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    It: Capítulo Dois tem um dos maiores lançamentos do ano no Brasil

    5 de setembro de 2019 /

    “It: Capítulo Dois” é o maior lançamento dos cinemas nesta quinta-feira (5/9). E põe grande nisso. A sequência do filme de 2017 terá uma das distribuições mais amplas do ano, estimada em quase 2 mil salas, atrás apenas de “Vingadores: Ultimato” – 2,7 mil telas, recorde do monopólio cinematográfico no país. Como o Brasil tem pouco mais de 3 mil cinemas, isso significa que muitos multiplexes vão passar o filme em mais de duas salas simultaneamente. A expectativa é elevada, porque o primeiro “capítulo” se tornou o terror de maior bilheteria de todos os tempos – US$ 700 milhões de arrecadação mundial. A trama foca a segunda parte do livro “It: A Coisa” de Stephen King, em que o Clube dos Perdedores volta a se reunir após 27 anos para, já adultos, enfrentar pela última vez o palhaço assassino. O elenco da fase adulta tem atores famosos, como Jessica Chastain, James McAvoy (ambos de “X-Men: Fênix Negra”) e Bill Hader (série “Barry”) nos papéis desempenhados pelas crianças do longa anterior. Mas, curiosamente, a crítica não gostou tanto da nova história, que apela para efeitos digitais, sacrificando o clima de medo e a influência spielberguiana do primeiro. Com lançamento também marcado para este fim de semana nos Estados Unidos, o “Capítulo 2” atingiu 72% de aprovação nas primeiras 100 críticas compiladas pelo agregador Rotten Tomantoes, enquanto a primeira parte foi aprovada por 86%. Detalhe: considerando apenas os “top critics” (a imprensa propriamente dita), a continuação não passa dos 45% de aprovação. O circuito alternativo oferece poucas opções – por falta de salas. Ao menos, apresenta “A Tabacaria”, de Nikolaus Leytner, que foi um dos últimos trabalhos do grande ator Bruno Ganz (“A Queda! As Últimas Horas de Hitler”). Ele interpreta o pai da psicanálise Sigmund Freud, um dos clientes da tabacaria do título. Mas a trama é centrada no jovem balconista que providencia seus charutos, apaixonado por uma artista de cabaré. Apesar dessa premissa, não se trata de uma comédia romântica. Ao contrário, explora o amadurecimento de seu protagonista durante a ascensão do nazismo em Viena – com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes. A lista também inclui algumas armadilhas para cinéfilos. “Vision”, novo filme da premiada cineasta japonesa Naomi Kawase (“Esplendor”), estrelado pela francesa Juliette Binoche (“Ghost in the Shell”), leva o estilo contemplativo da cineasta ao limite e passa longe de seus melhores esforços – registrou apenas 50% no RT. Já “Chicuarotes” pode atrair curiosos por ser dirigido pelo ator Gael Garcia Bernal (“Museu”). Entretanto, seus palhaços adolescentes assaltantes de ônibus e sequestradores de crianças são mais convencionais que a descrição sugere. Na verdade, o filme se dividiu entre decepcionar a crítica – 33% no RT – e agradar o público – 7,2 no IMDb. Confira abaixo a lista completa das estreias da semana com suas sinopses e trailers. It: Capítulo Dois | EUA | Terror 27 anos depois dos eventos de “It: A Coisa”, Mike (Isaiah Mustafa) percebe que o palhaço Pennywise (Bill Skarsgard) está de volta à cidade de Derry. Ele convoca os antigos amigos do Clube dos Perdedores para honrar a promessa de infância e acabar com o inimigo de uma vez por todas. Mas quando Bill (James McAvoy), Beverly (Jessica Chastain), Ritchie (Bill Hader), Ben (Jack Ryan) e Eddie (James Ransone) retornam às suas origens, eles precisam confrontar traumas nunca resolvidos de suas infâncias, e que repercutem até hoje na vida adulta. A Tabacaria | Áustria, Alemanha | Drama Um jovem de 17 anos chamado Franz (Simon Morzé) começa a trabalhar como aprendiz em uma tabacaria onde Sigmund Freud (Bruno Ganz) é um cliente frequente. Após um tempo, os dois estabelecem uma forte relação de amizade. Certa vez, o jovem se apaixona por uma moça, Anezka (Emma Drogunova), e começa a pedir conselhos amorosos para Freud, que, embora seja um renomado psicanalista, confirma que, até mesmo para ele, os mistérios femininos têm uma grande potência. Em meio a uma grave tensão política na Áustria e a ascensão do nazismo, os três personagens se vêem no dilema entre sair do país ou permanecer nele. Vision | Japão, França | Drama A ensaísta francesa Jeanne, que escreve diários de viagens, passa o verão na floresta Nara em busca da erva medicinal chamada Vision. Durante sua jornada, ela conhece o Satoshi e uma relação floresce enquanto as estações passam. Mas a verdadeira razão para a visita de Jeanne ao local ainda é desconhecida. Chicuarotes | México | Drama Cagalera (Benny Emmanuel) e Moloteco (Gabriel Carbajal) são dois amigos adolescentes que vivem em San Gregorio, bairro periférico da Cidade do México. Insatisfeitos com sua difícil situação financeira e status social, acabam se envolvendo com o mundo do crime ao executar pequenos delitos, na esperança de uma nova vida em outro lugar. Além das consequências de seus atos, os jovens precisam lidar com a falta de perspectiva na região e parentes abusivos que tornam a convivência no lar ainda mais problemática. Corgi: Top Dog | Bélgica | Animação O corgi Rex foi escolhido como “Top Dog”, o cachorro preferido da Rainha. Ele vive cercado de outros cachorros no Palácio de Buckingham, repleto de alimentos finos e outras mordomias. Quando uma visita do presidente Donald Trump à Inglaterra tem desdobramentos negativos graças a Rex, o cachorro abandona o Palácio e se aventura por Londres. No caminho, faz novos amigos no canil e se apaixona por Wanda, uma cadela prometida ao cão mais valente do local. Rex precisará reunir todos os esforços necessários para conquistar o amor da sua vida e voltar aos braços da Rainha. O Corpo é Nosso! | Brasil | Documentário O abismo existente entre a trajetória da desconstrução do corpo da mulher como objeto ainda é real. Este documentário traz à tona grande parte da questão da liberdade do corpo feminino, seja na música, dança ou na sexualidade, relacionada a desconstrução da visão de masculinidade a partir do feminismo. Inclusive, há a presença de episódios de ficção que mostram as atitudes ainda machistas, racistas e preconceituosas tomadas pelos homens e por grande parte da sociedade, sejam elas inconscientes ou não.

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  • Filme,  Música

    José Padilha vai produzir filme sobre o rapper Sabotage

    5 de setembro de 2019 /

    A produtora Zazen, do cineasta José Padilha (“Tropa de Elite”), vai realizar um filme sobre a vida do rapper paulista Sabotage, nome artístico de Mauro Mateus dos Santos Filho. Orçado em R$ 9 milhões, o longa-metragem vai chegar aos cinemas em 2020, 17 anos após a morte do cantor, uma das figuras mais importantes do rap nacional. Sabotage inspirou milhares de jovens ao gravar um rap consciente e carregado de realidade. Ela saiu do tráfico para criar rimas sobre a vida violenta na periferia e lançou um álbum elogiadíssimo em 2000, “Rap É Compromisso!”. Com a carreira em ascensão, chegou a participar dos filmes “O Invasor” (2002), dirigido por Beto Brant, e do premiado “Carandiru” (2003), de Hector Babenco. Mas foi alvejado com quatro tiros em via pública, após deixar sua esposa no trabalho, na manhã de 24 de janeiro de 2003. O suspeito Sirlei Menezes da Silva tentou colocar a culpa no PCC, mas acabou condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato do artista. Relembre abaixo o clipe “Um Bom Lugar”, uma das músicas mais conhecidas do rapper, que teve entre seus diretores Beto Brant.

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  • Filme

    Bacurau ganha capa da revista francesa Cahiers du Cinéma

    4 de setembro de 2019 /

    O filme “Bacurau” ilustra a capa da edição de setembro da “Cahiers du Cinéma”, conceituada revista francesa de cinema e mais conhecida publicação voltada a filmes de arte em todo o mundo. A revista traz uma entrevista com os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e também um dossiê de 20 páginas sobre a situação do cinema brasileiro atual. Ilustrando a foto de capa, há uma chamada para “O Brasil de Bolsonaro”. Outros entrevistados da publicação incluem Fellipe Barbosa (“Gabriel e a Montanha”), Eryk Rocha (“Cinema Novo”), Marco Dutra (“As Boas Maneiras”), Camila Freitas (“Chão”) e Guto Parente (“Inferninho”). A Cahiers tem feito muito elogios sobre a qualidade do cinema feito no Brasil, considerando a atual geração de cineastas como a melhor do cinema brasileiro desde os movimentos do Cinema Novo e os chamados “marginais”. Ao mesmo tempo, lamenta que eles também precisem enfrentar o governo, em vez de receber apoio para levar sua arte ao resto do mundo. Um dos filmes brasileiros mais premiados do ano, “Bacurau” foi reconhecido nos festivais de Munique, de Lima e pelo importante Prêmio do Júri do Festival de Cannes. A trama, passada numa comunidade nordestina que desaparece dos mapas, promove uma mistura de gêneros que envolve o espectador numa trama misteriosa/metáfora de resistência estrelada por Sonia Braga (“Aquarius”), Barbara Colen (idem), Karine Teles (“Benzinho”) e pelo alemão Udo Kier (do clássico “Suspiria”), entre outros. Apesar da distribuição limitada a apenas 250 cinemas em todo o país, o longa arrecadou mais de R$ 1,5 milhão em seu fim de semana de estreia.

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  • Filme

    Bacurau faz R$ 1,5 milhão em fim de semana de estreia

    2 de setembro de 2019 /

    Um dos filmes brasileiros mais premiados do ano, “Bacurau” também se tornou oficialmente um dos maiores sucessos nacionais de público em 2019. Depois de conquistar prêmios nos festivais de Munique, de Lima e o importante Prêmio do Júri do Festival de Cannes, o longa de Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”) e Juliano Dornelles (“O Ateliê da Rua do Brum”) arrecadou R$ 1,5 milhão em bilheteria no primeiro fim de semana em cartaz. Segundo levantamento da Comscore, mais de 86 mil pessoas foram assistir a estreia do longa, uma mistura de gêneros que envolve o espectador numa trama misteriosa/metáfora de resistência, estrelada por Sonia Braga (“Aquarius”), Barbara Colen (idem), Karine Teles (“Benzinho”) e pelo alemão Udo Kier (do clássico “Suspiria”), entre outros. Os números são muito bons para as condições de lançamento do filme, que chegou em apenas 250 cinemas em todo o país. O dado da distribuição é importante, porque relativiza o fato de “Bacurau” ter aberto “apenas” em 6º lugar. A verdade é que sua bilheteria representa um dos maiores sucessos dramáticos do Brasil em 2019, atraindo mais público, inclusive, que o filão das cinebiografias, como “Minha Fama de Mau” e “Simonal”. A estreia de “Bacurau” só perde mesmo para as comédias blockbusters com astros de TV, que contam com ampla cobertura televisiva e lançamento em mais de 500 cinemas. A informação dos filmes mais vistos no fim de semana ainda destaca “Nada a Perder 2”, a cinebiografia do bispo Edir Macedo, que neste fim de semana vendeu 677 mil ingressos e arrecadou mais R$ 6,6 milhões com salas supostamente vazias (denúncia do portal UOL e do jornal O Globo), “O Rei Leão”, com público de 224 mil pessoas e renda de R$ 3,8 milhões, e o estreante “Yesterday”, que abriu em 3º lugar com 177 mil ingressos vendidos e R$ 3,5 milhões. Confira abaixo o Top 10 das bilheterias nacionais compilado pela Comscore. TOP 10 #bilheteria #cinemas Finde 29/8 a 1/9:1. Nada A Perder 22. O Rei Leão3. Yesterday4. Era Uma Vez em…Hollywood5. Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw6. Bacurau7. Brinquedo Assassino 8. Anna – O Perigo Tem Nome9. O Amor Dá Trabalho10. Os Brinquedos Mágicos — Comscore Movies BRA (@cSMoviesBrazil) September 2, 2019

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  • Etc

    Ex-presidente da Ancine vira réu por formação de quadrilha

    2 de setembro de 2019 /

    A juíza Adriana Cruz, da 5ª Vara Federal Criminal do Rio, aceitou denúncia do MPF e tornou réus o diretor-presidente afastado da Ancine, Christian de Castro Oliveira, e mais sete pessoas, informou o jornal O Globo. Segundo o MPF (Ministério Público Federal) no Rio, o grupo teria atuado, de outubro de 2017 a janeiro de 2018, para desonrar a imagem de outros diretores da agência que concorriam à vaga de presidente do órgão. O objetivo era abrir margem para que Christian fosse eleito e que todos os envolvidos tivessem promoção em cargos públicos. Christian de Castro Oliveira foi nomeado presidente da Ancine em janeiro de 2018, durante o governo de Michel Temer, e tinha mandato até 2021. Ele iniciou a carreira no mercado financeiro nos anos 1990 e entrou no mercado cinematográfico começou quando fundou, com seu irmão, o roteirista e diretor Erik de Castro, a BSB Cinema Produções. Na empresa, assinou a produção de filmes como “Senta a Pua!”, “A Cobra Fumou” e “Federal”. Ele também foi diretor das distribuidoras Vereda Filmes e Lumière, diretor comercial da RioFilme, CEO da Luz Mágica Produções Audiovisuais, membro do Conselho de Administração das produtoras Glaz Entretenimento e Oca Animation e diretor da Luminosidade, pela Inbrands. O MPF acusa o grupo envolvido com Christian de violação de sigilo funcional, prevaricação, crimes contra a honra, denunciação criminosa e associação criminosa. O ex-ministro da Cultura e atual secretário estadual de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, está entre os denunciados. O MPF também requereu a indisponibilidade de bens e ressarcimento integral dos danos causados à União, além do afastamento de cinco denunciados de seus cargos. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro demitiu Christian do cargo de presidente da Ancine e afirmou que irá indicar um evangélico para assumir uma das vagas abertas na direção da entidade.

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    Bolsonaro diz que vai nomear diretor evangélico na Ancine

    1 de setembro de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro disse que quer na Agência Nacional de Cinema (Ancine) um diretor de perfil evangélico. Em almoço com jornalistas, Bolsonaro afirmou que pretende encontrar alguém que saiba “recitar 200 versículos bíblicos”, tenha o joelho machucado de tanto rezar e carregue a bíblia “encaixada debaixo do braço” para comandar a agência. “É um certo exagero, mas eu sou um presidente conservador”, acrescentou, ao comentar o decreto que na sexta-feira (30/8) exonerou Christian de Castro Oliveira da presidência da entidade, e voltando a demonstrar descontentamento com a gestão liberal da Ancine. Bolsonaro também disse recentemente que iria nomear um ministro “terrivelmente evangélico” para o STF (Supremo Tribunal Federal) e que contava com um ministro “terrivelmente evangélico” na AGU (Advocacia Geral da União). Com essa linha de atuação, ele avança sobre a divisão entre estado e religião estabelecida pela Constituição. “O estado é laico, mas nós somos cristãos”, já disse e repetiu outras vezes, como defesa de sua atuação. A intensão de Bolsonaro parece ser realmente transformar em realidade a distopia imaginada pelo filme “Divino Amor”, de Gabriel Mascaro. Com 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes, “Divino Amor” mostra um Brasil do futuro tão “terrivelmente evangélico” que nem carnaval tem mais. E onde regras rígidas e vigilância constante impedem a população de se desviar dos ideais consagrados pela religião. Por identificar em Bolsonaro o grande arquiteto dessa distopia, Mascaro nem sequer inscreveu seu filme para disputar uma vaga entre os selecionados ao Oscar de Melhor Filme Internacional. O cineasta tem profunda clareza de que “Divino Amor” jamais seria escolhido numa comissão estabelecida por ministério do atual governo, cuja pauta é evangelicamente “terrível”, a começar por defender “filtros” (outro nome para censura) no cinema nacional.

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    Bacurau mistura ação e reflexão num filme de peso

    1 de setembro de 2019 /

    Novo filme de Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”) e Juliano Dornelles (“O Ateliê da Rua do Brum”), “Bacurau” é um western brasileiro. Segue a trilha dos históricos “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1963) e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969), de Glauber Rocha (1938-1981). Filmes que já se pautavam por grande força política e preocupação social, tentando desvendar um universo nordestino, marcado pela violência opressora, de um lado, e resistente, de outro. Dialoga também com a produção nacional que sempre teve nos cangaceiros uma fonte de inspiração permanente, oportunidade de pensar e de criar a partir da realidade do nordeste brasileiro para alcançar o país. “Bacurau” incorpora novos elementos a tudo isso. Tem invasores agressores e poderosos. Que chegam a tirar o povoado do mapa e produzem assassinatos aparentemente inexplicáveis, valendo-se até de drones com aspecto de disco voador. Falam inglês, seu comandante é um alemão com pinta e comportamento de nazista, e os colaboradores que atuam com eles falando português, além do inglês, são desprezados e descartados na primeira oportunidade. Ou seja, estamos no terreno da alegoria política, que soa tão atual, mas talvez seja mesmo uma constante da nossa história. Até porque a trama não se nutre do momento atual (foi filmado antes da eleição de Bolsonaro), embora pareça inspirado nele. Percepção acurada? Premonição? Visão apurada do processo histórico, da relação entre a casa-grande, a senzala e a dimensão internacional que as envolve. A produção mistura ação e reflexão no mesmo produto. É um filme forte, intrigante, provocador, mas é também uma aventura, muito envolvente. Por isso, pode ser visto como um filme de gênero, embora não esteja preocupado em seguir cartilhas ou convenções. Fala ao sentimento do público, mostra uma violência que tem de ser decifrada e que, afinal, leva a algumas conclusões. Talvez distintas, para cada grupo de espectadores. Mas que deve mexer com todo mundo, de um jeito ou de outro. Um elenco enorme e dedicadíssimo a seus personagens passa uma sensação de grande veracidade e remete a um mundo tão familiar quanto distante. Sonia Braga, como a dra. Domingas, reúne as dimensões da solidariedade e do descontrole, a indicar a profunda humanidade da figura que encarna. O alemão Udo Kier (astro de inúmeros terrores clássicos) é a maldade forasteira, mas também o impasse e a solidão. Bárbara Colen faz Teresa, mulher forte e lutadora. Os forasteiros colaboracionistas são patéticos, mas a gente até se esquece disso porque Karine Teles e Antonio Saboia nos conquistam pela qualidade de seus desempenhos. Thomás Aquino, como Pacote, e o inusitado bandido local Lunga, papel de Silvero Pereira, nos mostram como é estar no fio da navalha entre a fome e o crime. Todos os personagens são bem construídos e têm um ator ou atriz à sua altura. A trilha sonora é também bem marcante, vai de Gal Costa e seu objeto voador não-identificado a Geraldo Vandré, passando por Sérgio Ricardo. Marcos reconhecíveis da resistência que sempre pautou a nossa música e o nosso cinema, que combinam bem com a temática tratada no filme. A comunidade do povoado da Barra, no Rio Grande do Norte, divisa com a Paraíba, onde a maior parte do filme foi gravada, participou ativamente dos trabalhos de apoio à produção e como figurantes, contribuindo para a autenticidade das situações mostradas. “Bacurau” é um filme de peso da produção brasileira recente, que já vem recebendo o maior reconhecimento internacional, na forma de convites para mais de 100 festivais e mostras de cinema pelo mundo, e já conquistou prêmios nos festivais de cinema de Munique, de Lima e o importante Prêmio do Júri do Festival de Cannes.

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    Simonal desmistifica história do primeiro astro pop negro do Brasil

    31 de agosto de 2019 /

    Wilson Simonal tem uma história obtusa, com reveses duvidosos e meandros complexos, isso é fato. A música de Simonal, por sua vez, é leveza, sorriso e diversão pura, de um balanço e um swing únicos. O longa “Simonal”, de Leonardo Domingues, tenta mais uma vez resgatar e desmistificar tudo que ronda a história daquele que foi o primeiro grande astro pop negro do Brasil. O resultado final é uma cinebiografia bem acima da média da maioria lançada nos últimos anos em nosso cinema: ritmo coeso, bom recorte temporal, atuações certeiras e uma direção firme fazem do filme uma sessão imperdível. “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” (2009), documentário dirigido por Micael Langer, Calvito Leral e Cláudio Manoel, deu nova luz à história de Wilson Simonal dez anos atrás, quando o artista passou por redescoberta de público e mídia. “Simonal”, o novo longa, busca levar essa redescoberta a um público ainda maior, expandindo esse resgate com uma história cheia de complexidades. Simonal era astro gigante, do tipo que carregava multidões com hits geniais, porém em um jogo perigoso que envolvia ego elevado e gastos exacerbados, o artista entrou em uma espiral negativa, que o fez ter envolvimentos escusos com os militares da época. Em tempos espinhosos de ditadura militar, alimentou-se a história de que o músico era uma espécie de informante dos milicos. Pronto, estava formada a fogueira de Simonal, o “grande dedo duro dos anos 1970”. Até sua morte, em 2000, o músico viveu na obscuridade, tentando repetidamente provar que nunca dedurou ninguém. O longa de estreia de Leonardo Domingues busca reconstruir a ascensão e queda de Simonal em um arco bem definido, que começa com o encontro do músico com Carlos Imperial, passa pelo seu sucesso comercial e esmiúça a derrocada com olhar sincero. Sinceridade é uma palavra-chave em “Simonal”, já que estamos mergulhados em um mar de cinebiografias que são chapas-brancas e buscam mais contar os louros de seus biografados do que realmente uma história com vieses. O roteiro de Victor Atherino não busca pintar um Simonal perfeito e imaculado, que sofreu nas mãos de algozes, pelo contrário, apresenta um personagem extremamente humano, cheio de falhas, defeitos e erros, mas que sabia bem o afronte que era ser um astro negro e rico em um país racista como o Brasil. O personagem ganha vida nas telas por Fabrício Boliveira, que consegue captar o charme e todas as dualidades do artista. Ísis Valverde é sua principal parceria de cena, interpretando a esposa Teresa em atuação segura e convincente, apesar do mar de perucas ruins de sua caracterização (os dois já tinham trabalho juntos em “Faroeste Caboclo”, do mesmo roteirista). Há outros destaques no elenco, como a incrível personificação de Miele por João Velho, ou mesmo Mariana Lima como Laura Figueiredo. Por outro lado, Carlos Imperial, personagem fundamental do universo pop na década de 1960, é interpretado de forma canastrona por Leandro Hassum, que, mesmo ruim, ainda consegue ser menos pior que a vergonhosa interpretação do personagem feita por Bruno de Luca no recente “Minha Fama de Mau” (Lui Farias, 2019). As reconstruções de época dão o clima de ostentação e charme que rodeavam Simonal, com seus looks espalhafatosos; além disso, há charmosas inserções de letreiros e cartazes na tela, incluindo aí joguetes onde o rosto de Simonal aparece meio que confundido com o do ator Fabrício Boliveira, que refez capas e fotos icônicas do músico. Em um dos momentos mais emocionantes do filme, o diretor se vale de material documental e reexibe uma apresentação histórica de Simonal no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, com uma plateia alucinada – ver essas imagens restauradas é de arrepiar! Em tempos de artistas “cancelados”, de discussões sobre erros e perdões, é interessante refletir sobre como Simonal pagou caro demais por um erro que, aparentemente, nunca cometeu. Há uma boa lista de artistas que defenderam ao seu modo a Ditadura Militar ou mesmo que ficaram sobre o muro de forma melindrosa e nem por isso sofreram o backlash que Simonal sofreu. “Simonal”, o filme, coloca como importante pano de fundo uma questão racial que não pode ser ignorada nesse cenário. Em cena simbólica, Simonal conversa com Elis Regina, que diz “eles me perdoaram quando eu cantei o Hino, irão te perdoar agora”, no que ele responde “eles te perdoaram, mas não vão me perdoar e você sabe o porquê”. “Simonal” é filme histórico, de rememoração, mas que fala muito sobre o nosso tempo, que nos diz muito sobre raça, força e arte em 2019, por isso precisa ser visto e debatido o quanto antes.

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    Bloqueio revela ideologia de extrema direita por trás da greve dos caminhoneiros

    31 de agosto de 2019 /

    Quentin Delaroche já havia dirigido um ótimo filme sobre o cenário político recente do Brasil, “Camocim” (2017), que funcionou como uma espécie de espelho da sociedade brasileira. Em “Bloqueio” (2018), somos reapresentados a um caso que aconteceu no ano passado e que gerou uma forte repercussão, a paralisação nacional dos caminhoneiros. E tem acontecido tanta coisa de 2018 para cá que quase esquecemos este momento em que o Brasil parou. Assinado por Delaroche e por Victória Álvarez, o filme tem uma estrutura bastante simples: os diretores, ao verem que aquela situação poderia ser interessante o suficiente para gerar um filme, dirigiram-se até um dos locais de concentração dos caminhoneiros. Como o documentário é o gênero cinematográfico que mais depende do acaso para seu sucesso, podemos dizer que um dos problemas de “Bloqueiro” está na ausência de personagens marcantes. Mas nem por isso deixa de ser instigante. O filme mostra que o comportamento de boa parte dos grevistas se aproximou do bolsonarismo, como se aquela ação, de modo não deliberado, tivesse ajudado a chocar o ovo da serpente. O documentário enfatiza, em meio à luta dos caminhoneiros por melhores condições de trabalho, o que há de mais controverso em seu discurso: a defesa de uma intervenção militar. E isso acaba se mostrando ridículo quando eles são forçados a encerrar a greve devido à chegada da polícia do exército. O próprio diretor pergunta a um deles, que é maltratado por um dos militares: mas não é a eles que vocês estão pedindo socorro? Depois de discursos nacionalistas e orações de grupos evangélicos, um sopro de sobriedade surge quando dois professores chegam para discutir com o grupo, tratando justamente da questão da intervenção militar como solução para todos os problemas do Brasil, para o fim da corrupção etc. Ordem e progresso, a bandeira do Brasil, o Hino Nacional, todos esses símbolos que acabaram sendo apropriados pela extrema direita, são abraçados pelos grevistas. O que gera um sentimento misto na cena em que eles cantam o Hino Nacional. Que momento esse em que vivemos, hein?

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    Bolsonaro demite presidente da Ancine por decreto

    30 de agosto de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro demitiu o presidente da Ancine (Agência Nacional do Cinema), Christian de Castro Oliveira, com um decreto publicado no Diário Oficial da União nesta sexta (30/8). Segundo o texto, Oliveira foi oficialmente afastado dos cargos de “diretor e diretor-presidente” por conta de uma decisão da 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada em nota do Ministério da Cidadania, que diz que o processo corre em segredo de Justiça. “O Ministério da Cidadania informa que demandará esforços para que a Agência possa atender o setor com normalidade”, acrescenta a nota. A decisão pode ter relação com um mandado de busca e apreensão na sede da Ancine, no Rio, emitido no final do ano passado por aquela mesma vara. Na ocasião, foram recolhidos computadores, HDs, livros contábeis e outros itens no órgão. Esta investigação realmente corre sob sigilo judicial e os crimes listados incluem denunciação caluniosa, violação de sigilo funcional, prevaricação, calúnia, injúria, difamação e associação criminosa. Além do presidente da Ancine, também foram afastados mais dois funcionários, investigados no mesmo processo. Com isso, Alex Braga Muniz, membro da diretoria colegiada da Ancine, vai substituir Oliveira de forma interina. Ele faz parte da Ancine desde 2003, quando ocupou o cargo de Coordenador de Consultoria da Procuradoria Federal junto à Agência. Bolsonaro vem atacando a Ancine em vários pronunciamentos feitos em suas transmissões ao vivo pelas redes sociais. Ele chegou a declarar que “se a Ancine não tivesse, na sua cabeça toda, mandato, já tinha degolado todo mundo”. A ameaça foi completada num vídeo por um gesto que representa o assassinato por meio de degola. Ele também disse que pretende extinguir ou enquadrar a agência para tender os critérios de seu governo. O presidente acusa a Ancine de dar “dinheiro público” para filmes impróprios, como “Bruna Surfistinha” e obras com temática LGBTQIA+. No último dia 21, o governo suspendeu um edital para financiamento de obras que abordavam questões como sexualidade e gênero. O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro instaurou um inquérito para apurar o caso, citando que “tal ameaça ou discriminação pode importar em inobservância das regras editalícias, de caráter vinculante para a administração pública.” O MPF expediu ofícios ao Ministério da Cidadania e à Ancine, requisitando informações não só sobre a suspensão do edital, mas também sobre “suposta decisão governamental de não aprovar projetos audiovisuais relacionados a temáticas LGBT”.

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    O Tradutor, estrelado por Rodrigo Santoro, é candidato de Cuba ao Oscar de Melhor Filme Internacional

    30 de agosto de 2019 /

    Pela primeira vez na História, Cuba indicou um candidato para disputar o Oscar de Melhor Filme Internacional (categoria que até este ano era conhecida como Melhor Filme de Língua Estrangeira). E a obra escolhida é uma produção estrelada por artista brasileiro. Trata-se de “O Tradutor”, protagonizado por Rodrigo Santoro. No filme, Santoro fala espanhol e russo, dando vida à história real de Manuel Barriuso Andin, pai dos diretores Rodrigo e Sebastián Barriuso, que estreiam na direção de longas. A trama gira em torno de Manuel (Santoro), um professor universitário de literatura russa convocado a trabalhar na ala infantil de um hospital em Havana, que recebeu vítimas do acidente nuclear de Chernobyl. Ele auxilia a comunicação entre os médicos e os pacientes, que foram enviados pela Rússia para receber tratamento em Cuba. Mas o fato de serem crianças o deixa abalado. “O Tradutor” foi exibido no Festival de Sundance, nos Estados Unidos, lançado em abril passado no Brasil. O candidato do Brasil na disputa por uma vaga é “A Vida Invisível”, do diretor Karim Aïnouz. A lista com todos os candidatos ainda passará pela triagem de um comitê da Academia, que divulgará uma relação dos melhores, geralmente nove pré-selecionados, no final do ano. Dentro desses, cinco serão escolhidos para disputar o Oscar. Os indicados ao Oscar 2020 serão divulgados no dia 13 de janeiro e a premiação está marcada para o dia 9 de fevereiro, em Los Angeles.

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    Filme brasileiro Bacurau tem sessões dubladas e legendadas no cinema. Saiba o motivo

    30 de agosto de 2019 /

    O filme brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”) e Juliano Dornelles (“O Ateliê da Rua do Brum”), foi lançado nos cinemas na quinta (29/8) com versões dublada e legendada. Mas as legendas não tem nada ver com um suposto “sotaque nordestino” difícil de entender – como chegou a acontecer, por exemplo, com “Cine Holliúdy”. O próprio Kleber Mendonça Filho explicou a questão. “Desculpe o leve spoiler, mas Bacurau tem diálogos em português e em inglês. Nas partes em inglês, há duas versões nos cinemas: legendado e dublado. Cada uma uma experiência diferente. Grande abraço”, escreveu o cineasta no Twitter. O diretor ainda defendeu a versão dublada, que alguns cinéfilos resistiram em aceitar. “Acho que dá um ar mais forte de cinema B, sessão da tarde e filme de aventura. E esses profissionais da dublagem saíram com cada uma que eu fiquei. Adorei.” Vencedor do Prêmio do Juri do Festival de Cannes, “Bacurau” oferece uma mistura de gêneros que envolve o espectador numa trama misteriosa/metáfora de resistência. Estrelado por Sonia Braga (“Aquarius”), Barbara Colen (idem), Karine Teles (“Benzinho”) e pelo alemão Udo Kier (do clássico “Suspiria”), entre outros, o filme retrata o drama de um povoado isolado no nordeste que descobre que não consta mais no mapa. E se torna alvo de atentados.

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    Morto Não Fala: Terror estrelado por Daniel de Oliveira ganha imagens e trailer sangrento

    29 de agosto de 2019 /

    “Morto Não Fala”, terror estrelado por Daniel de Oliveira (“Aos Teus Olhos”), ganhou 14 fotos, pôster e trailer com cenas sangrentas. O primeiro longa dirigido por Dennison Ramalho (um dos criadores da série “Carcereiros”) traz Daniel de Oliveira como funcionário de um necrotério que tem a capacidade de conversar com os cadáveres do local. Ao ouvir segredos dos mortos, passa a recear a própria sombra, enquanto sua vida pessoal começa a desmoronar. Os filmes nacionais do gênero vem ganhando cada vez mais projeção internacional. Convidado para vários festivais, “Morto Não Fala” conquistou críticas bastante positivas no exterior, atingindo 91% de aprovação na média do site Rotten Tomatoes, nota extremamente alta para um terror. O elenco também inclui Fabiula Nascimento (“SOS: Mulheres ao Mar”), Bianca Comparato (“3%”) e Marco Ricca (“Chatô: O Rei do Brasil”). “Morto Não Fala” foi rodado em Porto Alegre, com produção da Casa de Cinema de Porto Alegre e coprodução de Globo Filmes e Canal Brasil. A estreia está marcada para 10 de outubro no Brasil.

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