aprendemos Juntos”, de Sérgio Machado “O Começo da Vida”, de Estela Renner “A Bruta Flor do Querer”, de Andradina Azevedo e Dida Andrade “Até que a Casa Caia”, de Mauro Giuntini

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    Domingos de Oliveira é o grande vencedor do Festival de Gramado 2016

    4 de setembro de 2016 /

    O drama “Barata Ribeiro, 716”, do veterano cineasta Domingos de Oliveira, foi o vencedor da 44ª edição do Festival de Gramado. E além do Kikito de Melhor Filme, o diretor também conquistou os troféus de Melhor Direção e Trilha Sonora, que ele assinou. Para completar, seu filme ainda rendeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Glauce Guima. A premiação ocorreu na noite de sábado (3/9) e, segundo informações dos grandes portais, manteve o tom político que marcou a abertura do festival, quando foi exibido “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. Além de discursos e slogans, alguns atores carregavam cartazes de protesto. Teve até faixa da época das “Diretas Já”, numa demonstração anacrônica. E quando o logotipo do Ministério da Cultura, que apoia o evento e o cinema brasileiro, foi exibido, vaias sonoras foram disparadas. Há quatro meses, quando o Ministério foi temporariamente extinto, a classe artística entrou em frenesi, com medo de um apagão cultural, graças ao destino incerto dos financiamentos públicos, e promoveu ocupações de museus e equipamentos culturais para pedir sua volta. O Ministério voltou, o novo ministro garantiu a manutenção dos programas de financiamento. E o que em maio era considerado primordial para a existência da classe, após o afago e a mão estendida passou a ser metaforicamente apedrejado e escarrado, como no poema de Augusto dos Anjos. Nada disso impediu a emocionante consagração de Domingos de Oliveira. O diretor foi ao palco receber seus prêmios amparado por Caio Blat, protagonista de “Barata Ribeiro, 716”, que interpreta um alterego do cineasta, já que a trama é baseada em memórias de sua juventude. Por sofrer de Mal de Parkinson, Oliveira tem dificuldades para caminhar e falar. Seu discurso, ao receber o troféu de Melhor Direção, foi uma contagem até 79, sua idade. “A vida não é curta. É curtíssima”, acrescentou, conforme registro do G1. Na “curta” carreira do cineasta, “Barata Ribeiro, 716” é seu 18º longa-metragem. Foi aplaudido de pé pelo público presente ao Palácio dos Festivais, lotado. O filme se passa na época de um golpe de estado verdadeiro, ao acompanhar o engenheiro e aspirante a escritor Felipe (Caio Blat) numa vida de festas alucinantes, no apartamento que ganhou do seu pai na famosa rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Lá, ele e seus amigos desfrutam de tudo que a liberdade pode oferecer durante o começo dos anos 1960. Liberdade que terminaria com o golpe militar de 1964. A segunda vitória mais aplaudida foi a de Andreia Horta, ao receber o Kikito de Melhor Atriz pelo papel-título de “Elis”, cinebiografia da cantora gaúcha Elis Regina. “Quero agradecer a todos que acreditaram que eu podia fazer esse trabalho”, discursou ela, feliz pelo reconhecimento obtido “aqui, na terra dela, no Sul”. O filme chega aos cinemas em 24 de novembro. “O Roubo da Taça” foi outro destaque da premiação. O filme de Caíto Ortiz rompeu uma tradição de Gramado, que não costuma premiar comédias, e levou quatro estatuetas: Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Roteiro e Melhor Ator para Paulo Tiefenthaler, considerado, segundo o UOL, a zebra da noite, já que as apostas eram em Caio Blat. “Ainda existe preconceito com a comédia, precisa ter timing, não é só ser uma aventura ou um filme de gags. A situação toda é patética e, dentro disso, fizemos um filme bom. Foi um presente, um reconhecimento”, declarou Tiefenthaler ao portal, refletindo sobre o tema da produção: o roubo da Taça Jules Rimet do interior da CBF. “O Silêncio do Céu” levou o prêmio especial do júri. Apesar de protagonizado por Carolina Dieckmann e Leonardo Sbaraglia, o longa de suspense é falado em espanhol, com apenas uma curta cena em português. O filme também já possuiu estreia agendada nos cinemas para breve, no dia 22 de setembro. Entre as premiações de curta-metragem, categoria vencida pelo brasiliense “Rosinha”, de Gui Campos, chamou atenção a lembrança de Elke Maravilha, recentemente falecida, que conquistou um Prêmio Especial do Júri por seu desempenho em “Super Oldboy”, filme que ainda venceu o troféu do público. Confira abaixo a lista completa com todos os prêmios. Vencedores do Festival de Gramado 2016 LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS Melhor Filme “Barata Ribeiro, 716”, de Domingos Oliveira Melhor Direção Domingos Oliveira (“Barata Ribeiro, 716”) Melhor Atriz Andréia Horta (“Elis”) Melhor Ator Paulo Tiefenthaler (“O Roubo da Taça”) Melhor Atriz Coadjuvante Glauce Guima (“Barata Ribeiro, 716”) Melhor Ator Coadjuvante Bruno Kott (“El Mate”) Melhor Roteiro Lucas Silvestre e Caíto Ortiz (“O Roubo da Taça”) Melhor Fotografia Ralph Strelow (“O Roubo da Taça”) Melhor Montagem Tiago Feliciano (“Elis”) Melhor Trilha Musical Domingos Oliveira (“Barata Ribeiro, 716”) Melhor Direção de Arte Fábio Goldfarb (“O Roubo da Taça”) Melhor Desenho de Som Daniel Turini, Fernando Henna, Armando Torres Jr. e Fernando Oliver (“O Silêncio do Céu”) Melhor Filme – Júri Popular “Elis”, de Hugo Prata Melhor Filme – Júri da Crítica “O Silêncio do Céu”, de Marco Dutra Prêmio Especial do Júri “O Silêncio do Céu”, pelo domínio da construção narrativa e da linguagem cinematográfica LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS Melhor Filme “Guaraní”, de Luis Zorraquín Melhor Direção Fernando Lavanderos (“Sin Norte”) Melhor Atriz Verónica Perrotta (“Os Golfinhos Vão para o Leste”) Melhor Ator Emilio Barreto (“Guaraní”) Melhor Roteiro Luis Zorraquín e Simón Franco (“Guaraní”) Melhor Fotografia Andrés Garcés (“Sin Norte”) Melhor Filme – Júri Popular “Esteros”, de Papu Curotto Melhor Filme – Júri da Crítica “Sin Norte”, de Fernando Lavanderos Prêmio Especial do Júri “Esteros”, pela direção delicada e inteligente da história de amor dos atores mirins. CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS Melhor Filme “Rosinha”, de Gui Campos Melhor Direção Felipe Saleme (“Aqueles Cinco Segundos”) Melhor Atriz Luciana Paes (“Aqueles Cinco Segundos”) Melhor Ator Allan Souza Lima (“O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico”) Melhor Roteiro Gui Campos (“Rosinha”) Melhor Fotografia Bruno Polidoro (“Horas”) Melhor Montagem André Francioli (“Memória da Pedra”) Melhor Trilha Musical Kito Siqueira (“Super Oldboy”) Melhor Direção de Arte Camila Vieira (“Deusa”) Melhor Desenho de Som Jeferson Mandú (“O Ex-Mágico”) Melhor Filme – Júri Popular “Super Oldboy”, de Eliane Coster Melhor Filme – Júri da Crítica “Lúcida”, de Fabio Rodrigo e Caroline Neves Prêmio Especial do Júri Elke Maravilha (“Super Oldboy”) e Maria Alice Vergueiro (“Rosinha”), pela contribuição artística de ambas Prêmio Aquisição Canal Brasil “Rosinha”, de Gui Campos

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    Programa Os Trapalhões voltará a ser produzido em 2017

    3 de setembro de 2016 /

    O clássico programa humorístico “Os Trapalhões” (1977-1993) deve voltar a ser produzido em 2017. O colunista Leo Dias, do jornal O Dia, revelou que a Globo planeja a volta do programa, após o sucesso da versão repaginada de “A Escolinha do Professor Raimundo”. Mas ao contrário daquele programa, que renovou todo o elenco clássico, os novos Trapalhões ainda serão 50% originais. Os dois remanescentes do elenco, Renato Aragão e Dedé Santana, continuarão à frente da atração como Didi e Dedé, e contracenarão com dois novos atores contratados para interpretar os papéis de Muçum e Zacarias. Nos bastidores, boatos indicam que a Globo está pensando em Mussunzinho para interpretar o personagem que já foi de seu pai. Já a direção do programa ficará por conta do diretor Ricardo Waddington. Em entrevista ao UOL, Lilian Aragão, mulher de Renato, confirmou a notícia. “Tudo quem está resolvendo é o Ricardo Waddington e nós estamos felizes com a volta de ‘Os Trapalhões’. Está tudo certo, sim, e Renato já escreve o roteiro, pensa nas esquetes e espera se reunir com os outros redatores nos próximos dias. Ele está bem empolgado”. Lilian também contou que ainda não sabe quais os dois atores serão escolhidos para integrar o quarteto. “Todos quatro são insubstituíveis, né? Mas nós achamos bem legal esse ideia de fazer no molde da “Escolinha”, com Renato e Dedé de frente e dois imitadores nos lugares de Mussum e Zacarias. Ninguém falou nada, ninguém falou em nomes, mas seja lá quem for, com certeza irá atuar bem nesse projeto”, explica. Segundo o UOL, as gravações começam em janeiro. Vale lembrar que a nostalgia por “Os Trapalhões” também passa pelo sucesso da montagem teatral de “Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical”, lançada em 2014, que também ganhará filme, marcando a volta da marca “Trapalhões” ao cinema nacional em 2017, após hiato de duas décadas.

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    Impeachment de Dilma vai render pelo menos cinco documentários

    2 de setembro de 2016 /

    São pelo menos cinco os documentários que estão sendo rodados em torno do Impeachment de Dilma Rousseff, apurou o jornal Folha de S. Paulo. As equipes se tornaram presença frequente nos corredores do Congresso e do Palácio da Alvorada, mas principalmente entre os políticos do PT, o que teria fomentado desconfiança da oposição. “Me incomoda muito acharem que vamos fazer um filme panfletário. É um trabalho de nuances, um registro histórico”, disse Petra Costa (de “Elena”) ao jornal, sobre sua intenção. Só o seu documentário teria registrado mais de 500 horas de gravações. Assim como o filme de Petra, o documentário da brasiliense Maria Augusta Ramos (“Justiça”) também teve acesso à reuniões fechadas de senadores da bancada do PT, que compõem a maioria das horas de sua filmagem. Mas haveria registros também de desabafos e críticas à atuação da própria Dilma e do partido. Para Maria Augusta, a decisão de filmar o impeachment foi motivada por “angústia pessoal”. Outro documentário está sendo tocado a três, por Anna Muylaert (“Que Horas Ela Volta?”), César Charlone (“O Banheiro do Papa”) e Lô Politi (“Jonas”), que centram sua narrativa na crise política a partir da perspectiva de Dilma. “É sobre o afastamento da primeira mulher eleita”, diz Lô, que teve acesso ao Palácio da Alvorada e à privacidade da presidente deposta. Sem a mesma intimidade com os poderosos, o goiano Adirley Queirós (“Branco Sai, Preto Fica”) optou por documentar a crise fora dos corredores do poder. Intitulado “Era Uma Vez Brasília”, seu filme é feito de entrevistas com pessoas comuns da capital e da cidade-satélite de Ceilândia, onde vive. “É político, mas o foco é como as pessoas que não são políticas veem tudo isso”, explicou à Folha. Fontes sugerem ainda que um quinto documentário estaria sendo rodado pelo especialista Silvio Tendler (“Jango” e “Os Anos JK”), um dos principais documentaristas brasileiros, que seria mais focado em toda a crise política, mas o jornal não conseguiu contato com o diretor para confirmar. É importante observar que os documentários não deverão ter isenção, o que é absolutamente normal, já que cabe aos cineastas decidirem o que devem filmar. Melhor assumirem lado do que tentar convencer o público de que oferecem visões imparciais do Impeachment. Afinal, Anna Muylaert chegou a participar de manifestações contra o Impeachment, César Charlone pediu voto para Dilma em vídeo que circulou nas últimas eleições e Lô Politi foi ainda mais longe, trabalhando junto com o marqueteiro João Santana na mitológica campanha da reeleição de Dilma. A cineasta Maria Augusta Ramos, por sua vez, assinou em março a “Carta ao Brasil, em defesa da democracia e contra a tentativa de golpe”. Já a família de Petra Costa é muito próxima de Lula, tendo, segundo o blog O Antagonista, pago uma cirurgia plástica para Luriam, filha do ex-presidente e a hospedado em Paris. Além disso, Petra é herdeira da Andrade Gutierrez, uma das empresas enredadas na Lava Jato, cujo ex-presidente delatou ter pago despesas da eleição de Dilma. Não há informações sobre a origem do financiamento dos filmes.

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    Aquarius resgata Sonia Braga e renova a apreciação do cinema nacional

    2 de setembro de 2016 /

    Talvez um dos maiores elogios a se dizer de “Aquarius” é que se trata de um filme que parece ter sido feito por um cineasta muito experiente, de cerca de pelo menos 30 anos de carreira, tal o domínio da linguagem cinematográfica que Kleber Mendonça Filho demonstra neste seu segundo longa-metragem de ficção, depois da repercussão internacional de “O Som ao Redor”. Logo de cara, percebemos que os dois trabalhos, apesar de terem muita coisa em comum, como o flerte com a atmosfera dos filmes de horror, ou as questões sociais, que novamente entram em pauta de maneira forte e pungente, o novo filme, no entanto, é uma obra que respira melhor, com um tempo mais lento, que pode incomodar a alguns espectadores mais apressados, mas que é necessário para que estudemos com atenção a personagem Clara, vivida de maneira brilhante por Sonia Braga. Ter, aliás, Sonia Braga é um grande trunfo de “Aquarius”. O cineasta, a princípio, pensava em dar o papel a uma atriz pouco conhecida, mas depois viu que estaria estragando a oportunidade de usar uma atriz profissional, que carregasse com segurança um filme centrado todo nela. Nesse sentido, o resgate de Sonia Braga foi bom tanto para o cineasta quanto para ela própria, que estava um pouco fora dos holofotes e que acabou ganhando o que talvez seja o melhor papel de sua carreira. O tema do filme é a resistência. Daí a identificação forte com o cenário político atual, sendo possível fazer alguns paralelismos com os ataques e ameaças que uma mulher segura de si recebe de todos os lados. No caso, Clara mora no único apartamento do prédio que não foi vendido. Só sai de lá morta, afirma. E tem início uma série de tentativas do inimigo de tentar derrubá-la, ela que já venceu um câncer. Uma coisa que chama a atenção desde o começo é a valorização – mais uma vez – da mixagem de som. Agora, com a utilização de várias canções. O trabalho de DJ de Kleber Mendonça Filho é também admirável, e poder ouvir tantas canções boas no cinema é um privilégio. Talvez até acusem o diretor de usar demais as canções como uma forma de talvez esconder alguma fragilidade na direção, mas como o apartamento de Clara é repleto de vinis e a música é tão importante para a personagem, nada mais natural que ela compareça de forma bastante forte na trilha sonora. Só no terceiro ato que essas canções se tornam mais raras, quando a tensão se intensifica. O ponto de vista é, mais uma vez, da classe média, de gente que tem o prazer de poder tomar um bom vinho com a família e com os amigos, mas há, assim como em “O Som ao Redor”, um sentimento de culpa em relação à exploração dos mais pobres, ainda que de maneira mais sutil. O que mais interessa para Mendonça Filho é tratar de temas humanos de peito aberto, também aproveitando para desabafar diante dos canalhas que só pensam no dinheiro acima de tudo. Como o cineasta atira para vários lados, cada cena tem o seu valor, sua importância, como as que tratam, de forma mais explícita, da sexualidade da protagonista. Aliás, o sexo se tornou um dos tabus do filme, que inicialmente ganhou classificação 18 anos (depois, convertida em 16 anos), por causa, principalmente, de uma breve cena de sexo coletivo. O sexo, no entanto, já aparece logo em uma das primeiras cenas, em rápidas e inesperadas imagens em flashback de uma tia sexagenária de Clara, no dia de seu aniversário. Haveria ainda muito a se falar do filme, sobre suas várias qualidades, como a fotografia em tons quentes que valoriza a luz de Recife, mais especificamente a Praia de Boa Viagem, mas também o apartamento de Clara, das conversas da protagonista com seus filhos, familiares e amigos, da troca de palavras tensa com seus inimigos, e por isso mesmo é uma obra que convida o espectador a renovar sua apreciação do cinema nacional.

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    Que Horas Ela Volta? lidera indicações do “Oscar brasileiro”

    1 de setembro de 2016 /

    “Aquarius” não foi selecionado para disputar o “Oscar brasileiro” em 2016. Calma. É que a Academia brasileira, que entrega o Oscarito, ou melhor, o troféu Grande Otelo, ainda prepara, no final do ano, sua premiação dos melhores do ano passado. Nesta lista, os filmes com maior presença entre as 25 categorias da competição são “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, e “Chatô, o Rei do Brasil”, de Guilherme Fontes, com 14 e 12 indicações, respectivamente. Eles vão disputar o prêmio de Melhor Filme de 2016 com “A História de Eternidade”, “Ausência”, “Califórnia”, “Casa Grande”, “Sangue Azul” e “Tudo que Aprendemos Juntos”. Ao todo, 31 produções concorrem ao troféu Grande Otelo, também chamado de Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e considerado o Oscarito brasileiro, que em sua nova edição homenageará o diretor Daniel Filho, de sucessos como “Se Eu Fosse Você” (2006) e “Chico Xavier” (2010), e que ainda concorre ao troféu de Melhor Direção por “Sorria, Você Está Sendo Filmado”. A cerimônia de premiação acontece no dia 4 de outubro no Theatro Municipal e incluirá resultados de votação popular. O público (e as distribuidoras) poderão encaminhar seus votos (e de seus funcionários e robôs) para o site da Academia Brasileira de Cinema, ajudando a eleger Melhor Filme, Melhor Documentário e Melhor Filme Estrangeiro. Confira abaixo a lista completa dos indicados, com os nomes originais das categorias: Indicados ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2016 MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO A História da Eternidade Ausência Califórnia Casa Grande Chatô – O Rei do Brasil Que Horas Ela Volta? Sangue Azul Tudo que Aprendemos Juntos MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO Betinho, A Esperança Equilibrista Campo de Jogo Cássia Eller Chico – Artista Brasileiro Últimas Conversas MELHOR LONGA-METRAGEM COMÉDIA Infância Pequeno Dicionário Amoroso 2 S.O.S. Mulheres ao Mar 2 Sorria, Você Está Sendo Filmado Super Pai MELHOR LONGA-METRAGEM ANIMAÇÃO Até Que a Sbórnia Nos Separe Ritos de Passagem MELHOR DIREÇÃO Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?) Camilo Cavalcante (A História da Eternidade) Chico Teixeira (Ausência) Daniel Filho (Sorria, Você Está Sendo Filmado) Eduardo Coutinho (Últimas Conversas) Eryk Rocha (Campo de Jogo) Felipe Barbosa (Casa Grande) MELHOR ATRIZ Alice Braga (Muitos Homens Num Só) Andréa Beltrão (Chatô – O Rei do Brasil) Dira Paes (Orfãos do Eldorado) Fernanda Montenegro (Infância) Marcélia Cartaxo (A História da Eternidade) Regina Casé (Que Horas Ela Volta?) MELHOR ATOR Daniel de Oliveira (A Estrada 47) Irandhir Santos (Ausência) João Miguel (A hora e a vez de Augusto Matraga) Lázaro Ramos (Tudo que Aprendemos Juntos) Marco Ricca (Chatô – O Rei do Brasil) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE Camila Márdila (Que Horas Ela Volta?) Fabiula Nascimento (Operações Especiais) Georgiana Goes (Casa Grande) Karine Teles (Que Horas Ela Volta?) Leandra Leal (Chatô – O Rei do Brasil) MELHOR ATOR COADJUVANTE Ângelo Antônio (A Floresta que se Move) Chico Anysio (A hora e a vez de Augusto Matraga) Claudio Jaborandy (A História da Eternidade) Lourenço Mutarelli (Que Horas Ela Volta?) Marcello Novaes (Casa Grande) MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA Adrian Tejido (Orfãos do Eldorado) Bárbara Alvarez (Que Horas Ela Volta?) José Roberto Eliezer (Chatô – O Rei do Brasil) Lula Carvalho (A hora e a vez de Augusto Matraga) Mauro Pinheiro Jr (Sangue Azul) MELHOR ROTEIRO ORIGINAL Adirley Queirós (Branco Sai, Preto Fica) Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?) Camilo Cavalcante (A História da Eternidade) Fellipe Barbosa e Karen Sztajnberg (Casa Grande) Vicente Ferraz (A Estrada 47) MELHOR ROTEIRO ADAPTADO Domingos Oliveira (Infância) Guilherme Coelho (Orfãos do Eldorado) Guilherme Fontes, João Emanuel Carneiro e Matthew Robbins (Chatô – o Rei do Brasil) Lusa Silvestre e Marcelo Rubens Paiva (Depois de Tudo) Manuela Dias e Vinicius Coimbra (A hora e a vez de Augusto Matraga) Marcos Jorge (O Duelo) MELHOR DIREÇÃO DE ARTE Ana Mara Abreu (Califórnia) Ana Paula Cardoso (Casa Grande) Gualter Pupo (Chatô – O Rei do Brasil) Julia Tiemann (A História da Eternidade) Juliana Carapeba (Sangue Azul) Marcos Pedroso e Thales Junqueira (Que Horas Ela Volta?) MELHOR FIGURINO André Simonetti e Claudia Kopke (Que Horas Ela Volta?) Beth Flipecki e Reinaldo Machado (A hora e a vez de Augusto Matraga) Elisabetta Antico (A Estrada 47) Gabriela Campos (Casa Grande) Letícia Barbieri (Califórnia) Rita Murtinho (Chatô – O Rei do Brasil) MELHOR MAQUIAGEM Anna Van Steen (Califórnia) Auri Mota (Casa Grande) Federico Carrete e Vicenzo Mastrantono (A Estrada 47) Maria Lucia Matos e Martín Macias Trujillo (Chatô – O Rei do Brasil) Tayce Vale e Vavá Torres (A hora e a vez de Augusto Matraga) MELHOR EFEITO VISUAL Bernardo Alevato e Isadora Herts (Orfãos do Eldorado) Guilherme Ramalho (Que Horas Ela Volta?) Marcelo Siqueira (Linda de Morrer) Marcus Cidreira (Chatô – O Rei do Brasil) Robson Sartori (A Estrada 47) MELHOR MONTAGEM FICÇÃO Alexandre Boechat (A hora e a vez de Augusto Matraga) Felipe Lacerda e Umberto Martins (Chatô – O Rei do Brasil) Karen Harley (Orfãos do Eldorado) Karen Harley (Que Horas Ela Volta?) Mair Tavares (A Estrada 47) MELHOR MONTAGEM DOCUMENTÁRIO Carlos Nader e André Braz (Homem Comum) Diana Vasconcellos (Chico – Artista Brasileiro) Paulo Henrique Fontenelle (Cássia Eller) Pedro Asbeg, EDT e Victor Lopes (Betinho, a esperança equilibrista) Rodrigo Pastore (Cauby – Começaria Tudo Outra Vez) MELHOR SOM Acácio Campos, Bruno Armelim, Gabriela Cunha, Júlio César, Eric Ribeiro Chritani e Caetano Cotrim (Cássia Eller) Bruno Fernandes e Rodrigo Noronha (Chico – Artista Brasileiro) Evandro Luma, Waldir Xavier e Damião Lopes (Casa Grande) Gabriela Cunha, Miriam Biderman, ABC, Ricardo Reis e Paulo Gama (Que Horas Ela Volta?) José Moreau Louzeiro e Aurélio Dias (A hora e a vez de Augusto Matraga) Mark Van Der Willigen, Marcelo Cyro, Pedro Lima e Sérgio Fouad (Chatô – O Rei do Brasil) MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL Alexandre Guerra e Felipe de Souza (Tudo Que Aprendemos Juntos) Alexandre Kassin (Ausência) Fábio Trummer e Vitor Araújo (Que Horas Ela Volta?) Patrick Laplan e Victor Camelo (Casa Grande) Zbgniew Preisner (A História da Eternidade) Zeca Baleiro (Oração do Amor Selvagem) MELHOR TRILHA SONORA Los Hermanos (Los Hermanos – Esse é Só o Começo do Fim Das Nossas Vidas) Luis Claudio Ramos (Chico – Artista Brasileiro) Luiz Avellar (A Estrada 47) Nelson Hoineff (Cauby – Começaria Tudo Outra Vez) Paulo Henrique Fontenelle (Cassia Eller) MELHOR LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) Leviatã O Sal da Terra Olmo e a Gaivota Whiplash – Em Busca da Perfeição MELHOR CURTA-METRAGEM ANIMAÇÃO Até a China, de Marão Égun, de Helder Quiroga Giz, de Cesar Cabral O Quebra-Cabeça de Tárik, de Maria Leite Virando Gente, de Analúcia Godoi MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO A Festa e os Cães, de Leonardo Mouramateus Cordiheira de Amora II, de Jamille Fortunato De Profundes, de Isabela Cribari Entremundo, de Renata Jardim e Thiago B. Mendonça Retrato de Carmem D., de Isabel Joffily Uma Família Ilustre, de Beth Formaggini Praça da Guerra, de Edimilson Gomes MELHOR CURTA-METRAGEM FICÇÃO História de uma Pena, de Leonardo Mouramateus Loie e Lucy, de Isabella Raposo e Thiago Brito Outubro Acabou, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes Quintal, de Andrés Novais Rapsódia de um Homem Negro, de Gabriel Martins

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    Aquarius chega aos cinemas com classificação indicativa para 16 anos

    1 de setembro de 2016 /

    O Ministério da Justiça liberou para menores o pênis de Kleber Mendonça Filho. O filme “Aquarius” recebeu uma nova classificação, diminuindo de 18 para 16 anos sua indicação etária. A nova classificação define os poucos segundos da aparição em cena de um pênis ereto numa sequência de orgia como “relação sexual intensa”. Antes, o relatório da pasta indicava “sexo explícito”. A classificação foi alterada depois de uma reunião entre Silvia Cruz, sócia da distribuidora Vitrine Filmes, e o secretário nacional de Justiça e Cidadania, Gustavo Marrone, na quarta-feira (31/8), em Brasília. O pedido de reconsideração foi deferido nesta quinta e deve sair no Diário Oficial na sexta, mas os cinemas já estão recebendo um documento do Ministério informando sobre a mudança, de forma a aceitar o ingresso de menores. Anteriormente, um pedido de reconsideração feito pela distribuidora Vitrine, para que a classificação caísse para 16 anos, foi indeferido em 22 de agosto. “A cartilha que o Ministério usou para justificar a classificação de 18 anos não estava errada, mas lembrei que há atenuantes, como o fato de as cenas de sexo serem curtas e não serem o tema central do filme”, explicou Cruz ao jornal O Globo. No Facebook, o diretor comemorou no tom de enfrentamento que vem mantendo desde que empunhou cartazes denunciando um “golpe de estado” no Brasil, durante o Festival de Cannes. “Justiça acaba de ser feita”, ele proclamou, como el Zorro, sem se alongar sobre o fim de um de seus argumentos para se apresentar (internacionalmente, inclusive) como vítima de perseguição política do “governo ilegítimo”. Como a Vitrine Filmes optou pela busca de entendimento, a reação de Sílvia Cruz se deu em outro tom. “Como distribuidora, estamos muito felizes com a decisão”, ela resumiu.

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