Filmes sobre Suzane Von Richthofen ganham primeiras fotos oficiais
A Galeria divulgou as primeiras oito fotos oficiais dos filmes sobre Suzane Von Richthofen, condenada pela morte dos pais em 2002. As imagens destacam momentos anteriores ao assassinato e a cena da prisão. A história será contada em dois filmes, com lançamento previsto para o mesmo dia: “A Menina que Matou os Pais” e “O Menino que Matou Meus Pais”. Como indicam os títulos, os longas trarão diferentes pontos de vista sobre o caso, o de Suzane e o de Daniel Cravinhos, seu então namorado, que também participou do crime. Nos filmes, a atriz Carla Diaz (da novelinha “Rebeldes”) interpretará Suzane e Leonardo Bittencourt (da novelinha “Malhação”) vive Daniel. O elenco conta também com os atores Vera Zimmermann (“Os Dez Mandamentos: O Filme”) e Allan Souza Lima (“A Cabeça de Gumercindo Saraiva”). Os dois longas devem chegar aos cinemas ainda em 2019.
Crime de Suzane Von Richthofen vai render dois filmes diferentes com o mesmo elenco
A história de Suzane Von Richthofen, condenada pela morte dos pais em 2002, será contada em dois filmes, com lançamento previsto para o mesmo dia: “A Menina que Matou os Pais” e “O Menino que Matou Meus Pais”. Como indicam os títulos, os longas trarão diferentes pontos de vista sobre o caso, o de Suzane e o de Daniel Cravinhos, seu então namorado, que também participou do crime. “É um caso único no cinema essa produção da mesma história com olhares diferentes”, acredita Gabriel Gurman, CEO da Galeria Distribuidora. Na verdade, porém, isto já foi feito antes com a história de “Dois Lados do Amor” (The Disappearance of Eleanor Rigby). Originalmente, o drama estrelado por Jessica Chastain e James McAvoy foi lançado como dois longas diferentes, “Dois Lados do Amor: Ele” e “Dois Lados do Amor: Ela”. Cada filme trazia o ponto de vista de um dos dois protagonistas. Mas depois da exibição no Festival de Toronto em 2013, a produção acabou ganhando uma nova edição, que juntou ambos os pontos de vista numa única trama para o lançamento internacional – ainda assim, os dois filmes originais tiveram distribuição limitada como programa duplo nos Estados Unidos. No caso dos filmes sobre Suzane Von Richthofen, é uma forma de contrapor dois relatos diferentes de um crime que chocou o Brasil. “É uma oportunidade de o público analisar e chegar às suas próprias conclusões sobre o que aconteceu”, resumiu Gurman, no comunicado. “Temos discutido muito internamente o que é verdade. Se eles [Suzane e Daniel] estão falando coisas diferentes, qual é a verdade?”, chegou a questionar o diretor Maurício Eça (“Carrossel: O Filme”). Nos filmes, a atriz Carla Diaz (da novelinha “Rebeldes”) interpretará Suzane e Leonardo Bittencourt (da novelinha “Malhação”) vive Daniel. O elenco conta também com os atores Vera Zimmermann (“Os Dez Mandamentos: O Filme”) e Allan Souza Lima (“A Cabeça de Gumercindo Saraiva”). Os filmes devem chegar aos cinemas ainda em 2019.
Dona Hermínia descobre que vai virar avó no primeiro teaser de Minha Mãe É uma Peça 3
“Minha Mãe É uma Peça 3” ganhou pôster e seu primeiro teaser. O vídeo é basicamente uma cena do filme. Bastante teatralizada, a sequência anuncia as duas principais novidades da trama: o casamento gay de Juliano (Rodrigo Pandolfo) e a gravidez de Marcelina (Mariana Xavier). As notícias fazem a mãe dos jovens – e futura avó – Dona Hermínia (Paulo Gustavo) curar-se rapidamente de um mal súbito que a levou ao hospital. As novidades já tinham vazado e chegaram até a render polêmica com Paulo Gustavo, que também assina o roteiro. Tudo porque o casamento gay não terá direito a beijo. Saiba mais aqui. Com direção de Susana Garcia (“Minha Vida em Marte”), o terceiro filme da franquia chega aos cinemas brasileiros em dezembro.
Produtores de Greta se manifestam sobre corte de apoio da Ancine para participação no Queer Lisboa
Os produtores do filme “Greta” se manifestaram oficialmente sobre a rescisão do apoio financeiro da Ancine para a participação do longa no Festival Internacional Queer Lisboa. Eles consideram que, além da desculpa da falta de verbas alegada, a ação coincide com “a intenção de controle sobre o conteúdo produzido pelo setor audiovisual” já manifestada pelo presidente Jair Bolsonaro, especialmente após ataque público a obras de temática LGBTQIA+, que resultaram em suspensão de edital destinado a produção de séries do gênero. Na nota oficial, os produtores revelaram ter ficado sabendo que não teriam apoio através da coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo. A justificativa oficial da Ancine foi um corte de R$ 13 milhões nas despesas gerais da agência. “Quando o corte atingiu o Programa de Apoio à Participação em Festivais Internacionais, a diretoria optou por cumprir com os apoios publicadas no DOU [Diário Oficial da União] referentes a filmes que já estavam no exterior e cancelar os apoios já aprovados e publicados referentes aos dois filmes citados”, escreveram, referindo-se a “Greta” e “Negrum3”, outro filme brasileiro que participaria do festival em Lisboa. “O ponto difícil de aceitar nessa resolução da Agência, sem entendê-la como censura, é que o nosso apoio foi aprovado há três semanas, a decisão retroativa poupou os projetos que participaram dos festivais de Toronto e Veneza, entretanto recaiu sobre dois filmes com temática LGBTQI+ inviabilizando a representação do Brasil num dos maiores festivais do gênero no mundo”, continuaram. “Recebemos com confiança as justificativas dadas pela Ancine, mas não podemos deixar de manifestar nossa profunda preocupação em face aos notórios casos de censura e perseguição à atividade artística e à liberdade de expressão, uma vez que a intenção de controle sobre o conteúdo produzido pelo setor audiovisual é pauta recorrente nos pronunciamentos do governo em relação a Ancine”, completaram os produtores. O comunicado ainda citou que “Greta” teve sua estreia mundial no festival de Berlim, além de participar de festivais na Ásia, na Europa e na América Latina. Estrelado por Marco Nanini, “Greta” retrata um enfermeiro gay que, ao tentar ajudar uma amiga transgênero, se vê envolvido romanticamente com um criminoso bem mais jovem. O filme será lançado comercialmente nos EUA, Itália, Alemanha, Holanda, Bélgica e Luxemburgo. A estreia no Brasil está marcada para 10 de outubro. “Greta” e “Negrum3” não foram os únicos filmes afetados pelo corte de verbas. Entre as vítimas, também se encontra “Pacarrete”, longa vencedor do Festival de Gramado deste ano. Dirigido por Allan Deberton, produtor de uma das séries LGBTQIA+ atacada por Bolsonaro no final de agosto, o filme também teve o apoio para ser exibido no Festival de Bogotá, na Colômbia, rescindido. Já a mineira Juliana Antunes contava com o apoio da agência para levar seu curta “Plano Controle” ao Festival de Nova York, com início em 27 de setembro, na semana que vem. É importante lembrar, de novo, que a mesma portaria que derrubou o edital das séries LGBTQIA+ congelou o acesso ao FSA (Fundo Setorial do Audiovisual). O efeito colateral da justificativa apresentada travou o financiamento de todo o setor. Para não fazer as séries que Bolsonaro atacou numa live por considerar “impróprias”, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, alegou falta de nomeação dos membros do Comitê Gestor do FSA, responsável por direcionar as verbas arrecadadas com o Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, taxa cobrada da indústria de cinema, TV e telefonia) para seus respectivos programas de fomento. O detalhe é que a formação do comitê depende das indicações do governo. E, passados nove meses de sua posse, Bolsonaro ainda não indicou nenhum representante. Como o governo alega que não pode liberar as verbas por não haver comitê que as direcione, e tampouco nomeia o comitê para resolver isso, está tudo parado.
Vai que Cola 2 estreia em 2º lugar nas bilheterias brasileiras
Assim como aconteceu na América do Norte, o terror “It: Capítulo Dois” manteve a liderança nos cinemas brasileiros pela segunda semana consecutiva. O longa foi assistido por 553 mil pessoas, rendendo R$ 9,1 milhões no país. Mas o mais interessante é que, das cinco maiores bilheterias do fim de semana, três são produções nacionais. A maior estreia de quinta passada (12/9), “Vai que Cola 2 – O Começo” ficou na vice-liderança. A comédia derivada da TV atraiu 223 mil espectadores e arrecadou R$ 3,7 milhões. Com isso, “Nada a Perder 2″, cinebiografia de Edir Macedo, caiu para o 3º lugar, com público de 249 mil pessoas e renda de R$ 2,1 milhões. A lista inclui ainda outra cinebiografia religiosa brasileira: “Divaldo – O Mensageiro da Paz”, que fez R$ 1,8 milhão em seu final de semana de estreia e ficou em 4º lugar. O Top 5 se completa com a comédia musical “Yesterday”, novo filme de Danny Boyle (“Quem Quer Ser um Milionário?”) que imagina o mundo sem os Beatles e levantou R$ 1,5 milhão entre quinta e domingo (15/9). Os dados são da consultoria Comscore. Veja abaixo o resto do Top 10 do fim de semana nas bilheterias, que ainda inclui mais um lançamento nacional: “Bacurau”. TOP 10 #bilheteria Final Semana 12 a 15/09:1. It Capitulo Dois 2. Vai Que Cola 2 – O começo3. Nada a Perder 24. Divaldo – O Mensageiro da Paz5. Yesterday6. Bacurau7. O Rei Leão8. Corgi: Top Dog9. Era Uma Vez em…Hollywood10. Abigail e a Cidade Proibida — Comscore Movies BRA (@cSMoviesBrazil) September 16, 2019
Diretor de filme LGBTQIA+ atacado por Bolsonaro diz sofrer ameaças de morte
O cineasta Bruno Victor Santos revelou que vem recebendo ataques nas redes sociais após seu filme “Afronte” ser mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) numa live. O projeto da adaptação do curta numa série foi citado entre por Bolsonaro numa live em agosto, em que o presidente se manifestou contra produções de temática LGBTQIA+, afirmando que não iria liberar verba para esse tipo de “filmes”. “Um discurso de ataque tão direto do presidente valida que outras pessoas façam o mesmo”, escreveu o diretor num desabafo publicado pelo site The Intercept Brasil. “E eu recebi ataques extremamente dolorosos, desde apoios à fala [de Bolsonaro] e à censura, até gente falando da cor da minha pele, da minha orientação sexual.” Bruno conta que ele foi chamado de “cosplay de Marielle Franco” em um dos ataques. Ele considera motivo de orgulho ser comparado à figura da vereadora assassinada em 2018, mas o motivo da associação é o pior possível. “O que eles estão falando que eu mereço ter uma morte parecida com a dela. E eu fiquei com medo, me retirei das redes sociais. E sei que essas pessoas são covardes e gostam de violência, e que elas querem que a população preta, principalmente LGBT, continue sendo massacrada”, declarou. Codirigdo por Bruno Victor e Marcus Azevedo, o curta “Afronte” mostra a realidade vivida por negros homossexuais no Distrito Federal. Exibido no Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade e no Festival de Brasília em 2017, a obra venceu o Prêmio Saruê, concedido pelo jornal Correio Braziliense no evento da capital – o nome é homenagem ao longa-metragem “O País de São Saruê”, de Vladimir Carvalho, retirado do Festival de Brasília em 1971 por conta da censura. “Confesso que não entendi nada. Olha, a vida particular de quem quer que seja, ninguém tem nada a ver com isso, mas fazer um filme mostrando a realidade vivida por negros homossexuais no DF, não dá para entender. Mais um filme que foi para o saco”, disse o Bolsonaro, deixando claro a ordem de impedir a produção do projeto. Seis dias depois, uma portaria do Ministério da Cidadania suspendeu o edital para a produção das séries atacadas pelo presidente – que, na ocasião da live, achava que eram filmes. Para não fazer as séries, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, encontrou uma brecha. Ele mandou suspender tudo alegando falta de nomeação dos membros do Comitê Gestor do FSA, responsável por direcionar as verbas arrecadadas com o Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, taxa cobrada da indústria de cinema, TV e telefonia) para seus respectivos programas de fomento. O detalhe é que a formação do comitê depende das indicações do governo. E, passados nove meses de sua posse, Bolsonaro ainda não indicou nenhum representante. O decreto prevê a suspensão do edital por 180 dias, podendo prorrogar o prazo caso o comitê gestor continue sem as indicações dos membros do governo. Trata-se, portanto, de uma inação intencional, como estratégia para censurar obras, cujo efeito colateral, pela justificativa apresentada, travou o financiamento de todo o setor. Como (apenas) a Pipoca Moderna vem alertando, isto não afetou apenas as séries que tiveram seu edital suspenso. Todos os projetos audiovisuais estão impedidos de receber financiamento, com base na justificativa apresentada. E isso já traz consequências claras para o setor. Após a fala de Bolsonaro e a ação de Osmar Terra, entidades LGBTQIA+ denunciam o presidente na Procuradoria Geral da República por homofobia e o MPF (Ministério Público Federal) no Rio de Janeiro já instaurou um inquérito civil para apurar a suspensão do edital. A suspeita de homofobia também é uma das questões apuradas. Além disso, a suspensão do edital está enfrentando processos da entidades representantes da indústria audiovisual brasileira. Bolsonaro já foi condenado por declarações homofóbicas em 2011, tendo que pagar R$ 150 mil, por danos morais, ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDDD) do Ministério da Justiça. Isto porque na época o crime não era equiparado ao racismo, que contempla penas de reclusão. Isto mudou neste ano, em entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) que igualou as punições a todos os atos de intolerância.
Censura: Ernesto Araújo diz que é “natural” dar apoio a “determinados filmes” e não para outros
A revelação de que a Embaixada do Brasil no Uruguai teria tentado censurar a exibição do documentário “Chico: Artista Brasileiro”, de 2015, numa mostra de cinema brasileiro em Montevideo, foi comentada pelo chanceler Ernesto Araújo, durante sua visita a Washington. A tentativa de censura ganhou projeção internacional após a produtora JBM Producciones acusar a Embaixada brasileira, uma das patrocinadoras do Festival Cine de Brasil 2019, de proibir a inclusão do filme na mostra. A questão veio à tona num comunicado da JBM ao diretor Miguel Faria Jr. O jornal O Globo cita que, em anexo, há um arquivo de áudio recebido pela produtora, em que uma mulher diz: “A Claudia agora conversou com o embaixador em Montevidéu, do Brasil no Uruguai, e eles falaram que ‘Chico’ é um filme que eles não querem exibir. Então vamos tirar ‘Chico’, tá?”. A empresa que organiza a mostra é outra, chamada Inffinito. A orientação para tirar o filme teria sido feita para a Inffinito, que repassou a informação para a JBM. Ao abordar a polêmica, Araújo negou a determinação de censura, preferindo usar palavras mais amenas como “preferência”, “sugestão” e “apoio a determinados filmes”. Ao mesmo tempo, confirmou orientação da Embaixada para vistoriar listas de títulos e pedir supressão de obras que desagradem ao governo Bolsonaro em troca de apoio. “Houve um pedido, de uma entidade que está organizando uma mostra de cinema, de algum tipo de apoio da embaixada brasileira em Montevidéu. A embaixada pediu a lista, foi-lhe fornecida a lista de filmes que potencialmente poderiam ser exibidos. E a embaixada indicou quais seriam aqueles que, enfim, seriam da preferência, digamos. E acho que o interesse não estava nesse filme sobre o Chico Buarque. E a empresa, essa entidade que terá algum tipo de apoio institucional da embaixada seguiu, pelo o que eu sei, essa sugestão”, disse o chanceler. “Então, é uma situação em que, se você pede o apoio institucional da embaixada brasileira, é natural que a embaixada brasileira fale: eu quero dar apoio para esses determinados filmes a serem exibidos”, completou.
Congelamento de verbas do audiovisual brasileiro já afeta filmes convidados para festivais internacionais
E segue firme o projeto de destruição da indústria cinematográfica e da volta escamoteada da censura no Brasil. Entre as vítimas da vez encontra-se “Pacarrete”, filme vencedor do Festival de Gramado deste ano. Dirigido por Allan Deberton, produtor de uma das séries LGBTQIA+ de um edital de TVs públicas polemicamente cancelado pelo governo Bolsonaro no final de agosto, o filme teve o pedido de apoio para ser exibido no Festival de Bogotá, na Colômbia, negado. A decisão é parte de uma deliberação da diretoria da Ancine, que atualmente está reduzida a duas pessoas após afastamentos e pela imobilidade transformada em método de governo. A dupla precisou suspender todos os programas de apoio por falta de verba. Além de Deberton, cineastas de outras cinco produções, entre curtas e longas-metragens, dizem ter sido lesados pela decisão, porque tiveram seus pedidos de apoio aprovados pela Ancine, compraram passagens aéreas para os respectivos festivais de que participariam, e só depois receberam o aviso de suspensão do programa. A mineira Juliana Antunes contava com o apoio da agência para levar seu curta “Plano Controle” ao Festival de Nova York, com início em 27 de setembro, daqui a duas semanas. Ela também negociava participar da Viennale, que acontece no final de outubro em Viena, e para o Festival de Mar del Plata, na Argentina, em novembro. “Como virar dinheiro da noite pro dia e arcar com uma viagem para a qual não tenho a menor condição financeira?”, questionou a diretora em entrevista à Folha de S. Paulo. Já Ana Carolina Marinho Dantas apelou para uma vaquinha virtual para conseguir apresentar o curta “Entre” no Festival de Londres, e articula uma ação jurídica contra o órgão junto com outros cineastas prejudicados. A verdade, porém, é que o problema é maior que o vislumbrado pelas reportagens da grande imprensa e manifestações de cineastas pontualmente prejudicados. Não falta dinheiro apenas para o programa de apoio à participação em festivais internacionais. O governo de Jair Bolsonaro congelou todo o investimento federal na indústria audiovisual brasileira. É importante lembrar, de novo, que a mesma portaria que derrubou o edital das séries LGBTQIA+ decretou a paralisia completa do investimento no setor ao congelar o FSA (Fundo Setorial do Audiovisual). Para não fazer as séries que Bolsonaro atacou numa live por considerar “impróprias”, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, encontrou uma brecha. Ele mandou suspender tudo alegando falta de nomeação dos membros do Comitê Gestor do FSA, responsável por direcionar as verbas arrecadadas com o Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, taxa cobrada da indústria de cinema, TV e telefonia) para seus respectivos programas de fomento. O detalhe é que a formação do comitê depende das indicações do governo. E, passados nove meses de sua posse, Bolsonaro ainda não indicou nenhum representante. O decreto apocalíptico prevê a suspensão do edital por 180 dias, podendo prorrogar o prazo caso o comitê gestor continue sem as indicações dos membros do governo. Trata-se, portanto, de uma inação intencional, como estratégia para censurar obras, cujo efeito colateral, pela justificativa apresentada, travou o financiamento de todo o setor. Como (apenas) a Pipoca Moderna vem alertando, isto não afeta apenas as séries que tiveram seu edital suspenso. Todos os projetos audiovisuais estão impedidos de receber financiamento, com base na justificativa apresentada. Apesar do impacto desse congelamento, a “grande imprensa” segue perceber a abrangência nem dar a devida importância para o assunto, assim como deixou de repercutir o anúncio do ministro Osmar Terra sobre seus planos para acabar com as cotas do cinema nacional e a produção de filmes de arte – os que vencem festivais – , no Brasil.
Ex-namorados, Fábio Assunção e Maria Ribeiro viverão amantes em nova série
Fábio Assunção (“Entre Idas e Vindas”) e Maria Ribeiro (“Como Nossos Pais”) vão estrelar a série “Todas as Mulheres do Mundo”, baseada no filme homônimo de Domingos de Oliveira. Ex-namorados, os dois participarão de um triângulo amoroso que envolve ainda o protagonista da história, interpretado por Emílio Dantas (“O Paciente: O Caso Tancredo Neves”). Na versão desenvolvida para a Globo, Ruy (Fábio Assunção), que é casado, se envolve com Renata (Maria Ribeiro), sua colega de trabalho num escritório de arquitetura. Insatisfeita com a relação, ela começa a fingir que está de namorico com Paulo (Emílio Dantas), que, sem querer, acaba formando um triângulo amoroso com os dois arquitetos. O filme original de 1966 se passava numa época em que homens se orgulhavam em ser cafajestes e mulherengos. O Paulo da comédia clássica era vivido por Paulo José, um boa vida que um dia encontra Maria Alice e fica tão impressionado que passa a acreditar que ela era a síntese de todas as mulheres do mundo – daí o título. A partir daí, ele encara o dilema de se atirar na relação e virar monogâmico ou continuar a correr atrás de mulheres diferentes. A trama não tinha personagens chamados Ruy e Renata, mas a mulher icônica era Leila Diniz. A nova Maria Alice será vivida por Sophie Charlotte, que Domingos de Oliveira dirigiu em seu último filme, “BR 716” (2016). A adaptação de “Todas as Mulheres do Mundo” está a cargo do cineasta Jorge Furtado (“O Homem que Copiava”) e o elenco também inclui Fernanda Torres (“Sob Pressão”), Matheus Nachtergaele (“Cine Holliúdy”), Lilia Cabral (“Divã”), Felipe Camargo (“O Rastro”), Floriano Peixoto (“Carandiru”), além de Maria Mariana (“Confissões de Adolescente”) e Priscilla Rozenbaum (“Infância”), respectivamente filha e viúva de Domingos de Oliveira. As gravações da série começaram na quinta-feira (12/9) em Araras, interior do Rio de Janeiro, com direção de Patrícia Pedrosa (“Mister Brau”, “Shippados”).
Censura: Embaixada brasileira tenta impedir exibição de filme sobre Chico Buarque no Uruguai
A produtora uruguaia JBM Producciones comunicou ao diretor Miguel Faria Junior que seu documentário “Chico: Artista Brasileiro”, de 2015, foi censurado pela Embaixada brasileira em Montevideo. A Embaixada, uma das patrocinadoras do Festival Cine de Brasil 2019, a ser realizada em outubro, avisou aos produtores do evento que o filme, que narra a trajetória do artista Chico Buarque nos últimos 50 anos, estava proibido de integrar a mostra. A carta enviada pela produtora ao diretor Miguel Faria foi publicada na íntegra pela coluna de Anselmo Goes no jornal O Globo “Querido Miguel Quiero informar cómo van las cosas camino al estreno, finalmente, de CHICO en Uruguay. Junto a nuestra asociada ENEC quien además de distribuidores son exhibidores, habíamos planificado estrenar el filme en el Festival de Cine de Brasil 2019 que se lleva a cabo en octubre y entre otros es auspiciado por la Embajada de Brasil en Montevideo. Esta mañana recibo un sorpresivo mensaje del exhibidor diciéndome que los llamaron de la embajada para “pedirles” que NO se exhiba el filme de CHICO en ese festival. Si bien es lógico debido a la situación política de Brasil, en Uruguay es muy grave que se censure la exhibición de una película siendo que en este caso JMB Filmes de Uruguay es el distribuidor y este acto afecta nuestros intereses. Adjunto mas abajo copia del mensaje oficial de ENEC (dueños socios de la sala ALFA/BETA) comunicándomelo y un archivo adjunto de audio de la llamada de una señora, suponemos desde Brasil, que avisa a la sala de la desición de la embajda de Brasil en Uruguay.” Anselmo Goes também informou que a empresa responsável pelo festival, a Infinitto, resolveu incluir o filme assim mesmo, por não aceitar censura do Brasil no Uruguai. Não está claro se a Embaixada vai retirar o apoio ao evento.
Entidades LGBTQIA+ denunciam Bolsonaro na Justiça por homofobia após falas contra filmes e séries
Cinco entidades de defesa dos direitos LGBTQIA+ decidiram denunciar judicialmente o presidente Jair Bolsonaro (PSL) por homofobia. Eles deram entrado numa representação na PGR (Procuradoria-Geral da República), pedindo uma ação do MPF (Ministério Público Federal) contra o presidente. A acusação é baseada nas declarações de Bolsonaro sobre filmes e séries que tiveram o
José Padilha está fazendo documentário sobre a Operação Lava Jato
O cineasta José Padilha está fazendo um documentário sobre a Operação Lava Jato. O UOL apurou que o diretor esteve nesta quinta-feira (12/9) no Rio de Janeiro, para registrar imagens e entrevistas na redação do The Intercept Brasil, o site responsável pelos vazamentos de mensagens trocadas pelos integrantes da força-tarefa. O projeto é uma produção internacional, com participação da Concordia Studio, produtora do documentário “Uma Verdade Inconveniente” (2006), escrito e narrado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, que venceu dois Oscars em 2007. Diretor do documentário “Ônibus 174” e dos dois filmes da saga “Tropa de Elite”, Padilha também é o criador da série “O Mecanismo”, da Netflix, livremente inspirada na operação da Lava Jato. A produção de streaming retratava a Lava Jato como um feito histórico de enfrentamento à corrupção no Brasil. Mas, em maio, durante promoção da 2ª temporada da atração, Padilha começou a criticar abertamente Sérgio Moro, o juiz que sentenciou Lula à prisão às vésperas das últimas eleições, por aceitar cargo no ministério de Jair Bolsonaro. A previsão de estreia do documentário, que ainda não tem título oficial, é para o primeiro semestre de 2020.
Filme Marighella tem lançamento cancelado no Brasil
A estreia do filme “Marighella”, dirigido por Wagner Moura, foi cancelada. Em nota divulgada na tarde desta quinta-feira (12/9), a produtora O2 informou que cancelou a estreia, prevista para 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, por não conseguir cumprir “todos os trâmites” exigidos pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). Não há nova data para o lançamento do filme nos cinemas. “Marighella segue sendo apresentado com muitos sucesso em vários festivais de cinema no mundo. Nosso objetivo principal sempre foi a estreia no Brasil. Os produtores e a distribuidora Paris Filmes vão seguir trabalhando para que isso aconteça”, diz a nota da O2, dando a entender que seria apenas um adiamento. Na prática, porém, trata-se sim de um cancelamento. Situação que só será transformada em adiamento quando uma nova data for anunciada. Dirigido pelo ator Wagner Moura e estrelado por Seu Jorge no papel do ex-deputado, poeta e guerrilheiro do título, assassinado pela ditadura militar em 1969, “Marighella” vem enfrentando problemas há tempos. Em ação coordenada de bolsominions (nome dado aos trolls brasileiros), os perfis da produção em sites internacionais, como IMDb e Rotten Tomatoes, foram tomados por críticas falsas e negativas de milhares de robôs que não viram o filme. Ambos os sites se viram forçados a apagar as mensagens de ódio e tomar medidas, mudando as regras para comentários de todo o mundo, para impedir o ataque virtual. Em julho passado, foi a vez de Wagner Moura desabafar sobre ameaças que estaria recebendo. Durante sua participação no Festival de Sydney, na Austrália, confessou ter medo de voltar ao Brasil. “Pela primeira vez na minha vida, eu sinto que estou correndo risco”, relatou ao jornal australiano Daily Telegraph. Em agosto, a Diretoria Colegiada da Ancine indeferiu dois pedidos da O2 a respeito ao ressarcimento de recursos da produção. A não liberação de verbas é apontada como a razão do adiamento/cancelamento. O caso ocorre em um momento de crise da indústria cinematográfica nacional, deflagrada por ataques, censura e cortes de financiamentos por parte do governo de Jair Bolsonaro. Além de proibir apoios de estatais, reduzir teto para incentivos, cortar gastos variados para divulgação de filmes brasileiros no exterior, congelar verbas, desmontar estruturas e cancelar editais, o governo também anunciou enxugamento de 43% no Fundo Setorial do Audiovisual e planos para acabar com as cotas de cinema nacional e o incentivo a filmes de arte do país – do tipo que é premiado em festivais internacionais. Por conta disso, o Festival do Rio já anunciou que também pode acabar, já neste ano.






