Filme brasileiro Bacurau vence o Prêmio do Júri do Festival de Cannes
“Bacurau”, o representante brasileiro na disputa da Palma de Ouro em Cannes, venceu o Prêmio do Júri, equivalente ao 3º lugar da mostra competitiva. O Prêmio do Júri presidido pelo cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu (“O Regresso”) ainda foi compartilhado com o filme francês “Les Misérables”, de Ladj Ly. Com direção de Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”) e Juliano Dornelles (“O Ateliê da Rua do Brum”), “Bacurau” mistura gêneros como terror, ficção científica e western. Os diretores descrevem a obra como um filme de aventura ambientado no Brasil “daqui a alguns anos”. A trama se passa em um pequeno povoado do sertão cuja tranquilidade é ameaçada após a morte, aos 94 anos, de Dona Carmelita, mulher forte e querida por quase todos. Dias depois, os moradores de Bacurau percebem que a comunidade não consta mais nos mapas. Os celulares param de funcionar, deixando os moradores isolados. Os assassinos têm carta branca para liquidar todo mundo, mas a comunidade se organiza para resistir. Ao contrário dos filmes premiados nas mostras paralelas, entre eles o brasileiro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, “Bacurau” não foi unanimidade entre a crítica, atingindo 88% na média do Rotten Tomatoes. Admirado pela fotografia, interpretações e ambição, também recebeu comentários negativos por conta desta mesma ambição, com reclamações sobre problemas de roteiro. Estrelado por Sonia Braga (também de “Aquarius”), Barbara Colen (idem), Karine Teles (“Benzinho”) e pelo alemão Udo Kier (do clássico “Suspiria”), entre outros, “Bacurau” ainda não tem previsão de estreia comercial.
A Vida Invisível de Eurídice Gusmão vence a mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes
O filme brasileiro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, do diretor Karim Aïnouz (“Praia do Futuro”), venceu a mostra paralela Um Certo Olhar (Un Certain Regard), do Festival de Cannes. É a primeira vez que um longa brasileiro conquista o troféu desta competição, dedicada a filmes mais arriscados que os da mostra principal. A obra de Karim Aïnouz foi recebida com quase 15 minutos de aplausos em sua première no festival, deixando claro como agradou ao público. Além disso, recebeu críticas elogiadíssimas da imprensa internacional. Definida como um “melodrama tropical”, a adaptação do livro best-seller de Martha Batalha acompanha Eurídice e Guida, duas irmãs jovens e inseparáveis que enfrentam os pais conservadores no Rio de Janeiro dos anos 1950 para realizar seus sonhos: Eurídice quer ser pianista na Áustria e Guida quer ir atrás de seu amor na Grécia. Nada sai como planejado. Mas as duas contam com o apoio de outras mulheres para sobreviver ao mundo machista. O elenco conta com Carol Duarte (“O Sétimo Guardião”) e Julia Stockler (série “Só Garotas”) como protagonistas, além de Gregório Duvivier (“Desculpe o Transtorno”), Nikolas Antunes (“Ilha de Ferro”), Flavio Bauraqui (“Impuros”) e Fernanda Montenegro (“Infância”) como a versão madura da personagem do título. O júri da mostra Um Certo Olhar, presidido pela cineasta Nadine Labaki (“Cafarnaum”), também premiou Kantemir Balagov (“Tesnosta”) como Melhor Diretor, por “Beanpole”, e a francesa Chiara Mastroianni (“3 Corações”), filha dos lendários Marcello Mastroianni e Catherine Deneuve, como Melhor Intérprete por “On a Magical Night”, além de distribuir prêmios especiais. No sábado, os organizadores premiarão os vencedores da mostra principal, que entrega a Palma de Ouro. Entre os que disputam o troféu estão o brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e “O Traidor”, do italiano Marco Bellocchio, coproduzido pela produtora brasileira Gullane.
Estreias: Aladdin concorre com Hellboy, Brightburn e Tolkien nos cinemas
Dez estreias chegam nos cinemas nesta quinta (23/5). Metade são produções americanas, que enfatizam fantasia e efeitos visuais. Mas a verdade é que não impressionaram muito a crítica em seu país de origem. Com distribuição mais ampla, “Aladdin” é a segunda versão live-action de um desenho clássico da Disney neste ano – após “Dumbo”. Não é o desastre que os trailers insinuavam, muito por conta de Will Smith. Ele rouba as cenas como o Gênio da Lâmpada, conseguindo superar a sombra do saudoso Robin Williams, dublador do personagem em 1992. Mesmo assim, há momentos de musical genérico da Broadway, que fizeram a aprovação no Rotten Tomatoes ficar em 60%. As outras duas fantasias da programação são mais viscerais e violentas. A nova versão de “Hellboy” já foi enterrada nos Estados Unidos, com apenas 16% no Rotten Tomatoes e enorme prejuízo financeiro. Por isso, a melhor opção é “Brightburn – Filho das Trevas”, uma espécie de versão de terror da origem de Superman, produzida por James Gunn (o diretor de “Guardiões da Galáxia”). Saiu-se com 66% no RT. Outra opção em cartaz, a cinebiografia “Tolkien” é bem mais dramática, mas nem por isso deixa de ser fantasiosa – e não apenas por abordar o que inspirou o autor de “O Senhor dos Anéis”. Os herdeiros do escritor renegaram, o público americano não se interessou – estreou em 9º lugar – e a crítica deu de ombros – 50% no RT. Se a ficção delirante fracassou, o mesmo não aconteceu com o documentário “A Juíza”, que virou um dos grandes fenômenos do cinema americano em 2018. Lançado em 34 salas, o filme acabou se tornando a 24ª maior bilheteria de um documentário nos Estados Unidos em todos os tempos. Foi indicado a dois Oscars, venceu o Critics Choice e ainda atingiu 94% no RT. O motivo: a história de vida de Ruth Bader Ginsburg, uma advogada feminista que conseguiu mudar a jurisprudência e revolucionar os direitos das mulheres. Em reconhecimento às suas realizações, foi nomeada juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos e virou um improvável ícone da cultura pop, tanto que também ganhou um filme de ficção no ano passado – “Suprema”, estrelado por Felicity Jones. Entre os filmes não-americanos da semana, destacam-se o brasileiro “Inferninho”, grande evolução do cinema discursivo de Pedro Diogenes e Guto Parente, que evoca o universo queer brega de “Paraíso Perdido”, e o indiano “A Costureira de Sonhos”, um romance entre casal de diferentes classes sociais, que junta o novelão com observações sobre a sociedade da Índia moderna. Confira abaixo todos os lançamentos do fim de semana com seus respectivos trailers e sinopses. Aladdin | EUA | Fantasia Aladdin (Mena Massoud) é um jovem ladrão que vive de pequenos roubos em Agrabah. Um dia, ele ajuda uma jovem a recuperar um valioso bracelete, sem saber que ela na verdade é a princesa Jasmine (Naomi Scott). Aladdin logo fica interessado nela, que diz ser a criada da princesa. Ao visitá-la em pleno palácio e descobrir sua identidade, ele é capturado por Jafar (Marwan Kenzari), o grão-vizir do sultanato, que deseja que ele recupere uma lâmpada mágica, onde habita um gênio (Will Smith) capaz de conceder três desejos ao seu dono. Hellboy | EUA | Fantasia Ao chegar à Terra ainda criança, após ser invocado por um feiticeiro contratado pelo governo nazista, Hellboy (David Harbour) foi criado como um filho por Trevor Bruttenholm (Ian McShane), um professor que estava no local no momento em que emergiu do inferno. Já adulto, Hellboy se torna um aliado dos humanos na batalha contra monstros de todo tipo. Quando a poderosa feiticeira Nimue (Milla Jovovich), também conhecida com a Rainha Sangrenta, insinua seu retorno, ele logo é convocado para enfrentá-la. Brightburn – Filho das Trevas | EUA | Fantasia Quando uma criança alienígena cai no terreno de um casal na parte rural dos Estados Unidos, eles decidem criar o menino como seu filho. Porém, ao começar a descobrir seus poderes, ao invés de se tornar um herói para a humanidade, ele passa a aterrorizar a pequena cidade onde vive, se tornando uma força sombria na Terra. Tolkien | EUA | Drama Sarehole Mill, Inglaterra. Após o falecimento de sua mãe quando ainda era criança, J.R.R. Tolkien (Nicholas Hoult) e seu irmão são entregues aos cuidados do padre Francis (Colm Meaney). Vivendo com o dinheiro contado e precisando ajudar na casa em que vive, Tolkien faz amizade na escola com um grupo de jovens, que logo formam uma irmandade. Juntos, eles incentivam uns aos outros para que tenham a coragem necessária de realizar seus sonhos. Fascinado por línguas, Tolkien aos poucos desenvolve uma criada por ele mesmo, que usa como base para a criação de um universo fantástico situado na Terra Média. A Juíza | EUA | Documentário Um retrato íntimo da vida e da carreira de Ruth Bader Ginsburg, juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos que se tornou um improvável ícone da cultura pop. Além de sua trajetória, o documentários explora também suas primeiras batalhas jurídicas e como elas mudaram o mundo para as mulheres. Inferninho | Brasil | Drama Deusimar, a dona do Inferninho, um bar que é mais um refúgio, quer ir embora para um lugar distante. Jarbas, um marinheiro que acaba de chegar, quer ficar. Um amor começa a nascer entre os dois capaz de mudar tudo, desde suas vidas, ao bar e as pessoas em volta deles. A Costureira de Sonhos | Índia | Drama Ratna (Tillotama Shome) trabalha como empregada doméstica para Ashwin (Vivek Gomber), um homem rico que parece ter tudo, porém vive desesperançoso e perdido pela vida. Enquanto isso, Ratna, que parece ter nada, vive a vida determinada a alcançar seus sonhos. O Caravaggio Roubado | Itália | Drama Valeria (Micaela Ramazzotti) é a jovem secretária de um produtor de cinema, mora com a mãe e é escritora fantasma para um roteirista de sucesso. Quando ela recebe de presente de um estranho uma trama de filme com o nome de “A História Sem Nome”, contando a história do misterioso roubo da pintura Natività de Caravaggio, ela se vê imersa em uma implacável conspiração. Os Papéis de Aspern | Reino Unido | Drama Na Veneza de 1885, Morton Vint (Jonathan Rhys Meyers) é um ambicioso jovem escritor fascinado com o poeta Jeffrey Aspern (Jon Kortajarena). Sem ter certeza do que vai encontrar, ele decide ir atrás das cartas que Aspern escreveu para sua musa e amante Juliana Bordereau (Vanessa Redgrave). Histórias Estranhas | Brasil | Terror Uma coletânea de oito contos que apresentam as mais variadas abordagens do horror, do bizarro e do inexplicável, como bruxas, demônios e serial-killers. As histórias são: “Ninguém”, “A Mão”, “Mulher Ltda.”, “No Trovão, na Chuva ou na Tempestade”, “Os Enamorados”, “Invisível”, “Sete Minutos para a Meia-noite” e “Apóstolos”.
Filme do brasileiro Karim Aïnouz é aplaudido por quase 15 minutos em Cannes
Sete minutos de aplausos para “Era uma Vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino, foi muito? Pois o brasileiro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, do cineasta Karim Aïnouz, teve o dobro, quase 15 minutos de ovação em sua première no Festival do Cannes. Filme brasileiro mais bem-recebido no festival francês até agora – após a reação dividida a “Bacurau” – , o longa faz parte da programação da mostra paralela Um Certo Olhar e tem sido definido como um “melodrama tropical”. A adaptação do livro best-seller de Martha Batalha acompanha Eurídice e Guida, duas irmãs jovens e inseparáveis que enfrentam os pais conservadores no Rio de Janeiro dos anos 1950 para realizar seus sonhos: Eurídice quer ser pianista na Áustria e Guida quer ir atrás de seu amor na Grécia. Nada sai como planejado. Mas as duas contam com o apoio de outras mulheres para sobreviver ao mundo machista. O elenco conta com Carol Duarte (“O Sétimo Guardião”) e Julia Stockler (série “Só Garotas”) como protagonistas, além de Gregório Duvivier (“Desculpe o Transtorno”), Nikolas Antunes (“Ilha de Ferro”), Flavio Bauraqui (“Impuros”) e Fernanda Montenegro (“Infância”) como a versão madura da personagem do título. As primeiras críticas internacionais ao sétimo longa-metragem de ficção de Aïnouz foram bastante entusiasmadas. A revista Screen Daily usou expressões como “brilhante”, “vibrante” e “irrepreensível”, assumindo seu encantamento com a narrativa. “Aïnouz e seus roteiristas sabem muito bem que melodramas não se sustentam apenas em simpatia; eles precisam também da nossa raiva”. A revista The Hollywood Reporter adicionou “lindo” à descrição do filme, elogiando o trabalho da cinematógrafa francesa Helene Louvart. Ao final, define o trabalho como “um drama assombroso que celebra a resistência das mulheres, mesmo quando elas suportam as existências mais árduas. A alternância perfeita de tom de Ainouz assegura que o filme continue nos surpreendendo sempre com suas reviravoltas”. “Há muito o que se admirar”, acrescentou o atual responsável pelo site do renomado e falecido crítico Rober Ebert, embora esperasse um final mais potente. “A questão de como ‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’ vai se resolver mantém o filme continuamente absorvente e cheio de suspense”.
Ayrton Senna vai ganhar cinebiografia em 2020
A vida de Ayrton Senna vai virar filme. Após inspirar um documentário bastante premiado, Senna ganhará uma cinebiografia com atores em 2020, quando comemoraria 60 anos de seu nascimento. O projeto foi anunciado durante o Festival de Cannes e será comandado pelo diretor e roteirista Luiz Bolognesi, de “Ex-Pajé” e “Uma História de Amor e Fúria”. O longa será uma parceria entre os produtores paulistas Caio e Fabiano Gullane e o Instituto Ayrton Senna, mas ainda não foram divulgados outros detalhes, como eventuais atores sondados para o papel do ídolo da Fórmula 1, morto em 1994. O projeto é antigo. Bianca Senna, diretora de Branding do Instituto Ayrton Senna e sobrinha do tricampeão da F1, mencionou a produção há três anos. Na época, estaria em fase de roteiro. Antes disso, a Warner também tentou desenvolver uma cinebiografia, que seria uma produção internacional e contaria com o espanhol Antonio Banderas no papel principal. A família de Senna vetou. O filme atual tem apoio dos familiares do piloto e já integra o calendário de futuros lançamentos da produtora Gullane. A produtora brasileira está em Cannes neste ano participando da competição da Palma de Ouro em Cannes. Seu filme é “O Traidor”, uma coprodução com países europeus dirigida pelo veterano cineasta italiano Marco Bellocchio, que relembra a trajetória de Tommaso Buscetta, ex-mafioso que se refugiou no Brasil após delatar seus antigos comparsas.
Luiz Rosemberg Filho (1945 – 2019)
O cineasta Luiz Rosemberg Filho morreu na madrugada deste domingo (19/5), no Rio de Janeiro, aos 75 anos, em decorrência de complicações de uma cirurgia. Associado à produção do chamado cinema marginal — ou cinema de invenção, como chegou a ser redefinido – , Rosemberg foi responsável por clássicos como “Jardim das Espumas” (1971), “A$suntina das Amérikas” (1976) e “Crônicas de um Industrial” (1978), que foi proibido pela ditadura de representar o Brasil no Festival de Cannes. “Ele era um cara único no cinema brasileiro, os seus filmes eram muito diferentes de tudo que se vê. Sempre um cinema muito crítico em relação à sociedade, ao nosso Brasil, ao capitalismo, à TV. Talvez a principal característica dele como realizador e como pessoa fosse a liberdade. Seus filmes eram muito livres, tudo podia”, disse o produtor Cavi Borges, que trabalhou com Rosemberg em suas produções mais recentes, em entrevista ao jornal O Globo. Mesmo com a censura no período da ditadura e o desinteresse do circuito comercial em suas obras, o cineasta criou uma filmografia rica, numerosa e diversificada. Rosenberg fez ao todo 45 filmes, dos quais 11 foram longas e 34 curtas. Entretanto, a maioria enfrentou problemas para chegar ao público, e muitos só conseguiram ser exibidos pela primeira vez numa retrospectiva da carreira do cineasta em 2015, em comemoração aos seus 70 anos de idade. Na ocasião, o diretor refutou o rótulo de cineasta “marginal”. “É um nome malicioso para denegrir a imagem de quem lutou por um cinema não oficial”, declarou. Apesar disso, sua carreira ficou realmente à margem das salas de cinemas. Tanto que um de seus filmes chegou a ser considerado “perdido”. “Imagens” (1972), a obra mais radical da carreira do diretor, foi reencontrado apenas recentemente na França, comprovando sua coragem para atacar a repressão no auge da ditadura militar. Ironicamente, a abertura democrática apenas aumentou o distanciamento de seu estilo experimental dos interesses do mercado. Ele não lançava um longa desde “O Santo e a Vedete”, de 1982, um pouco antes da tal retrospectiva. Mas nos últimos anos viu seu nome tornar-se cultuado entre cinéfilos e isso alimentou seu desejo e lhe deu energia para voltar a filmar. Fez “Dois Casamentos” em 2014, “Guerra do Paraguay” em 2017, “Os Príncipes” em 2018, que até agora só foi exibido no Festival Cine PE, e ainda deixou um filme inédito, “O Bobo da Corte”, finalizado poucos dias antes de ser internado na Clínica São Vicente, onde veio a falecer.
HBO americana adquire a animação brasileira Lino
O canal pago americano HBO adquiriu os direitos de exibição do longa brasileiro de animação “Lino: Uma Aventura de Sete Vidas”. O filme, originalmente dublado por Selton Mello, até já ganhou um trailer com vozes em inglês para ser exibido nos Estados Unidos. “Lino” conta a história do rapaz mais azarado do mundo, que sofre o tempo inteiro, seja nos acidentes que acontecem em sua casa, seja no trabalho, como animador fantasiado de buffet infantil. Querendo mudar sua sorte, ele recorre a um suposto mago, que acaba complicando ainda mais sua vida, ao transformá-lo justamente na fantasia do gato gigante que serve de saco de pancadas das crianças. Lino vira um “monstro”, conforme ele próprio descreve. Lançado em setembro de 2017 no Brasil, o filme dirigido por Rafael Ribas se tornou a animação mais bem-sucedida do país, com mais de R$ 4,3 milhões de arrecadação. Mas o sucesso não se resumiu ao mercado nacional. “Lino” virou fenômeno no México, onde estreou em 400 salas, e teve tratamento de blockbuster na Rússia, com exibição em 1,2 mil salas. Lotou, ainda, cinemas na França, Alemanha, Espanha, Itália e Coréia do Sul, e agora também fechou distribuição mínima de 50 salas para o Canadá. Orçado em US$ 7 milhões, o que é considerado troco de boteco para os estúdios americanos de animação, “Lino” foi produzido pela Fox International Productions e pela produtora brasileira StartAnima. O trailer em inglês pode ser visto neste link.
Veja o trailer de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, filme de Karim Aïnouz selecionado pelo Festival de Cannes
A agencia alemã The Match Factory divulgou o primeiro trailer de “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, drama de Karim Aïnouz, que faz parte da programação do Festival de Cannes. A prévia é extensa e conta boa parte da história, um melodrama de época sobre duas irmãs. A adaptação do livro best-seller de Martha Batalha acompanha Eurídice e Guida, duas irmãs jovens e inseparáveis que enfrentam os pais conservadores no Rio de Janeiro dos anos 1950 para realizar seus sonhos: Eurídice quer ser pianista na Áustria e Guida quer ir atrás de seu amor na Grécia. Nada sai como planejado. O elenco conta com Carol Duarte (“O Sétimo Guardião”) e Julia Stockler (série “Só Garotas”) como protagonistas, além de Gregório Duvivier (“Desculpe o Transtorno”), Nikolas Antunes (“Ilha de Ferro”), Flavio Bauraqui (“Impuros”) e Fernanda Montenegro (“Infância”) como a versão madura da personagem do título. Sétimo longa-metragem de ficção de Aïnouz, “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” tem estreia mundial no festival francês na próxima segunda (20/5), na tradicional mostra Un Certain Regard, a mesma que lançou, em 2001, “Madame Satã”, primeiro longa do diretor cearense.
Bacurau divide a crítica internacional após première no Festival de Cannes
“Bacurau”, o representante brasileiro na disputa da Palma de Ouro em Cannes, dividiu as críticas da imprensa internacional. O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles foi admirado pela fotografia, interpretações e ambição, mas também recebeu comentários negativos por esta mesma ambição, com alertas sobre problemas de roteiro. Veja abaixo o que disseram as principais publicações que cobrem o festival francês, onde o filme teve sua première mundial na noite de quarta (15/5). “Apesar de ser lindo visualmente e admirável em ambição, esse neo-faroeste nunca satisfaz como um todo”, resumiu a revista The Hollywood Reporter. “Apesar da violência gráfica em sua segunda parte, o terceiro longa-metragem de Mendonça Filho tem um tom mais leve do que seus trabalhos anteriores, combinando comédia ensolarada de cidade pequena com um enredo de fábula e uma pitada de realismo mágico. É uma mistura impressionantemente rica, mas talvez um pouco rica demais, mostrando-se exagerada e mal-arrematada”. “Uma versão abrasileirada de ‘Zaroff, o Caçador de Vidas’, baseado em alusões à cultura e política locais, ‘Bacurau’ é um daqueles raros filmes que seriam melhor se fossem mais burros ou menos ambiciosos”, comentou a revista Variety, que publicou uma das críticas mais negativas sobre a produção. O texto também afirma que são tantas citações que “notas de rodapé seriam mais importantes que legendas” para o público estrangeiro. “Fala sobre comunidades e exploração, até respingar tudo com sangue e músicas de ficção científica, a tal ponto que te desafia a lembrar de quais foram as questões em primeiro lugar. É perturbador e bagunçado, um sonho febril sobre um tempo perturbado no Brasil. E, ocasionalmente, diverte também”, tentou descrever o site The Wrap. “‘Bacurau’ é um trauma alucinógeno, com um toque de Alejandro Jodorowsky ou de ‘Pelos Caminhos do Inferno’, de Ted Kotcheff. Também é um faroeste vingativo que lembra Clint Eastwood em ‘Por um Punhado de Dólares’. É um filme estranho, executado com claridade e força brutais”, listou o jornal inglês The Guardian. “‘Bacurau’ tem problemas. É estranho, por exemplo, que Barbara Colen, a ótima atriz que interpretou Sonia Braga jovem em ‘Aquarius’, volte para casa para o funeral da avó e depois seja deixada de lado na história. Mas a combinação de sátira e selvageria é bastante feroz e intrigantemente única”, considerou o jornal inglês The Telegraph. “Um apelo à resistência num formato de faroeste que é difícil de acreditar ter sido formulado antes da última eleição presidencial no Brasil. E se o refinamento dramático de Bacurau nem sempre se eleva ao nível sagaz de sua intenção política, seu vigor e alegria selvagem carregam a narrativa”, descreveu o jornal francês Le Monde. “Em alguns aspectos, ‘Bacurau’ parece ser uma lógica continuação dos outros trabalhos críticos e autorais de Kleber Mendonça Filho. Ao mesmo tempo que é mais forte e inescrutável que os anteriores, ele se aprofunda em terror, quando seus fantasmas se tornam literais e seus heróis pegam em armas. Estrela de ‘Aquarius’, Sonia Braga surge sensacional mais uma vez”, elogiou o site Indiewire, que publicou a crítica mais positiva, descrevendo o filme como “maravilhoso e demente”.
John Wick 3 é a principal estreia da semana nos cinemas
Os cinemas recebem apenas oito estreias nesta quinta (16/5), com destaque para “John Wick 3 – Parabellum”, terceiro filme de uma franquia que fica melhor a cada lançamento. “John Wick 3 – Parabellum” também chega neste fim de semana nos Estados Unidos, onde recebeu críticas entusiasmadas – 93% de aprovação na média apurada pelo site Rotten Tomatoes. Com ação ainda mais frenética que os anteriores, a trama traz o personagem-título vivido por Keanu Reeves contra dezenas de assassinos que buscam uma recompensa milionária por sua morte. As muitas reviravoltas ainda aumentam o Wickverso de forma ambiciosa e surpreendente, considerando que tudo começou com um filme B dirigido por dublês há cinco anos. Os outros lançamentos são bem menos cotados, embora tenham seu público, como a animação “Uglydolls”, fracasso de crítica (30%) e bilheteria nos EUA, e “Kardec”, cinebiografia em tom teatral (solene) produzida no Brasil, que visa o mercado espírita. No circuito limitado, o destaque é a comédia argentina de humor negro “A Grande Dama do Cinema”, que marca o retorno do diretor Juan José Campanella ao cinema live-action, exatamente uma década após vencer o Oscar por “O Segredos dos Seus Olhos” (2009). De forma inusitada, o lançamento é simultâneo à estreia na Argentina. Sobre os demais títulos, há duas curiosidades: “O Sol Também é uma Estrela”, que tem apelo de romance teen da Netflix, é a terceira estreia simultânea da programação – chega neste fim de semana nos EUA – , enquanto o brasileiro “45 Dias Sem Você” está sendo disponibilizado também pela plataforma NOW. Confira abaixo os trailers e as sinopses de todas as estreias da semana. John Wick 3 – Parabellum | EUA | Ação Após assassinar o chefe da máfia Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio) no Hotel Continental, John Wick (Keanu Reeves) passa a ser perseguido pelos membros da Alta Cúpula sob a recompensa de U$14 milhões. Agora, ele precisa unir forças com antigos parceiros que o ajudaram no passado enquanto luta por sua sobrevivência. UglyDolls | EUA | Animação Os UglyDolls Moxy, Wage, Babo, Ice-Bat e Wedgehead rumam ao Instituto da Perfeição com o desejo de serem amados mesmo sendo diferentes. Subvertendo a ideia do feio como um adjetivo negativo, a animação mostra que não é preciso ser perfeito para ser incrível. Kardec | Brasil | Religioso A jornada de Allan Kardec (Leonardo Medeiros), nascido Hypolite Leon Denizard Rivail, desde quando trabalhava como educador em Paris até iniciar seu processo de codificação do espiritismo ao lado de sua esposa Amélie-Gabrielle Boudet (Sandra Corveloni). A Grande Dama do Cinema | Argentina | Comédia Formando um grupo improvável, uma antiga estrela do cinema mundial, um ator nos últimos dias de vida, um roteirista frustrado e um diretor peculiar fazem de tudo para preservar o universo lúdico que criaram dentro de uma clássica mansão. Quando dois jovens chegam ao local e ameaçam botar tudo a perder, eles precisam tomar atitudes drásticas. A Espiã Vermelha | Reino Unido | Suspense Em 1938, a britânica Joan Stanley estudava física em Cambridge quando se apaixonou por um jovem comunista. Na mesma época, ela foi convocada pelo Comitê de Segurança Russo (KGB) para atuar como espiã do Governo de Stalin no Reino Unido. Depois de mais de 50 anos de serviço muito bem sucedidos, ela foi descoberta e presa pela Serviço de Inteligência Britânico (MI5). O Sol Também é uma Estrela | EUA | Romance Natasha (Yara Shahidi) é uma jovem extremamente pragmática, que apenas acredita em fatos explicados pela ciência e descarta por completo o destino. Em menos de 12 horas, a família de Natasha será deportada para a Jamaica, mas antes que isso aconteça ela vê Daniel (Charles Melton) e se apaixona subitamente, o que coloca todas as suas convicções em questão. 45 Dias Sem Você | Brasil | Comédia Ao sofrer uma grande desilusão amorosa depois de aguardar por 45 dias um amor que nunca retornou, o jovem Rafael (Rafael De Bona) decide romper as próprias barreiras e embarca em uma inesperada viagem. Seu objetivo principal é ir até três locais diferentes, encontrar com três amigos que também optaram por abandonar suas vidas por outras razões. Antártica por um Ano | Brasil | Documentário Por iniciativa da Marinha do Brasil, um grupo de brasileiros – militares ou não – passa um ano inteiro na Antártica, dentro da EACF (Estação Antártica Comandante Ferraz). Eles dividem a sua experiência de passar tanto tempo consecutivo neste local isolado e inóspito.
Lúcio Mauro (1927 – 2019)
O ator e comediante Lúcio Mauro, que estrelou diversos programas humorísticos da rede Globo, morreu na madrugada deste domingo (12/5) aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado há cerca de dois meses na Clínica São Vicente, com problemas respiratórios. Lúcio Mauro era seu nome artístico. O artista nasceu em Belém do Pará, no dia 14 de março de 1927, batizado como Lúcio de Barros Barbalho. Ele começou a carreira no teatro e só foi estrear na televisão aos 33 anos, em 1960, com a inauguração da TV Rádio Clube de Pernambuco, onde fez seu primeiro programa de humor, “Beco sem Saída”, contracenando com José Santa Cruz no quadro “Jojoca e Zé das Mulheres”. Em 1963, Lúcio e sua esposa, a atriz Arlete Salles, mudaram-se para o Rio de Janeiro, indo trabalhar na TV Rio. De lá, ele foi para a TV Tupi, onde participou do “Grande Teatro Tupi”, foi jurado de calouros de Flávio Cavalcanti, dirigiu e atuou no programa “A, E, I, O… Urca!” e o infantil “Essa Gente Inocente”, além de estrelar, junto de Arlete Salles, o humorístico “I Love Lúcio”, uma paródia da sitcom americana “I Love Lucy”. Neste mesmo ano, Lúcio Mauro estreou no cinema ao lado de Arlete em “Terra sem Deus”, de José Carlos Burle. A experiência foi seguida pelas comédias “007 1/2 no Carnaval” (1966), uma paródia de James Bond com Costinha e Chacrinha, e “O Rei da Pilantragem” (1968), escrito por Carlos Imperial. Mas a carreira cinematográfica ficou de lado quanto a televisiva estourou, após estrear na Globo em 1966. Ele começou na emissora no humorístico “TV0–TV1”, ao lado de uma constelação de humoristas que marcaram época na televisão: Jô Soares, Agildo Ribeiro, Paulo Silvino e outros. Dois anos depois, Lúcio criou e dirigiu na Globo o humorístico “Balança Mas Não Cai” (1968), com releituras de quadros de sucesso da Rádio Nacional nos anos 1950. O formato da programa de esquetes com um grande elenco, que se alternava num mesmo cenário sem mudar o contexto das piadas, fez enorme sucesso e inspirou o humor brasileiro durante décadas. Foi nesse período, inclusive, que Lúcio emplacou sua criação mais famosa, o quadro “Fernandinho e Ofélia”, em que vivia um homem rico e sofisticado, constantemente constrangido pela burrice da esposa (Sônia Mamede), que cometia grandes gafes diante de convidados ilustres, apesar de repetir o bordão “Só abro a boca quando tenho certeza!”. Quando “Balança Mas Não Cai” foi para a TV Tupi, nos anos 1970, ele acompanhou os colegas do programa e deixou a Globo por um tempo. A época também marcou o fim de seu casamento com Arlete. Mas ele ficou pouco tempo solteiro, casando-se com Ray Luiza Araujo Barbalho em 1974. Menos tempo ainda passou longe da Globo, para onde voltou pelas mãos de Chico Anysio, um de seus maiores parceiros, vindo a integrar o elenco de todos os programas humorísticos do famoso criador – de “Chico City” (1973) a “Escolinha do Professor Raimundo” (1990). Ele criou personagens marcantes ao lado de Chico Anysio, como o diretor Da Julia, que trabalhava com o ator canastrão Alberto Roberto, e o aluno Aldemar Vigário, da “Escolinha do Professor Raimundo”. Puxador de saco do professor, Vigário contava contos épicos de supostos grandes feitos do mestre com o bordão “Quem? Quem? Raimundo Nonato!”. Nos anos 1980, Lúcio Mauro emplacou uma nova versão de “Balança Mas Não Cai” (1982) na Globo, e ajudou a conceber e dirigir “A Festa é Nossa” (1983), humorístico que tinha como cenário fixo a cobertura de Fernandinho e Ofélia. O ator também participou de “Chico Anysio Show” (1982) e “Os Trapalhões” (1989), revivendo a dupla Fernandinho e Ofélia com Nádia Maria, após a intérprete original ser diagnosticada com leucemia e se afastar da TV – Sônia Mamede veio a falecer em 1990. Mas Lúcio não fez apenas comédias. Em 1983, interpretou o médium Chico Xavier no “Caso Verdade Chico Xavier, um Infinito Amor”. E, em 1988, fez uma participação na minissérie “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, como Dr. Quindim. A diversificação aumentou nos anos 1990, com um episódio de “Você Decide” (1992), a novelinha teen “Malhação” (1995), atuando como Dr. Palhares, pai do Mocotó (André Marques), e a novelinha infantil “Caça-Talentos” (1996), com Angélica. Em 1998, encarnou o bicheiro mafioso Neca do Abaeté na minissérie “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, e o advogado Nonato na segunda versão da novela “Pecado Capital”, atuou em um episódio de “Sai de Baixo” e participou da novela “Meu Bem Querer”. A partir de 1999, Lúcio Mauro retomou personagens em “Zorra Total”. Refez o quadro Fernandinho e Ofélia, desta vez com Claudia Rodrigues. E começou a contracenar com seu filho, o ator Lúcio Mauro Filho. Além disso, criou um novo personagem, Ataliba, um vovô surfista, revivendo com José Santa Cruz a parceria de sua estreia na TV em 1960. Nos últimos anos, dedicou-se a fazer mais participações em novelas – como “Paraíso Tropical” (2006), “A Favorita” (2008) e “Gabriela” (2012). E filmes. Embora sua filmografia comece nos anos 1960, foi só nos últimos anos que Lúcio realmente se dedicou ao cinema, atuando em “Redentor” (2004), de Claudio Torres, “Cleópatra” (2008), de Júlio Bressane, “Muita Calma Nessa Hora” (2010), de Felipe Joffily, e “Vai que Dá Certo” (2013), de Maurício Farias. Neste último, também contracenou com o filho. O humorista gostava de trabalhar com os filhos, tanto que estrelou a peça “Lúcio 80-30” (2008) com três deles, Lúcio Mauro Filho, Alexandre Barbalho e Luly Barbalho. E voltou a contracenar com dois deles em 2014, no penúltimo episódio de “A Grande Família”, como o pai de Luly, a irmã de Tuco, personagem de Lúcio Mauro Filho. Sua despedida das telas aconteceu em 2015, numa participação especial da releitura da “Escolinha do Professor Raimundo”, que foi exibida na TV Globo e no canal pago Viva. Desde 2016, quando sofreu um derrame, Lúcio Mauro enfrentou diversos problemas de saúde, sendo forçado a se aposentar. Relembre abaixo três dos personagens mais famosos do humorista.
Detetive Pikachu e Cemitério Maldito são as principais estreias de cinema
Dois grandes lançamentos vão disputar o público nesta quinta (9/5), sob a sombra gigante de “Vingadores: Ultimato” – que continua em cartaz em mais cinemas. “Pokémon – Detetive Pikachu” tem estreia simultânea com os Estados Unidos, enquanto “Cemitério Maldito” já passou pelo mercado norte-americano sem justificar o investimento do estúdio. O melhor deles é mesmo o que tem o protagonista “de pelúcia” irresistível, detalhe que ajuda muito, considerando que é baseado num game específico e obscuro da Nintendo, em que Pikachu tem um chapeuzinho de Sherlock Holmes e fala. Na versão hollywoodiana, o personagem de Justice Smith (de “Jurassic World: Reino Ameaçado”) é o único que entende o que o Pikachu diz. O resto da população reage como os fãs da série animada “Pokémon”, ouvindo apenas pika-pika-pika – o que soa como uma palavrão na voz de Ryan Reynolds (o Deadpool), dublador do personagem e responsável pelas melhores piadas. Mesmo respeitando a premissa do game, a produção aproveita para preencher a trama com muitos pokémons, inclusive com easter eggs da série animada japonesa, situando a história no mesmo mundo da franquia. E este detalhe é a principal atração do filme, o primeiro lançamento live-action de “Pokémon”. Já “Cemitério Maldito” muda detalhes do livro homônimo de Stephen King, mas não consegue ser mais que um mero remake de terror. Não acredite no hype: sem Ramones, não tem como a nova versão ser melhor que o original de 1989. Ambos tem notas similares no Rotten Tomatoes: medíocres. Sobram 11 lançamentos, todos direcionados ao diminuto e lotado circuito limitado. Um deles, inclusive, pulou da semana passada para esta, porque não encontrou salas disponíveis – veja-se, lá em cima, “Vingadores: Ultimato”. E é justamente o melhor dos títulos de ficção. Vencedor de cinco troféus da Academia Austríaca, “Mademoiselle Paradis” faz uma reconstrução requintada de época – o século 17 – e capricha na fotografia para contar a história real de uma célebre pianista cega (Maria Theresia Paradis, em interpretação gloriosa de Maria Dragus) que recupera a visão ao conhecer um curandeiro famoso (Franz Anton Mesmer). Para transmitir a redescoberta do olhar, o filme de Barbara Albert (“Os Mortos e os Vivos”) se transforma num deleite visual para todo o público. Tem “apenas” 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. As outras opções também são muito boas. Quem gosta de bichos vai amar “A Menina e o Leão”, produção francesa passada na África, que traz no elenco Mélanie Laurent (“Truque de Mestre”). O drama indie “A Vida de Diane”, sobre a Terceira Idade, venceu o Festival de Tribeca, nos EUA, e tem 94% no Rotten Tomatoes. E o chinês “Longa Jornada Noite Adentro” precisa ser visto na maior tela possível, porque seu visual neon-noir é simplesmente impressionante – 93% no Rotten Tomatoes. Há ainda três ficções brasileiras. O destaque é “Mormaço”, que reflete o descaso social por trás das obras das Olimpíadas no Rio, ao mesmo tempo em que incorpora elementos de terror. Instigante, marca a estreia solo da diretora Marina Meliande, que surgiu há 10 anos ao lado de Felipe Bragança com “A Fuga, a Raiva, a Dança, a Bunda, a Boca, a Calma, a Vida da Mulher Gorila”. A programação também é farta em documentários. Inclusive, um imperdível: “Varda por Agnès”, último filme da genial Agnès Varda, que reflete sobre o cinema em sua despedida, usando toda a criatividade plástica que sempre a diferenciou. Logo abaixo há mais detalhes de todas as 13 estreias e seus respectivos trailers. Bom programa. Pokémon – Detetive Pikachu | EUA | Aventura O desaparecimento do detetive Harry Goodman faz com que seu filho Tim (Justice Smith) parta à sua procura. Ao seu lado ele conta com Pikachu, o antigo parceiro Pokémon de seu pai, que perdeu a memória recentemente. Juntos, eles percorrem as ruas da metrópole de Ryme City, onde humanos e Pokémon vivem em harmonia… por enquanto. Cemitério Maldito | EUA | Terror A família Creed se muda para uma nova casa no interior, localizada nos arredores de um antigo cemitério amaldiçoado usado para enterrar animais de estimação – mas que já foi usado para sepultamento de indígenas. Algumas coisas estranhas começam a acontecer, transformando a vida cotidiana dos moradores em um pesadelo. Mademoiselle Paradis | Áustria | Drama Viena, século 17. Maria Theresia Paradis (Maria-Victoria Dragus) é uma jovem cega extremamente habilidosa no piano. Na esperança de conseguir curar sua cegueira, seus pais a levam até o dr. Mesmer (Devid Striesow), um médico que explora métodos alternativos. Após bastante dedicação, ele descobre que Maria na verdade tem gota e consegue fazer com que ela volte a enxergar. É quando a jovem precisa redescobrir o mundo, já que desde a infância apenas ouvia os sons do que estava ao seu redor. A Menina e o Leão | França | Aventura Mia (Daniah De Villiers) é uma jovem de 14 anos que desde pequena tem uma profunda amizade com Charlie, um leão branco da fazenda de sua família. Quando seu pai decide vender Charlie para caçadores de troféus, Mia não vê outra opção além de fugir com o leão para salvá-lo. A Vida de Diane | EUA | Drama Diane (Mary Kay Place) é uma viúva na casa dos 70 anos cuja vida é ditada pela necessidade dos outros. Ela passa seus dias levando comida para moradores de rua, visitando amigos no fim de suas vidas e tentando desesperadamente se conectar com seu filho viciado em drogas. Conforme ela vai perdendo essas peças de sua existência, ela se vê obrigada a olhar para si e confrontar sua própria identidade. Longa Jornada Noite Adentro | China | Drama Luo Hongwu volta para sua cidade natal depois ter ficado impune por um assassinato que cometeu há 12 anos. As memórias da mulher que matou voltam à tona. O passado, o presente, a realidade e a imaginação começam a se confrontar. Mormaço | Brasil | Drama Ana (Mariana Provenzzano) é uma defensora pública que trabalha contra a remoção da Vila Autódromo, comunidade da zona oeste do Rio de Janeiro que a prefeitura deseja riscar do mapa em virtude das instalações esportivas das Olimpíadas de 2016. Ela mesma correndo risco de perder sua casa por conta da especulação imobiliária que assola a cidade e cada vez mais cansada por conta do clima e da árdua luta, de repente percebe o surgimento de marcas misteriosas em seu corpo. A Quarta Parede | Brasil | Drama Membro de uma importante companhia de Teatro, Teo enfrenta os ossos do ofício da profissão de ator. Ele foi escalado para encenar a peça “Entre Quatro Paredes”, de Jean Paul Sartre, mas foi removido do elenco quando o diretor resolveu usar um critério duvidoso para montá-lo: a popularidade dos atores nas redes sociais. Sentindo que seus talentos foram desmerecidos, Teo decide usar as plataformas virtuais para manipular seus colegas de trabalho, mas a brincadeira acaba tendo consequências gravíssimas. B.O. | Brasil | Comédia Pedro (Daniel Belmonte) e Fabricio (André Pellegrino) são dois jovens cineastas que tentam de tudo para ter seus roteiros de comédia realizados, mas sempre acabam rejeitados. Frustrados, eles passam a acreditar que não são tão engraçados assim. Quando, em uma última tentativa de conseguir uma carreira, eles decidem fazer um drama de baixo orçamento para passar em festivais, seu futuro no cinema engata e tudo em que eles acreditavam entra em questionamento. Varda por Agnès | França | Documentário De mãe da Nouvelle Vague a ícone feminista, a diretora Agnès Varda expõe seus processos de criação e revela sua experiência com o fazer cinematográfico. A cineasta dá um enfoque especial no método de storytelling que ela denomina de “cine-writing”, uma espécie de fórmula utilizada por ela na grande maioria de seus documentários e ficções. Tunga, o Esquecimento das Paixões | Brasil | Documentário A trajetória do escultor, desenhista e artista performático conhecido como Tunga, a partir de fragmentos de suas performances, instalações e obras. O diretor Miguel de Almeida constrói sua visão da vida e da obra do artista e de Gerardo Mello Mourão, que além de escritor, poeta, jornalista e tradutor, era também pai de Tunga, trazendo material diversificado de um dos maiores artistas plásticos contemporâneos. A Parte do Mundo que me Pertence | Brasil | Documentário Pelas ruas de Belo Horizonte, o cineasta mineiro Marcos Pimentel só tem um objetivo: descobrir quais são os sonhos das pessoas que passam por ele. Entre uma menina com síndrome de down que deseja se tornar bailarina e um trabalhador que quer reformar a própria casa, o diretor revela o quanto um sonho é importante para a vida das pessoas. Amazônia, o Despertar da Florestania | Brasil | Documentário Como o Brasil tem lidado com a natureza e seus recursos naturais no início do século 20? Em que estado se encontra a Floresta Amazônica? A partir de entrevistas com especialistas das mais diversas áreas e com o resgate de figuras históricas, discute-se a noção de florestania, ou seja, a cidadania da floresta, termo necessário para refletir sobre a identidade brasileira.
Anima Mundi pode ser primeira vítima da “política cultural” de Bolsonaro
O Festival Anima Mundi, que tem sua 27ª edição prevista para julho no Rio e em São Paulo, pode se tornar o primeiro evento cinematográfico do ano cancelado pela “política cultural” do governo Bolsonaro. Um dos eventos de animação mais prestigiados do planeta, o Anima Mundi qualifica seus vencedores a disputar o Oscar da categoria. Mas Bolsonaro diz que “o Estado tem maiores prioridades”. O patrocínio da Petrobras, retirado de todos os eventos culturais por decisão presidencial, respondia por 30% do orçamento total do evento. Para tentar salvar o festival, os organizadores decidiram apelar para o financiamento coletivo. Antes de Bolsonaro, o orçamento médio do Anima Mundi era de R$ 3 milhões – por sinal, acima do teto de US$ 1 milhão estabelecido pelo governo para a nova Lei de Incentivo Cultural. Mas seria possível realizar uma versão enxuta, que mantivesse, além da mostra de filmes, alguns encontros dos profissionais com o público e debates, com R$ 800 mil de investimento, segundo Fernanda Cintra, produtora executiva do Anima Mundi. Entretanto, a expectativa é captar metade desse valor com o financiamento coletivo, para viabilizar ao menos as mostras. A campanha de financiamento coletivo do festival será lançada no dia 13 no site Benfeitoria.









