Ator é detido com drogas no Rock in Rio
O ator João Côrtes (novela “Sol Nascente”, besteirol “Ninguém Entra, Ninguém Sai”) foi detido após ser pego com haxixe e MDMA, na noite de sábado (23/9) no Rock in Rio. Segundo o jornal carioca O Dia, agentes levaram o artista para o Juizado Especial Criminal (Jecrim). No entanto, ele foi liberado no mesmo dia e ainda conseguiu assistir aos shows de The Who e Guns N’Roses. Procurada pelo jornal, a assessoria do artista informou que não vai comentar o assunto. Em seu próximo filme, “O Segredo de Davi”, ele interpretará um traficante de drogas sintéticas. Atualmente em pós-produção, o longa ainda não tem estreia definida.
As Duas Irenes explora contrastes e semelhanças em retrato sensível da puberdade
O longa de estreia de Fábio Meira, “As Duas Irenes”, constantemente subverte expectativas, indo para caminhos imprevisíveis, optando por uma abordagem cadenciada e tranquila, quando muitos diretores cairiam na armadilha trazida pelo conflito principal do filme, concedendo espaço para situações exasperadas. A trama é protagonizada por Irene (Priscila Bittencourt), de 13 anos, filha do meio de 3 irmãs, que tem uma vida comum em algum vilarejo no interior. Ela parece sempre eclipsada pela irmã mais velha, de 15 anos, principalmente diante da festa de debutante que esta terá, e movimentará toda a cidadezinha. Certo dia, ela descobre que o seu pai, Tonico (Marco Ricca), tem outra família e uma filha, também com 13 anos e de mesmo nome, Irene (Isabela Torres). A garota entra na vida desta outra Irene e passa a conhecer melhor a sua irmã homônima e, consequentemente, a si mesma. Se fosse necessário definir em poucas palavras “As Duas Irenes”, diria que é um filme que preza pela delicadeza. Partindo do ponto de vista da garota de 13 anos, acompanhamos uma história de transição, em que a incompreensão dos acontecimentos ao seu redor faz com que a personagem se sinta ainda mais solitária e furiosa. Mas tudo isso mais pra dentro do que pra fora, quase que totalmente comprimido na expressão da personagem e não em diálogos. De maneira não óbvia, Meira faz com que as personalidades das duas irmãs se complementem. Enquanto a primeira Irene se sente incompreendida e frustrada por nunca poder fazer o que quer, sentindo-se superprotegida pelos pais, a outra tem mais liberdade, uma personalidade mais expansiva e objetiva, mas ressente-se de uma figura paterna mais presente. O triângulo formado pelas duas Irenes e Tonico é a base de um conflito aparentemente já visto, mas que aqui ganha desdobramentos complexos. A insatisfação das filhas com as atitudes erradas do pai está sempre na tela, mas, ao mesmo tempo, Tonico é uma figura indiscutível de autoridade e afeto por parte das duas, e mesmo não tendo capacidade de dimensionar tudo o que está em jogo, ambas adotam cautela na maneira como abordam o assunto do pai. A atuação de Marco Ricca é uma das principais qualidades do filme, contribuindo para que Tonico seja crível como essa figura de diversas faces. Completando o mosaico, as personagens estão passando pela puberdade, época da descoberta da sexualidade, e começam a se enxergar de outra forma. Isso, claro, também interfere na maneira como processam essas novas informações. E aqui entra o bom trabalho desempenhado pelas duas jovens atrizes principais, ambas estreantes. Tendo uma grande responsabilidade, Priscila Bittencourt cria uma Irene de expressão fechada, introspectiva, que parece saber sempre mais do que fala às pessoas. Numa construção econômica, ela resiste a todos os rompantes de fúria que parecem passar pela cabeça, optando por uma condução observadora, calada, que não revela seus sentimentos, embora fique claro que a sua cabeça está a mil. Já a Irene de Isabela Torres é o contraponto na medida certa. Extrovertida e com uma sexualidade latente, ela é objetiva na forma de conseguir o que quer, mas deixa transparecer levemente uma insegurança, que vem da falta da figura do pai mais presente. Duas atuações de difícil condução, que as jovens atrizes conseguem dar conta, indicando potencial – para serem acompanhadas de perto em próximos projetos. A direção clássica de Meira é econômica nos enquadramentos, optando por uma condução mais cadenciada, com o ritmo que o interior sugere. Claramente o foco está nas atrizes e seus cotidianos são mostrados com tranquilidade, sem a necessidade de espetacularizar nada. Meira parece entender que essa história ou já foi vista antes, ou que tem um padrão previsível e, portanto, o que tem de melhor a fazer é tirar o pé do acelerador e subverter a lógica mais prevista da condução desse “tipo de conflito”, oferecendo um desenvolvimento lento, mas que nunca revela falta de segurança. Falar mais seria estragar a surpresa. A direção de arte de Fernanda Carlucci também é um destaque por ser aparentemente invisível, o que normalmente é uma característica positiva nesta função. As casas das duas Irenes, de maneira simples e econômica, representam as diferentes classes sociais das personagens. Enquanto a da primeira é grande, espaçosa, nitidamente bem planejada, a outra é mais simples, menor, mais modesta, mas ainda assim aconchegante. E essa diferença se dá discretamente através da acertada escolha dos móveis, das cores das paredes, dos figurinos. Por sempre optar pelas sutilezas e subverter as expectativas mais apressadas, “As Duas Irenes” pode não ter as características que o levem a cair nas graças do grande público, mesmo que sua história seja agradável e de fácil assimilação. Muitos fatores de diversas naturezas interferem nisso. O que é uma pena, pois este é mais um dos trabalhos que indicam que o cinema brasileiro vive grande fase e possui muitas faces.
Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola ganha outro trailer “reprovado pela crítica”
A Paris Filmes divulgou um novo trailer do besteirol “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola”, baseado no livro de mesmo nome do humorista Danilo Gentili (“Mato sem Cachorro”), que também atua como “conselheiro” no filme. Mesmo com seus palavrões e cenas de escatologia básicos, o material se diferencia pela honestidade, prevendo que será reprovado pela crítica. Claro que a aposta do marketing é que isso pouco importa para o sucesso da produção, pois em sua lógica interna ser reprovado pela crítica é ser legal. Enfim, pelo menos não há a hipocrisia de tentar vender o besteirol como algo melhor do que é. O longa tem direção de Fabrício Bittar, do MTV Sports, e além de Gentili também traz no elenco Bruno Munhoz (“descoberto pelas redes sociais”, segundo o release), Daniel Pimentel, Raul Gazola, Joana Fomm, o músico Rogério Skylab, o cantor Moacyr Franco e o mexicano Carlos Villagrán (o Quico do seriado “Chaves”). “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola” estreia em 12 de outubro.
Besteirol com Murilo Benício e Camila Margado é maior estreia da semana
Na entressafra de blockbusters, uma comédia nacional é o maior lançamento desta quinta (21/9) nos cinemas brasileiros, que também recebem filmes que não tiveram bom desempenho nas bilheterias norte-americanas, dois lançamentos franceses e outro longa brasileiro, que, como é drama e premiado, foi relegado ao circuito limitado. “Divórcio” leva a mais de 500 salas o novo besteirol escrito por Paulo Cursino (“Até que a Sorte nos Separe”, “De Pernas pro Ar”) e dirigido por Pedro Amorim (“Superpai”). No longa, Murilo Benício (minissérie “Nada Será Como Antes”) e Camila Morgado (também de “Até que a Sorte nos Separe”) surgem casados, mas em pé de guerra no interior de São Paulo. O que começa como romance logo vira caricatura, com um tentando explodir o outro. Também não faltam explosões em “O Assassino: O Primeiro Alvo”, começo de uma franquia de ação estrelada por Dylan O’Brien (“Maze Runner”). O personagem do longa, Mitch Rapp, protagonizou 14 best-sellers do escritor Vince Flynn, que faleceu em 2013. Mas os planos da Paramount podem ter sofrido mudanças, após a estreia nos Estados Unidos no fim de semana passado não render o esperado. As críticas também foram muito negativas: 35% na média do Rotten Tomatoes. Na linha do ame-o ou deixe-o, “Mãe!” desembarca no Brasil após ser rejeitado pelo público americano. A história mística do diretor Darren Aronofksy (“Noé”) não é um terror, como anunciado, embora tenha momentos que evocam o clima do gênero. Histérico e metafórico, recebeu nota “F” no CinemaScore, que pesquisa a opinião dos espectadores ao final das sessões nos Estados Unidos. Raros são os filmes que recebem a nota mais baixa do público, que costuma gostar de tudo. Desta vez, foi a crítica que gostou mais (68%), mas isso não impediu a estreia de registrar recorde negativo, como a pior da carreira da atriz Jennifer Lawrence (“Passageiros”). “O Sequestro” é um thriller de ação barato, espólio do falido estúdio Relativity, que mostra Halle Berry (“Chamada de Emergência”) em perseguição alucinada aos raptores de seu filho pequeno. A direção é do espanhol Luis Prieto (da série “Z Nation”). “Esta É Sua Morte – O Show” surpreende mais por não ser “O Filme”. A premissa extrapola o clássico “Rede de Intrigas” (1976) via série “Black Mirror”, mostrando um reality show em que pessoas cometem suicídios, com narração de um apresentador bonitão – no caso, Josh Duhamel (“Transformers: O Último Cavaleiro”). A direção é do ator Giancarlo Esposito (série “Better Call Saul”), que também está no elenco. Principal lançamento do circuito limitado, o brasileiro “Pendular”, de Julia Murat, foi eleito pela Federação Internacional dos Críticos de Cinema (Fripresci) o melhor filme da mostra Panorama do Festival de Berlim deste ano. O longa, também incluso no Festival de Brasília, aborda o relacionamento entre uma dançarina e um escultor boêmio à beira da meia-idade, que dividem o mesmo ambiente de trabalho. Por falar em escultor, “Rodin” é a cinebiografia de um dos maiores, Auguste Rodin (1840-1917). Mas o longa do veterano Jacques Doillon (“O Jovem Assassino”), estrelado por Vincent Lindon (“O Valor de um Homem”) foi considerado o mais fraco do último Festival de Cannes e tem desmoralizantes 13% de aprovação no Rotten Tomatoes. O segundo filme francês da programação é bem mais empolgante. “A Garota do Armário” conta a história de uma adolescente de 14 anos que pega um estágio na firma de seguros de sua mãe e se vê jogada num armário que precisa de organização, mas acaba descobrindo segredos da companhia, que envolvem sua própria mãe. A direção é de Marc Fitoussi (“Copacabana”). Clique nos títulos destacados dos filmes para assistir aos trailers de todas as estreias da semana
Remake de Dona Flor e Seus Dois Maridos com Juliana Paz ganha primeiro trailer
O remake de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” ganhou pôster e seu primeiro trailer. A nova versão traz Juliana Paes (“A Casa da Mãe Joana”) no papel eternizado por Sonia Braga. E a prévia já demonstra como cada produção é resultado de sua época, detalhe que nem a trilha retrô do vídeo é capaz de disfarçar. O longa de 1976, um dos maiores sucessos do cinema brasileiro, veio em meio ao boom da pornochanchada e fazia da nudez de seus protagonistas seu principal chamariz. Já o remake chega numa época de muitos besteiróis pudicos e parece centrar a trama em piadas sobre falta de potência sexual, apoiadas no humorista Leandro Hassum (“Até que a Sorte nos Separe”), que parece ter mais falas e destaque que Mauro Mendonça no original. O elenco ainda traz Marcelo Faria (“O Carteiro”) como Vadinho, o marido fogoso, papel vivido com grande desinibição por José Wilker. Desde elenco, Marcelo Faria é o único já habituado ao papel, que interpretou há anos no teatro. Por sinal, a nova versão tem direção de Pedro Vasconcelos, diretor de novelas da Rede Globo e responsável também pela versão teatral. No cinema, ele só assinou um filme, justamente um besteirol: “O Concurso” (2013). Ou seja, não é um Bruno Barreto. Já Juliana Paes assume pela segunda vez um papel que foi eternizado por Sonia Braga. Em 2012, ela protagonizou o remake da novela “Gabriela”. Tanto Dona Flor quanto Gabriela são personagens criadas pelo escritor Jorge Amado. O romance de Dona Flor foi publicado em 1966 e se passa na década de 1940, acompanhando uma professora de culinária de Salvador dividida entre dois amores, seu primeiro marido boêmio, já morto, e o atual, bastante conservador. A situação ganha ares de realismo fantástico quando o espírito do falecido passa a visitar sua cama, sem que mais ninguém consiga vê-lo. A versão filmada por Bruno Barreto levou 10,735 milhões de pessoas aos cinemas brasileiros e, durante 34 anos, manteve-se como o filme nacional mais visto de todos os tempos. Atualmente, ele ocupa o terceiro lugar no ranking das produções brasileiras com maior público, atrás de “Os Dez Mandamentos” (11,215 milhões) e “Tropa de Elite 2” (11,146 milhões). “Dona Flor e seus Dois Maridos” também já foi minissérie na televisão, em 1998, com Giulia Gam, Edson Celulari e Marco Nanini nos papeis principais. O novo longa-metragem estreia em 2 de novembro, em circuito limitado ao Nordeste.
It: A Coisa e Polícia Federal não dão chances a Tom Cruise nas bilheterias brasileiras
“It: A Coisa” manteve seu reinado de terror nas bilheterias brasileiras pela segunda semana consecutiva. A adaptação de Stephen King dirigida pelo argentino Andy Muschietti já foi assistida por 2,3 milhões de espectadores desde o lançamento em 7 de setembro, acumulando um total de R$ 33,9 milhões. O fenômeno é mundial e vem quebrando recordes a cada semana. Por isso, o que impressiona é a resistência nacional de “Polícia Federal – A Lei é para Todos”, que também repetiu seu 2º lugar, após a estreia na semana passada. O filme da Operação Lava-Jato já foi visto por 840 mil espectadores e arrecadou R$ 13,5 milhões. É o drama brasileiro mais bem-sucedido do ano. Mesmo assim, teve queda de 51% em seu público. No fim de semana, levou 215 mil pessoas aos cinemas e arrecadou R$ 3,7 milhões, segundo dados da ComScore. A queda também reflete a distribuição. O filme que estreou em 734 salas, agora é exibido em 661 salas. Com isso, a estreia de “Feito na América”, o novo thriller de ação estrelado por Tom Cruise, emplacou apenas o 3º lugar, levando 197 mil espectadores aos cinemas, para render R$ 3,4 milhões. O longa só chega daqui a duas semanas nos Estados Unidos.
Polícia Federal – A Lei É Para Todos mira a corrupção, mas reflete radicalização
Mais que a corrupção desregrada, o que o filme “Polícia Federal – A Lei É Para Todos” configura é a radicalização que tomou conta do país desde as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff. Uma separação entre grupos opostos tão irracional quanto torcidas de futebol. E ela se manifesta no filme por meio de discussões e principalmente na cena que registra Lula no Aeroporto de Congonhas, depois de ter sido levado coercitivamente para depor. O filme mostra dois times muito bem delineados: os que achavam aquilo um absurdo e estavam ali para protestar a favor do ex-Presidente, vestidos de vermelho e com o apoio da CUT, e aqueles que tinham escrito “Somos todos Moro” em suas bandeiras e se vestiam de verde e amarelo, comemorando aquele momento, pois, embora não representasse a prisão de Lula, significava um passo importante para isso, após panelarem até derrubar uma Presidente eleita. Logo, foi um dia de festa para muitos brasileiros. “Polícia Federal – A Lei É Para Todos” é desses filmes que merecem ser vistos nem que seja por curiosidade mórbida, seja por quem acompanha o cinema brasileiro e quer pensar o filme dentro do cenário do gênero policial contemporâneo, seja por quem está interessado em ver como foi o recorte e de que maneira o diretor Marcelo Antunez (“Até que a Sorte nos Separe 3″) e seus roteiristas (Gustavo Lipsztein e Thomas Stavros, ambos da série de “1 Contra Todos”) resolveram contar a história da Operação Lava-Jato desde sua origem até o ano passado. E por mais que a primeira metade do filme funcione bem como thriller policial, apesar de diálogos bem ruins, o aspecto político é muito frágil, no sentido de vilanizar pessoas que ainda estão sob investigação. Como é o caso do ex-Presidente Lula, retratado como uma figura enjoada e afetada por Ary Fontoura (da novela “Êta Mundo Bom!”). Se os próprios representantes da direita brasileira dão o braço a torcer diante do carisma de Lula, o que é mostrado passa bem longe de sua figura pública. Na sessão em que assisti, que terminou com uma salva de palmas do público presente, muitos se divertiram com o modo como Lula foi representado, alguns até dizendo “olha a cara de pau dele” etc., como se estivessem vendo o próprio ex-Presidente – ou uma cena de novela. A imagem do verdadeiro Lula nos créditos finais, dizendo que “a jararaca está viva”, em entrevista coletiva após o tal depoimento, ajuda a esquecer um pouco a interpretação infeliz de Fontoura, ao mesmo tempo em que retoma a linha de radicalização exibida no filme. Há outras situações forçadas do roteiro, em particular as vividas por Bruce Gomlevsky (novela “Novo Mundo”), intérprete de um dos quatro principais agentes (fictícios) da Lava-Jato. Seu quadro branco contendo as palestras do Lula por diversos países e o dinheiro supostamente desviado mais parece o famoso powerpoint do procurador Deltan Dallagnol. Quanto ao juiz Sérgio Moro, vivido por Marcelo Serrado (“Crô – O Filme”), o filme o deixa um pouco mais distanciado do caso, como que para torná-lo o mais isento e apartidário possível. Até mesmo cenas do juiz preparando pizza e conversando com o filho em sua casa o filme mostra. Mas os verdadeiros heróis são mesmo os quatro cavaleiros da operação, vividos ficcionalmente por Antonio Calloni (minissérie “Dois Irmãos”), Flávia Alessandra (também da novela “Êta Mundo Bom!”), João Baldasserini (novela “Pega Pega”) e o já citado Gomlevsky, que é o sujeito que canta “Inútil”, do Ultraje a Rigor, em um karokê. Mesmo quando um dos atores das novelas da Globo se questiona sobre quem estaria sendo beneficiando por tantas prisões e acusações naquele momento de tensão política intensa, logo aparece alguém para tranquilizá-lo, dizendo que eles estão sim tornando o Brasil melhor. Neste momento, o filme quase consegue realizar uma autorreflexão lúcida diante do que é mostrado. Falar de um cenário político sem o distanciamento temporal adequado é sempre arriscado. Mas, como vivemos um momento em que a urgência e o pré-julgamento parecem imperar, a busca pela verdade aparecerá sempre borrada. No meio deste caldo fervente, há ainda outros projetos por vir, como a série da Lava-Jato criada por José Padilha (“Tropa de Elite”) para a Netflix e os quatro documentários sobre o impeachment de Dilma Rousseff, sendo que dois optaram por retratar a situação mais próximo do ponto de vista da ex-presidente. Até lá, ficamos na torcida pelo Brasil.
Como Nossos Pais é um filme cheio de amor e ousadia
Embora Laís Bodanzky tenha vários trabalhos em seu currículo, longas-metragens de ficção são apenas quatro. E “Como Nossos Pais”, grande vencedor do Festival de Gramado deste ano, talvez seja o seu trabalho mais bem acabado e também mais ousado, ao dar conta de temas tão em voga como a questão da busca de libertação da mulher da herança patriarcal, que, apesar da independência financeira trazida por sua chegada ao mercado de trabalho, não evitou o acúmulo de afazeres – uma jornada dupla, fora e dentro de casa. Assim, o sonho de fazer uma peça de teatro, por exemplo, acaba ficando em segundo plano por causa de tanta coisa para resolver. Eis um dos motivos de os homens terem alcançado mais espaço nas artes. A personagem Rosa, vivida por Maria Ribeiro (“Tropa de Elite”), é uma personificação dessa mulher brasileira de classe média alta. Mãe de duas crianças pequenas, sendo que uma delas já quer ter um pouco mais de independência, mesmo sendo tão nova, e suspeitando que o marido Dado (Paulo Vilhena, de “O Amor no Divã”) a está traindo com outra, Rosa vive uma crise ainda mais intensa quando uma revelação lhe chega como uma bomba: a mãe (Clarisse Abujamra, de “Getúlio”), durante almoço em família, resolve lhe contar que ela é fruto de uma aventura amorosa, que não é filha de seu pai (vivido com muita simpatia pelo cantor Jorge Mautner). Embora bastante importante, a cena da revelação é uma das mais frágeis do filme. Parece dita de maneira tão fria que chega a destoar da dramaturgia adotada ao longo do filme na maior parte de sua metragem. O contraste é relevado na medida em que a narrativa e os personagens, todos interessantes e cativantes, envolvem o público no ponto de vista de Rosa. É por meio dela que conhecemos os demais personagens e nos afeiçoamos a eles. E também suspeitamos de Dado e encaramos com interesse uma aventura que ela se permite ter com um amigo com quem nutre atração física. Mas o mais importante talvez seja, mais uma vez, a relação com a mãe, que está com uma doença terminal e passa a se despedir da vida com a paz e a confiança de ter feito tudo o que gostaria de ter feito. Nota-se, portanto, que “Como Nossos Pais” tenta abraçar muitas coisas ao mesmo tempo. Os problemas de Rosa deverão fazer parte de seu amadurecimento para torná-la mais forte. Se, por um lado, o encadeamento de problemas (e de aventuras e de situações amargas e divertidas) torna o filme muitíssimo agradável de ver, a sua montagem dinâmica mostra-o como uma obra mais horizontal do que vertical, no sentido de que há pouca coisa a se buscar quando aprofundadas as cenas. Há espaço para muito debate, a partir dos diversos temas expostos e muito bem-vindos, mas o fato de os personagens já problematizarem suas situações em seus próprios diálogos acaba por diminuir o aprofundamento. Ainda assim, o resultado é agradável graças ao roteiro feito por Laís e seu marido Luiz Bolognesi, que também foi responsável pelo roteiro do ótimo “Bingo – O Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende. E tão cheio de amor que é difícil não gostar, difícil não nutrir simpatia e até empatia pela personagem de Maria Ribeiro. Que, aliás, parece estar interpretando a si mesma, de tão natural que ficou seu papel. Como ela é o centro do filme, isso é um ponto bem positivo.
Festival de Brasília inicia 50ª edição marcando a identidade nacional
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro inicia sua edição de número 50 nesta sexta (15/9) com a exibição de “Não Devore Meu Coração!”, primeiro filme solo de Felipe Bragança (codiretor de “A Alegria”), sobre o romance de adolescentes na fronteira com o Paraguai e disputas entre motociclistas e descendentes de índios guaranis, que evocam ressentimentos antigos da Guerra do Paraguai. Antes de chegar em Brasília, o filme de Bragança foi exibido no Festival de Berlim, assim como outros dois longas da mostra competitiva: “Pendular”, de Julia Murat, e “Vazante”, de Daniela Thomas. “Não Devore Meu Coração” também foi exibido nos festivais de Sundance (EUA), Toulousse (França) e abriu a mostra de Cartagena de Índias (Colômbia), além de estar na programação do Festival Biarritz América Latina, que acontece na França em outubro. O filme discute identidade nacional e ecoa algo que chama atenção na seleção de Brasília. A mostra competitiva reuniu nove filmes de nove estados diferentes, cada um com seu próprio sotaque e dilemas, cobrindo paisagens tão distintas quanto os rincões do Rio Grande do Sul (“Música para Quando as Luzes se Apagam”, de Ismael Caneppele) e os conflitos urbanos de Recife (“Por Trás da Linha de Escudos”, de Marcelo Pedroso). Entre os cenários, também aparecem cidades históricas de Minas Gerais (“Arábia”, de Affonso Uchoa e João Dumons), o centro de São Paulo (“Pendular”, de Julia Murat) e o Recôncavo Baiano (“Café com Canela”, de Ary Rosa e Glenda Nicácio). Há também viagens ao passado, às fazendas coloniais mineiras do século 19 (“Vazante”, de Daniela Thomas) e à Curitiba durante a ditadura militar (“Construindo Pontes”, de Heloisa Passos). Este ano, os filmes selecionados receberão cachê de participação, o que aumentou a procura pelo festival. Ao todo, foram inscritos 778 produções nas mostras competitivas, sendo 170 longas, de onde os organizadores selecionaram a nata. Cada longa em competição receberá R$ 15 mil só para participar do evento. Mas há outras mostras, que elevam a soma dos cachês a R$ 340 mil, apenas para exibir os filmes. Além do cachê, serão distribuídos os tradicionais troféus Calango e o Prêmio Petrobras de Cinema, votado pelo público. O vencedor deste troféu ainda receberá R$ 200 mil, que devem ser investidos na distribuição comercial do filme. Desde a primeira edição, em 1965 – quando era chamado de Semana do Cinema Brasileiro –, o Festival de Brasília só não foi realizado entre 1972 e 1974, no auge da censura do regime militar. O histórico dessas 50 edições também será lembrado em duas mostras paralelas, ao longo dos próximos dias. O festival também prepara uma homenagem para Nelson Pereira dos Santos, diretor de clássicos como “Rio 40 Graus” (1955), “Vidas Secas” (1963), “Como Era Gostoso o Meu Francês” (1971), “O Amuleto de Ogum” (1974), “Memórias do Cárcere” (1984) e o recente “A Música Segundo Tom Jobim” (2012), atualmente com 88 anos de idade. A 50ª edição do Festival de Brasília acontece até 24 de setembro, e terá como encerramento o filme “Abaixo a Gravidade”, de Edgard Navarro. Confira abaixo a lista dos filmes selecionados para as mostras competitivas. Competição de Longa-metragem “Arábia”, de Affonso Uchoa e João Dumans, MG “Café com Canela”, de Ary Rosa e Glenda Nicácio, BA “Construindo Pontes”, de Heloisa Passos, PR “Era uma vez Brasília”, de Adirley Queirós, DF “Música para Quando as Luzes se Apagam”, de Ismael Cannepele, RS “O Nó do diabo”, de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé, Jhesus Tribuzi , PB “Pendular”, de Julia Murat, RJ “Por Trás da Linha de Escudos”, de Marcelo Pedroso, PE “Vazante”, de Daniela Thomas, SP Competição de Curta-metragem “A Passagem do Cometa”, de Juliana Rojas, SP “As Melhores Noites de Veroni”, de Ulisses Arthur, AL “Baunilha”, Leo Tabosa, PE “Carneiro de Ouro”, Dácia Ibiapina, DF “Chico”, Irmãos Carvalho, RJ “Inocentes”, Douglas Soares, RJ “Mamata”, Marcus Curvelo , BA “Nada”, Gabriel Martins , MG “O Peixe”, Jonathas de Andrade, PE ‘Peripatético”, Jessica Queiroz, SP “Tentei”, Laís Melo, PR “Torre”, Nadia Mangolini, SP
Bingo – O Rei das Manhãs é o candidato brasileiro a uma vaga no Oscar 2018
“Bingo – O Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende, foi escolhido para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira. O anúncio aconteceu na manhã desta sexta-feira (15/9) na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. O filme foi escolhido entre 23 inscritos, incluindo documentários e ficções. A lista incluía filmes premiados em festivais, como “Gabriel e a Montanha”, dirigido por Felipe Barbosa, que venceu o prêmio Revelação na Semana da Crítica em Cannes e o prêmio da Fundação Gan, “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, que venceu o prêmio do público no Festival de Cinema Brasileiro de Paris e seis troféus, inclusive o de Melhor Filme, no Festival de Gramado, e “Era o Hotel Cambridge”, de Eliane Caffé, vencedor dos prêmios do público no Festival de San Sebastián (Espanha), na Mostra de São Paulo e no Festival do Rio. O longa de Rezende, por outro lado, não participou de nenhum festival. Mas o diretor, apesar de estreante na função, já é conhecido da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, por ter sido indicado ao Oscar de Melhor Edição por “Cidade de Deus” (2002). Além disso, a Ancine também o selecionou para representar o Brasil no Goya (o Oscar espanhol), na disputa de Melhor Filme Íbero-Americano. Neste ano, a seleção foi feita sob a coordenação da Academia Brasileira de Cinema, que fez um acordo de cooperação técnica com o Ministério da Cultura, único órgão que oficialmente pode inscrever o candidato brasileiro. A ABC já fazia parte da comissão do Oscar, por meio da indicação de dois de seus sete integrantes, além de ser responsável pela cerimônia anual de premiação dos melhores do cinema nacional, conhecida como Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. A opção pela entidade se deu após a polêmica do ano passado, quando a escolha de “Pequeno Segredo”, de David Schurmann, foi acompanhada por grande polêmica, uma vez que “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, tinha maior alcance internacional, mas seu diretor fez manifestações contra o governo. “Pequeno Segredo” acabou não sendo indicado ao Oscar. Por outro lado, a distribuidora americana de “Aquarius” tampouco inscreveu o filme de Mendonça filho em outras categorias da Academia, como Melhor Atriz para Sonia Braga. A comissão montada pela ABC acabou tendo perfil similar ao que tem gerado críticas contra a Academia americana: excessivamente masculina, branca e idosa. Os responsáveis pela escolha de “Bingo” foram Paulo Roberto Mendonça, 69 anos, sócio-diretor do Canal Brasil; a produtora Iafa Britz, 46; os cineastas David Schürmann, 43, João Daniel Tikhomiroff, 67, e Miguel Faria Jr., 72; e o roteirista Doc Comparato, 67. Agora, “Bingo” vai se juntar a dezenas de outros longas indicados por países do mundo inteiro – no ano passado, foram 85 – para ser apreciado por uma comissão americana de avaliação, que irá apresentar uma primeira lista preliminar no começo de janeiro, do qual sairão os cinco finalistas ao prêmio. Estes serão conhecidos ao mesmo tempo que todos os indicados ao Oscar 2018, no dia 23 de janeiro. Já a premiação dos vencedores está marcada para 4 de março em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Nanda Costa vira rainha do cangaço no primeiro trailer e nas fotos de Duas Irmãs
A Sony divulgou o trailer, o pôster e as fotos de “Duas Irmãs”, quarto filme do diretor Breno Silveira em parceria com a roteirista Patricia Andrade, após “2 Filhos de Francisco” (2005), “Gonzaga: De Pai para Filho” (2012) e “À Beira do Caminho” (2012). Drama de época, passado nos anos 1930, a produção destaca o relacionamento de Luzia (Nanda Costa, de “Gonzaga: De Pai pra Filho”), a irmã aventureira, e Emília (Marjorie Estiano, da série “Sob Pressão”), a romântica, filhas de uma costureira, criadas para seguir o ofício, mas que acabam tendo destinos muito diferentes. Emília sonha em se casar e se mudar para a capital, mas o “príncipe encantado” (Rômulo Estrela, da novela “Novo Mundo”) acaba não sendo o que esperava, levando-a se decepcionar com a sociedade arcaica do Recife, cheia de preconceitos. Já Luzia, para proteger a família, junta-se aos bandoleiros capitaneados por Carcará (Júlio Machado, de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”) e avança sertão adentro, virando uma guerreira cangaceira. A produção foi filmada entre setembro e novembro em Piranhas, no sertão de Alagoas, onde Lampião e Maria Bonita foram capturados e decapitados em 1938. Por sinal, o projeto surgiu em meio à vontade de Breno Silveira de fazer um filme sobre Maria Bonita, mas ao se deparar com a falta de material histórico sobre a rainha cangaceira, descobriu o livro “A Costureira e o Cangaceiro”, da recifense Frances de Pontes Peebles, que contava uma história fictícia sobre o mesmo tema. Lançado originalmente em inglês (a autora mora nos EUA desde criança), o livro saiu em 2008 pela Nova Fronteira e está esgotado. A estreia está marcada para 12 de outubro.
Youtuber mais popular do Brasil, Whindersson Nunes vai virar filme
Considerado o youtuber mais influente do país, segundo pesquisa recente do Google, o piauiense Whindersson Nunes vai virar filme. “Whindersson Nunes – O Filme” (provável/inevitável título) será uma produção da Conspiração Filmes e está autorizado a captar R$ 7,5 milhões via Lei do Audiovisual, que concede incentivos fiscais a empresas privadas patrocinadoras. O filme contará a história do youtuber, mas a Conspiração não informou ainda quem serão roteirista e diretor, nem qual a participação de Whindersson na história. Ele passou a ser conhecido no país em 2013, devido a vídeos em que faz paródias e comenta fatos cotidianos, e no ano passado seu canal ultrapassou o Porta dos Fundos, transformando-o no youtuber brasileiro com o maior número de seguidores. Atualmente, são mais 23 milhões de inscritos e 1,8 bilhão de exibições. A popularidade transformou Whinderson até em cantor, com direito a shows pelo Brasil, além de ator. Ele já participou de dois longas: como dublador de “A Era do Gelo: O Big Bang” (dublou o dinossauro Roger) e num pequeno papel em “Os Penetras 2: Quem Dá Mais?”, ambos lançados em 2017. “Whindersson Nunes – O Filme” (que ainda pode ter outro título – sqn) será o segundo filme sobre uma celebridade do youtube nacional. O primeiro, “Eu Fico Loko”, cinebiografia do youtuber Christian Figueiredo, estreou em janeiro e muita gente nem lembra mais.
Filme de ação Feito na América com Tom Cruise é a maior estreia da semana
O fim do verão norte-americano assinala uma pausa nos filmes-evento, criando um paradoxo curioso: os dois lançamentos mais amplos desta quinta (14/9) são produções hollywoodianas inéditas nos próprios Estados Unidos. A lista de estreias ainda inclui três filmes brasileiros. O ator Tom Cruise volta a ocupar a maior parte das telas, depois do fracasso de “A Múmia”, tentando levantar voo com “Feito na América”. Ao contrário do anterior, rejeitado pela crítica com 16% de aprovação no Rotten Tomatoes, o novo tem 88% de resenhas positivas. Equilibrando ação e humor, “Feito na América” conta a história verídica de Barry Seal, um piloto de avião que transportava ao mesmo tempo armas para a CIA e drogas para Pablo Escobar. Interpretado por Cruise com um sorriso arteiro e a arrogância de um ás indomável, o personagem esbanja carisma. E também marca a segunda parceria do ator com o diretor Doug Liman, após o bem-sucedido “No Limite do Amanhã” (2014). Um detalhe da produção é que a fotografia é de César Charlone (“Cidade de Deus”). Com distribuição em 547 salas, o filme chega ao Brasil duas semanas antes de seu lançamento nos Estados Unidos. Por outro lado, o terror “Amityville – O Despertar” nem sequer tem previsão para entrar no circuito norte-americano. Provavelmente porque deve sair direto em DVD por lá. Afinal, sua trama é uma continuação que renega os diversos filmes anteriores passados no mesmo lugar mal-assombrado. Segundo a premissa, nada aconteceu em Amityville desde os anos 1970, época em que mortes sangrentas inspiraram uma lenda e originaram a franquia de terror original. Por conta disso, uma nova família acha perfeitamente seguro se mudar para a casa mal-assombrada mais famosa do mundo. Em 1979 e 2005, foram recém-casados que se mudaram para o local. Desta vez, a trama é mais próxima do segundo longa, “Terror em Amityville” (1982), em que a assombração atacava o filho adolescente dos moradores incautos. O roteiro e a direção são do francês Franck Khalfoun, que recentemente revisitou outro terror clássico com o remake de “Maníaco” (1980). A animação canadense “O que Será de Nozes 2” é quase um remake. Assim como na primeira animação, o habitat dos bichinhos falantes sofre um acidente e eles são forçados a buscar um novo esconderijo. E, claro, precisarão lutar para defendê-lo. No caso, enfrentarão o projeto de transformar um parque verde num parque de diversões, fazendo de tudo para impedir as obras, como visto em inúmeros curtas do Tico e Teco, da Disney, e no recente “O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida” (2012). O circuito limitado ainda traz mais dois dramas americanos. “Em Defesa de Cristo” segue a linha de “Deus Não Está Morto”, confrontando um ateu com “verdades religiosas”. Curiosamente, a efetividade deste tipo de propaganda, baseada no best-seller de um professor evangélico, é bastante limitada, já que atrai apenas os convertidos – foi um fracasso nas bilheterias dos EUA. Já “Columbus” é uma produção indie com 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, que teve sua première no Festival de Sundance deste ano. O título se refere à cidade de Indiana onde um sul-coreano (John Cho, de “Star Trek”) se vê encalhado, quando seu pai, um arquiteto famoso, cai doente. A trama equilibra concreto e romance, conforme o protagonista vai conhecendo a cidade modernista e se envolve com uma bela jovem (Haley Lu Richardson, de “Fragmentado”) entusiasta de arquitetura, cuja mãe também sofre com uma doença diferente – o vício. Rara produção búlgara a chegar ao Brasil, “Glory” venceu diversos prêmios internacionais, especialmente pelo roteiro, que mostra como um ato ético pode ser corrompido por um governo inescrupuloso. Na trama, um trabalhador ferroviário encontra milhões em dinheiro espalhados sobre os trilhos e os entrega à polícia. Quando uma funcionária do Ministério dos Transportes decide usá-lo numa campanha para desviar a atenção da imprensa de um escândalo de corrupção, sua vida simples é submetida ao caos da burocracia estatal. A parábola dramática tem 91% de aprovação no Rotten Tomatoes. Três ótimos filmes nacionais completam a programação. No revelador documentário “A Gente”, o diretor Aly Muritiba (“Para Minha Amada Morta”) filma a rotina de agentes penitenciários, uma profissão que ele exerceu antes de virar cineasta, no interior de uma penitenciária de Curitiba. “Deserto” marca a estreia do ator Guilherme Weber (“Real, O Plano por Trás da História”) como diretor e roteirista, e acompanha a chegada de uma trupe de artistas itinerantes numa cidade fantasma, que decidem habitar, revelando suas verdadeiras personalidades fora do palco. Com elenco liderado pelo veterano Lima Duarte (“Família Vende Tudo”), o filme chama atenção pelo visual felliniano e foi premiado por isso, com o troféu de Melhor Direção de Arte no Festival de Brasília passado. Por fim, “As Duas Irenes” possui uma carreira consagrada por participação no Festival de Berlim, prêmio de Melhor Filme de Estreia do Festival de Guadalajara e três Kikitos no recente Festival de Gramado, incluindo Melhor Ator Coadjuvante (Marco Ricca), Direção de Arte e Roteiro, escrito pelo diretor estreante Fabio Meira. Rodado em Goiás, a produção acompanha uma jovem que descobre outra filha de seu pai. Além do mesmo pai, a jovem ainda compartilha o mesmo nome que o seu. Sem se identificar, a primeira Irene se aproxima da outra. Mas a história não tem vingança ou perversidade. Em vez disso, explora a situação atípica como uma metáfora para as questões existenciais da adolescência. Com bela fotografia (da boliviana Daniela Cajías) e trama universal, merecia um lançamento em mais salas. Clique nos títulos destacados de cada filme para ver os trailers de todas as astreias da semana.












