Ator de Carinha de Anjo é acusado de estupro durante produção de filme
A polícia de Sorocaba, no interior de São Paulo, está investigando uma acusação de estupro durante a produção do longa-metragem “A Volta”, que teve cenas rodadas na cidade paulista. O ator Thogun Teixeira (“A Comédia Divina” e novela “Carinha de Anjo”) foi acusado por uma camareira de estupro, e por uma assistente de figurino de tentativa de abuso sexual. A delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em Sorocaba, Ana Luiza Salomone, informou ao UOL que um boletim de ocorrência foi registrado no domingo, em outra delegacia, e que as duas mulheres procuraram a DDM para fazer uma representação contra o ator na terça-feira (28/11). Os casos teriam ocorrido longe das filmagens, em um quarto de hotel de Sorocaba, e a delegada confirmou que constam entre as denúncias que ele teria invadido o quarto. “Para mim, o que importa é o fato em si e tudo vai ser apurado. As vítimas fizeram boletim de ocorrência no domingo, em uma delegacia de plantão, e mais tarde procuraram a Delegacia da Mulher e representaram contra ele, resultando na instauração de inquérito policial”. Procurado pelo UOL, Thogun Teixeira negou as acusações de estupro e afirmou que houve sexo consensual com uma das mulheres, mas afirmou que foi aconselhado por seus advogados a não se pronunciar mais longamente sobre o caso. “Fui orientado pelo meu advogado e minha assessoria e empresária para não responder mais nada a respeito disso. Providências jurídicas sérias estão sendo tomadas quanto a isso, porque a maior parte lesada sou eu e minha família; tenho um filho de 3 meses, mulher, e quero que a verdade apareça”, afirmou ele, que prestou depoimento em Sorocaba sobre o caso. O filme “A Volta” também inclui em seu elenco Tuca Andrada (novela “A Lei do Amor”), Guilhermina Guinle (novela “Êta Mundo Bom!”) e André Ramiro (“Tropa de Elite”) e tem estreia prevista para 2018. Com roteiro e direção de Ronaldo Uzeda (“Caminhos de Jesus”), ele conta a história de George (Tuca Andrada), que se torna justiceiro depois que sua mulher Bruna (Guilhermina Guinle) é assassinada e sua neta é sequestrada.
Suzana Vieira, Rosi Campos e Arlete Salles vão estrelar besteirol da Terceira Idade
Suzana Vieira, Rosi Campos e Arlete Salles estão filmando o primeiro besteirol brasileiro da Terceira Idade. Na trama, as três vivem mulheres na casa dos 70 anos que ganham R$ 6 milhões na loteria e decidem embarcar numa viagem cheia de aventuras. Intitulado “Amigas de Sorte”, o filme recebeu aval da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para captar R$ 10,34 milhões incentivados. Boa parte do dinheiro vai pagar as viagens da produção. As filmagens foram iniciadas em outubro e incluem cenas nas cidades de São Paulo, Montevidéu e Punta Del Leste. Escrito por Lusa Silvestre (“Um Namorado para Minha Mulher” e “O Roubo da Taça”) e dirigido por Homero Olivetto (“Reza a Lenda”), “Amigas de Sorte” é mais um longa a seguir a fórmula dos milionários instantâneos que assola as comédias brasileiras – veja-se “Até que a Sorte nos Separe”, “Um Suburbano de Sorte”, “Tô Ryca!”, etc. O elenco ainda conta com Luana Piovani, Otávio Augusto, Julio Rocha e Klebber Toledo, que viverá um romance com a personagem de Susana Vieira. O longa é uma co-produção da Popcon e, claro, com tantos atores de novelas, da Globo Filmes.
Ingrid Guimarães vai estrelar De Pernas pro Ar 3
Ingrid Guimarães vai voltar ao papel de Alice, a dona de uma rede de sex shops na franquia “De Pernas pro Ar”. “De Pernas pro Ar 3” já está em fase de roteiro, assinado por Marcelo Saback (do primeiro “De Pernas pro Ar”) e Renê Belmonte (“Se Eu Fosse Você”), mas, segundo apurou a coluna de Flávio Ricco no UOL, haverá mudanças na direção. Roberto Santucci está fora do projeto, após assinar os dois primeiros filmes. A história não deve ser muito diferente da segunda parte, quando a personagem de Ingrid Guimarães foi para Nova York. Desta vez, Alice decidirá abrir a primeira loja da Sexy Delícia na França, onde, mais uma vez, se envolverá em muitas confusões. Bruno Garcia é outro que também será convidado a seguir no elenco. Lançado em 2010, “De Pernas pro Ar” foi um dos primeiros blockbusters de comédia brasileira, após o pioneiro “Se Eu Fosse Você” (2006), a virar franquia. Seu sucesso acabou influenciando a produção do gênero, inaugurando uma fase de comédias nacionais sobre sexo praticamente assexuadas. A previsão de estreia para a continuação é o segundo semestre de 2018.
Diretor do filme do Plano Real prepara comédia sobre a Lava-Jato
A Operação Lava-Jato já entrou na cultura cinematográfica brasileira. Depois de virar thriller policial (“Polícia Federal – A Justiça É para Todos”) e estar prestes a ganhar série (“O Mecanismo”, na Netflix), também vai render uma comédia. O ex-Casseta & Planeta Marcelo Madureira está roteirizando “Operação Batom na Cueca”, baseado no escândalo de corrupção, que terá direção de Rodrigo Bittencourt (“Real: O Plano por Trás da História”). A trama vai refletir um triângulo amoroso envolvendo um contador, uma secretária e um empreiteiro, cada um corrupto à sua maneira. Segundo adiantou a produtora Joana Henning ao blog Sem Legenda, da Folha de S. Paulo, a ideia é “juntar características de vários dos envolvidos na Lava Jato” nesses personagens. “Queríamos fazer humor com uma história que dá raiva”, definiu. O longa deve ser rodado entre julho e agosto do ano que vem, com previsão de estreia para o início de 2019. Os atores estão em fase de contratação, mas Henning ainda não revela os nomes. “Temos um acordo de colaboração com os núcleos de comédia da Globo”, disse. Além deste projeto, a produtora Escarlate, de Henning, trabalha em outros filmes de temática política: um thriller sobre o assassinato do ex-prefeito petista Celso Daniel, com direção de Marcos Jorge (“Mundo Cão”), e um documentário sobre Lula, que aguarda desdobramentos da vida real (imagina-se quais) para ser finalizado. Já Rodrigo Bittencourt atualmente trabalha em “Missão Cupido”, comédia romântica surrealista, como define o diretor, sobre uma mulher amaldiçoada pelo anjo da guarda a nunca encontrar namorado.
Documentário sobre povo indígena quase extinto no Brasil é premiado no Festival de Amsterdã
Melhor Documentário do Festival do Rio 2017, o longa brasileiro “Piripkura” conquistou o prêmio de direitos humanos no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA), entregue nesta segunda-feira (21/11), e ainda concorre a outros prêmios do festival holandês, que anunciará seus vencedores na quarta. O filme de Mariana Oliva, Renata Terra e Bruno Jorge acompanha a trajetória de Jair Candor, um funcionário da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), e de dois índios nômades do povo Piripkura, conhecidos como o “povo borboleta”. Praticamente extintos, os Piripkura sobrevivem cercados por fazendas e madeireiros numa área ainda protegida no meio da floresta amazônica. Candor os conhece desde 1989, e realiza expedições periódicas, muitas delas acompanhado por Rita, a terceira sobrevivente Piripkura, monitorando vestígios que comprovem a presença deles na floresta, a fim de impedir a invasão da área. A produção é importante diante da atual situação política do Brasil. “O agronegócio está mais forte do que nunca. O governo impôs cortes significativos à administração da FUNAI. Uma das consequências dessa atitude foi o aumento de invasores nas terras indígenas”, explicou a produtora Mariana Oliva em entrevista à revista americana Variety. Apesar de premiado, o filme ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Liga da Justiça ocupa metade dos cinemas do Brasil em sua estreia no feriadão
“Liga da Justiça” ocupa metade de todos os cinemas disponíveis no país durante este feriadão da Proclamação da República, com um lançamento em 1,5 mil salas, mas, apesar deste impacto na concentração das bilheterias, há mais nove estreias, numa resistência limitada à ofensiva dos super-heróis. Clique nos títulos abaixo para ver os trailers de cada estreia. Filmado por Zack Snyder (“Batman vs. Superman”) e refeito por Joss Whedon (“Os Vingadores”), “Liga da Justiça” reúne pela primeira vez os principais super-heróis da DC Comics, uma façanha que a Marvel já realizou duas vezes em relação a seus ícones de quadrinhos. Por sinal, ambas dirigidas por Whedon, conhecido por sua capacidade de desenvolver personagens e inserir diálogos divertidos em suas obras. Estas características são o que há de melhor no novo longa, que nem sempre dá liga com o tom sombrio e pomposo de Snyder. O vilão e os efeitos visuais são as maiores fraquezas da produção, que aproveita o sucesso de “Mulher-Maravilha” para destacar a heroína e ainda tenta compensar os diversos problemas com boas cenas de ação – e a melhor luta já registrada numa adaptação da DC. As demais estreias são três documentários e seis produções de ficção da Europa – duas britânicas, duas italianas, uma francesa e uma portuguesa. Embora as melhores sejam as duas últimas, as britânicas medianas chegam em mais cinemas. “Uma Razão para Viver” é o típico melodrama de superação de doença, que traz Andrew Garfield (“Silêncio”) e Claire Foy (série “The Crown”) como marido e mulher e conta a história real de um homem brilhante e aventureiro, que fica com paralisia por conta da poliomielite. Apesar disso, ele e sua mulher se recusam a se lamentar e ajudam a mudar a vida das pessoas ao seu redor com entusiasmo e bom humor, virando símbolos da luta dos deficientes. A única novidade dessa história é que ela marca a estreia na direção do ator Andy Serkis, mais conhecido por suas interpretações digitais como o César da franquia “O Planeta dos Macacos” e o Gollum de “O Senhor dos Anéis”. “Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha” volta a trazer Judi Dench como a Rainha Victoria, 20 anos após viver a monarca em “Sua Majestade, Mrs. Brown” (1997), e este é o maior atrativo da produção, que retrata os anos finais da segunda monarca mais longeva da história da Grã-Bretanha, quando, entediada com os problemas do reino, acaba desenvolvendo uma amizade com um criado indiano, o Abdul do título. A trama também registra o retorno do diretor inglês Stephen Frears às biografias da monarquia britânica, após seu excelente trabalho à frente de “A Rainha” (2006), justamente sobre a monarca mais longeva do Reino Unido, Elizabeth II – neta de Victoria. “A Trama” é o melhor e mais relevante lançamento da semana. Quase uma década após vencer a Palma de Ouro do Festival de Cannes por “Entre os Muros da Escola” (2008), o cineasta Laurent Cantet volta a trabalhar com o roteirista Robin Campillo (diretor de “120 Batidas por Minuto”) e a colocar a juventude francesa diante de questões de identidade cultural e raça. Sua trama começa como um experimento social, reunindo estudantes do Ensino Médio num curso de escrita criativa administrado por uma escritora famosa em sua casa. Mas o grupo multicultural embute uma ameaça, representada por um jovem racista de extrema direita. As discussões são dramáticas, mas o filme também prende atenção pelo suspense, terminando como um thriller. Entretém e dá o que falar. “Colo”, de Teresa Villaverde (“Os Mutantes”), foi exibido no Festival de Berlim e é um retrato urbano, ao som de rock, sobre o mergulho de Portugal na crise econômica. Uma crise que devasta a família da trama diante do olhar da filha adolescente, que nem sequer tem dinheiro para o transporte público. Deprimente e belo como uma obra de arte. Os dois filmes italianos da programação, “Histórias de Amor que Não Pertencem a este Mundo” e “Algo de Novo” são besteiróis absolutamente descartáveis, dirigidos por duas irmãs, Francesca Comencini e Cristina Comencini, que filmam desejos e ansiedades de mulheres de uma certa idade – ser trocada por uma mulher mais jovem no primeiro filme, encontrar um homem mais jovem no segundo. Há quem veja mais nisso, há quem veja menos. Há outras coisas para ver, também. A lista de estreias da semana se completa com três documentários. O mais famoso é “Human Flow – Não Existe Lar se Não Há para Onde Ir”, do artista chinês Ai Weiwei, que registra a crise mundial dos refugiados, tem belíssima fotografia e abriu a Mostra de São Paulo 2017. “On Yoga – Arquitetura da Paz” é assinado por Heitor Dhalia (“Serra Pelada”), o que também garante acabamento de padrão internacional no registro de ensinamentos de grandes mestres de ioga. Por fim, “Maria – Não Esqueça que Venho dos Trópicos” exibe uma estrutura mais convencional, mas ao mesmo tempo o melhor tema: a revolucionária escultora brasileira Maria Martins, mestre do surrealismo que saiu dos trópicos para as principais galerias de arte moderna do mundo. A direção é do veterano Ícaro Martins (“Estrela Nua”) em parceria com Elisa Gomes (“Unhas e Outras”).
Veja primeiras fotos de ator-mirim de Stranger Things em filme de diretor brasileiro
O diretor Fernando Grostein Andrade (de “Quebrando o Tabu” e “Coração Vagabundo”) iniciou as filmagens de seu novo filme, “Abe”, estrelada pelo ator mirim Noah Schnapp (o Will de “Stranger Things”), e a assessoria da produtora Gullane divulgou as primeiras imagens, que podem ser vistas abaixo. Noah Schnapp interpreta o personagem do título, um garoto de 12 anos que ama cozinhar, mas nunca teve um jantar de família sem brigas. Filho americano de um casamento misto entre uma mãe judia de origem israelense e um pai palestino de origem muçulmana, Abe sonha em unir a família cozinhando um jantar tão bom, mas tão bom, que seja capaz de fazer a família parar de brigar ao menos por uma noite. Ele aprende a cozinhar com Chico Catuaba, chef de cozinha brasileiro, interpretado por Seu Jorge (“Tropa de Elite 2”), que cozinha acarajé nas feiras gastronômicas multiculturais do Brooklyn, em Nova York. O elenco também conta com o americano Mark Margolis (série “Breaking Bad”) e a polonesa Dagmara Dominczyk (“Era Uma Vez em Nova York”), além de participações especiais dos atores brasileiros Gero Camilo (“A Família Dionti”), Ildi Silva (“Uma Loucura de Mulher”) e Victor Mendes (“Os 3”).
Filme africano de diretor brasileiro vence Festival de Cartago e vai buscar vaga no Oscar
A 28ª edição do Festival de Cartago, um dos mais importantes eventos do cinema africano e árabe, premiou no sábado (11/11) em Túnis, na Tunísia, o filme “Comboio de Sal e Açúcar”, dirigido pelo brasileiro Licínio Azevedo. Coprodução de cinco países, inclusive Brasil, o filme é na verdade de 2016 e já tinha rendido a Azevedo o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cairo, no Egito, no ano passado. Além disso, entrou para a história do cinema ao se tornar o primeiro longa selecionado por Moçambique para tentar uma vaga no Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira. Licínio Azevedo mora em Moçambique desde 1975 e é um dos fundadores da empresa moçambicana de produção de cinema Ébano Multimédia, principal produtora do filme – e de vários outros longas-metragens e documentários premiados em todo o mundo. “Comboio de Sal e Açúcar” é seu quinto longa de ficção. Entre os anteriores, estão “Desobediência” (2003), premiado no Festival de Biarritz, e “Virgem Margarida” (2012), premiado em Amiens. Descrito como um “western africano”, o filme que venceu o troféu Tanit de Ouro mostra a perigosa viagem de um grupo, a bordo de um trem que tenta trocar sal por açúcar, atravessando zonas rebeldes de Moçambique em 1989, durante a guerra civil que varreu o país africano. Veja abaixo o trailer, repleto de cenas de ação, cuja narrativa envolvente destaca a divisão entre militares e civis no trem (comboio) que batiza a produção. “Comboio de Sal e Açúcar” chegou a ser exibido no Festival do Rio, mas, apesar de falado em português, não tem previsão de lançamento comercial no Brasil.
A Comédia Divina impressiona de tão ruim que é
Quem achou fraco “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola” pode ficar impressionado com “A Comédia Divina”, de Toni Venturi. Mas impressionado no pior sentido, já que o que o filme chega a ser constrangedor, inclusive na forma. Uma pena, pois Monica Iozzi (“Superpai”), com seu carisma e simpatia, merecia uma estreia melhor como protagonista de cinema. Na trama, supostamente inspirada – não em “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, mas em outra obra literária – no conto “A Igreja do Diabo”, de Machado de Assis, o “coisa-ruim” em pessoa resolve vir à Terra para fundar a sua própria igreja, vendo que está totalmente desacreditado pela humanidade. O que parece ser uma premissa ok se revela uma bobagem sem tamanho em questão de poucos minutos. E Murilo Rosa (“Área Q”) como o diabo é um horror. Primeira comédia de Toni Venturi, que até então tinha feito só filmes sérios como “Cabra-Cega” (2004) e “Estamos Juntos” (2011), além de documentários premiados, “A Comédia Divina” consegue uma façanha: não tem uma sequência boa sequer. Quando mais se pensa sobre o filme, pior fica.
Mesmo com tática de choque, Como se Tornar o Pior Aluno da Escola é tolo e pudico
“Como se Tornar o Pior Aluno da Escola” decepciona quem acredita que Danilo Gentilli, com sua crítica ao politicamente correto, possa fazer um bom filme inspirado nas comédias clássicas de colegial dos anos 1980. Sua comédia é imensamente tola e, ainda por cima, pudica, com medo de mostrar nudez e coisas do tipo. Entretanto, não se refreia no vocabulário, no bullying escatológico e nem diante de uma sugestão pedófila, numa cena perigosa envolvendo o personagem de Fábio Porchat. Menos que ousadia, parece tática deliberada de choque. Curioso é que os meninos protagonistas (Bruno Munhoz e Daniel Pimentel) vão bem no filme, mas são atrapalhados justamente pela entrada em cena do personagem do Gentilli. O autor-ator leva a trama para o precipício, até uma conclusão tão besta que nem dá para acreditar. Mesmo assim, “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola” tem os seus momentos divertidos, com um elenco assumidamente trash, com Joana Fomm (após pedir emprego na internet), o músico Rogério Skylab, o cantor Moacyr Franco e o mexicano Carlos Villagrán (o Quico do seriado “Chaves”), dirigidos por Fabrício Bittar (do MTV Sports). É só ter a mentalidade do público alvo e não exigir demais.
Dona Flor e Seus Dois Maridos é tão distinto do filme original quanto uma telenovela
É difícil, diante desta nova adaptação do clássico romance de Jorge Amado, não se lembrar da primeira versão de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, a de Bruno Barreto, lançada nos cinemas em 1976. Ambas são reflexos e produtos de seu tempo. O filme de Bruno Barreto foi produzido em um momento em que o erotismo no cinema brasileiro já estava se encaminhando para o seu auge da ousadia, que ocorreria na primeira metade dos anos 1980. É também um filme que tenta ser um pouco mais livre do texto do escritor baiano e talvez por isso flua melhor. Ter Sônia Braga como Flor e José Wilker como Vadinho também ajudou bastante. A nova versão, dirigida por Pedro Vasconcelos, que tem no currículo vários trabalhos para a televisão, inclusive a última telenovela das nove da Rede Globo, é também produto de nosso tempo, muito mais comportado no quesito sexo e nudez – em parte, devido a maior consciência sobre a chamada objetificação do corpo da mulher, mas também porque diminuiu bastante o impacto de se ir ao cinema para ver a estrela da novela nua nas telas – , embora Juliana Paes apareça sim sem roupa, de maneira tímida. Outra questão atual que o filme recoloca em pauta é a violência contra a mulher, vista em uma sequência rápida, mas bastante incômoda de Vadinho (Marcelo Faria), que agride a esposa para conseguir dinheiro para o jogo. É apenas um aspecto mais sombrio da personalidade do personagem, mas que depõe muito contra a figura outrora simpática do malandro brasileiro. O personagem recupera sua simpatia em outras passagens posteriores, mas não deixa de parecer uma espécie de encosto depois de morto: ao mesmo tempo em que traz prazer físico e sexual para Flor, também a escraviza, de certo modo. É uma abordagem um pouco mais pesada do que a dos anos 1970, nesse aspecto. As diferenças também se estendem aos aspectos formais, onde o “remake” se mostra mais parecido com uma novela. Pedro Vasconcelos e seu diretor de fotografia até procuram disfarçar as deficiências, mas sem conseguir convencer. O jogo de luz e sombras usado para compor os interiores, assim como um ou outro ângulo que tenta distanciar a obra de uma telenovela, parecem um tanto forçados. Mas mesmo estes esforços caem por terra diante de alguns cacoetes, como a repetição de temas musicais, algo próprio de programa televisivo. A produção não buscou nem mesmo escolher canções menos manjadas. O roteiro também opta por dar a Flor um protagonismo tão forte que torna seus dois maridos bastante secundários. Não que isso seja um problema em si, mas talvez o personagem do segundo marido, Teodoro (Leandro Hassum), merecesse ser mais do que um paspalhão, longe da nobreza que perpassava o personagem quando vivido por Mauro Mendonça. Leandro Hassum, com seu humor físico típico, parece ter perdido muito da graça depois da cirurgia bariátrica, mas continua apostando no que costumava fazer. O foco do filme passa a ser, então, o esforço de Flor de se distanciar do espírito de Vadinho, ao mesmo tempo que não consegue se livrar da tentação do desejo que a consome, e que não é nem de longe satisfeito por Teodoro. Porém, o modo como o filme estica os diálogos entre os dois também faz com a adaptação pareça – não exatamente uma novela, mas – um antigo teleteatro. O próprio Marcelo Faria fez o Vadinho na montagem teatral por alguns anos e está acostumado com o personagem. Isso poderia ser bom, mas no filme não parece resultar em algo positivo, mesmo com o esforço do ator e de Juliana Paes. Se o primeiro filme marcou o cinema brasileiro com impacto de blockbuster, o segundo chega de mansinho, sem fazer alarde, com uma abertura limitada ao Nordeste, antes de se estender para o resto do Brasil.
Semana tem estreia de seis filmes brasileiros nos cinemas
A programação de estreias desta quinta (9/11) inclui nada menos que seis longas brasileiros, inclusive o lançamento mais amplo da semana, a comédia “Gosto se Discute”. Entretanto, a maioria tem distribuição limitada. Duas produções nacionais, o drama “Vazante” e o documentário “No Intenso Agora”, foram exibidos no Festival de Berlim deste ano. Mas os filmes de maior prestígio são o documentário americano “Uma Verdade Mais Inconveniente”, que abriu o Festival de Sundance, e a produção indie “Borg vs McEnroe”, abertura do Festival de Toronto. Confira abaixo todos os lançamentos e clique nos títulos para assistir aos trailers. “Gosto Se Discute” não é só o maior lançamento, mas o único título destinado ao grande circuito nesta semana. A direção é André Pellenz, responsável pelos blockbusters nacionais “Minha Mãe é uma Peça: O Filme” (2013) e “Detetives do Prédio Azul: O Filme” (2017). Contudo, desta vez há poucas chances de vir novo fenômeno. Estrelado por Cassio Gabus Mendes (“Confissões de Adolescente”, minissérie “Justiça”) e a youtuber Kéfera Buchmann (“É Fada”), a trama gira em torno do chef de um restaurante, que precisa lidar com o interesse inesperado da sócia financeira no negócio. Pouco empolgante, a narrativa não se define entre história dramática e o tom caricato das esquetes do “Zorra Total”. “Vazante”, primeiro filme solo de Daniela Thomas, tem proposta oposta. Rodado em preto e branco e voltado ao circuito de arte, acabou gerando polêmica no Festival de Brasília por seu retrato da escravidão, ao mostrar escravos subjugados e conformados como pano de fundo de sua história. Mas o filme é sobre gênero e não raça, e seu retrato da época é correto. Passado no Brasil de 1821, o drama denuncia a opressão do patriarcado, contando a história de uma menina (a estreante Luana Nastas) que é obrigada a casar com um homem muito mais velho (o português Adriano Carvalho), antes mesmo de sua primeira menstruação. E enquanto espera que ela vire moça, o fazendeiro estupra repetidamente uma de suas escravas (Jai Baptista, também estreante, mas premiada em Brasília). Grande destaque da obra, a fotografia belíssima remete às gravuras de Jean-Baptiste Debret. Os outros quatro filmes brasileiros da programação são documentários. O mais badalado é “No Intenso Agora”, de João Moreira Salles, que abriu o festival É Tudo Verdade deste ano. A obra foi feita a partir de fragmentos de filmes caseiros que a mãe do diretor fez durante uma viagem à China em 1966, no auge da Revolução Cultural. O material rodado na China soma-se a imagens de eventos de 1968 na França, na Tchecoslováquia e no Brasil, buscando uma síntese da contestação política que tomou conta da juventude da época. “Aqualoucos” lembra a trupe de atletas-palhaços que ficou famosa por fazer comédia em meio a saltos em piscinas, a 10 metros de altura. Entre os anos de 1950 e 1980, eles atraíam milhares de pessoas ao Clube Tietê nos finais de semana, quando apresentavam suas esquetes e exibiam suas habilidades em saltos perigosos. “Olhando para as Estrelas” acompanha bailarinas cegas. E “Para Além da Curva da Estrada” registra o cotidiano de caminhoneiros. Mas o documentário mais importante é o americano “Uma Verdade Mais Inconveniente”, que mostra como a situação do meio-ambiente se deteriorou nos últimos dez anos, desde o lançamento de “Uma Verdade Inconveniente”, que venceu o Oscar em 2007. Novamente conduzido pelo ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, o longa inclui declarações de Donald Trump desdenhando o aquecimento global e retrata o atual presidente americano como supervilão ambiental, enfatizando o perigo que ele representa para o mundo. Com o fim da Mostra de São Paulo, o circuito volta a receber estreias europeias. Assim, o melhor filme da semana é uma coprodução escandinava (de estúdios da Suécia, Dinamarca e Finlândia). “Borg vs McEnroe” aborda uma das rivalidades mais famosas do esporte, entre o tenista americano John McEnroe e o sueco Bjorn Borg, e centra-se na final do torneio de Wimbledon de 1980, considerada uma das melhores partidas de tênis de todos os tempos. A diferença de personalidade entre os rivais ajudou a transformar o jogo num drama humano. O tenista sueco, então com 24 anos, era um cabeludo calmo e centrado, enquanto McEnroe, à época com 21 anos, era visto como o bad boy do tênis, sempre prestes a explodir, jogar sua raquete longe e gritar com os árbitros. O ator sueco Sverrir Gudnason (“O Círculo”) tem o papel de Borg e uma semelhança impressionante com o verdadeiro tenista. Mas quem rouba a cena é Shia LaBeouf (“Ninfomaníaca”) como McEnroe. Muitos apostaram num renascimento na carreira do ator, que contrariou o prognóstico após o filme passar em Toronto, quando voltou a ser preso por bebedeira. A direção é do dinamarquês Janus Metz Pedersen (documentário “Armadillo”), que estreou nos EUA dirigindo um episódio da série “True Detective” no ano passado. “O Outro Lado da Esperança” também é uma produção nórdica. Trata-se de segunda tragicomédia consecutiva do finlandês Aki Kaurismäki a tratar da imigração na Europa, após “O Porto” (2011), desta vez focando num refugiado desempregado e sem teto, que conta com a ajuda do dono de um restaurante para reiniciar sua vida na Finlândia. A temática humanista ajudou o filme a conquistar o Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim. Já a comédia francesa “Um Perfil para Dois” é um besteirol romântico, que mistura a trama clássica de “Cyrano de Bergerac” com namoro online. Além de não ser original, a premissa do diretor-roteirista Stéphane Robelin (“E se Vivêssemos Todos Juntos?”) embute um incômodo, ao achar engraçado que um senhor de 75 anos (Pierre Richard, de “Perdidos em Paris”) procure seduzir mulheres com idade para ser suas netas. Por fim, o circuito ainda estreia o drama argentino “Invisível”, segundo longa de Pablo Giorgelli (após o premiado “Las Acacias”), que trata de gravidez adolescente e aborto. Na trama, uma garota de 17 anos engravida do chefe, mais velho e casado, e precisa considerar seu futuro num país onde o aborto é proibido e toda a atividade relacionada à interrupção de gravidez acontece de forma clandestina. O tema se torna especialmente relevante diante dos avanços de políticos evangélicos, que pretendem mudar a lei de aborto no Brasil, proibindo-o mesmo nos casos hoje considerados legais – risco de morte da gestante, gestação resultante de estupro e fetos malformados.
Ingrid Guimarães e Larissa Manoela são mãe e filha no trailer da comédia Fala Sério, Mãe!
A Downtown Filmes divulgou o primeiro trailer e o pôster de “Fala Sério, Mãe!”, comédia em que Ingrid Guimarães (“De Pernas pro Ar”) e Larissa Manoela (“Meus Quinze Anos”) são mãe e filha. A prévia surpreende positivamente por não abusar do tom histérico que marca outros lançamentos da produtora, em especial das comédias do roteirista Paulo Cursino (“Até que a Sorte nos Separe”), incluindo até elementos dramáticos. O humor serve para realçar os problemas de relacionamento, mas também o amor típico de uma família. O filme é inspirado no livro de mesmo nome da escritora Thalita Rebouças (autora também de “É Fada!”), que colabora no roteiro assinado por Cursino, Ingrid Guimarães e Dostoiewski Champangnatte, e inclui as típicas participações especiais de todo besteirol brasileiro – desta vez, do cantor Fábio Jr. e do comediante Paulo Gustavo, interpretando eles mesmos. A sinopse oficial estabelece o conflito, mas também já entrega o final feliz. Segue: “Quando teve sua primeira filha, Maria de Lourdes, Ângela Cristina não sabia as aventuras e desventuras que estavam por vir. Mãe de primeira viagem, ela vive uma montanha-russa de emoções, medos, frustrações e tem um caminhão de queixas para descarregar. Por outro lado, a filha Malu, como prefere ser chamada, também tem suas insatisfações. Embora teimosa, sofre com os cuidados excessivos e com o jeito conservador da mãe. ‘Fala Sério, Mãe!’ acompanha a história de amor que começa às turras e termina na mais plena parceria e amizade.” Com direção de Pedro Vasconcelos (“O Concurso”), o filme tem estreia marcada para 28 de dezembro nos cinemas.












