O Clube dos Canibais: Terror brasileiro ganha trailer e imagens
A Olhar Distribuição divulgou o pôster, quatro fotos e o trailer de “O Clube dos Canibais”, novo terror brasileiro, que tem direção de Guto Parente (“Inferninho”). A trama é uma alegoria sanguinária da luta de classes, centrada num um casal de ricos que literalmente devora seus empregados. Mas há traições entre a elite faminta, alimentadas por seu próprio machismo. Otávio (Tavinho Teixeira, de “O Nó do Diabo”) é membro do clube do título, que só admite homens. Mas sua mulher (Ana Luiza Rios, de “O Último Trago”) não está nada feliz por ser excluída da diversão e logo descobre um segredo de Borges (Pedro Domingues, de “O Shaolin do Sertão”), líder do grupo e um poderoso deputado. Todo filmado no estado do Ceará – em Fortaleza e na praia de Guajiru – o longa surgiu a partir de uma história real que aconteceu em meados do século 19 em Porto Alegre (RS), conhecida como os Crimes da Rua do Arvoredo, onde um casal atraia suas vítimas para casa, as matava, as esquarteja e produzia linguiças de carne humana. As linguiças eram vendidas em um açougue da cidade e muito apreciadas pela população. As vítimas eram homens seduzidos por Catarina Palse, que os fazia acreditar que ela iria para a cama com eles, mas que acabavam assassinados por seu marido. “Esse jogo sexual perverso e fetichista do casal foi o que eu peguei emprestado dessa macabra história real para criar os personagens e práticas do ‘Clube dos Canibais’, que aponta para um lugar talvez mais exagerado e absurdo ainda, por envolver questões de classe e poder”, conta o diretor em nota sobre o lançamento. “O Clube dos Canibais” fez sua estreia mundial no Festival de Rotterdam e já foi exibido em mais de 30 festivais internacionais, além de ter sido vendido para diversos territórios, com distribuição garantida em países como EUA, Alemanha, Japão, Inglaterra, Suécia, Noruega e Dinamarca. A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para o dia 3 de outubro.
Bolsonaro prepara corte de 43% no fundo que financia filmes e séries no Brasil
Em novo ataque contra o cinema nacional, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) decidiu reduzir a principal fonte de financiamento das produções audiovisuais no país. Um projeto de lei apresentado no Congresso prevê um corte de 43% do orçamento do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) em 2020. Ao todo, serão disponibilizados R$ 415,3 milhões para a produção de filmes e séries. A maior redução será nos chamados investimentos retornáveis ao setor audiovisual por meio de participação em empresas e projetos. É por esta ação que a Ancine aporta dinheiro em produções em busca de retornos financeiros. Em 2020, esse orçamento passará de R$ 650 milhões para R$ 300 milhões. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o ex-ministro da Cultura e deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) definiu o corte nos recursos do FSA como uma declaração de guerra do governo a um setor que gera empregos e é considerado icônico da nova economia. “Todos os países investindo em indústrias que se relacionem à criação, à criatividade, e o Brasil na contramão disso. Seja na parte de pesquisa e desenvolvimento científico, seja na parte de cultura e artes”, disse. Ele lembrou que o fundo se retroalimenta com os próprios resultados das produções e com as taxas cobradas, como a Condecine, tributo pago pela exploração comercial de obras audiovisuais. “Acaba sendo até pouco inteligente do ponto de vista da lógica administrativa”, criticou. “São medidas que têm um componente ideológico muito forte.” Calero considerou ainda que se trata de um processo “atrasado e obscuro” para conter a vanguarda de pensamentos. “No fundo, você tem aí mais um elemento de um grande processo autoritário.” O corte nos recursos do FSA é a mais recente medida adotada por Bolsonaro para tentar controlar a gestão do fundo. O presidente já manifestou vontade, em suas lives, de transferir o fundo para a Secretaria de Cultura, que faz parte do Ministério da Cidadania, de modo a colocar “filtros” sobre o material produzido. O objetivo seria acabar com o financiamento de conteúdo “impróprio”. Leia-se LGBTQIA+. E incentivar mais conteúdo “positivo”. Leia-se evangélico. No final de agosto, em almoço com jornalistas, Bolsonaro revelou planos de nomear um diretor evangélico para a Ancine e voltou a falar na criação de “filtros”. Bolsonaro também já disse que, se pudesse, simplesmente extinguiria a Ancine. Mas essa medida extrema afetaria até a regulação do setor. Assim, optou por medidas mais simbólicas, como a transferência da Ancine do Rio de Janeiro para Brasília em 2020 – operação que custará bilhões de reais a um governo que diz não ter dinheiro para apoiar a campanha de “A Vida Invisível” ao Oscar. Na verdade, o projeto anti-cultural do governo começou com a extinção do Ministério da Cultura e seguiu com a proibição de patrocínio de estatais a eventos culturais, imposição de limites mais restritos aos tetos de projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet), a exclusão de representantes do mercado e da sociedade civil do CSN (Conselho Superior de Cinema), a mudança do CSC para a pasta da Casa Civil, o fim de apoio da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para o programa Cinema do Brasil, voltado à exportação de filmes brasileiros, e outras iniciativas similares. Bolsonaro também não assinou o decreto da Cota de Tela, que estipula um determinado número de dias obrigatórios para que os cinemas exibam filmes brasileiros, que deveria ter sido publicado em janeiro, não escolheu os nomes do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que decide como alocar os recursos arrecadados pelas taxas do mercado, e não nomeou nomes que preencheriam vagas abertas na diretoria da Ancine. Aproveitando-se de seu próprio imobilismo, ainda suspendeu edital de financiamento que afeta diretamente a cadeia audiovisual em todo o país, com a justificativa de que não fez o que deveria, isto é, recompor os membros do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), responsável por direcionar as verbas arrecadadas com o Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, taxa cobrada da indústria de cinema, TV e telefonia), para poder liberar o financiamento. Por conta disso, toda a verba do FSA está congelada por tempo indeterminado. São ações que tem o objetivo claro de dificultar o máximo possível a produção de filmes e séries que dependem de incentivo, o que afeta a maioria das produções brasileiras.
Governo Bolsonaro não vai apoiar campanha de A Vida Invisível ao Oscar 2020
Pela primeira vez neste século, o governo brasileiro não apoiará o filme escolhido para representar o país na disputa de uma indicação ao Oscar 2020. “A Vida Invisível”, filme de Karim Aïnouz, não terá respaldo algum do governo Bolsonaro em sua campanha de divulgação nos Estados Unidos, considerada crucial para atrair a atenção dos eleitores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Segundo o UOL apurou, nem a Ancine nem o Ministério da Cidadania aprovaram apoio financeiro ao filme. O governo brasileiro autorizou apenas o apoio institucional da campanha brasileira. Isto é, a inclusão da marca do governo federal no filme. Isto porque “A Vida Invisível” foi parcialmente financiado com recursos oriundos da Lei do Audiovisual. Como comparação, em 2018, durante o governo Temer, o longa escolhido para representar o país na disputa, “O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues, recebeu cerca de R$ 200 mil do antigo Ministério da Cultura para sua divulgação em Hollywood. O corte reflete também o fim de apoio da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para o programa Cinema do Brasil, voltado à exportação de filmes brasileiros, e outras iniciativas similares. Felizmente, “A Vida Invisível” conta com um produtor de bom trânsito em Hollywood, Rodrigo Teixeira, dono da RT Features, que produziu, entre outros, “Me Chame pelo Seu Nome” (indicado ao Oscar de Melhor Filme em 2018), e fechou um acordo de distribuição internacional com a Amazon, que pretende investir um bom orçamento em marketing, para dar visualidade ao longa e o ajudar a conquistar espaço na disputa. A ideia é lançar primeiro nas salas de cinemas dos Estados Unidos, até o mês de dezembro, antes de chegar ao streaming, na Amazon Prime Video, que fará a distribuição internacional. “A Vida Invisível” é candidato muito mais forte que “O Grande Circo Místico”, do ano passado, por ter participado de competições internacionais e vencido prêmio de Melhor Filme da mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes. Ele ainda segue sendo exibido nos principais eventos de cinema do mundo, do Festival de Londres ao Festival de Toronto. Além disso, inclui Fernanda Montenegro no elenco, já indicada ao Oscar de Melhor Atriz por “Central do Brasil”. Sem esquecer que o diretor Karim Aïnouz (“Praia do Futuro”) também possuiu uma carreira reconhecida internacionalmente. O filme, baseado em livro de Martha Batalha, ainda explora temas em voga em Hollywood: a denúncia do machismo e o empoderamento feminino. A trama acompanha Eurídice e Guida, duas irmãs jovens e inseparáveis que enfrentam os pais conservadores no Rio de Janeiro dos anos 1950 para realizar seus sonhos. Eurídice (Carol Duarte, de “O Sétimo Guardião”) quer ser pianista na Áustria e Guida (Julia Stockler, da série “Só Garotas”) quer ir atrás de seu amor na Grécia. Nada sai como planejado, mas as duas contam com o apoio de outras mulheres para sobreviver ao mundo machista. A estreia no Brasil vai acontecer em duas fases. Primeiro,”A Vida Invisível” será lançado em algumas salas do Nordeste a partir de 19 de setembro. A distribuição nos demais estados, porém, está marcada apenas para 31 de outubro.
It: Capítulo Dois estreia em 1º lugar no Brasil
“It: Capítulo Dois” repetiu no Brasil o sucesso que tem feito em todo o mundo. Em seus primeiros dias de exibição, a continuação de “It: A Coisa” atingiu o topo das bilheterias brasileiras, com uma impressionante arrecadação de mais de R$ 18,2 milhões. O longa bateu recorde como o filme de terror mais assistido no final de semana de estreia durante o ano de 2019. Ao todo, o filme foi visto por mais de 1,1 milhão de pessoas no Brasil. Mas esse número reflete a distribuição em padrão de terra arrasada. “It: Capítulo Dois” foi lançado em mais de 2 mil salas no país (informação da Warner), num parque exibidor que soma pouco mais de 3 mil cinemas ao todo. Com isso, o filme do tio do prefeito do Rio, “Nada a Perder 2”, caiu para o 2º lugar — segundo o jornal O Globo “ainda naquela base: bilheteria gorda e salas vazias”. A continuação da cinebiografia do bispo Edir Macedo foi exibida em 1061 salas e levou 394 mil pessoas aos cinemas, com arrecadação de R$ 3,5 milhões. Bem atrás do terror americano. A segunda obra brasileira mais bem cotada do ranking, “Bacurau”, arrecadou R$ 1,4 milhão, mas foi apenas o 6º filme mais assistido entre quinta e domingo (8/9), de acordo com levantamento semanal da Comscore. Com distribuição muito inferior, em apenas 356 salas, levou 79 mil pessoas aos cinemas e agora acumula, em duas semanas no circuito, R$ 4,2 milhões em bilheteria e 254 mil espectadores. Veja abaixo o ranking das 10 maiores bilheterias do Brasil, segunda a Comscore. TOP 10 #bilheteria Final Semana 5 a 8 Setembro:1. It Capitulo Dois 2. Nada A Perder 23. Yesterday4. O Rei Leão5. Corgi: Top Dog6. Bacurau7. Era Uma Vez em…Hollywood8. VelozesFuriosos Hobbs & Shaw9. O Amor Dá Trabalho10. A Tabacaria — Comscore Movies BRA (@cSMoviesBrazil) September 9, 2019
Animação brasileira com Rodrigo Santoro é premiada no Festival de Veneza
O curta animado “A Linha”, de Ricardo Laganaro, foi premiado com o troféu de Melhor Experiência em Realidade Virtual do Festival de Veneza. O filme foi exibido na mostra dedicada a obras em Realidade Virtual, que exploram as possibilidades de interação entre público e filme. Com 13 minutos, o curta é narrado por Rodrigo Santoro e conta a história de um menino tímido que se apaixona por uma jovem, na São Paulo dos anos 1940. O espectador participa da trama ajudando o protagonista a escolher caminhos e a entregar uma flor à moça. “Incrível ser o segundo brasileiro aqui esta noite, não?”, disse o animador, ao receber o prêmio, referindo-se à conquista de Bárbara Paz, cujo filme “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou” foi considerado o Melhor Documentário do festival, em exibição na Mostra Venezia Classici.
Filme de Bárbara Paz ganha prêmio de melhor documentário do Festival de Veneza
O primeiro longa-metragem dirigido pela atriz Bárbara Paz ganhou um segundo prêmio no Festival de Veneza. Após conquistar o Bisato D’Oro, prêmio da crítica independente, “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou” foi considerado o Melhor Documentário do festival, em exibição na Mostra Venezia Classici, dedicada a obras que têm o cinema como temática. O documentário sobre os últimos dias do diretor Hector Babenco era o único longa brasileiro em toda a programação do Festival de Veneza 2019. “Estou muito emocionada e honrada. Hector dizia que fazer filmes era viver um dia a mais”, disse. “Hector, obrigada por acreditar em mim. Amo-o para sempre”, disse Paz, que foi casada com o cineasta, falecido em 2016. “Este prêmio é muito importante para o meu país. Precisamos dizer não à censura: vida longa à liberdade de expressão!”, acrescentou, ao receber o prêmio, em referência à escalada de atos que tentam proibir filmes, séries e até quadrinhos no Brasil. “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou” ainda não tem previsão de estreia comercial, mas já está confirmado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece em outubro.
Greta: Vencedor do Festival Cine Ceará ganha pôster e trailer oficiais
A Pandora Filmes divulgou o trailer e o pôster de “Greta”, grande vencedor do Festival Cine Ceará 2019, encerrado na noite de sexta-feira (6/9) em Fortaleza. A produção cearense ganhou o Troféu Mucuripe nas categorias de Melhor Filme, Direção e Ator (para Marco Nanini). A trama acompanha um enfermeiro (Nanini) que, para liberar uma vaga para internar sua amiga, a travesti Daniela (Denise Weinberg), resolve ajudar um jovem criminoso (Demick Lopes) a fugir do hospital. O enfermeiro esconde o homem em sua casa e os dois acabam tendo um romance. Inspirado livremente na peça de teatro “Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá”, sucesso dos anos 1970 de autoria de Fernando Melo, o filme também foi exibido no Festival de Berlim e premiado no Festival Internacional de Cinema Gay e Lésbico de Milão. O longa marca a estreia na direção de Armando Praça, roteirista da série “Me Chama de Bruna”, e tem previsão de estreia para 10 de outubro.
Filme Greta, de temática LGBTQIA+, vence o Festival Cine Ceará
O filme “Greta”, de Armando Praça, foi o grande vencedor do Festival Cine Ceará, encerrado na noite de sexta-feira (6/9) em Fortaleza. A produção cearense ganhou o Troféu Mucuripe nas categorias de Melhor Filme, Direção e Ator (para Marco Nanini). A trama acompanha um enfermeiro (Nanini) que, para liberar uma vaga para internar sua amiga, a travesti Daniela (Denise Weinberg), resolve ajudar um jovem criminoso (Demick Lopes) a fugir do hospital. O enfermeiro esconde o homem em sua casa e os dois acabam tendo um romance. Inspirado livremente na peça de teatro “Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá”, sucesso dos anos 1970 de autoria de Fernando Melo, o filme também foi exibido no Festival de Berlim e premiado no Festival Internacional de Cinema Gay e Lésbico de Milão. A premiação também destacou dois filmes latino-americanos. O peruano “Canção sem Nome”, de Melina León, levou quatro troféus: Fotografia (para Inti Briones), Trilha Sonora Original (para Pauchi Sasaki), Prêmio Olhar Universitário e Prêmio da Crítica. E a comédia germano-cubana “A Viagem Extraordinária de Celeste García”, de Arturo Infante, venceu nas categorias de Melhor Atriz (para Maria Isabel Díaz), Roteiro (para Arturo Infante) e Montagem (para Joanna Montero). Para completar, o documentário ‘Ressaca”, de Patrízia Landi e Vincent Rimbaux, recebeu o prêmio de Som e o longa cearense “Notícias do Fim do Mundo”, de Rosemberg Cariry, conquistou o prêmio de Direção de Arte.
Documentário de Bárbara Paz sobre Babenco é premiado no Festival de Veneza
O primeiro longa-metragem dirigido pela atriz Bárbara Paz foi premiado no Festival de Veneza. “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou”, documentário sobre os últimos dias do diretor Hector Babenco, conquistou o Bisato D’Oro, prêmio da crítica independente, no 76ª edição do tradicional festival italiano. O júri justificou a escolha em um comunicado, elogiando o documentário “porque o cinema está filmando a memória, porque o cinema está contando a história daqueles que vivem, daqueles que viveram, porque o cinema está comemorando o amor, porque o cinema é amor”. Paz se disse emocionada com a escolha e com as palavras do júri: “Eles entenderam tudo isso. O cinema é amor”. O diretor, que nasceu na Argentina e se naturalizou brasileiro, morreu em 2016, aos 70 anos, vítima de câncer. Foi casado com Bárbara Paz de 2010 até sua morte. E deixou um legado de filmes clássicos, entre eles “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1982) e “Carandiru” (2003).
Novo secretário da Cultura do governo Bolsonaro nunca trabalhou com Cultura
O Ministério da Cidadania nomeou Ricardo Braga como secretário especial de Cultura, por meio de publicação, na noite de quarta-feira (4/9), de uma edição extra do Diário Oficial da União. Representantes dos setores culturais nunca ouviram falar em seu nome. Nem ele teve qualquer atividade que pudesse qualificá-lo para a função. Braga é um paulistano de 50 anos, formado em Economia pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU-SP), com MBA em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). E toda sua carreira é voltada ao segmento financeiro, em bancos e corretoras. Foi superintendente de operações do Banco Votorantim e atuava como diretor de Investimentos do Andbank Brasil antes de ser convidado para a secretaria. Em nota, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, afirma que a indicação “corresponde às necessidades da pasta em imprimir um maior dinamismo e eficiência aos projetos da Secretaria Especial de Cultura”. De fato, sua nomeação indica o prosseguimento do projeto destrutivo do ministro para o cinema brasileiro. Em evento pouco repercutido do grupo Voto, que aconteceu no final de agosto em São Paulo, o ministro da Cidadania anunciou seus planos para acabar com o cinema de arte brasileiro e as cotas de mercado para o cinema nacional. Osmar Terra defende que o estado só deve patrocinar filmes populares e lucrativos. “O cinema tem que buscar o público, não pode ser uma coisa só autoral para os amigos que gostam muito do cineasta gostarem do filme”, ele atacou, considerando o investimento em filmes que rendem “apenas” prêmios em festivais internacionais “um gasto enorme com filmes que ninguém vai ver”. Ele ainda afirmou que o Estado não deverá mais incentivar filmes que “não tem importância nenhuma para a sociedade”, como, por exemplo, os que tratam de sexualidade ou abordem temas LGBTQIA+, que o presidente Bolsonaro considera “impróprios”. Outro detalhe desse plano é a exigência de que parte do dinheiro de incentivo, usado para produzir filmes, tenha que ser devolvida com arrecadação em bilheteria. “Nós temos que rever a forma de fazer o financiamento. Transformar em um financiamento que tem que ser devolvido. Criar uma forma de buscar o público, se não ficam filmes que ninguém assiste. É um gasto enorme com filmes que ninguém vai ver”, propôs. Para completar, o ministro também acha que a reserva de um espaço mínimo em salas de cinema para filmes nacionais representam uma afronta ao mercado. “Cota para filme nacional no cinema também não pode durar muito. É uma lei que até ano que vem tem cota. Depois tem que rever isso”, ameaçou no mesmo evento. Ao escolher um nome do mercado para gerenciar a pasta da Cultura, fica claro que o projeto de destruição segue firme e forte. Esta é a missão de Braga ao assumir a vaga do demissionário Henrique Pires, que deixou a pasta denunciando o projeto de censura do governo.
It: Capítulo Dois tem um dos maiores lançamentos do ano no Brasil
“It: Capítulo Dois” é o maior lançamento dos cinemas nesta quinta-feira (5/9). E põe grande nisso. A sequência do filme de 2017 terá uma das distribuições mais amplas do ano, estimada em quase 2 mil salas, atrás apenas de “Vingadores: Ultimato” – 2,7 mil telas, recorde do monopólio cinematográfico no país. Como o Brasil tem pouco mais de 3 mil cinemas, isso significa que muitos multiplexes vão passar o filme em mais de duas salas simultaneamente. A expectativa é elevada, porque o primeiro “capítulo” se tornou o terror de maior bilheteria de todos os tempos – US$ 700 milhões de arrecadação mundial. A trama foca a segunda parte do livro “It: A Coisa” de Stephen King, em que o Clube dos Perdedores volta a se reunir após 27 anos para, já adultos, enfrentar pela última vez o palhaço assassino. O elenco da fase adulta tem atores famosos, como Jessica Chastain, James McAvoy (ambos de “X-Men: Fênix Negra”) e Bill Hader (série “Barry”) nos papéis desempenhados pelas crianças do longa anterior. Mas, curiosamente, a crítica não gostou tanto da nova história, que apela para efeitos digitais, sacrificando o clima de medo e a influência spielberguiana do primeiro. Com lançamento também marcado para este fim de semana nos Estados Unidos, o “Capítulo 2” atingiu 72% de aprovação nas primeiras 100 críticas compiladas pelo agregador Rotten Tomantoes, enquanto a primeira parte foi aprovada por 86%. Detalhe: considerando apenas os “top critics” (a imprensa propriamente dita), a continuação não passa dos 45% de aprovação. O circuito alternativo oferece poucas opções – por falta de salas. Ao menos, apresenta “A Tabacaria”, de Nikolaus Leytner, que foi um dos últimos trabalhos do grande ator Bruno Ganz (“A Queda! As Últimas Horas de Hitler”). Ele interpreta o pai da psicanálise Sigmund Freud, um dos clientes da tabacaria do título. Mas a trama é centrada no jovem balconista que providencia seus charutos, apaixonado por uma artista de cabaré. Apesar dessa premissa, não se trata de uma comédia romântica. Ao contrário, explora o amadurecimento de seu protagonista durante a ascensão do nazismo em Viena – com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes. A lista também inclui algumas armadilhas para cinéfilos. “Vision”, novo filme da premiada cineasta japonesa Naomi Kawase (“Esplendor”), estrelado pela francesa Juliette Binoche (“Ghost in the Shell”), leva o estilo contemplativo da cineasta ao limite e passa longe de seus melhores esforços – registrou apenas 50% no RT. Já “Chicuarotes” pode atrair curiosos por ser dirigido pelo ator Gael Garcia Bernal (“Museu”). Entretanto, seus palhaços adolescentes assaltantes de ônibus e sequestradores de crianças são mais convencionais que a descrição sugere. Na verdade, o filme se dividiu entre decepcionar a crítica – 33% no RT – e agradar o público – 7,2 no IMDb. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. It: Capítulo Dois | EUA | Terror 27 anos depois dos eventos de “It: A Coisa”, Mike (Isaiah Mustafa) percebe que o palhaço Pennywise (Bill Skarsgard) está de volta à cidade de Derry. Ele convoca os antigos amigos do Clube dos Perdedores para honrar a promessa de infância e acabar com o inimigo de uma vez por todas. Mas quando Bill (James McAvoy), Beverly (Jessica Chastain), Ritchie (Bill Hader), Ben (Jack Ryan) e Eddie (James Ransone) retornam às suas origens, eles precisam confrontar traumas nunca resolvidos de suas infâncias, e que repercutem até hoje na vida adulta. A Tabacaria | Áustria, Alemanha | Drama Um jovem de 17 anos chamado Franz (Simon Morzé) começa a trabalhar como aprendiz em uma tabacaria onde Sigmund Freud (Bruno Ganz) é um cliente frequente. Após um tempo, os dois estabelecem uma forte relação de amizade. Certa vez, o jovem se apaixona por uma moça, Anezka (Emma Drogunova), e começa a pedir conselhos amorosos para Freud, que, embora seja um renomado psicanalista, confirma que, até mesmo para ele, os mistérios femininos têm uma grande potência. Em meio a uma grave tensão política na Áustria e a ascensão do nazismo, os três personagens se vêem no dilema entre sair do país ou permanecer nele. Vision | Japão, França | Drama A ensaísta francesa Jeanne, que escreve diários de viagens, passa o verão na floresta Nara em busca da erva medicinal chamada Vision. Durante sua jornada, ela conhece o Satoshi e uma relação floresce enquanto as estações passam. Mas a verdadeira razão para a visita de Jeanne ao local ainda é desconhecida. Chicuarotes | México | Drama Cagalera (Benny Emmanuel) e Moloteco (Gabriel Carbajal) são dois amigos adolescentes que vivem em San Gregorio, bairro periférico da Cidade do México. Insatisfeitos com sua difícil situação financeira e status social, acabam se envolvendo com o mundo do crime ao executar pequenos delitos, na esperança de uma nova vida em outro lugar. Além das consequências de seus atos, os jovens precisam lidar com a falta de perspectiva na região e parentes abusivos que tornam a convivência no lar ainda mais problemática. Corgi: Top Dog | Bélgica | Animação O corgi Rex foi escolhido como “Top Dog”, o cachorro preferido da Rainha. Ele vive cercado de outros cachorros no Palácio de Buckingham, repleto de alimentos finos e outras mordomias. Quando uma visita do presidente Donald Trump à Inglaterra tem desdobramentos negativos graças a Rex, o cachorro abandona o Palácio e se aventura por Londres. No caminho, faz novos amigos no canil e se apaixona por Wanda, uma cadela prometida ao cão mais valente do local. Rex precisará reunir todos os esforços necessários para conquistar o amor da sua vida e voltar aos braços da Rainha. O Corpo é Nosso! | Brasil | Documentário O abismo existente entre a trajetória da desconstrução do corpo da mulher como objeto ainda é real. Este documentário traz à tona grande parte da questão da liberdade do corpo feminino, seja na música, dança ou na sexualidade, relacionada a desconstrução da visão de masculinidade a partir do feminismo. Inclusive, há a presença de episódios de ficção que mostram as atitudes ainda machistas, racistas e preconceituosas tomadas pelos homens e por grande parte da sociedade, sejam elas inconscientes ou não.
José Padilha vai produzir filme sobre o rapper Sabotage
A produtora Zazen, do cineasta José Padilha (“Tropa de Elite”), vai realizar um filme sobre a vida do rapper paulista Sabotage, nome artístico de Mauro Mateus dos Santos Filho. Orçado em R$ 9 milhões, o longa-metragem vai chegar aos cinemas em 2020, 17 anos após a morte do cantor, uma das figuras mais importantes do rap nacional. Sabotage inspirou milhares de jovens ao gravar um rap consciente e carregado de realidade. Ela saiu do tráfico para criar rimas sobre a vida violenta na periferia e lançou um álbum elogiadíssimo em 2000, “Rap É Compromisso!”. Com a carreira em ascensão, chegou a participar dos filmes “O Invasor” (2002), dirigido por Beto Brant, e do premiado “Carandiru” (2003), de Hector Babenco. Mas foi alvejado com quatro tiros em via pública, após deixar sua esposa no trabalho, na manhã de 24 de janeiro de 2003. O suspeito Sirlei Menezes da Silva tentou colocar a culpa no PCC, mas acabou condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato do artista. Relembre abaixo o clipe “Um Bom Lugar”, uma das músicas mais conhecidas do rapper, que teve entre seus diretores Beto Brant.
Bacurau ganha capa da revista francesa Cahiers du Cinéma
O filme “Bacurau” ilustra a capa da edição de setembro da “Cahiers du Cinéma”, conceituada revista francesa de cinema e mais conhecida publicação voltada a filmes de arte em todo o mundo. A revista traz uma entrevista com os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e também um dossiê de 20 páginas sobre a situação do cinema brasileiro atual. Ilustrando a foto de capa, há uma chamada para “O Brasil de Bolsonaro”. Outros entrevistados da publicação incluem Fellipe Barbosa (“Gabriel e a Montanha”), Eryk Rocha (“Cinema Novo”), Marco Dutra (“As Boas Maneiras”), Camila Freitas (“Chão”) e Guto Parente (“Inferninho”). A Cahiers tem feito muito elogios sobre a qualidade do cinema feito no Brasil, considerando a atual geração de cineastas como a melhor do cinema brasileiro desde os movimentos do Cinema Novo e os chamados “marginais”. Ao mesmo tempo, lamenta que eles também precisem enfrentar o governo, em vez de receber apoio para levar sua arte ao resto do mundo. Um dos filmes brasileiros mais premiados do ano, “Bacurau” foi reconhecido nos festivais de Munique, de Lima e pelo importante Prêmio do Júri do Festival de Cannes. A trama, passada numa comunidade nordestina que desaparece dos mapas, promove uma mistura de gêneros que envolve o espectador numa trama misteriosa/metáfora de resistência estrelada por Sonia Braga (“Aquarius”), Barbara Colen (idem), Karine Teles (“Benzinho”) e pelo alemão Udo Kier (do clássico “Suspiria”), entre outros. Apesar da distribuição limitada a apenas 250 cinemas em todo o país, o longa arrecadou mais de R$ 1,5 milhão em seu fim de semana de estreia.







